sexta-feira, abril 24, 2009


Poeira (T) 2006

Depois dos (demasiados) textos sobre "novidades", sobre "visitas" e afins, voltamos às provas individuais. E voltamos a um grande nome recente do Douro. Já é bem sabido que Jorge Moreira atribui ao seu Poeira um carácter diferente daqueles tintos que mais têm marcado o Douro na última década. Já é bem sabido que o Poeira é um projecto com "pés e cabeça", e que os vinhos se vão moldando às características de cada colheita.
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Mais do que um certo excesso de presença aromática, mais do que um corpo pungente, mais do que uma sedução imediata, o Poeira tem revelado um lado mais fino no Douro, mas não menos recompensador quando guardado alguns anos na garrafeira. É, na verdade, mais fresco e mais elegante - e o estágio em garrafa aparenta fazer-lhe melhor -, do que à maioria dos outros durienses. Pelo menos, é o que podemos antever desde a sua primeira colheita em 2001. Mas tudo isto que se acabou de escrever é já, estamos certos, do conhecimento dos leitores, e em especial daqueles que, com conhecimento prático, já beberam, por exemplo, o magnífico Poeira '04 (um dos nossos predilectos). Pois bem, e o 2006? Quem já provou?

Numa pincelada breve, arriscamos a dizer que, entre alguns dos nomes maiores do Douro - neles incluindo os vários produtores que dão corpo ao projecto "Douro Boys" e os grandes nomes do Douro Superior -, este Poeira '06 é um dos tintos mais fascinantes da colheita na região. Imediatamente fresco no copo, de carácter rude, taninos muito secos, este é um vinho para durar e não apresenta tiques de excesso de maturação visíveis noutros vinhos do mesmo ano. Apesar da sua dureza, sente-se (mais ainda do que em anteriores colheitas) e muito agrada a presença da Touriga Nacional a atribuir um leve carácter floral a um conjunto que, por estar ainda bruto (o melhor é esperar um par de anos...), encontra-se por ora algo indefinido no nariz ao nível da fruta - ora mais madura, ora com matizes de fruta encarnada. Na boca, apresenta o corpo típico da marca - i.e., com muita presença mas não em amplitude -, todo ele equilibrado apesar de ligeiramente químico, e, com arejamento vigoroso, até mesmo cativante e quase saboroso.

Por enquanto, está algo "preso", mas afigura-se a um nível alto, sobretudo se tivermos em consideração os seus pares na difícil colheita de 2006 no Douro. Não se encontrando no mesmo campeonato das colheitas de '01, '04 e '05, está, todavia, bem bom! Para guardar na garrafeira já se sabe, e só para quem tiver entre €28-€35 para gastar numa garrafa (pois é, já foi mais barato...).


17,5

Próximos vinhos: VT (T) 2005; Vértice rosé (Esp) 2007; Quinta de Porrais (B) 2007; Vinha Othon Reserva (T) 2006.

segunda-feira, abril 13, 2009

Saca a Rolha na Madeira


Mal tínhamos saído do Aeroporto da Madeira e já nos dirigíamos para a "Paixão do Vinho" (Via Rápida, cota 200, Posto Repsol), garrafeira pertencente aos sócios Filipe Santos e a Francisco Albuquerque. Tudo combinado, pormenores ajustados, foi com o segundo dos consócios, enólogo da "Madeira Wine Company", que planeámos, para o dia seguinte, uma visita ao Wine Lodge da "Blandy's", outrora Convento de São Francisco, mesmo no epicentro do Funchal.


Francisco Albuquerque tem no curriculum três prémios mundiais de melhor enólogo de vinhos fortificados, mas poderia ter também vários outros prémios tanto pela gestão de um imenso stock de vinhos (milhões de litros), como pela supervisão de cerca de quatrocentos produtores (onde a parcela de maior dimensão não chega a um ¼ de hectare), ou ainda pela homérica catalogação dos aromas dos vinhos da ilha. E claro, um prémio também pela fantástica capacidade de comunicação, através da qual consegue trocar "por miúdos" qualquer matéria tecnicamente mais complexa.


Aliciante, no mínimo, foi a visita guiada ao Wine Lodge da "Blandy's" pelo próprio Francisco Albuquerque, que incluiu a entrada no cofre onde estão guardadas as últimas reservas (e no qual brilham, entre outras, as famosas garrafas 1792 Napoleão) e não dispensou a visita às várias salas onde repousam em canteiro (chama-se "canteiro" pois as pipas encontram-se fixas sobre pedras trabalhadas pela técnica de cantaria) os vinhos que irão constituir novos lançamentos e/ou enchimentos. De seguida, na Sala Frasqueira, provaram-se, da "Blandy’s", os Colheitas Malmsey de 1990 e de 1993 (ambos bons, mas mais complexo e amplo o primeiro), os Colheita Bual de 1990 e de 1992 (com este último a revelar-se vibrante e fresco) e o elegantíssimo Frasqueira Bual s/d com, pelo menos, mais de 50 anos (fino de perfil e de recorte gracioso, a notar-se o tempo de garrafa). Provaram-se ainda dois vinhos por nós já conhecidos, o Bual 1968 e o Bual 1977, ambos muito bons. Da Cossart Gordon, provou-se um explosivo Sercial 1963, um vinho de concentração máxima, absolutamente seco na boca e de final de acidez elevada e prolongadíssimo (a demonstração do que melhor a casta consegue fazer, mas poucas vezes o faz).


Tempo ainda para provas na "Barbeito", proporcionadas pelo afável staff da "Garrafeira Diogos" (Av. Arriaga, 48, Funchal), com destaque para o altivo Malvasia Lote 20 anos (doses maciças de avelãs e noz, e ainda bolo inglês como referências) e para o muito acessível Single Harvest 1997, um 100% Negra Mole que não pretende ficar na sombra das castas brancas e mostra-se em muito bom plano. Provaram-se ainda os Reserve 10 anos, quer de Bual quer de Malvasia, dois clássicos e best-sellers da marca, sempre com um óptima relação preço-qualidade.



terça-feira, abril 07, 2009


APRESENTAÇÃO de novos vinhos
José Maria da Fonseca


Foi num ambiente descontraído mas sofisticado, no restaurante "Casa da Dízima" (Paço d’Arcos), que decorreu uma apresentação dos últimos vinhos de mesa da José Maria da Fonseca. O menu estava preparado, a casa quase cheia, e os vinhos a postos. Mais do que o passado grandioso da conhecida produtora de Azeitão, importava, nas palavras de António Soares Franco (administrador da JMF) conhecer os vinhos que marcarão o futuro. Um futuro risonho diga-se, pelo que se provou.

Tudo começou com mais uma edição do DSF Moscatel Roxo Rosé, desta feita da colheita de 2008, revelando-se, uma vez mais, como um dos melhores rosé nacionais (e não só). Complexo no nariz com fruta e matizes florais (rosas) intensas, corpo mediano/encorpado e final saboroso. Uma aposta ganha por Domingos Soares Franco, um rosé que marca pela superioridade sobre os concorrentes e que revela uns nem sempre simpáticos 12.9% de álcool (17).

Depois, já com uma terrina de foie-gras no prato (com compota de figo, maça "grany smith", e "peta zetas", muito bom por sinal) provou-se o Camarate (B) 2008, um branco doce, produzido a partir de uvas Moscatel e Malvasia fina, em iguais proporções. Muito frutado, com pendor pesado para fruta cozida e referências a amêndoa amarga e anona, algo linear. Portou-se bem, todavia, no que respeitou ao "wine paring" com o foie gras (e mostrou ter apenas 11% de álcool), mas foi o vinho em apresentação que menos nos agradou (14,5).

Surgiu então uma boa surpresa, uma nova edição do Pasmados (B) 2007, com um perfil ligeiramente diferente. Mantém-se um branco sério, mas agora sente-se mais um curioso lado duriense (quase 50% de Viosinho, o resto é de Viognier e de Arinto e muito pouco de Esgana). Muito bem no nariz, apesar da evidente madeira, revelou frutos secos, pouca exuberância a fruta e algum mineral. Um óptimo acompanhamento a um belíssimo atum fresco em tataki (sobre arroz de sushi tostado, legumes frios e manteiga de manga). Belo branco, boca ampla mas fresca, à qual só faltou alguma acidez, pelo que sugere ser mais para o Inverno do que propriamente para a época estival (16).

Por fim, serviu-se o topo de gama Hexagon (T) 2005, muito mais vinho que as duas edições anteriores, mais força, mais músculo, mais taninos, enfim mais garra. A acompanhar um medalhão de javali (mimado com trouxa de chévre, maça esmolfe caramelizada e molho frio de moscatel, numa criação culinária que só pecou pela secura e dureza da carne), o Hexagnon mostrou ser dotado de um nariz intenso a fruta preta (amora e mirtilhos), folha de tabaco, e referências a carvalho novo. Boca com muita fruta, boa acidez, complexidade assinalável (são seis castas, com predomínio para a Syrah, Trincadeira e Touriga Franca) e um bom prolongamento de final de boca. Temos vinho (1717,5)!

Em suma, ficou demonstrado que a JMF tem muito para dar, para além dos seus maravilhosos moscatéis. Houve, aliás, oportunidade de provar também o Alambre 20 Anos (muito bom na relação preço-qualidade, e uma óptima entrada nos moscatéis mais sérios) e a Aguardente Espírito, uma belíssima aguardente de moscatel que já não se produz.
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quinta-feira, abril 02, 2009


NOVIDADE

Quinta dos Avidagos
Reserva (T) 2006

Não é a primeira vez que provamos vinhos da Quinta dos Avidagos e este Reserva da colheita de 2006 vem confirmar a apetência do terroir da casa Nunes de Matos, com duas quintas próximas da Régua, para fruta compotada e corpo delicado (eg., ver aqui e ali).
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É um tinto que não mostra a rusticidade que marcou alguns tintos em 2006, que está com fruta que chegue para satisfazer os mais gulosos, e que mantém contudo elegância na integração da madeira. Na boca é sedutor, com muita fruta madura, estilo quente e um "pico na boca" como que a querer dizer para não esquecermos dele na garrafeira. Sem ser profundo, apresenta complexidade e não segue o registo actual da predominância da Touriga Nacional, o que lhe confere algum grau de originalidade. Corpo mediano, mas com final saboroso a pedir acompanhamento sério à mesa.

Em suma, não chegando à qualidade apresentada pelo "Além Tanha Vinha Velhas" (o topo de gama da casa, com edições de 2001, 2003 e 2004), está, contudo, muito seguro de si e vem na linha da edição anterior. Perfil moderno, descomplicado, sedutor e sem extracção desmedida. A menos de €10 na Wine O´Clock é uma óptima opção para carnes grelhadas.


15,5

quinta-feira, março 26, 2009


NOVIDADES
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HERDADE DA COMPORTA

Apenas a uma hora de Lisboa, a sul de Tróia, fica a Herdade da Comporta entre praias e pinhais. Os vinhos produzidos aqui não se confundem facilmente, dada a proximidade com o mar, nem com os néctares das terras de pó de Palmela, nem com néctares da planície alentejana. São um "two-in-one" entre Terras do Sado e Alentejo!

Chegam-nos então duas novidades, e logo dois vinhos para se situarem no topo da gama. No branco, um Antão Vaz; no tinto, um bivarietal de Aragonez e Alicante. Qual gostámos mais?

Herdade da Comporta Antão Vaz (B) 2007: É um branco com muita qualidade, um puro Antão Vaz, que nasce com aromas fechados, vegetais, e só passado algum tempo no copo se revela mais frutado e citrino. Boca gorda, muito ampla. Tudo no sítio, mas demasiado moldado à casta, excessivamente directo, como é natural num monovarietal (é por estas, e por outras, que preferimos os lote). Em todo o caso, um óptimo exemplar desta casta cada vez mais presente nos topos de gama brancos produzidos a sul do Sado. 16

Herdade da Comporta Aragonez + Alicante Bouchet (T) 2006: Este tinto tem outra estirpe... Não se limita a ter fruta, como ademais a fruta tem muita qualidade, revela-se limpa e cativante (não é totalmente madura, mas lembra amoras e ameixas). O corpo aguenta a fruta, e trás uma acidez viva e um toque rústico que tanto apreciamos, e tudo sem perder gulodice. É um perfil moderno mas ágil à acompanhar a refeição, é um tinto que muito nos agradou até pela não "sobre exposição" da madeira. 16,5-17
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sexta-feira, março 20, 2009


BONS VALORES EM ESPANHA. TINTOS:

Eis que nos preparamos para entrar no carro e fazer um pouco mais de trezentos quilómetros. Para onde? Para Cáceres, com o objectivo de "cenar" no Átrio, que é, juntamente com o algarvio Vila Joya, as duas estrelas michelin mais próximas de Lisboa… e uma das mais completas e entusiasmantes cartas de vinho da Europa.

Pois bem, é a preparar o carro que nos lembramos dos últimos tintos espanhóis que recentemente provámos e gostámos. São todos vinhos abaixo dos €20, alguns mesmo abaixo de metade desse valor e, tirando um ou outro, são a entrada de gama de marcas bem conhecidas. Em notas telegráficas, pois faz-se tarde para iniciar a viagem, recomendamos os seguintes:

Prima (T) 2006: uma bomba no nariz este entrada de gama da "Bodega Maurodos", responsável pelo fantástico San Roman. Muita fruta, potência controlada, é um tinto a um preço fantástico que só peca um pouco na boca por demasiado curto. A menos de €9. 15,5-16

Sentido (T) 2006: Um Duero elegante, fresco e com acidez viva. Notas a fruta vermelha, mas também algum citrino neste primeiro vinho das "Bodegas Conde", as mesmas que produzem o mais conhecido Neo. A menos de €11. 15,5-16

An/2 (T) 2005: Palavras para quê? É o irmão mais novo do projecto maiorquino "Ànima Negra". Sem a complexidade subtil (a lembrar alguns Bordéus) do irmão velho, está contudo elegante, sumarento e muito gastronómico. A menos de €13 é sempre uma boa escolha e é uma referência nos vinhos Baleares. 16-16,5

Domínio de Bendito (T) 2005: Muita extracção num tinto que fará as delícias dos amantes da potência da tinta del toro. Ainda que algo desequilibrado, muitos dirão ser um vinhão! Para nós, o seu destino é, necessariamente, a garrafeira por mais dois ou três anos. A menos de €17. 16

Quinta Quietud (T) 2004: Um dos vinhos que, ano após ano, mais surpreende na região de Toro (Zamora). Um vinho sereno (como o nome da quinta o faz perceber), de dimensão enorme e de final acetinado. Sistematicamente um dos melhores - mas infelizmente dos mais desconhecidos - nomes da região. E a um grande preço! A menos de €17. 17-17,5

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quarta-feira, março 18, 2009


NOVIDADE

Casa Cadaval Trincadeira
vinhas velhas (T) 2006

É verdade que não é uma novidade de última hora. Em rigor, o vinho já saiu para o mercado há mais de três meses, mas também é verdade que só nestes últimos tempos tem estado disponível num cada vez maior número de lojas e até hipermercados (eg., no Jumbo das Amoreiras a menos de € 11).

Nariz com um travo vegetal, algum bret. e noções animais. Sem dúvida que existe neste tinto complexidade e ecletismo, sendo que no primeiro impacto a fruta não aparece. Com arejamento, surge a fruta em contornos de cereja madura e framboesa esmagada, muita especiarias, sendo que as sensações animais não largam o copo. Na boca mostra taninos duros, saborosos, mas a precisar muito de tempo em garrafa. Está tudo por afinar ainda.
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Com auxílio de uma bomba de vácuo, guardou-se mais de metade da garrafa e voltou-se a provar no dia seguinte. A tese de que o vinho está muito jovem confirmou-se, e o néctar ribatejano mostrou-se em melhor forma, com a fruta madura mais definida e um final de boca mais poderoso.

A expectativa não era baixa é certo (bem pelo contrário), e o vinho mostrou-se, nesta fase, uns furos abaixo do esperado. No geral, encontra-se demasiado jovem e a precisar, a nosso ver, de muito repouso para se revelar com mais categoria. Não nos admiraríamos, todavia, que daqui saísse um grande vinho no futuro.

16,5++

terça-feira, março 10, 2009


Vinha da Costa (T) 2005

Como é bem sabido, é da condição humana não concordar sempre com a opinião de terceiros, muito menos nos vinhos, nem mesmo com os ditos "Prémios de Excelência" ou com os listados como "Melhores do Ano". O Quinta da Garrida Touriga Nacional (T) 2005 é disso exemplo, posto que anda, por ora, longe das nossas preferências (ver aqui), mas a verdade é que levou um "óscar" da RV para casa. Outro bom exemplo é o Scala Coeli (T) 2006 que venceu a prova de imprensa da Essência do Vinho mas não nos convenceu a nós pelo excesso de madeira que apresenta.

Mas outras vezes existe, e em maior número impõe-se esclarecer, em que a concordância é total. Um desses casos é este Vinha da Costa (T) 2005, um tinto que é uma verdadeira fonte interminável de fruta feito a partir de três castas que sabem ser muito gulosas quando querem: Merlot, Syrah e Tinta Roriz. Muito intenso, existe a par da fruta madura (em camadas como gostamos) um fundo terroso que seduz na prova de nariz. Na boca, revela novamente fruta muito saborosa, mas também chocolate, tabaco e algum mineral à procura de atrair maior complexidade. Tem um certo nervo bairradio é verdade, mas digere-se bem, mostra-se redondo, sem "buracos", mesmo carnudo e com um final ascendente de grande sabor. Não é o mais elegante vinho do produtor Campolargo, não é o mais surpreendente, mas é um dos mais sensuais.
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Admitimos que melhore com mais um par de anos, mas não parece ser daquele feitos da matéria que permite bebê-los daqui a quinze anos. Neste caso, também não se justifica, pois está belíssimo por ora. Foi considerado como um dos melhores do ano na sua região pela RV, começa a ser (para nós) um grande representante da moderna Bairrada e, mesmo assim, não custa mais de 20€. Que bom (!), sendo que a nota reflete o comedimento no preço.


17,5
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Próximos vinhos: Poeira (T) 2006; VT (T) 2005; Vértice rosé (Esp) 2007; Quinta de Porrais (B) 2007.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009


Vinhos da Quinta da Nespereira
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Vineaticu (T) 2006
Sarmentu (T) 2006


Frases como "o Dão está em mudança" ou "surge uma nova vaga do Dão", têm sido escritas por mais de cem vezes nos últimos tempos… e agora por mais uma vez. Mas não são frases escritas em vão, não são apenas títulos vazios, muito menos uma mera ideia sem qualquer correspondência prática. Ao invés, revelam uma realidade palpável, a de que vários produtores do Dão têm vindo a lançar novos e atraentes produtos. Vinhos mais fáceis na maioria das vezes diz-se, mas não só… da cada vez maior quantidade produzida com rigor técnico tem surgido um incremento na qualidade geral dos vinhos, à qual não falta sequer a criatividade de um ou outro produtor mais emblemático e carismático (como seja Álvaro de Castro). Pois bem, da Quinta da Nespereira, sita bem próxima de Gouveia, surgem-nos dois tintos DOC do Dão, ambos com força, com garra, quase carnudos mesmo. São marcas jovens e modernas que, com mais algum acerto na adega, podem vir a dar que falar.

O vinho maior é o Viniaticu, que se apresenta químico, carregado, verdadeiramente cerrado nos aromas violáceos e a fruta madura com uma ponta de menta próxima do clássico after-eight. Na boca, revela-se um vinho com músculo, acidez em bom plano, novamente com apelo a fruta madura, mas não chega a convencer tanto quanto o faz no nariz: é algo plano na dimensão mais vegetal, apesar de saboroso nas especiarias; é algo sorumbático nas referências tostadas apesar de generoso na fruta. Mais algum tempo de garrafa deverá fazer-lhe bem para moldar melhor um conjunto já de si muito certinho. 15,5++

O irmão menor é o Sarmentu que, contudo, não fica atrás do Viniaticu. Como este, aquele revela uma boa dose de intensidade aromática, desta feita com uma vertente que cativa sobretudo pela fruta vermelha e ainda por um toque vegetal seco muito agradável. Difere, porém, do irmão maior na definição do estilo, posto que não passa por madeira nem entra Touriga Nacional no lote. É, portanto, um vinho mais "limpo" na dimensão da fruta, mais definido e focado com tudo o que isso tem de bom num vinho que se quer pouco complicado (e já começa a ser difícil encontrar um tinto do Dão sem Touriga Nacional...). É, porém, menos interessante na boca, sem complexidade devida. Servirá muito bem, em qualquer caso, como acompanhamento a pratos intensos típicos da região e poderá ser guardado por um par de anos. 15,5+

Em suma, mais dois bons tintos do Dão que merecem ser conhecidos e a preços comedidos, a menos de 10€ cada.
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terça-feira, fevereiro 17, 2009


Apegadas Quinta Velha
Reserva (T) 2006


Do projecto Quinta das Apegadas já nos referimos anteriormente a propósito do tinto reserva de 2004 (aqui) e dos colheita tinto e rosé de 2005 (aqui). Importa, em abono da verdade, começar por dizer que sempre apreciámos o estilo, elegante e com aprumo, dos vinhos desta casa. Mais, após visita à quinta, fomos mesmo seduzidos pela adega moderna e curvilínea sob o Douro, e pela sua localização na margem esquerda logo antes da Régua (mesmo no limite do Cima Corgo) que constitui, como é sabido, um terroir clássico de eleição. Todavia, ainda em abono da verdade, e apesar de todas estas boas indicações (não esquecer ainda que a enologia é de Rui Cunha), faltava, a nosso ver, um vinho verdadeiramente surpreendente por parte deste produtor. Faltava, digamos assim, um vinho de afirmação. Pois bem, quem diria que seria a colheita de 2006 (logo esta que não tem sido feliz para a maior parte dos produtores) a proporcionar, enfim, um grande vinho a António Marques Amorim! Se o tinto colheita mostra fruta franca, em quantidade e qualidade apreciável, pecando contudo por uma boca com pouco estrutura e muito arredondamento, já o reserva é um tinto de muito bom perfil, a seguir de perto nas próximas colheitas. Vejamos:

Cor pouco concentrada, rubi vivo com transparências. No nariz surge o maior destaque com um fruto bonito de grande qualidade e de perfeita definição - é uma autêntica miscelânea de fruta vermelha, ora madura ora mais fresca, vibrante e muito sensual, sem nenhum excesso da madeira por onde estagiou (apenas com ligeiro verniz). Em suma, é difícil de tirar o nariz do vinho que não cansa, mas encanta. A boca é menos entusiasmante, com intensidade mediana, algo morna mas em todo o caso muito saborosa. É pois um tinto que aposta na elegância, na não saturação dos sentidos, e que se bebe com muito prazer (uma garrafa pode desaparecer num instante...).
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Um belo tinto, mais em elegância do que em força e com um aroma que é um plus magnífico, uma verdadeira cereja em cima do bolo! O preço anda por menos de 25€, mas não é fácil de o encontrar. Procurem-no no ECI (Lisboa).

17
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Próximos vinhos: Viniaticu (T) 2006; Sarmentu (T) 2006; Vinha da Costa (T) 2005; Poeira (T) 2006; VT (T) 2005; Vértice rosé (Esp) 2007; Quinta de Porrais (B) 2007.

domingo, fevereiro 15, 2009


Quinta da Garrida Reserva
Touriga Nacional (T) 2004

A prova anterior ao Garrida Touriga Nacional (T) 2005 deu-nos ganas de... voltar a provar o 2004 de que tanto gostamos... Duas perguntas nos assaltavam o espírito: i) afinal, porque gostamos tanto da versão de 2004? ii) Estará assim tão diferente do 2005?

A verdade é que, com esta prova, confirmamos que a versão de 2004 está um nível muito alto (e, talvez por isso, nos decepcionou um pouco o 2005). Mantém-se escuro na copo, mas não opaco, e lança um aroma que combina as nuances de violeta com fruta vermelha fresca. A madeira também se sente, mas só se encontra lá para ajudar e não prejudica. Onde o Garrida 2005 revela algum excesso, este Garrida 2004 mostra equilíbrio. Onde o Garrida 2005 quer deslumbrar de imediato, este 2004 quer agradar de forma progressiva. Na boca o 2005 está mais cheio é certo, mas é o 2004 que espelha melhores e mais saborosos taninos e ganha o campeonato do carácter gastronómico. Até o final de boca do Garrida 2004 está mais prolongado!

Pode ser da evolução em garrafa, mas será que um ano apenas marca assim tanta diferença? Pode ser mudança de estilo, mas não é a mesma matéria-prima? Não conheço as respostas para estas perguntas, mas sei que não troco, por ora, uma botelha do Quinta da Garrida Touriga Nacional 2004 por duas do mesmo vinho da colheita de 2005!

17+

terça-feira, fevereiro 10, 2009


NOVIDADE


Quinta da Garrida Reserva
Touriga Nacional (T) 2005

Sempre foi um tinto que agraciou fama, sobretudo pela óptima relação preço-qualidade, e a fama era toda merecida. A nosso ver, atingiu na colheita de 2004 um nível muito alto, pelo que havia alguma curiosidade a propósito deste 2005. Curiosidade aguçada pela qualidade generalizada dos tintos do Dão no ano de 2005, e pelas alterações recentes (quer ao nível societário quer ao nível gráfico do design dos rótulos) da empresa "Aliança".

Cor escura, num azul arroxeado quase impenetrável e ligeira espuma. No nariz, a primeira pequena decepção: flores, flores e mais flores! Ou melhor, violeta, violeta e mais violeta! É um floral intenso e químico, como que a lembrar sabonete, juntamente com alguma especiaria e chá preto. Não significa isto que a casta esteja excessivamente pesada ou que o vinho siga num perfil morno (não é verdade, revela até frescura revigorante). Contudo, a nosso ver, está muito directo, excessivamente focado na vertente floral da Touriga Nacional. Conhecemos, é certo, quem encontre neste tinto um lado frutado e elegante. Mas nós nem por isso.

Na boca melhora bastante, está polido, de grande amplitude e muito saboroso. Todavia, a segunda pequena decepção vai inteira para o final de boca que se sugere algo curto comparado com anos anteriores (recordando-nos dos 2003 e 2004). Não há dúvidas que está todo ele mais musculado, mais viril até, mas o final de boca peca, pelos menos por ora, pela falta de elegância e de comprimento.

Certamente que irá crescer na garrafa, tal qual as colheitas anteriores, podendo melhorar o final de boca e afinar-se o excessivo carácter floral do nariz. Neste momento, está pronto para os fanáticos da Touriga Nacional poderosa e evidente. Para os outros, parece-nos ser aconselhável guardá-lo por um par de anos.

16,5++

PS: a última pequena decepção vai para o preço que, como é sabido, aumentou infelizmente cerca de 50%.
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segunda-feira, fevereiro 02, 2009


NOVIDADES


Não é uma, mas são antes duas novidades, dois vinhos que irão em breve sair para o mercado. Duas filosofias diferentes, dois estilos opostos, duas regiões distantes. Em suma, dois bons vinhos brancos portugueses.


Casal Figeira Tradition (B) 2007: Nesta última colheita - a vinha foi já arrancada - aparece feito exclusivamente Marsanne (que, tal como a Roussane, é uma casta "típica" das Côtes du Rhône), como que num último desafio lançado por António Carvalho, mantendo-se a ausência de esmagamentos mecânicos prejudiciais e de leveduras. Este Tradition 2007, revelando uma bonita cor amarela, encontra-se já um branco muito sério, apesar de ainda precisar de garrafa para largar e alargar toda a sua complexidade. Está um pouco mais complexo e menos directo do que em anos anteriores, está mesmo mais poderoso na fruta e, simultaneamente, mais marcado (pelo menos por agora) pelas nobres madeiras em que estagiou. Menos fino e com menos frescura? Nem por isso... Um grande Tradition, no seu canto do cisne! Um grande branco da Estremadura que termina o seu percurso. 16,5+

Quinta do Regueiro Grande Escolha (B) 2006: Os recentes e merecidos êxitos (com destaque para os sucessos em provas ibéricas) dos alvarinhos produzidos nesta quinta sita em Melgaço entusiasmaram os seus responsáveis a ponto de estes optarem, mesmo na complicada colheita de 2006, por seleccionar um lote proveniente das melhores cubas (sempre inox), previligiando fermentações prolongadas. O resultado é muito bom, e vem na linha dos alvarinhos que, perdendo muita da sua intensidade aromática típica, ganham em complexidade, estrutura e mesmo mineralidade. E tudo isto revela-nos este Grande Escolha, posto que está um vinho sério e de aromas subtis, admitindo-se que pode ainda de crecer na componente mineral, mas já com a expectativa de que a edição de 2007 será ainda melhor. 16,5



terça-feira, janeiro 27, 2009


Casa Burmester Reserva (T) 2006

Depois de algum desapontamento com ambos os Curva Reserva (ver post infra), foi tempo de encontrar alguma paz com o Casa Burmester. De facto, na gama premium, este parece-nos o melhor vinho da "Sogevinus", a par do Kopke Reserva. No copo, cor ruby. O nariz começa com a mesma sensação a verniz e cera que o Curva tinto mas depressa se expande para nuances mais rústicas a fruta preta e algum, vegetal seco, diríamos que nuances mais típicas dos tintos do Douro. Na boca revela taninos que aconselham mais um ano em garrafa, fruta vermelha, cacau a meio do palato e também no fim de boca. Acidez e final médios, condizentes com o que de melhor se faz nesta gama.

A menos de € 12,5 mantém-se uma boa aposta (para a edição de 2004 ver aqui) e, a nosso ver, um dos pedidos mais seguros junto da restauração mais especulativa.

16


Próximos vinhos: Apegadas Quinta Velha Reserva (T) 2006; Viniaticu (T) 2006; Sarmentu (T) 2006; Vinha da Costa (T) 2005

quarta-feira, janeiro 21, 2009


Curva Reserva

Estava previsto falar do tinto Casa Burmester, mas vamos começar antes pelos dois Curva Reserva. Não é grande desvio, posto que são todos produzidos pela empresa duriense "Sogevinus".
Poder-se-ia pensar que começamos pelos Curva pois gostámos mais deles. Mas isso não é verdade...

Curva Reserva (T) 2006: com cor rubi, revela no inicio um nariz com aromas a verniz, madeira, eucalipto. Tudo muito intenso, quase enjoativo. Com arejamento melhorou e mostrou-se mais químico, com notas de menta do tipo creme Vic's VapoRub e muito balsâmico. Na boca, aposta no difícil campeonato da elegância, mas não é um vencedor. Fino, com pouco final, não surpreende. A 12€ a garrafa, esperava-se mais deste reserva, apesar do ano não ter sido fácil. 15,5

Curva Reserva (B) 2007: a mesma intensidade do que o tinto, mas agora numa vertente floral estranhamente adocicada (malvasia?). Alguma madeira, fruta cozida, e muito floral doce… Boca com pouca expressão, apesar de fresca e com acidez interessante. A 10€ a garrafa, e somar ao tinto (e no branco não tivémos um ano difícil, pelo contrário), aqui ficam dois vinhos pelos quais se esperava mais. 15

A ver vamos o Casa Burmester…
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Próximos vinhos: Casa Burmester Reserva (T) 2006; Apegadas Quinta Velha Reserva (T) 2006; Viniaticu (T) 2006; Sarmentu (T) 2006; Vinha da Costa (T) 2005

quarta-feira, janeiro 14, 2009


NOVIDADE


"Secret Spot" Moscatel do Douro


A par de Setúbal, a referência geográfica que se associa imediatamente a vinhos moscatéis nacionais é Favaios no concelho de Alijó (Douro). Contudo, a enorme produção de vinho moscatel em Favaios teimou, durante muito tempo, em não ser devidamente acompanhada por um reconhecimento da qualidade dos seus vinhos, sendo muitas vezes, aliás, relegada para um plano secundário, no fundo como se fossem "moscatéis de segunda" quando comparados com os irmãos de Setúbal…

Mas, de há uns anos para cá, alguns sinais surgiram em sentido oposto. Primeiro, o lançamento pela Adega Cooperativa de Favaios de lotes com uma qualidade significativa (eg. "Moscatel de Favaios 10 anos"). Depois, a aposta por algumas casas
conhecidas e usualmente mais identificadas com vinhos DOC ou do Porto, com destaque merecido para a Quinta do Portal (Celeirós).

Com largos anos a trabalhar "paredes-meias" com produtores de moscatel, Rui Cunha e Gonçalo Lopes (a dupla "GR Consultores") aperceberam-se da lacuna existente (i.e., a ausência de um moscatel de referência no Douro) e deitaram mãos à obra. Começaram por procurar os melhores agricultores e produtores, provaram e voltaram a provar os vinhos em reserva, e seleccionaram alguns lotes com idades diferentes. Com a mestria reconhecida à dupla de enólogos e produtores elaboraram, então, um lote final a partir dos vinhos seleccionados que estagiou num tonel de madeira exótica, ora engarrafado sob a denominação Secret Spot, já utilizada num belo tinto da colheita de 2004.

Quanto a este moscatel, evidenciamos a relação muito interessante entre acidez e untuosidade, muito recompensadora no olfacto mas, sobretudo, no palato. Cor cobre, com laivos esverdeados a lembrar ferrugem ou ambar. Nariz complexo, intenso, inebriante nas suas variações florais e tiques caramelizados. Entra na boca com carácter meloso, bem carregado nas notas não pesadas a caramelo. No "meio de boca" surge mais pungente, com as típicas notas a flor de laranjeira e a pêssego em calda a sobressairem, para terminar num final doce mas, simultaneamente, fresco e vivo. Gostámos muito, com nota positiva adicional para o facto de se diferenciar um pouco do estilo de Setúbal, este mais carregado nas referências adocicadas. A nosso ver, melhora se bebido no intervalo de temperatura entre 10º e 12º.

Uma iniciativa a salutar de forma festiva esta a de engarrafar um moscatel de topo do Douro! Naturalmente, só custa o preço, mas este moscatel tem o estatuto de quase raridade (dada a pouca quantidade produzida), entre € 40 a € 45 a garrafa de meio litro.


17-17,5

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Herdade do Perdigão - Reservas

São dois vinhos da Herdade do Perdigão que nos conduzem por este texto. Ambos de colheitas não totalmente recentes: o branco de 2006, o tinto de 2004. Talvez por isso (ou seja pelo estágio em garrafa que já mereceram), estão ambos vinhos calmos, eloquentes, e em óptima forma para serem consumidos. Apesar do que as notas atribuídas podem dar a entender, a verdade é que fomos mais (bem) surpreendidos pelo branco do que pelo tinto.


Herdade do Perdigão Reserva (B) 2006
No nariz não se identifica imediatamente a região (Alto Alentejo), e esse facto agradará o olfacto dos mais curiosos. Mas identifica-se o perfil: excelsa matéria-prima, fruta muito agradável e fresca, e alguma madeira a completar o cardápio. Por isso não espantam as referências iniciais a espuma de café expresso e mesmo a caruma. Boca muito fresca, com a madeira a conferir untuosidade e complexidade significativas mas não a impor-se de forma evidente (nas provas anteriores sentia-se mais a madeira). Ananás, frutas tropicais, mineral fresco, tudo a muito bom nível se nos lembrarmos que 2006 foi ano muito quente. É um branco muito bem feito que parece ter passado despercebido aos consumidores… Em princípio, com mais alguns meses em garrafa, a madeira que ainda se sente no nariz ficará mais integrada e teremos aqui um belíssimo branco alentejano. 16,5+

Herdade do Perdigão Reserva (T) 2004
A cor denota concentração mediana num encarnado escuro mas com alguma translucidez e evolução. O nariz é todo fruta vermelha misturado com vejetal, complexa nas derivações a especiaria como seja pimenta branca. Torna-se evidente, em cada momento, a Trincadeira. Na boca surge com notas adocicadas licoradas, taninos discretos e finos. Depois, novamente muito especiado e alguma madeira em perfil fumado e tostado. Corpo fino, e elegante, a faltar porém alguma amplitude na comparação com outros da mesma região. Final correcto, novamente em elegância, num vinho de perfil fino e gastronómico. Deverá continuar a evoluir nos próximos 2 a 3 anos mas depois parece-nos ser de beber rapidamente. 16,5 - 17


Próximos vinhos: Casa Burmester Reserva (T) 2006; Curva Reserva (T) 2006; Curva (B) 2007; Apegadas Quinta Velha Reserva (T) 2006; Viniaticu (T) 2006; Sarmentu (T) 2006; Vinha da Costa (T) 2005

segunda-feira, dezembro 29, 2008

VISITA


Quinta da Fata (Dão)


Em tom de reportagem vinícola, e para os lados de Nelas, mais concretamente entre Nelas e Santar, bem junto à aldeia de Vilar Seco, encontrámos no mês passado a bonita Quinta da Fata de Eurico Pontes. Vejamos melhor:
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Recente produtor do Dão, cada vez mais conhecido e com presença em alguma restauração da capital - eg., restaurante "Apuradinho" (Campolide) -, tem aproveitado o recente boom da região para uma maior projecção e visibilidade. Feita a visita à quinta, que também dispõe de turismo rural, constatamos que se trata de um projecto que Eurico Pontes conduz com pés e cabeça: área vindimada com dimensão adequada, sem excessos (talvez com pouco mais de 10 hectáres); vinhas praticamente contíguas às da famosa Casa de Santar e plantadas de acordo com a orientação do Centro de Estudos Vitivinícolas (Nelas); adega simples e rudimentar mas muito prática. Tudo isto nuns vinhos que se querem de perfil clássicos, saborosos mas duros. Vinhos… quase todos tintos entenda-se, pois apesar de existir uma parcela de casta Encruzado, pouco se engarrafa de branco por enquanto.
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Os vinhos a merecer destaque são pois o Quinta da Fata Reserva e o Quinta da Fata Touriga Nacional, apesar de existir um colheita e um branco. Ambos, melhores na colheita de 2005 – o ano foi muito bom no Dão – mas mantém boa qualidade na colheita de 2006, encontrando-se até mais acessíveis e podendo, por isso ser, bebidos de imediato. Como referências típicas, os tintos da Quinta da Fata revelam fruta generosa no nariz praticamente sem percepção da madeira onde estagiou, taninos sérios mas saborosos na boca. Em suma, são vinhos gastronómicos que não viram a cara à luta a um cozido sem couves. O monovarietal Touriga Nacional tem estado uns pontos acima do irmão Reserva, com a casta raínha a mostrar-se num perfil nada pesado, antes levemente floral, e com um final pronunciado.
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Valem a pena ser conhecidos estes tintos e vale a pena ser conhecida a Quinta da Fata.
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quinta-feira, dezembro 25, 2008

O texto de Natal e nosso pódio de 2008
(ou, tintos que não são novidade mas que gostámos muito)
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Quem tenha lido os nossos últimos textos e provas a propósito de vinhos a não esquecer será tentado a concluir que, em 2008, este blog apenas se surpreendeu com vinhos espanhóis (Aalto PS, Ossian) ou Australianos (Amon-Ra). Nada disso! O nosso singelo objectivo (modéstia à parte) sempre foi destacar os bons vinhos nacionais, as boas compras, aqueles com excelente evolução (para quem tenha dúvidas, basta ver que a grande maioria das provas publicadas são de vinhos nacionais, apesar das diversas provas de vinhos estrangeiros ao longo do ano). Nessa medida aliás, os vinhos que destacamos neste ano de 2008 serão portugueses e, curioso (talvez), vinhos portugueses com mais de 6 anos de estágio em garrafa. Trata-se, para mais, de um destaque que não é comandado por uma lógica pedagógica (embora seja conveniente que mais gente prove vinhos lançados em anos anteriores), mas sim de puro prazer! É que, efectivamente, foram vinhos, todos tintos, oriundos das colheitas de 1997, 2000 e de 2001, aqueles que nos deram mais prazer a beber durante este ano. Quais são?
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O primeiro desses vinhos é um clássico renascido. Supostamente destinado a ser o topo da marca Ferreirinha, seria desclassificado "à última da hora" e, para nós, está mesmo melhor que alguns Barca Velhas (eg., comparem-no com o BV de 1995). Em poucas palavras, encontra-se cheio de complexidade na prova de nariz e repleto de pattine delicada na boca - uma delícia! No segundo lugar, temos um "velho conhecido" e um nosso preferido desde há alguns anos para cá. É um néctar que continua a evoluir muitíssimo bem e que revela o potencial da colheita de 2001 no Douro. Em suma, um vinho de deleite, um dos tintos nacionais mais bordaleses que conhecemos. Por fim, no terceiro lugar, temos um empate entre um lote tinto de diferentes regiões (e de dois dos mais interessantes produtores nacionais), com uma acidez viva e fruta de enorme qualidade (está para durar!), e um duriense de cetim adquirido por "tuta e meia" numa conhecida garrafeira em Madrid, ambos da colheita de 2000.
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O nosso pódio de preferidos em 2008 é então constituído por:
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  • Ferreirinha Reserva Especial (T) 1997

  • Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001

  • Dado (T) 2000
  • Gouvyas (T) 2000

domingo, dezembro 21, 2008


A NÃO ESQUECER…

Ossian (B) 2006


Não queriamos que chegasse o nosso texto de Natal sem antes referir mais um vinho que não esqueceremos tão cedo. De novo espanhol (raios!), mas desta feita branco. Acresce que, pelo menos ao nível de complexidade e de prova de boca, esta foi a melhor surpresa que provámos este ano em termos de vinhos brancos. O que, a nosso ver, não é obra simples, dados os vários bons brancos nacionais de 2007 e, claro, os muitos brancos provenientes do resto do mundo por nós provados.

Trata-se do Ossian (B) 2006, fruto de uma vinha prefiloxérica, ou seja com bastante mais que cem anos (segundo o produtor com mais de 150 anos) localizada próximo de Segóvia (Rueda) e que estagia quase um ano em carvalho. Falta ainda esclarecer que é uma vinha de uma casta só, nem mais nem menos que a fantástica verdelho e que o vinho é produzido segundo os princípios da agricultura biológica (ou seja, sem nenhum tipo de produtos químicos) e fermentado con leveduras autóctonas. Pois bem, temos então um 100% verdelho e logo de vinhas velhas, e que verdelho… Amarelo carregado no copo, revela-se imediatamente compacto. No nariz, lança de início um aroma áspero, duro, vegetal seco, tudo a dizer que é um branco de força, de complexidade e de arrebatamento. Depois surge ligeira tosta, fruta cozida e fruta tropical, ligeiro floral e madeira de móvel antigo. Mineralidade muito boa (quem acha que o galego "As Sortes" é mineral tem de provar este), boca cheia e untuosa, corpo amplo, extremamente estruturado, é como se fosse "um tinto de uva branca". Final prolongadíssimo, novamente duro e seco, uma austeridade que se aplaude e que tantas vezes faz falta aos brancos que se querem com longevidade. Onde não ganha em subtileza e elegância, ganha em força, complexidade e amplitude. Um branco de despertar paixões!

O melhor de tudo é que se vende por cá. Custa entre € 30 a € 35, e compra-se nas Coisas do Arco do Vinho (Lisboa) ou na Tio Pepe (Porto). Aproveitando o espírito consumista cada vez mais presente no Natal, é caso para dizer "toca a comprar"!

17,5

quarta-feira, dezembro 17, 2008


A NÃO ESQUECER...


Aalto PS (T) 2005

Tanto tempo sem escrever sobre vinhos "além-Pátria" e, logo agora referimo-nos a dois quase numa assentada. Primeiro foi o super syrah australiano do texto abaixo, agora o também soberbo espanhol Aalto PS (T) 2005. E, ao contrário do que tanto pregamos a favor de tintos de lote, temos aqui outro monocasta, desta feita de excelentes clones de tempranillo, ou melhor "tinto fino", como preferem as gentes da região.

Produzido só em anos excepcionais, este Aalto PS é o topo de gama da marca Aalto com vinhedos na Ribera del Duero (PS significa "pagos seleccionados"). Naturalmente, é um vinho ainda muito jovem (em comparação com o Amon-Ra, o australiano parece estar mais pronto a beber) que terá de esperar tempo em garrafa. Completamente negro no copo, começa por revelar-se tímido no nariz. Está muito sério, como convém num tinto deste tipo, todo ele potente e intenso. Ainda no nariz, o carvalho pouco se sente apesar dos mais de 15 meses em barricas novas, sendo ao invés marcado por fruta preta, ligeiramente confitada, cacau e uma nota balsâmica agradável e fresca (um after-eight que não se sente em anteriores edições do vinho). Na boca apresenta-se com um estilo moderno, muito concentrado, e portanto longe do estilo clássico que marcou os vinhos espanhóis nas décadas passadas. Durante toda a prova mostra-se amplo e com taninos que secam a boca mas não agridem, acidez domada (mas ela existe), enfim tudo a garantir longevidade. Final de boca longo, mas a este respeito acreditamos que vai crescer.

Com um preço superior a € 75, é uma prova inequívoca como taninos e acidez não significam um vinho menos atraente. Este Aalto PS (T) 2005 conjuga num só, atracção, potência e intensidade, de uma forma como poucos outros vinhos provados este ano o fizeram. Muito bom mesmo. Não vamos esquecer!

18

quinta-feira, dezembro 11, 2008


A NÃO ESQUECER...


Amon-Ra (T) 2006

Perguntam-nos quais os tintos que bebemos este ano e que vamos ter muita dificuldade em os esquecer…

Como a pergunta não especifica, e este blog anda muito nacional (logo nós que somos fãs também de vinhos de outras paragens), somos tentados a escrever que um dos grandes destaques do ano vai para o Amon-Ra 2006, um super Syrah (ou Shiraz como diz o rótulo) de Barossa Valley (Austrália). Proveniente de vinhas com mais de 100 anos, e com um estágio de 15 meses em carvalho francês e americano, revelou-se espesso do início ao fim da prova, um monumento de presença, de estrutura e de corpo. Nariz com um ataque imenso a fruta em camadas, toda muito escura (amoras e cassis) e madeira quanto baste para aguentar a fera. Na boca então nem se fala (para nós, é na boca que um óptimo vinho se distingue de um bom)... pois todo ele revela o seu esplendor: ora cremoso, ora carnudo (lembra um Porto vintage mas sem a doçura), sempre nada pesado, antes fresco e, como se espera de um vinho deste calibre, com um final muitíssimo prolongado (+ou- 10 segundos). O preço é upa upa, bem acima dos € 100 (pelo que, em rigor, é difícil recomendar este vinho, mais a mais julgamos não haver importação para a nosso país), mas comparado com outros com o mesmo preço (nacionais e estrangeiros) este, a nosso ver, brilha... E brilha muito!


18 +

terça-feira, dezembro 09, 2008


"Retaste" 3:

Evel Grande Escolha (T) 2003

Mais uma prova de um vinho que já não provávamos faz algum tempo e foi logo a vez de um dos tintos favoritos dos enófilos iniciados, e não só! E esta prova demonstra bem que existem muitas razões para o seu sucesso. Desde logo o preço, estável e não especulativo, depois o facto de não ser preciso andar de loja em loja à procura pois é de fácil acesso e, por fim, porque é bom e evolui bem. Bem sabemos que só passou meia década desde a tórrida colheita de 2003, mas também é verdade que já vimos evoluções "estranhas" em alguns durienses... No caso deste Evel GE tudo isso passou ao lado e está, numa palavra, interessantíssimo, talvez até mais do que na prova anterior (ver aqui).
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Mantém uma cor cereja escura, mas agora com mais transparência no bordo. O nariz perfumado mantém-se focado na fruta mas a típica madeira nova já está a caminho da total integração, carácter ainda fresco com leve menta (na prova anterior as sugestões eram também balsâmicas). Boca muito capaz, mantém-se naturalmente arredondada, com fruta de qualidade e nada monótona. Final de boca que prima pela elegância mas a faltar alguma extensão. Em suma, (mais) um belo Evel nem belo momento de forma.


17

sexta-feira, dezembro 05, 2008


Olho de Mocho Reserva (B) 2007

Interrompemos os textos de "retaste" para dar nota de mais um belo branco de 2007. Cor amarela com muitos laivos esverdeados. Nariz característico da casta - é um 100% Antão Vaz - com notas subtis a maças verdes e ligeira referência mineral. Enfim, tudo pouco exuberante como (nos) convém! A boca surpreende pela frescura mas está, a nosso ver, um pouco abaixo da prova olfactiva. Fresca, ampla, peca o fim de boca pouco pronunciado.

Em suma, um bom conjunto, mais um belo Antão Vaz a revelar que a Vidigueira, e arredores, são um dos terroirs de eleição desta nobre casta nacional. A menos de € 10 tem um preço justo, existindo contudo uma ou outra melhor compra.


16
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Próximos vinhos: Herdade do Perdigão Reserva (B) 2006; Herdade do Perdigão Reserva (T) 2004; Casa Burmester Reserva (T) 2006; Curva Reserva (T) 2006

quarta-feira, dezembro 03, 2008


"Retaste" 2: Projectos/Vértice/Cossart


Mais uma prova, ou melhor "nova prova" esta de que vamos referirmo-nos a seguir. Primeiro revisitámos o Projectos Niepoort Chardonnay (B) 2004, depois o Vértice Grande Reserva (T) 2003 e, finalmente, uns tragos de um dos mais simpáticos madeiras jovens, o Cossart Gordon Bual Colheita (M) 1995.

Projectos Niepoort Chardonnay (B) 2004: Começando, naturalmente, pelo Chardonnay diga-se que, não estando num mau momento, já o provámos um pouco mais fresco e vibrante (aqui), apesar da acidez nunca ter sido o seu forte. Mantém-se gordo, untuoso e com um nariz bem maduro. Porém, revela agora algum peso excessivo... Sirva-se de aperitivo a acompanhar um paté simples. Para projecto, mais a mais nacional, está muito bem, mas não chegou a alcançar a mineralidade de um chablis. Diríamos que a beber este ano ou ainda em 2009. 16 -
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Vértice Grande Reserva (T) 2003: Depois provou-se um dos tintos que mais fama agraciou no passado recente junto dos enófilos, em especial por ser uma boa compra dado a óptima relação preço/qualidade. Mantém-se escuro no copo, mas o nariz, excessivamente centrado na compota e na geleia de frutos pretos, perdeu muita intensidade e expressão aromática. A boca também está uns furos abaixo do que em anteriores provas (aqui), parece ter perdido complexidade e tornou-se demasiado rústico e algo difuso nas referências a fruta. Diríamos que a beber nos próximos tempos, talvez mais um ou dois anos. 16
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Cossart Bual (M) 1995:
Por fim o madeira. Muito jovem para ser um madeira de classe, está contudo vincado nas referências a flor de laranjeiro e revela-se (como se esperava) quase perfeito na acidez. Falta viscosidade e falta um final interminável, mas é uma boa compra em todo o caso. Pode bebê-lo durante muitos mais anos. 15,5 ++
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terça-feira, novembro 25, 2008


"Retaste" 1: Gouvyas (T) 2000

Durante um mês, voltámos a provar vinhos que já não provávamos faz algum tempo. O que encontrámos? Aqui vai um dos primeiros... e logo uma surpresa (ou talvez não).

No caso deste Gouvyas (T) 2000, encontrámos um dos mais surpreendentes tintos que bebemos este ano de 2008. Comprado por uma ninharia na "Lavinia" de Madrid (se o João Roseira soubesse ficaria louco...), mantém-se escuro, muito escuro no copo (podia ser de 2002 ou de 2003). Bouquet perfeitamente evoluído (evoluído, não gasto), com fruta e madeira em destaque - tudo muito presente como se os anos não tivessem passado. Está agora mais perto de um tinto universal do que regional pois o carácter rústico dos primeiros anos transmutou-se em pura elegância. Boca sedosa de entrada cordial, final pastoso e longo, muito longo.
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Nem todas as garrafas estarão como esta, e são poucos os que ainda têm este Gouvyas... Em todo o caso para os que têm exclamamos nós: Sortudos!


17,5 ++
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segunda-feira, novembro 17, 2008


Rocim (T) 2005

Já nos referimos anteriormente (ver aqui) ao projecto alentejano Herdade do Rocim. Hoje vamos defrontar-nos com o tinto de entrada de gama do respectivo produtor, Rocim de seu nome. A partir de Aragonês, Syrah e Alicante, apresenta fruta madura no nariz e uma leve "brisa amendolada". Boca polida e atraente, com taninos muito discretos a pedir consumo imediato, este é um tinto para ser bebido novo e, nessa vertente, pode constituir um best-seller, assim a distribuição o consiga (mas não deixa de ser um mistério o facto de estar para prova um tinto de 2005, quando o reserva de 2006 foi agora lançado). Um excelente vinho para o dia-a-dia, para quem quer/pode pagar cerca de €7,5 ou um pouco mais por garrafa. A mais de €9 encontrará outras opções.

15


Próximos vinhos: Olho de Mocho Reserva (B) 2007; Herdade do Perdigão Reserva (B) 2006; Herdade do Perdigão Reserva (T) 2004; Casa Burmester Reserva (T) 2006; Curva Reserva (T) 2006

sexta-feira, novembro 14, 2008


Quinta do Frei Estevão Reserva (T) 2005

Cor retinta, tonalidade cereja escura mas não opaco. Boa intensidade aromática, com as primeiras sensações a álcool, vegetal seco e ligeiro licor de amêndoa amarga, anis e noz-moscada. Indicia portanto uso de madeira e fruta próxima da sobrematuração. Desenvolve ainda um registo mais animal, lã molhada, sempre com um fundo de fruta muito madura e ligeiro floral.

Na boca voltam a surgir as notas licorosas, não apenas a amêndoa mas também em referências a compota de ameixa. Perfil arredondado, apenas com um ou outro tanino mais duro. Uma hora depois, decantado, mostra ter boa matéria-prima, carácter lácteo, chocolate amargo no final de boca. Admitimos, contudo, ser preciso mais trabalho na adega para subir de patamar.

Em suma, é um bom vinho, e logo com duas facetas. No início revela ser um duriense de gema daqueles com perfil gastronómico; depois, abre numa versão bem mais acessível e sedutora. Melhorou tanto com a oxidação que acabamos mesmo por subir meio ponto à classificação que inicialmente tínhamos pensado para ele. O preço andará por volta dos €10 sobretudo nas garrafeiras do Porto.


15,5-16


Próximos vinhos: Rocim (T) 2005; Olho de Mocho Reserva (B) 2007; Herdade do Perdigão Reserva (B) 2006; Herdade do Perdigão Reserva (T) 2004; Casa Burmester Reserva (T) 2006; Curva Reserva (T) 2006

quarta-feira, novembro 12, 2008


NOVIDADE:
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Vila Monte Oaked Rosé 2007
(by Barranco Longo)

Por esta é que ninguém esperava! Não é uma novidade mundial, mas a nível nacional julgamos ser o primeiro caso de um rosé 100% com estágio em madeira. E logo oriundo de Algoz, (onde fica?) em pleno Algarve, outra peculiaridade num Portugal vinícola que há muito esqueceu a região mais solarenga do país… O que já não é novidade é que o projecto Barranco Longo, fruto da persistência de Rui Virgínia em "lutar contra a maré", apresenta tintos e brancos de perfil internacional, e tem no seu portefólio um rosé (que não este de que vamos falar de seguida) que tem sido um best-seller nos últimos verões.

Numa apresentação recatada, em plena noite de São Martinho e com um menu muito apropriado, provou-se então a novidade, resultado de uma colaboração entre o Vila Monte Resort e a Quinta do Barranco Longo. Desde logo, muito curioso o facto da passagem por madeira fazer com que este rosé revele uma vertente multifacetada, que tanto acompanhou com vigor as castanhas a solo no início como, já na sobremesa, mediu forças com bravura com um pudim das mesmas. O facto de ser lançado agora, em pleno Outono, denota a preocupação de colocar este produto num segmento não coincidente com a imagem de rosés frescos próprios e típicos da estação estival.

Na prova, mostrou ao olhar uma cor salmão carregada sem laivos acastanhados. O nariz apresentou-se com as típicas notas a morangos silvestres provenientes da casta Aragonês, mas apenas em segundo plano (já agora, a par do Aragonês, entra no lote Touriga Nacional). De facto, em evidência estão antes sensações a folha queimada e caruma, enfim sensações que aumentam a complexidade aromática do vinho. Tudo ainda com muita especiaria, mas sem excessos. Na boca, mostrou uma opulência única considerando que se trata de um rosé. Tudo arredondado e de cariz glicérico; enfim um rosé diferente: gordo mas não enjoativo. Só o final de boca que podia ser mais seco, mas isso seria pedir "o céu e a terra" tudo junto.

O álcool não ajuda ao consumidor, com os 14.º (vol.) que o produtor entende serem inevitáveis dada a singularidade do vinho (somos tentados a concordar, mas menos um grau era melhor, mesmo com o risco de perder algum toque glicérico). Por isso, não se esqueça de o servir um pouco menos fresco do que os rosés típicos de Verão, e não tenha receio de o acompanhar com pratos relativamente elaborados. Por fim, desconhecemos o preço mas recomendamos muito a compra e não só pela novidade. É que gostámos muito dele!


sexta-feira, novembro 07, 2008


Altas Quintas Mensagem Aragonês (T) 2005

Sem dúvida que a gama Altas Quintas tem associada a si uma imagem de vinhos frescos, elegantes, gastronómicos, complexos e especiados. Já vimos que isso se verifica nos "Crescendos", tanto na versão rosé como branco (ver aqui), e sobretudo nos tintos (aqui e ali). Mas sempre aspirámos provar um Altas Quintas que, além das referidas qualidades, tivesse alguma dose extra de "gulodice"... nada que desvirtuasse os atributos da marca, mas que lhe pudesse acrescentar algo mais. Sempre procurámos, em suma, um Altas Quintas que além da frescura mostrasse intenso calor na referência a fruta madura; que conciliasse a elegância à robustez de corpo; que fosse gastronómico mas também sedutor, sobretudo no final de boca; que continuasse a ser complexo e especiado no nariz mas fosse, simultaneamente, acessível e prazenteiro de imediato na boca.

Encontrámos, e a menos de €20! É este Mensagem Aragonês (T) 2005.

17-17,5


Próximos vinhos: Frei Estevão Reserva (T) 2005; Rocim (T) 2005; Olho de Mocho Reserva (B) 2007; Herdade do Perdigão Reserva (B) 2006

terça-feira, novembro 04, 2008

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A "arte" de bem duvidar
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Não há muito tempo, num jantar bem animado entre amigos, bebemos (não foi uma prova) um belo alvarinho português a par de um também belo albarinho galego e ainda outros dois tintos. O albarinho galego assumia a passagem por madeira enquanto o minhoto indicava apenas inox. Como nós por aqui não bebemos rótulos - e muito menos provamos -, escrevemos num caderno de provas a nossa primeira impressão sobre ambos os vinhos. Alguns dias depois, após maior reflexão, desenvolvemos o escrito e colocámos no blog (ver aqui) sem atribuir nota como é habitual quando bebemos/provamos vinhos em jantares.

O mais curioso, é esta a razão do presente texto, é que ambos os vinhos nos pareciam ter passado por madeira. O galego claramente com notas amanteigadas que não podiam dever-se apenas ao batonnage. O minhoto, apesar de menos evidente, também parecia indicar isso mesmo, sobretudo no nariz, levemente fechado num ligeiro aroma eventualmente típico do uso do carvalho. Repetimos o que já dissemos, "como nós por aqui não bebemos rótulos", escrevemos no blog isso mesmo, ou seja que o nariz parecia denotar a passagem, ainda que ligeira, por madeira.
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Sucede que, nos dias seguintes à publicação do texto, dois foram os comentários no sentido de que o vinho minhoto não tinha madeira e que, assim, o mais provável é que não tínhamos provado bem (apelidou-se de "calinada" o suposto lapso). Um dos comentário insinuava que tínhamos bebido demais e que tal vinho não podia, em caso algum, ter passagem por madeira pois tinha uma mineralidade única em Portugal. Como sempre, não apagámos nenhum dos comentários, e demos o privilégio da dúvida a quem, por vezes apenas a título enciclopédico, sabe sempre (nem que seja pelas revistas) se determinado vinho tem ou não madeira. Quanto a nós, e também andamos nisto faz algum tempo, assumimos sempre o lapso e foi o que fizemos na altura.

Mais curioso é que (e já tínhamos esquecido o assunto) durante os 3 dias do EVS, foram várias as pessoas, algumas que nunca viramos antes, que nos relataram que tiveram exactamente a mesma sensação com aquele alvarinho daquela colheita. Mais ainda, outros, tanto na área da distribuição como na da crítica, confirmaram a suspeita de que o vinho tem, pelo menos, 20% de madeira. Ao invés, o produtor, que também estava no EVS, nega.

Se o vinho tem, efectivamente, 20% de madeira, então ficamos contentes pela nossa intuição. Se não tem, ficamos contentes por sabermos agora que não fomos os únicos a duvidar. Mas mais importante do que saber quem tem razão, é observar que, afinal de contas, não era assim tão certo que tal alvarinho não tivesse madeira e que, por isso, as dúvidas eram legítimas. Na prova de vinhos, aliás, quase todas as dúvidas são legítimas, e mesmo a análise a uma ficha técnica enviada pelo produtor não deve turvar a opinião (que se quer) crítica. A nosso ver, claro está.

NOG
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