
sexta-feira, abril 24, 2009

segunda-feira, abril 13, 2009
Saca a Rolha na MadeiraMal tínhamos saído do Aeroporto da Madeira e já nos dirigíamos para a "Paixão do Vinho" (Via Rápida, cota 200, Posto Repsol), garrafeira pertencente aos sócios Filipe Santos e a Francisco Albuquerque. Tudo combinado, pormenores ajustados, foi com o segundo dos consócios, enólogo da "Madeira Wine Company", que planeámos, para o dia seguinte, uma visita ao Wine Lodge da "Blandy's", outrora Convento de São Francisco, mesmo no epicentro do Funchal.
Francisco Albuquerque tem no curriculum três prémios mundiais de melhor enólogo de vinhos fortificados, mas poderia ter também vários outros prémios tanto pela gestão de um imenso stock de vinhos (milhões de litros), como pela supervisão de cerca de quatrocentos produtores (onde a parcela de maior dimensão não chega a um ¼ de hectare), ou ainda pela homérica catalogação dos aromas dos vinhos da ilha. E claro, um prémio também pela fantástica capacidade de comunicação, através da qual consegue trocar "por miúdos" qualquer matéria tecnicamente mais complexa.
Aliciante, no mínimo, foi a visita guiada ao Wine Lodge da "Blandy's" pelo próprio Francisco Albuquerque, que incluiu a entrada no cofre onde estão guardadas as últimas reservas (e no qual brilham, entre outras, as famosas garrafas 1792 Napoleão) e não dispensou a visita às várias salas onde repousam em canteiro (chama-se "canteiro" pois as pipas encontram-se fixas sobre pedras trabalhadas pela técnica de cantaria) os vinhos que irão constituir novos lançamentos e/ou enchimentos. De seguida, na Sala Frasqueira, provaram-se, da "Blandy’s", os Colheitas Malmsey de 1990 e de 1993 (ambos bons, mas mais complexo e amplo o primeiro), os Colheita Bual de 1990 e de 1992 (com este último a revelar-se vibrante e fresco) e o elegantíssimo Frasqueira Bual s/d com, pelo menos, mais de 50 anos (fino de perfil e de recorte gracioso, a notar-se o tempo de garrafa). Provaram-se ainda dois vinhos por nós já conhecidos, o Bual 1968 e o Bual 1977, ambos muito bons. Da Cossart Gordon, provou-se um explosivo Sercial 1963, um vinho de concentração máxima, absolutamente seco na boca e de final de acidez elevada e prolongadíssimo (a demonstração do que melhor a casta consegue fazer, mas poucas vezes o faz).
Tempo ainda para provas na "Barbeito", proporcionadas pelo afável staff da "Garrafeira Diogos" (Av. Arriaga, 48, Funchal), com destaque para o altivo Malvasia Lote 20 anos (doses maciças de avelãs e noz, e ainda bolo inglês como referências) e para o muito acessível Single Harvest 1997, um 100% Negra Mole que não pretende ficar na sombra das castas brancas e mostra-se em muito bom plano. Provaram-se ainda os Reserve 10 anos, quer de Bual quer de Malvasia, dois clássicos e best-sellers da marca, sempre com um óptima relação preço-qualidade.
terça-feira, abril 07, 2009

Tudo começou com mais uma edição do DSF Moscatel Roxo Rosé, desta feita da colheita de 2008, revelando-se, uma vez mais, como um dos melhores rosé nacionais (e não só). Complexo no nariz com fruta e matizes florais (rosas) intensas, corpo mediano/encorpado e final saboroso. Uma aposta ganha por Domingos Soares Franco, um rosé que marca pela superioridade sobre os concorrentes e que revela uns nem sempre simpáticos 12.9% de álcool (17).
Depois, já com uma terrina de foie-gras no prato (com compota de figo, maça "grany smith", e "peta zetas", muito bom por sinal) provou-se o Camarate (B) 2008, um branco doce, produzido a partir de uvas Moscatel e Malvasia fina, em iguais proporções. Muito frutado, com pendor pesado para fruta cozida e referências a amêndoa amarga e anona, algo linear. Portou-se bem, todavia, no que respeitou ao "wine paring" com o foie gras (e mostrou ter apenas 11% de álcool), mas foi o vinho em apresentação que menos nos agradou (14,5).
Por fim, serviu-se o topo de gama Hexagon (T) 2005, muito mais vinho que as duas edições anteriores, mais força, mais músculo, mais taninos, enfim mais garra. A acompanhar um medalhão de javali (mimado com trouxa de chévre, maça esmolfe caramelizada e molho frio de moscatel, numa criação culinária que só pecou pela secura e dureza da carne), o Hexagnon mostrou ser dotado de um nariz intenso a fruta preta (amora e mirtilhos), folha de tabaco, e referências a carvalho novo. Boca com muita fruta, boa acidez, complexidade assinalável (são seis castas, com predomínio para a Syrah, Trincadeira e Touriga Franca) e um bom prolongamento de final de boca. Temos vinho (17 – 17,5)!
quinta-feira, abril 02, 2009

Quinta dos Avidagos
Não é a primeira vez que provamos vinhos da Quinta dos Avidagos e este Reserva da colheita de 2006 vem confirmar a apetência do terroir da casa Nunes de Matos, com duas quintas próximas da Régua, para fruta compotada e corpo delicado (eg., ver aqui e ali).
15,5
quinta-feira, março 26, 2009

Chegam-nos então duas novidades, e logo dois vinhos para se situarem no topo da gama. No branco, um Antão Vaz; no tinto, um bivarietal de Aragonez e Alicante. Qual gostámos mais?
Herdade da Comporta Antão Vaz (B) 2007: É um branco com muita qualidade, um puro Antão Vaz, que nasce com aromas fechados, vegetais, e só passado algum tempo no copo se revela mais frutado e citrino. Boca gorda, muito ampla. Tudo no sítio, mas demasiado moldado à casta, excessivamente directo, como é natural num monovarietal (é por estas, e por outras, que preferimos os lote). Em todo o caso, um óptimo exemplar desta casta cada vez mais presente nos topos de gama brancos produzidos a sul do Sado. 16
Herdade da Comporta Aragonez + Alicante Bouchet (T) 2006: Este tinto tem outra estirpe... Não se limita a ter fruta, como ademais a fruta tem muita qualidade, revela-se limpa e cativante (não é totalmente madura, mas lembra amoras e ameixas). O corpo aguenta a fruta, e trás uma acidez viva e um toque rústico que tanto apreciamos, e tudo sem perder gulodice. É um perfil moderno mas ágil à acompanhar a refeição, é um tinto que muito nos agradou até pela não "sobre exposição" da madeira. 16,5-17
sexta-feira, março 20, 2009

Pois bem, é a preparar o carro que nos lembramos dos últimos tintos espanhóis que recentemente provámos e gostámos. São todos vinhos abaixo dos €20, alguns mesmo abaixo de metade desse valor e, tirando um ou outro, são a entrada de gama de marcas bem conhecidas. Em notas telegráficas, pois faz-se tarde para iniciar a viagem, recomendamos os seguintes:
Prima (T) 2006: uma bomba no nariz este entrada de gama da "Bodega Maurodos", responsável pelo fantástico San Roman. Muita fruta, potência controlada, é um tinto a um preço fantástico que só peca um pouco na boca por demasiado curto. A menos de €9. 15,5-16
Sentido (T) 2006: Um Duero elegante, fresco e com acidez viva. Notas a fruta vermelha, mas também algum citrino neste primeiro vinho das "Bodegas Conde", as mesmas que produzem o mais conhecido Neo. A menos de €11. 15,5-16
An/2 (T) 2005: Palavras para quê? É o irmão mais novo do projecto maiorquino "Ànima Negra". Sem a complexidade subtil (a lembrar alguns Bordéus) do irmão velho, está contudo elegante, sumarento e muito gastronómico. A menos de €13 é sempre uma boa escolha e é uma referência nos vinhos Baleares. 16-16,5
Domínio de Bendito (T) 2005: Muita extracção num tinto que fará as delícias dos amantes da potência da tinta del toro. Ainda que algo desequilibrado, muitos dirão ser um vinhão! Para nós, o seu destino é, necessariamente, a garrafeira por mais dois ou três anos. A menos de €17. 16
Quinta Quietud (T) 2004: Um dos vinhos que, ano após ano, mais surpreende na região de Toro (Zamora). Um vinho sereno (como o nome da quinta o faz perceber), de dimensão enorme e de final acetinado. Sistematicamente um dos melhores - mas infelizmente dos mais desconhecidos - nomes da região. E a um grande preço! A menos de €17. 17-17,5
quarta-feira, março 18, 2009

Casa Cadaval Trincadeira
É verdade que não é uma novidade de última hora. Em rigor, o vinho já saiu para o mercado há mais de três meses, mas também é verdade que só nestes últimos tempos tem estado disponível num cada vez maior número de lojas e até hipermercados (eg., no Jumbo das Amoreiras a menos de € 11).
Nariz com um travo vegetal, algum bret. e noções animais. Sem dúvida que existe neste tinto complexidade e ecletismo, sendo que no primeiro impacto a fruta não aparece. Com arejamento, surge a fruta em contornos de cereja madura e framboesa esmagada, muita especiarias, sendo que as sensações animais não largam o copo. Na boca mostra taninos duros, saborosos, mas a precisar muito de tempo em garrafa. Está tudo por afinar ainda.
A expectativa não era baixa é certo (bem pelo contrário), e o vinho mostrou-se, nesta fase, uns furos abaixo do esperado. No geral, encontra-se demasiado jovem e a precisar, a nosso ver, de muito repouso para se revelar com mais categoria. Não nos admiraríamos, todavia, que daqui saísse um grande vinho no futuro.
16,5++
terça-feira, março 10, 2009

Admitimos que melhore com mais um par de anos, mas não parece ser daquele feitos da matéria que permite bebê-los daqui a quinze anos. Neste caso, também não se justifica, pois está belíssimo por ora. Foi considerado como um dos melhores do ano na sua região pela RV, começa a ser (para nós) um grande representante da moderna Bairrada e, mesmo assim, não custa mais de 20€. Que bom (!), sendo que a nota reflete o comedimento no preço.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Em suma, mais dois bons tintos do Dão que merecem ser conhecidos e a preços comedidos, a menos de 10€ cada.
terça-feira, fevereiro 17, 2009

Cor pouco concentrada, rubi vivo com transparências. No nariz surge o maior destaque com um fruto bonito de grande qualidade e de perfeita definição - é uma autêntica miscelânea de fruta vermelha, ora madura ora mais fresca, vibrante e muito sensual, sem nenhum excesso da madeira por onde estagiou (apenas com ligeiro verniz). Em suma, é difícil de tirar o nariz do vinho que não cansa, mas encanta. A boca é menos entusiasmante, com intensidade mediana, algo morna mas em todo o caso muito saborosa. É pois um tinto que aposta na elegância, na não saturação dos sentidos, e que se bebe com muito prazer (uma garrafa pode desaparecer num instante...).
17
domingo, fevereiro 15, 2009

A verdade é que, com esta prova, confirmamos que a versão de 2004 está um nível muito alto (e, talvez por isso, nos decepcionou um pouco o 2005). Mantém-se escuro na copo, mas não opaco, e lança um aroma que combina as nuances de violeta com fruta vermelha fresca. A madeira também se sente, mas só se encontra lá para ajudar e não prejudica. Onde o Garrida 2005 revela algum excesso, este Garrida 2004 mostra equilíbrio. Onde o Garrida 2005 quer deslumbrar de imediato, este 2004 quer agradar de forma progressiva. Na boca o 2005 está mais cheio é certo, mas é o 2004 que espelha melhores e mais saborosos taninos e ganha o campeonato do carácter gastronómico. Até o final de boca do Garrida 2004 está mais prolongado!
17+
terça-feira, fevereiro 10, 2009

Cor escura, num azul arroxeado quase impenetrável e ligeira espuma. No nariz, a primeira pequena decepção: flores, flores e mais flores! Ou melhor, violeta, violeta e mais violeta! É um floral intenso e químico, como que a lembrar sabonete, juntamente com alguma especiaria e chá preto. Não significa isto que a casta esteja excessivamente pesada ou que o vinho siga num perfil morno (não é verdade, revela até frescura revigorante). Contudo, a nosso ver, está muito directo, excessivamente focado na vertente floral da Touriga Nacional. Conhecemos, é certo, quem encontre neste tinto um lado frutado e elegante. Mas nós nem por isso.
Na boca melhora bastante, está polido, de grande amplitude e muito saboroso. Todavia, a segunda pequena decepção vai inteira para o final de boca que se sugere algo curto comparado com anos anteriores (recordando-nos dos 2003 e 2004). Não há dúvidas que está todo ele mais musculado, mais viril até, mas o final de boca peca, pelos menos por ora, pela falta de elegância e de comprimento.
Certamente que irá crescer na garrafa, tal qual as colheitas anteriores, podendo melhorar o final de boca e afinar-se o excessivo carácter floral do nariz. Neste momento, está pronto para os fanáticos da Touriga Nacional poderosa e evidente. Para os outros, parece-nos ser aconselhável guardá-lo por um par de anos.
16,5++
PS: a última pequena decepção vai para o preço que, como é sabido, aumentou infelizmente cerca de 50%.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009

NOVIDADES
Não é uma, mas são antes duas novidades, dois vinhos que irão em breve sair para o mercado. Duas filosofias diferentes, dois estilos opostos, duas regiões distantes. Em suma, dois bons vinhos brancos portugueses.
terça-feira, janeiro 27, 2009

A menos de € 12,5 mantém-se uma boa aposta (para a edição de 2004 ver aqui) e, a nosso ver, um dos pedidos mais seguros junto da restauração mais especulativa.
16
Próximos vinhos: Apegadas Quinta Velha Reserva (T) 2006; Viniaticu (T) 2006; Sarmentu (T) 2006; Vinha da Costa (T) 2005
quarta-feira, janeiro 21, 2009

Curva Reserva (T) 2006: com cor rubi, revela no inicio um nariz com aromas a verniz, madeira, eucalipto. Tudo muito intenso, quase enjoativo. Com arejamento melhorou e mostrou-se mais químico, com notas de menta do tipo creme Vic's VapoRub e muito balsâmico. Na boca, aposta no difícil campeonato da elegância, mas não é um vencedor. Fino, com pouco final, não surpreende. A 12€ a garrafa, esperava-se mais deste reserva, apesar do ano não ter sido fácil. 15,5
Curva Reserva (B) 2007: a mesma intensidade do que o tinto, mas agora numa vertente floral estranhamente adocicada (malvasia?). Alguma madeira, fruta cozida, e muito floral doce… Boca com pouca expressão, apesar de fresca e com acidez interessante. A 10€ a garrafa, e somar ao tinto (e no branco não tivémos um ano difícil, pelo contrário), aqui ficam dois vinhos pelos quais se esperava mais. 15
A ver vamos o Casa Burmester…
quarta-feira, janeiro 14, 2009

Mas, de há uns anos para cá, alguns sinais surgiram em sentido oposto. Primeiro, o lançamento pela Adega Cooperativa de Favaios de lotes com uma qualidade significativa (eg. "Moscatel de Favaios 10 anos"). Depois, a aposta por algumas casas conhecidas e usualmente mais identificadas com vinhos DOC ou do Porto, com destaque merecido para a Quinta do Portal (Celeirós).
Quanto a este moscatel, evidenciamos a relação muito interessante entre acidez e untuosidade, muito recompensadora no olfacto mas, sobretudo, no palato. Cor cobre, com laivos esverdeados a lembrar ferrugem ou ambar. Nariz complexo, intenso, inebriante nas suas variações florais e tiques caramelizados. Entra na boca com carácter meloso, bem carregado nas notas não pesadas a caramelo. No "meio de boca" surge mais pungente, com as típicas notas a flor de laranjeira e a pêssego em calda a sobressairem, para terminar num final doce mas, simultaneamente, fresco e vivo. Gostámos muito, com nota positiva adicional para o facto de se diferenciar um pouco do estilo de Setúbal, este mais carregado nas referências adocicadas. A nosso ver, melhora se bebido no intervalo de temperatura entre 10º e 12º.
Uma iniciativa a salutar de forma festiva esta a de engarrafar um moscatel de topo do Douro! Naturalmente, só custa o preço, mas este moscatel tem o estatuto de quase raridade (dada a pouca quantidade produzida), entre € 40 a € 45 a garrafa de meio litro.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
São dois vinhos da Herdade do Perdigão que nos conduzem por este texto. Ambos de colheitas não totalmente recentes: o branco de 2006, o tinto de 2004. Talvez por isso (ou seja pelo estágio em garrafa que já mereceram), estão ambos vinhos calmos, eloquentes, e em óptima forma para serem consumidos. Apesar do que as notas atribuídas podem dar a entender, a verdade é que fomos mais (bem) surpreendidos pelo branco do que pelo tinto.
Herdade do Perdigão Reserva (B) 2006
No nariz não se identifica imediatamente a região (Alto Alentejo), e esse facto agradará o olfacto dos mais curiosos. Mas identifica-se o perfil: excelsa matéria-prima, fruta muito agradável e fresca, e alguma madeira a completar o cardápio. Por isso não espantam as referências iniciais a espuma de café expresso e mesmo a caruma. Boca muito fresca, com a madeira a conferir untuosidade e complexidade significativas mas não a impor-se de forma evidente (nas provas anteriores sentia-se mais a madeira). Ananás, frutas tropicais, mineral fresco, tudo a muito bom nível se nos lembrarmos que 2006 foi ano muito quente. É um branco muito bem feito que parece ter passado despercebido aos consumidores… Em princípio, com mais alguns meses em garrafa, a madeira que ainda se sente no nariz ficará mais integrada e teremos aqui um belíssimo branco alentejano. 16,5+
Herdade do Perdigão Reserva (T) 2004
A cor denota concentração mediana num encarnado escuro mas com alguma translucidez e evolução. O nariz é todo fruta vermelha misturado com vejetal, complexa nas derivações a especiaria como seja pimenta branca. Torna-se evidente, em cada momento, a Trincadeira. Na boca surge com notas adocicadas licoradas, taninos discretos e finos. Depois, novamente muito especiado e alguma madeira em perfil fumado e tostado. Corpo fino, e elegante, a faltar porém alguma amplitude na comparação com outros da mesma região. Final correcto, novamente em elegância, num vinho de perfil fino e gastronómico. Deverá continuar a evoluir nos próximos 2 a 3 anos mas depois parece-nos ser de beber rapidamente. 16,5 - 17
Próximos vinhos: Casa Burmester Reserva (T) 2006; Curva Reserva (T) 2006; Curva (B) 2007; Apegadas Quinta Velha Reserva (T) 2006; Viniaticu (T) 2006; Sarmentu (T) 2006; Vinha da Costa (T) 2005
segunda-feira, dezembro 29, 2008
quinta-feira, dezembro 25, 2008
+
- Ferreirinha Reserva Especial (T) 1997
- Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001
- Dado (T) 2000
- Gouvyas (T) 2000
domingo, dezembro 21, 2008

Ossian (B) 2006
Não queriamos que chegasse o nosso texto de Natal sem antes referir mais um vinho que não esqueceremos tão cedo. De novo espanhol (raios!), mas desta feita branco. Acresce que, pelo menos ao nível de complexidade e de prova de boca, esta foi a melhor surpresa que provámos este ano em termos de vinhos brancos. O que, a nosso ver, não é obra simples, dados os vários bons brancos nacionais de 2007 e, claro, os muitos brancos provenientes do resto do mundo por nós provados.
Trata-se do Ossian (B) 2006, fruto de uma vinha prefiloxérica, ou seja com bastante mais que cem anos (segundo o produtor com mais de 150 anos) localizada próximo de Segóvia (Rueda) e que estagia quase um ano em carvalho. Falta ainda esclarecer que é uma vinha de uma casta só, nem mais nem menos que a fantástica verdelho e que o vinho é produzido segundo os princípios da agricultura biológica (ou seja, sem nenhum tipo de produtos químicos) e fermentado con leveduras autóctonas. Pois bem, temos então um 100% verdelho e logo de vinhas velhas, e que verdelho… Amarelo carregado no copo, revela-se imediatamente compacto. No nariz, lança de início um aroma áspero, duro, vegetal seco, tudo a dizer que é um branco de força, de complexidade e de arrebatamento. Depois surge ligeira tosta, fruta cozida e fruta tropical, ligeiro floral e madeira de móvel antigo. Mineralidade muito boa (quem acha que o galego "As Sortes" é mineral tem de provar este), boca cheia e untuosa, corpo amplo, extremamente estruturado, é como se fosse "um tinto de uva branca". Final prolongadíssimo, novamente duro e seco, uma austeridade que se aplaude e que tantas vezes faz falta aos brancos que se querem com longevidade. Onde não ganha em subtileza e elegância, ganha em força, complexidade e amplitude. Um branco de despertar paixões!
O melhor de tudo é que se vende por cá. Custa entre € 30 a € 35, e compra-se nas Coisas do Arco do Vinho (Lisboa) ou na Tio Pepe (Porto). Aproveitando o espírito consumista cada vez mais presente no Natal, é caso para dizer "toca a comprar"!
17,5
quarta-feira, dezembro 17, 2008

Produzido só em anos excepcionais, este Aalto PS é o topo de gama da marca Aalto com vinhedos na Ribera del Duero (PS significa "pagos seleccionados"). Naturalmente, é um vinho ainda muito jovem (em comparação com o Amon-Ra, o australiano parece estar mais pronto a beber) que terá de esperar tempo em garrafa. Completamente negro no copo, começa por revelar-se tímido no nariz. Está muito sério, como convém num tinto deste tipo, todo ele potente e intenso. Ainda no nariz, o carvalho pouco se sente apesar dos mais de 15 meses em barricas novas, sendo ao invés marcado por fruta preta, ligeiramente confitada, cacau e uma nota balsâmica agradável e fresca (um after-eight que não se sente em anteriores edições do vinho). Na boca apresenta-se com um estilo moderno, muito concentrado, e portanto longe do estilo clássico que marcou os vinhos espanhóis nas décadas passadas. Durante toda a prova mostra-se amplo e com taninos que secam a boca mas não agridem, acidez domada (mas ela existe), enfim tudo a garantir longevidade. Final de boca longo, mas a este respeito acreditamos que vai crescer.
Com um preço superior a € 75, é uma prova inequívoca como taninos e acidez não significam um vinho menos atraente. Este Aalto PS (T) 2005 conjuga num só, atracção, potência e intensidade, de uma forma como poucos outros vinhos provados este ano o fizeram. Muito bom mesmo. Não vamos esquecer!
18
quinta-feira, dezembro 11, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

sexta-feira, dezembro 05, 2008
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quarta-feira, dezembro 03, 2008

"Retaste" 2: Projectos/Vértice/Cossart
Vértice Grande Reserva (T) 2003: Depois provou-se um dos tintos que mais fama agraciou no passado recente junto dos enófilos, em especial por ser uma boa compra dado a óptima relação preço/qualidade. Mantém-se escuro no copo, mas o nariz, excessivamente centrado na compota e na geleia de frutos pretos, perdeu muita intensidade e expressão aromática. A boca também está uns furos abaixo do que em anteriores provas (aqui), parece ter perdido complexidade e tornou-se demasiado rústico e algo difuso nas referências a fruta. Diríamos que a beber nos próximos tempos, talvez mais um ou dois anos. 16
Cossart Bual (M) 1995: Por fim o madeira. Muito jovem para ser um madeira de classe, está contudo vincado nas referências a flor de laranjeiro e revela-se (como se esperava) quase perfeito na acidez. Falta viscosidade e falta um final interminável, mas é uma boa compra em todo o caso. Pode bebê-lo durante muitos mais anos. 15,5 ++
terça-feira, novembro 25, 2008

segunda-feira, novembro 17, 2008

sexta-feira, novembro 14, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008

Por esta é que ninguém esperava! Não é uma novidade mundial, mas a nível nacional julgamos ser o primeiro caso de um rosé 100% com estágio em madeira. E logo oriundo de Algoz, (onde fica?) em pleno Algarve, outra peculiaridade num Portugal vinícola que há muito esqueceu a região mais solarenga do país… O que já não é novidade é que o projecto Barranco Longo, fruto da persistência de Rui Virgínia em "lutar contra a maré", apresenta tintos e brancos de perfil internacional, e tem no seu portefólio um rosé (que não este de que vamos falar de seguida) que tem sido um best-seller nos últimos verões.
Numa apresentação recatada, em plena noite de São Martinho e com um menu muito apropriado, provou-se então a novidade, resultado de uma colaboração entre o Vila Monte Resort e a Quinta do Barranco Longo. Desde logo, muito curioso o facto da passagem por madeira fazer com que este rosé revele uma vertente multifacetada, que tanto acompanhou com vigor as castanhas a solo no início como, já na sobremesa, mediu forças com bravura com um pudim das mesmas. O facto de ser lançado agora, em pleno Outono, denota a preocupação de colocar este produto num segmento não coincidente com a imagem de rosés frescos próprios e típicos da estação estival.
Na prova, mostrou ao olhar uma cor salmão carregada sem laivos acastanhados. O nariz apresentou-se com as típicas notas a morangos silvestres provenientes da casta Aragonês, mas apenas em segundo plano (já agora, a par do Aragonês, entra no lote Touriga Nacional). De facto, em evidência estão antes sensações a folha queimada e caruma, enfim sensações que aumentam a complexidade aromática do vinho. Tudo ainda com muita especiaria, mas sem excessos. Na boca, mostrou uma opulência única considerando que se trata de um rosé. Tudo arredondado e de cariz glicérico; enfim um rosé diferente: gordo mas não enjoativo. Só o final de boca que podia ser mais seco, mas isso seria pedir "o céu e a terra" tudo junto.
O álcool não ajuda ao consumidor, com os 14.º (vol.) que o produtor entende serem inevitáveis dada a singularidade do vinho (somos tentados a concordar, mas menos um grau era melhor, mesmo com o risco de perder algum toque glicérico). Por isso, não se esqueça de o servir um pouco menos fresco do que os rosés típicos de Verão, e não tenha receio de o acompanhar com pratos relativamente elaborados. Por fim, desconhecemos o preço mas recomendamos muito a compra e não só pela novidade. É que gostámos muito dele!
sexta-feira, novembro 07, 2008

Encontrámos, e a menos de €20! É este Mensagem Aragonês (T) 2005.
17-17,5
terça-feira, novembro 04, 2008
O mais curioso, é esta a razão do presente texto, é que ambos os vinhos nos pareciam ter passado por madeira. O galego claramente com notas amanteigadas que não podiam dever-se apenas ao batonnage. O minhoto, apesar de menos evidente, também parecia indicar isso mesmo, sobretudo no nariz, levemente fechado num ligeiro aroma eventualmente típico do uso do carvalho. Repetimos o que já dissemos, "como nós por aqui não bebemos rótulos", escrevemos no blog isso mesmo, ou seja que o nariz parecia denotar a passagem, ainda que ligeira, por madeira.
Mais curioso é que (e já tínhamos esquecido o assunto) durante os 3 dias do EVS, foram várias as pessoas, algumas que nunca viramos antes, que nos relataram que tiveram exactamente a mesma sensação com aquele alvarinho daquela colheita. Mais ainda, outros, tanto na área da distribuição como na da crítica, confirmaram a suspeita de que o vinho tem, pelo menos, 20% de madeira. Ao invés, o produtor, que também estava no EVS, nega.
Se o vinho tem, efectivamente, 20% de madeira, então ficamos contentes pela nossa intuição. Se não tem, ficamos contentes por sabermos agora que não fomos os únicos a duvidar. Mas mais importante do que saber quem tem razão, é observar que, afinal de contas, não era assim tão certo que tal alvarinho não tivesse madeira e que, por isso, as dúvidas eram legítimas. Na prova de vinhos, aliás, quase todas as dúvidas são legítimas, e mesmo a análise a uma ficha técnica enviada pelo produtor não deve turvar a opinião (que se quer) crítica. A nosso ver, claro está.
NOG


