quarta-feira, julho 18, 2007

Mini-vertical de Evel Grande Escolha

A ideia de uma mini-vertical de Evel Grande Escolha andava a matutar na nossa cabeça faz tempo. Lembro-me mesmo de ter conversado com o Rui sobre isso, mas desta foi mesmo de vez! Este topo de gama da Real Companhia Velha surgiu na segunda metade da década de ' 90, mas em jogo apenas estavam as colheitas de 2000, 2001 e 2003. O que havia de 1999 já era (ver aqui), e o de ' 2004 pensamos que se encontra ainda muito novo.
A conclusão principal que podemos tirar é que se trata de um vinho com uma belíssima qualidade (sobretudo para o preço em causa), mas também consistente ao nível das três colheitas provadas. Como sempre acontece nestas coisas, é evidente que os vinhos foram o espelho da colheita, e por isso o ' 2001 mostrou um registo bem diferente dos irmãos, mas sem ficar furos abaixo. Para mais, tratam-se de vinhos de relativa longevidade, posto que o ' 2000 já leva uns anos e portou-se muito… vejamos:

Evel Grande Escolha (T) 2003: confirmou-se o que se esperava dele, e confirmou também as provas anteriores (ver aqui). Jovem no nariz, de cariz frutado e com final balsâmico. Não é daqueles tintos que nos fazem perdem horas a contemplá-lo, mas é "focado" e vai direito ao assunto. Esteve muito bem, boca totalmente redonda e já pronto para consumo, faltando-lhe apenas alguma complexidade no final de boca que talvez a idade lhe pode proporcionar. 17

Evel Grande Escolha (T) 2001: o ano não foi de fruta mas antes de "vinho", e este Evel Grande Escolha revelou isso mesmo. Mais seco que os irmãos, nariz distante mas muito cativante, profundo mesmo. Complexo na boca – é um tinto que dá séria luta – fresco, com toques de menta e chocolate amargo. Perfil gastronómico (neste aspecto, muito acima dos 2000 e 2003), final médio, taninoso, e (novamente) a sensação que ainda pode durar alguns anos na garrafeira. 17

Evel Grande Escolha (T) 2000: quem pensou que o ano quente o podia marcar com pouca longevidade engane-se! Está de boa saúde (e existem muitos ' 2000 do Douro que já não estão…), com camadas de fruta preta madura mas sem qualquer "pico" de sobrematuração. A evolução está no auge – é bebê-lo já – com a madeira perfeitamente integrada. Final elegante, longo e quente, enfim um conjunto muito sedutor. Um vinho de puro prazer em perfeito estado de evolução. 17,5
*

6 comentários:

Pingus Vinicus disse...

Sou um adepto confesso deste vinho.
Um enorme abraço

Chapim disse...

Que bela prova caro Nuno. É um dos mais sérios casos de vinhos cheios de qualidade sem preços abusivos.

Boas provas!

Copo de 3 disse...

A primeira colheita do Evel Grande Escolha, se não me engano foi o 1996, que penso ter sido o vinho lançado para colmatar a ausência do Grantom, topo de gama desta casa no passado, e que nos tempos mais próximos renasceu.

Não sendo um vinho feito numa escala que dura faz 20 - 30 - 40 anos, são daqueles que vejo com o toque clássico, e que nobremente envelhecem no seu recanto. Com a mudança de rótulo, ouve uma ligeira quebra/alteração no perfil do vinho... mas em nada muda o que digo.

VinhoDaCasa disse...

Este foi um dos vinhos que me deu o click...
Curiosamente foi o Ével Grande Escolha 1999 o que mais gostei. Mas bebi há pouco tempo o 2001 e achei-o impecável...

E para o preço dele, melhor é impossível, principalmente porque é um valor seguro ano após ano..

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Não é por acaso que nos guias do JPM de 1999/2000 aparecia o Evel Grande Escolha como dos melhores da região.

Paulo, isso do click é muito curioso, há vinhos assim... que nos marcam.

Nuno

Pedro Sousa P.T. disse...

Por acaso estava à espera que alguém "daí" avança-se com um comentário sobre este vinho. Ainda não o tinha comprado por essa razão. Agora já estou mais elucidado, ou seja, não o vou falhar, já o considero no meu saco de compras.
Abraços.