sexta-feira, junho 20, 2008


Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004

Fazemos assim uma breve interrupção nos textos da viagem ao Douro, o que não nos impede, contudo, de nos mantermos na região, posto que a prova que vamos abordar de seguida é a de um tinto duriense.

Falamos, e não é a primeira vez, de um vinho da Quinta da Sequeira, desta feita o seu topo de gama denominado de "Grande Reserva", designativo que cada vez mais se torna comum talvez em detrimento dos "Grande Escolha". Pois bem, se os tintos "Colheita" e "Reserva" desta quinta teimam em mostrar-se sequiosos de estágio em garrafa, afim de amaciarem os seus arrasadores taninos e demais arestas pontiagudas, já este Grande Reserva 2004, apesar de potente, está como que "adormecido" e não dizemos isto no mau sentido, bem pelo contrário. A madeira, que tantas vezes marca demasiado os vinhos (até com taninos), fez neste tinto tudo o que lhe competia pois o líquido está mais calmo que outros do mesmo terroir mantendo, porém, o perfil aguerrido, seco até, e de grande comprimento.

É certo que não esconde as suas origens e revela um nariz floral no fundo, com flora florestal e fruta madura não-compotada. É, ademais, significativamente complexo, mostra camadas de fruto silvestre, e a madeira apenas se vai evidenciando, aqui e ali, num apontamento diríamos que "abaunilhado" (mas nada de fumos, ou coisas que tais). Boca poderosa mas (novamente...) mais agradável do que esperávamos à primeira vista, capaz de dar prazer e de manter uma enorme vertente gastronómica (na foto coxas de pato assadas). Bom fruto, saboroso, tudo muito bom e bastante equilíbrado - sem dúvida, o melhor tinto comercializado por esta quinta do Douro Superior e uma óptima escolha para quem já está farto das bombas do Cima Corgo (não, ainda não é o nosso caso...)!

Em suma, pode-se beber desde já, mas recompensará muito se se guardar por um par de anos. Depois, arriscamos que se possa beber até 2013-2015 em óptima forma (um desabafo: o que eu daria para ter uma magnum). Cada garrafa, de belo grafismo, imponente no tamanho e sobretudo no peso, custa cerca de € 35 nas "Coisas do Arco do Vinho" (Lisboa) ou nos Club Gourmet (Lisboa, Sintra). Não é barato, mas é bom e bonito!

17,5


Próximos vinhos: Dona Maria Reserva (T) 2003; Torais (T) 2005; Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

terça-feira, junho 17, 2008

Quinta do Noval

O nome Noval é capaz de fazer sonhar os apreciadores de Portos como nenhuma outra marca. Por detrás do nome existe uma quinta cheia de memórias, algumas delas dramáticas (como o incêndio das instalações em Gaia) e é, sem dúvida, um dos nomes maiores quando se fala de vintages. Mas hoje é mais do que isso, e produz igualmente alguns belos tintos como é o caso do Cedro do Noval e do Quinta do Noval.
 
A quinta em si é muito bonita, com as vinhas viradas para o Vale de Mendiz e o Douro lá bem ao fundo. No meio da quinta, bem perto da lendária vinha que dá origem ao Noval Nacional, surge uma casa senhorial de grandes dimensões que mantém respeito. Foi este o cenário ideal para o começo das provas matinais. Primeiro os tawny, depois os vintages e, já com o almoço, os vinhos de mesa Cedro e Quinta do Noval nas versões de 2005.
Do muito (e bom...) que se provou, a nossa lembrança vai direitinha para o Quinta do Noval Colheita (P) 1995 (cheio de frescura nas suas notas alaranjadas), para o Quinta do Noval Tawny (P) 40 Anos (a lembrar alguns vinhos madeiras na complexidade e untuosidade), para o Quinta do Noval Colheita (P) 1986 (perfeito na evolução, muito consensual) e, finalmente, para o recente Quinta do Noval Vintage (P) 2004 (naturalmente cheio de potência e muito saboroso).

Não é todos os dias que se consegue visitar a Quinta do Noval e nós, também por isso, agradecemos à Rute Monteiro. Nas fotografias, alguns dos Portos provados pela manhã e as vinhas da Noval (com a vinha do Nacional no patamar inferior da fotografia).

domingo, junho 15, 2008

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Quinta do Crasto


Uma visita à Quinta do Crasto é um desafio para os enófilos apaixonados! São tantas as solicitações, sobretudo as de personalidades internacionais, que a família Roquette não tem mãos a medir no que toca a receber visitas. Desta feita, foi a nossa vez, e não nos esqueceremos da maneira como fomos recebidos.

A localização da quinta é soberba e sua vista para o Douro é famosa (quase tanto quanto a piscina no topo...), mas são os vinhos que trazem a justa fama à casa. Após uma visita às instalações, e na sequência da mirada às desejadas "vinha Maria Teresa" e "vinha da ponte", foi tempo de almoço e de provar algumas novidades.

Primeiro, o Crasto (B) 2007, um branco de muito bom nível, com fruta fresca e boca cheia de classe, uma belíssima estreia (a quinta já vinha produzindo vinhos brancos mas este é o primeiro a ser lançado no mercado). De seguida, o Crasto (T) 2007, no seu perfil exuberante de fruta e muito directo na boca. Depois, o Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas (T) 2006 ao seu melhor estilo, quente e muito apelativo; um daqueles vinhos onde nem o ano de 2006 mexe com a qualidade habitual, está a tornar-se um clássico. Depois ainda, a prova de casco do futuro Quinta do Crasto Touriga Nacional (T) 2007, um monocasta de nariz fantástico mas ainda muito fechado na boca. Finalmente, um Quinta do Crasto LBV (P) 1995 a revelar uma complexidade apaixonante e a mostrar que os Porto LBV não filtrados podem evoluir muito e bem.

Em suma, um grande dia, uma grande visita. Agradecimentos ao Tomás Roquette e ao Pedro Almeida. Em baixo, as fotos da casa e da piscina "with a view".
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quinta-feira, junho 12, 2008

Prova especial

Quinta do Bomfim

Este ano, o périplo pelo Douro começou com um almoço na Quinta do Bomfim, berço de muitos vintages e, em especial, do nosso favorito Dow’s. Em ano clássico, entram no lote vinhos de outras quintas da Symington (com destaque para a Quinta da Nossa Sr.ª da Ribeira e Quinta do Santinho), mas a Quinta do Bomfim, mesmo junto ao Pinhão, é uma referência obrigatória para o enófilo posto que está carregada de história e de estórias.

Numa tarde que se iniciou quente, e no jardim de uma charmosa habitação do tipo fazenda indiana de chá, refrescaram-se umas garrafas de Dow’s 20 Anos - já se sabe, um dos melhores tawny 20 anos do mercado - e a conversa pegou fogo. Depois, descida ao rio para breve passeio de barco. Depois ainda, mais visitas à Quinta da Perdiz (Rio Torto) e à Cavadinha (Celeirós), esta última com uma deslumbrante vista para as vinhas da Noval.

Agradecimentos merecidos  à família Symington e ao incansável António Torres. As fotos infra são ambas da Quinta do Bomfim.









terça-feira, junho 10, 2008


No Douro...


A demora na colocação dos últimos textos não tem desculpa, mas tem justificação – a visita anual a alguns dos nossos spots preferidos no Douro, ou seja, aqueles que, em simultâneo, produzem os melhores néctares e revelam o melhor cenário da região.

Este ano, em conjunto com o "núcleo duro" das Coisas do Arco do Vinho, foi vez da Quinta do Bomfim (Symington) junto ao Pinhão, Castro, Noval, Vallado (Corgo), Vale D. Maria (Rio Torto) e Roriz. Poderia ter sido melhor? Não vemos como!

Contudo, uma vez que este blog não trata de reportagens, iremos apostar em brevíssimas descrições das visitas (sobretudo as nossas sensações, mais do que outras coisas) e num apontamento da selecção dos melhores vinhos provados (afinal, o principal para o enófilo). As fotos colocadas, algumas muito bonitas dado o cenário natural, contarão (assim esperamos) o resto.
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PS: Na imagem, a ponte do Pinhão ao fundo (fotografia tirada a partir da Quinta do Bomfim).

segunda-feira, junho 02, 2008



Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001

Aquando do nosso texto do Natal deixámos a dica e o aperitivo (ver aqui). Agora abordamos um pouco mais o objecto – e que objecto!

No início é até um choque menos agradável tanto que é o ataque da excelente madeira em que o vinho estagiou. Apara de lápis, madeira de móvel antigo, espuma de café expresso, enfim de tudo um pouco. Mas este é um daqueles tintos que não pode ser julgado pelo seu ataque inicial, isso seria, aliás, extremamente injusto para o néctar e redutor para o enófilo.

Pois bem, cinco minutos de arejamento em decante (ou um pouco mais em copo largo) bastam para soltar um bouquet absolutamente fabuloso, (ainda) em plena evolução e com muita categoria balsâmica. Complexo na fruta (não muito madura), toda ela muito fresca mas saborosa. Acidez doseada na perfeição e um corpo extraordinário fechado em "apenas" 13º de álcool. Alguns taninos (até da própria madeira...) que ainda marcam uma boca ligeiramente áspera mas igualmente fresca, ampla, recompensadora no que respeita a fruta, acidez e final de boca. Arriscamos: quem não gostar deste tipo de tinto (eg., por ter quase oito anos, por ter menos álcool que o habitual, ou por revelar uma fruta não esmagadora e aromas não facilmente identificáveis) não vai gostar certamente de muitos dos melhores vinhos do Mundo!

Um conjunto que merece reflexão, um expoente do Douro que alia tipicidade da região, um toque clássico e muita patine. Esqueci-me de alguma coisa?

18
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Próximos vinhos: Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004; Dona Maria Reserva (T) 2003; Torais (T) 2005; Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

quarta-feira, maio 28, 2008


Quanta Terra Grande Reserva (T) 2004


Se existisse um prémio ao vinho com o aroma mais marcado pelas referências a cereja e ginja, este tinto seria um dos mais sérios candidatados à vitória. Por outro lado, desde que o provámos praticamente em estreia (ver aqui) o vinho tornou-se mais calmo, apesar de manter uma boca cheia e vibrante. Só que a evolução podia ter trazido mais alguma complexidade sobretudo no nariz... como não a trouxe, mantém-se muito focado nos aromas acima referidos e tem, por isso, a nosso ver, a tendência para se tornar demasiado directo. Muito capaz na boca, vigorosa e saborosa, acompanhou muito bem um rabo de boi no restaurante Orelhas (Queijas).
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Em suma, um belo vinho (mas do Celso Pereira espere-se sempre um pouco mais) a um preço mais que justo, posto que inferior a € 19. Nessa medida, ao invés do que é habitual, a nota final reflete o preço.


17-17,5
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Próximos vinhos: Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001; Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004; Dona Maria Reserva (T) 2003

quinta-feira, maio 22, 2008


Quinta das Marias Encruzado "Barricas" (B) 2006

Nem o ano quente de 2006, nem a escassa produção de 1200 garrafas, impediu que este branco tivesse uma enorme (e merecida) recepção pela comunidade enófila. Se a versão sem madeira primava pela imediata frescura, esta versão com barrica inicia-se com os aromas típicos da passagem pelo carvalho como as referências a café expresso. Tal não impede, todavia, que momentos depois de ser vazado no copo seja a mineralidade habitual da casta do Dão a mostrar o seu valor, terminando com um final cheio e redondo onde amêndoas e nozes disputam a liderança. Aliás, a barrica parece adaptar-se bem ao encruzado, sobretudo com o tempo em garrafa (2 anos parece-nos razoável) e com arejamento através do uso de um decante.

Temos aqui um branco que não se mostra nem fresco demais para o Inverno, nem demasiado pesado para o Verão… é, por isso, um mimo que pode ser bebido em muitas ocasiões. Ah, nem é demasiado caro, a menos de
€ 15 a garrafa, o que se agradece. Para quem não dispensa a opinião de Parker e seus amigos, diga-se ainda que este branco recebeu 90 pontos na Wine Advocate (prova de Mark Squires).

17
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PS: A versão sem madeira mereceu 91 pontos na Wine Advocate, tendo o crítico Mark Squires jurado que o vinho tinha madeira uma vez que era muito redondo e gordo. Afinal, não somos os únicos a ser enganados por vinhos brancos...


Próximos vinhos: Quanta Terra Grande Reserva (T) 2004; Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001; Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004

segunda-feira, maio 19, 2008


Ferreirinha Colheita (T) 1998

Já muito se disse sobre este belíssimo tinto da família Ferreirinha. Quanto a nós, só falta relembrar mais vezes dos velhos tempos que com o nosso avô partilhávamos outros néctares da mesma casa duriense. A finura de um tinto que é tanta que para lhe dar justiça teremos de apelidar-lhe "delicadeza" ou "graciosidade". O bouquet completo e abrangente nos aromas. O final de boca… distinto. Um belo tinto, num grande (talvez no melhor) momento de forma. Falta-lhe alguma coisa para deslumbrar? Falta sim, mas disso não nos apetece hoje escrever.

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Próximos vinhos: Quinta das Marias Encruzado barrica (B) 2006; Quanta Terra Grande Reserva (T) 2004; Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001; Quinta da
Sequeira Grande Reserva (T) 2004

quarta-feira, maio 14, 2008


Casa Burmester Reserva (T) 2004

O grupo "Sogevinus", que engloba marcas como Kopke, Burmester, Gilberts, Cálem e Barros, tem vindo a produzir vinhos com qualidade e a preços que podem ser considerados justos. Entre eles, o Casa Burmester é um caso de sucesso e percebe-se que assim seja. Na verdade, tem "tudo no sítio", e está pronto a beber (aliás, o 2005 também já está praticamente pronto a beber). E "tudo no sítio" significa, neste caso, um tinto com estrutura, alguma elegância, taninos suaves (muito suaves mesmo, para o bem e para o mal) e muita fruta, mesmo no final.
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Um vinho que, quer na colheita de 2004 como na de 2005, e tendo em consideração a qualidade apresentada e o preço pedido (a menos de € 12) será certamente uma das melhores escolhas junto da restauração - i.e., não desaponta na boca nem aleija na carteira! É preciso, como em todos os casos, que não esteja esgotado, ou o restaurante não pretenda ganhar uma comissão desmedida...

Neste caso, optámos por beber em casa a acompanhar um punhado de ossos de cabrito no forno. Bem bom!

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Próximos vinhos: Ferreirinha Colheita (T) 1998; Quinta das Marias Encruzado barrica (B) 2006

sábado, maio 10, 2008


2.º jantar do Comité Vinícola


O segundo jantar do Comité Vinícola (para o primeiro ver aqui) começou com um duelo de alv(b)arinhos. Do lado nacional, um Soalheiro Primeiras Vinhas (B) 2006, do lado de lá da fronteira, um Fillaboa Selección Finca Monte Alto (B) 2005. Infelizmente para nós lusitanos, o ano da colheita e o facto de já levar mais de dois anos em garrafa contribuiu para uma vitória do branco galego. A colheita de 2005 foi muito superior à de 2006 (este muito quente, como é sabido), e os alvarinhos melhoram realmente com algum estágio em garrafa. O Fillaboa (este "Monte Alto" é bem mais complexo do que o "Joven" e mais fresco que o "Fermentado en Barrica", todos da mesma casa) esteve em grande nível, quer de nariz quer de boca, mais fino e elegante que o Soalheiro, este ainda muito preso (como que marcado pela madeira, como eu pensei que fosse mas enganei-me redondamente como podem ver pelos comentários) pelo ano. Enfim, vitória para a Casa de Masaveu. Ambos os vinhos têm um preço abaixo dos 20 € (o português, contudo, como é habitual, um pouco mais caro que o galego).

Depois foi tempo de novo duelo entre Portugal e Espanha, desta feita entre duas regiões com pouco em comum, à parte de serem (e não é pouco...) ambas berço das melhores vinhas velhas da Península Ibéria. De um lado, o famoso Sol LeWitt (T) 2001 do Douro (que saiu em estreia com a revista de prestígio espanhola "Matador"), do outro um Vall Lach Idus (T) 2004 do Priorat. Se este mostrou um nariz incrivelmente original, com o habitual carácter mineral dos tintos da região "blendado", todavia, com um fruto em rebuçado, o que se explica pelas castas utilizadas – desde a típica Cariñena da região (em cerca de 45%), passando pelo Merlot, Cabernet Sauvignon, e ainda Garnacha e Syrah - já o vinho da Niepoort revelou um elegância imbatível, uma fruta de excelsa qualidade e um final de boca de deixar KO muito vinho bordalês. Enfim, um empate será um resultado justo (com ligeiro ascendente do duriense), mas se o Idus primou pela originalidade (precisa contudo de garrafa para ver o que dá), já o Sol LeWitt nos pareceu um Douro clássico na sua plena forma, um Douro de topo! Acresce que é um vinho irrepetível pois os vinhedos que lhe deram origem foram arrancados. Ambos os vinhos são dispendiosos, o espanhol a menos de 50 € e o português acima.

Ainda tempo houve para um Casal Figueira Petit Manseng (B) 2005, outro vinho irrepetível a mostrar-se muito fresco, esguio de corpo mas com complexidade - o clássico toque iodado num fundo floral. Um final de jantar em homenagem a António de Carvalho, o criador do projecto Casal Figueira neste branco da conhecida vinha situada em A-dos-Cunhados que consta que já foi arrancada.

E claro, parabéns ao Cláudio pelo magnífico fundue que revelou ser, uma vez mais, um óptimo "acompanhamento" de vinhos.
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quarta-feira, maio 07, 2008


Novidade: Myo Personal Reserve (T) 2005


Vem do Douro mais este tinto, de cor violácea e aroma fresco a fruta preta. Nariz duriense, sem grandes vestígios da passagem por madeira, mas algo monocórdico. Na boca a mesma sensação de que podia dar bem mais. É gastronómico, tem boa imagem gráfica e tem bom grau (apenas 13.º), mas falta-lhe bastante para ser um vinho realmente interessante. A começar pelo final (trocadilho falhado, bem sabemos...) que praticamente não existe. A menos de € 12 existem outras propostas mais interessantes.
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15,5


segunda-feira, maio 05, 2008


Quinta da Sequeira (R) 2006

Em tese, o ano quente (2006) marca menos os vinhos rosés do que os vinhos brancos. Este rosé da Quinta da Sequeira revela isso mesmo! Mantém-se, a nosso ver, um dos rosés de referência e é o nosso favorito (ver aqui para o de 2005). Notas muito frescas a morango e framboesa marcam um aroma menos floral do que o costume por terras nacionais. O facto do açúcar residual quase não se notar, e o vinho apresentar uma complexidade invejável para o estilo, são outros atributos. O álcool é que podia ser menos, à semelhança de outros vinhos do mesmo produtor...
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A notoriedade deste rosé tem levado a algum aumento (não desejável) do seu preço, mas continua a justificar plenamente os € 7,5 da praça.

16


Próximos vinhos: Burmester Reserva (T) 2004; Ferreirinha Colheita (T) 1998; Quinta das Marias Encruzado barrica (B) 2006

quarta-feira, abril 30, 2008


Vinium Callipole 2008
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Organizado - e bem organizado - pelo Copo d' 3, foi o evento do passado fim-de-semana em Vila Viçosa. Num espaço pequeno mas deveras aprumado, estiveram presentes vários vinhos e vários produtores que prometem muito no futuro próximo (eg., Zambojeiro, Herdade das Servas), e outros que já são confirmações. Quanto a nós, de tudo um pouco se provou...
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Porém, como o calor teimou - e ainda bem! - em aparecer, fomos "obrigados" a procurar abrigo num belíssimo espumante bruto da Casa de Cello (da colheita de 2002), num Quinta dos Roques Encruzado (B) 2007 e, claro está, nos brancos da Niepoort. Nestes últimos, o destaque é merecido para as amostras de casco do Tiara (B) 2007 e do Redoma Reserva (B) 2007, ambos fantásticos - o primeiro mais mineral, o segundo ainda preso na madeira mas mostrar que será bem melhor do que o 2006 -, a confirmar as melhores expectativas para a colheita. Tempo também para trocar palavras amigas com o Eng. Hernâni Verdelho (e provar um interessante Dona Berta Sousão (T) pensamos que de 2005) e com o Tiago na reprova de vários vinhos do produtor (seu pai) Domingos Alves de Sousa. Nestes, em especial, um inesquecível Quinta da Gaivosa (T) 2003, num momento de forma imbatível - para nós, o melhor Gaivosa de sempre (sim... mesmo sem as uvas das vinhas do Abandonado e do Lordelo).
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Depois houve ainda tempo e muita vontade para confraternizar com o amigo Rui (Pingas no Copo) e para um jantar, tipicamente alentejano - com um Niepoort Colheita (P) 1983 a brilhar nas sobremesas - a encerrar o evento... E fica daqui um abraço ao João pelo sucesso da iniciativa!
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segunda-feira, abril 28, 2008

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A certeza do engano
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Antes foi o Syrah da casa Ermelinda Freitas, agora o Herdade das Barras. Ambos premiados em concursos. O primeiro nunca o provámos. O segundo sim, num painel com 16 tintos e ficou muito bem posicionado. Contudo, em ambos os casos, a mesma certeza – se há notícias que fazem vinhos "de um dia para o outro" (é o caso da especulação medíocre a que se assistiu nas últimas semanas), há notícias que desfazem vinhos com a mesma rapidez (já se sabe, a exigência sobe e a qualidade não). Nós, se alguma vez nos apetecer um dos referidos vinhos num restaurante, teremos certamente de perguntar três, não pelo menos quatro vezes, o seu preço para saber se nos estão a enganar, e qual o quilate do engano. E a certeza desse facto (ou seja, a certeza do engano), por mais ténue e breve, é muito desagradável!
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sábado, abril 26, 2008


Quinta da Atela (T) 2004

Moderno, quente, bem aparado pela madeira e por um corpo cheio. Macio de boca, amplo, complexidade no nariz acima do que espera nesta gama de preço. Tudo no ponto. Mostra bem como o Ribatejo pode, com um bom trabalho de enologia, criar bons vinhos para todas as ocasiões. Porventura, a apetência da região é mesmo essa, e não topos de gama.

Voltamos ao que dele dissemos em Janeiro de 2007 (ver aqui). Hoje, está com menos fruta, menos exuberante, mas mantém-se boa companhia. Uma aposta cada vez mais segura abaixo dos € 12. No nosso caso, deu boa réplica a um arroz caseiro de bocados de perdizes (as ditas tinham sido comidas quase por inteiro na véspera com outro tinto...).

15,5 - 16


Quinta da Sequeira (R) 2006; Burmester Reserva (T) 2004; Ferreirinha Colheita (T) 1998

terça-feira, abril 22, 2008


Porta Velha (T) 2005

Começa a ser difícil não reparar que este produtor de Trás-os-Montes produz óptimos vinhos. Além dos vinhos que levam o nome da casa - Valle Pradinhos -, e de um recente topo de gama (ver aqui), temos na gama mais baixa um óptimo produto pronto a agradar.

Diferentemente dos antigos vinhos da região que, em anos chuvosos, originavam tintos demasiado ácidos e, em anos muito quentes, originavam tintos brutos e excessivamente madurões, já este Porta Velha está muito equilibrado e, porque não dizê-lo moderno.

Fruta no ponto, mais vermelha que preta, ligeiro toque floral no nariz. Boca ampla, macia, mas com taninos que permitem esperar por ele um par de anos e uma frescura que há muito não provávamos nesta gama de preço. No final de boca, saboroso mas muito fininho, é que peca um pouco. Mas não se pode pedir tudo a € 5. Pois não?

15


Próximos vinhos: Quinta da Atela (T) 2004; Quinta da Sequeira (R) 2006; Burmester Reserva (T) 2004; Ferreirinha Colheita (T) 1998

sábado, abril 19, 2008


Vale de Rotais (T) 2004


O homem por detrás deste tinto está habituado a produzir boas uvas e, por isso, não se espanta quando enólogos e freelancers lhe vêm bater à porta da sua quinta querendo comprá-las. Quase sempre as vende, por motivos que nos são alheios, mas, de quando em vez, resolve guardar umas uvas para si e engarrafar um ou outro vinho. Por vezes, engarrafa autênticas pérolas como um original vintage (P) 2003 feito apenas a partir de touriga nacional (conseguem imaginar?).

Mas é nos tintos de mesa que talvez consiga o melhor equilíbrio; sobretudo com este Vale de Rotais. É um tinto do douro, e isso nota-se logo na côr violeta e no nariz: fresco, com muita esteva, algum mentol, cravinho e fruta vermelha (nada de "compotas de ameixa" por aqui). A madeira só ajuda e quase não se nota. Intenso, por vezes quase bruto, agradece um decante para ser vazado. Boca cheia, taninos secos mas não indomáveis, tudo muito equilibrado, e um final muito bom, saboroso e longo.

É um tinto de primeira cepa, disso não temos dúvidas, e a um preço a menos de € 30. Num mundo perfeito, poderíamos levá-lo ao "Recanto do Ti Pedro" (Vila Franca de Xira) para acompanhar umas petingas estufadas em tomate e cebola, e, de seguida, uns linguadinhos fritos com açorda de sável e ovas… isso, num mundo perfeito.

17,5
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Próximos vinhos: Porta Velha (T) 2005; Quinta da Atela (T) 2004; Quinta da Sequeira (R) 2006; Burmester Reserva (T) 2004

domingo, abril 13, 2008


Um grande branco

Temos para nós, que um grande branco só o é verdadeiramente, se sobreviver ao teste da passagem dos anos.
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Este é de 2003 e tem vindo a evoluir com a graça de Deus. A continuar assim (e já o tínhamos provado faz tempo, aqui), será um grande, mas mesmo grande, branco. Em breve!
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Para aqueles que já não têm umas garrafinhas, ou para aqueles que nunca as tiveram, podem prová-lo no simpático restaurante da praia da Adraga, por menos de € 25.
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Uma delícia!
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segunda-feira, abril 07, 2008


Apegadas Qta Velha (T) 2005

Cândida e António Marques de Amorim têm uma bela quinta no Cima Corgo (Quinta Velha), mas acima de tudo têm nesta colheita de 2005 um belo tinto. Quem conhece a edição de 2004 (ver o reserva aqui), já sabe ao que vai: perfil clássico do Douro, taninos rijos, e uma fruta cativante. É possível não gostar? Nós achamos que não é.
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Mas nesta edição de 2005, e note-se que não vai haver reserva desse ano por decisão do produtor, assistimos a algumas diferenças. Sobretudo na fruta - mais e mais fruta - preta muito madura, quase irresistível. Depois, taninos menos bravos, um vinho mais redondo na boca, guloso e bastante encorpado (neste aspecto muito acima do 2004). Enfim, um perfil moderno e equilibrado (até no grau do álcool), perfil este que julgamos ser a opção acertada nesta gama e faixa de preço.
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Em suma, um tinto muito atraente ainda que linear no ataque da fruta. Por menos de € 10 será certamente muito bem-vindo a juntar-se a um bife alto de lombo de vaca.
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PS: Hoje em dia, no Douro ainda se encontram apegadas no rio (apegada é o nome da varanda alta, à ré, dos barcos rabelo). Este tinto é lhes uma bonita homenagem.
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Próximos vinhos: Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004; Quinta da Atela (T) 2004; Quinta da Sequeira (R) 2006; Burmester Reserva (T) 2004
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quinta-feira, abril 03, 2008

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Icon d' Azamor (T) 2004

Faz hoje exactamente uma semana que estivemos na apresentação do topo de gama do produtor Azamor no novo espaço da "Galeria Gemelli". Foi a nossa primeira vez nas novas instalações deste conhecido restaurante da capital e gostámos bastante: mais luz e mais espaço, a mesma criatividade. Antes do muito esperado Icon d’ Azamor houve tempo para outros tintos do produtor alentejano, dos quais daremos conta em posteriores posts, sempre acompanhados de pratos bem preparados e em pouca quantidade como convém nestas ocasiões.

Mas vamos ao ícone do produtor, exactamente o Icon d’ Azamor (T) 2004. Concentradíssimo na cor, esperava-se portanto um nariz demolidor e uma boca superabundante. Mas não: bem melhor que isso… Tudo em elegância, revelando desde a primeira impressão que se trata de um vinho gastronómico e repleto de pattine. Complexo, denota muitas referências como grafite, as notas vidradas e outras terrosas mais delicadas. Uma boca cheia, já arredondada, mas com a fruta pouco doce. Curiosamente, pouca tosta, pouca baunilha, poucos torrados. Ah… em cheio! Esperemos, todavia, que a evolução lhe traga um final mais vistoso pois é no prolongamento na boca que este tinto mostra, ainda que sem excesso, o seu lado frutado de carácter alentejano.
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Um vinho que, para primeira edição, posiciona-se num nível muito alto e só esperamos e desejamos que os consumidores esqueçam, nem que seja por breves momentos, o vulgar "estilo compota" e se rendam, como nós, a este tinto fresco e profundo. Faz lembrar os grandes tintos de Estremoz? Faz pois! Lembra alguns tintos de Portalegre? Lembra, sim senhor! Ah… em cheio, mais uma vez. Um grande tinto a um preço (entre os €45 - €50) que, sendo eventualmente justificado, poderá contudo afastar alguns consumidores.
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17,5
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PS: Faltou falar do prato que acompanhou o vinho, foi um "mil folhas" de polenta preta e vitela estufada com cogumelos, redução de trufa branca. Muito bom.

terça-feira, abril 01, 2008


Versus (T) 2004

Quem diria que este tinto era capaz de tornar-se tão amigável após dois anos em garrafa! Quando o provámos pela primeira vez era duro (em excesso talvez), agora não mais. Será que saiu a força e levou atrás o fruto? Não, pelo contrário, agora sente-se melhor um fruto vermelho, levemente especiado, que já não está encoberto por taninos rijos e tosta marota. Talvez esteja na melhor fase de consumo, pois pela rapidez que mostra ao amansar é bem capaz de chegar a meados de 2009 já muito embrandecido.

Em suma: franco, fresco, rústico. Está tudo certinho neste belo tinto (um "belo das Beiras"), acompanha bem um paio do lombo (na foto) e o preço, a menos de € 7, é mais que justo.


15,5-16
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Próximos vinhos: Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

domingo, março 30, 2008

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Syrah do Douro
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A serenidade obriga a que não tomemos posições radicais perante a mais que certa realidade: está para breve um monovarietal de syrah do Douro, e logo de uma marca de topo!
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São poucos os que conseguem conter esse "segredo", mas dúvidas não restam que este ano iremos ter um tinto do Douro à venda feito a partir de syrah. Dissemos "à venda" pois, em rigor, já faz uns anos que circulam experiências a partir da casta francesa entre produtores e enólogos da região. E, perante a ausência este ano de vários topos de gama, dada a falta de qualidade da colheita de 2006, esta poderá ser mesmo uma novidade que irá mexer com o mercado.
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Este facto, posto que não é mais segredo agora que revelado, faz-nos lembrar uma conversa que tivemos com um produtor do Douro numa das várias viagem à região em época de vindima. Na sequência da nossa interrogação a propósito de uma determinada vinha cujas uvas não eram colhidas, o produtor revelou-nos que se tratava de syrah e que não as colhia pois não podia atribuir ao vinho a denominação DOC e não tinha certeza de como o mercado, e os seus pares que também a produziam, iriam reagir.
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Ao que nós perguntámos:
- "Mas existe muita syrah por aqui no Douro?"
E foi-nos respondido:
- "Então não existe, quase todos os produtores têm um talhão".
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A ver vamos...
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segunda-feira, março 24, 2008


Novidade: Quinta da Sequeira Late Harvest


Em menos de dez anos, a Quinta da Sequeira passou de apenas um tinto colheita ('2001) para apresentar uma gama completa: rosé, tinto colheita, tinto reserva (já houve um grande escolha em '2002), branco colheita, branco reserva vinhas velhas, e o topo de gama grande reserva. Ou seja, só falta um espumante e um late harvest (LH).
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Mas atenção… o LH já vem a caminho. É caso para dizer que com tantos vinhos o consumidor até se pode perder. Bom, em todo o caso, como a qualidade dos vinhos da Quinta da Sequeira é garantida, até o consumidor perdido não irá dar por mal empregue os seus euros. Mas vamos ao que interessa, vem aí o LH. E se o rosé e o branco reserva já são valores seguros no mercado nacional, este LH parece vir querer colocar em cheque a posição daqueles que nos últimos anos têm preenchido o pódio dos colheitas tardias nacionais (e toda a gente sabe de que falamos).
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Cor amarela forte e brilhante. Nariz complexo e com muitas referências florais, revela uma óptima frescura que o distingue de outros da mesma classe. Na boca, revela-se com menos botrytis do que se podia esperar, mas esse facto até parece ser benéfico pois fica mais oscilante, enfim talvez menos previsível. Pastoso, leva-nos ao céu com um toque metálico que percorre as gengivas (algo que só nos costuma acontecer com os húngaros tokays). Continua fresco na boca, mas sempre com sabor naturalmente doce, tem um final demolidor, daquele do tipo "pilha duracel" tanto que dura.
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Por enquanto é apenas uma amostra, mas já em garrafa. Falta o rótulo e pouco mais. Por nós, contamos os dias até ao seu lançamento. A não perder, a não ser pelo preço que apesar de desconhecemos esperamos que não venha a ser especulativo.
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17

quarta-feira, março 19, 2008


Talentvs (T) 2004

É o actual topo de gama da Quinta Seara d’ Ordens, com 3.000 mil garrafas produzidas, e um preço final de cerca de € 25. Mostra cor violácea no copo, nariz com ataque de casca de amêndoa e fruta preta. Boca rústica, oscila bem entre alguma madeira agressiva e alguma suavidade dos taninos do vinho. Convém decantá-lo para o amaciar mas o perfil algo duro mantém-se: dá luta!
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É um vinho bem feito, sem modernices, tem um forte cariz gastronómico e uns simpáticos 13,5º. O "talento" a que alude a designação parece resultar mais das uvas e do terroir do que do trabalho da adega. Se fosse um pouco mais barato seria um verdadeiro achado.
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16,5


Próximos vinhos: Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

sábado, março 08, 2008


Alvear PX (B) 2004

Nem de propósito: estarmos em Madrid e escrever umas palavras sobre este PX (abreviatura para Pedro Ximénez) que, como tantos outros, conseguiu saiu do esquecimento quando Robert Parker o destacou com mais de noventa pontos faz pouco tempo. Em rigor, a marca Alvear sempre foi relativamente conhecida pelos seus PX, vinhos com sucesso durante grande parte da segunda metade do século vinte, mas esquecidos a partir da década de noventa. Agora, já no século vinte e um, ganharam novo fôlego. São vinhos naturalmente doces, segundo a tradição espanhola de utilizar uvas praticamente em passa depois de colhidas e muito expostas ao sol. Este PX da colheita de 2004 mostra-se um vinho dourado na cor, de boca ampla, vincadamente pastoso. Tem um nariz meloso e na boca mostra sempre um cariz muito doce e, por isso, deve ser servido muito fresco (mesmo abaixo dos 5 graus).
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Serve muito bem o seu propósito de acompanhar sobremesas (na foto com leite creme) e o seu preço é uma surpresa. Quase sempre em garrafa de meio litro, esteve disponível em Portugal durante alguns meses no clube WinePT, e ví-o ontem na garrafeira Lavinia na Calle Jose Ortega y Gasset a pouco mais de 10 € (também há um reserva mas esse é bem mais caro).
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16,5
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Próximos vinhos: Talentvs (T) 2004; Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

terça-feira, março 04, 2008


Paulo Laureano Premium (T) 2004

Bem equilibrado, entre um cariz rústico marcado pela caruma e um toque de modernidade. Fruta bem saborosa, morango, casis, enfim uma panóplia de frutos vermelhos. Bom diálogo das castas, também na boca, redonda, macia. Está em óptima fase de consumo e não deve melhorar em garrafa. Peca o final que podia ser mais impositivo, mas não se pode pedir muito mais a vinho deste preço.
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Bom tinto, a um preço interessante, a menos de 10 €. Tem tudo para que dele se goste, e acompanhará bem um prato simples.
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15,5
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Próximos vinhos: Alvear PX (B) 2004; Talentvs (T) 2004; Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

domingo, março 02, 2008


Duas novidades – tintos

Já se sabe, cada semana que passa são lançados no mercado novos vinhos portugueses. A vida do enófilo provador é pois cada vez mais difícil e… gratificante, pois claro.
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Nesta ocasião começamos por sugerir um touriga nacional do Ribatejo, um vinho cujo nome é difícil de se pronunciar, sendo bem mais fácil gostar-se dele. É o Mark Stephen Schultz Res. Touriga Nacional (T) 2005, um tinto profundo com pendor vegetal, de boca fresca e ampla, e final de intensidade média. Não nos admirávamos se melhorasse com um ano em garrafa, pelo menos. Recomenda-se decantar previamente e servi-lo a acompanhar um prato robusto. O preço deve rondar os € 10, o que nos parece ajustado. No cômputo final: 15,5.

O segundo tinto é o Cem Reis Reserva (T) 2005, um syrah da Herdade da Maroteira, um daqueles vinhos onde a casta se apresenta com uma tendência curiosamente vegetal, bem longe do pendor compotado que é tipico da maioria dos comparsas alentejanos. Poderá ser bebido a solo mas tem corpo para aguentar uma refeição. A falta de acidez aconselha, todavia, uma carne simples. Um vinho para quem gosta de sensações fortes, químicas, e não espera muita complexidade. A menos de 15 € será uma escolha acertada, mas existem outras pelo mesmo preço. No cômputo final: 15.


Próximos vinhos: Paulo Loureano Premium (T) 2004; Alvear PX (B) 2004; Talentvs (T) 2004; Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

O jantar estava marcado
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E os vinhos e a ementa pensados. Fomos seis, nós aparecemos mais tarde mas o Paulo esperou e não foi abrindo os champanhes.Tudo começou assim… com um Veuve Clicquot Brut a limpar a boca, um champanhe sóbrio, de bolha média/fina de ataque suave na boca mas frutado. Depois, já com os carabineiros grelhados na mesa foi acaso para um cuvée La Grand Dame vintage 1996 da referida casa de Reims, um vinho necessariamente diferente do anterior, com menos “pico”, aroma vinioso e complexo, bolha fina, e mousse saborosa. Um excelente, e luxuoso mesmo, acompanhamento para marisco.
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Veio, de seguida a carne de boi argentino, em forma de medalhões de grande dimensão, uma carne inesquecível adquirida a um fornecedor do restaurante Pragma. Veio então o desfile principal, primeiro com o prémio sedução, um CV (T) 2003 com muitas notas achocolatadas, fruta sobremadura, um vinho de perfil muito quente e não nos referimos apenas ao álcool. Em suma, um delírio sobretudo para quem aprecia este estilo exuberante e sensual (um vinho de preço especulativo, por volta dos € 60).
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Foi então a vez do segundo tinto, e logo o prémio da noite, pois tivemos que nos debruçar sobre um vinho tão escuro no copo e tão sensual quanto o anterior, mas com mais frescura, mais balsâmico, mais complexidade. O mesmo corpo aguerrido, a mesma sensação a Douro, mas mais elegância. Era Douro sim senhor, mas não o nosso, veio de Toro este magnífico San Román (T) 2003 (um vinho que se consegue comprar por menos de € 35, um preço que se pode considerar baixo de acordo com a qualidade apresentada).
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Seguiu-se a entrega do prémio longevidade, não por se tratar de um tinto antigo, mas por ter muitos anos pela frente. Um vinho pleno de acidez, com fruta fresca e barrica de qualidade. Mais um espanhol, de uma das casas consideradas como das melhores do país vizinho, de nome Pago de los Capellanes Reserva (T) 2001. Uma certeza: se este mesmo jantar tivesse lugar daqui a dez anos este seria o vencedor da noite (vinho do qual foram feitas 48.000 garrafas, o que nao é muito para Espanha e que tem um preço inferior a € 30).
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Houve ainda oportunidade para regressar a um dos vinhos do momento (já o tínhamos provado anteriormente aqui no blog), o duriense 2 PR (T) Grande Reserva 2005, um tinto também de perfil quente e sedutor, e que se portou muito bem apesar concorrência, e apesar de ser o mais novo na mesa (o preço ronda os € 25-€ 30).
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No final, tempo para o Graham vintage (P) 2003, que ainda não "fechou" (ao contrário do irmão Dow’s), bem pelo contrário, está uma explosão de notas quentes, picantes e alicoradas e vegetais, um grande vintage a beber até à última gota (o preço varia muito consoante o local de compra, podendo variar entre € 60 a € 120).
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Um grande jantar. Sugerimos todos os vinhos provados, mas cuidado com os preços.

terça-feira, fevereiro 19, 2008


Prémios Revista de Vinhos 2007


Como se vê pela fotografia, foram muitos os vinhos provados em mais uma gala d' Os Melhores do Ano da Revista dos Vinhos que contou com a presença de representantes de vários blogs. E muitos foram também os prémios, e bem assim as controvérsias em redor deles, não estivéssemos nós em Portugal... já se sabe: "País pequeno, confusão grande".

Numa próxima ocasião teremos oportunidade de comentar alguns dos prémios, mas por agora merece destaque o vinho em si mesmo. Ou melhor, os vinhos, aqueles provados durante o jantar no pavilhão de eventos de Santarém. Merecem destaque os provados por nós pela primeira vez e, obviamente, apenas aqueles que se sobressaíram. Quer pela positiva, como o enorme Ferreirinha Reserva Especial (T) 1997, certamente merecedor das mais altas notas aqui no Saca-a-Rolha, como o muitíssimo equilibrado Quinta do Monte d’Oiro Reserva (T) 2004, e como o empolgante Cortes de Cima Reserva (T) 2003, com um daqueles ataques de boca que não se esquece por muito tempo. Quer pela negativa, como o relativamente apático Fonseca Guimaraens vintage (P) 2004, e o deveras fechado Marias (T) 2005 da Herdade da Malhadinha.
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Mais um grandioso evento proporcionado pela Revista de Vinhos!

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Melhores do Ano - 2007 - Revista de Vinhos

A entrega dos prémios dos "Melhores do ano 2007" é já amanhã em Santarém! Estaremos lá e prometemos desde já contar tudo aquilo que os outros não contarem antes.
Saudações

terça-feira, fevereiro 12, 2008


Tintos da Encosta do Sobral


Situados bem a norte do Ribatejo, muito perto já de Tomar, encontram-se 70 hectares de vinha com a intensa exposição solar que a região proporciona. Acrescem solos xistosos, daqueles com capacidade de reflexão, e a opção do produtor por baixas produções. Na teoria, estas caracteristicas proporcionariam tintos com concentração e de perfil cheio. Na teoria e, bem assim, na prática, pois os tintos do projecto Encosta do Sobral são isso mesmo, e algo mais: são vinhos encorpados, com fruta madura e significativa complexidade. A gama é composta por cinco vinhos, um branco e quatro tintos. Nestes, começa-se pelo "Cabeço da Pedra" que na versão 2005 está um tinto interessante, jovem e gratificante de se beber, enfim um bom vinho a preço muito moderado. Depois, surgem os vinhos com o nome do projecto, dos quais provámos o Encosta do Sobral (T) 2004, o Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004 e o Encosta do Sobral Reserva (T) 2004. Todos são uma autêntica revelação dado o pouco conhecimento geral sobre a subregião de Tomar e todos agradarão a todos, mesmo aos exigentes. Vejamos:

Encosta do Sobral (T) 2004: Cor de intensidade e vivacidade mediana de tons encarnados. Aroma muito directo, com boa empatia no primeiro encontro, tudo assente nas referências a fruto maduro. Na boca, de linhagem moderna, é vivo e elegante com sugestões da madeira onde estagiou. Taninos finos, final guloso, aqui está um tinto a ter em conta e para beber ainda nos próximos dois anos. O mais difícil é perceber se ficará melhor à mesa ou sozinho, mas esse é o preço do polivalência. Por falar em preço, a menos de € 7,5, parece-nos ajuizado. 15,5.

Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004: Este é um cabernet que nos tem proporcionado muito prazer nos últimos tempos. Sobretudo a solo, mas também a acompanhar carnes vermelhas grelhadas. Significativamente mais escuro que o irmão colheita, ainda que não opaco, começa por revelar algum excesso na sensação de frescura no nariz - isto é, álcool e alguma juventude! Mas cedo se percebe que não se fica por aí, posto que rapidamente desperta uma combinação feliz de fruto preto e vegetal muito intenso. É como se um diálogo entre fruta e flores se tratasse, se isso for possível... Na boca é verdadeiramente acetinado, o álcool a isso ajuda e tudo se encontra domado. Pesado, forte, mas longe de ser austero é, ao contrário, sedutor, tudo num estilo cabernet muito "Mondavi". Por cerca de € 16, é um grande cabernet nacional de linha moderna. 17.

Encosta do Sobral Reserva (T) 2004: Outro belo vinho, com os mimos de produção do vinho anterior, ou seja com curtimenta prolongada, longa maceração, dois períodos de sete meses em barrica. De resto porém, sendo um vinho de lote, mais a mais de touriga nacional e touriga franca, apresenta-se naturalmente mais floral e, curiosamente, com um estilo mais acessivo que o monocasta cabernet. Neste reserva, o perfil de maturação continua elevado, mas a elegância e a ligação gastronómica parecem ser a aposta da casa. Para além disso, mostra um final muito bem conseguido, longo e distinto, com ligeiras notas de menta a contribuirem para uma sensação de exotismo. Falta-lhe apenas alguma complexidade e os taninos apresentam-se frágeis para a guarda em garrafa. Para a mesa, sem dúvida! Por cerca de € 18? Sem dúvida! 16-16,5.
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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Recomenda-se

É preciso ir até Mem Martins bem perto dos bombeiros, mais precisamente à Urbanização Jardins Poente, para visitar este Fizz Caffé, embora Nuno Santos gostasse que este fosse apenas a primeira de outras casas com a mesma filosofia. Diz-nos o próprio Nuno Santos, a principal face deste projecto, que se trata de um café, bar e restaurante e, efectivamente, quem entra no amplo espaço do Fizz Caffé logo se apercebe disso. O primeiro andar, de decoração moderna e cores vivas, é dedicado ao café e bar. O segundo andar, mais reservado mas de decoração igualmente moderna e em tons de vermelho, é o lugar da comida. No meio da sala, uma garrafeira climatizada merece destaque e ficamos avisados que o vinho é bem tratado por estas bandas. Quanto à comida é simples: tudo o que provámos estava óptimo e chegámos a dar vivas ao chefe o qual, diga-se, já trabalhou para a Bica do Sapato. Mas é sobretudo pelo vinho que falamos deste restaurante. A lista é primorosa, extensa, e os preços não são muito elevados. Entre várias colheitas de Quinta do Mouro, magnums de Esporão Private Selection 2003, Portos e Champanhes, mais charutos para quem gosta, quase tudo encontramos. Na última vez que lá estivemos, o rei da festa foi um Cortes de Cima Reserva (T) 2001 e foi sem palavras que de lá saímos. O vinho esteve… (lá encontrámos uma palavra) fabuloso.
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Sem dúvida, um restaurante a visitar e um vinho definitivamente a provar e beber.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

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Duas novidades alentejanas
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Passamos a falar de dois vinhos tintos do Alentejo. À primeira vista (ou seja, à primeira prova), tirando a sua proveniência e o ano de colheita, pouco mais terão em comum. Bom, na verdade, têm mais algo em comum posto que têm boa apresentação e vêm afamados como recomendações na revista Blue Wine. E, precipitando o que seria a conclusão deste pequeno texto, afinal até partilham mais qualquer coisa - a nossa opinião sobre eles: é que sendo ambos tintos com bastante valor, estávamos a espera de outras alegrias. Em rigor, ambos deixaram a sensação que podiam dar mais. Vejamos:

O primeiro que falamos é o Scala Coeli (T) 2005, da reputada casa Fundação Eugénio de Almeida responsável pelo mui famoso Pêra Manca. Pois bem, este tinto logo nos fascinou pela cor no copo, muito bonita com laivos violeta a revelar juventude. No nariz é que foi menos interessante pois o domínio dos aromas provenientes da madeira é muito intenso. Os apreciadores menos atentos esqueçam as referências a fruta pois é madeira e mais madeira, acompanhada de matizes torradas, caramelizadas e a café. Perante este cenário, já era de esperar que na boca se mostrasse "fechado a sete chaves" como que a dizer que temos uma roleta-russa nas mãos: ou beber agora - e será uma má opção pois está muito novo - ou esperar por ele – e isso é uma incógnita pois os taninos estão escondidos com tanto poder e amargura. A boca, pois claro, é poderosa, cheia de volume e passados 30 minutos o vinho melhora e mostra que foi feito com muitos cuidados, que a fruta é compota daquela bem madura, e que a madeira (nova, nova, nova) é de boa qualidade. Mas... lá que se torna aborrecido, disso não temos dúvidas. O lote é bordalês, mas isso não o faz ser um daqueles tintos que não se esquece. E o preço… upa upa, desde €30 até ao dobro. No cômputo final: 16.

O segundo vinho é o Roma Pereira (T) 2005, que se apresenta num estilo oposto ao anterior: onde o primeiro "atira" madeira, neste ela apenas se "sente"; onde o primeiro tem volume desmedido, este comporta elegância; quando o primeiro se torna aborrecido, este testemunha ser gastronómico. É certo que lhe falta algum corpo e isso nota-se bem, podendo afastar alguns consumidores que apreciam tintos mais aguerridos. É certo que a fruta na boca não é absolutamente saborosa, mas isso não quer dizer que não evolua nesse sentido. Este vinho é, aliás, claramente um tinto de evolução, ao contrário do primeiro, pelo que será de esperar mais daqui a um par de anos. O seu único "calcanhar de Aquiles" talvez seja o facto de estarmos sempre à espera de mais força durante a prova e, sobretudo, no final de boca. Efectivamente, começa bem com fruta macia, boca aveluda, mas o final peca por esguio e escasso na intensidade. Da mesma forma, o conjunto começa por acompanhar bem pratos exigentes, porém das duas vezes que o provámos - uma a acompanhar rabo de boi, e uma outra em prova cega com o Pingus que muito gostou dele (ver aqui) - não deixou tantas saudades como desejávamos. É, sem dúvida, um tinto sério, complexo, no qual a tipicidade das castas não é totalmente perceptível. Os 12,5% de álcool agradecem-se e, assim, pode-se beber um golo mais. O preço recomendado gira em torno dos €15, valor sensato e merecido. No cômputo final: 16,5.
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sábado, janeiro 26, 2008

Frescos no frio

Para os friorentos, como eu, o frio é das sensações mais desagradáveis que existe. Chegamos mesmo a odiar o frio. A única vantagem do frio é que nos faz apetecer comidas quentes e fortes e, com isso, tintos de respeito, encorpados e poderosos. No Inverno temos soluções românticas como a lareira ou as salamandras, e outras mais modernas como o célere ar condicionado e os eficazes aquecedores de vária ordem (os a gás é que aquecem a sério). Também existem recuperadores de calor, e mais uma panóplia completa de electrodomésticos à venda com o mesmo fim.

Pois bem, com os aquecedores ligados no máximo, o calor volta a casa, e logo a vida regressa lentamente ao corpo. E é nestes momentos que vem o prazer sublime de beber um vinho tirado do frio. Pergunto-me se existirá maior prazer, no que toca a vinhos, do que beber um branco ou rosé bem fresquinho no calor da casa, e olhando pela janela contemplar lá fora um Inverno rigoroso.

Assim, ficam aqui duas sugestões para acompanhar o calor da casa neste Inverno de Janeiro: o Sães (R) 2006, um rosé seco, pouco exuberante mas muito fino e de complexidade significativa (merecedor de 15 valores), e o Soalheiro (B) 2006, um alvarinho de cetim que dispensa apresentações e que, segundo a tradição das colheitas anteriores, muito melhora em garrafa, por vezes num período que chega aos cinco anos (e que, também por isso, leva de nós 16,5 valores).
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À vossa
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Saúde !

terça-feira, janeiro 22, 2008


"cuidado, atenção"


Já se sabe: pode acontecer aos melhores vinhos. Mas é sempre com um travo de desapontamento. Provou-se uma garrafa, outra. Outra ainda, desta feita proveniente de uma caixa diferente. Sempre alaranjado no copo, aroma a bafio, e sabor oxidado ("passado" em bom português!). Pode acontecer aos melhores, e muitas vezes não é culpa dos próprios produtores. Pode acontecer aos melhores, e outras vezes a culpa não é dos distribuidores e muito menos das garrafeiras. Todavia... como tudo na vida, raramente a culpa é de ninguém.
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Colheita de 2001. Desclassificado para beber e mesmo para cozinhar.