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domingo, junho 02, 2013

Prova especial

Prova de vintages de Quinta do Douro Superior


Fomos responsáveis pela prova comentada de vintages do Douro Superior na recente segunda edição do 'Festival do Vinho do Douro Superior', organizada pela RV. Em prova estiveram vinhos de anos diferentes e apenas de uma só quinta, ou seja, cujo lote final não era o resultado de um blend de vinhos de várias quintas.

Esta prova é amplamente justificada, desde logo pelo facto do Douro Superior permitir - pelo clima essencialmente, entre outros factores - a criação de vintages muito interessantes sem necessidade de lotes do Cima Corgo (ao invés, os vintage clássicos nascem das quintas do Cima Corgo mas quase sempre o lote fial comporta também vinhos do Douro Superior).

Os favoritos do público que encheu a sala foram o Qta de Vargellas 2001 (Taylor's), o Qta da Nossa Senhora da Ribeira 1999 (Dow's), o Qta da Ervamoira 2007 (Ramos Pinto), e o Qta do Arnozelo 2009 (Burmester).

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Prova especial

Ferreirinha reserva especial 1974 e 1977

Já muito tempo passou das colheitas de '77 e '74. Depois de várias garrafas boas de '77, encontramos esta menos feliz, mas a dar prova adequada. Mantinha-se bem na definição da fruta mas revelava na boca uma prova ácida comprometedora. Já colheita da Revolução esteve um pouco melhor, mais madura e morna, apesar de pouco viva e entusiasmante.

Se fosse possível, admito que um blend das duas colheitas daria um resultado melhor que as partes, juntando-se a acidez deslocada do '77 com as notas quentes do '74. Mas isso seria um pecado... como também o seria não afirmar que, apesar de tudo o que se referiu acima, ambos os vinhos brilharam na sua vetusta idade. 

domingo, dezembro 23, 2012

Prova Especial

Porto vintage no Porto & Douro wine show 2012

O Porto & Douro wine show 2012 teve lugar no início do mês no Convento do Beato como vem sendo habitual. O momento mais alto do programa foi a prova de Portos vintage comentada pelos especialistas Bento Amaral (IVDP) e Fernando Melo (RV e DN). A prova, muito didática diga-se, beneficiou de vários vinhos, quase todos muito jovens, das colheitas de 2003 até 2010.

Na memória, ficaram o Vista Alegre Vintage de 2010, o Kopke Quinta de S. Luiz, também de 2010, e o Quinta de São José - talvez o melhor da prova - da colheita de 2009. Para o ano haverá mais! 

terça-feira, novembro 27, 2012

Prova Especial

Vertical Colheitas da 'Quinta do Noval' 


Foi no âmbito das Provas Especiais da última edição do EVS. A foto revela as cores. E as cores revelam as idades dos vinhos. Todos bons, alguns muito bons, sendo que os Colheitas de 1971 e de 1964 brilharam muito, muito mesmo! 

sexta-feira, outubro 19, 2012

Prova Especial

Ferreirinha Reserva Especial (t) 1980
 
Abrimo-lo porque estava na sua hora. Neste caso a sua hora foi decorrência de nos termos apercebido, na última ronda mensal que fazimos às caixas Ferreirinha, que o vinho vertia ligeiramente para fora da garrafa deitada. Sacámo-la da caixa e quedou-se em pé 4 dias. Durante esse período, bastava aproximar o nariz da extremidade da rolha e, mesmo com a cápsula a tapar, sentia-se um aroma fino a vinho tinto. Depois cortámos,  enfim, a cápsula e confirmámos que a rolha estava bastante mirrada e totalmente ensopada. Mas, apesar de tudo isto, saiu bem (e a bem) a rolha, e não foi sequer necessário um saca-a-rolha de pinças.
 
Quanto ao vinho: perfeito! Foi a enésima vez que provávamos este mesmo vinho (a última vez tinha sido no início do ano no Tavares com os amigos JBS e MPM) mas esta garrafa - logo esta que vertia - foi o melhor RE '80 que provámos até hoje, e talvez o melhor RE que já provámos. Magia no copo: elegância, fruta misturada com terciários, corpo gordo e leitoso e um final longo e saboroso. Bateu mesmo as nossas melhores provas do RE '86.

Uau!

quarta-feira, outubro 26, 2011

Prova especial


Alambre (m) 20 anos

É especial a prova pois o vinho está especialmente bom. Neste caso tínhamos ainda uma garrafa de 0.375l. de capacidade (ideal para uma sobremesa a dois), de um engarrafamento de meados dos anos '90 do século passado. Cor âmbar típica, mas com muitos laivos esverdeados a lembrar que a idade média dos lotes deste moscatel está muito acima das duas dezenas de anos (20 anos é o vinho mais novo no lote, de acordo com a legislação aplicável aos moscatéis, ao contrário do que acontece nos Portos). Aromas citrinos fortes (licor de laranja), já um ligeiro vinagrinho, tofa, uma boca de veludo e um final muitíssimo longo.

Foi provado ao longo de 3 dias e, ao contrário do que muitas vezes acontece, melhorou muito na última prova (porventura pois ter estado muitos anos fechado em vidro depois do engarrafamento).

17,5

quarta-feira, julho 06, 2011

Prova especial

Qta Vallado Res. '06 vs. Encostas do Tua Res. '06

Dois bons vinhos duriense de uma colheita menos boa. Dois bons vinhos tintos do Douro mas de terroirs diferentes com vários quilómetros entre si (a Quinta do Vallado no Cima Corgo e o Vale da Corça no Douro Superior). O Vallado esteve mais subtil, mais elegante, com um belo trabalho nas barricas (fumados e especiarias várias), mantendo um perfil severo ainda que ligeiramente rústico no final de boca (16,5). O Encostas do Tua, revelou-se mais generoso na fruta, mais evidente na utilização da barrica, guloso e sedutor (16,5). É difícil encontrar um vencedor claro, e tudo dependerá do gosto pessoal, apesar do Vallado, por ora, se beber melhor e mostrar-se ligeiramente mais gastronómico.

quinta-feira, junho 09, 2011

Prova especial

Warre's Vintage (p) 1963

Servido em magnum. Ligeiramente com menos garra que a média das provas do Dow's Vintage do mesmo ano, mas muitíssimo elegante. A cor mantém-se aguerrida, num tom encarnado claro, mas ainda longe das matizes de cobre. Grande expressão aromática, sem vinagrinho, doçura muito bem controlada (i.e., não excessiva) na prova de boca, e um final estonteantemente longo.

É um grande Porto em perfeito momento de consumo. Por outras palavras, é um grande vinho em qualquer lado do Mundo!

18,5

quinta-feira, junho 02, 2011

Soalheiro (b) 2005 & Muros Antigos (b) 2002

São brancos que reluzem. Belos brancos, sem estágio em madeira e com vários anos em garrafa. Melhor ainda, são baratos para a qualidade que têm.

O primeiro que provámos foi o Soalheiro (b) 2005, claramente a melhor edição da última década. Guardada desde a sua aquisição no início de 2006, revelou-se com cor amarela clara ainda não muito carregada, sem nenhum tique tropical no nariz, e bastante mineral na prova de boca, ainda com capacidade de evolução. O final de boca esteve mesmo em destaque, prolongadíssimo, muito acima da nossa memória dele há 5 anos atrás (17).  Mas melhor surpresa ainda foi o Muros Antigos (b) 2002, que, apesar da cor já marcadamente amarela, se apresentou perfeito à prova. Muito mineral no nariz, ligeiro amargo na prova de boca com vegetal verde (couve/espargos), e enorme acidez. Um belíssimo verde, sério e contido, com quase uma década de garrafa (17).

Não temos dúvidas: é guardá-los!
Dois óptimos brancos em grande fase por uma bagatela de euros.

PS: na foto, riedel com Soalheiro (b) 2005 num fundo de um quadro de Maria d' Aires.

segunda-feira, maio 30, 2011

Prova especial

Roriz contra Roriz

São poucos os (a)casos de colheitas de 2000 melhores que as de 2001. Sobretudo no Douro. Mas aconteceu-nos faz pouco tempo com dois Roriz Reserva. Claro que os tintos de Roriz (magnífica a quinta, dizê-lo não gasta nem cansa) nunca foram de seguir modas e sempre baralharam as contas... Por isso não se estranha que tenha saído tudo ao invés: mais duro o 2000, mais cansado o 2001; com taninos mais sólidos o 2000; menos fresco o 2001. Ambos bons (mas talvez não muito bons), mas não são vinhos de guarda. Prove-se e beba-se agora, de preferência em parelha, que darão prazer.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Prova especial

Sassicaia (T) 1988 & Altero (T) 1988

Confessamos já que estes dois tintos italianos estavam na nossa lista (todos temos uma, ainda que não escrita, certo?) dos vinhos do Mundo que mais queríamos provar...

O Sassicaia dispensa apresentações, mas sempre se dirá se trata de um dos pioneiros da revolução toscana, apresentando um blend de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Mais propriamente, neste caso específico, da revolução dos vinhedos à volta de Bolgheri, pequena vila na costa do Mediterrâneo. É um vinho com uma história rica em pormenores fascinantes, como seja a atribulada vinda dos primeiros clones bordaleses e a muito contestada criação de uma micro-região demarcada apenas para albergar este famoso tinto da casa "Tenuta San Guido". Uma dica: a visita a Bolgheri é um marco para qualquer enófilo, uma vila antiga cheia de charme, com bons restaurantes e enotecas (todas com vinho a copo), rodeada por pinheiros mansos e, claro, vinhas.

O Altero é um vinho também ele especial. Vinho de elite, foi criado em 1983 pela casa "Poggio Antico" com o propósito de demonstrar toda a potencialidade da casta Sangiovese, sobretudo na variante clonal típica dos Brunello di Montalcino. A par de outros vinhos toscanos, um ou outro mais vetusto e famoso, Altero foi uma das principais faces do movimento "super-tuscan", caracterizado pela produção de vinhos muito concentrados, de perfil internacional e nem sempre 100% Sangiovese (apesar da casta dominar tendencialmente os lotes). A composição dos solos de Montalcino, diferente dos das colinas centrais da Toscânia, tem fama de atribuir grande longevidade aos tintos que produz e a variante Brunello di Montalcino tem vindo a ganhar reputação com os seus tintos profundos e expressivos.

Quanto à prova destes dois colheitas de 1988, demonstrou-nos a vitalidade de ambos os vinhos. Com mais de 20 anos em garrafa, ambos mostraram uma vivacidade plena. Necessariamente, as diferenças logo se notaram, com o Sassicaia a lembrar um tinto bordalês, com um bouquet muito bonito, apesar do Cabernet Sauvignon estar ligeiramente dominador, ou, pelo menos, não tão polido quanto nos topos de gama da margem esquerda de Gironde nos melhores anos. Revelou, todavia, uma fantástica prova de boca, complexa, com garra mas plena de elegância - um vinho feito para a mesa. Um grande tinto, sem dúvida, e de grande aptidão gastronómica  (17,5).

Com o Altero, foi necessário mudar o chip, tanta foi a diferença de perfil: bouquet de enorme expressividade, cheio de fruta – incrível (!) para a idade – e madeira discreta (em Montalcino existe o hábito de envelhecer os tintos em balseiros generosos, neste caso em pipas de 500l. de carvalho francês). Na boca… verdadeiramente explosivo! Manteve o enfoque frutado, sensual, por vezes quase quente - mas com equilíbrio e seriedade -, autêntico cuore italiano com taninos perfeitamente integrados e muito saborosos. E que fantástico o final de boca com matizes minerais... que grande monovarietal de Sangiovese! Belíssimo (18-18,5).

Uma conclusão? Para quê?

sábado, dezembro 11, 2010

Prova especial

Campo Ardosa RRR (T) 2003

De um ano tão complicado, surge-nos um vinho maravilhoso. Efectivamente, são muitos os tintos de 2003 que nos têm decepcionado, sobretudo com a evolução em garrafa. Mas as excepções sempre existem. Uma delas, é este RRR da Quinta da Carvalhosa, sita a poucos quilómetros onde o Rio Tedo se encontra com o Douro (Cima Corgo).

Nariz cheio de mato seco, fruta profunda, cera, algum químico, ligeira madeira muito especiada e deliciosas notas licoradas - tudo muito bem! Mas verdadeiramente em forma esteve a prova de boca, um vinho verdadeiramente memorável, de sabor e mineralidade transbordantes. Intenso, carnudo, complexo. Muito mineral ("ardosa" refere-se a ardósia existente no solo), com taninos secos mas não duros. Tudo muito equilibrado, com boa acidez, e muitos anos pela frente. Um vinho para daqui a meia década. E ainda bem!

Trata-se do topo de gama da Quinta da Carvalhosa, que representa a selecção das barricas escolhidas pelos 3 sócios alemães do projecto (cada um coloca um R nas barricas de que mais gosta, sendo o lote final composto pelas barricas que levam RRR). Não é barato é certo - a cerca de €35 cada garrafa -, mas vale a pena prová-lo.

17,5+

domingo, dezembro 05, 2010

Prova especial

Trimbach Réserve Personelle Pinot Gris (B) 2001

Se é verdade que a Pinot Gris é uma casta que nem sempre evolui bem em garrafa, também é verdade que no que respeita à colecção Réserve Personelle da Trimbach ela evolui muito bem. Já se sabe que a Pinot Gris da Alsácia tende a ser mais poderosa que a de outras regiões, e isso é bem visível neste branco pois temos um vinho enorme! Muito floral no nariz, sem qualquer excesso (nada de água de rosas e coisas que tal), e um delicioso toque fumado. Complexo e untuoso na boca, agora com fruta branca madura a acompanhar a componente floral, mas novamente sem nenhum excesso, nomeadamente de doçura. Intenso, de grande estrutura, e com um final de boca luxuoso.

Um grande vinho em qualquer lado do planeta. A cerca de €40, sirva-se a acompanhar umas fatias de queijo manchego, ou uma terrina de "foie", nada mais.


17+

quinta-feira, novembro 18, 2010

Prova especial

Valle Pradinhos: Mini-Vertical
Colheitas 2003, 2004 e 2005

Conhecida marca transmontana (talvez a mais conhecida da região), foi colocada à prova numa mini-vertical. Provaram-se as colheitas de 2003, 2004 e 2005. Anos diferentes, estilo semelhante, e um grande vinho, o Valle Pradinhos (T) 2004. Em rigor, os três vinhos estiveram bem, límpidos de cor (apenas ligeira evolução no 2003) e de aroma, confirmando a marca como um bom porto seguro em matéria de qualidade e preço (e, já agora, de acessibilidade, pois encontra-se facilmente à venda, inclusivamente na restauração).

O 2005 revelou-se, todavia, uns furos abaixo, morno no aroma, demasiado redondo, muito pronto a beber e com pouca acidez, considerando o padrão da marca. Beba-se desde já, não se guarde garrafas, e não espere ser surpreendido (15,5). O 2003, apesar de maior evolução – era o mais antigo e de um ano quente, como é sabido – não se revelou demasiado cansado, mostrando grande disponibilidade na fruta (nariz e boca), taninos secos, óptimo final, em boa fase para consumo actual mas, em todo o caso, não recomendável a guarda duradoura (16,5).

O melhor da tarde, sem dúvida a colheita de 2004: aroma clássico da marca, mas com acentuada frescura, marcado um pouco pela Touriga Nacional. Taninos presentes, saborosos, grande prova de boca, fresco e muito gastronómico, pode ser guardado, sem medos, por mais meia década (17++). Belo vinho, e a um preço, no mínimo, convidativo…

quinta-feira, novembro 04, 2010

Provas especiais

Burmester e Kopke: Port Old Whites e Colheitas

Numa interessante jogada de antecipação ao programa de provas especiais do EVS (esta sexta-feira, fim-de-semana e segunda-feira), a 'Quinta Wine Guide' e a 'Sogevinus' organizaram uma prova de Portos Old White e Colheitas. A prova contou com a presença do enólogo Pedro Sá e teve lugar no restaurante Clube de Jornalistas (Lisboa). De acordo com a Sogevinus, os vinhos mais velhos foram engarrafados especialmente para a prova.

Os Porto brancos estiveram, em geral, em bom nível, apesar dos mais novos - o 10 anos (Burmester) e o 20 anos (Kopke) - ainda estarem um pouco tensos, a precisar do calibre do tempo (temos para nós, que os brancos velhos são, em regra, melhores quanto mais velhos, o que nem sempre é verdade com os Porto tintos, como sabemos...). Ao invés, o 40 anos (Kopke), esteve muito bem, tanto na complexidade como na profundidade, muito bom durante toda a prova nas suas notas de casca de laranja confitada, figos e frutos secos (17,5).

Tempo depois para os Colheitas e um Tawny, sendo certo que, nesse campeonato, a Burmester é sempre uma equipa favorita. O Burmester Tordiz 40 Anos revelou-se uma vez mais como um dos melhores vinhos nacionais, untuoso, toque de vinagrinho, absolutamente fabuloso (18-18,5). O Burmester Colheita de 1955 esteve praticamente ao mesmo nível, muito exuberante e com grande potência no palato, mas ligeiramente menos complexo que o anterior (18). Finalmente, o Burmester Colheita 1937, um vinho com uma frescura e mineralidade arrebatadoras, possuidor de uma auréola esverdeada, e de um final inesquecível, tanto que bem merece uma fotografia nossa (19).

sexta-feira, outubro 29, 2010

Prova especial

Scion very old Port

Foi ontem, e literalmente a conta-gotas... David Guimarães abanou um pequeno frasco, talvez com 500ml, contendo um líquido pré-filoxérico. De pipeta em mão, proporcionou alguns momentos mágicos a quem provou este "very old Port". David Guimarães acredita tratar-se de um vinho com cerca de 155 anos e, muito provavelmente, tem origem num único ano.  Das três pipas que originalmente continham esta vinho precioso, uma terá sido comprada comprada nem mais nem menos do que por Winston Churchill. As outras duas, agora, pela Taylor's.

De resto tudo o que espera de um dos melhores vinhos que se pode provar em vida. Muita complexidade num nariz com notas frescas mas rançosas, e um vinagrinho em proporção adequada. Boca esmagadora, doce mas com acidez altiva, infindável e indecifrável. A concentração é tal que cada gota - cada gota rigorosamente - tem um sabor dos diabos! Ou melhor, dos deuses! O preço, esse sim, é mesmo dos diabos, pois cifra-se pelos €2.500.

19,5

quinta-feira, outubro 21, 2010

Prova especial

Escultor (T) 2006

Grande vinho este alentejano! Prova que a casta Trincadeira, com Alicante à mistura, pode proporcionar vinhos fantásticos em climas quentes e noites frescas. Grande concentração, mas não esmagador, revela taninos secos, e muita fruta preta mas não enjoativa nem mastigável. Madeira de primeira qualidade, em perfeita conjugação com as notas de pimenta e as referências menos maduras da Trincadeira. Óptima frescura com boa acidez, e um eterno perfil gastronómico, final de boca em construção. Faz parte da nova – e feliz! – tendência para produzir vinhos cheios, encorpados e poderosos, sem serem chatos ou devastadores. Assim, sim.

É o topo de gama do Monte do Pintor, sito em Igrejinha a 15 km de Évora (bem defronte da famosa Herdade dos Coelheiros) e é propriedade do produtor que também detém a Herdade do Perdigão mais a norte na direcção de Portalegre. Temos aqui um vinho valioso e com preço elevado, entre os €45 e os €55. Garrafa (excessivamente) pesada, mas com rótulo belíssimo da autoria do escultor João Cutileiro.

A não perder!

17,5-18++

quinta-feira, setembro 16, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte II

O jantar depois da Masterclass

Depois da prova masterclass a que nos referimos no texto abaixo, houve jantar na bela Quinta de Nápoles da Niepoort (ver foto ao lado). Para além de confirmar a mestria da equipa do Chef Luís Paula (DOC e DOP) para este tipo de eventos (sobretudo nas entradas - divinais), foi uma oportunidade de ficarmos a par da evolução de alguns dos melhores vinhos criados por este conjunto notável de produtores durienses. Assim, foi com muito apreço que regressámos à prova do Quinta do Crasto Touriga Nacional (T) 2005 que, servido no formato magnum (1,5l.), comprovou tratar-se de um dos melhores exemplos estremes da casta raínha, generoso no perfil violáceo mas também com a seriedade típica dos grandes vinhos (17-17,5). Igualmente em alta esteve o Quinta do Vale Meão (T) 2004, um dos mais secos néctares produzidos neste terroir do Douro Superior, farto na fruta mas bem compensado por taninos rijos (17-17,5). Também provado – e aprovadíssimo, diga-se – foi o Batuta (T) 2005 em magnum, apresentando-se muito complexo na fruta negra integrada com a barrica, ainda com bons anos pela frente e que recompensará certamente aqueles com paciência e que o souberem guardar em boas condições (17,5-18). Os maiores elogios, contudo, estavam guardados para um branco e para um Vinho do Porto, ou seja para o Redoma Reserva (B) 2005 em magnum, perfeito exemplar do que melhor o Douro pode dar no que respeita a vinhos brancos, complexo e fresco (17,5), e para  o Niepoort Garrafeira (P) 1952, um clássico produto da Niepoort, engarrafado em formato demijon (garrafões de vidro) de 5l., onde os cambiantes dos aromas a Vinho do Porto se misturam entre frutos secos, fruta encarnada e enebriantes sensações vidradas (17,5); melhor só o de 1931...

segunda-feira, setembro 13, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte I

Douro Boys Masterclass

Mais uma edição da masterclass dos Douro Boys, desta feita com as novidades deste grupo duriense relativas aos tintos e Vinhos do Porto da colheita de 2008, e aos brancos da colheita 2009. Se na edição do ano anterior brilharam, a nosso ver, os tintos da Quinta do Vallado e da Quinta de Vale Dona Maria, bem como os dois topos de gama da Quinta do Crasto - as cuvées "Vinha da Ponte" e "Vinha Maria Teresa" -, este ano foi vez dos vinhos tintos da Niepoort e do Vale Meão levarem a melhor num dos eventos mais bem organizados e charmosos da agenda vinícola nacional.

Se é certo que todos os vinhos da prova tinham bastante valor - trata-se, como é sabido, de um conjunto com alguns dos melhores produtores nacionais -, mais certo é que, como sempre acontece, alguns vinhos se destacaram dos restantes. Assim, e começando pelo topo, o Charme (T) 2008 da Niepoort bateu um novo recorde na nossa apreciação, impondo-se com o mais terroso e borgonhês de sempre na prova de nariz, e com uma prova de boca deliciosa marcada por subtis e elegantes variações de morango silvestre (18-18,5). Da mesma forma, o Quinta do Vale Meão (T) 2008 mostrou-se a um nível muito alto, perfumadíssimo, uma bomba de complexidade e fruta, cereja negra e violeta (o lote tem, desta feita, mais Touriga Nacional do que Touriga Franca) apresentando-se como um dos melhores tintos que esta quinta produziu até hoje (17,5), isto apesar de, em rigor, a colheita de 2007 também ter andado lá perto...

Ainda nos tintos, destaque também para dois Crasto: o primeiro, um Quinta do Crasto Reserva vinhas velhas (T) 2008 a prometer ficar perto da maravilhosa colheita de 2005 sempre no seu estilo generoso e sexy (17-17,5), tendo beneficiado da inclusão no lote das uvas das vinhas Maria Teresa e Ponte  que, por isso, nesta colheita não foram vinificadas à parte; o segundo, um novo produto, um tinto de uma vinha plantada no Douro Superior, denominado Crasto Superior (T) 2007, muito bem executado, profundo e sem ponta de sobre-maturação (16,5), um tinto que custará cerca de €15, ou seja, ficará a ocupar o espaço entre as marcas "Crasto" e "Crasto Reserva vinhas velhas".

Quanto aos brancos, e apesar do ano quente como foi o de 2009, mantém-se tudo muito consistente, com os vários produtores a apresentaren vinhos de qualidade. Bons, estiveram o Vallado Reserva (B) 2009 (16) e o VZ (B) 2009 (16,5), dois brancos de estirpe e pedigree, sendo que o segundo está um pouco melhor que o primeiro (que, por ora, nos pareceu excessivamente frutado) mas ainda ligeiramente prejudicado pela barrica (de óptima qualidade, como é costume nos vinhos de Cristiano van Zeller); bastante bom, como é habitual, o Redoma Reserva (B) 2009 (17), a revelar já uma interessante convivência entre fruta e barrica; mais simples, mas bastante aprazível, esteve o Crasto (B) 2009, um vinho de perfil mais frutado do que os restantes, mas com um toque de vegetal seco que o enobrece (15,5).

Nos Vinhos do Porto, destaque para duas surpresas de duas quintas geralmente mais conotadas com vinho de mesa: a primeira, um Quinta do Crasto vintage (P) 2008 de bom nível, um dos melhores vintage que provámos desta quinta (16,5); e um Quinta do Vale Meão vintage (P) 2008 ainda melhor que o anterior, também numa das suas melhores edições de sempre (17).

quinta-feira, agosto 19, 2010

Prova especial

Terrenus Reserva (T) 2004

Encaixamos esta prova deste grande tinto na categoria "prova especial". E fazemo-lo pois este é, efectivamente, um vinho fora do normal. Especial, pela relativa raridade do vinho, posto que a sua produção é residual, ridícula mesmo comparando com padrões internacionais. Especial, pois em meia década produziram-se apenas duas colheitas (2004 e 2007). Especial, pelas provas sempre fantásticas que nos proporcionou até hoje, e pela evolução que dele esperamos ainda (ver aqui para uma das provas anteriores). Especial, por fim, pela nossa admiração subjectiva por este tinto de vinhas velhas da Serra de S. Mamede, um dos néctares nacionais no qual depositamos afeição maior.

Cor muito viniosa no copo, praticamente ainda opaco, denotando imensa juventude. No nariz, começa fechado, circunspecto (por isso, decante por uma hora, pelo menos). Cariz complexo e fundo, é um vinho que exige prova atenta, vigilância apertada e sentidos apurados. A fruta é negra, profundamente decadente. 

Na boca, proporciona uma prova gloriosa, mantém-se amplo e saboroso durante muito tempo, com fruta negra e fumados de qualidade. E revela até uma sensação de secura que muito nos apraz. Final de boca em alta, com chocolate amargo e ligeira nota rústica, mesmo ao nosso gosto pessoal.

Este, "está para as curvas", e durará, seguramente, mais 10 anos se guardado em condições ideais. Novidade no mercado é o da colheita 2007, igualmente de alto nível, mas, infelizmente (para nós, que precisamos dele...), mais caro, desculpando-se Rui Reguinga - produtor e enólogo desta delícia - na necessidade de reajustar o preço.

É um vinho denso, calmo mas potente, aparentemente silente mas poderoso. A nós, sugere-se como um tinto com "alma literária", como, aliás, tentámos demonstrar com a foto que colámos ao lado.

17,5-18+