domingo, novembro 18, 2007


Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002

Já aqui escrevemos sobre os vinhos da Quinta da Sequeira. Após diversas provas a praticamente toda a gama, podemos atestar a qualidade e longevidade dos diversos néctares, do "porta-estandarte" rosé até ao recente topo de gama (que comentaremos em breve), passando pelo nosso predilecto o branco vinhas velhas. Podemos atestar também as qualidades humanas do casal Mário Jorge e Graça, cuja dedicação e simpatia constitui certamente um exemplo no sector e suplanta os poucos anos que levam de actividade.

Imagine por isso o leitor a nossa satisfação ao ler a recente reportagem que a Revista dos Vinhos fez sobre a Quinta da Sequeira e confirmar que a opinião que sempre divulgámos sobre os seus vinhos não é, afinal, apenas a nossa.

Pois bem, foi num começo de noite sem muita história em Sintra que resolvemos voltar à Quinta da Sequeira. Tínhamos um amigo para jantar, que entretanto se atrasou, e preparámos um arroz selvagem de cogumelos (portobello e paris) salteado em finos rojões de porco preto com pesto. O regresso àquela quinta do Douro Superior fez-se então com o "Grande Escolha (T) 2002", e com a prova (mais do que provada…) que tal colheita foi capaz de proporcionar tintos bem interessantes na região.

A cor mostra vivacidade, ainda escura e impenetrante, apenas com uma pequena marca de evolução no rebordo do copo. O nariz é intenso, com fruta sobremadura e um pouco de anis no ataque inicial. Depois surgem notas a amêndoa, chegando mesmo a lembrar licor de amêndoa amarga (mas sem desequilibrar), e alguns tostados da madeira não totalmente integrada, num conjunto de complexidade média-alta. Enfim, tudo como que a dizer que ainda tem anos pela frente. A boca confirma o veredicto de propensão para a longevidade com fruta vermelha em grande quantidade e acidez franca. Final persistente com moderada elegância e que poderá ainda melhorar com o estágio em garrafa. O meu amigo Tiago Panão gostou tanto que jurou não mais se atrasar...

Em suma, um tinto de alta patente num ano difícil. A menos de € 20 e para beber nos próximos 5 anos.

17


Próximos vinhos: Calços do Tanha Reserva (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Reserva (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004.

domingo, novembro 11, 2007


Quinta do Cerrado (T) Reserva 2003


A União Comercial da Beira, com sede em Carregal do Sal, tem vindo a obter bons resultados com a recente dinamização dos vinhos da região do Dão, tanto tintos como brancos (ou melhor e brincando um pouco, tanto tourigas como encruzados, as castas mais "dinâmicas" no momento). Por isso não surpreende a existência de vários produtos da empresa para além do tinto ora provado; entre eles, destaca-se o topo de gama "Lagares do Cerrado" e as monocastas brancas encruzado (a nossa predilecta) e malvasia e as tintas roriz e touriga.

De toda a gama Quinta do Cerrado, este tinto reserva em prova será porventura o vinho mais conhecido do consumidor, posto que não há feira de vinhos em hipermercado na qual não marque presença. Pelos vistos - i.é, pelo que provámos - ainda bem...
*
É que se no copo tem cor vermelha escura perto de se tornar granadil, com bastante transparência e auréola diluída, já no nariz está muito curioso, não parecendo abrir (mesmo com tempo e decantado) e sentindo-se ainda um pouco a madeira (com notas tostadas) a tapar o fruto vermelho. Um pouco de casca de amêndoa, referências a caruma e outras mais torradas, final com um carácter levemente floral a dar um "ar da sua graça". Na boca é fugaz, ainda que mostre ter bom ataque inicial. Está levezinho, de corpo esguio, com acidez acentuada que aconselha a forte gastronomia da região. Não nos resultaram evidentes as castas que compõe este lote (são a touriga, a roriz e a jean diz-nos o produtor), mas o perfil é claramente Dão!

Se está a pensar comer um cozido sem couve (apesar deste tempo quente não ajudar), e apenas pretende ou pode gastar € 5,50, este tinto será uma boa opção. Acresce que está à venda na maioria das grandes superfícies. Muito acessível portanto.

15,5

Próximos vinhos: Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Reserva (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004.

quarta-feira, novembro 07, 2007


Quinta do Infantado Reserva (T) 2003

Era a primeira vez que o amigo Honorato ia lá casa e, também por isso, brindámos a sua entrada com um espumante. Esse espumante ajudou, pouco depois, a confecção de um risoto de espargos e cogumelos o qual, por sua vez, mereceu um acompanhamento à altura (do amigo e do risoto, dizemos com pouca modéstia). Qual então o acompanhamento? O Quinta do Infantado Reserva 2003, o primeiro reserva desta quinta da família Roseira, bem perto do Pinhão, que faz muito que produz Porto.

No nariz está, simplesmente, com um bouquet que se coloca entre os melhores do Douro! Claramente a apostar na elegância, tem fruto de qualidade sedutor e muita barrica afinada e, desde já, integrada. Tem ligeiras referências a LBV (que o calor do ano pode explicar), todavia estas não estão impositivas, pois a elegância apresentada evita qualquer laivo mais abrutalhado.

Na boca entra macio, com ligeira concentração, tem um certo carácter lácteo que o torna encorpado mas sem quaisquer exageros (nada químico). Com poucas arestas e sem "pontas soltas", é um tinto de matriz duriense que já dá grande prazer. É, aliás, um verdadeiro "vinho de prazer", e exibe, com orgulho, um daqueles finais longos e acetinados de fazer chorar por mais.

Uns dias depois, o amigo Honorato confessou-nos que gostou muito (do vinho, pois claro) e que tinha ficado com vontade de mais. Também nós... também nós. E o preço ajuda: a menos de € 25 é uma grande compra.

17,5


Próximos vinhos: Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Res. (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Res. (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004

segunda-feira, novembro 05, 2007



Encontro com o Vinho e Sabores

Mais um "Encontro com o Vinho e Sabores" que passou pela ex-Fil neste fim-de-semana. No Domingo (Sábado é sempre uma confusão...) esteve muita gente, mas menos gente do que no último ano, pelas nossas contas absolutamente não rigorosas. Por outro lado, pareceu-nos ver mais gente nova e mais público feminino, o que é sempre um excelente sinal. A organização esteve ao melhor nível e, tirando uma ou duas excepções, a grande parte dos produtores nacionais marcou presença, em muitos casos, apresentando mesmo os melhores vinhos (o que nem sempre acontece).

Nestes eventos, já se sabe, não se pode provar muito, pois corre-se o risto de gostar e começar a beber (em vez de só provar). Em todo o caso, sempre ficam algumas saudades de um ou outro vinho degustado. No nosso caso, saudades do magnífico Garrafeira do Comendador (T) 2003 da Adega Mayor, do energético Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004, do polido e delicioso Gouvyas Vinhas Velhas (T) 2005, do enigmático Vallado Adelaide (T) 2005, e do potente Júlio B. Bastos (T) 2005. Tudo tintos.

Foi assim…

terça-feira, outubro 30, 2007


Novidades e mais novidades

» Doudão (T) 2005: É o novo "Dado" e talvez esteja melhor do que nunca: muita cor, fruta e acidez no ponto. Para beber já é preciso estômago forte e comida a preceito, mas não temos dúvidas que irá melhorar em garrafa. (16,5-17)

» O Mouro (T) 2005: É um regresso de um vinho com uma história muito curiosa. Resumindo em pouquíssimas palavras: Viegas Louro não gostou de um determinado lote da colheita de 2000 - achou-o "verde e ácido" - e Dirk Niepoort, depois de o provar, comprou-o todo e comercializou-o com a chancela O Mouro. Desta feita, em 2005, Dirk teve intervenção directa na produção do vinho e o resultado está bem à vista: um dos vinhos do Alentejo com menos perfil alentejano… seco, directo, menos guloso que o habitual mas muito gastronómico e já a demonstrar complexidade. Um vinho que prima pela curiosidade e pela mais que certa adaptabilidade à mesa. Muito interessante, a conhecer sem falta! (16,5-17)

» Esporão Private Selection (T) 2004: É o regresso ao mais alto nível do estilo presente na colheita de 2001 (e que 2003 interrompeu com um estilo demasiado frutado). Um vinho muito sério onde a fruta e as notas da barrica se fundem na perfeição. É um vinho que impressiona e é incontornável para qualquer enófilo. (17,5-18)

segunda-feira, outubro 29, 2007

Novidades e novidades

» Giro Sol loureiro (B) 2006: Finalmente Dirk Niepoort faz um vinho verde. À imagem do que pensa ser um estilo a desenvolver, temos aqui um branco algo seco, com pouco álcool (menos de 10º). Menos frutado do que a maioria dos 100% loureiro será certamente uma boa aposta para apertitivo. (15-15,5)


» Soalheiro Primeiras Vinhas (B) 2006: Cor carregada, nariz exuberante. Boca cheia, é um alvarinho do estilo maduro mas sem ser "madurão". Referências puras à casta e um final inesquecível. Um alvarinho a um nível muito alto. (17-17,5)

sexta-feira, outubro 26, 2007


Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001

Chegou-nos aos ouvidos uns zuns zuns no sentido deste tinto estar a "dar as últimas". As vozes eram muito avisadas, pelo que não hesitámos em abrir uma garrafa para perceber se, além de avisadas, tais vozes eram, in casu, acertadas.

Sucede, que de acordo com o exemplar que abrimos, nenhuma razão de alarme existe. "Que se deixem de ouvir tais as vozes!" O vinho está, a nosso ver e numa única palavra, óptimo.

É evidente que a fruta que habitava na botelha está já de malas aviadas mas, também é verdade, que aquele travo a azeitona verde que tanto gostámos no passado persiste… talvez agora até esteja mais marcado, como que a recordar-nos que o alicante bouschet anda por estas bandas. É evidente também que o nariz não está tão sensual nem bruto como no seu início de vida, mas mantém uma óptima prova, muitíssimo mais complexa do que no passado, a fazer mesmo esquecer a tenra idade das vinhas que estão na sua base. Aqui e ali um pouco de fruta em passa (mas não muito doce), aqui e ali notas fantásticas da integração da barrica com o vinho… como seja café, algum fumo… enfim tudo muito bom.

Na boca está mais fresco em relação a provas anteriores, mas também mais complexo, taninos domados mas não "desaparecidos em combate". Está, neste momento da sua vida, elegante ainda que com uma marca vegetal e rústica. É certo: está longe de ser uma "bomba de fruta". Tem isso algum mal? Não… muito pelo contrário, dizemos nós.

17,5


Próximos vinhos: Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Res. (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Res. (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Res. (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004

segunda-feira, outubro 22, 2007


Churchill's LBV (P) 2000

De volta às provas individuais, quedámo-nos por um Churchill's LBV (P) 2000, um LBV que não aparenta os anos que já leva de tal modo é forte o seu impacto inicial.

Como vem regra na casa, apresenta muita fruta no nariz - nada aqui é seco ou fechado - a mostrar que se pode, e recomenda, beber já. Muito guloso na boca, cheio, intenso e vibrante, está aqui um belo LBV para quem gosta de vintages novos (se é que isto faz algum sentido).

Com algum arejamento vem a complexidade esperada de um Porto que já leva alguns anos em garrafa, mas a tónica é sempre um fruto muito maduro a "puxar" ao estilo vintage. Ainda terá uns anos pela frente mas dada a sua natureza de LBV não vemos vantagens na guarda.

16,5


Próximos vinhos: Francisco Nunes Garcia Res. (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Res. (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Res. (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Res. (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004

segunda-feira, outubro 15, 2007

Vinhos com (e de) Rui Cunha

Conhecer as quintas e os produtores aos quais Rui Cunha presta assessoria é um prazer. Conhecer essas quintas, e os seus proprietários, na companhia do próprio Rui Cunha não é apenas um prazer – é uma autêntica regalia! E conhecer com o próprio os seus projectos pessoais é um privilégio ainda mais especial. Pronto... está tudo dito! E qualquer objectividade, imparcialidade ou rigor no relato que se segue das provas está "contaminada", dirá o leitor. Tentaremos que assim não seja...
Dos vários vinhos provados ao longo de dois dias e meio – para uma descrição das visitas ver o texto dos amigos vinho a copo -, aqui fica o conjunto dos nossos destaques. A saber:

OS NOSSOS PREDILECTOS:
» Valle Pradinhos (T) 1992: Legado do tempo em que Nicolau de Almeida era o enólogo da casa. Um corpo estruturado e uma vibrante acidez "carregam ao colo" um fruto vermelho macio e redondo. Ainda com vida pela frente, é um vinho elegante e com uma pattine inesquecível. Foram provadas 3 garrafas – e todas elas em condições! (17,5-18)
» Campo Ardosa RRR (T) 2000: Provado defronte dos próprios vinhedos numa manhã fria de vindima. Numa mini-vertical, este RRR 2000 foi o que mais nos "agarrou" com o seu nariz frutado e uma boca cheia de garra. Final de boca inesquecível, está aqui um vinho potente mas (já) equilibradíssimo e pode ser guardado. Grande tinto! (17,5-18)
» Covela Colheita Seleccionada (B) 2004: Da região "entre Douro e Minho" está um branco fascinante e de corpo cheio. Complexo, muito mineral, é um branco deveras sério que não vira a cara à luta em qualquer combinação gastronómica por mais exigente que seja. (16-16,5)

AS SURPRESAS:
» Crooked Vines (T) 2005: Provado em magnum, é um tinto moderno (tal como o rótulo), sedutor e de perfil internacional. Bom trabalho com a madeira que se sente mas não se impõe. Fruta sobremadura e um final quente e picante que aponta mais para o consumo do que para a guarda. Um tinto de puro deleite que fará a alegria de muitos consumidores. (16,5-17)
» CM Romeu (PB) 1974: Belíssimo Porto branco da Soc. Agrícola Menéres a fazer-nos lembrar alguns madeiras (de bual). Untuosidade máxima, doçura cativante e boca de veludo. Final impressionante. Grande Porto branco. (17-17,5)
» Vista Alegre Old White (PB) s/idade: Outro Porto branco, este com cerca de 20 anos. Temos aqui um blend potentíssimo e um conjunto de aromas que remetem para flor de laranjeiro, casca de limão confitada e notas meladas - tudo num estilo curiosamente próximo de um tawny. (16,5-17)
» Quinta dos Avidagos Reserva (T) 2005: Por menos de €8 temos aqui um tinto muito gastronómico com fruta e força suficientes para acompanhar qualquer prato de carne. Num perfil muito duriense será uma excelente compra e está disponível em grandes superfícies (no "Continente"). (15,5-16)
» Sousa Lopes (B) 2006: Surpreendente branco de uvas plantadas próximo de Famalicão. Feito a partir das castas loureiro e chardonnay, está muito citrino, de perfil fácil e directo, mas brinda-nos com um tique de originalidade (talvez da pouco usual combinação das castas) muito feliz. Também por isso, parabéns ao enólogo Gonçalo Lopes. (15-15,5)

AS CONFIRMAÇÕES:
» Secret Spot (T) 2004: No seu lançamento, faz cerca de um ano atrás, estava já interessante a mostrar fruta vermelha e madeira presente, mas não se distinguia de outros bons tintos da região. Agora, um ano depois, está muito mais elegante, fino na entrada de boca e final mais prolongado. Reúne, em suma, um conjunto muito significativo de atributos: fruta de qualidade, elegância e complexidade. É um vinho muito sério que merece copos a preceito. (17-17,5)
» Valle Pradinhos Reserva (T) 2004: Já está com menos "pêlo na venta" do que na nossa primeira prova (ver aqui). Mantém uma fruta vermelha fabulosa e uma acidez cativante. Talvez o melhor cabernet português (mas tem ainda tinta amarela) que conhecemos. Não é arriscado vaticinarmos muitos anos de vida a este belíssimo tinto. (17-17,5)
» Quinta do Além-Tanha V.V. (T) 2004: Confirmação de um tinto que melhora a cada colheita que passa (para o 2001 ver aqui, para o 2003 aqui). O estilo sobremaduro está agora menos evidente mas a fruta preta de qualidade mantém-se. É um vinho difícil de não gostar e tem um final macio e encantador. (16,5-17)
» Apegadas Qta Velha (T) 2005: Nariz fechado, tudo muito longe... mas vai-se adivinhando o estilo, pois rusticidade e alguma dureza parece ser a marca da casa. Melhora na boca, fruta saborosa, acidez franca. Irá, em princípio, evoluir muito bem e tem um perfil gastronómico que combinará muito bem com pratos fortes. (16-16,5)

Foi assim...

sexta-feira, outubro 12, 2007


Mais vale tarde do que nunca

Apercebo-me que já devia ter colocado os links de dois recentes blogs sobre vinhos que muito merecem uma visita atenta. Ao Pumadas e ao Pinga Amor o desejo de venturas e de óptimos posts.

domingo, outubro 07, 2007


Prova: 6 tintos do Dão

Tratava-se de mais uma prova cega de seis vinhos levada a cabo por seis amigos (ver provas anteriores aqui e ali). Desta feita, o lema era "Tintos recentes do Dão". Como é política destas coisas, decantou-se cada vinho cerca de 40m antes da prova e atribuiu-se a cada decanter um número de 1 a 6. A prova foi constituída por uma fase sem qualquer comida e outra na qual foi acompanhada de uma refeição leve. Ao longo da prova verificou-se que "em jogo" estavam diferentes estilos de Dão o que, desde logo, revela que a região não anda parada, e que o consumidor tem por onde escolher... vejamos melhor:

O vinho que se revelou como o mais duro da mesa (apesar de para alguns isso ser "autenticidade") foi, curiosamente, o único produzido por uma senhora: foi o Lokal Sílex (T) 2004 da produtora e enóloga Filipa Pato. De facto, não esteve nada bem no nariz (começou reduzido, depois passou por uma fase de mofo, enfim…) mas melhorou significativamente na boca onde, já redondo e afinado, terminou com referências a fruta amarga e, outras mais curiosas, a carne.
Empatados em quarto lugar ficaram dois vinhos. O primeiro deles foi o Barão de Nelas Reserva (T) 2003, um tinto com notas de chá doce no nariz, boca fina e elegante mas com ligeiro travo a água-pé; o outro foi o Vinha de Reis (T) 2004 que, apesar de também ter começado por despontar no nariz (inclusive um ligeiro mas muito desagradável odor a pano molhado), esteve muito bem na boca onde revelou um estilo mais quente e internacional do que os vinhos referidos anteriormente.
Depois, no último lugar do pódio surgiu o Munda (T) 2004, num perfil todo ele muito intenso: nariz fortemente frutado (eg., líchias) e floral por vezes mesmo alicorado, boca potente e larga - uma pequena "bomba". Já um degrau acima ficou o Quinta da Garrida Touriga Nacional (T) 2003, muito torrado no nariz (seria da madeira?) combinou um precoce bouquet a frutas secas com uma boca equilibradíssima, elegante e final prolongado – claramente a melhor relação preço-qualidade dentro do grupo.

O primeiro prémio absoluto foi para o vinho com o perfil mais moderno e sedutor… nariz vinioso, notas soltas a tinta-da-china, muito corpo na boca, pesado mas sem perder qualquer laivo de graciosidade – é um grande vinho este Quinta do Perdigão Touriga Nacional (T) 2004 (já o provámos com mais detalhe aqui) !

Foi assim…

terça-feira, outubro 02, 2007

Feiras de vinhos: Destaques

"ECI" com uma boa selecção e a bons preços, mais caro que o habitual temos o "Continente", e em grande forma (como nos habituou) a feira no Jumbo. Faltam nesta lista o "Carrefour" e o "Feira Nova". O "Pingo Doce" nem se fala… Assim vão as feiras de vinhos nesta versão 2007.

Jumbo:
Prova Régia (B) 2006 - € 2,97
Catarina (B) 2006 – € 3,48
Deu la Deu (B) 2006 – € 5,29
Valle Pradinhos (T) 2003 - € 7,28
Quinta da Mimosa (T) 2004 – € 7,98
Quinta do Gradil (T) 2003 - € 9,95
Evel Grande Escolha (T) 2004 - € 13,85

ECI:
Vila dos Gamas Antão Vaz (B) 2006 – € 1,49
Prova Régia (B) 2006 – € 3,25
Quinta do Penedo (T) 2006 – € 4,35
Bajancas (B) 2006 – € 4,95
Casa da Atela TN (T) 2005 - € 4,95
Quinta do Infantado (T) 2004 – € 6,45
Casa Burmester Reserva (T) 2005 – € 10,95

Continente:
Catarina (B) 2006 – € 3,99
Quinta do Cerrado Encruzado (B) 2006 – € 4,98
Deu la Deu (B) 2006 – € 5,49
Burmester white porto (P) – € 6,99
Couteiro-Mor Reserva (T) 2004 – € 7,99
Meandro (T) 2004 – € 8,39

segunda-feira, outubro 01, 2007


Geol (T) 2003

Tomàs Cusiné já era um valor seguro da enologia em Costers del Segre quando, tinha mais de 20 anos de experiência, decidiu iniciar um novo e pessoal projecto vinícola. Conhecedor da região, instalou a adega no pueblo de El Vilosell, no município de Les Garrigues (Lleida), não muito longe da afamada região de Priorat.

O seu vinho de entrada carrega o nome de Vilosell e é feito a partir um lote curioso de 50% de tempranillo, 25% de cabernet sauvignon, e o resto de garnacha, syrah e merlot. Já o actual topo de gama - denominado Geol - é um lote maioritariamente composto por merlot e cabernet sauvignon. Vejamos:

São pouco mais de 20 mil as garrafas produzidas deste lote muito "afrancesado", sujeito a fermentação a 24-26ºc de temperatura, maceração durante 10 dias, e madeira nova de carvalho francês durante 10 meses. Apesar de todos estes (e outros) mimos, a garrafa que nos coube não agradou de sobremaneira.

Cor cereja escura com auréola clara. Nariz intenso é certo… mas intenso a anis (o que não apreciamos), acrescido de uma sensação de excesso de grau (mas 14.5º não explica tudo)! Em rigor, temos aqui um bouquet algo enjoativo dadas as referências impositivas a canela, bolo de mel, licor de ervas e amêndoa amarga. Está bem melhor na boca (pudera…) com fruta vermelha fresca, boa acidez e final médio com impacto proveniente da madeira nova.

Um vinho que vai agraciando alguma fama por Espanha (e um pouco pela Europa), mas que a nós não nos agradou "por aí além". Fica, em todo o caso, o registo de um vinho curioso, com fruta viva e fresca na boca, mas com um nariz excessivamente enjoativo que prejudica a prova e que retira qualquer hipótese de uma aptidão gastronómica.

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Próximos vinhos: Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003.

quinta-feira, setembro 27, 2007


Apontamentos...

3 vinhos tintos muito interessantes com os quais nos cruzámos recentemente em prova cega.
A saber:
Conceito (T) 2005 (s/ rótulo): intenso, ainda jovem, muita força bruta, vamos ver como evolui;
Quinta da Levandeira do Roncão Grande Escolha (T) 2003 – perfil clássico do Douro, perfumado e gastronómico (boa aposta se o preço for honesto);
Quinta do Lubazim (T) 2005 - curioso, interessante, um pouco fechado ainda, se melhorar em garrafa será um caso sério.

quarta-feira, setembro 26, 2007



Mirto (T) 2002

Ramón Bilbao foi um dos vários produtores de La Rioja a compreender a necessidade de modernizar o perfil dos seus tintos. Este Mirto surge como o seu topo de gama. Pois bem, 5 anos após a colheita, e mais de 3 anos em garrafa, continuamos a ter aqui um projecto (magnífico) de vinho. Dizemos "projecto" pois ainda é preciso esperar por ele, tanta é a força que demonstra ter, bem patente, aliás, na opacidade da sua cor violeta.

No nariz cativa apesar de se mostrar fechado (ou por isso mesmo...). Mas "tem lá tudo"; ou seja: camadas de fruta preta viciosa e madeira sedutora. Na boca mostra enorme estrutura, é fresco, de acidez fantástica e taninos monstruosos. Referências a petróleo, alcatrão, torrados, e tinta-da-china, tudo isto e mais um final elegante e frutado. É possível? É pois!

Um vinho quase perfeito com muitos anos pela frente.
18

Próximos vinhos: Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003.

terça-feira, setembro 25, 2007

sexta-feira, setembro 21, 2007


Breves sobre brancos

Ainda por Espanha, aqui ficam breves referências a 3 bons brancos que nos acompanharam recentemente por terras calmas. A saber:

Palacio de Bornos Verdejo (B) 2006: Mais uma edição deste branco de Rueda sem madeira. Muito fresco e com preço super competitivo. O seu irmão feito a partir de sauvignon também se recomenda (15,5).

Louro do Bolo (B) 2005: Aproveitando a (justa) fama do topo de gama "As Sorte", Rafael Palacio brinda-nos com este 100% godello, extremamente mineral e cheio de corpo (16).

Raimat Chardonnay Selección Especial (B) 2004: Tudo muito intenso… fruta e madeira mas num registo puro e quase-elegante. O álcool? 14,5º, um autêntico supercharge (16)!



Próximos vinhos: Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003.

terça-feira, setembro 18, 2007


Sierra Cantabria Gran Reserva (T) 1996

Não é preciso acompanhar com afinco desmedido os nossos textos (imagino que ninguém o faça) para constatar que este é um blog que versa, em regra, sobre "a causa nacional". Por outras palavras, a grande maioria dos vinhos provados são néctares produzidos em território nacional ou nos quais participaram enólogos portugueses.

Este statement, todavia, não adere com absoluto rigor à realidade das provas do autor, pois são muitos os vinhos estrangeiros provados com regularidade, com destaque para os espanhóis, franceses e italianos ("venho-mundo", portanto). Todas estas palavras servem para (tentar) justificar que nos próximos textos aparecerão alguns vinhos espanhóis que, por serem (ou se terem, entretanto, tornado) referência no país-vizinho (e não só), mereceram a nossa melhor atenção.

Ora, um desses vinhos provém de um ano fantástico numa das zonas mais conhecidas de Espanha – La Rioja (ver, da mesma região, textos aqui e aqui, entre outros). Em 1996 houve pluviosidade adequada, Outono e Invernos suaves, Primavera fria e um forte aumento de temperatura no Veão. Vinhas velhas, quase todas tempranillo e 24 meses de barrica... e já está!. A casa é a dos irmãos Eguren que dispensam introdução.

Nariz fantástico, já não madeira nem fruta… é uma autêntica "3.ª via" tanto é o refinamento e a integração dos elementos neste tinto. Móvel antigo, couro, de quando em vez notas frescas a lembrar fruta verde… e algum citrino. Boca tranquila, final elegante mas não hiper-persistente.

Com este Gran Reserva, os irmãos Eguren pretendem um tinto "old school", típico da Rioja, e dedicado à guarda. Agora que o provámos, podemos garantir que foi um enorme privilégio e prazer.

17,5


Próximos vinhos: Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003

segunda-feira, setembro 17, 2007


Vila Santa (T) 2004

Lembro-me de, faz já vários anos, ter entrado num "wine bar" em La Coruña. Creio que se chamava Cienfuegos, mas não tenho a certeza. O que sei é que o proprietário andava louco com um precioso tinto português.
Dizia-me esse proprietário que era dos melhores tintos que já provara e que era uma bagatela pois custava menos de 2.000 pesetas, custos de transportes incluídos. Tinha encomendado várias caixas e aquele era o seu tinto bestseller na venda a copo. Era um "Vila Santa" de João Portugal Ramos!

Este de 2004 revela uma tonalidade cereja média-escura. Nariz que começa fresco (primeiros minutos) mas rapidamente (após arejamento) surge a fruta muito madura. Compotas, ameixa, toda a panóplia de fruta negra do calor alentejano. Na boca, o toque fresco inicial no nariz reproduz-se numa acidez curiosa.

Está muito bom este tinto, nada pesado ou docinho. Caruma, algum grão de café, a madeira dá-lhe a dose certa de complexidade e rusticidade... a fruta agradece. Tem boa ligação gastronómica e é um dos melhores valores-seguros do Alentejo com excelente relação preço/qualidade. A beber já, mas pode guardar por 5 anos pois a longevidade é outro dos atributos deste belo tinto.

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sábado, setembro 15, 2007


Duas Quinta Celebração (T) s/data

É caso para celebração, pois se não fossem as gravuras rupestres a Quinta da Ervamoira estaria submersa, pelo menos parcialmente. Por isso foi feito um lote de diferentes anos da Quinta da Ervamoira, elaborado propositadamente para a celebração dos 10 anos da decisão da "Não construção da barragem de Foz Côa". Ora, para mim, aquela é a quinta com o cenário mais majestoso em todo o Douro e Trás-os-Montes!

Quanto ao vinho: cor vermelha forte, depois… muita fruta madura. Nariz irrequieto, com especiaria e domínio para a vertente fruta mas sem a complexidade (por nós) desejada (apesar de um travo balsâmico percorrer o copo arejado). Quente na entrada de boca, fruta preta e algum álcool. Boca macia, aveludada até.

Um bom tinto, descomprometido e moderno. Acompanhará bem carnes. Hum… porque não uns panadinhos de porco preto com arroz-feijão. A menos de € 12.

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