terça-feira, agosto 19, 2008


Três anos depois... (ou «tintos e brancos mais frescos»)


Já lá vão praticamente três anos e meio de Saca-a-Rolha. Não será, certamente, tempo suficiente para fazer uma resenha (muito menos histórica) sobre a evolução dos vinhos nacionais, mas servirá, a nosso ver, para constatar duas tendências que consideramos muito positivas no mercado doméstico. Em bom rigor, trata-se apenas de uma única tendência (admitimos nós) mas com duas manifestações...

A primeira delas relaciona-se com a produção de vinhos tintos mais frescos e gastronómicos em claro contraponto com a tentativa de seguir o modelo dos tintos do "novo mundo", bem visível nas colheitas compreendidas entre 1997 e 2003. De facto, sobretudo desde a colheita 2004 - já de si uma colheita ideal para vinhos com boa evolução -, surgiriam cada vez mais tintos com um perfil acentuadamente sério, constituindo disso bons exemplos, entre vários outros, o transmontano Vale Pradinhos Reserva (T) 2004 (a menos de €20), os durienses Quinta da Sequeira Grande Escolha (a menos de €25) e o Pinote (T) 2005 (a menos de €12), bem como vários tintos alentejanos como os que resultam do projecto Altas Quintas (com preços entre os €9 e os €30), mas também o Roma Pereira (T) 2005 e claro o super-taninoso Grou (T) 2005 (ambos a menos de €20). No Dão nem se fala tantos que são os tintos nesse registo fresco e gastronómico, apesar dos alegados abusos no uso da touriga nacional... quedamo-nos, quanto a exemplos, pelo Quinta da Vegia Reserva (T) 2005 (a menos de €25) e pelas monocastas tourigas da mesma colheita provenientes quer da Quinta do Perdigão (a menos de €25) quer da Quinta da Fata (a menos de €20).

A segunda manifestação é a busca por brancos também eles cada vez mais frescos, com uma boa acidez e, em alguns casos, secos. Nos brancos, a colheita de 2005 e, sobretudo, a de 2007, possibilitou a produção de vinhos de qualidade muito elevada. A par de diversos verdes (Soalheiro, Muros de Melgaço, Ameal, Lixa, etc), vários são os brancos do Douro e do Dão que, não sendo muito caros, começam a ser um caso sério no que respeita a níveis de frescura, abandonando assim modelos de produção onde a madeira nova se encontrava muito marcada e se pretendia vinhos pesados e exageradamente untuosos. São caso disso, no Douro, os recentes Trilho (B) 2007 (a menos de €15), o Encosta Longa Reserva (B) 2007 (a menos de €10), o perfumado Aneto (B) 2007 (a menos de €15) - para não falar dos Niepoort, com destaque para o delicioso Tiara (B) 2007 (a menos de €15) - e, no Dão, o Quinta do Cabriz Encruzado (B) 2007 (a menos de €10) ou o Quinta dos Roques Encruzado (B) 2007 (a menos de €12). No Alentejo, são igualmente vários os brancos cada vez mais frescos, com destaque evidente para os produzidos a partir da casta antão vaz e, a título individual mas ainda como mero exemplo entre outros, para o Conde de Ervideira Reserva (B) 2007 (abaixo dos €10). Mas, claro, não nos ficamos por estas regiões, nem pela colheita de 2007, bastando para isso fazer notar a excelência do Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006 (a menos de €13), um belíssimo vinho da Estremadura logo num ano particularmente difícil para a produção de brancos frescos e secos.

Com o suposto "aquecimento global do Planeta" (que não se nota nem um pouco neste Verão de 2008, à semelhança do que sucedeu em 2007), são duas óptimas manifestações de uma mesma óptima tendência (repetição à parte); dizemos nós em forma de festejo!
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Ora, foi exactamente num festejo que tirámos a fotografia que se encontra no canto superior direito deste texto. Evidentemente, foi necessária uma considerável dose de acaso e (sobretudo) de sorte para a conseguir (os leitores sabem bem que a fotografia não é o nosso forte...), mas julgamos que fica muito bem a encabeçar esta pequena nota escrita respeitante à passagem de mais de três anos do blog Saca-a-Rolha.
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PS: Quanto aos vinhos da fotografia, o Chryseia (T) 2006 está ainda "fechado", e revela-se por ora um pouco austero; o Quinta do Crasto Maria Teresa (T) 2005 mantém-se simplesmente sublime. Ambos os vinhos são caros e, por isso, recomenda-se que sejam bebidos apenas em cerimónias ou ocasiões muito especiais. Foi o caso!

sábado, agosto 16, 2008



Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006


Sita em Alenquer, a Quinta do Lagar Novo é pertença da família Carvalho: pai Luís Carvalho, coordenador do projecto, e os filhos Tiago Carvalho e João Carvalho, responsáveis pela enologia e viticultura, respectivamente. Provámos, uma vez, o branco Regional Estremadura varietal Chardonnay da colheita de 2006. A de 2007 estará brevemente no mercado.

Cor amarela palha com nuances verdes. Grande complexidade aromática, mas ainda assim directo e muito focado no nariz. Belíssimo aroma: subtil nas componentes vegetais e aberto nos registos mais frutados (eg., pêra). Bela entrada de boca, franca, fresca e muito ampla. Poucos ou mesmo nenhuns "tiques" excessivamente amanteigados ou pesados dos chardonnays mais divulgados pelo nosso país. Em suma: amplitude sem peso; secura no limite máximo (pelo menos para um ano quente como foi o de 2006); e enorme final de boca. Muito bom mesmo!

Sem dúvida, um dos chardonnays produzido em Portugal que mais gostámos faz anos! A nosso ver, está uns pontos acima do irmão viognier, mas haverá sempre quem diga o contrário e, em bom rigor, tudo dependerá do momento de consumo e da combinação gastronómica. Encontramo-nos verdadeiramente "em pulgas" para provar a versão de 2007. A menos de € 13 é um vinho obrigatório nas garrafeiras de todos os enófilos.

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Próximos vinhos: Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas (B) 2007; Altas Quintas Crescendo (R) 2007; Crasto (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2007

quarta-feira, agosto 13, 2008


Pinote (T) 2006

A mesma "troca" de know-how e de uvas entre Bairrada e Douro. Desta feita, é a vez do tinto que é produzido a partir de uvas do Vale Mendiz mas com enologia da Campolargo. Trata-se de um lote de vinhas velhas, com muitas castas diferentes e predomínio para a touriga nacional (cerca de 15%). O vinho vê madeira, mas quase toda com mais de um ano, e isso nota-se, como veremos adiante.

Cor cereja não muito escura, com auréola vermelho claro. No início o vinho abre um aroma simples, directo, a fruta vermelha (morango, framboesa madura), tudo muito fresco. Com a passagem dos minutos, a complexidade adensa-se mas a frescura mantém-se no copo. Uma ligeira sensação a álcool revela que o néctar ainda está pouco à vontade com a garrafa.

Na boca surge a fruta fresca, raínhas-cláudia, fruta vermelha uma vez mais, aqui e ali em camadas de fruto mais maduro. Taninos irrequietos, duros até mas saborosos. Pendor de secura, muita frescura, amêndoa amarga, coco, avelãs e ligeiro cacau amargo no fim de boca (nada de "baunilhas" a lembrar madeira nova). Bom comprimento final.

Um vinho muito diferente do que a moda tem ditado nos últimos anos e, por isso, a descobrir. Frescura e taninos rijos são as principais marcas deste tinto que promete muita longevidade (mínimo 10 anos) e isso reflecte-se no intervalo da pontuação. Óbvio carácter gastronómico para comidas pesadas. Servir a 17º ou 18º. O preço é igual ao do branco, a menos de € 70 a caixa com seis vinhos, três tintos e três brancos (ver post anterior para o Pinote branco).

16,5-17


Próximos vinhos: Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Crasto (B) 2007

segunda-feira, agosto 11, 2008


Pinote (B) 2007

Apresentado em meados de Junho em Mogofores. É a cara metade de um tinto com o mesmo nome (mas da colheita de 2006), constituindo parte de um projecto muito interessante levado a cabo por Campolargo e GR Consultores (Rui Cunha e Gonçalo Lopes). O mote foi permitir que a GR Consultores trabalhasse um lote de castas brancas provenientes da Bairrada, enquanto Raquel Carvalho, a enóloga da Campolargo, afinava um lote de vinhas velhas do Vale Mendiz (Douro).

Vamos ao branco. Provado uma vez. Apresenta cor palha. Nariz muito floral, complexo, percebendo um lote onde as flores e os frutos tropicais prevalecem sobre a frescura e acidez. Alguma mineralidade, algum doce, ligeira amêndoa-amarga (com nuance de barrica), num todo de carácter vinioso. Melhora na boca, grande ataque inicial, quase crocante, cheio e poderoso. No final, novamente um carácter ligeiramente adocicado que não chega, porém, a destoar.

As notas mais gordas e adocicadas parecem vir da responsabilidade da viognier e de algum arinto (ambas fermentadas em barrica), estando ainda presente a bical e o sauvignon blanc (ambas fermentadas em inox). Há ainda um pouco de verdelho, mas muito escondido.

Bom branco, ao qual falta talvez um pouco de acidez, mas que poderá acompanhar muito bem assados, queijos secos (eg., um plasencia) e massas tais como uns ravioli recheados de tomate (fica a nossa sugestão). Servir bem fresco, abaixo dos 14º. Brevemente à venda, em caixas de 6 - com 3 brancos e outros tantos tintos - a menos de € 70 cada caixa.


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Próximos vinhos: Pinote (T) 2005; Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2007; Crasto (B) 2007

quarta-feira, agosto 06, 2008


Valle Pradinhos (R) 2007

Novíssima edição deste rosé da conhecida casa de Macedos de Cavaleiros (Trás-os-Montes) produzido com base nas castas tinta roriz e touriga nacional. No copo revela uma cor vermelho cereja, muito brilhante. Nada esbatida, nada de cores menos aguerridas por estas bandas - este é mesmo vermelho (longe dos "tons salmonados" de outros rosés), muito bonito por sinal. Nariz muito direccionado para fruta de árvore (cereja) com ligeiro floral. Fruta vermelha fresca, acídula nas referências a morangos pouco maduros (diferentes, portanto, dos clássicos de Sintra, que, como é sabido, são muito doces e pequenos). Boa entrada de boca, ampla e limpa. Novamente directo e saboroso na componente frutada, mas mantém um estilo sóbrio e ligeiramente seco na senda das anteriores colheitas.
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Em suma, alguma sobriedade num rosé de enorme frescura e acidez, excelente para acompanhar refeições de Verão (é pena o álcool com 13,80% vol.). O intervalo na pontuação aproxima-o das melhores pontuações que atribuímos a um rosé, e isso diz muito sobre quanto gostámos dele. A menos de € 7 não é propriamente barato (mas a verdade é que, em rigor, são cada vez mais raros os rosés bons e baratos...).


15-15,5


Próximos vinhos: Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005; Quinta do Lagar Novo Chardonnay (B) 2006; Altas Quintas Crescendo (T) 2005

segunda-feira, agosto 04, 2008


Quinta do Soque Reserva (T) 2005

Provado duas vezes, uma das quais após o rosé da mesma quinta. A partir das castas touriga nacional, touriga franca e tinta roriz, estagiou em barricas de carvalho francês. Todo ele muito internacional: na cor, no nariz e na boca. Cor cereja escura, mas não opaco, com ligeiros sinais de evolução. Nariz muito intenso a fruta madura de boa qualidade e gulosa (eg., ameixa muito madura), num conjunto onde a touriga nacional e a roriz se destacam. Excessivamente directo, por vezes algo plano, mas a boca corresponde, é agradável, arredondada e macia. Taninos discretos, aqui e ali mais marotos (talvez da madeira...). Final comprido, saboroso, com nuances fumadas, muito bem conseguido neste aspecto.
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Um estilo moderno e acessível cada vez mais presente no Douro. E porque não? Apostamos que muita gente gostará. A menos de €20 acompanhará bem uma carne de vaca bem passada, podendo ainda ser bebido a acompanhar uma sobremesa de fruto vermelho pouco doce.

16-16,5
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Próximos vinhos: Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005.

quinta-feira, julho 31, 2008


Quinta do Soque (R) 2006

Apresentado neste evento como aperitivo. Provado por duas vezes. Pertence à classe de rosés que, felizmente (para nós), se repete com frequência no Douro (e também, mas com menos expressão, no Dão). Isto é, rosés mais fechados, tímidos, pouco conversadores mas recompensadores quando se trata de acompanhar umas sardinhas assadas, uma piza ou uma salada de pimentos.
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No copo revela cor salmão com ligeira evolução (já lá vão quase 2 anos em garrafa...), nariz silvestre com referências não muito intensas a morango maduros e um fundo que aparenta madeira queimada. Fruto vermelho discreto e pouco expressivo numa boca de pendor claramente vegetal, mesmo algo terrosa. Travo amargo no fim de boca que tende a aumentar com temperatura mais alta. Final contido que, contudo, agrada por mostrar alguma secura.

Terminamos como começámos - apreciamos este "estilo sério" nos rosés. Este Quinta do Soque estará, porventura, demasiado sério, o que poderá ser explicado por não ter sido provado no ano de colheita. Em todo o caso, é uma aposta válida, não tanto para aperitivo, mas antes para acompanhar comida e não nos referimos apenas à tradicional ligação com a gastronomia exótica/oriental.


14,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005.

domingo, julho 27, 2008


Brites Aguiar (T) 2006

Apresentação à imprensa realizada no restaurante Gemelli. Provado por duas vezes. Este tinto, produzido a partir de vinhas sitas nas encostas do Rio Torto e de um dos seus afluentes, a Ribeira de Galegos, combina touriga nacional, touriga franca e tinta roriz. Depois, estagiou por 18 meses em barricas Allier tosta média com 500 litros de capacidade, integralmente novas (três anos de secagem das tanoarias Cadus, Seguin Moreau e François Freres).

A cor é intensa, num registo de cereja muito escuro mas não opaco. Nariz de alta concentração, com fruta azul e preta muito madura. Carácter lácteo evidente e muito arredondado (o grau de álcool ajuda), com caramelo, doce de leite, e chocolate de leite. Com arejamento surge um lado floral que deveria estar (a nosso ver) mais presente. Na boca, altera ligeiramente o perfil internacional e situa-se num patamar mais fresco, algo mineral, mas mantém-se amplo, lácteo e muito directo, apelativo. Com taninos suaves e muito maduros é de fácil agrado este tinto! O seu volume alcoólico (15%) é escondido por alguma frescura, a barrica caminha para uma boa integração, e só o final podia dar um pouco mais (mas é certo que o ano não ajudou nesse aspecto).

Deste tinto encheram-se 6840 garrafas de 750ml e 200 garrafas magnum. Entre €25-€30, é uma escolha acertada - mas não barata - para quem gosta de um perfil directo, focado na fruta madura, internacional.

16,5


Próximos vinhos: Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007; Pinote (B) 2007; Pinote (T) 2005

terça-feira, julho 22, 2008


Stanley Chardonnay (B) 2006

Vinho produzido pela Fundação Stanley Ho, liderada pelo conhecido empresário do mundo dos casinos e que era, até há pouco, o 84º homem mais rico do Planeta de acordo com a Forbes. Quanto ao vinho, tem uma cor clara e trata-se de um chardonnay pouco típico, quase "ilegítimo" se pensarmos nas principais referências francesas. Desregramento de notas tropicais no nariz num aroma muito carregado e pesado, mesmo para o padrão português da casta. Na boca, revela uma entrada que praticamente passa despercebida, mas arranca depois um travo final de mel demasiado evidente e que chega a incomodar, num conjunto que aparenta excesso de doçura. Nem a proximidade do mar - provém de uma vinha sita nas Azenhas do Mar (Sintra) - lhe confere a acidez que dele esperávamos.

Decididamente (para nós), o estilo menos interessante no chardonnay, mas, ainda assim, um esforço evidente num dos locais do País mais inóspitos e esquecidos para a produção de vinhos. Desconhece-se o preço e aconselha-se servir muito fresco. Poderá acompanhar alguns pratos de comida exótica de origem indiana, chinesa ou tailandesa.

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Próximos vinhos: Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

domingo, julho 20, 2008


Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

Quase transparente quando colocado no copo (comecei por escrever "branco", mas claro que branco só o leite). A casta, normalmente muito exuberante, apenas se revela aguerrida no nariz. Na boca, está médio-cheio, quase crocante até, e há muito mais mineral do que fruta. É, enfim, um bom loureiro no sentido gastronómico! Mesmo num ano difícil para os vinhos verdes, este Ameal está leve, fresco, e mostra pouco açucar. A nosso ver, ficará muito bem a acompanhar saladas, embora muitos prefiram um vinho mais doce com esse tipo de prato.
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O preço, por volta dos €5 em várias grandes superfícies, também ajuda ao sucesso. Ideal no Verão.

15,5
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Próximos vinhos: Stanley Chardonnay (B) 2006; Brites Aguiar (T) 2006; Quinta do Soque (R) 2006; Quinta do Soque Reserva (T) 2005; Valle Pradinhos (R) 2007

sexta-feira, julho 18, 2008


Torais (T) 2005

Provado no restaurante Luar de Janeiro (Évora), na sequência de uma salada de coelho ao vinagrete e a acompanhar umas anafadas e roliças bochechas de porco preto. No copo, muita cor (quase opaco). No nariz, muita juventude. No todo, muita extracção, em força e deveras maduro. Taninos discretos e maduríssimos, com o espectável corpo arredondado. É uma pequena bomba de fruta, quase no excesso, mas com laivos curiosos (que gostámos) de rusticidade, pronta a agradar. Se levasse pontuação - i.e., se a prova tivesse sido feita noutro local e com rigor - seria bem capaz de se situar no intervalo 16-16,5. Para quem não dispensa sensações fortes quando se trata de vinhos tintos, a menos de € 12 (PVP) tem aqui qualidade alentejana a um preço que nos parece justificado.
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quarta-feira, julho 16, 2008

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Lançamento - Trilho (B) 2007

O bom-senso dita que num dia de sol, virados para o mar e mais a mais a acompanhar um prato de inspiração marítima, um vinho branco será um acompanhamento ideal. Foi neste cenário que provamos o Trilho (B) 2007, desde já esclarecendo que foi um dos brancos que mais nos surpreendeu nas últimas provas. A ligação gastronómica e o magnífico cenário da baía de Cascais estavam "programados" pois tratou-se de uma apresentação do vinho que decorreu no restaurante 100 Maneiras e que contou com a presença dos produtores e da equipa de enologia. Já o dia de sol, senão foi de encomenda foi então… digamos que um extra. Finalmente, o facto de estarem presentes vários blogger entre os convidados revelou a atenção cada vez maior que os produtores atribuíem a este meio de divulgação.

Pois bem, o Trilho a que nos referimos provém da melhor escolha das uvas brancas da Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas que, em 1993, partiu na aventura de fazer vinho. A par deste Trilho, que se situa como um topo-de-gama (pelo menos no que respeita a brancos), a Quinta das Bajancas possui ainda mais dois vinhos DOC Douro, um tinto e um branco de marca Bajancas, ambos com boa relação preço-qualidade.

Provado este Trilho uma segunda vez (agora em ambiente mais calmo), revela na cor reflexos esverdeados a comandar um conjunto palha, e logo surge o pressentimento que teremos aqui "coisa fresca". Aroma limpo, bem fresco (cá está…) e bastante intenso, primeiro com o comum ananás, mas depois com fascinantes referências vegetais (vegetais frescos e molhados) e tosta muito subtil. Entrada de boca muito fácil e equilibrada revelando, uma vez mais, significativa frescura e estilo crocante. Boa acidez, menor sensação ao álcool e ao estágio em madeira do que o nariz poderia fazer supor. Em fim, um vinho branco como gostamos: fresco mas com seriedade, fino não ultrapassando os 13,5% vol., e levemente seco.

A cerca de €15 terá concorrência feroz mas acreditamos que não fará má figura, bem pelo contrário! Em prova cega, admitimos mesmo que este Trilho (B) 2007 possa vir a surpreender e a superar concorrentes mais conhecidos e afamados da mesma região. Um branco a não deixar escapar!

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PS: Para a descrição do mesmo vinho pelo colega João Rico, veja-se aqui.
PS2: Nas fotos, o prato preparado para acompanhar o vinho (esquerda) e Pedro Sequeira da dupla 2PR (direita).
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domingo, julho 13, 2008

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Dona Maria Reserva (T) 2003

Depois da viagem ao Douro e de algumas novidades, é tempo de voltar às provas que andavam em lista de espera. E é um regresso em cheio com este tinto de Estremoz. Júlio Bastos, produtor e, acima de tudo, winemaker (não no sentido de enólogo mas de "homem por detrás do vinho"), foi responsável (como muitos sabem) pelos famosos garrafeira da Quinta do Carmo. Depois da alienação de parte dessa quinta, e na sequência de reestruturações empresariais, Júlio Bastos tem hoje uma gama completa: começa com o Dona Maria (branco e tinto), depois o Amantis, o Dona Maria Reserva tinto e o topo de gama Júlio B. Bastos Alicante Bouschet (feito com as vinhas velhas supostamente da mesma idade daquelas que entravam nos melhores lotes dos Quinta do Carmo).

Mas vamos à primeira edição do tinto reserva. Ao início, brota um aroma incrivelmente intenso, muito moderno na abordagem à fruta, gulosa mas com marca exótica pela madeira. Depois, notas frescas e discretas amentoladas combinam com um fundo balsâmico (resina, verniz também) um pouco mais agressivo mas sem ferir a elegância - muito bom aroma, sem qualquer dúvida, todo do estilo cativante mas não enjoativo! Na boca apresenta-se cheio, muito amplo, com fruta madura (groselha preta, amoras) sem cansar, por vezes quase fresco. Final saboroso que, todavia, poderia ser um pouco mais longo (seria um fenómeno...). Na verdade, sempre que parecia estar pronto a saciar, eis que apetecia provar um pouco mais.

Em suma, um vinho que é na base extremamente sedutor e complexo. Mas é mais do que isso, tem seriedade e deverá evoluir bem em garrafa (admitimos mais 5 anos). Não é barato, entre €25 e €30, mas a qualidade apresentada é muito boa, pelo que vale a pena a compra.

17,5


Próximos vinhos: Torais (T) 2005; Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006; Stanley Chardonnay (B) 2006

sexta-feira, julho 11, 2008


Novidades - brancos:
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Serros da Mina (B) 2006
Encosta Longa Reserva (B) 2007

Na verdade não são ambos de 2007 mas, para nós, no fim de contas (ou seja, no fim de prova) o duriense revelou-se "uns furos acima" do alentejano.
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O primeiro - o Serros da Mina - é produzido pela Herdade das Barras na tórrida Vidigueira. No copo, a casta viognier surge muito madura e o antão vaz não ajuda ao lote que se torna, assim, algo pesado o que se pode explicar pelo ano quente (mas talvez funcione com alguns queijos de pasta mole). Já o corpo é gordo e revela muita untuosidade (as castas ajudam nesse ponto), mas a fruta tropical anda longe de ser fresca ou sequer original. Em suma, é um vinho bem feito mas exige combinação gastronómica certeira e deverá ser consumido preferencialmente no Inverno.
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Ao invés, o branco duriense da sub-região Cima Corgo, está muito elegante com a madeira bem integrada a pedir, no entanto, mais dois ou três meses de garrafa. A fruta é citrina, e o vinho manifesta um fundo mineral muito atraente (ver aqui a descrição completa do Pingas). Final de boca limpo, directo e saboroso; é um vinho que não cansa apesar da acidez não ser o seu maior atributo. Concluindo, trata-se de mais um belo vinho, muito versátil (para o Verão e Inverno) deste produtor localizado em S. João da Pesqueira.
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Sendo claramente estilos muito diferentes, mas com preços que rondam os €10 a €15, o troféu coube ao Encosta Longa, e não há dúvida que os brancos do Douro estão cada vez um caso mais sério. O facto do Serros da Mina ser de 2006 poderá ter prejudicado mas apenas no nível de frescura.


terça-feira, julho 08, 2008

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Quinta de Roriz

"Quem ri por último, si melhor", assim deve ter pensado João Van Zeller - feliz comproprietário e actual responsável máximo pela Quinta de Roriz - ao conceber a recepção neste que seria a nossa última visita. Após vários dias numa viagem fantástica no Douro, o melhor estava, de facto, para vir.

Uns foram de barco, outros (como nós) preferiram quase trinta minutos de puro todo-o-terreno. À chegada, tiros de morteiro! De seguida, prova vertical! Pouco depois, patuscada ao som de acordeões! Por fim, almoço em plenos lagares! Mas isto é pouco perante a beleza do cenário de uma propriedade com quase dois quilómetros de margem de rio e um micro clima cheio de sol em parte devido a uma encosta em anfiteatro que a rodeia. Sem dúvida, a par de uma outra no Douro Superior (adivinham?), uma das mais belas quintas que conhecemos.

A título de novidade, ficámos a conhecer um pouco mais as razões que levaram à recente mudança na enologia que passou este ano da Syminthon para a dupla Cristiano Van Zeller e Sandra Tavares da Silva, sendo certo que só provaremos os resultados desta nova união lá mais para frente, talvez para o ano. Quanto à distribuição, esta está um pouco complicada mas deve também melhorar em breve e o consumidor agradece.

Quanto à prova propriamente dita, num belíssimo armazém recuperado, foi muito conseguida com o Quinta de Roriz Reserva (T) 2004 a revelar-se talvez o melhor tinto desta casa, pleno de elegância - e a um belo preço diga-se, para o que foi considerado o segundo melhor vinho ibérico do Douro - e um surpreendente Quinta de Roriz vintage (P) 2002 com garra, ligeiro vegetal, e um final picante.

Pois bem, se o Reserva 2004 é um tinto a não perder, Roriz é uma quinta a não esquecer. O melhor fecho possível numa viagem que provou ser, no dia-a-dia, ainda mais fantástica do que no papel quando em projecto. Para o ano haverá mais!
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Nas fotos, a vertical realizada e o lindíssimo cenário que envolve a Quinta de Roriz.
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domingo, julho 06, 2008


Novidade: D + D (T) 2005

Chama-se D+D, significando "Drink & Dreams", e, ao que parece, resulta de uma parceria entre o Grupo Sogevinus, as Bodegas Emílio Moro e accionistas particulares como o futebolista Luís Figo. É um vinho produzido a partir de uvas nacionais, da região do Douro, e trabalhado por dois enólogos: Francisco Gonçalves (Sogevinus) e José Carlos Alvaréz (Bodegas Emílio Moro).

Diz-se feito a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, mas é a primeira das castas que mais se revela por ora. Diz-se um super-premium, mas disso não temos a certeza. Mais certo estamos da imediata sensação a fruta fina tipicamente duriense, mais a mais englobada num invólucro balsâmico e especiado (aparenta bom trabalho na madeira) e curiosas referências a côco ralado. Na boca, a fruta é mais madura do que no nariz (mas sem excesso) e cabe dentro de um corpo muito redondinho e de final pouco assertivo, embora elegante. Tudo muito ajustado, os taninos mui suaves, enfim um conjunto "com peso e medida" que arriscamos apelidar-lhe de cariz feminino. Até o teor alcoólico, que não passa dos 14%, está politicamente correcto, mas a "força" que dizem ter não a notamos.

Diz-se finalmente que tem um preço à volta dos €45 e uma produção de 25.000 garrafas. Pois bem, se é certo que se trata de um vinho fora do comum devido à promoção ao seu redor e ao seu carácter limitado, a verdade é que situa-se numa gama difícil e onde a concorrência parece, a nosso ver, levar a melhor.


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segunda-feira, junho 30, 2008


Quinta Vale D. Maria

Os dias iam passando e o calor apertando (mas nós gostamos disso). Os dias iam passando e eram cada vez mais os vinhos provados (mas nós gostamos disso)! Não, não estamos a delirar e nem carregámos no copy/paste sem querer…

O que queremos dizer é que uma interrogação pairava sobre nós: haveria ainda uma quinta que gostaríamos de ver de perto? Por outras palavras, haveria ainda um projecto sem o qual a nossa visita ao Douro não estaria completa? Havia sim! O seu nome: Quinta Vale D. Maria.

Bem vistas as coisas, não é tanto a quinta em si – apesar de sita numa bonita encosta do vale do rio Torto – que mais nos cativa, antes os vinhos que produz e, em especial, o fantástico CV. Ora, de manhã bem cedinho, mal chegados à Quinta Vale D. Maria por um caminho que só o recurso a uma viatura 4x4 permitiu, fomos recebidos pela sempre eloquente e graciosa Sandra Tavares da Silva (o Cristiano Van Zeller estava ausente do país) que nos tratou de apresentar a propriedade.
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O facto da Quinta ser relativamente pequena, e a casa e a adega serem mesmo exíguas, permitiu-nos uma visita célere a todas as instalações e, assim, irmos quase directamente ao que interessa - às novidades! Ora, dos vários vinhos provados, alguns brancos incluídos - que, contudo, ainda não nos seduziram por completo - é, sem dúvida, o CV (T) 2005 (bem como a amostra do eventual 2007) que mais nos apaixona. Isto apesar das amostras de casco do Vale D. Maria (T) 2007 se revelem bombásticas e muito promissoras. Depois foi tempo de mais alguma conversa à volta dos vinhos da quinta e continuar viagem com a Sandra Tavares da Silva para o mais recente projecto de consultadoria (próximo texto).
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Agradecimentos justíssimos ao Cristiano Van Zeller e à Sandra. Nas fotos, a entrada para a casa da quinta em cima, as "estradas" do Douro (com a Sandra Tavares da Silva a guiar a viatura cinzenta) em baixo à esquerda, e alguns dos vinhos provados em baixo à direita.










quarta-feira, junho 25, 2008


Quinta do Vallado

É certo: a seguir à mítica Noval era difícil retomar o passeio e pensar que qualquer outra quinta podia se igualar. Mas eis que, mal chegados ao Vallado, a simpatia do Francisco Ferreira fez-nos recuperar a fé que, afinal, muita coisa boa estava para vir…

E assim foi! Na sequência de uma visita à unidade de turismo da quinta (muito bonita por sinal), à adega e ao armazém, foi vez das provas. E que provas! Iniciou-se com alguns brancos simpáticos (para mais, a tarde estava quente) dos quais surpreendeu um Vallado Reserva (B) 2007. A seguir, "contentámo-nos" com uma vertical de Quinta do Vallado Reserva, desde 1999 até 2005. De todos os vinhos provados, foram as colheitas de 2003 (este a um grande nível) e a de 2005 as que mais brilharam pela forte presença aromática e boca potente, apesar da elegância de 2000 e, sobretudo, de 2004 merecem justo destaque. Enfim, foi a prova (provada…) que o terroir da Quinta do Vallado – na fronteira entre Baixo e Cima-corgo – dá-se muito bem com anos quentes e secos.

Depois, veio o privilégio de provar o Quinta do Vallado Adelaide (T) 2005, um super topo-de-gama feito a partir das vinhas mais velhas da quinta, e com uma apresentação muito cuidada que foge ao laranja típico da marca e opta pelo azul. Em breves palavras, o melhor vinho do Vallado que provámos até hoje, mas cuidado com preço (upa upa)!

Tempo houve ainda para provar várias experiências da vindima de 2007, vinhos de vinhas específicas e/ou castas pouco conhecidas ou que raramente se misturam. No fim, um lanche ajantarado como não há memória, e sempre a simpatia do Francisco Ferreira, a quem muito se agradece, a contagiar todos os presentes.


Nas fotos, em baixo, alguns dos vinhos da vertical realizada e a imponente garrafa do Quinta do Vallado Adelaide (T) 2005. Em cima, foto do bonito edifício da quinta destinado ao turismo.

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sexta-feira, junho 20, 2008


Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004

Fazemos assim uma breve interrupção nos textos da viagem ao Douro, o que não nos impede, contudo, de nos mantermos na região, posto que a prova que vamos abordar de seguida é a de um tinto duriense.

Falamos, e não é a primeira vez, de um vinho da Quinta da Sequeira, desta feita o seu topo de gama denominado de "Grande Reserva", designativo que cada vez mais se torna comum talvez em detrimento dos "Grande Escolha". Pois bem, se os tintos "Colheita" e "Reserva" desta quinta teimam em mostrar-se sequiosos de estágio em garrafa, afim de amaciarem os seus arrasadores taninos e demais arestas pontiagudas, já este Grande Reserva 2004, apesar de potente, está como que "adormecido" e não dizemos isto no mau sentido, bem pelo contrário. A madeira, que tantas vezes marca demasiado os vinhos (até com taninos), fez neste tinto tudo o que lhe competia pois o líquido está mais calmo que outros do mesmo terroir mantendo, porém, o perfil aguerrido, seco até, e de grande comprimento.

É certo que não esconde as suas origens e revela um nariz floral no fundo, com flora florestal e fruta madura não-compotada. É, ademais, significativamente complexo, mostra camadas de fruto silvestre, e a madeira apenas se vai evidenciando, aqui e ali, num apontamento diríamos que "abaunilhado" (mas nada de fumos, ou coisas que tais). Boca poderosa mas (novamente...) mais agradável do que esperávamos à primeira vista, capaz de dar prazer e de manter uma enorme vertente gastronómica (na foto coxas de pato assadas). Bom fruto, saboroso, tudo muito bom e bastante equilíbrado - sem dúvida, o melhor tinto comercializado por esta quinta do Douro Superior e uma óptima escolha para quem já está farto das bombas do Cima Corgo (não, ainda não é o nosso caso...)!

Em suma, pode-se beber desde já, mas recompensará muito se se guardar por um par de anos. Depois, arriscamos que se possa beber até 2013-2015 em óptima forma (um desabafo: o que eu daria para ter uma magnum). Cada garrafa, de belo grafismo, imponente no tamanho e sobretudo no peso, custa cerca de € 35 nas "Coisas do Arco do Vinho" (Lisboa) ou nos Club Gourmet (Lisboa, Sintra). Não é barato, mas é bom e bonito!

17,5


Próximos vinhos: Dona Maria Reserva (T) 2003; Torais (T) 2005; Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

terça-feira, junho 17, 2008

Quinta do Noval

O nome Noval é capaz de fazer sonhar os apreciadores de Portos como nenhuma outra marca. Por detrás do nome existe uma quinta cheia de memórias, algumas delas dramáticas (como o incêndio das instalações em Gaia) e é, sem dúvida, um dos nomes maiores quando se fala de vintages. Mas hoje é mais do que isso, e produz igualmente alguns belos tintos como é o caso do Cedro do Noval e do Quinta do Noval.
 
A quinta em si é muito bonita, com as vinhas viradas para o Vale de Mendiz e o Douro lá bem ao fundo. No meio da quinta, bem perto da lendária vinha que dá origem ao Noval Nacional, surge uma casa senhorial de grandes dimensões que mantém respeito. Foi este o cenário ideal para o começo das provas matinais. Primeiro os tawny, depois os vintages e, já com o almoço, os vinhos de mesa Cedro e Quinta do Noval nas versões de 2005.
Do muito (e bom...) que se provou, a nossa lembrança vai direitinha para o Quinta do Noval Colheita (P) 1995 (cheio de frescura nas suas notas alaranjadas), para o Quinta do Noval Tawny (P) 40 Anos (a lembrar alguns vinhos madeiras na complexidade e untuosidade), para o Quinta do Noval Colheita (P) 1986 (perfeito na evolução, muito consensual) e, finalmente, para o recente Quinta do Noval Vintage (P) 2004 (naturalmente cheio de potência e muito saboroso).

Não é todos os dias que se consegue visitar a Quinta do Noval e nós, também por isso, agradecemos à Rute Monteiro. Nas fotografias, alguns dos Portos provados pela manhã e as vinhas da Noval (com a vinha do Nacional no patamar inferior da fotografia).

domingo, junho 15, 2008

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Quinta do Crasto


Uma visita à Quinta do Crasto é um desafio para os enófilos apaixonados! São tantas as solicitações, sobretudo as de personalidades internacionais, que a família Roquette não tem mãos a medir no que toca a receber visitas. Desta feita, foi a nossa vez, e não nos esqueceremos da maneira como fomos recebidos.

A localização da quinta é soberba e sua vista para o Douro é famosa (quase tanto quanto a piscina no topo...), mas são os vinhos que trazem a justa fama à casa. Após uma visita às instalações, e na sequência da mirada às desejadas "vinha Maria Teresa" e "vinha da ponte", foi tempo de almoço e de provar algumas novidades.

Primeiro, o Crasto (B) 2007, um branco de muito bom nível, com fruta fresca e boca cheia de classe, uma belíssima estreia (a quinta já vinha produzindo vinhos brancos mas este é o primeiro a ser lançado no mercado). De seguida, o Crasto (T) 2007, no seu perfil exuberante de fruta e muito directo na boca. Depois, o Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas (T) 2006 ao seu melhor estilo, quente e muito apelativo; um daqueles vinhos onde nem o ano de 2006 mexe com a qualidade habitual, está a tornar-se um clássico. Depois ainda, a prova de casco do futuro Quinta do Crasto Touriga Nacional (T) 2007, um monocasta de nariz fantástico mas ainda muito fechado na boca. Finalmente, um Quinta do Crasto LBV (P) 1995 a revelar uma complexidade apaixonante e a mostrar que os Porto LBV não filtrados podem evoluir muito e bem.

Em suma, um grande dia, uma grande visita. Agradecimentos ao Tomás Roquette e ao Pedro Almeida. Em baixo, as fotos da casa e da piscina "with a view".
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quinta-feira, junho 12, 2008

Prova especial

Quinta do Bomfim

Este ano, o périplo pelo Douro começou com um almoço na Quinta do Bomfim, berço de muitos vintages e, em especial, do nosso favorito Dow’s. Em ano clássico, entram no lote vinhos de outras quintas da Symington (com destaque para a Quinta da Nossa Sr.ª da Ribeira e Quinta do Santinho), mas a Quinta do Bomfim, mesmo junto ao Pinhão, é uma referência obrigatória para o enófilo posto que está carregada de história e de estórias.

Numa tarde que se iniciou quente, e no jardim de uma charmosa habitação do tipo fazenda indiana de chá, refrescaram-se umas garrafas de Dow’s 20 Anos - já se sabe, um dos melhores tawny 20 anos do mercado - e a conversa pegou fogo. Depois, descida ao rio para breve passeio de barco. Depois ainda, mais visitas à Quinta da Perdiz (Rio Torto) e à Cavadinha (Celeirós), esta última com uma deslumbrante vista para as vinhas da Noval.

Agradecimentos merecidos  à família Symington e ao incansável António Torres. As fotos infra são ambas da Quinta do Bomfim.









terça-feira, junho 10, 2008


No Douro...


A demora na colocação dos últimos textos não tem desculpa, mas tem justificação – a visita anual a alguns dos nossos spots preferidos no Douro, ou seja, aqueles que, em simultâneo, produzem os melhores néctares e revelam o melhor cenário da região.

Este ano, em conjunto com o "núcleo duro" das Coisas do Arco do Vinho, foi vez da Quinta do Bomfim (Symington) junto ao Pinhão, Castro, Noval, Vallado (Corgo), Vale D. Maria (Rio Torto) e Roriz. Poderia ter sido melhor? Não vemos como!

Contudo, uma vez que este blog não trata de reportagens, iremos apostar em brevíssimas descrições das visitas (sobretudo as nossas sensações, mais do que outras coisas) e num apontamento da selecção dos melhores vinhos provados (afinal, o principal para o enófilo). As fotos colocadas, algumas muito bonitas dado o cenário natural, contarão (assim esperamos) o resto.
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PS: Na imagem, a ponte do Pinhão ao fundo (fotografia tirada a partir da Quinta do Bomfim).

segunda-feira, junho 02, 2008



Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001

Aquando do nosso texto do Natal deixámos a dica e o aperitivo (ver aqui). Agora abordamos um pouco mais o objecto – e que objecto!

No início é até um choque menos agradável tanto que é o ataque da excelente madeira em que o vinho estagiou. Apara de lápis, madeira de móvel antigo, espuma de café expresso, enfim de tudo um pouco. Mas este é um daqueles tintos que não pode ser julgado pelo seu ataque inicial, isso seria, aliás, extremamente injusto para o néctar e redutor para o enófilo.

Pois bem, cinco minutos de arejamento em decante (ou um pouco mais em copo largo) bastam para soltar um bouquet absolutamente fabuloso, (ainda) em plena evolução e com muita categoria balsâmica. Complexo na fruta (não muito madura), toda ela muito fresca mas saborosa. Acidez doseada na perfeição e um corpo extraordinário fechado em "apenas" 13º de álcool. Alguns taninos (até da própria madeira...) que ainda marcam uma boca ligeiramente áspera mas igualmente fresca, ampla, recompensadora no que respeita a fruta, acidez e final de boca. Arriscamos: quem não gostar deste tipo de tinto (eg., por ter quase oito anos, por ter menos álcool que o habitual, ou por revelar uma fruta não esmagadora e aromas não facilmente identificáveis) não vai gostar certamente de muitos dos melhores vinhos do Mundo!

Um conjunto que merece reflexão, um expoente do Douro que alia tipicidade da região, um toque clássico e muita patine. Esqueci-me de alguma coisa?

18
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Próximos vinhos: Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004; Dona Maria Reserva (T) 2003; Torais (T) 2005; Quinta do Ameal Loureiro (B) 2006

quarta-feira, maio 28, 2008


Quanta Terra Grande Reserva (T) 2004


Se existisse um prémio ao vinho com o aroma mais marcado pelas referências a cereja e ginja, este tinto seria um dos mais sérios candidatados à vitória. Por outro lado, desde que o provámos praticamente em estreia (ver aqui) o vinho tornou-se mais calmo, apesar de manter uma boca cheia e vibrante. Só que a evolução podia ter trazido mais alguma complexidade sobretudo no nariz... como não a trouxe, mantém-se muito focado nos aromas acima referidos e tem, por isso, a nosso ver, a tendência para se tornar demasiado directo. Muito capaz na boca, vigorosa e saborosa, acompanhou muito bem um rabo de boi no restaurante Orelhas (Queijas).
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Em suma, um belo vinho (mas do Celso Pereira espere-se sempre um pouco mais) a um preço mais que justo, posto que inferior a € 19. Nessa medida, ao invés do que é habitual, a nota final reflete o preço.


17-17,5
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Próximos vinhos: Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001; Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004; Dona Maria Reserva (T) 2003

quinta-feira, maio 22, 2008


Quinta das Marias Encruzado "Barricas" (B) 2006

Nem o ano quente de 2006, nem a escassa produção de 1200 garrafas, impediu que este branco tivesse uma enorme (e merecida) recepção pela comunidade enófila. Se a versão sem madeira primava pela imediata frescura, esta versão com barrica inicia-se com os aromas típicos da passagem pelo carvalho como as referências a café expresso. Tal não impede, todavia, que momentos depois de ser vazado no copo seja a mineralidade habitual da casta do Dão a mostrar o seu valor, terminando com um final cheio e redondo onde amêndoas e nozes disputam a liderança. Aliás, a barrica parece adaptar-se bem ao encruzado, sobretudo com o tempo em garrafa (2 anos parece-nos razoável) e com arejamento através do uso de um decante.

Temos aqui um branco que não se mostra nem fresco demais para o Inverno, nem demasiado pesado para o Verão… é, por isso, um mimo que pode ser bebido em muitas ocasiões. Ah, nem é demasiado caro, a menos de
€ 15 a garrafa, o que se agradece. Para quem não dispensa a opinião de Parker e seus amigos, diga-se ainda que este branco recebeu 90 pontos na Wine Advocate (prova de Mark Squires).

17
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PS: A versão sem madeira mereceu 91 pontos na Wine Advocate, tendo o crítico Mark Squires jurado que o vinho tinha madeira uma vez que era muito redondo e gordo. Afinal, não somos os únicos a ser enganados por vinhos brancos...


Próximos vinhos: Quanta Terra Grande Reserva (T) 2004; Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001; Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004

segunda-feira, maio 19, 2008


Ferreirinha Colheita (T) 1998

Já muito se disse sobre este belíssimo tinto da família Ferreirinha. Quanto a nós, só falta relembrar mais vezes dos velhos tempos que com o nosso avô partilhávamos outros néctares da mesma casa duriense. A finura de um tinto que é tanta que para lhe dar justiça teremos de apelidar-lhe "delicadeza" ou "graciosidade". O bouquet completo e abrangente nos aromas. O final de boca… distinto. Um belo tinto, num grande (talvez no melhor) momento de forma. Falta-lhe alguma coisa para deslumbrar? Falta sim, mas disso não nos apetece hoje escrever.

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Próximos vinhos: Quinta das Marias Encruzado barrica (B) 2006; Quanta Terra Grande Reserva (T) 2004; Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001; Quinta da
Sequeira Grande Reserva (T) 2004

quarta-feira, maio 14, 2008


Casa Burmester Reserva (T) 2004

O grupo "Sogevinus", que engloba marcas como Kopke, Burmester, Gilberts, Cálem e Barros, tem vindo a produzir vinhos com qualidade e a preços que podem ser considerados justos. Entre eles, o Casa Burmester é um caso de sucesso e percebe-se que assim seja. Na verdade, tem "tudo no sítio", e está pronto a beber (aliás, o 2005 também já está praticamente pronto a beber). E "tudo no sítio" significa, neste caso, um tinto com estrutura, alguma elegância, taninos suaves (muito suaves mesmo, para o bem e para o mal) e muita fruta, mesmo no final.
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Um vinho que, quer na colheita de 2004 como na de 2005, e tendo em consideração a qualidade apresentada e o preço pedido (a menos de € 12) será certamente uma das melhores escolhas junto da restauração - i.e., não desaponta na boca nem aleija na carteira! É preciso, como em todos os casos, que não esteja esgotado, ou o restaurante não pretenda ganhar uma comissão desmedida...

Neste caso, optámos por beber em casa a acompanhar um punhado de ossos de cabrito no forno. Bem bom!

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Próximos vinhos: Ferreirinha Colheita (T) 1998; Quinta das Marias Encruzado barrica (B) 2006

sábado, maio 10, 2008


2.º jantar do Comité Vinícola


O segundo jantar do Comité Vinícola (para o primeiro ver aqui) começou com um duelo de alv(b)arinhos. Do lado nacional, um Soalheiro Primeiras Vinhas (B) 2006, do lado de lá da fronteira, um Fillaboa Selección Finca Monte Alto (B) 2005. Infelizmente para nós lusitanos, o ano da colheita e o facto de já levar mais de dois anos em garrafa contribuiu para uma vitória do branco galego. A colheita de 2005 foi muito superior à de 2006 (este muito quente, como é sabido), e os alvarinhos melhoram realmente com algum estágio em garrafa. O Fillaboa (este "Monte Alto" é bem mais complexo do que o "Joven" e mais fresco que o "Fermentado en Barrica", todos da mesma casa) esteve em grande nível, quer de nariz quer de boca, mais fino e elegante que o Soalheiro, este ainda muito preso (como que marcado pela madeira, como eu pensei que fosse mas enganei-me redondamente como podem ver pelos comentários) pelo ano. Enfim, vitória para a Casa de Masaveu. Ambos os vinhos têm um preço abaixo dos 20 € (o português, contudo, como é habitual, um pouco mais caro que o galego).

Depois foi tempo de novo duelo entre Portugal e Espanha, desta feita entre duas regiões com pouco em comum, à parte de serem (e não é pouco...) ambas berço das melhores vinhas velhas da Península Ibéria. De um lado, o famoso Sol LeWitt (T) 2001 do Douro (que saiu em estreia com a revista de prestígio espanhola "Matador"), do outro um Vall Lach Idus (T) 2004 do Priorat. Se este mostrou um nariz incrivelmente original, com o habitual carácter mineral dos tintos da região "blendado", todavia, com um fruto em rebuçado, o que se explica pelas castas utilizadas – desde a típica Cariñena da região (em cerca de 45%), passando pelo Merlot, Cabernet Sauvignon, e ainda Garnacha e Syrah - já o vinho da Niepoort revelou um elegância imbatível, uma fruta de excelsa qualidade e um final de boca de deixar KO muito vinho bordalês. Enfim, um empate será um resultado justo (com ligeiro ascendente do duriense), mas se o Idus primou pela originalidade (precisa contudo de garrafa para ver o que dá), já o Sol LeWitt nos pareceu um Douro clássico na sua plena forma, um Douro de topo! Acresce que é um vinho irrepetível pois os vinhedos que lhe deram origem foram arrancados. Ambos os vinhos são dispendiosos, o espanhol a menos de 50 € e o português acima.

Ainda tempo houve para um Casal Figueira Petit Manseng (B) 2005, outro vinho irrepetível a mostrar-se muito fresco, esguio de corpo mas com complexidade - o clássico toque iodado num fundo floral. Um final de jantar em homenagem a António de Carvalho, o criador do projecto Casal Figueira neste branco da conhecida vinha situada em A-dos-Cunhados que consta que já foi arrancada.

E claro, parabéns ao Cláudio pelo magnífico fundue que revelou ser, uma vez mais, um óptimo "acompanhamento" de vinhos.
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quarta-feira, maio 07, 2008


Novidade: Myo Personal Reserve (T) 2005


Vem do Douro mais este tinto, de cor violácea e aroma fresco a fruta preta. Nariz duriense, sem grandes vestígios da passagem por madeira, mas algo monocórdico. Na boca a mesma sensação de que podia dar bem mais. É gastronómico, tem boa imagem gráfica e tem bom grau (apenas 13.º), mas falta-lhe bastante para ser um vinho realmente interessante. A começar pelo final (trocadilho falhado, bem sabemos...) que praticamente não existe. A menos de € 12 existem outras propostas mais interessantes.
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15,5


segunda-feira, maio 05, 2008


Quinta da Sequeira (R) 2006

Em tese, o ano quente (2006) marca menos os vinhos rosés do que os vinhos brancos. Este rosé da Quinta da Sequeira revela isso mesmo! Mantém-se, a nosso ver, um dos rosés de referência e é o nosso favorito (ver aqui para o de 2005). Notas muito frescas a morango e framboesa marcam um aroma menos floral do que o costume por terras nacionais. O facto do açúcar residual quase não se notar, e o vinho apresentar uma complexidade invejável para o estilo, são outros atributos. O álcool é que podia ser menos, à semelhança de outros vinhos do mesmo produtor...
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A notoriedade deste rosé tem levado a algum aumento (não desejável) do seu preço, mas continua a justificar plenamente os € 7,5 da praça.

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Próximos vinhos: Burmester Reserva (T) 2004; Ferreirinha Colheita (T) 1998; Quinta das Marias Encruzado barrica (B) 2006