sexta-feira, Fevereiro 07, 2014

Prova

Absurdo alentejano (b) 2012


O nome tanto se estranha como cativa. Por detrás do vinho está um enólogo madeirense - Ricardo Clode Botelheiro - e sua mulher, e um casal seu amigo. O vinho é assente na casta Roupeiro, muito difundida no Alentejo e hoje pouco valorizada. Mas a verdade é que o vinho é diferente da maior parte dos brancos alentejanos (mesmo daqueles com Roupeiro...), é mesmo um vinho peculiar e interessante. Na leveza, na definição da fruta, na pureza... 

Um vinho que não se impõe mas que conquista, que termina como começa, de forma subtil. Muito, mas mesmo muito, promissor. Venham mais absurdos, que os há...

terça-feira, Janeiro 28, 2014

Prova

Quinta dos Avidagos Grande Reserva (t) 2008


Blend de Touriga Nacional e vinha velha. Um vinho grande, como aliás sugere o classificativo 'Grande Reserva', sendo a própria garrafa enorme e pesada. Já leva quase 4 anos em garrafa mas ainda se revela preto na cor, muito jovem. Corpo largo, quase colossal, evolução lenta portanto. Dispõe de fruta preta (obviamente madura), em camadas, num conjunto tudo polido também pelo álcool que é elevado.

Temos, sem dúvida, aqui um vinho que é capaz de despertar paixões, pois é particularmente intenso e isso agradará ao público que procura emoções fortes. Por ser ligeiramente doce não é tão gastronómico quanto poderia ser (mais a mais para 2008), mas a verdade é que é um bom representante dos tintos potentes e modernos do Douro, e que ainda durará, por certo, uns bons anos em garrafa.

terça-feira, Janeiro 14, 2014

Prova

Vale da Mata Reserva (t) 2009

Muito interessante este tinto ambicioso de uma região - Serra de Aire - pouco habituada a ambições vinícolas. Um vinho que procura equilíbro entre uma (necessária) visão moderna e uma estrutura clássica. As castas - Aragonez, Syrah e Touriga Nacional - não são típicas da região, mas a região também nunca foi conhecida pelas castas... A estrutura é dura e seca, fresca até e sem excessos (como nós gostamos), mas existe muito sabor pelo meio, madeira a notar-se, e até uma nota achocolatada no nariz.

Um belo tinto, a dar já boa prova mas a poder descansar na garrafeira por mais 3 a 5 anos com a esperança de que as notas a barrica, integrando-se mais no vinho, permitam uma ainda melhor prova no futuro.


quinta-feira, Novembro 28, 2013

Prova

Quinta da Bica Vinhas Velhas (t) 2007 

Muito positivo o conceito de lançar em 2013 um vinho de 2007. O vinho está, por isso, muito acabado, polido e perfeito para consumo.

O estilo é o da região, limpo nos aromas silvestres, fresco com acidez, e elegante. Cativa pelao carácter gastronómico e pouco impositivo. O mesmo é dizer que prova-se - e bebe-se - com prazer. Além disso não é caro - é só virtudes!

A comprar sem hesitações!

sexta-feira, Novembro 08, 2013

EVS 2013

O maior evento de vinhos realizado em Portugal – ‘Encontro com o Vinho e Sabores’ (EVS) começa hoje ao final do dia e prolonga-se até dia 11 no Centro de Congressos de Lx (ex-FIL).

No âmbito das provas especiais, iremos colabor com o Luis Lopes na prova dos tintos de 2003 e, agora a solo, no domingo apresentaremos uma prova de harmonizações de vinhos com sobremesas (pudim abade Prisco, bolo de chocolate, pão de ló, bolo rei e tarte de amêndoa). Apareçam!  

quarta-feira, Outubro 30, 2013

Prova


Domaine du Pegau Cuvée Reservè (t) 2004

Muito representativo da região de Château9duPape, num perfil mais próximo da alta gama do que dos vinhos mais acessíveis, este Pegau é sempre uma boa compra.

A colheita de 2004 começa agora a beber-se bem, com alguns excessos típicos já limados (toque animal e alguma sobrematuração, entenda-se), mostrando-se mais fino. É um portento de sedução à mesa, um dos poucos vinhos do mundo que tanto prazer dá com comida como bebido a solo. Parece fácil, mas não é.

De resto: nariz com prova intensa, sobressaindo camadas de fruta negra e azul, ligeiro couro e muita especiaria. Prova de boca com referência a fruta encarnada, carne, perfil meio-seco, taninos presentes, e final apimentado. 

segunda-feira, Outubro 07, 2013

Prova

Quinta da Touriga-Chã (t) 2007

Mesmo num ano relativamente fresco (claro que o Douro Superior nunca é fresco no Verão...) os Touriga-Chãs revelam-se imponentes na fruta basta, com notas quentes terrivelmente sensuais, fruta em camada, e muito (muito mesmo) polimento. Um dos vinhos com mais textura (em parte do álcool elevado) que conhecemos.

Caro, raro, carismático, e muito apelativo. 

quinta-feira, Setembro 26, 2013

Novidade


Valle Pradinhos (r) 2012

Sempre muito sério, gastronómico e intenso este rosé. A colheita de 2011 foi das melhores que já provámos (neste como, de resto, noutros rosés) sendo que este de 2012 fica muito pouco atrás. Aroma vinioso, prova de boca cheia de força, estruturado e de final largo. Perfeito se acompanhar uma pizza com pepperoni picante e rúcula.

terça-feira, Setembro 10, 2013

De Itália

Castell' in Villa Riserva (t) 2004


Já escrevemos noutro lugar que os Chianti (Toscana) estão entre os nossos tintos favoritos. Os que merecem a classificação de 'clássicos' e, em especial, os 'riserva', são o topo dessa nossa preferência. Revelam notas a fruta muito precisa e bonita, mato, chá-preto, corpo elegante, vinhos absolutamente equilibrados e frescos.

Para quem nunca provou Chianti a sério, não se aconselha este Castell' in Villa Riserva - sempre magnífico na sua sobriedade, seco e austero, com aprumo na ligação gastronómica. Para os demais, a sua prova torna-se indispensável. 

terça-feira, Setembro 03, 2013

Novidade



Quinta do Cruzeiro (b) 2012

Muito fresco e alegre este vinho verde produzido ás portas de Famalicão. Apresenta-se citrino, efusivo, com ligeiro pico e é barato. E pronto! Uma vez que o calor não teima (e ainda bem) em afastar-se, esta é a nossa recomendação.

Existiu no passado (colheita de 2011) uma 'selecção da enóloga' que era interessante, mas ligeiramente adamado, e um 'selecção do 'enólogo' que perdura (colheita de 2012) e ainda é melhor por ser mais seco e crispy

quarta-feira, Agosto 21, 2013

Prova


Brancos 2012 da Quinta do Gradil


A região de Lisboa tem, ao contrário do que possa pensar, uma clara vocação para a produção de vinhos. Beneficia de clima propício, permite produções elevadas, e a proximidade à capital é uma mais-valia. Nos últimos anos, sobretudo nas zonas com maior influência atlântica, temos assistido à produção de bons brancos, o que se aplaude. É o caso da Quinta do Gradil, próxima do Bombarral em plena região do Oeste.

Provou-se três brancos. O varietal Viosinho 2012 foi aquele que menos se identificou com a casta, mas não decepciou, pelo contrário. Gordo na prova de boca, muito tropical e floral no nariz, é o mais apto a dias menos quentes, ou para gastronomia mais pesada (arroz de peixe, por exemplo).

Por oposição, o varietal Verdelho 2012 mostrou mais acidez, quase crocante, e uma prova de nariz menos exuberante do que a maioria dos Verdelhos nacionais (sobretudo do Alentejo). Muito equilibrado e jovial!

Mas melhor prova ainda deu o Sauvignon Blanc + Arinto 2012: claramente marcado no nariz pela casta francesa, revelou uma acidez vibrante na prova de boca, com ligeiro mineral, e um final boca muito fresco. Muito interessante!


sábado, Agosto 17, 2013

Prova

Olho de Mocho (r) 2012
 
A gama Olho de Mocho (Herdade do Rocim) é de confiança, dos colheita aos reserva, passando pelo rosé. Na colheita anterior, o rosé estava muito interessante com uma bela prova de boca (ver aqui). Este - de 2012 - também está bom e recomenda-se. Ligeiramente menos generoso na prova de boca, nomeadamente com menos fruta, apresenta-se um pouco mais seco. Nada contra a secura nos rosés, mas o vinho fica a meio caminho entre um rosé saboroso e estival e um rosé sério a pedir comida...
 
Talvez seja uma nova tendência; talvez não. Em qualquer caso, a verdade é que temos aqui mais um boa edição. Os nossos rosés estão cada vez melhores!  

domingo, Agosto 11, 2013

Prova

Vila Santa Reserva (b) 2012
 
Com uma invulgar combinação de castas (Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc), mas que revela a intuição de João Ramos estar na frente das tendências, este branco reserva cativa pela diferença. Exótico e fresco na prova do nariz, está contudo mais reservado na prova de boca, com mais peso e estrutura, sentindo-se a madeira por onde parte estagiou.

Se no nariz é refrescante e elegante, na boca tem porte e aguentará pratos de meia-estação... Percebe-se o contributo de cada casta: o Sauvignon aporta exotismo, o Alvarinho emprega o perfil fresco aromático e estrutura na prova de boca, e o Arinto a acidez necessária.
 
Um vinho branco muito interessante, super polivalente, que não representando a tipicidade alentejana (de onde provém), mostra-se moderno, seguro e com muito valor.

sexta-feira, Agosto 02, 2013

Novidades

Novidades do Cidrô

Fomos até ao Palácio do Cidrô, em São João da Pesqueira, para provar as novidades da quinta com o mesmo nome. Propriedade inserida no grupo Real Companhia Velha, tem vindo a centrar a criação de experiências, monovarietais e bivarientais, com destaque para brancos pois a quinta está em altitude, a 600 metros acima do nível do mar. 
Vejamos:

O ‘Quinta de Cidrô Alvarinho branco 2012’ é uma inovadora proposta, mas já é conhecida faz alguns anos, sendo um vinho com muito mercado de exportação. Esta colheita de 2012 está em grande nível, talvez o melhor de sempre, fresco e muito fino. Um bom Alvarinho fora de Menção e Melgaço.

Muito bem estiveram também outros 2 brancos (neo-)clássicos do Cidrô, caso do Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2012, muito bem, sem excessos e bastante limonado, e o belíssimo Quinta de Cidrô Chardonnay 2011, um branco cheio de subtileza, com bom corpo mas também com acidez.

Outra novidade, e mais uma inovação, é o monovarietal 'Quinta de Cidrô Gewürztraminer 2012'. Perfil seco, com as características da casta bem vincadas a nível aromático, mas com uma prova de boca com algum carácter dos vinhos brancos do Douro, nomeadamente na estrutura. Para amantes da casta alsaciana ou para acompanhar comida oriental condimentada.

Também novidade, o ‘Quinta de Cidrô rosé 2012’, bem feito, leve e agradável, é uma boa aposta comercial, apesar de ter sido a novidade que menos nos entusiasmou ao nível da prova.

O melhor estava reservado para o final, quando se provaram vinhos da casa com alguma idade, a provar a boa evolução dos vinhos do Cidrô. Um Chardonnay de 1997, com saúde e força, algum mineral, levemente oxidado mas com a dar óptima prova - grande surpresa. Um atraente Pinot Noir Reserva 2005, saboroso, redondo mas agradecia um pouco mais de acidez. E um fantástico Cabernet/Touriga 2001, ainda fechado, como novo (!), mas a dar indicações de ser um néctar floral, fresco e preciso, e com muitos anos pela frente. Ainda se provou o topo de gama Celebration 2010, que ainda precisa de tempo em garrafa.

terça-feira, Julho 23, 2013

Prova especial



Barros 100 anos


Foi uma prova imponente! Impecavelmente organizada no restaurante de um novo hotel ao Largo do Carmos (Lisboa). De uma assentada, todos os melhores Porto Colheita da Barros do século passado. Todos muito bons, e alguns memoráveis mesmo. Denominada pelo Grupo Sogevinus como «Prova do Talento Português» foi efectivamente um evento em que ficou, mais uma vez, demonstrado que o nosso país, e os nossos enólogos, fazem alguns dos melhores vinhos generosos do planeta.

Todos muito bons, como se disse (e, de resto, como seria de esperar, dado que a Barros é uma das maiores especialistas no estilo Colheita), mas com destaque, ainda assim, para o incrível Colheita de 1944 (um exemplo de um Porto Colheita, compacto e preciso mais ligeiramente austero no estilo) e, no patamar logo a seguir, o Colheita de 1960 (explosivo e muito sedutor) e o esmagador Colheita de 1935 (todo em concentração como é normal para um vinho envelhecido oitenta anos em cascos de madeira).

Também se provou, e aprovou, a Edição Especial 100º Aniversário da Barros, vertida de uma garrafa muito bonita e moderna, que será vendida a um preço que, não sendo propriamente acessível, é quase modesto ao lado dos Colheitas acima referidos.



sexta-feira, Julho 05, 2013

Novidade

Quinta da Boavista troca de mãos

Não é costume colocarmos notícias (apesar de não termos uma boa razão para tal...), mas esta é, mais a mais para os amantes do Douro, quase irresistível.


Depois da primeira investida na Quinta de Covela, inevitável para a sua recuperação e para os novos vinhos que já estão no mercado, a mesma dupla de investidores estrangeiros direcionaram as suas baterias à Quinta da Boavista, entre a Régua e o Pinhão defronte da Quinta do Seixo (Ferreira).


Muitos de nós já bebemos vinhos desta propriedade magnífica mas em blends da casa Ferreira, posto que não eram engarrafados enquanto vinhos de quinta, seguindo para lotes com outros vinhos. Agora, no futuro próximo, poderemos conhecer os vinhos - tintos certamente - directamente das vinhas da propriedade. A acompanhar de perto...

quinta-feira, Junho 27, 2013

Loureiro under the rocks

Agora que o calor finalmente chegou, aconselha-se em força os brancos, e nada melhor do que verdes frescos e leves. Na foto à direita encontram-se alguns dos melhores Loureiros no mercado: Muros Antigos, Quinta do Ameal, Royal Palmeira. Mas muitos outros existem e cada vez melhores!

sexta-feira, Junho 21, 2013

Novidade

Duorum O.Leucura Cota 200 (t) 2008
Duorum O.Leucura Cota 400 (t) 2008

Lançar dois vinhos da colheita de 2008 em meados de 2013 já é uma provocação ao mercado. Lançar um vinho com o nome comercial de 'O.Leucura' (nome técnico de um pássaro conhecido por chasco-preto), mais ainda. E lançar, não um, mas dois (!) 'O.Leucura' em simultâneo, provenientes de blends de vinhas de diferentes altitudes (de 200m e 400m, respectivamente) é quase uma loucura... será?

Mas vamos às notas de prova. Provados lado a lado na espectacular Quinta de Castelo  Melhor - a actual base do projecto Duorum sita entre Foz Côa e a vila de Castelo Melhor que empresta o nome à quinta. 

  • O Cota 200 é, dos dois, o mais profundo nos aromas, com muita fruta negra, sedutor e a dar prova generosa na boca, incluindo um final em potência. Está também mais compacto e fechado do que o seu irmão de maior altitude e, a nosso ver, com boas expectativas de evolução.

  • O Cota 400 é indubitavelmente mais fresco, com um aroma mais limpo, onde a fruta bonita se mistura bem com referência florais típicas da Tourigas (Franca e Nacional). Tem uma prova exuberante, e está muito apetecível desde já. Bebido agora está a dar uma prova mais acessível do que o irmão de menor altitude. 

quinta-feira, Junho 20, 2013

De Espanha

Ganko El Cabezola (t) 2009


Mais uma prova do que Rioja - e, sobretudo, Rioja Alta - é capaz de produzir, desta feita num registo totalmente diferente do habitual, ainda que de moderna enologia.

Quem o produz é Olivier Rivière, vitivinicultor francês com formação em Bordéus e Borgonha. Muito fresco, gastronómico, com elegantes notas a fruto encarnado bem misturadas com referências salinas e iodadas muito interessantes, num conjunto de grande equilíbrio e boa complexidade.

Um autêntico mimo feito a partir de Tempranillo e Garnacha e envelhecido em barrica de carvalho por 12 meses. Não tem, por ora, importador em Portugal.

segunda-feira, Junho 17, 2013

Novidade

Herdade do Rocim (t) 2010


Mais uma edição deste alentejano 'todo-o-terreno' (para o 2009 ver aqui). Bonita fruta no nariz, corpo médio a beber-se muito bem. Sem muita extracção, sem muitos excessos aliás, está um tinto agradável e a deixar saudades. Gastronómico e generoso na prova, não há como não gostar. O preço também ajuda, bem como a facilidade em o encontrar na distribuição. Assim sendo, não é preciso escrever muito mais...