quarta-feira, julho 04, 2007

Um dia na Quinta S. Luís

Ao Douro voltamos todos os anos. Existem sempre novos lugares a descobrir, quintas, vinhos. Amigos que ficam. Tudo no Douro parece mágico, e tem outro tempo, outro sabor, outra intensidade. Passear no Douro, sobretudo com amigos, é daquelas tarefas que não cansam e cujas memórias não desaparecem. Ir ao Douro é saber que vamos voltar em breve. Que vamos fazer tudo para, em breve, lá voltar. Por isso, também nós lá voltámos...

Ainda meio acordados saltámos para o jipe e, pouco depois de passar a ponte no Pinhão (vínhamos de Sabrosa), curvámos à esquerda e subimos a primeira rampa da Quinta S. Luís. Propriedade do grupo "Sogevinus" que passou a deter, com a aquisição no ano passado da "Barros, Almeida & Ca", as marcas Cálem, Kopke, Barros (além de outras que já detinha como a Burmester), esta é uma quinta de grande dimensão e com abundância de micro-climas.


Após uma apresentação às vinhas (sempre indispensável nestas ocasiões), e sob um sol fantástico, foi ocasião para algum resguardo ao fresco e muitas provas na adega:
Primeiro um Cálem LBV (P) 2003, opaco, repleto de fruta e um carácter lácteo impregnado, fácil e acessível (na altura pensei num 15,5).
Depois (e eram ainda onze da manhã!), um Kopke Vintage (P) 2005, também opaco, misterioso no início, maior acidez e taninos do que o LBV e um carácter próximo da sobrematuração que me lembrou o 2003 (o campeonato dos vintages é, como sabemos, difícil e este Kopke é para se beber novo, pensei num 17).
Veio então um Burmester Tawny (P) 30 Anos, sublime com notas a laranjeiro, muito fino e marcante, mas com um final menos persistente do que esperávamos (16,5 pareceu-me acertado).
Depois, um Barros Colheita (P) 1978, ligeiramente mais escuro que o anterior, com um nariz completamente exótico, boca cheia e untuosa, final interminável (17,5 sem qualquer exagero).
Depois de tudo isto (batia quase o meio dia e meia) era de tempo de descansar... enjoy the view num terraço maravilhoso (e a view é para a Quinta do Crasto e para a Quinta Nova!). Tempo (temos sempre tempo) para provar um Curva Reserva (B) 2006, um branco com nariz interessante, delicado e muito subtil, boca citrina mas muito curta (um belo mouthwash diria John Graham… talvez 15).
Com o almoço já servido (um arroz de pato bem consistente) tivemos um dueto curioso. Lado a lado um Kopke Reserva (T) 2003 – seguro de si, muita fruta, moderno, pronto a beber com taninos moldados – e um Burmester Reserva (T) 2004 – mais fresco que anterior, vinioso, rústico, é um vinho sério que merece garrafa (16,5 aos dois e "não se fala mais nisso").
Mas o melhor ainda estava para vir… um Burmester Colheita (P) 1955… palavras para quê? Para dizer final interminável? Boca de veludo? Acidez perfeita? Nota? 18.
*
Tudo isto só foi possível graças ao António Montenegro e à sua equipa que nos receberam muito bem. A eles muito e muito obrigado.
Quanto a nós, vamos voltar ao Douro claro. E quem sabe ainda este ano...


Fotos (de acordo com os ponteiros do relógio): Burmester 1955 e vista do terraço; caminho para a Quinta; adega equipada; Francisco (um dos enólogos da empresa).







3 comentários:

AJS disse...

Caro Amigo. É imperdoável que andes à volta de minha casa e nem um aceno para nos rever-mos. Um abraço. AJS

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Tens razão meu amigo. Claro.

Mas (e temos sempre um "mas"), foi tudo combinado por outros amigos meus e mantive-me com grupo. Para mais, faz um mês que perdi o meu anterior telemóvel com os meus n.ºs todos (incluindo o teu) e por isso não sabia como te contactar.

Na esperança que aceites as estas desculpas, leva um abraço meu

Nuno

Rodrigo disse...
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