sábado, outubro 24, 2009


Independent Winegrowers Association

São conhecidos por IWA, mas ninguém duvida que são sobretudo(re)conhecidos como a associação dos produtores vinícolas Nuno e Pedro Araújo (Covela e Ameal, respectivamente), Luís Pato, Alves de Sousa (pai e filho), João Pedro Araújo (Casa de Cello) e Luis Lourenço (Quinta dos Roques). São 6 produtores espalhados essencialmente por 5 regiões: Vinhos verdes, Entre-Douro-e-Minho, Bairrada/Beira, Douro, e Dão. Em comum têm o facto de produzirem excelentes vinhos de "terroir" (dos melhores em cada região) e uma atitude comercial serena mas ambiciosa. Para além disso, "são malta muito afável"...

Foi pois num final de manhã solarengo, na adega de Luís Pato (que continua a não passar "fora de moda"), que provámos alguns dos melhores vinhos destes produtores independentes (mas associados). Do provado, que não foi assim tão pouco, ficou-nos na memória:
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a) os minhotos Ameal Escolha (b) 2007 – directo mas, felizmente, não exuberante, discreto na boca e final composto mas tranquilo –, e o Ameal Escolha (B) 2004 – a prova de que estes brancos sabem envelhecer invulgarmente bem, com charme, de tique fino e crocante, muito mineral.

b) também guardamos na lembrança dois Covelas (não nos cansamos dizer que é uma das Quintas mais bonitas e floridas que conhecemos), uma versão rosé – Palhete (R) 2007 – com belíssima acidez e de perfil austero, enfim um rosé amplamente gastrómico, e o Covela (B) 2008 que, apesar de fechado no nariz, revela já uma prova de boca de grande nível.

c) do duriense Alves de Sousa, destacou-se o melhor Reserva Pessoal branco que já provámos, desta feita da colheita de 2005, bem como o elegante e potente Quinta da Gaivosa Reserva (T) 2005, uma marca que não para de ascender qualitativamente.

d) tempo ainda para os vinhos de Luís Pato, com realce para o espumante Vinha Formal (Esp.) 2007, seco e já com significativa complexidade, mas também para a nova edição de um dos vinhos mais aguardados deste produtor, o Quinta do Ribeirinho (T) 2007, ainda jovem a necessitar de garrafa, de perfil borgonhês e muito complexo.
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e) Do Dão, o Quinta da Vegia Reserva (T) 2005, um dos melhores tintos do Dão, a nosso ver, um dos poucos a combinar potência, elegância e utilização não esmagadora de Touriga Nacional. Da mesma região, provou-se e merece destaque o Quinta dos Roques Reserva (T) 2006, um belíssimo blend da região.

Até à próxima!

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PS: Na fotografia, no almoço após a prova, temos Tamlyn Currin (Jancis Robinson Team), ladeada por João Pedro Araújo (esquerda na foto), Luis Lourenço (à direita na foto) e Domingos Alves de Sousa (em pé).

segunda-feira, outubro 19, 2009

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Quinta do Tedo Savedra vintage 2007

"Bom, bonito e barato"... calha bem esta expressão tão popular junto dos comerciante neste vintage da Quinta do Tedo. E é sempre positivo ver um "terroir" de excelência a produzir, de forma séria, outra coisa de não Portos ruby e tawnies novos (provem, já agora, os tintos DOC deste quinta, é que nunca estiveram tão bons). Sim, a Quinta do Tedo - no cruzamento do Tedo e do Douro, de costas voltadas para a mediática Quinta de Nápoles - está com novo fôlego e Jorge Alves (o enólogo, também conhecido pelos tintos Quanta Terra, em parceria com Celso Pereira) em grande momento de forma!

No copo apresenta-se absolutamente preto (dos mais negro que já encontrámos), de pendor químico, muita tinta da china, concentrado, vegetal seco, e fruta negra esmagada, ligeiramente linear. Já a boca está mais fresca, elegante, quase polida, mas ainda assim ligeiramente seca e com final robusto e saboroso. Para o futuro, falta apenas definição no estilo: mais brutal (como sugere o nariz) ou mais delicado (como confirma a boca).

Muito bom, sobretudo tendo em consideração o preço, abaixo dos €40. Uma marca a acompanhar nos Portos (mas também nos DOCs).

17


Próximos vinhos: Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim (T) 2005; Arundel (T) 2007

terça-feira, outubro 13, 2009

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Quinta do Vallado Moscatel Galego (B) 2008

(Acreditamos que) O leitor estará de acordo connosco quanto ao facto de não ser comum encontrar um branco monovarietal do Douro. A par de uma ou outra experiência com Viosinho (no Baixo e Cima Corgo) ou Rabigato (no Douro Superior), a grande maioria dos brancos durienses resultam, efectivamente, de lote de várias castas. O Vallado sobre o qual vamos escrever não é assim e, mais a mais, é produzido a partir de uma casta pouco conhecida pelos consumidores, o Moscatel Galego.

A característica essencial da casta Moscatel Galego é a sua exuberância, sobretudo na vertente aromática, existindo controvérsia no seio enófilo: para alguns, é uma virtude encontrar uma "prova de nariz" tão evidente e característica, sem complexidades exacerbadas; para outros, é uma carência resultar um vinho linear centrado, por norma e maioritariamente, na componente frutada, pelo que é uma casta para entrar em lote.

Quanto a este Vallado Moscatel Galego, resultante da colheita de 2008, importa dizer que se apresenta com fruta tropical e notas doces (tipo fruta cozida) no nariz, mas tudo longe de maçar ou enfadar com exageros na fruta - aliás, tem mesmo bastante frescura no copo. Na boca, mantém-se amigo do consumidor, limpo, directo, relativamente encorpado e muito saboroso. O final de boca também se presta ao sabor, com ligeiras notas adocicadas que garantem persistência no palato. Nada vegetal. Pouco mineral.

É, sem dúvida, o melhor Vallado Moscatel Galego que já provámos, aquele com melhor equilíbrio entre fruta e frescura. O seu estilo intenso e, simultaneamente, fresco, permite-o acompanhar várias pratos (das saladas às carnes brancas) e o seu preço não magoa.

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Próximos vinhos: Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007

sexta-feira, outubro 02, 2009


Athayde Grande Escolha (T) 2007

Um novo produtor do Alentejo - Herdade da Raposinha - e mais um bom exemplar da nova geração de tintos alentejanos. Nariz complexo, com as principais castas (Syrah e Alicante Bouschet) a "aparecerem" apesar da madeira evidente no primeiro impacto e das referências a chocolate e doce de leite num segundo momento. Boca potente, com taninos (da madeira?) fortes, fruta madura mas ainda escondida pelo estágio de 12 meses em barrica. Passada uma hora revela notas a café e algum vegetal seco. Final de boca médio mas saboroso (talvez da Syrah...) e agreste (talvez do Alicante Bouschet...).
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Tudo num registo internacional mas, simultaneamente, com um lado rústico português também. Ou seja, um vinho do Novo Mundo com sotaque alentejano. Mais uma boa estreia de um novo produtor alentejano. A provar e consumir com carnes encarnadas pela frente.
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16,5 - 17

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Próximos vinhos: Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007

domingo, setembro 27, 2009

Feiras de Vinhos: ECI & Continente

Aqui ficam as nossas sugestões de compras após a visita a dois hipermercados. A euforia das Feiras de Vinhos já passou é certo, mas em "tempos de crises" continuam-se a fazer bons negócios e talvez seja esta a melhor altura para açambarcar. Vejamos:

ECI
  • Aneto Reserva (B) 2008 a €11,95 - é, a nosso ver, um grande branco a um grande preço, criação de Francisco Montenegro (Qta Nova e Bétula), pelo que não hesite em comprar;
  • Graínha (B) 2008 a €10,45 - a nosso ver, está um dos mais vibrantes brancos durienses no mercado (mais um de Francisco Montenegro), fácil e descomplexado com acidez muito viva e ligeiramente crocante;
  • Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2008 a €5,49 - este é já um clássico do universo "Dão Sul/Global Wines", sempre um campeão na RPQ e cada vez com menos madeira saliente (o que nos agrada);
  • Quinta do Infantado Reserva (T) 2007 a €22,50 - será possível este preço (?); este não o vimos na prateleira, apenas no catálogo (começamos a duvidar se o preço estará correcto...), mas a ser verdade vale comprar uma caixa.

Continente
  • Quinta do Cerrado Encruzado (B) 2008 a €5,49 - um 100% Encruzado de primeira linha, extremamente mineral mantendo boa RPQ, uma marca que tem vindo a crescer junto do público (está mais barato do que no ECI);
  • Herdade do Meio Garrafeira (T) 2004 a €15,99 - mais uma vez aparece este tinto a preço de saldo, um bom vinho (mas não excelente) de um projecto que "deu as últimas" (ao que tudo indica); vale muito a pena experimentá-lo a este preço.

quarta-feira, setembro 23, 2009

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Valle Pradinhos (B) 2008

A invulgar composição de castas, a frescura e limpidez de palato, e a manutenção, ano após ano, de uma qualidade significativa e preço estável, são tudo características do vinho sobre o qual vamos escrever (ver aqui e ali para colheitas anteriores).

O facto do "estilo" deste vinho branco transmontano se manter constante independentemente da colheita é, sem dúvida, um atributo, sobretudo num país habituado a variações na qualidade das marcas (talvez seja o lado germânico de Rui Cunha, enólogo responsável por este vinho).


Contudo, a nosso ver, esta versão de 2008 está ligeiramente diferente: está mais vidrada, mais mineral, mais contida, mais séria enfim. É certo que, à semelhança de anos anteriores, mantém a expressividade floral da Gewürztraminer na prova do nariz (secundada pela Riesling e Malvasia Fina), mas mesmo esse carácter floral encontramos mitigado em relação a anos anteriores beneficiando de maior presença de notas minerais. É certo que, à semelhança de anos anteriores, existe um prolongamento final na boca ligeiramente adocicado, mas neste ano está mais austero e saboroso.

Nós, ao invés de outros certamente, preferimos esta versão do Valle Pradinhos branco, achamo-la mais versátil e com mais garra. Aos consumidores, todavia, caberá a palavra final. Em suma, de nós para nós, o Valle Pradinho branco está igual a sempre, mas um pouco mais ao nosso gosto...

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Próximos vinhos: Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005

quinta-feira, setembro 17, 2009

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Conventual Reserva (B) 2007

Aqui está um vinho que nos agradou subjectivamente. Isto é que, na ausência de eloquências, revelou um conjunto de atributos que muito nos agradam.

Esteve fresco, tanto na prova de nariz como na de boca. Mostrou garra na boca com fruta branca de qualidade. E esteve simples e directo, sem aquelas "complicações" e "sofisticações" que, quando mal trabalhadas e mal harmonizadas, (só) causam confusão no momento da prova e do desfrute.

Foi assim: fresco, com fruta, muita garra e descomplexado. Parece fácil, não é? Pois a este preço não conhecemos muitos.

Na versão de 2008, que ainda não provámos, substituiu-se o tradicional rótulo de cortiça por um de papel prata com letras pretas (para a versão tinta, o rótulo é dourado com letras pretas, e faz lembrar mais o antigo). A ver vamos, em breve, se o estilo também cambiou...

16,5


Próximos vinhos: Valle Pradinhos (B) 2008; Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005

segunda-feira, agosto 24, 2009

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Prova de tintos topos de gama do Alentejo

Não se recusa uma prova aos tintos topos de gama do Alentejo... é algo que não se faz, é um convite que não merece um "voltar costas", é uma proposta que não pode ser ignorada. Não recusámos, pois claro.

As regras eram simples: 12 tintos alentejanos topos de gama ou "super premium" de colheitas relativamente recentes (a grande maioria de 2004 e 2005), e três momentos diferentes de prova - o primeiro, imediatamente após abertos; o segundo, após uma hora sem decantar; e o terceiro, após duas horas e a acompanhar comida típica da região. Notas telegráficas, como se impõem:

Quinta do Mouro Rótulo Dourado (T) 2005: Fruta madura e muito mineral no nariz, tudo com muita potência e intensidade aromática. Boca jovem, com muita fruta mas não excessivamente madura, cheio, pleno de complexidade e de sabor. Um vinho enorme, de taninos de ferro e com um grande futuro – foi o vencedor inequívoco da prova.18++

D. Maria Reserva (T) 2005: Muito bem no nariz, complexo e sedutor, com muitos laivos florais e fruta definida. Boca acetinada, taninos doces, fruta gulosa mas não enjoativa. Ganhou ritmo durante a prova, e o tempo no copo só lhe fez bem. Acabou em grande forma!17,5+

Herdade do Esporão Garrafeira (T) 2005: Belo nariz, mesclando fruta e mineral, madeira e notas vidradas. Complexo e saboroso na boca, mais fino e elegante no estilo do que algumas bombas em prova. Melhorou muito no copo, sobretudo a acompanhar refeição onde mostra ter vocação. 17,5+

Zambujeiro (T) 2004: Muito intenso no nariz, com a Touriga em grande forma e fruto muito maduro em camadas, com creme de leite e chocolate à mistura. Grande boca, intensa mas curiosamente aveludada e de taninos doceis. Uma bomba muito sedutora, quase demolidor no sabor, para os amantes dos super-charges! 17,5

Cortes de Cima Reserva (T) 2004: Complexo e muito sedutor no nariz com fruta negra de excelsa qualidade e fumados da madeira. Mantém o perfil na boca, muito saboroso, taninos perfeitos que não se impõem, cheio e largo no copo. Só não foi perfeito por não ter melhorado com o passar do tempo. 17,5

Mouchão (T) 2003: Começa verde no nariz, com notas a couro à mistura e fruta encarnada tímida. Na boca está fresco, com boa complexidade e a fruta mostra-se mais. Melhorou muito no copo - foi o vinho que mais melhorou durante a prova -, com cambiantes mentoladas e fruta quase madura. Grande evolução durante toda a prova e fantástica aptidão gastronómica. 17++

Vale do Ancho (T) 2004: Bom nariz, mineral e vidrado, algum grafite também. Saboroso na boca, potente com taninos bravos, mas não cheio nem opulento. Óptimo final de boca com matizes mentoladas e grande apidão gastronómica. 17

Paulo Laureano Alicante Bouchet (T) 2005: Nariz original e diferente, mas algo "complicado" por ser verde e pouco expressivo, ao qual parece faltar precisão no ataque. Muito fresco e taninoso na boca, está contudo de difícil harmonização com comida. Irá evoluir bem em garrafa e agradará, por certo, aos fãs da casta. 16,5+

Casa de Santa Vitória Reserva (T) 2005: Muito floral no nariz, com fruto doce doce ligeiramente enjoativo. Na boca mostra fruta madura, taninos correctos, mas não ganhou com o passar do tempo. Evidenciou-se pouco face os restantes vinhos em prova e não marcou a diferença apesar da qualidade mostrada sobretudo na boca e na componente frutada. 16,5
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Malhadinha (T) 2006: Nariz típico da casa, com notas a rebuçado "floco de neve", floral e fruta derivados da Touriga e da Syrah (quase não se nota o Alicante). Boca bem construída, elegante, cheia e sem falhas, mas algo monótona. Boa qualidade apresentada pelo conjunto, mas falta chama. 16,5

Monte da Cal Vinha Saturno (T) 2004
: Muitas notas a verniz e alguma frescura balsâmica no nariz. De resto, muito couro, notas animais em abundância e sensação de fruta algo "queimada". Um vinho com um registo diferente, talvez num momento de forma pouco feliz, sendo certo que ambas as garrafas em prova estiveram exactamente iguais. 16

Quinta do Carmo Reserva (T) 2004
: Sensações imediatas a madeira no nariz, e alguma percepção a acidez e a etanol. Boca algo "dura", com taninos secos e pouca fruta. Final de boca inexpressivo. Sem chama, e muito abaixo do esperado. 16


PS I: Esta prova inseriu-se num périplo de 3 dias e meio de provas em diversas regiões do país e só foi possível graças à Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, com destaque para a presidente Dora Simões e manager Tiago Caravana, e ao amável convite - e excelente organização - do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).
PS II: As fotos foram tiradas e cedidas pela provadora Tamlyn Currin (Jancis Robinson Team) a quem, naturalmente, muito agradecemos.


quarta-feira, agosto 12, 2009


Vinhos do Palace Hotel Bussaco

Existem provas de vinhos e existem provas de vinho! Uma daquelas provas que vamos procurar não esquecer realizou-se há bem pouco tempo em plena adega privada do Palácio Real Hotel do Bussaco.

São muitas as estórias a propósito dos vinhos do Bussaco criados por Alexandre de Almeida, fundador dos Hotéis Alexandre de Almeida no início do século passado. E são muitas também as estórias sobre a famosa adega do hotel construída porque o seu fundador entendia que, tal como qualquer castelo (château) europeu, o Bussaco também deveria ter a sua própria adega. São, de facto, muitas as estórias da história deste hotel palácio real, mas acreditem que, na verdade, a realidade consegue suplantar a mais novelesca descrição desse local quase mítico.

Um dos aspectos que mais contribui para o quase mito em redor dos vinhos do Hotel do Bussaco é o facto da tradição na sua elaboração ser levada extremamente a sério. Não admira, por isso, que ao longo de um século de existência se tenha mantido o modo de vinificação, a escolha das melhores uvas das castas regionais típicas da Bairrada e do Dão (dado que o Bussaco se encontra em plena zona de fronteira entre a Bairrada e o Dão), a vinificação em madeira e sem filtragem, o estágio do vinho em madeira, a lavagem manual das garrafas com areia do rio, e mesmo a manutenção do rótulo (lindíssimo, vide foto de cima) durante os últimos 80 anos.

Acresce ao respeito pela tradição, a prática singular da manutenção de uma reserva enorme de garrafas de cada colheita. Por isso, não é difícil imaginar a quantidade vastíssima de garrafas existentes na adega. Aliás, são tantas as garrafas na adega, e esta é tão vasta em dimensão e altitude, que são muitos os vinhos de uma mesma colheita guardados em diferentes locais e em diferentes altitudes. Não é, pois, de espantar verificar-se a excentricidade de se encontrar dois ou mais bons vinhos da mesma colheita com diferenças significativas na prova posto que foram armazenados em locais e altitudes muito diferentes, sujeitos a diferentes níveis de temperatura, de humidade e de luminosidade. Mas essa, mesmo para o viajante-enófilo mais experimentado, é apenas uma de muitas surpresas que o aguardam.

A outra surpresa é a de comprovar que as garrafas mais antigas datam de 1923 e que estas, segundo os responsáveis do hotel, ainda se encontram bebíveis. E igualmente notável é o facto de se encontrar na lista de vinhos do restaurante do hotel quase todos os vinhos brancos e tintos do Bussaco a partir de 1944 e 1945 - algo verdadeiramente único no panorama nacional.

Mas talvez a maior surpresa seja o próprio vinho do Bussaco, ou melhor, os vinhos guardados e provados naquele ambiente único. Vinhos históricos já, com os inevitáveis bouquets tão evoluídos quanto amadeirados, acompanhados de finais de boca intermináveis pelos quais (ainda) suspiramos. Não conseguimos evitar, todavia, a injustiça de elogiar apenas alguns desses néctares em detrimentos de outros, também eles majestosos. Destacamos, assim, o encanto do Bussaco Reserva (B) 1958 com as suas persistentes notas a verniz; mas também as subtis sensações aromáticas a café presentes no delicado Bussaco Reserva (T) 1959; sem, por um momento, olvidar a juventude da prova de boca do impressionante Bussaco Reserva (T) 1983 e, em especial, as suas imponentes referências a couro no nariz; e claro, a fruta gentil da edição especial "Vinha da Mata" do Bussaco Reserva (T) 2001 e, "last but not the least", o inebriante perfume a mel de acácia do Bussaco Reserva (B) 2002. São, enfim, vinhos que não se esquecem. Foi, também e sobretudo por isso, uma prova que não esqueceremos...

PS I: Esta prova inseriu-se num périplo de 3 dias e meio de provas em diversas regiões do país e só foi possível dada a gentileza de Alexandre de Almeida, presidente do grupo Hotéis Alexandre Almeida (AA), e o amável convite - e excelente organização - do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).
PS II: As fotos foram tiradas e cedidas pela provadora Tamlyn Currin (Jancis Robinson Team) a quem, naturalmente, muito agradecemos.






quarta-feira, agosto 05, 2009


Vale d’ Algares

Projecto relativamente recente mas já com significativa projecção mediática, sito na região denominada hoje de Tejo, mais propriamente em Vila Chã de Ourique. Em poucos anos, Vale d’ Algares afirmou-se em diversos campos, quer através de uma gama de vinhos relativamente diversificada, quer como uma referência de design a respeito da sua adega, quer ainda no seio do desporto equestre (actividade paralela à produção de vinhos). Em prova temos o segmento Guarda Rios, todos da colheita de 2007, o colheita tardia também de 2007, e ainda duas novidades o Vale D’Algares Selection (B) 2008 e o Vale D’Algares Selection (T) 2008.

Guarda Rios (R) 2007
Feito a partir de Syrah, Touriga Nacional e Aragonês, mostra um nariz reservado com referência a fruta madura. Todavia, falta, ao conjunto, maior intensidade aromática. Na boca, apresenta-se com corpo, e nota-se que tem um cariz sério sem tiques de maturação excessiva ou de inadequado açúcar residual. No todo, temos aqui um rosé sério e capaz, com alguma vocação gastronómica. 15,5

Guarda Rios (B) 2007
No nariz, e à semelhança do rosé, está pouco exuberante, a fruta aparece mas só timidamente – não parece ser defeito, antes feitio. Boca de entrada agradável, fresca, com acidez franca, mas final curto. Um branco com um perfil menos pesado em relação a alguns concorrentes da região e, por isso, a merecer destaque positivo. Junte-se o preço atractivo – 6,5€ por garrafa – e percebe-se o sucesso de vendas. 15,5

Guarda Rios (T) 2007
Ao contrário dos brancos, este tinto revela grande pujança aromática, com impacto jovem, algum etanol e muito balsâmico da madeira. Algum verniz, pomada "vip vapor up" e acetona. Especiarias também, sobretudo com o passar do tempo no copo. A boca mantém um perfil quente, de fruta muito madura, quase doce, de final composto e saboroso. Pode ainda crescer com mais um ano em garrafa. Um vinho próximo de outros tantos do denominado Novo Mundo, muito sedutor na boca, mas a necessitar de ligeira afinação no nariz. 15,5-16

Vale D’Algares Selection (B) 2008
Como não vai haver em 2008 os topos de gama da casa (branco e tinto "Vale D’Algares"), surge este novo segmento - branco e tinto selection - a 8,5€ a garrafa (ou seja, um pouco mais caro que o Guarda Rios, mas mais barato que o Vale D'Algares). Muito mais aromático que a versão branca Guarda Rios 2007, com fruta tropical e fruta branca cozida, mas com frescura. A boca parece precisar de tempo em garrafa, está tensa, directa, mas com um final de boca mais preciso e focado. Boa acidez, é um vinho bem desenhado que será de agrado generalizado. 16

Vale D’Algares Selection (T) 2008
Opaco no copo, muito retinto. Trata-se de um vinho cheio de juventude, etanol em evidência, nariz "em construção" com predomínio na fruta muito madura mas com tiques da madeira nova à mistura (eg., sensações queimadas). A boca mostra outra realidade, revela um vinho mais polido, com típicos taninos ribatejanos, ou seja redondos e doces. É incrível como um vinho de 2008 pode já dar esta prova de boca... Moderno, pronto a beber e a mostrar enologia capaz, está muito ao gosto dos consumidores ingleses. Pode ainda crescer, na prova de nariz sobretudo, com mais um ano em garrafa.15,5-16
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Vale D’Algares (CT) 2007
Colheita tardia, produzida a partida de 100% de Viognier (a casta da famosa Condrieu AOC). Nariz com notas subtis a fruta branca, pouco intenso (parece ser uma marca na casa relativamente às castas brancas), quase despercebido. Melhora muito na boca, pouco untuosa e nada aborrecida, antes com notas frescas a alperce e óptima acidez. A antítese de um vinho de sobremesa pesado e gordo – uma bela surpresa (e uma bela estreia) esta colheita tardia. 16,5-17
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Próximos vinhos: Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008; Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005

sexta-feira, julho 24, 2009


Quinta do Boição Escolha (T) 2006

Escuro no copo, mas não opaco. Nariz aguerrido, com notas de acidez e juventude à mistura, e um ataque a madeira a procurar amparar o conjunto. Boca com categoria, saborosa (mas não sedutora) nos frutos encarnados e pouco maduros, acidez franca e um final de boca honesto. Bem feito este tinto da Estremadura (agora, região de Lisboa), faltando um pouco mais de complexidade e fruta mais profunda e gulosa na boca. Em todo o caso, a €12 é uma boa escolha.

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Próximos vinhos: Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008; Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006

domingo, julho 19, 2009

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"Douro report": parte 2

É a segunda parte de pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Douro, em especial das colheitas de 2007 e 2008. São (mais algumas) curtas notas, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser simpático e inteligível. Vejamos:

Vértice Gouveio (Esp) 2004: Muito bem no estilo - seco e bruto - em crescendo até um final de boca absolutamente "champanhês"; complexidade (nariz), textura (boca) e graciosidade (final de boca), tudo numa flûte à sua espera; não o perca de vista. 17-17,5
Passadouro (B) 2008: Muita exuberância olfáctica, com um ataque inicial a fruto tropical, mais pêssegos e ligeiro ananás; tudo muito bem casado no nariz; boca com menos presença, algo "leve" mas com muito sabor; melhora com ligeira oxidação. 16
Olho no Pé Grande Reserva (B) 2008: Muito fresco e persistente no estilo; fruta em evidência mas alguma complexidade à mistura; na senda da boa colheita de 2007 mas talvez com mais fruta na boca; bom preço. 16,5
Aneto (B) 2008: Mais fruta, em parte tropical, do que na colheita anterior, e menos madeira nova também; perfil elegante; boca crocante e bom final; está agora mais um branco de Verão, enquanto a versão de 2007 estava mais um branco de Inverno.17
Lupucinus (T) 2007: Bela surpresa da Quinta do Lubazim; nariz a mostra os atributos do Douro Superior, quente, com fruta muito madura e vegetal seco, notas licoradas; a boca está um pouco mais fresca do que o nariz indicava e acaba muito bem, sedutor e seguro de si; grande preço a menos de €8. 16
Olho no Pé Grande Reserva Pinot Noir (T) 2007: Muito curioso este Pinot duriense, boa frescura no nariz e alguma complexidade; na boca cai um pouco com ligeira doçura, mas termina bem com um final elegante. 16 - 16,5
Miura (T) 2006: Produzido na Quinta de Tourais (Régua), tem um perfil moderno e internacional; madeira a tapar parcialmente a fruta; boca agarrida, secura da madeira e final sedoso; será de agrado generalizado. 16,5
Quinta de Tourais (T) 2006: Nariz com perfil duriense, fruto e ligeiro floral; na boca é alegre, mostra vivacidade e taninos definidos; irá evoluir bem em garrafa por mais 3 a 5 anos. 16,5+
Quinta do Tedo Fine Tawny (P) s/d: Bastante doce; complexidade q.b.; final saboroso; um tawny novo sem defeitos, mas também sem brilho; servir ligeiramente refrescado; bom preço abaixo dos €7. 15,5
Quinta do Tedo Finest Reserve Ruby (P) s/d: Muito bem este ruby, cheio de força e bem definido no que respeita à fruta; nariz muito maduro; aguerrido na boca mas com final relativamente sedoso; qualidade a um preço justo. 16,5
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Reserve Ruby (P) s/d: Mais um belo ruby, fruta preta no nariz, macio e redondo na boca, mas com potência de sobra para que passasse por um LBV. 16,5
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo LBV (P) 2005: Ainda não está no mercado, mas esperávamos um pouco mais depois da grande prova do ruby; muito fechado; estilo meio-seco; falta pujança sobretudo no final de boca. 16,5
Quinta do Tedo LBV (P) 2003: Perfil clássico de LBV com muita fruta, mas sem excessos; nariz maduro com referências a mato rasteiro e vegetal seco; destaque positivo para o final de boca; poderá melhorar ligeiramente na garrafa. 16,5+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Vintage (P) 2007: Melhor que o 2005; curiosamente mostra mais força, mais garra, mais químico; na boca apresenta alguma contenção; o melhor vintage da Quinta Nova na era "ex-Burmester". 17


quarta-feira, julho 15, 2009


"Douro report": parte 1

São pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Douro (e uma de Trás-os-Montes), em especial das colheitas de 2007 e 2008. São curtas
notas, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser simpático e inteligível. Vejamos:

3 Pomares (R) 2008: Apreciamos o estilo - mais seco que doce - mas falta-lhe expressão aromática; muito bem na boca, focada na fruta vermelha fresca com framboesas em destaque; bom preço. 15
Vallado (R) 2008: Muito bem no estilo - seco - mas muito expressivo. Boca cativante com fruta em evidência mas sem qualquer excesso; uma bela surpresa a conhecer. 15,5
Valle Pradinhos (R) 2008: Um dos nossos rosés favoritos; nariz contido com floral da Touriga Nacional; absolutamente seco na boca (quase palha), simplesmente imperdível. 16,5
Vallado (B) 2008: Muito fresco e acessível no estilo; nariz com fruta em evidência; descomplicado; boca prazenteira; ligeiro "pico" nesta fase (sulforoso?); bom preço. 16
Conceito (B) 2008: Algum peso excessivo prejudica o primeiro impacto; belíssima fruta branca madura, e final em evolução; poderá melhorar muito em garrafa. 16,5 +
Grainha (B) 2008: Muito fresco (apenas 50% de madeira nova), brilhante acidez, subtil, ligeiras notas a café; acaba tenso e vibrante; muito acima da versão tinta. 17
Quinta do Tedo (T) 2007: Bela surpresa; nariz duriense com fruta de bosque e flores; sedutor mas linear na boca; taninos já macios; bom tinto a preço de saldo. 16
Quinta do Tedo Grande Reserva Savedra (T) 2007: Mais uma grande surpresa da Quinta do Tedo (sita entre o Tedo e o Douro); fruta madura no nariz; boca elegante e saborosa; alguma madeira ainda tapa um pouco o conjunto; final médio/longo; preço muito competitivo. 17
Soares Duarte TTT (T) 2006: Perfil rústico e quente; nariz muito curioso, sedutor pela marca da complexidade e dos aromas difíceis de descrever; boca potente; um tinto interessantíssimo. 17
Conceito (T) 2007: Sisudo, impõe-se, no início, pelo carácter algo rude; fruta fresca escondida mas muito bem desenhada; profundamente gastronómico e com anos pela frente. 17+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Touriga Nacional (T) 2007: Opaco no copo, perfil aromático intenso mas não aborrecido; boca fantástica, complexa e de grande final; belo monocasta; irá melhorar em garrafa nos próximos 2 anos. 17+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Grande Reserva (T) 2007:
Fechado, procura compatibilizar o perfil duriense da marca com uma matriz mais internacional, e sobe um patamar na qualidade face ao resto da gama; fruta muito madura; madeira nova a integrar; grande entrada de boca e uma textura acetinada fora do vulgar; vai melhorar; muita qualidade mas um pouco caro. 17,5+
Quinta do Infantado Reserva (T) 2007: Perfil clássico com nariz de fruta madura (mas sem excessos), mato rasteiro e ligeiro floral; boca de entrada elegante; complexo e sedutor ao mesmo tempo e tudo sem exageros; madeira já a caminho da integração; vai melhorar nos próximos anos; preço alto mas justo. 17,5+
Quinta do Vallado Reserva (T) 2007: O lote poderá não ser o definitivo, daí o intervalo na classificação; sente-se muito a Touriga Nacional no nariz (maior percentagem?) e o vinho está muito acessível, encantador na relação fruta- flores-especiarias; boca quase pastosa e taninos disfarçados; um dos melhores e mais consensuais Vallado Reserva de sempre. 17 - 17,5

quarta-feira, julho 08, 2009


NOVIDADE

Charme (T) 2007

Aquando da última "Masterclass" dos Douro Boys (ver aqui), ficámos com a ideia que o Charme 2006 mantinha a finesse que lhe é reconhecida mas não tinha, nem de perto, o porte aristocrático de edições anteriores. Se lhe tivéssemos então atribuído uma nota, certamente que até nós ficaríamos surpreendidos com mediania da mesma. Aliás, esta é a primeira vez que pontuamos um Charme. Este intróito serve, pois, de demonstração da ausência de interesses e parcialidades a declarar e é, a nosso ver, indispensável dado o que iremos, de seguida e de forma sintética, passar a descrever.

No nariz abre sisudo, com notas iniciais a madeira - decantou-se então. Passada meia hora, brotam extensas notas minerais, pele de cão molhada, um ligeiro bret. e terra húmida com odor a cogumelos. Depois, sobressaem, com delicadeza e refreamento, framboesas, ligeiro citrino e respectiva casca (toranja), medronhos, e um pouco de creme de leite a acrescentar alguma gulodice. Uma hora depois, é tempo das notas fumadas taparem a fruta vermelha e o conjunto fica mais misterioso.
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Boca excelsa, acetinada e positivamente delgada, com pendor para os frutos vermelhos. "Sente-se quase sem o sentir", apetece-nos desabafar. Potente dada a sua juventude, procura um equilíbrio que só o tempo em garrafa lhe dará. Grande final (para já), mas também ele em construção.

Um tinto absolutamente recomendável pela qualidade e pela diferenciação e destaque no panorama nacional. Absolutamente a não perder, apesar do preço elevado (nunca abaixo dos €70). Um grandíssimo vinho, e uma das notas mais elevadas que já atribuímos a vinhos não-generosos.

18
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segunda-feira, julho 06, 2009


Cabriz Encruzado (B) 2007

Chegaram-nos algumas dúvidas a propósito da evolução deste Encruzado da Quinta do Cabriz (do universo Dão Sul) pelo que se impunha uma nova prova para tirar as teimas (para a prova anterior, datada de Setembro de 2008, ver aqui). O ano ajudou com boas condições climatéricas e, por isso, não foi difícil manter a qualidade que lhe vem sendo reconhecida, com notas minerais típicas da casta e nuances da madeira na qual estagiou. Na boca, é menos fino e subtil que outros da mesma região e casta mas apresenta uma consistência crocante interessante e apelativa, que se prolonga pelo final. Tudo muito próximo da prova anterior.

Em suma, um estilo próprio, e um estilo de sucesso a um bom preço. Poderá melhorar em garrafa, mas se há dúvidas, aconselha-se a beber umas e a guardar outras. Mantemos a nossa opinião.

16,5 - 17

Próximos vinhos: Quinta do Boição Escolha (T) 2006; Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008

quinta-feira, julho 02, 2009


Alain Graillot Crozes Hermitage (T) 2006

Vinho "trazido" para Portugal pela mão de Dirk Niepoort no seu canal "Projectos". Cor muito púrpura no copo, fechado mas não opaco. Não sendo um Hermitage (é difícil não começar por aqui, mas Crozes Hermitage, além de menos prestigiada do que Hermitage, é mais dispersa e com maior dimensão) está um tinto belíssimo a dar já uma prova com muito prazer. No nariz, de boa intensidade, está super floral - certamente a syrah mais floral que temos provado nos últimos tempos - conjugado com doces frutos negros numa compota muito atractiva e não pesada, antes delicada. Boca fresca, com complexidade, realce para a fruta menos madura do que o nariz faria prever, madeira imperceptível numa abordagem pura (e purista).
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Em suma, um vinho bem desenhado, elegante e gastronómico, mas também prazenteiro sem ser demolidor na fruta e nos taninos (podendo-se beber desde já). Enfim, a antítese de um vinho chato, e tudo isto mais um bom preço, por volta dos €16 no site Projectos ou na Garrafeira Nacional!

17

Próximos vinhos: Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards (T) 2006; Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008

domingo, junho 28, 2009


BRANCOS DO ESPORÃO 2008

A marca Esporão está associada a vinhos bem feitos, consistentes na qualidade, preços adequados, disponíveis tanto em garrafeiras como em restaurantes e, por vezes – caso dos tintos "Private Selection" e "Torre do Esporão" –, vinhos capazes de proporcionar do que melhor se produz na planície alentejana. São razões de sobra, aliadas a um projecto de rigor financeiro, que explicam o sucesso comercial (bem como a recente expansão para o Douro com a aquisição da Quinta dos Murças) do projecto do empresário José Roquette. E são, também, razões de sobra para que, juntamente com as excelentes condições de 2008, estejamos perante dois brancos que, apesar das centenas de milhares de garrafas que representam, não desmerecem os atributos da marca Esporão. Vejamos:

Vinha da Defesa (B) 2008: Laivos amarelos e verdes no copo, dispara notas citrinas e outras mais tropicais. A diferença para as colheitas anteriores (além do grafismo na garrafa) surge com referências vegetais curiosas, presentes no nariz e confirmadas na boca. Fresco, correcta acidez, quase vibrante, tem ligeiro "pico" mas pode ser que passe com algumas semanas em garrafa. Será amigo de gastronomia de Verão menos elaborada. Tem vários concorrentes de peso, e alguns mais baratos, mas mantém-se um boa compra a menos de € 6, disponível um pouco por todos os pontos de venda no país.
15,5

Esporão Reserva (B) 2008: Consegue revelar-se mais vegetal que o Defesa com referências a talo e caule de couve. Temos também a habitual calda de ananás e pêssego mas menos evidente que em anos anteriores, amparadas pelas tradicionais notas fumadas, e umas curiosas líchias. Boca cheia, ataque amplo marcado pela madeira, perfil internacional de agrado generalizado. Não é fácil encontrar um vinho com tanto volume de venda e, ao mesmo tempo, generoso na fruta, consistente na qualidade, e prazenteiro na hora de acompanhar pratos tão diversos como carnes brancas ou peixes com molhos. Servir em copos largos. A menos de € 10 é uma boa compra, mas é sobretudo uma excelente aposta junto da restauração mais especulativa.
16,5
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Próximos vinhos: Alain Graillot Crozes Hermitage (T) 2006; Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards (T) 2006; Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007

terça-feira, junho 23, 2009

NOVIDADE:

Niepoort vintage (P) 2007

Mais uma novidade. Mais um vintage de 2007 (para outros já provados ver aqui), e que vintage este da Niepoort… Logo depois de um excelente 2005 (tanto mais excelente quanto o facto do ano não ter sido "clássico"), a Niepoort volta a superar-se com este belíssimo vintage de boca carnuda, redonda, meio-doce e longo final. Nariz que surpreende por, apesar do pouquíssimo tempo em garrafa, se encontrar, desde já, muito afinado: fruta em destaque com notas de geleia doce de mirtilhos e amoras, exuberante também nas referências florais, um conjunto sedutor "quase quente", mas sem nenhuma percepção típica dos defeitos e feitios típicos em colheitas com sobre-maturação.

É um estilo este que a casa chefiada por Dirk Niepoort está a introduzir nos seus vintages Port faz já algumas colheitas, é um estilo que nos agrada e muito. Um vintage quase perfeito, com longa vida pela frente, sobretudo no equilíbrio dos seus componentes (sendo que equilíbrio não é, por norma, um atributo deste tipo de Porto). Enfim, um vinho tributário de um ano também ele equilibrado, mas um vinho fruto também de um projecto de gerações que parece não querer deixar de melhorar...

18-18,5


PS: O Pingus também o provou. E também o aprovou, aqui!

terça-feira, junho 16, 2009

NOVIDADES:

Quinta do Vesúvio (T) 2007
Pombal do Vesúvio (T) 2007

Ainda no campo das novidades (as provas em "lista de espera" terão de esperar mais um pouco), e mantendo-nos no universo Symington, provámos os recentíssimos tintos DOC da Quinta do Vesúvio. São dois tintos - i) um topo de gama: o Quinta do Vesúvio (T) 2007, e ii) um "super premium": o Pombal do Vesúvio (T) 2007. A expectativa era muita, não só pelo primeiro se situar lado a lado com o "Chryseia" (que, em rigor, nunca foi dos nossos durienses predilectos) no topo dos vinhos tintos da Symington Family, como pelo facto de ambos serem a estreia comercial de vários anos e ensaios no sentido da produção de vinhos não generosos na mítica quinta do Douro Superior. Vejamos:

Quinta do Vesúvio (T) 2007: Lote de Touriga Nacional (70%), Touriga Franca (20%) e Tinta Amarela (10%). Virtualmente opaco na cor, violácea no bordo do copo. Muito bem no nariz, com as tourigas a revelarem fruta madura para além do esperado carácter floral. Grande casamento com a madeira onde estagiou, que se sente de forma equilibrada e atenua a grande concentração do vinho. Boca mais vegetal do que o nariz faria prever, tem nervo suficiente mas não é do tipo brutal. Ao invés, tem taninos de seda, consegue mesmo trespassar uma sensação de graciosidade e manter um perfil sedoso, o que demonstra os cuidados na sua vinificação. Final médio-longo que se espera ainda melhorar em garrafa. Belíssimo, bem acima, IMHO, de algumas colheitas de "Chryseia". Entre € 42 a € 48 em boas garrafeiras.
17,5 – 18

Pombal do Vesúvio (T) 2007: Mantém uma matriz de Touriga Nacional e Touriga Franca. Como se esperava, está muito mais desabrochado que o Quinta do Vesúvio, nariz focado na fruta madura de qualidade (ameixas e cerejas pretas), mas aparece, minutos depois, também algum bret (nas duas garrafas provadas), terra húmida, mineralidade, tudo a potenciar a complexidade do conjunto. Com o passar do tempo no copo mostra ainda notas poderosas a cacau. Boca com componente de vegetal seco, taninos bem presentes, e fruta (agora vermelha) menos evidente que aquela (mais madura) que mostrava no nariz. Gostámos muito deste tinto, está uns furos acima, sobretudo em termos de complexidade, do "PS Chryseia". Acresce ainda que, ao contrário do seu "irmão mais velho", que está carote, este Pombal do Vesúvio é, a nosso ver, um achado pelo preço, a cerca de € 14 a garrafa em boas garrafeiras.
16,5 - 17


segunda-feira, junho 08, 2009


Vintages 2007 Symington

Interrupção nas provas para... pois é, leram bem o título, é dos vintag
es 2007 da casa "Symington" que vamos escrever. A imprensa especializada já escreveu quase tudo a respeito das óptimas condições proporcionadas pela colheita de 2007, com destaque para a excelente maturação da fruta (e do ciclo completo da planta) e para os benéficos efeitos do Verão suave. E já se começou a escrever também acerca dos vinhos brancos e tintos dessa colheita que têm aparecido no mercado, qualificados (genericamente) de equilibrados e elegantes. Deste contacto (e não foi o primeiro) com algumas das mais importantes marcas de Portos, podemos confirmar a grandeza da colheita (não na produção, que foi escassa como é sabido) e a excelência da Touriga Nacional que marcou os mostos um pouco por todo o país. Mas destacamos, sobretudo, a marca da elegância em detrimento da potência. Como sabemos, mesmo tratando-se de Porto vintages, vinhos quase sempre arrebatadores, podemos dividir entre colheitas clássicas onde potência e garra imperam (como sucedeu eg. com a colheita de 2003) e colheitas onde o equilíbrio parece ser a palavra-chave (tudo indica que será o caso destes 2007).

A nosso ver, e a partir do que provámos, os vintages de 2007 são assim: muito acessíveis, quase femininos no que tal adjectivo aponta para a elegância e delicadeza do conjunto, apaixonantes, profundos, mas com alguma falta de "ferocidade" (sobretudo na dimensão da fruta madura) quando comparados com grande parte dos vintages provenientes das duas últimas declarações generalizadas (2000 e 2003). Não será defeito - longe disso -, mas feitio. Vejamos:


Dow’s vintage (P) 2007: No nariz, como era de esperar, revelou-se o mais fechado e químico de toda a prova. Na boca, apesar do inconfundível estilo seco, está explosivo com muita (mas mesmo muita) fruta, à qual acrescem taninos de ferro e ligeiro etanol. O melhor do grupo, sobretudo no vigor da fruta, e um dos Dow’s clássicos mais acessíveis (leia-se pronto a beber) das últimas declarações. Vai durar como a maioria dos Dow's...
17,5 – 18,5

Quinta do Vesúvio vintage (P) 2007: A partir de Touriga Nacional (55%) e de Touriga Franca (45%) mostra-se, naturalmente, muito mais floral que os seus "irmãos Symington". Destes difere no estilo, sentindo-se menos as sensações a bolo de canela. Sólido, carnudo, está, contudo, num perfil mais "morno" do que nas edições de 2003 e de 2005, faltando um pouco de acidez. Pessoalmente, esperávamos um pouco mais deste Vesúvio, mas não deixa de ser um grande vintage com 15-30 anos pela frente. A prova do Quinta do Vesúvio Capela (P) 2007 para fica outra altura.
17 – 18

Graham’s vintage (P) 2007: Nariz típico da marca com muita fruta madura, todo ele guloso, intenso e quente. De todo o grupo, é o que está mais fácil na boca, acetinado e longo, podendo-se, sem dúvida, bebê-lo desde já com muito prazer. Um vintage intenso e consensual, muito sedutor. Vem na senda das boas edições anteriores, parecido sobretudo com o de 2000, mas sem o músculo do de 2003.
17-17,5

Warre’s vintage (P) 2007: Intermédio entre o estilo seco do Dow’s e o mais doce do Graham’s, está com muito bolo de canela no nariz e fruta madura. Na boca está mais macio do que duro, mais doce do que seco (portanto, mais Graham’s do que Dow’s) e será de fácil e generalizado agrado. Novamente, sentimo-nos perante um vintage de grande nível, que se pode beber desde já, mas ao qual parece faltar alguma garra e potência tanto de fruta como de taninos. O tempo dirá se temos razão...
17-17,5