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segunda-feira, setembro 13, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte I

Douro Boys Masterclass

Mais uma edição da masterclass dos Douro Boys, desta feita com as novidades deste grupo duriense relativas aos tintos e Vinhos do Porto da colheita de 2008, e aos brancos da colheita 2009. Se na edição do ano anterior brilharam, a nosso ver, os tintos da Quinta do Vallado e da Quinta de Vale Dona Maria, bem como os dois topos de gama da Quinta do Crasto - as cuvées "Vinha da Ponte" e "Vinha Maria Teresa" -, este ano foi vez dos vinhos tintos da Niepoort e do Vale Meão levarem a melhor num dos eventos mais bem organizados e charmosos da agenda vinícola nacional.

Se é certo que todos os vinhos da prova tinham bastante valor - trata-se, como é sabido, de um conjunto com alguns dos melhores produtores nacionais -, mais certo é que, como sempre acontece, alguns vinhos se destacaram dos restantes. Assim, e começando pelo topo, o Charme (T) 2008 da Niepoort bateu um novo recorde na nossa apreciação, impondo-se com o mais terroso e borgonhês de sempre na prova de nariz, e com uma prova de boca deliciosa marcada por subtis e elegantes variações de morango silvestre (18-18,5). Da mesma forma, o Quinta do Vale Meão (T) 2008 mostrou-se a um nível muito alto, perfumadíssimo, uma bomba de complexidade e fruta, cereja negra e violeta (o lote tem, desta feita, mais Touriga Nacional do que Touriga Franca) apresentando-se como um dos melhores tintos que esta quinta produziu até hoje (17,5), isto apesar de, em rigor, a colheita de 2007 também ter andado lá perto...

Ainda nos tintos, destaque também para dois Crasto: o primeiro, um Quinta do Crasto Reserva vinhas velhas (T) 2008 a prometer ficar perto da maravilhosa colheita de 2005 sempre no seu estilo generoso e sexy (17-17,5), tendo beneficiado da inclusão no lote das uvas das vinhas Maria Teresa e Ponte  que, por isso, nesta colheita não foram vinificadas à parte; o segundo, um novo produto, um tinto de uma vinha plantada no Douro Superior, denominado Crasto Superior (T) 2007, muito bem executado, profundo e sem ponta de sobre-maturação (16,5), um tinto que custará cerca de €15, ou seja, ficará a ocupar o espaço entre as marcas "Crasto" e "Crasto Reserva vinhas velhas".

Quanto aos brancos, e apesar do ano quente como foi o de 2009, mantém-se tudo muito consistente, com os vários produtores a apresentaren vinhos de qualidade. Bons, estiveram o Vallado Reserva (B) 2009 (16) e o VZ (B) 2009 (16,5), dois brancos de estirpe e pedigree, sendo que o segundo está um pouco melhor que o primeiro (que, por ora, nos pareceu excessivamente frutado) mas ainda ligeiramente prejudicado pela barrica (de óptima qualidade, como é costume nos vinhos de Cristiano van Zeller); bastante bom, como é habitual, o Redoma Reserva (B) 2009 (17), a revelar já uma interessante convivência entre fruta e barrica; mais simples, mas bastante aprazível, esteve o Crasto (B) 2009, um vinho de perfil mais frutado do que os restantes, mas com um toque de vegetal seco que o enobrece (15,5).

Nos Vinhos do Porto, destaque para duas surpresas de duas quintas geralmente mais conotadas com vinho de mesa: a primeira, um Quinta do Crasto vintage (P) 2008 de bom nível, um dos melhores vintage que provámos desta quinta (16,5); e um Quinta do Vale Meão vintage (P) 2008 ainda melhor que o anterior, também numa das suas melhores edições de sempre (17).

quinta-feira, setembro 16, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte II

O jantar depois da Masterclass

Depois da prova masterclass a que nos referimos no texto abaixo, houve jantar na bela Quinta de Nápoles da Niepoort (ver foto ao lado). Para além de confirmar a mestria da equipa do Chef Luís Paula (DOC e DOP) para este tipo de eventos (sobretudo nas entradas - divinais), foi uma oportunidade de ficarmos a par da evolução de alguns dos melhores vinhos criados por este conjunto notável de produtores durienses. Assim, foi com muito apreço que regressámos à prova do Quinta do Crasto Touriga Nacional (T) 2005 que, servido no formato magnum (1,5l.), comprovou tratar-se de um dos melhores exemplos estremes da casta raínha, generoso no perfil violáceo mas também com a seriedade típica dos grandes vinhos (17-17,5). Igualmente em alta esteve o Quinta do Vale Meão (T) 2004, um dos mais secos néctares produzidos neste terroir do Douro Superior, farto na fruta mas bem compensado por taninos rijos (17-17,5). Também provado – e aprovadíssimo, diga-se – foi o Batuta (T) 2005 em magnum, apresentando-se muito complexo na fruta negra integrada com a barrica, ainda com bons anos pela frente e que recompensará certamente aqueles com paciência e que o souberem guardar em boas condições (17,5-18). Os maiores elogios, contudo, estavam guardados para um branco e para um Vinho do Porto, ou seja para o Redoma Reserva (B) 2005 em magnum, perfeito exemplar do que melhor o Douro pode dar no que respeita a vinhos brancos, complexo e fresco (17,5), e para  o Niepoort Garrafeira (P) 1952, um clássico produto da Niepoort, engarrafado em formato demijon (garrafões de vidro) de 5l., onde os cambiantes dos aromas a Vinho do Porto se misturam entre frutos secos, fruta encarnada e enebriantes sensações vidradas (17,5); melhor só o de 1931...

domingo, setembro 07, 2008


Douro Boys Masterclass '08


Numa combinação feliz de requinte e boa disposição decorreu, no passado dia 3 de Setembro, a prova Masterclass dos Douro Boys nesta edição de 2008. A par da inauguração oficial da Quinta de Nápoles (Niepoort), estava em causa provar as novidades/lançamentos dos mais recentes vinhos dos "cinco fabulosos do Douro", o mesmo é dizer os tintos da colheita de 2006 e os brancos de 2007 dos produtores Quinta do Vallado, Niepoort, Quinta Vale D. Maria, Quinta do Crasto, e Quinta do Vale Meão. Mais do que um relato "vinho-a-vinho", importa a apreciação geral, e esta foi a de que os tintos portaram-se melhor do que se vulgarmente se diz da colheita de 2006 (o que não é de espantar dada a reconhecida qualidade dos produtores), mostrando, no geral, fruta madura, taninos robustos e um ligeiro perfil rústico. Já os brancos de 2007, esses estão como se vai divulgando, ou seja, estão muito bons, com enorme frecura e acidez, alguns deles mesmo sublimes!

Em todo caso, existe sempre lugar para alguns destaques e, nos tintos, brilharam os taninos duros mas saborosos do Quinta do Vallado Reserva, a finesse de mais uma colheita do Charme (apesar do Redoma e do Vertente não chegarem, a nosso ver, ao brilho de colheitas anteriores), mas também a sedução dos Quinta do Crasto Touriga Nacional e sobretudo do Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa (este, sem dúvida, um dos melhores de toda a prova) bem como o cosmopolitismo do CV (bem mais fresco e complexo que o Quinta Vale D. Maria e longe de uma estranha acidez revelada pelo VZ). Quanto ao Meandro, mostrou garra, fruto saboroso; já o irmão mais velho, o Quinta do Vale Meão, apesar de ainda circunspecto, vai-se mostrando potente, com um final luxuoso, e tudo indica que será (uma vez mais) um grande vinho.

Destaque, nos brancos, para a evolução muito positiva dos Quinta do Vallado (o ano ajudou é verdade, mas parecem-nos mais bem feitos, com uma frescura irrepreensível e boa relação preço-qualidade). Muito bem também a estreia da Quinta do Castro (mas guardamos uma apreciação mais completa do Castro branco para um post a ele dedicado), um pouco mais complicado o VZ da Quinta Vale. D. Maria que nos parece, à semelhança do tinto, com um perfil demasiado ácido e nervoso (mas pode ser do engarrafamento precoce). Finalmente, os brancos da Niepoort são um caso à parte: o melhor Tiara de sempre e o melhor Redoma Reserva de sempre... este está mesmo um vinho verdadeiramente enorme!

Em suma, uma eficiente organização, uma bonita adega, belíssimos vinhos, e uma festa inesquecível que terminou pela noite dentro apesar da chuva teimosa.
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quarta-feira, julho 08, 2009


NOVIDADE

Charme (T) 2007

Aquando da última "Masterclass" dos Douro Boys (ver aqui), ficámos com a ideia que o Charme 2006 mantinha a finesse que lhe é reconhecida mas não tinha, nem de perto, o porte aristocrático de edições anteriores. Se lhe tivéssemos então atribuído uma nota, certamente que até nós ficaríamos surpreendidos com mediania da mesma. Aliás, esta é a primeira vez que pontuamos um Charme. Este intróito serve, pois, de demonstração da ausência de interesses e parcialidades a declarar e é, a nosso ver, indispensável dado o que iremos, de seguida e de forma sintética, passar a descrever.

No nariz abre sisudo, com notas iniciais a madeira - decantou-se então. Passada meia hora, brotam extensas notas minerais, pele de cão molhada, um ligeiro bret. e terra húmida com odor a cogumelos. Depois, sobressaem, com delicadeza e refreamento, framboesas, ligeiro citrino e respectiva casca (toranja), medronhos, e um pouco de creme de leite a acrescentar alguma gulodice. Uma hora depois, é tempo das notas fumadas taparem a fruta vermelha e o conjunto fica mais misterioso.
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Boca excelsa, acetinada e positivamente delgada, com pendor para os frutos vermelhos. "Sente-se quase sem o sentir", apetece-nos desabafar. Potente dada a sua juventude, procura um equilíbrio que só o tempo em garrafa lhe dará. Grande final (para já), mas também ele em construção.

Um tinto absolutamente recomendável pela qualidade e pela diferenciação e destaque no panorama nacional. Absolutamente a não perder, apesar do preço elevado (nunca abaixo dos €70). Um grandíssimo vinho, e uma das notas mais elevadas que já atribuímos a vinhos não-generosos.

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