terça-feira, outubro 13, 2009

Provas


Quinta do Vallado Moscatel Galego (B) 2008

(Acreditamos que) O leitor estará de acordo connosco quanto ao facto de não ser comum encontrar um branco monovarietal do Douro. A par de uma ou outra experiência com Viosinho (no Baixo e Cima Corgo) ou Rabigato (no Douro Superior), a grande maioria dos brancos durienses resultam, efectivamente, de lote de várias castas. O Vallado sobre o qual vamos escrever não é assim e, mais a mais, é produzido a partir de uma casta pouco conhecida pelos consumidores, o Moscatel Galego.

A característica essencial da casta Moscatel Galego é a sua exuberância, sobretudo na vertente aromática, existindo controvérsia no seio enófilo: para alguns, é uma virtude encontrar uma "prova de nariz" tão evidente e característica, sem complexidades exacerbadas; para outros, é uma carência resultar um vinho linear centrado, por norma e maioritariamente, na componente frutada, pelo que é uma casta para entrar em lote.

Quanto a este Vallado Moscatel Galego, resultante da colheita de 2008, importa dizer que se apresenta com fruta tropical e notas doces (tipo fruta cozida) no nariz, mas tudo longe de maçar ou enfadar com exageros na fruta - aliás, tem mesmo bastante frescura no copo. Na boca, mantém-se amigo do consumidor, limpo, directo, relativamente encorpado e muito saboroso. O final de boca também se presta ao sabor, com ligeiras notas adocicadas que garantem persistência no palato. Nada vegetal. Pouco mineral.

É, sem dúvida, o melhor Vallado Moscatel Galego que já provámos, aquele com melhor equilíbrio entre fruta e frescura. O seu estilo intenso e, simultaneamente, fresco, permite-o acompanhar várias pratos (das saladas às carnes brancas) e o seu preço não magoa.

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Próximos vinhos: Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007

5 comentários:

Frexou disse...

Viva Saca,

não o achaste seco na boca?
quando digo seco, refiro-me à diferença entre o perfil doce e exuberante no aroma e o comportamento na boca...

tambem concordo contigo, é o melhor galego do Vallado que conheço

aqui vai a minha nota de prova:

aroma com muitas notas de chá, de laranja cristalizada e um floral exuberante. Aparecem também notas de espargos, relva e de rebuçado. Claramente um estilo único. Acidez desconcertante num final imprevisívelmente seco e até ligeiramente amargo.



PS - epá a ver se desta vez combinamos umas tainadas valentes quando for aí a Lisboa ao ECVS. Não te esqueças que o Abílio Neto ainda nos deve umas cervejas

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Frexou,

Tens razão! A frescura a que eu me refiro na boca era, de facto, seca e "crispy". Também notei o rebuçado.

Quando estiveres por cá, é claro que vamos a umas tainadas e cervejas à conta do Abílio.

Um ab.

NOG

Anónimo disse...

o email do saca a rolha não funciona, parece-me. Como o poderei contactar?
JV

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Caro JV,

O e-mail do saca-a-rolha é o seguinte:

saca-a-rolha@hotmail.com

e está a funcionar.

Obrigado.

NOG

Abílio Neto disse...

Caros,

Com o devido atraso para não pagar as beers... quando quiserem!

Gosto deste Galego, já tinha gostado da anterior edição, mais doce, mas igualmente divertido e bem "impressionista" para os bebedores casuais de vinho.

Abr.,

An