quinta-feira, abril 03, 2008

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Icon d' Azamor (T) 2004

Faz hoje exactamente uma semana que estivemos na apresentação do topo de gama do produtor Azamor no novo espaço da "Galeria Gemelli". Foi a nossa primeira vez nas novas instalações deste conhecido restaurante da capital e gostámos bastante: mais luz e mais espaço, a mesma criatividade. Antes do muito esperado Icon d’ Azamor houve tempo para outros tintos do produtor alentejano, dos quais daremos conta em posteriores posts, sempre acompanhados de pratos bem preparados e em pouca quantidade como convém nestas ocasiões.

Mas vamos ao ícone do produtor, exactamente o Icon d’ Azamor (T) 2004. Concentradíssimo na cor, esperava-se portanto um nariz demolidor e uma boca superabundante. Mas não: bem melhor que isso… Tudo em elegância, revelando desde a primeira impressão que se trata de um vinho gastronómico e repleto de pattine. Complexo, denota muitas referências como grafite, as notas vidradas e outras terrosas mais delicadas. Uma boca cheia, já arredondada, mas com a fruta pouco doce. Curiosamente, pouca tosta, pouca baunilha, poucos torrados. Ah… em cheio! Esperemos, todavia, que a evolução lhe traga um final mais vistoso pois é no prolongamento na boca que este tinto mostra, ainda que sem excesso, o seu lado frutado de carácter alentejano.
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Um vinho que, para primeira edição, posiciona-se num nível muito alto e só esperamos e desejamos que os consumidores esqueçam, nem que seja por breves momentos, o vulgar "estilo compota" e se rendam, como nós, a este tinto fresco e profundo. Faz lembrar os grandes tintos de Estremoz? Faz pois! Lembra alguns tintos de Portalegre? Lembra, sim senhor! Ah… em cheio, mais uma vez. Um grande tinto a um preço (entre os €45 - €50) que, sendo eventualmente justificado, poderá contudo afastar alguns consumidores.
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17,5
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PS: Faltou falar do prato que acompanhou o vinho, foi um "mil folhas" de polenta preta e vitela estufada com cogumelos, redução de trufa branca. Muito bom.

3 comentários:

Pingus Vinicus disse...

Pois meu caro amigo, esse intervalo que referes irá afastar muitos consumidores.

Caramba, parece que a chapa 50€ começa a ser requisito para se tornar num topo de gama.

Um abração para ti!

Pedro Sousa P.T. disse...

Se a chapa 50 irá ser "requisito para se tornar num topo de gama", bem que vou andar pelos últimos lugares na grelha de partida, conseguindo apenas a pol position uma ou duas vezes por ano. :)
Um abraço

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Sem dúvida meus caros. A "chapa 50" dificulta muito a nossa vida. Por esse preço há uns anos poucos (muito poucos) existiam. Agora são muitos... e vem aí o novo Vallado, mais caro ainda... upa upa.

Abraços,

Nuno