terça-feira, fevereiro 13, 2007

Os suspeitos do costume

Nem só vinhos portugueses nós vivemos. São também momentos de enorme prazer aqueles em que nos sentamos num bom restaurante em Espanha e nos deixamos levar pelos belos néctares do país vizinho. Parámos em Segóvia, jantámos cochinillo no Cândido e bebemos muito bem...
A primeira nota do jantar vai direita ao preço dos vinhos: nenhum vinho custava mais do que o 1/3 do seu preço em garrafeira! Se a restauração nacional fosse assim, talvez o país não tivesse excedente de vinho e talvez a restauração não fosse um sector onde se apregoa sempre a maldita crise.
A segunda nota foi a diversidade das regiões visitadas. Começamos em Rueda com o belíssimo Palacio del Bornos Barrica (B) 2001, um branco sumptuoso, de cor carregada, com um verdelho menos fresco do que o habitual na região mas de patine excelsa, um branco aristocrata. Depois os tintos e entre estes, alguns dos suspeitos do costume que encontramos quando visitamos Espanha. O muito saboroso San Roman (T) 2003 a mostrar a força e a cor dos vinhos de Toro, carregado de fruta, verniz e "after-eight". Mas também o sempre gastronómico e mui complexo Allion (T) 2001, um tinto feito para a mesa que revelou notas vegetais majestosas provando que Ribera del Duero não é só (ou não é sobretudo) novo-mundo. E claro, o poder de atracção do magnífico Clos Martinet (T) 2001, um Priorat de respeito, ainda jovem com notas fortes a madeira, uma fruta doce muito impudica e um final interminável.
Uma noite imperdível.

8 comentários:

Copo de 3 disse...

Pergunta a que não posso fugir, quanto tempo deram de decantação aos vinhos provados, principalmente aos tintos, visto que o Bornos não faz as minhas delícias...

J. Gómez Pallarès disse...

Vaya noche, amigo Nuno. Extraordinaria selección sobre todo de vinos tintos (en efecto, de Palacio de Bornos prefiero los vinos sin barrica), todos complejos, de bebida pausada y reposada y con años de botella por delante todavía (por lo menos tres o cuatro): en el Clos Martinet, por supuesto, lo notasteis más que en los otros.
Un saludo coridla,
Joan

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Queridos amigos,

Quanto ao Bornos, também prefiro os sem barrica (gosto muito do sauvignon), mas quis experientar o barrica. Apesar de ter pouca fruta e acidez, é um vinho muito harmonioso.

Não demos muito tempo de decantação, o que foi pena. Os vinhos tiveram que "abrir" nos copos. Contudo, como o jantar foi longo, correu tudo bem.

Abraços, muitos

N.

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Caros amigos,

Em Madrid acabei por comprar umas coisas... o "Vall Lach 2004", o "Valderiz 2003", o "San Roman 2003", e o "Mirto 2002".

Que tal?

N.

Copo de 3 disse...

Pois eu da última vez que passei em Segóvia, não nesse restaurante mas noutro, escolhemos os vinhos à tarde e foram servidos ao jantar já decantados, faz-me alguma confusão o abrir e beber vinhos em 2 horas quando devia ser decantado umas 4 ou 5 por exemplo.

Nos vinhos que compras apenas fico com 2, o San Roman 2003 porque sou admirador do trabalho de Mariano Garcia, e o Vall Llach 2004 um dos monstros sagrados do Priorato, que para o meu gosto só o abria daqui a bastante tempo... é caso para esquecer na garrafeira.
Dos outros dois Ni Fu Ni Fa... caros e com pouco para dizer, na Rioja tinhas bem melhor.

J. Gómez Pallarès disse...

Yo, como Copo de 3, creo que el Vall-llach es un vino extraordinario pero para guardar un par de años, por lo menos (excelente compra, Nuno, pero habrá que esperar un poco!!!). En cuanto al San Román creo que ya se puede beber, eso sí, a una temperatura algo baja (16ºC como mucho). Y en cuanto al Mirto, he llegaod en mi cata al 2001 y no he probado el 2002. Los anteriores siempre han sido excelentes. Creo que son grandes y acertadas compras, en cualquier caso.
Joan

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Obrigado pelas confirmações de ambos e, no caso do João Pedro, também pelo "Ni Fu Ni Fa".

Abraços amigos,
N.

PS: O mais caro foi o "Vall Lach", e o mais barato o "Valderiz". O "San Roman" e o "Mirto" têm preço médio/alto, entre 20€-30€.

Pedro Sousa (P.T.) disse...

Temos que declarar "Guerra" à restauração, não é normal que ganhem 100% a 200% numa garrafa.