quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Essencialmente...

Eram muitos os vinhos que me esperavam na Essência do Vinho. Estavam anunciados cerca de 2000, mas como o devaneio vai passando com a idade, apressei-me a provar alguns brancos no Sábado e menos tintos ainda no Domingo. Uma imperiosa pré-selecção impõe-se nestes eventos.
Entre os brancos que fiz questão de provar, gostei muito do Quinta da Sequeira (B) 2006 (vai dar que falar...), dos sempre inesperados Dona Berta Rabigato (B) 2005 e Escolha Pessoal Alves de Sousa (B) 2003, e do internacional e deveras perfumado Valle Pradinhos (B) 2005. Curiosamente, muitos dos brancos que mais destaque têm merecido junto da imprensa escrita mostraram-se, na minha boca, um pouco pesados e, em alguns casos, excessivamente madeirosos (num deles, por sinal um dos brancos mais cotados do mercado, cheguei a sentir notas intensas a café).
Nos tintos, o meu gosto virou-se à descoberta de novidades ou de néctares que ainda não tinha provado: Dona Maria Reserva (T) 2004 (infelizmente mais consensual e "fácil" que o maravilhoso 2003), Herdade do Meio Garrafeira (T) 2003 (vinho cheio e gordo, muito bom), Além Tanha VV (T) 2004 (grande salto de qualidade face os anteriores), Quinta da Sequeira Reserva (T) 2003 (o mesmo estilo rústico e directo da casa, mas com fruta mais acessível).
Perguntam-me: e o que dizer dos VT 04 (T), Secret Spot (T) 2004, JM (T) 2004, Talentus (T) 2004? O que dizer desses tintos durienses? Provei-os efectivamente (alguns já os tinha provado), e são realmente bons. Porém, salvo uma ou outra excepção, mostraram um perfil muito semelhante entre eles. Esta é aliás uma característica que começei a detectar nos grande vinhos do Douro e sobre a qual espero escrever mais no futuro. Talvez seja por fugirem a esse registo que alguns vinhos distintos - como o Abandonado (T) 2004 (muito exótico) e o Poeira (T) 2004 (intenso mas com muita frescura) - têm tido merecido maior sucesso. A ausência de contraste levou-me, por vezes quando necessitava de algo diferente, a seguir para o stand da "FineWines" e beber algo diferente... um Quinta Sardónia (T) 2004, por exemplo.
Destaque inevitável para algumas provas comentadas, sobretudo a de vinhos doces, ministrada por Rui Falcão, absolutamente inesquecível entre moscatéis de montanha, "icewines" e "tokais".
É verdade que a quantidade enorme de público torna o evento cansativo, mas esse parece ser o preço da conquista do público do Porto. A Essência do Vinho está consolidada como um dos maiores eventos vinícolas de Portugal.

4 comentários:

AJS disse...

Caro Nuno excelente texto, parabens. A lampreia vou comê-la amanhã em Chaves, no Leonel, com savel de escabeche, para entrada. Um abraço e boas provas. AJS

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Que bela lampreia deve ter o Leonel. Também adoro o savel quer de escabeche quer numa açorda de alho... em Vila Franca de Xira ( no Ti Pedro).

Abraços amigos,

N.

Chapim disse...

É pá belos petiscos estou a ver!! E como regá-los? Verde Tinto?
Ainda não tive a minha lampreiada este ano mas anseio por ela! E o sável venha ele que é uma delícia...

Quanto ao Essência.. valeu por vos ver, pelo Valle Pradinhos Br, pelos Villa Maria, Vinha Formal 2005 e pelo Grandjó Late Harvest 2004. Foi a minha maneira de sair dali um bocadinho menos triste...

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Amigo Chapim,

Para a lampreia, verde tinto ou espumante tinto é o mais habitual. Eu também aprecio com um espumante muito bruto (vértice super reserva, por exemplo).

Para o sável, vai um tinto ribatejano bem maduro (Mythos, por exemplo)...

Abraços, grandes,

N.