quarta-feira, janeiro 09, 2008


Vale de Ancho Reserva (T) 2004

É um vinho, topo de gama da casa que produz a marca Couteiro Mor, que tem já algumas edições e revela sempre muita qualidade, apesar de o estilo mudar um pouco (também) em função da colheita.


Neste de 2004 apresenta o estilo seco, rústico, intenso e muito concentrado (tudo marcado pelo alicante) que parece estar na moda no Alentejo. Algo longe, portanto, do estilo de 2003, irá certamente evoluir bem, mas o melhor é esperar um par de anos.

Nariz fechado, pouco falador, vai lançando aromas vegetais misturados com um toque queimado e agreste que provém da madeira. À semelhança de anos anteriores, revela referências interessantes a grafite e espargos. Boca fresca, ampla, fruta vermelha e alguma caruma, tudo muito bem equilibrado. Final marcado pela madeira com boa persistência.

É, em suma, um tinto muito sério – e, por enquanto, até "sisudo" – com fruta menos exuberante e cativante do que em colheitas anteriores (sobretudo face 2003, ver aqui), com predomínio de um estilo mais gastronómico. Vale a pena para guardar em cave e esperar que se torne mais macio e complexo. A nosso ver, não é, todavia, a mais entusiasmante edição do Vale de Ancho. A menos de € 30.

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Próximos vinhos: Herdade das Servas TN (T) 2004; Quinta da Fata Reserva (T) 2005; Quinta da Fata Touriga Nacional (T) 2005; Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004

3 comentários:

Copo de 3 disse...

Já o provei a solo e acompanhado, as cegas e as claras e em nenhuma das duas ocasiões o vinho me disse grande coisa. Curiosamente o Reserva do mesmo produtor consegue até ter mais alguma graça, isto das provas cegas tem que se lhe diga.

O Alicante Bouschet não anda na moda meu caro Nuno, sempre cá andou e esteve bem presente, mesmo antes da imigração da Touriga Nacional o Alicante cá morava e ainda bem. Talvez agora é que as pessoas reparem nela. É para mim uma das castas senão mesmo a casta tinta por excelência do Alentejo.

Nuno de Oliveira Garcia disse...

A verdade é que, hoje em dia, o alicante pode ser encontrado em case todos os topos de gama alentejanos. E isso não sucedia antes, com raríssimas excepções (eg. Carmos Garrafeiras ou Mouchão).

Curioso é que com isso, o perfil dos tintos do Alentejo tem vindo a mudar, talvez até para melhor.

Nuno

Copo de 3 disse...

Eu não diria em quase todos, mas sim em alguns topos de gama.
Não vamos esquecer que muitos vinhos de topo estão dependentes ano após ano das melhores castas para com elas fazer o lote final, casos há, onde a Alicante por vezes entra e por vezes fica arredada.

Pera Manca, Tapada Coelheiros Garrafeira, T Terrugem, Tapada do Chaves, José Sousa Mayor, Cortes Cima Reserva, Esporão Garrafeira...
O Alicante aparece sim em alguns dos novos produtores.

A notar que esse antes que tu dizes, eram poucos os vinhos topo no Alentejo, era a altura em que reinavam as Cooperativas e talvez a proliferação da casta não fosse tão notada, tínhamos menos produtores, menos vinho, e o vinho que era feito muitas vezes nem se dizia quais as castas que dele faziam parte.

Portanto talvez agora se repare mais no contra rótulo e se veja lá a Alicante Bouschet... mas está muito longe de ser moda.