domingo, março 18, 2007

Churchill Estates 2004


Confesso que tinha algumas expectativas. Não pelos actuais "zuns-zuns" (nacionais e internacionais) em torno deste 2004, mas pela bela experiência que tive com o primeiro Churchill de mesa, o Churchill 1999. Era intenso, pujante, repleto de taninos agrestes, mas também era saboroso sem ter excesso de fruto maduro. Passou despercebido. Lembro-me de o provar ao jantar e, no dia seguinte, ter tido ainda mais prazer ao almoço com o que dele restou do dia anterior. Até o rótulo, singelo e discreto, era outro. Teria esse episódio decorrido numa época distante... (?) vendo bem, não foi assim há tanto tempo, passaram-se, talvez, menos de 5 anos. Por isso, uma advertência: este é um texto de algum amargo de boca.

Ora, na colheita de 2004, tudo está "politicamente correcto": tinto de cor quase opaca, com lágrima persistente, aroma transbordante a álcool, e um fruto vermelho maduro em compota que domina a prova de boca. Que saudades da força balsâmica do de 1999... Ao invés, o ora provado está mais calmo, muito mais amansado (pelo menos face o de 1999, pois tenho a certeza que alguns enófilos também encontrarão "potência" neste 2004), e revela um calor doce que certamente agradará a muita gente (a meio da janta penso que o deveria ter servido refrescado com a sobremesa). Enfim, parece querer juntar-se à lista - cada vez maior - dos tintos que retiram o "menos bom" da tinta roriz para se tornarem monótonos. Nem mesmo o álcool desmedido como dita a moda (14,5º) lhe dá frescura. Final médio+ com as mesmas características já abordadas.
Um tinto (bem) feito a pensar na grande quantidade de consumidores de tintos durienses. Agora percebo os "zuns-zuns"! Até o preço – a menos de 12€ - é acessível. Queremos dizer, é um bom preço para os seus apreciadores (que não faltarão).

14,5

2 comentários:

Chapim disse...

Esta é uma das belezas do mundo dos vinhos: concordámos em imensos vinhos e neste estamos em desacordo! Isto é q traz variedade e acho salutar. Pegando no vinho gosto bastante dele. Belo tinto, que evolui bem no copo. Pode evoluir para ainda maior finesse. Belo nariz e boca com frescura e elegância. Notei algum alcool também..

Boas Provas!!

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Amigo Chapim,

O meu texto é, obviamente, muito subjectivo. Ultimamente tenho bebido muitos bons tintos cheios, carnudos mas frescos, e este Churchill destuou. Logo eu que gostei tanto do de 1999.

Em qq caso acho um bom vinho. Eu é que estou cansado do tipo.

N.