quarta-feira, dezembro 06, 2006

Adega Coop. Borba Reserva (T) 2001


A colheita de 2001 tem trazido altivos momentos com tintos alentejanos (ver aqui e ali). Este, também conhecido por “rótulo de cortiça”, acompanhou bem um entrecosto à Mestre d’Avis no "Grémio" (Évora), mas não passou disso. Na cor nota-se a evolução com um ligeiro tom laranja desmaiado, mas não em demasia: bem feitas as contas o vermelho cereja ainda impera. No nariz está certinho, a fruta já quase não tem garra, mas o que ainda persiste faz aguentar bem o vinho que está naturalmente macio e com notas a especiarias. Na boca já domina a madeira com sensações a carvalho queimado e algum balsâmico, a fruta está sisuda, e pouco mais. Se existe alguma garrafa por abrir deste alentejano de 2001 é altura de a beber sem saudosismos. E rapidamente.
Suficiente + (14,5).

PS – Faz dias, no Hotel Ritz, foram apresentados os novos Adega Coop. de Borba, de estilo mais moderno e com cara lavada. O "Reserva (T) 2004" mostrou-se em forma e continua a apostar no rótulo de cortiça, agora com dimensão mais pequena contribuindo para um resultado gráfico final menos rústico.
PS 2 - Outras provas a este vinho podem ser encontradas no Copo d' 3 e nas Krónicas Vinicolas.

7 comentários:

Pingus Vinicus disse...

Foi e é um clássico. Lembro-me de beber, repetidas vezes o 1996 e 1999 na vila de Alcaçovas, terra da minha mulher.
Era o vinho eleito de um tio dela.

Um abração
Rui

João Barbosa disse...

Eu volta-e-meia volto ao «rótulo de cortiça»... não me importa muito o ano, interessa-me mais o conceito. É uma evocação de tempos e de uns cerimoniais de amigos que hoje não se repetem, porque estamos todos diferentes e bebemos diferente. O tempo passa.
Nuno, obrigado por te lembrares deste vinho e por o analisares com os olhos mais frios do que eu faria ou mais quentes do que eu conseguiria... é confuso, mas é assim. Um abraço.

Nuno de Oliveira Garcia disse...

É pá... palavras tão simpáticas as vossas.

Rui - Esse ano de 1996 foi um estouro. Faz uns meses bebi um Tapado do Chaves Res. 1996 e foi direito ao meu top!

João - Existem vinhos assim, que nos dizem muito. Compreendo bem que seja difícil escrever sobre eles, lembram-nos pessoas, datas, a nossa adolescência por vezes, eu sei lá...

N.

vinhodacasa disse...

A mim o rótulo de cortiça pouco me diz, afinal de contas só tenho 22 anos( vocês a falar assim até parecem velhos), mas sei que quer os meus pais, tios, amigos mais velhos têm sempre grandes e boas recordações sobre o mesmo.

Por este e por outros motivos há bem pouco tempo comprei um de 94 num café aqui do Porto por 15 euros.
O vinho não tinha grandes condições de guarda, estava um pouco cozido, mas deu para sentir um pouco o feeling do rótulo de cortiça.

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Paulo,

É normal que o "rótulo de cortiça" invoca algum saudosismo. Na década de 90' (para não ao falar do período anterior), do Alentejo tínhamos "os Sidónio Sousa", os "Mouchão", os primeiros (e já fantásticos) "Esporão", "Cartuxa", e mais umas tantas adegas cooperativas. Destas cooperativas, apenas interessava este "Borba Reserva" e o "Escolha dos Sócios" da coop. de Reguengos (os outros eram muito fracos).

Abraços,

N.

Kroniketas disse...

Também há uma prova nas Krónikas Vinícolas (http://kronikasvinicolas.blogspot.com/2006/01/no-meu-copo-14-borba-reserva-rtulo-de.html).

Este para mim também é um clássico, e sempre bom, seja de que ano for.

Anónimo disse...

Também já o provei e comentei no Blog Os Vinhos, mas penso que já é um pouco tarde para uma noa nota... Espero pela prova da próxima colheita agora lançada!