terça-feira, outubro 10, 2006

Pão e Mythos


Gosto de restaurantes pequenos, de preferência longe do reboliço de Lisboa, que servem refeições modernas com base na gastronomia tradicional e têm um serviço familiar. Encontramos tudo isto no “Pão e Vinho”, restaurante em pleno Vale de Santarém (a menos de 1 h. de carro de Lisboa).
Para a acompanhar uma peça de caça, pediu-se ao Sr. Luís (Luís Miravent) uma garrafa de Mythos (T) 2003, um dos novos valores ribatejanos, segundo nos dizem.
Ora bem, é um vinho produzido a partir de uvas da Quinta do Casal da Coelheira tratado com mimos difíceis de se encontrar noutros néctares da região. Composto por Touriga Nacional, Cabernet e Alicante é um vinho jovem, potente, com uma acidez muito agradável (a temperatura a 16.º também ajudou!). Na cor, salienta-se o Alicante com tons escuros violáceos. O nariz não é exuberante, despontando fruta preta sobretudo a amoras, amparada por uma madeira segura e um álcool em forma. Não o achei tanto estilo "tinta-da-china" como o meu amigo Pingus, mas é verdade que se trata de um tinto moderno de pendor internacional e que pode, por isso, tender para ser cansativo. Na boca é médio/longo, redondo (muito acima da média ribatejana), com taninos marcados e bravios. Em conclusão, não é um vinho original (quantos o são actualmente?), mas está bem feito e acompanhou bem a refeição. Resta saber se é este (também) o caminho dos vinhos do Ribatejo, com a certeza de que neste tipo de vinhos (ie., muito concentrados) são outras as regiões mais aptas.
Bom + (16,5). A menos de € 22.

2 comentários:

Pingus Vinicus disse...

Por incrível que pareça estou de acordo com o que dizes relativamente ao vinho. :)
No entanto, acho que Mythos possui um estilo demasiado concentrado, cheio de extracção, com muitos componentes levados ao máximo, poderoso e como dizes e bem, cansantivo. Ao contrário do que achas não é, para mim, um bom companheiro gastronómico.

Mas a diversidade de opiniões é de salutar e aconselhável.

Um abração amigo
Rui

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Tens razão. Este tipo de vinhos não costumam ajudar a comidinha... mas naquele almoço até calhou bem. São coisas da vida.

Abraços grandes,

N.