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quarta-feira, dezembro 05, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta da Gaivosa (t) 1999

Cor muito escura ainda. Apenas ligeira nota de evolução na extemidade do vinho que tocava com a parede lateral do copo. De início o nariz deu fruta negra mais notas de terciários, algum couro, armário antigo. Depois arejou e impôs-se uma fruta encarnada muito bonita. Expulsou, quase por completo, as notas mais terciárias, e quedamo-nos com um tinto límpido de fruta, sedutor, cheio de matizes, e muito longo.

Está em grande, grande mesmo, momento de forma. Precisa de, pelo menos, meia hora de arejamento, de preferência em decante. Seja capaz de encontrar uma garrafa destas, deixe-o respirar, e deleite-se.

17,5

quarta-feira, novembro 14, 2012

do antigamente (ou nem tanto)


Quinta das Maria encruzado barricas (b) 2007


Já o tínhamos provado um bom punhado de vezes antes. Agora está num excelente momento de forma, pelo menos esta garrafa (apanhei algumas com rolha), apesar de ser difícil antecipar a sua longevidade. A madeira sente-se mas incomoda menos do que quando era novo, a fruta está mais fina, e a austeridade inicial mais domada, inclusivamente com um final de boca mais longo. Muito bem.



segunda-feira, agosto 27, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta do Mouro (t) 1996


Não escondemos que tínhamos alguma curiosidade para perceber como estava este tinto. Marca actualmente consolidada, com bons tintos e alguns mesmo muito bons (destaque para o TN de 2003  e o tinto de 2004).

Este 1996, cuja rolha só saiu intacta graças a um saca-rolhas de lâminas, revelou a cor esperada para os 17 anos de vida, ou seja muito centrada numa tonalidade vermelha escura, longe de se mostrar opaco. Nariz algo maduro, quente e ligeiramente cansado, mas ainda a dar prazer. A boca esteve bem melhor, com taninos ainda por polir mas maduros e saborosos, tudo a revelar alguma garra. Se a prova de nariz estivesse ao nível da da boca tínhamos aqui um grande tinto.

Em suma, portou-se bem este tinto alentejano, não de forma totalmente altiva, mas também não decepcionou.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Do antigamente

Bussacos '58, branco '68 e tinto '83


Depois de um interregno, voltámos a provar algumas das nossas colheitas favoritas do nosso (favorito) Bussaco (ou Buçaco, mais modernamente). Tínhamos provado vários destes vinhos em 2009 (ver aqui) e outros ainda depois e agora, com muita alegria, voltámos ao ataque.

Ambos os '58, tinto e branco, são vinhos sublimes e não só tendo em consideração a idade. São vinhos com força ainda, sobretudo o tinto, que dão muito prazer, e não dispensam mesmo acompanhar uma refeição (depois da prova foram testados com um prato de bacalhau e outro de leitão), e pensar que cada um têm mais de cinco décadas de vida...

O branco '68 é diferente. Provou-se duas garrafas: a primeira confusa a precisar de muito arejamento, notas a mofo (não de TCA) e a pó qe prejudicavam a prova; a segunda garrafa melhor, com fruta muito evoluída e confitada no nariz mas felizmente com prova de boca correcta, saborosa e com vincada acidez.

Mais uma vez, o tinto de '83 revelou-se a um nível altíssimo, elegante, com fruta encarnada muito bonita mas sedutor e carnudo, mais a lembrar a um bordéus do que um borgonha. Um grande vinho com quase três décadas em qualquer lado do mundo! 


terça-feira, julho 17, 2012

Do antigamente

Periquita Clássico (t) 1994


Em poucos vinhos o desigantivo clássico faz tanto sentido quanto neste Periquita topo-de-gama. Tem o perfil sério, seco e ligeiramente rústico, habituado à garrafa, característico dos vinhos clássicos portugueses. Em jovem (lembramo-nos de o provar faz vários anos na garrafeira Coisas do Arco do Vinho) era taninoso, com a rusticidade à solta, e fruta negra.


Hoje, quinze anos depois, está um vinho absolutamente fantástico e ainda com pernas para andar (apesar de não haver razão para o continuar a guardar). Com uma cor encarnada escura, nariz com laivos de cereja e ligeiro verniz, óptima complexidade (quem diria ser apenas Castelão?), e explode com um final de boca absolutamente demolidor.


Seguramente um dos melhores vinhos tintos, não fortificados, da colheita de 1994 por nós provado.

sexta-feira, maio 04, 2012

Do antigamente

Reserva Ferreirinha (t) 1989

Maior que o de 1994, menor do que o de 1986, este Reserva (Especial) está a um nível muito alto e não dá, por ora, notas de grande cansaço. Nariz típico da casa, com especiados e licorados muito bonitos, boca final e elegante (menos tânica que outros anos, como de 1994), e final muito próximo da perfeição, nada seco, antes saboroso e ligeiramente lácteo. Melhor do que este só o 1986 e o 1977.



terça-feira, abril 17, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Casa de Santar Touriga Nacional (t) 2000

Tratava-se, na época, se bem nos lembramos, do topo de gama da Casa de Santar, vinho feito com todos os cuidados, a partir de lotes seleccionados e com barricas de qualidade. Está muito fino no nariz, com evolução marcada (até na cor), notas a couro, ligeiro animal. Com arejamento surge alguma fruta, bonita, mais encarnada do que negra, boca subtil, aveludada e um final típico do Dão, ou seja saboroso, fino e prolongado. Está muito bem nesta fase, calmo e elegante, mas não deverá durar muito mais do que (mais) meia década.


16,5

sexta-feira, abril 13, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Meandro (t) 2001

De um bom ano, de um terroir conceituado, de uma região que é um portento nacional, este tinto não podia ser outra coisa que não um belíssimo vinho. Segunda escolha da Quinta do Vale Meão, é a prova que andamos a beber estes tintos cedo demais. Está - pasme-se - ainda muito jovem, e melhorá nos próximos anos. Grande aroma, fruta madura e alguma esteva. Boca intensa, completa e inteira, cheia e com muita força. Final com garra, quase agressivo, faltando, por ora, alguma elegância e patine. Se pensarmos que custava cerca de 12 €, temos aqui uma das melhores relações qualidade-preço que conhecemos. Mas claro, esta era a versão do Meandro em 2001; hoje em dia está um pouco diferente.

17

quinta-feira, março 01, 2012

Do antigamente

Duque de Bragança 20 anos e Barros 20 anos

Dois dignos representantes da categoria de Porto 20 anos num «frente a frente». Ambos engarrafados na viragem para a década de ’90 do século passado (o Ferreira em 1991 e o Barros em 1989). Ambos já sem a frescura e o refrescamento que um engarrafamento recente lhes poderia dar, mas com muitos anos em garrafa, ou seja com muito vidro. A intensidade de ambos é fantástica: super generosos na prova de nariz e de boca, sempre com ligeira vantagem para o Duque de Bragança, mais complexo no nariz, mais cheio e saboroso na boca; enfim melhor lote! Dois belos vinhos.

sábado, fevereiro 25, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta dos Cozinheiros Poeirinho (t) 1998

Continua em forma este tinto. Fresco, leve, fino de boca e elegante, mas nem por isso menos complexo ou assertivo. Um bom exemplar da casta Baga num dos terroirs portugueses de maior influência atlântica. Um vinho a que podemos regressar sempre, o que só por si já é uma homenagem ao seu criador.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)


Porta dos Cavaleiros (t) 1997

Um verdadeiro clássico português (um daqueles que mais se pode orgulhar de ser clássico nos vários significados da palavra), e um vinho sobre o qual não se compreende bem o afastamento do público. Se está bom? Claro que está! Pleno de vida, frescura e suavidade. Quer-se mais? Talvez, hoje procura-se o resto, mas esse resto muitas vezes é apenas componente pirotécnica. Este é daqueles tintos que não foge ao estilo directo, seco e gastronómico que tanto prezamos. Não é um vinhão. É vinho.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Do antigamente


Quinta das Bageiras (t) 1990

Um dos primeiros vinhos do produtor Mário Sérgio Nuno (talvez mesmo o seu primeiro tinto com rótulo) e logo num ano muito positivo para a Bairrada. Vivo de cor encarnada garrafa no copo, revela aroma típico da baga, num bouquet suave de frutas vermelhas e um toque citrino da evolução. Boa prova de boca, potente e saborosa que, todavia, poderia ter mostrado um pouco mais de complexidade. Final curto.

Nenhuma razão existe para não provar este tinto de estreia de um produtor cada vez mais - merecidamente - em destaque (dos brancos aos tintos passando pelos espumantes), a não ser, talvez, o facto de não se encontrar à venda. 

quarta-feira, dezembro 14, 2011

do antigamente (ou nem tanto)

José de Sousa (t) 1997


Já lá leva quase 15 anos, e o tempo não o tratou mal. Os antigos José de Sousa já tinham a imagem de vinhos duradouros e a JMF parece apostar no seguimento desse segmento. A cor é ainda muito jovem, encarnada brilhante, longe de se encontrar tijolada. O nariz é pouco exuberante na fruta, e mostra fantásticas notas a terra trufada. A boca é fina, translúcida, mas muito saborosa, com um travo  limonado fruto da evolução. O final podia ser mais vincado, menos apto limpar o palato, mas em qualquer caso está muito bom.

Mais um bom tinto português que durou década e meia e durará ainda, pelo menos, mais 5 anos. E mais um bom tinto que deverá custar pouco a quem o encontrar à venda.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Do antigamente

Grão Vasco Garrafeira (t) 1994

Quem se lembra dele? Nós sim, e dele gostamos, claro! Produzido com uvas da Quinta dos Carvalhais (mas sem essa indicação expressa), e com o rigor conhecido do produtor (que teima em ter sempre bons vinhos de guarda), temos aqui um tinto que merece muito respeito. Cor encarnada no copo - belíssima para idade -, nariz subtil, elegante, sem domínio de castas e muito menos da madeira. A prova de boca é aveludada - como os bons Dão devem ser -, esguia e muito saborosa.

Está ainda em forma, pelo que se aguentará mais meia década mas não ganhará mais com o estágio. Beba-se por ora (mas sem muitas pressas) e dará muito prazer. Um belo Dão!

sexta-feira, novembro 11, 2011

Do antigamente

Ferreirinha Reserva (t) 1994


Continua jovem, muito jovem este tinto com treze anos. Tanta é a força da juventude que o seu final (ao contrário do que é habitual na casa) é algo seco e precipitado, apesar de saboroso. De resto, tudo a um nível muito alto: fruta - encarnada - ainda plena, integração total da barrica, muito prazer na boca, potente e sedutora, alguns taninos presentes ainda. Só o final podia ser melhor. Mais uma prova (são precisas mais?) da longevidade destes tintos da Ferreira (os das décadas de 80 e 90 estão quase todos bons).

De nós para nós, filosofando um pouco, preferimos (dir-se-ia, naturalmente) os Vintages de 1994 aos de 1995, assim como preferimos (talvez de forma menos evidente) os tintos de mesa do Douro de 1995 aos de 1994. O que fazer?

domingo, setembro 25, 2011

Do antigamente

JMF Garrafeira RA (t) 1985


Quando saiu para o mercado vinha com pergaminhos e estatuto de topo de gama. Afirmava-se caro, e feito para durar muitos anos em garrafa. Procurava reconhecimento numa altura em que os vinhos que evoluíam em garrafa vinham de outras paragens, quase sempre mais a norte.


E a verdade é que, passados uns incríveis 26 anos, uma coisa é certa: o vinho está num óptimo momento de forma. No copo, a cor denota ligeira concentração, encarnado claro, longe de tons tijolados. Nariz muito complexo, com muita fruta ainda (framboesas, ameixa pouco madura), e muitas notas de especiaria e de bazar marroquino. Algum toque de lavanda a tornar o conjunto verdadeiramente apaixonante. Na boca está fresco, com acidez majestosa, e muito saboroso. O final segue em boa forma mas podia ser mais longo. Mais fantástico só carácter aveludado do vinho, redondo e pouco seco.


Mais uma prova que alguns tintos de Setúbal também podem durar décadas (lembro-me de, no ano passado, o João Afonso e o Arlindo Santos terem apresentado a colheita RA de 1992 em prova especial no EVS). Este RA, com mais de duas décadas e meia, consegue combina muito bem um estilo generoso na fruta com uma evolução perfeita a nível dos aromas terciários. Lembra alguns dos melhores tintos Australianos build to last.
Belíssimo!

quarta-feira, setembro 14, 2011

Do antigamente (ou nem tanto)

Dom Rafael (t) 2001

Bem sabemos que dez anos em garrafa não faz de um vinho um "vinho do antigamente" (quantos anos são precisos para fazer de um vinho um vinho velho?). Mas a verdade é que poucos acreditariam que, passada uma década, este Dom Rafael 2001 estivesse tão interessante. Mais, se as nossas prova dele enquanto jovem nunca nos fizeram recordar que se tratavam de uvas do Mouchão, passados tantos anos o local de nascimento está mais presente, aspecto muito positivo obviamente.

Está num bom momento de consumo, com alguma evolução naturalmente. Aguentará mais 2 anos, estamos certos, mas não se ganhará muito com tal opção. Fruta ligeira e uma rusticidade brava descrevem, em duas notas, este simpático vinho tinto. Muito agradável a acompanhar uma carne grelhada.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Do antigamente

CRF Reserva (t) 1990

Feito maioritariamente (mas não em exclusivo) a partir de Baga, este Bairrada de outros tempos apresenta-se menos cativante que este e ligeiramente mais cansado que aquele outro. Está, todavia, ainda assim com ganas de continuar a dar prazer a quem o bebe, desde que o consumidor seja, naturalmente, um apreciador de vinhos desta estirpe bairradia.

Delicado, directo (não muito complexo, na verdade), marca presença na prova de nariz com notas de fruta encarnada viva que (ainda) convivem saudavelmente com pormenores oxidativos que não perturbam a prova. A boca está um pouco menos interessante, sentindo-se o peso dos anos. Mas mantém-se fresca a prova, e termina com um final de boca positivo, delgado mas com sabor.

(Foi) Provado a solo. Depois, bebido a acompanhar uma cabidela, deu mostras do seu valor gastronómico (como seria, aliás, de esperar) sem nunca saturar o paladar nem fazer adormecer os sentidos. Em suma, vale a pena provar este CRF, e vale ainda mais bebê-lo!

quarta-feira, agosto 31, 2011

Do antigamente

Vald Arcos Garrafeira (t) 1989

Ocasião para voltar a provar – e regressar a escrever - sobre vinhos menos recentes, com predomínio daqueles provenientes da Bairrada, esta que é uma das regiões do país capaz de produzir vinhos verdadeiramente duradouros e sólidos.

Esta garrafeira das 'Caves Vald Arcos' continua em forma (poderá ser bebido sem pressas nos próximos anos) e pouco mais lhe pode ser pedido. Apesar da passagem dos anos (quase 22...), mantém-se fiel ao estilo duro que a marca cultivou, revelando todavia boa e fresca fruta da Baga, sobretudo na prova olfactiva.

Na boca, a fruta está menos presente, revela boa complexidade e taninos finos. Porém, uma grande secura no final de boca (que não dos taninos) não permite que se atribua o adjectivo de elegante e, muito menos, merece que se diga ser sedoso. Em todo o caso, está muito interessante e, claro está, gastronómico.

Mais uma prova da vitalidade dos Bairradas clássicos, sendo este um daqueles que mais segue um estilo seco e rústico cada vez menos comum na região.

quinta-feira, março 17, 2011

Do antigamente

Coop. Cantanhede Garrafeira (T) 1990
1.º prémio adegas coop.

Mais um Bairrada. Mais uma colheita de 1990. Mais um óptimo vinho. Muito frutado, e até ligeiramente mais doce que os seus comparsas da região, está, em qualquer caso, um "senhor vinho". Muito aprumado, desenhado pela enologia a regra e esquadro, melhorado pelo estágio em garrafa, está redondo e macio. Por outras palavras, está sem arestas, como vulgarmente também se diz.

O carácter dos tintos da Bairrada sente-se, mas não se impõe - uns dirão que lhe falta alguma autenticidade, a nós parece-nos bastante bem. Até pelo preço pois, se o encontrarem, é provável que o vendedor não tenha "lata" para pedir mais do que 10 € ou 15 € por uma garrafa, e vale bem esse dinheiro. Mais uma demonstração que os Bairradas quando bem feitos e assentes em Baga duram, com saúde, pelo menos 20 anos.

Neste caso - e provámos duas garrafas -, a framboesa doce que apresenta no nariz (mais doce do que é habitual para a região, como já referimos) poderá confundir o provador menos atento; faça, por isso, uma brincadeira, e comece por insinuar aos seus convidados que é um Bordéus da margem direita num ano quente...