terça-feira, março 09, 2010

Provas



Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007

Novo vinho, novo topo de gama deste produtor duriense. No copo, está praticamente opaco na cor a denotar de imediato muita concentração e alguma juventude.

Na prova de nariz, topa-se a Touriga Nacional muito madura, com matizes florais de braços entrelaçados com referências gulosas a compota e geleia de fruto preto. A madeira não se impõe e o registo é cativante sobretudo pela intensidade e exuberância aromática desde o primeiro impacto, muito próximas do que esperaria de um LBV.

Na prova de boca começa áspero com as notas da barrica mais evidentes do que no nariz; depois taninos vincados mas doces, e mantém o carácter sedutor num final saboroso (tudo aponta) ainda em crescimento.

Um conjunto muito exuberante, dominado por matéria-prima - Touriga Nacional - com séria pujança (o vinho tem 16º de álcool), mas onde a enologia procurou preservar alguma elegância. Sem dúvida, o melhor vinho produzido com a chancela Quinta dos Avidagos que já provámos.

A título de notas finais, o vinho custa cerca de €30 mas dizem-nos que está esgotado no produtor. Acresce ainda o recente 2.º lugar na prova de vinhos de topos de gama nacionais que decorreu na Essência do Vinho.


17-17,5


Próximas provas: Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

segunda-feira, março 01, 2010

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Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008

Voltamos à prova de um néctar proveniente de uma das quintas do Douro cujos vinhos mais vezes provámos para o Saca a Rolha. Da Quinta da Sequeira, sita no Douro superior, chega-nos este branco de vinhas velhas (Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato), agora com nova roupagem (nova garrafa e rótulo com serigrafia) em relação às colheitas anteriores.

No copo, revela cor amarela carregada mas não escura. No nariz, começa por insinuar-se com anis e laivos de amêndoa seca. Um pouco depois, também com um interessante carácter floral (pétalas) e alguma pipoca da madeira onde estagiou.

Na boca entra maciço, com carga e potência, mas menos expressivo na fruta do que em edições anteriores: onde antes passeava fruta madura (nem sempre consensual mas apelativa), agora vagueiam notas tostadas e minerais que ajudam a construir uma arquitectura de vinho mais séria. A acidez está correcta (bem melhor que em edições anteriores), o final é expressivo, mas o conjunto não consegue surpreender – apesar da qualidade, parece algo preso, pelo que beneficiará de alguns meses mais em garrafa.

O perfil do vinho mudou em relação às colheitas anteriores, mas mantém-se de boa estirpe (custa cerca de €16) e deverá evoluir bem, recomendando-se no acompanhamento de carnes brancas ou pratos de bacalhau. Em todo o caso, julgamos que a Quinta da Sequeira ainda poderá originar melhores vinhos brancos num futuro próximo, e estamos certos que a actual equipa enológica - liderada por Rui Cunha - tudo fará nesse sentido.

16+


Próximas provas: Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

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Negreiros (T) 2007

Regressados da região de Mendoza (Argentina), e dos vales semi-desérticos que a compõem, plantados massivamente de Malbec, é tempo para tentar voltar a colocar em ordem as provas periódicas de novos lançamentos.

Com este Negreiros da safra de 2007, temos mais um tinto moderno de terras nortenhas. Intenso, ainda que algo linear, na prova de nariz, revela fruta negra - como é típico do Douro Superior de onde provém - mas latente, como que pronta a explodir assim a tosta da madeira o permita com o estágio em garrafa.

A prova de boca, por seu turno, está redonda, centrada com eficácia essencialmente no binómio fruta e cacau, com mediana acidez e taninos domados e saborosos. "Madeira à vista" (quase apostamos em carvalho francês), falta, todavia, maior complexidade na boca e um final de prova mais prolongado e vincado.

Está tudo a dizer-nos que temos aqui um bom tinto para consumo generalizado, um vinho prazenteiro para várias ocasiões, mas também com algum comportamento sério que lhe confere versatilidade à mesa. Com enologia de João Brito e Cunha, à venda por menos de €10, o que, não sendo barato, não escandalizará ninguém face à qualidade apresentada.

16


Próximas provas: Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Próximos dias

Caros,
Nos próximos dias, é muito provável que não surjam novos textos. É que estamos de malas para a Argentina, onde provaremos vinhos e visitaremos produtores para depois relatarmos aqui.
Cump.
NOG

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Dois anos e meio depois...


Quinta das Marias Garrafeira (T) 2005

É inestimável o valor da evolução positiva em garrafa para alguns vinhos. Na verdade, nem sempre assim acontece e, por isso, muitas vezes já ficámos com a sensação que provámos e bebemos determinados vinhos tarde de mais. Mas outras vezes existem que, ao voltar a provar um vinho dois ou três anos depois do seu lançamento no mercado, nos deparamos com um "ser diferente" do que conhecíamos, quase sempre mais "maduro", mais seguro de si, com as debilidades iniciais corrigidas e as feridas juvenis praticamente saradas (assunto a que já nos referimos, mais timidamente, aqui). Foi isso que aconteceu com uma prova recente do Quinta da Marias Garrafeira (T) 2005.

É certo que este tinto da Quinta das Marias, como aliás a maioria dos vinhos deste produtor do Dão, sempre teve atributos notórios logo à nascença; é certo que este Garrafeira, ao invés agora dos seus irmãos de gama, sempre privilegiou a complexidade (sobretudo na prova de nariz) em teor da exuberância... isso tudo é certo, mas nem mesmo essas evidentes qualidades iniciais foram suficientes para nos preparar para o deleite desta última prova!

Grande intensidade aromática mas não de forma abrupta e exuberante, antes discreta e profunda. Notas florais a comandar as hostes muito bem secundadas por fruta abundante, fresca e misteriosa. Prova de boca equilibradíssima, larga na complexidade e ao mesmo tempo fina na subtileza, fruta encarnada madura e ligeira doçura baunilhada exactamente no ponto certo, tal como a acidez também muito afinada. Final excelso no sabor.

A garrafa esteve sempre sujeita a temperatura e humidade ideais para uma adequada evolução, e a conclusão é uma só: muito bom! A prova que vale bem não beber alguns vinhos logo aquando do seu lançamento, devendo-se antes esperar dois ou três anos para melhor integração do conjunto. Acreditamos que este Garrafeira da Quinta das Marias irá manter-se neste nível por mais um par de anos, e gostaríamos de acreditar que daqui a cinco anos vai estar ainda melhor. Será?

17,5+

sexta-feira, janeiro 29, 2010

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Fiuza Sauvignon (B) 2009

Um texto pequeno, sem derivações, sobre um vinho sem derivações. Um branco, já de 2009, absolutamente focado na procura pelas referências à casta Sauvignon Blanc que países produtores como a Nova Zelândia, a Austrália e a África do Sul nos têm vindo a habituar. Ou seja, um Sauvignon directo, sem nenhuma concessão nem procura por complexidade, aroma a relva cortada de fresco, a ligeiro xixi de gato, a vegetal imberbe e a um maracujá verde.

Um branco que se sugere a acompanhar comida exótica e levemente picante, sobretudo num dia quente. Um Sauvignon, com preço imbatível abaixo dos €4, que não fica atrás do que se vai produzindo em massa por esse (novo) mundo fora, bem longe do Vale de Loire, berço de alguns dos mais minerais e deslumbrantes brancos franceses.

14,5 - 15


Próximas provas: Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007

segunda-feira, janeiro 18, 2010

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Quinta do Francês (T) 2007

O enófilo mais atento já estaria à espera que o que se segue viesse, mais tarde ou mais cedo, a acontecer: a erupção de um belo tinto argarvio. Na verdade, o Algarve, apesar da longa ausência na produção de vinhos de categoria cimeira, não tem estado propriamente alheio à modernização vitivinícola, e são vários os sinais: (i) em primeiro lugar, cada vez existem mais vinhos feitos de forma séria e com o auxílio de enólogos competentes, (ii) depois, existem já duas ou três casas produtoras que, mesmo em tempos de crise, não têm tido qualquer problema com o escoamento dos seus vinhos (esgotam com frequência sobretudo os brancos e os rosés), (iii) por fim, a construção recente de um par de adegas modernas e vistosas capazes de atrair muitos visitantes (essencialmente turistas veraneantes, mas visitantes são visitantes), tantos já que fazem (ou deveriam fazer) inveja a outras regiões ditas com mais notoriedade.

Pois bem, a nosso ver, só faltava mesmo esta novidade para confirmar o renascimento da região, a da produção de um belo tinto algarvio - é certo que já existiam outros interessantes na região, mas este está, decididamente, um furo acima. É certo também que este tinto da colheita de 2007 não nos faz recordar a região mais solarenga do país (em prova cega, está entre o Douro e Alto Alentejo), até porque tem frescura, alguma acidez, e muita - mas mesmo muita - garra. Mas, talvez a qualidade que mais apreciámos neste tinto seja outra ainda - a notável simultaneidade entre o estilo novo-mundista que adoptou e algumas "não concessões" que pratica com os seus taninos sérios e ausência de sobre-maturação.

A partir das castas Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah, plantadas em encostas xistosas do Rio Odelouca (Silves), e com 20 meses em barricas de carvalho francês, apresenta-se com uns equilibrados 14% (hoje em dia 14% é uma cifra razoável, comparado com o que se pratica um pouco por todo o país). No copo apresenta-se encarnado muito escuro, quase ruby, com transparência ligeira.
+
Nariz com estilo guloso mas sem revelar fruta excessiva, aqui e ali ligeiramente austero e fechado (como gostamos) quase rústico, a madeira ampara mas não está, felizmente, exuberante. A prova de boca confirma os melhores auspícios, larga/ampla, taninos saborosos e impecáveis no desenho com tanto de garra como de cetim. Final médio, mas em construção, poderá melhorar.

A cerca de €18 a garrafa, está um conjunto muito afinado, tudo óptimas indicações para o que o futuro pode reservar, enfim um nome a não esquecer este da Quinta do Francês. E sim, o produtor é francês (!), Patrick Agostini de seu nome.

16,5-17


Próximas provas: Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007

quarta-feira, janeiro 13, 2010

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Arundel (T) 2007

Regional Alentejano, produzido por Joaquim Pedro Arnaud em terras de Pavia, distrito de Évora entre Mora e Cabeção (as mesmas terras que produzem um excelente azeite também engarrafado pelo produtor). Em 2007, o lote, praticamente opaco na cor, foi constituído por Aragonês, Trincadeira e as cada vez mais inevitáveis (pelo menos em solos alentejanos) Syrah e Alicante Bouchet.

Aroma muito limpo e intenso, com fruta madura – mais preta que encarnada – e directa, com as castas Aragonês e Syrah a muito bom nível, ligeiro chocolate que agrada por não ser impositivo e madeira sem baunilha. Em suma, uma prova de nariz com fruto muito bonito, boa complexidade e sem exageros.

Na boca, a entrada apresenta-se mais macia que robusta, mas a meio do palato surge um veio mais rude a revelar carácter (certamente do Alicante) potência e taninos - tudo muito bem! Acidez mediana e final muito interessante, longo e saboroso, em crescendo.

Uma bela surpresa! Um tinto equilibrado, prazenteiro e a menos de €20. O que pedir mais?

16,5-17


Próximas provas: Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Provas comparadas


Verdelho

Dois brancos em prova produzidos a partir de uma mesma casta, cada vez mais em voga, Verdelho. Dois terroirs, a ilha da Madeira e o Azeitão (Setúbal).

O Primeira Paixão (B) 2007, directamente da Pérola do Atlântico, apresenta um estilo seco, muito seco. Subtil e tímido no nariz, com notas vegetais a comandar as hostes, secundadas por uma panóplia delicada de frutas tropicais exóticas como ananás-banana. A boca mantém o registo, ligeiramente "crispy", nuances amargas no fim de boca, e muita competência na hora de acompanhar comida. 16,5

O Colecção Privada DSF Verdelho (B) 2008 é, em comparação com o anterior, mais exuberante, desde logo mais "evidente" na vertente da fruta tropical no nariz. É também mais gordo, menos seco portanto, com um final de boca cativante mas menos fino. Um verdelho para quem gosta de emoções fortes, muito ao estilo de alguns "bestsellers" verdejos de Rueda (Espanha), mas nem por isso menos interessante. 16,5

Inevitavelmente parecidos - porque ambos produzidos a partir de uma casta que, por norma, é facilmente identificável na prova de nariz -, têm, todavia, perfis diferentes: mais austero o madeirense, mais emotivo o continental. Ambos os vinhos revelam belíssima acidez e boa capacidade gastronómica. Uma coisa é certa, temos casta! O preço de ambos ronda os €15 por garrafa, talvez um pouco menos.

domingo, dezembro 27, 2009

Provas especiais


CASA FERREIRINHA '85, '86, '96 E '97

Não temos uma resposta incondicional para o fenómeno, mas a verdade é que o Inverno nos impele para a prova de vinhos com alguma idade. O frio do época poderia, é certo, aconselhar exactamente o oposto, ou seja a escolha de vinhos jovens, encorpados, cuja força, exuberância e álcool aquecessem os "espaços em volta", mas não. Decididamente, a nossa escolha tem seguido inteira para vinhos, normalmente tintos, moldados pelo tempo, vinhos com fôlego e com a subtil complexidade que só o tempo em garrafa atribui. Talvez seja afinal a Quadra Natalícia, e a inerente vontade de provar o que de melhor temos na garrafeira, que nos leva a cometer esse devaneio de abrir algumas daquelas preciosas garrafas que reservamos para uma ocasião especial. Talvez...


Este ano, regressámos à "Casa Ferreirinha" (Sogrape), um dos poucos produtores nacionais que, a par de vinhos de volume, se especializou em tintos que sabem e conseguem envelhecer de forma nobre. Este ano, regressámos a duas colheitas dos anos '80 e a outras duas da década de '90. De uma assentada, provámos - e adorámos todos eles – o Barca Velha (T) 1985, o Ferreirinha Reserva Especial (T) 1986, o Ferreirinha Reserva (T) 1996 e o Ferreirinha Reserva Especial (T) 1997. Incrível, desde logo, o facto de todos os vinhos estarem em perfeitas condições, ou seja, sem oxidações excessivas, sem cheiro a "rolha", com níveis adequados de líquido, com as rolhas firmes, todos com viva cor encarnada e todos (uns mais do que outros) com fruta ainda evidente.

Nos vinhos da década de '80, o Barca Velha (T) 1985 mostrou-se altivo, com uma cor impressionante para os seus vetustos 25 anos (próxima da tonalidade exibida pelo Reserva de 1996, onze anos mais novo...), um nariz clássico elegantíssimo onde notas a caça mortificada e fruta encarnada se moldam em harmonia até um final perfeito, fino mas longo (17-17,5). Ainda melhor que o anterior, o Reserva Especial (T) 1986 revelou-se um hino aos vinhos com evolução em garrafa: perfeito na fruta que enche o "bouquet", ainda irreverente, com enorme elegância mas também vigoroso, referências a mina de lápis e tabaco num fundo ainda nítido de frutas como cereja e groselha encarnadas; final perfeito, em crescendo, impressionante a vários títulos (17,5-18).

Depois, foi a vez dos dois vinhos da década de '90, necessariamente mais "novos", mas ambos a revelar a marca do produtor e do nome que ostentam. O Reserva (T) 1996 em bom nível, macio e aveludado, notas positivas de evolução mas ligeiramente mais linear (e menos fresco) que os restantes provados (16,5-17) e, por isso, aconselha-se bebê-lo nos próximos anos. Já o Reserva Especial (T) 1997 mostra-se com taninos saborosos, com vigor, especiado e com frescura, ainda com bom nervo, boca com complexidade em alta e final elegante. Pode ainda ser guardado mais uns anos na garrafeira (17-17,5).

Em suma, quatro grandes vinhos e a uma certeza: a de que a Casa Ferreirinha tem vinhos que sabem, efectivamente, envelhecer nobremente. É claro que sempre ficam algumas interrogações: será que a década que se aproxima nos vai trazer mais tintos destes? Daqui a 10 anos, como estará o Reserva Especial (T) 2001 recentemente lançado no mercado? Independentemente das respostas a estas (e outras) questões, certo é que todos os vinhos provados estavam óptimos e recomendam-se, merecendo destaque absoluto o Reserva Especial (T) 1986, um vinho que, com 24 anos, se mantém um gigante com "pernas para andar" na garrafeira e que, nessa medida, pode ainda ser guardado mais uns anos, sempre para os momentos especiais da vida - se poderia ter sido Barca Velha(?), talvez... mas isso, a nosso ver, não interessa nada.


Boas Festas e Feliz 2010!

terça-feira, dezembro 22, 2009

Novidade


Quinta da Covada Reserva (T) 2007

Cor muito escura, e alguma espuma violeta, a denotar juventude. No lote, onde entra uma percentagem de uvas de vinhas velhas, o predomínio é para a Touriga Nacional mas também (saúda-se pois não vem sendo comum) para a Tinta Roriz.

A prova de nariz revela uma fruta encarnada muito bonita, depois notas mais florais, a urze. Conjunto sem excessos, tudo entre o fresco e o cativante, num perfil muito duriense e gastronómico. Prova de boca saborosa, que se inicia com uma boa entrada de boca. Corpo e final de boca médios sem desmerecer, confirmando consistência ao conjunto no qual apenas a madeira está a caminho de melhor integração. Acresce um ou outro tanino "verde" (que poderá ser da madeira), devendo evoluir positivamente nos próximos 2-4 anos (pelo menos).

Mais uma bela estreia no Douro, um tinto com qualidade e carácter. Numa linha sem excessos (num ano dado a isso...), nem mesmo no preço que ficará abaixo dos €15.

16,5
+

quarta-feira, dezembro 16, 2009

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Quinta do Lubazim Reserva (T) 2005

Cor retinta, bem concentrada mas não opaca. Prova de nariz com boa intensidade, fruto maduro com predomínio para amoras e gingas, notas licorosas agradáveis e subtil chocolate.

A boca confirma o perfil generoso e garboso na fruta, muito saborosa de resto, cheia, quase-carnuda, de taninos redondos e final de boca correcto.

Um tinto muito consensual, que aposta sobretudo na generosidade da fruta, num carácter quase primário e autêntico não fosse o uso da barrica a atribuir-lhe uma maior complexidade. Quente de aroma e sabor, muito prazenteiro (mais a solo do que a acompanhar refeições), é um tinto que não desmerece a sua região, muito pelo contrário, é mesmo o Douro Superior numa garrafa.

A menos de €20 para quem não o tem e quer comprar, para os restantes - não esperem por ele na garrafeira pois parece estar agora na sua melhor fase.

16,5


Próximos vinhos: Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007

segunda-feira, dezembro 14, 2009

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Rol de Coisas Antigas (T) 2007

Muito curioso, e não só pelo nome, este tinto (mais um fruto da criatividade de Carlos Campolargo) bairradio Rol de Coisas Antigas. Nariz exótico, combinando notas adocicadas a alfarroba, urze e flores, muitas flores campestres e ligeiro couro – ao que parece, diz-nos o produtor, tanta originalidade advém do uso de castas antigas e/ou pouco utilizadas neste tempo (e daí também o nome escolhido para o vinho).

A boca apresenta-se pronta a beber, de taninos discretos, muito afinado mostrando enologia moderna, ao qual falta, todavia, alguma garra tão típica na região. Existe uma certa nostalgia exótica neste tinto, de aroma original e boca capaz.

Não sendo o melhor tinto de Campolargo (anda mesmo longe disso) merece ser descoberto, nem que seja pelo registo diferente com que se apresenta, a cerca de €10.

16


Próximos vinhos: Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009

quinta-feira, dezembro 03, 2009

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Obsessão (T) 2004

Cor a revelar muita concentração e a não fazer notar que passou já meia década da vindima. No nariz, um primeiro aviso a informar que é preciso arejamento, e depois… uma imensa profundidade aromática, daquela profundidade quieta, ortodoxa, nada exuberante.


É, por isso, um tinto que precisa e merece atenção, de bons e grandes copos, e que não pode passar despercebido, nem se deve desacertar com a sua complexidade. Ainda no nariz, mas já no fim da palete aromática surge a fruta madura (quase uma surpresa dado o invólucro cheio de frescura) mesclada com especiaria fina, daquela que o produtor já nos habituou noutros tintos da marca "Altas Quintas", muito provavelmente da madeira onde estagiou por vinte meses. Boca com acidez viva a proporcionar grande frescura – a antítese de um vinho enjoativo – todo ele gastronómico, um vinho que apetece beber e com o qual apetece comer.

Muito bem! Entre €40 a €50, um tinto com qualidade (e preço) elevado que certamente irá evoluir muito bem em garrafa e, por isso, dará melhor prova nos próximos dez anos.

17,5++


Próximos vinhos: Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007

domingo, novembro 29, 2009

Provas comparadas

+
Espanholices:


Três tintos espanhóis, todos com galardões mas de preços e colheitas diferentes, todos "ao molho" numa prova só. Ou seja, prova livre e de livre espírito crítico, como tudo devia ser...

Psi (T) 2007: Mais fresco do que as restantes criações de Peter Sisseck, fruto muito puro, bonita prova nariz, mas na boca pretende-se mais do que um tinto fresco e gastronómico (que o é), era preciso mais garra e profundidade, mas tem taninos e acidez que o permitirão evoluir (entre €25 a €30). 16,5+

El Puntido (T) 2005: Já o tínhamos provado outras vezes antes desta, é um tinto moderno, internacional no estilo, com fruta e madeira em doses certeiras e uma doçura que não chega a incomodar. Bom trabalho na madeira, que na boca se sente oferecendo alguma garra que os taninos do vinho não têm. É bom - teve 93 pontos "Guía Peñin" - mas não faz sonhar (a cerca de €30). 16,5-17

La Nieta (T) 2004: Este sim, este DOC Rioja (das "Bodegas Viñedos de Páganos") convence-nos... abre com nariz sisudo, pouco expressivo de início mas muito profundo. Boca na mesma linha, de início fechada mas opulenta de seguida, com fruta saborosíssima. A madeira ainda está evidente e os taninos são brutais, mas o que é mesmo evidente é estarmos na presença de um grande vinho com um grande futuro (entre €60 a €80). 17,5++



quarta-feira, novembro 25, 2009

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Altas Quintas Reserva (T) 2005

Muito escuro no copo, púrpura e violeta praticamente opaco. Nariz muto intenso com notas imediatas a etanol e ligeira madeira (a lembrar mobiliário antigo). Neste início, a fruta aparece sem pressas, e como que disfarçada em matizes de amoras e mirtilhos. Com uma hora no decante, maior expressão toma a fruta, agora acompanhada de um toque fresco a menta – de resto, não evolui muito (o que aparenta garantir-lhe longevidade).

Boca fresca, ampla com taninos muito presentes, saborosos mas ligeiramente ásperos. A melhorar os taninos, e também o final de boca que deverá crescer em comprimento.

Um belo tinto, fresco e profundo (ao qual falta apenas, no nariz, melhor definição da fruta), que respeita o terroir de origem - Alto Alentejo - e que merece descansar mais um pouco na garrafeira. Neste momento, do mesmo produtor e colheita, dá mais prazer o "Mensagem Aragonês (T) 2005" (ver aqui).

17++


Próximos vinhos: Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007

quarta-feira, novembro 18, 2009

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Quinta das Maria Touriga Nacional (T) 2006

Voltando às provas e deixando de lado, por breves textos, as novidades, avançamos para este cada vez mais conhecido tinto do Dão. O estilo é marcante, com muita potência na prova de nariz e boca, um vinho que pretende ser uma simbiose entre o que o Dão melhor pode proporcionar, mas nem sempre consegue: força e elegância.

No nariz, contudo, é a força que se impõe, infelizmente com a madeira ainda por integrar, num registo de muita fruta a par das típicas notas violetas da casta. Apelativo, mas algo "morno", com alguma compota e notas soltas a chocolate. Na boca melhora pois a madeira não está tão evidente e a fruta é mesmo saborosa, com ligeira (mas essencial) frescura. Final agressivo, "largo" e expressivo, mas ainda longe da elegância revelada por outros vinhos da casa.

Neste momento, está para os fãs da marca (que, merecidamente, já são muitos), mas, a nosso ver, o melhor é por ora beber, da mesma casa, o tinto Garrafeira e/ou o Touriga Nacional, ambos da magnífica colheita de 2005.

16,5+


Próximos vinhos: Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim (T) 2005; Arundel (T) 2007

terça-feira, novembro 10, 2009

NOVIDADES DO DOURO



São duas novidades do Douro, de colheitas e produtores diferentes. O tinto de 2006 da Quinta da Foz, uma das poucas quintas da família Cálem que não foi alienada a terceiros, já está no mercado faz cerca de 2 meses, mas não deixa por isso de ser uma novidade a nosso ver. Depois de uma enorme reconversão das vinhas (à excepção da vinha velha que ficou inalterada) e de uma nova adega é bom ver renascer esta quinta!
O (também) tinto da Tapadinha é de 2007 e é mais recente no mercado, mas o produtor há muito que faz (bom) vinho, basta dizer que e é o primeiro resultado a sair da quinta recentemente adquirida por Domingos Alves de Sousa na região do Cima Corgo.

  • Quinta da Foz (T) 2006
Novo projecto de uma quinta emblemática do Douro situada na foz do rio Pinhão. Depois da boa receptividade do tinto VT (colheitas '04, '05 e '06), José Maria Cálem volta à carga, desta feita agora com um tinto menos rústico, mais sofisticado e prazenteiro na fruta, enfim bastante mais no "estilo Pintas". Aroma quente, notas licoradas e frutos negros e encarnados. Boca já sedosa, saborosa e com taninos certeiros na proporção macieza/envergadura. Belo final a prometer evolução (irá, naturalmente, melhorar em garrafa nos próximos 5 anos). A cerca de € 35 nas melhores garrafeiras e também no clube WinePT. 17-17,5+


  • Tapadinha Grande Reserva (T) 2007
Novo projecto de Domingos e Tiago Alves de Sousa, desta feita numa investida no Cima Corgo. Absolutamente negro no copo, muito químico no nariz, tinta-da-china, frescura química que esconde o álcool elevado (15.º). Na boca melhora, mostra a meio do palato força e juventude com muita fruta negra, sem revelar contudo arestas vincadas. Por ora, falta final de boca mas está interessante, no perfil concentrado. Entre € 20 a € 25 nas melhores garrafeiras. 17
+

domingo, novembro 08, 2009

NOVIDADE


Esporão 1.º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo (T) 2007


As recentes colheitas de 2007 e 2008, com temperaturas moderadas um pouco por todo o país, os avanços tecnológicos no trabalho na adega, e a introdução de castas com perfil floral (eg., Touriga Nacional e Franca), fizeram com que a planície alentejana começasse a produzir vinhos onde o calor da fruta não é o aspecto mais evidente. O gosto de alguns consumidores – que, alegadamente, terá cambiado no sentido de preferir vinhos menos madurões – também marcou a suposta reviravolta.

Um dos melhores exemplos da planície chega-nos ao copo com este Esporão 1.º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo (T) 2007. Sim, porque se no primeiro ataque no nariz nos faz questão de lembrar que tem Syrah e Touriga Nacional, numa vertente próxima do rebuçado e da compota, já com alguma oxidação forçada com o mover do copo são outros os aromas exalados, mas próximos da urze e de algum vegetal mesmo, talvez fruto da Touriga Franca e do Alicante Bouchet que também contém. Na boca mostrou-se muito bom, com taninos suaves mas não redondos, antes saborosos, algum chocolate no fim da fruta encarnada madura, e madeira a aparar o lote. Nada de excessos, nada de concentrações majoradas, e até alguma frescura e largura no fim de boca. Poderá – e deverá – melhorar com mais 2 a 3 anos em garrafa.

Um bom exemplar do que melhor se faz no Alentejo com recurso a castas que, à excepção do Alicante, não são propriamente típicas da região (o Alicante não sendo indígena tem vindo a ser utilizada faz vários anos). Não por isso (ou talvez?), ressente-se apenas uma certa falta de complexidade e até, opinião pessoalíssima, a falta de um ligeiro lado rústico que não dispensamos quando provamos alentejanos.

A cerca de € 35 nas melhores garrafeiras, temos aqui um vinho de muito prazer.

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domingo, novembro 01, 2009

NOVIDADE

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Quinta do Vallado Reserva 2007

Se, por um lado, os Vallado Reserva (T) das colheitas de 2000 e de 2003 espantaram(-nos) pela maturação não excessiva da fruta, ao contrário de parte dos seus pares durienses, e se, por outro lado, os Vallado Reserva (T) de 2004 e 2005 encantaram(-nos) pelos taninos valentes, secos e gastronómicos, em especial o '04, é então licito concluirmos que este Reserva (T) de 2007 marcou(-nos) pelo carácter perfumado e pela elegância das suas "formas".

Com uma maior percentagem no lote de Touriga Nacional ("o melhor talhão de Touriga disponível na quinta", segundo os responsáveis) em relação a anos anteriores, o nariz deste Vallado Reserva encontra-se, naturalmente, marcado por um timbre floral, mas sem excessos antes em plena conjugação com fruta encarnada de qualidade e madeira nova, num blend muito cativante e nada maçador. No copo, pronto a levar à boca, apresenta-se de cor ruby, não opaca portanto, e de corpo aparentemente esguio que não deverá, todavia, afastar os consumidores.

Muito saboroso logo na ataque de boca, com fruta fresca no meio do palato marcado pela fruta encarnada e ligeira madeira, é contudo o seu final de boca, com acidez, elegância e profundidade, que nos leva a concluir que temos vinho, e que teremos vinho para os próximos anos. É preciso é saber esperar...

Esta edição de '07 estará, sem muitas dúvidas, o Vallado Reserva (T) mais apelativo e perfumado no nariz de todos os que conhecemos (e conhecemos todos...), ao que acresce a boca equilibrada apanágio da marca, plena de sabor como nunca antes, e sem esmagamentos ou potências desmedidas. Uma das melhores edições deste tinto a um preço não exagerado entre € 28 a € 32.


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