quarta-feira, janeiro 14, 2009


NOVIDADE


"Secret Spot" Moscatel do Douro


A par de Setúbal, a referência geográfica que se associa imediatamente a vinhos moscatéis nacionais é Favaios no concelho de Alijó (Douro). Contudo, a enorme produção de vinho moscatel em Favaios teimou, durante muito tempo, em não ser devidamente acompanhada por um reconhecimento da qualidade dos seus vinhos, sendo muitas vezes, aliás, relegada para um plano secundário, no fundo como se fossem "moscatéis de segunda" quando comparados com os irmãos de Setúbal…

Mas, de há uns anos para cá, alguns sinais surgiram em sentido oposto. Primeiro, o lançamento pela Adega Cooperativa de Favaios de lotes com uma qualidade significativa (eg. "Moscatel de Favaios 10 anos"). Depois, a aposta por algumas casas
conhecidas e usualmente mais identificadas com vinhos DOC ou do Porto, com destaque merecido para a Quinta do Portal (Celeirós).

Com largos anos a trabalhar "paredes-meias" com produtores de moscatel, Rui Cunha e Gonçalo Lopes (a dupla "GR Consultores") aperceberam-se da lacuna existente (i.e., a ausência de um moscatel de referência no Douro) e deitaram mãos à obra. Começaram por procurar os melhores agricultores e produtores, provaram e voltaram a provar os vinhos em reserva, e seleccionaram alguns lotes com idades diferentes. Com a mestria reconhecida à dupla de enólogos e produtores elaboraram, então, um lote final a partir dos vinhos seleccionados que estagiou num tonel de madeira exótica, ora engarrafado sob a denominação Secret Spot, já utilizada num belo tinto da colheita de 2004.

Quanto a este moscatel, evidenciamos a relação muito interessante entre acidez e untuosidade, muito recompensadora no olfacto mas, sobretudo, no palato. Cor cobre, com laivos esverdeados a lembrar ferrugem ou ambar. Nariz complexo, intenso, inebriante nas suas variações florais e tiques caramelizados. Entra na boca com carácter meloso, bem carregado nas notas não pesadas a caramelo. No "meio de boca" surge mais pungente, com as típicas notas a flor de laranjeira e a pêssego em calda a sobressairem, para terminar num final doce mas, simultaneamente, fresco e vivo. Gostámos muito, com nota positiva adicional para o facto de se diferenciar um pouco do estilo de Setúbal, este mais carregado nas referências adocicadas. A nosso ver, melhora se bebido no intervalo de temperatura entre 10º e 12º.

Uma iniciativa a salutar de forma festiva esta a de engarrafar um moscatel de topo do Douro! Naturalmente, só custa o preço, mas este moscatel tem o estatuto de quase raridade (dada a pouca quantidade produzida), entre € 40 a € 45 a garrafa de meio litro.


17-17,5

1 comentário:

Pingus Vinicus disse...

Caro amigo, de facto o grande entrave é o preço que custa.

Um grande abraço