quarta-feira, janeiro 30, 2008

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Duas novidades alentejanas
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Passamos a falar de dois vinhos tintos do Alentejo. À primeira vista (ou seja, à primeira prova), tirando a sua proveniência e o ano de colheita, pouco mais terão em comum. Bom, na verdade, têm mais algo em comum posto que têm boa apresentação e vêm afamados como recomendações na revista Blue Wine. E, precipitando o que seria a conclusão deste pequeno texto, afinal até partilham mais qualquer coisa - a nossa opinião sobre eles: é que sendo ambos tintos com bastante valor, estávamos a espera de outras alegrias. Em rigor, ambos deixaram a sensação que podiam dar mais. Vejamos:

O primeiro que falamos é o Scala Coeli (T) 2005, da reputada casa Fundação Eugénio de Almeida responsável pelo mui famoso Pêra Manca. Pois bem, este tinto logo nos fascinou pela cor no copo, muito bonita com laivos violeta a revelar juventude. No nariz é que foi menos interessante pois o domínio dos aromas provenientes da madeira é muito intenso. Os apreciadores menos atentos esqueçam as referências a fruta pois é madeira e mais madeira, acompanhada de matizes torradas, caramelizadas e a café. Perante este cenário, já era de esperar que na boca se mostrasse "fechado a sete chaves" como que a dizer que temos uma roleta-russa nas mãos: ou beber agora - e será uma má opção pois está muito novo - ou esperar por ele – e isso é uma incógnita pois os taninos estão escondidos com tanto poder e amargura. A boca, pois claro, é poderosa, cheia de volume e passados 30 minutos o vinho melhora e mostra que foi feito com muitos cuidados, que a fruta é compota daquela bem madura, e que a madeira (nova, nova, nova) é de boa qualidade. Mas... lá que se torna aborrecido, disso não temos dúvidas. O lote é bordalês, mas isso não o faz ser um daqueles tintos que não se esquece. E o preço… upa upa, desde €30 até ao dobro. No cômputo final: 16.

O segundo vinho é o Roma Pereira (T) 2005, que se apresenta num estilo oposto ao anterior: onde o primeiro "atira" madeira, neste ela apenas se "sente"; onde o primeiro tem volume desmedido, este comporta elegância; quando o primeiro se torna aborrecido, este testemunha ser gastronómico. É certo que lhe falta algum corpo e isso nota-se bem, podendo afastar alguns consumidores que apreciam tintos mais aguerridos. É certo que a fruta na boca não é absolutamente saborosa, mas isso não quer dizer que não evolua nesse sentido. Este vinho é, aliás, claramente um tinto de evolução, ao contrário do primeiro, pelo que será de esperar mais daqui a um par de anos. O seu único "calcanhar de Aquiles" talvez seja o facto de estarmos sempre à espera de mais força durante a prova e, sobretudo, no final de boca. Efectivamente, começa bem com fruta macia, boca aveluda, mas o final peca por esguio e escasso na intensidade. Da mesma forma, o conjunto começa por acompanhar bem pratos exigentes, porém das duas vezes que o provámos - uma a acompanhar rabo de boi, e uma outra em prova cega com o Pingus que muito gostou dele (ver aqui) - não deixou tantas saudades como desejávamos. É, sem dúvida, um tinto sério, complexo, no qual a tipicidade das castas não é totalmente perceptível. Os 12,5% de álcool agradecem-se e, assim, pode-se beber um golo mais. O preço recomendado gira em torno dos €15, valor sensato e merecido. No cômputo final: 16,5.
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sábado, janeiro 26, 2008

Frescos no frio

Para os friorentos, como eu, o frio é das sensações mais desagradáveis que existe. Chegamos mesmo a odiar o frio. A única vantagem do frio é que nos faz apetecer comidas quentes e fortes e, com isso, tintos de respeito, encorpados e poderosos. No Inverno temos soluções românticas como a lareira ou as salamandras, e outras mais modernas como o célere ar condicionado e os eficazes aquecedores de vária ordem (os a gás é que aquecem a sério). Também existem recuperadores de calor, e mais uma panóplia completa de electrodomésticos à venda com o mesmo fim.

Pois bem, com os aquecedores ligados no máximo, o calor volta a casa, e logo a vida regressa lentamente ao corpo. E é nestes momentos que vem o prazer sublime de beber um vinho tirado do frio. Pergunto-me se existirá maior prazer, no que toca a vinhos, do que beber um branco ou rosé bem fresquinho no calor da casa, e olhando pela janela contemplar lá fora um Inverno rigoroso.

Assim, ficam aqui duas sugestões para acompanhar o calor da casa neste Inverno de Janeiro: o Sães (R) 2006, um rosé seco, pouco exuberante mas muito fino e de complexidade significativa (merecedor de 15 valores), e o Soalheiro (B) 2006, um alvarinho de cetim que dispensa apresentações e que, segundo a tradição das colheitas anteriores, muito melhora em garrafa, por vezes num período que chega aos cinco anos (e que, também por isso, leva de nós 16,5 valores).
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À vossa
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Saúde !

terça-feira, janeiro 22, 2008


"cuidado, atenção"


Já se sabe: pode acontecer aos melhores vinhos. Mas é sempre com um travo de desapontamento. Provou-se uma garrafa, outra. Outra ainda, desta feita proveniente de uma caixa diferente. Sempre alaranjado no copo, aroma a bafio, e sabor oxidado ("passado" em bom português!). Pode acontecer aos melhores, e muitas vezes não é culpa dos próprios produtores. Pode acontecer aos melhores, e outras vezes a culpa não é dos distribuidores e muito menos das garrafeiras. Todavia... como tudo na vida, raramente a culpa é de ninguém.
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Colheita de 2001. Desclassificado para beber e mesmo para cozinhar.

sexta-feira, janeiro 18, 2008


Quinta da Fata - tintos

Construída no final do século XIX, a Quinta da Fata situa-se em pleno coração da região do Dão. A escassos quilómetros de Nelas, e a menos de meia hora de carro da Serra da Estrela, produz vinhos com as tradicionais castas da região, numa gama que dispõe já de um branco encruzado, um tinto monovarietal de touriga e um tinto reserva, e de muitos prémios nacionais e internacionais. Como é Inverno, com chuva e frio como há muito não se via, deixemos o branco de 2006 para outra altura e centremo-nos nos tintados de 2005, colheita excepcional no Dão.

Quinta da Fata Reserva (T) 2005: Confirmando as suspeitas reveladas no intróito, este reserva tem um perfume típico dos tintos de lote da região. Não admira, assim, a sua composição, seguindo fórmula costumeira, touriga nacional, jaen e tinta roriz em maiores percentagens, e umas "pingas" de alfrocheiro preto e trincadeira - o Dão tem, aliás, mostrado diversos produtores com vontade de melhorar os seus vinhos mas dentro da tradição. Temos assim um vinho retinto, vermelho escuro e límpido no copo. No nariz – e na boca, adiante-se – é identificável de imediato estarmos perante um vinho de lote, com fruta complexa, fina, focada em frutos vermelhos silvestres, tudo num conjunto jovem, embora as notas doces da madeira tragam consigo um carácter surpreendentemente caloroso (mas não quente) a um perfil, no geral, algo duro. Boca com estrutura mediana, taninos não agressivos e saborosos. Para um Dão de 2005, já se bebe muito bem, com prazer e sem receios que a acidez obrigue a um prato muito forte. Esta talvez seja mesmo uma característica a salientar – está pronto a beber embora a acidez garanta longevidade. O final é seco, com persistência média. Está aqui uma boa reserva do Dão, aposta segura para o consumidor e, ao que parece, não muito onerosa. 16

Quinta da Fata touriga nacional (T) 2005: O produtor confessa-se seguidor da tradição de vinhos de lote, mas reconhece que a touriga nacional tem muita garra a sólo e mostra-se, geralmente, com complexidade acima da média. Por isso, e uma vez que o mercado pede cada vez mais touriga, produziu "excepcionalmente" (sic) este monocasta. E ainda bem que o fez, pois tem, efectivamente, muita garra e complexidade. Quanto à garra, é mesmo superior ao irmão reserva: boca cheia, taninos vincados, e um final significativamente prolongado. O nariz está ainda fechado, bem preso na madeira (como tantos outros que andam por aí), mas antevemos o forte carácter das violetas e a fruta madura em caleidoscópio. Para não dizer muito sobre o óbvio quanto à cor – praticamente opaca, como convém nestes tempos. Por agora, perante um prato regional, talvez escolhêssemos o irmão reserva, mais gastronómico e mais pronto a beber, mas o nosso coração pende para a companhia deste touriga, muito jovem ainda no nariz mas na boca muito energético e saboroso. Aconselha-se por isso, nesta fase, a decantar o vinho com bastante antecedência e a consumi-lo a 18º. Belo touriga, a pedir que se se repita a experiência na colheita de 2006 ou 2007. 16,5 - 17
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Próximos vinhos: Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004; Alvear PX (B) 2004

domingo, janeiro 13, 2008

Herdade das Servas Touriga Nacional (T) 2004


A par de vinhos potentes com alicante, o Alentejo também nos tem oferecido vinhos onde a casta touriga nacional é dominante, quando não exclusiva. São, em regra, vinhos também eles potentes, que impressionam os sentidos desde o primeiro momento. Alguns, quando sedutores e exóticos, podem ser fantásticos (como este aqui). Outros, mais brutos, são quase um "murro no estômago" e de difícil ligação gastronómica. Este Herdade das Servas pertence ao segundo e último tipo.
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É um tinto com uma hiper concentração, que destila notas olfativas a tinta-da-china e a vegetação seca, para além de se mostrar totalmente impenetrável aos raios de luz. É como que um bloco e, ainda por cima, com a fruta algo presa e muito tímida. Como é habitual em tintos desta índole, mostra tem boca fresca, ampla até, e o seu final revela uma persistência média.

Na nossa opinião, é um tinto com valor, mas com pouco a dizer. Parece vir dar razão àqueles que dizem que no Alentejo mais vale alicante do que touriga. Contudo, para quem é fanático da casta - apesar de ela não ser evidente -, mesmo ou sobretudo na sua versão hard, será um must a não perder. A menos de € 25.

16,5
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Próximos vinhos: Quinta da Fata Reserva (T) 2005; Quinta da Fata Touriga Nacional (T) 2005; Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004

quarta-feira, janeiro 09, 2008


Vale de Ancho Reserva (T) 2004

É um vinho, topo de gama da casa que produz a marca Couteiro Mor, que tem já algumas edições e revela sempre muita qualidade, apesar de o estilo mudar um pouco (também) em função da colheita.


Neste de 2004 apresenta o estilo seco, rústico, intenso e muito concentrado (tudo marcado pelo alicante) que parece estar na moda no Alentejo. Algo longe, portanto, do estilo de 2003, irá certamente evoluir bem, mas o melhor é esperar um par de anos.

Nariz fechado, pouco falador, vai lançando aromas vegetais misturados com um toque queimado e agreste que provém da madeira. À semelhança de anos anteriores, revela referências interessantes a grafite e espargos. Boca fresca, ampla, fruta vermelha e alguma caruma, tudo muito bem equilibrado. Final marcado pela madeira com boa persistência.

É, em suma, um tinto muito sério – e, por enquanto, até "sisudo" – com fruta menos exuberante e cativante do que em colheitas anteriores (sobretudo face 2003, ver aqui), com predomínio de um estilo mais gastronómico. Vale a pena para guardar em cave e esperar que se torne mais macio e complexo. A nosso ver, não é, todavia, a mais entusiasmante edição do Vale de Ancho. A menos de € 30.

17



Próximos vinhos: Herdade das Servas TN (T) 2004; Quinta da Fata Reserva (T) 2005; Quinta da Fata Touriga Nacional (T) 2005; Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004

segunda-feira, janeiro 07, 2008



Quinta do Perú (T) 2004

Chega-nos este tinto das Terras de Sado e logo nos apercebemos do seu carácter moderno e sedutor. Carregado na cor, vermelha escura com ligeira marca acastanhada, e um nariz que começa por causar impacto pela madeira muito presente.

Depois vem muita fruta madura, (infelizmente) linear e compotada, calma e quente. Matriz frutada, corpo sustentado em algum álcool, final médio + com destaque novamente para o fruto muito maduro. Feito a partir de 3 castas, são a syrah e o aragonês que mais se destacam no conjunto, perdendo a touriga nacional o protagonismo.

Vinho no qual se nota aprumo no trabalho na adega, construção assente num estilo excessivamente marcado pela fruta gulosa e madeira predominante, certamente de agrado do público jovem e generalizado. Tem um estilo pouco rústico que nem sempre encontramos nesta região e talvez com algum tempo em garrafa o peso excessivo da madeira seja atenuado (mas quem vai ter paciência para esperar por ele?).

Com um pouco mais de acidez, poderemos vir a encontrar aqui, sobretudo nas próximas colheitas, uma bela marca de uma zona - Azeitão - que tem muitos encantos (a começar na vila e as suas tortas, mas com destaque para a magnífica Serra da Arrábida). A menos de € 14 nas garrafeiras (não é barato...), e em algumas grandes superfícies comerciais.

15,5 - 16



Próximos vinhos: Vale do Ancho Reserva (T) 2004; Herdade das Servas TN (T) 2004; Quinta da Fata Reserva (T) 2005; Quinta da Fata Touriga Nacional (T) 2005; Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004

terça-feira, dezembro 25, 2007

Feliz Natal e uma sugestão
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Temos para nós que o Natal não é festa para vinho novo. Aliás, para provar o vinho do ano, ou mesmo de um ou dois anos anteriores, já existem outras festas. Bom, se não existem, a verdade é que deviam existir...

Já no Natal, só nos apetece vinhos com a marca inconfundível do tempo e da evolução em garrafa. Por alguma razão, existe o conceito de "vinhos de calendário": vinhos de luxo, caros – e já com alguma evolução em garrafa, acrescentamos nós – enfim, a antítese do consumo diário.

Efectivamente, se durante um ano inteiro damos connosco a pensar que determinados vinhos "não estão no seu ponto óptimo", que são "demasiado raros para uma determinada ocasião", ou mesmo que "merecem ser bebidos com familiares e/ou certos amigos"... chega o Natal e devemos abrir essas mesmas garrafas. Sem excepção. É este o momento! É quase caso para gritar, como o Obélix perante uma legião de romanos, "Ao ataaaque!!!".

A título de nota pessoal, o nosso Natal sempre foi muito "Ferreirinha", o que se percebe tendo em consideração os (poucos) topos de gama que existiam há 10 e mais anos. Os Barca Velhas, os Reservas Especiais, os Reservas e, fora do universo Sogrape, algumas garrafeiras particulares - recordo-me de uma de Rio Maior da década de 60 absolutamente maravilhosa, bem como algumas do Dão que pareciam melhorar a cada ano que passava.
Ora, este ano vai voltar a ser assim. Mas fica sempre a dúvida: e o que beber antes do Reserva Especial e do Barca Velha? Sim, nós entendemos que não devemos começar a refeição a beber logo esses ícones do Douro... então o que beber antes, no início da longa refeição? Um vinho novo, com um ou dois anos em cave? Nunca!

Por isso, este ano (ou melhor, este Natal) deixamos uma sugestão pessoal de um tinto em óptimo estado de consumo – i.é, naquele momento perfeito (que durará ainda 2 ou mais anos) em que tudo já está equilibrado. Entrada de boca suave, bouquet perfeito com madeira sedutora, fruta fina e complexa, final composto. E claro, algum e saudável depósito. Sugerimos, assim, um Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001, talvez o vinho que mais nos surpreendeu ao longo do ano, dada a sua enorme qualidade e perfeito estado de evolução. Depois sim, provamos e bebemos os Ferreirinhas que, por isso, é que eles existem. E ainda bem.

Feliz Natal, festas felizes e votos de óptimos vinhos.
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Nuno O. Garcia

quinta-feira, dezembro 20, 2007



La Rosa Reserve (T) 2004

São várias as casas do Douro que apresentam sistematicamente vinhos tintos com qualidade. A par de alguns fenómenos mais mediáticos, são já mais de uma "mão cheia" (i.é, entre a meia dúzia e a dúzia...), os produtores que têm apresentado, com alguma regularidade, vinhos muito interessantes. Obviamente, referimo-nos ao panorama português, o que significa que quase uma década de bons vinhos é já, por incrível que pareça, "tempo relevante".

Um desses produtores tem sido a Quinta de La Rosa. Com uma gama interessante e relativamente abrangente (na colheita de 2005 foram mesmo engarrafados dois tintos de duas vinhas específicas), os vinhos desta quinta têm vindo a presentear-nos sempre com qualidade. A actual chefia de enologia de Jorge Moreira ("Poeira", "J", "Sirga") garante, certamente, futuro e sucesso assegurados.

Contudo, apesar desta regularidade, a verdade é que nunca antes deste 2004 tínhamos gostado tanto de um reserva da Quinta de La Rosa (adorámos o estreme tinto cão, mas esse não conta…). Nem mesmo o da recente colheita de 2005, o qual poderá, todavia, vir a melhorar em garrafa (parece-nos bastante mais "duro", a necessitar de polimento).

Este tinto de 2004 está pleno de elegância. Arriscando em tom de comparação – por vezes, já se sabe, infelizes e injustas –, diríamos que, no estilo e na concepção, está mais próximo deste do que daquele, mesmo tendo em consideração a diferença do ano. O nariz está complexo, de carácter não imediatista, com fruta madura e ligeiro floral. A madeira não está, felizmente, muito evidente (o que até se poderá estranhar para um vinho de 2004 com tanto tempo de estágio em carvalho...). Alguns dirão mesmo que lhe faltará a panóplia balsâmica que outros vinhos apresentam, mas isso não parece, a nosso ver, ser um defeito, antes um feitio.

Tem uma entrada de boca suave e muito acetinada, com fruta bem conseguida – delicada e doce q.b. – e taninos finos e saborosos. Final conseguido, trabalhado, de cariz aprimorado mas ainda longe de ser persistente (a melhorar, muito provavelmente, com algum tempo em cave).

A menos de € 27, como se vê pela nossa descrição, é um vinho difícil de resistir.

17,5

Próximos vinhos: Quinta do Perú (T) 2004, Vale do Ancho Reserva (T) 2004; Herdade das Servas TN (T) 2004; Quinta da Fata (vários); Encosta do Sobral (vários).

domingo, dezembro 16, 2007


Novidade do Douro

Mais um Douro de garagem (são apenas 3600 garrafas) e com muita ambição. Desta feita da responsabilidade da sociedade de enologia "Duplo PR", propriedade dos sócios Pedro Sequeira e António Rosas. O vinho é o 2PR Grande Reserva (T) 2005.

De cor rubi muito carregada no copo, com traço violáceo, apresenta um aroma super concentrado e marcado por uma geleia fresca de frutos vermelhos e notas secas a chá preto e alguma torrefacção. Acetinado na entrada de boca, fruta de qualidade "para dar e vender", muito gulosa, mas sem perder complexidade. É enfim, um daquelas vinhos onde a touriga marca pela fruta e não tanto pelo floral. Acrescem taninos suaves e um final longo e sedutor.

Na sua origem estão 3 vinhas diferentes e 3 castas (podia, por isso, bem ser "3PR" e não "2PR"), com cerca de 75 % de touriga e o restante rufete e tinto cão (este em pequena percentagem). Para nós, que o adorámos, a única dúvida será a sua evolução, pois está tudo óptimo para consumo imediato. Um dos vinhos mais voluptuosos do momento, sem dúvida. A não perder… por nada (a não ser pelo preço, ainda não conhecido, mas certamente superior a € 30.).

17,5 - 18

segunda-feira, dezembro 10, 2007


Novidade do Alentejo


Faz já algum tempo comentámos um "Comenda Grande (T) 2004" a propósito do restaurante Café 3 (foi aqui). Na altura pareceu-nos muito bem… mais um tinto alentejano a óptimo preço (abaixo dos 5 €) a permitir um consumo quotidiano e, preferencialmente, enquanto jovem.

Agora, apresentam-nos o irmão Comenda Grande Reserva (T) 2004 com um perfil diferente. A partir de alicante bouschet (60%) e trincadeira, é muito mais (como o nome indica...) "reservado" e discreto que o irmão colheita. No aroma – sério e complexo - sobressaem a fruta madura com notas de compota e uma ligeira baunilha e especiarias das madeiras de estágio. Já na boca está jovem, fresco, precisa de tempo. Nota-se imediatamente que não é um tinto alentejano "fácil" e de estrutura mediana. Ao invés, pela frente temos um corpo grande, austero até, onde a fruta não está ainda em primeiro plano mostrando-se algo agreste, mas de final de boca mais fino e persistente.

Vindo de quem vem – do Prof. Francisco Colaço do Rosário – não se esperava outra coisa. Um reserva muito bom e muito sério para guardar em garrafa.

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PS: é curioso que olhando para o rótulo parece tratar-se, à primeira vista, de um "grande reserva" e não de um "comenda grande".

quinta-feira, dezembro 06, 2007


Herdade de São Miguel Reserva (T) 2005

Todos nós certamente temos vindo a deparamo-nos com vinhos com taninos vincados, notas químicas e a chá preto, sabor amargo (eg., chocolate negro) e final intenso que deixa secura integral na boca. Recentemente, no Alentejo são vários assim, no Douro também (embora os topos de gama demonstrem geralmente elegância) e no Dão "idem aspas" (estou a pensar sobretudo naquelas bombas de tourigas pretíssimas que por aí andam…).

Este é mais um desses vinhos. Todo ele está "bruto", quase agressivo até, salvo o nariz que debita toneladas de fruto maduro muito apelativo. Na boca, desde a entrada ao final, é um verdadeiro portento de força. Tal não significa que não esteja bem definido e que não dê prazer – julgamos mesmo que irá ao encontro de muitos consumidores (sobretudo os mais jovens). Ficamos, todavia, com a dúvida sobre a sua evolução. É que apesar de ter tudo para que não se beba já (segundo o nosso paladar...), a marca é recente e, por isso, é preciso esperar com expectativa para ver o que temos na garrafa daqui a uns anos. Se evoluir bem, e estiver mais elegante e fino, teremos, então, um belíssimo alentejano. Até lá, é uma boa escolha para quem pretende medir forças com um tinto "supercharge" a menos de 15€ (embora já o tenhamos visto muito mais caro).

16,5


Próximos vinhos: La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004, Vale do Ancho Reserva (T) 2004; Herdade das Servas TN (T) 2004.

terça-feira, dezembro 04, 2007


Monte da Ravasqueira (B) 2006

Para bem do consumidor, e a bem da divulgação da marca Portugal no exterior, não devemos produzir apenas bons brancos com preços entre os 20 € e 30 €. Estes topos da pirâmide de qualidade e raridade poderão – e deverão! – sempre existir, mas suportados por outros também interessantes e muito mais baratos. A Nova Zelândia e a Argentina têm mostrado como se faz: alguns topos de gama, muitos baixa gama - todos com qualidade. Nós podemos fazer melhor, se quisermos.

Neste registo de brancos abaixo de 10 €, o Alentejo revela-se um forte player, e tem aproveitado ao máximo a sua capacidade de produzir bons vinhos a preços moderados. Acresce que a par da dupla antão vaz e arinto, os novos brancos do Alentejo têm incorporado outras castas, desde as internacionais mais conhecidas (eg., chardonnay e semillon) às nacionais (eg. verdelho e mesmo outras castas nobres de zonas nortenhas do nosso território).

É isto que sucede com este Monte da Ravasqueira (B) 2006. Provámo-lo, uma primeira vez, na sua apresentação em Lisboa e logo nos apercebemos da sua forte componente aromática, que nos remete para outras paisagens mais a norte e para outras castas… Depois, no retiro calmo do lar, voltámos a ele, uma e mais vezes. Sempre belo na sua cor pouco carregada, mostra já um bouquet marcado pela fruta e pela ausência de "peso". Tem, para nós, uma característica identificável: acidez sem vegetal. Na verdade, o vinho é fresco, com fruta complexa – são seis castas em jogo: três nacionais e três estrangeiras – pouco madura e referências tropicais (ananás, maracujá) e um ligeiro citrino. Na boca cativa e é bem saboroso; novamente a sensação a frescura que vem da própria fruta e não de elementos vegetais. Muito curioso e bem interessante, portanto.

Com o passar do tempo tem vindo a diminuir o seu frutado encanto, sofrendo alguma redução (o tal bouquet), mas o corpo está agora mais untuoso o que também é reconfortante. Pelo preço dele, inferior a 7,5 €, julgamos ser um "achado". É caso para comprar uma caixa! Foi o que fizémos.

PS: Para o tinto "vinha das romãs" (também interessante) ver aqui.

16


Próximos vinhos: Herdade de São Miguel Reserva (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004, Vale do Ancho Reserva (T) 2004; Herdade das Servas TN (T) 2004.

domingo, dezembro 02, 2007


Verdes ou rosés ?

Nem sequer o facto de estarmos em época natalícia pode explicar a confusão que vai em algumas superfícies comerciais. Somos pouco habitueés de hipermercados, mas sempre que entramos num desses espaços damos de caras com coisas como esta. "Verdes" dizem eles no expositor comercial (escrito com fundo rosa), mas apenas lá encontramos rosés, apesar de alguns provirem da região dos vinhos verdes. Já se sabe que a distinção entre verdes e maduros anda pela hora da morte (e nós subscrevemos), mas agora esta é demais.

PS: Até lá está um "Quinta da Alorna" (bem no cento da fotografia). Quem não sabe, poderá ficar a pensar que, afinal, é verde e não ribatejano.

segunda-feira, novembro 26, 2007


Calços do Tanha Reserva (T) 2003

Não é de agora que afirmamos que o "Calços do Tanha" é um vinho com uma boa relação preço-qualidade. De facto, já escrevemos sobre este vinho mais do que uma vez (ver aqui, ali, mais acolá e ainda aqui) e sempre "detectámos" a exuberância do fruto vermelho. Este Reserva 2003 ora provado mantém essa "marca", talvez até com mais vigor, começando por dar nas vistas com uma cor vermelha escura e ligeira evolução no bordo do copo.

O estilo é (aí está...) de fruta muito gulosa, de carácter moderno, com Rui Cunha até há pouco tempo a chefiar o trabalho de enologia (este foi um dos seus últimos trabalhos para a casa). Na boca, mantém-se actual, redondo (por vezes "plano"), de taninos suaves e final prolongado onde algum nervo se nota com ligeira frescura.

O estilo marcadamente frutado e quente – e não nos esqueçamos que a colheita é de 2003 – poderia não ganhar nada de bom com a passagem do tempo. Podia até ter perdido a fruta tornando-se pouco interessante, podia ter-se transformado num bloco agreste e fechado, podia até ter criado uma acidez desmesurada com a oxidação, como tantas vezes sucede com tintos desta índole.

Mas não foi o caso, bebeu-se muito bem, mais um bom tinto de Manuel Pinto Hespanhol a menos de 15€ um pouco por toda a parte.

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Próximos vinhos: Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Reserva (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004, Vale do Ancho Reserva (T) 2004; Herdade das Servas TN (T) 2004.

terça-feira, novembro 20, 2007


Bem perto do céu...

"Colheita 1991": belíssimo e interminável no final; e "Vintage 2005": um vintage novo quase perfeito. Ambos Niepoort.

domingo, novembro 18, 2007


Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002

Já aqui escrevemos sobre os vinhos da Quinta da Sequeira. Após diversas provas a praticamente toda a gama, podemos atestar a qualidade e longevidade dos diversos néctares, do "porta-estandarte" rosé até ao recente topo de gama (que comentaremos em breve), passando pelo nosso predilecto o branco vinhas velhas. Podemos atestar também as qualidades humanas do casal Mário Jorge e Graça, cuja dedicação e simpatia constitui certamente um exemplo no sector e suplanta os poucos anos que levam de actividade.

Imagine por isso o leitor a nossa satisfação ao ler a recente reportagem que a Revista dos Vinhos fez sobre a Quinta da Sequeira e confirmar que a opinião que sempre divulgámos sobre os seus vinhos não é, afinal, apenas a nossa.

Pois bem, foi num começo de noite sem muita história em Sintra que resolvemos voltar à Quinta da Sequeira. Tínhamos um amigo para jantar, que entretanto se atrasou, e preparámos um arroz selvagem de cogumelos (portobello e paris) salteado em finos rojões de porco preto com pesto. O regresso àquela quinta do Douro Superior fez-se então com o "Grande Escolha (T) 2002", e com a prova (mais do que provada…) que tal colheita foi capaz de proporcionar tintos bem interessantes na região.

A cor mostra vivacidade, ainda escura e impenetrante, apenas com uma pequena marca de evolução no rebordo do copo. O nariz é intenso, com fruta sobremadura e um pouco de anis no ataque inicial. Depois surgem notas a amêndoa, chegando mesmo a lembrar licor de amêndoa amarga (mas sem desequilibrar), e alguns tostados da madeira não totalmente integrada, num conjunto de complexidade média-alta. Enfim, tudo como que a dizer que ainda tem anos pela frente. A boca confirma o veredicto de propensão para a longevidade com fruta vermelha em grande quantidade e acidez franca. Final persistente com moderada elegância e que poderá ainda melhorar com o estágio em garrafa. O meu amigo Tiago Panão gostou tanto que jurou não mais se atrasar...

Em suma, um tinto de alta patente num ano difícil. A menos de € 20 e para beber nos próximos 5 anos.

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Próximos vinhos: Calços do Tanha Reserva (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Reserva (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004.

domingo, novembro 11, 2007


Quinta do Cerrado (T) Reserva 2003


A União Comercial da Beira, com sede em Carregal do Sal, tem vindo a obter bons resultados com a recente dinamização dos vinhos da região do Dão, tanto tintos como brancos (ou melhor e brincando um pouco, tanto tourigas como encruzados, as castas mais "dinâmicas" no momento). Por isso não surpreende a existência de vários produtos da empresa para além do tinto ora provado; entre eles, destaca-se o topo de gama "Lagares do Cerrado" e as monocastas brancas encruzado (a nossa predilecta) e malvasia e as tintas roriz e touriga.

De toda a gama Quinta do Cerrado, este tinto reserva em prova será porventura o vinho mais conhecido do consumidor, posto que não há feira de vinhos em hipermercado na qual não marque presença. Pelos vistos - i.é, pelo que provámos - ainda bem...
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É que se no copo tem cor vermelha escura perto de se tornar granadil, com bastante transparência e auréola diluída, já no nariz está muito curioso, não parecendo abrir (mesmo com tempo e decantado) e sentindo-se ainda um pouco a madeira (com notas tostadas) a tapar o fruto vermelho. Um pouco de casca de amêndoa, referências a caruma e outras mais torradas, final com um carácter levemente floral a dar um "ar da sua graça". Na boca é fugaz, ainda que mostre ter bom ataque inicial. Está levezinho, de corpo esguio, com acidez acentuada que aconselha a forte gastronomia da região. Não nos resultaram evidentes as castas que compõe este lote (são a touriga, a roriz e a jean diz-nos o produtor), mas o perfil é claramente Dão!

Se está a pensar comer um cozido sem couve (apesar deste tempo quente não ajudar), e apenas pretende ou pode gastar € 5,50, este tinto será uma boa opção. Acresce que está à venda na maioria das grandes superfícies. Muito acessível portanto.

15,5

Próximos vinhos: Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Reserva (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004.

quarta-feira, novembro 07, 2007


Quinta do Infantado Reserva (T) 2003

Era a primeira vez que o amigo Honorato ia lá casa e, também por isso, brindámos a sua entrada com um espumante. Esse espumante ajudou, pouco depois, a confecção de um risoto de espargos e cogumelos o qual, por sua vez, mereceu um acompanhamento à altura (do amigo e do risoto, dizemos com pouca modéstia). Qual então o acompanhamento? O Quinta do Infantado Reserva 2003, o primeiro reserva desta quinta da família Roseira, bem perto do Pinhão, que faz muito que produz Porto.

No nariz está, simplesmente, com um bouquet que se coloca entre os melhores do Douro! Claramente a apostar na elegância, tem fruto de qualidade sedutor e muita barrica afinada e, desde já, integrada. Tem ligeiras referências a LBV (que o calor do ano pode explicar), todavia estas não estão impositivas, pois a elegância apresentada evita qualquer laivo mais abrutalhado.

Na boca entra macio, com ligeira concentração, tem um certo carácter lácteo que o torna encorpado mas sem quaisquer exageros (nada químico). Com poucas arestas e sem "pontas soltas", é um tinto de matriz duriense que já dá grande prazer. É, aliás, um verdadeiro "vinho de prazer", e exibe, com orgulho, um daqueles finais longos e acetinados de fazer chorar por mais.

Uns dias depois, o amigo Honorato confessou-nos que gostou muito (do vinho, pois claro) e que tinha ficado com vontade de mais. Também nós... também nós. E o preço ajuda: a menos de € 25 é uma grande compra.

17,5


Próximos vinhos: Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Res. (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Res. (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004

segunda-feira, novembro 05, 2007



Encontro com o Vinho e Sabores

Mais um "Encontro com o Vinho e Sabores" que passou pela ex-Fil neste fim-de-semana. No Domingo (Sábado é sempre uma confusão...) esteve muita gente, mas menos gente do que no último ano, pelas nossas contas absolutamente não rigorosas. Por outro lado, pareceu-nos ver mais gente nova e mais público feminino, o que é sempre um excelente sinal. A organização esteve ao melhor nível e, tirando uma ou duas excepções, a grande parte dos produtores nacionais marcou presença, em muitos casos, apresentando mesmo os melhores vinhos (o que nem sempre acontece).

Nestes eventos, já se sabe, não se pode provar muito, pois corre-se o risto de gostar e começar a beber (em vez de só provar). Em todo o caso, sempre ficam algumas saudades de um ou outro vinho degustado. No nosso caso, saudades do magnífico Garrafeira do Comendador (T) 2003 da Adega Mayor, do energético Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2004, do polido e delicioso Gouvyas Vinhas Velhas (T) 2005, do enigmático Vallado Adelaide (T) 2005, e do potente Júlio B. Bastos (T) 2005. Tudo tintos.

Foi assim…