sexta-feira, julho 24, 2009


Quinta do Boição Escolha (T) 2006

Escuro no copo, mas não opaco. Nariz aguerrido, com notas de acidez e juventude à mistura, e um ataque a madeira a procurar amparar o conjunto. Boca com categoria, saborosa (mas não sedutora) nos frutos encarnados e pouco maduros, acidez franca e um final de boca honesto. Bem feito este tinto da Estremadura (agora, região de Lisboa), faltando um pouco mais de complexidade e fruta mais profunda e gulosa na boca. Em todo o caso, a €12 é uma boa escolha.

16

Próximos vinhos: Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008; Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006

domingo, julho 19, 2009

*
"Douro report": parte 2

É a segunda parte de pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Douro, em especial das colheitas de 2007 e 2008. São (mais algumas) curtas notas, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser simpático e inteligível. Vejamos:

Vértice Gouveio (Esp) 2004: Muito bem no estilo - seco e bruto - em crescendo até um final de boca absolutamente "champanhês"; complexidade (nariz), textura (boca) e graciosidade (final de boca), tudo numa flûte à sua espera; não o perca de vista. 17-17,5
Passadouro (B) 2008: Muita exuberância olfáctica, com um ataque inicial a fruto tropical, mais pêssegos e ligeiro ananás; tudo muito bem casado no nariz; boca com menos presença, algo "leve" mas com muito sabor; melhora com ligeira oxidação. 16
Olho no Pé Grande Reserva (B) 2008: Muito fresco e persistente no estilo; fruta em evidência mas alguma complexidade à mistura; na senda da boa colheita de 2007 mas talvez com mais fruta na boca; bom preço. 16,5
Aneto (B) 2008: Mais fruta, em parte tropical, do que na colheita anterior, e menos madeira nova também; perfil elegante; boca crocante e bom final; está agora mais um branco de Verão, enquanto a versão de 2007 estava mais um branco de Inverno.17
Lupucinus (T) 2007: Bela surpresa da Quinta do Lubazim; nariz a mostra os atributos do Douro Superior, quente, com fruta muito madura e vegetal seco, notas licoradas; a boca está um pouco mais fresca do que o nariz indicava e acaba muito bem, sedutor e seguro de si; grande preço a menos de €8. 16
Olho no Pé Grande Reserva Pinot Noir (T) 2007: Muito curioso este Pinot duriense, boa frescura no nariz e alguma complexidade; na boca cai um pouco com ligeira doçura, mas termina bem com um final elegante. 16 - 16,5
Miura (T) 2006: Produzido na Quinta de Tourais (Régua), tem um perfil moderno e internacional; madeira a tapar parcialmente a fruta; boca agarrida, secura da madeira e final sedoso; será de agrado generalizado. 16,5
Quinta de Tourais (T) 2006: Nariz com perfil duriense, fruto e ligeiro floral; na boca é alegre, mostra vivacidade e taninos definidos; irá evoluir bem em garrafa por mais 3 a 5 anos. 16,5+
Quinta do Tedo Fine Tawny (P) s/d: Bastante doce; complexidade q.b.; final saboroso; um tawny novo sem defeitos, mas também sem brilho; servir ligeiramente refrescado; bom preço abaixo dos €7. 15,5
Quinta do Tedo Finest Reserve Ruby (P) s/d: Muito bem este ruby, cheio de força e bem definido no que respeita à fruta; nariz muito maduro; aguerrido na boca mas com final relativamente sedoso; qualidade a um preço justo. 16,5
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Reserve Ruby (P) s/d: Mais um belo ruby, fruta preta no nariz, macio e redondo na boca, mas com potência de sobra para que passasse por um LBV. 16,5
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo LBV (P) 2005: Ainda não está no mercado, mas esperávamos um pouco mais depois da grande prova do ruby; muito fechado; estilo meio-seco; falta pujança sobretudo no final de boca. 16,5
Quinta do Tedo LBV (P) 2003: Perfil clássico de LBV com muita fruta, mas sem excessos; nariz maduro com referências a mato rasteiro e vegetal seco; destaque positivo para o final de boca; poderá melhorar ligeiramente na garrafa. 16,5+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Vintage (P) 2007: Melhor que o 2005; curiosamente mostra mais força, mais garra, mais químico; na boca apresenta alguma contenção; o melhor vintage da Quinta Nova na era "ex-Burmester". 17


quarta-feira, julho 15, 2009


"Douro report": parte 1

São pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Douro (e uma de Trás-os-Montes), em especial das colheitas de 2007 e 2008. São curtas
notas, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser simpático e inteligível. Vejamos:

3 Pomares (R) 2008: Apreciamos o estilo - mais seco que doce - mas falta-lhe expressão aromática; muito bem na boca, focada na fruta vermelha fresca com framboesas em destaque; bom preço. 15
Vallado (R) 2008: Muito bem no estilo - seco - mas muito expressivo. Boca cativante com fruta em evidência mas sem qualquer excesso; uma bela surpresa a conhecer. 15,5
Valle Pradinhos (R) 2008: Um dos nossos rosés favoritos; nariz contido com floral da Touriga Nacional; absolutamente seco na boca (quase palha), simplesmente imperdível. 16,5
Vallado (B) 2008: Muito fresco e acessível no estilo; nariz com fruta em evidência; descomplicado; boca prazenteira; ligeiro "pico" nesta fase (sulforoso?); bom preço. 16
Conceito (B) 2008: Algum peso excessivo prejudica o primeiro impacto; belíssima fruta branca madura, e final em evolução; poderá melhorar muito em garrafa. 16,5 +
Grainha (B) 2008: Muito fresco (apenas 50% de madeira nova), brilhante acidez, subtil, ligeiras notas a café; acaba tenso e vibrante; muito acima da versão tinta. 17
Quinta do Tedo (T) 2007: Bela surpresa; nariz duriense com fruta de bosque e flores; sedutor mas linear na boca; taninos já macios; bom tinto a preço de saldo. 16
Quinta do Tedo Grande Reserva Savedra (T) 2007: Mais uma grande surpresa da Quinta do Tedo (sita entre o Tedo e o Douro); fruta madura no nariz; boca elegante e saborosa; alguma madeira ainda tapa um pouco o conjunto; final médio/longo; preço muito competitivo. 17
Soares Duarte TTT (T) 2006: Perfil rústico e quente; nariz muito curioso, sedutor pela marca da complexidade e dos aromas difíceis de descrever; boca potente; um tinto interessantíssimo. 17
Conceito (T) 2007: Sisudo, impõe-se, no início, pelo carácter algo rude; fruta fresca escondida mas muito bem desenhada; profundamente gastronómico e com anos pela frente. 17+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Touriga Nacional (T) 2007: Opaco no copo, perfil aromático intenso mas não aborrecido; boca fantástica, complexa e de grande final; belo monocasta; irá melhorar em garrafa nos próximos 2 anos. 17+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Grande Reserva (T) 2007:
Fechado, procura compatibilizar o perfil duriense da marca com uma matriz mais internacional, e sobe um patamar na qualidade face ao resto da gama; fruta muito madura; madeira nova a integrar; grande entrada de boca e uma textura acetinada fora do vulgar; vai melhorar; muita qualidade mas um pouco caro. 17,5+
Quinta do Infantado Reserva (T) 2007: Perfil clássico com nariz de fruta madura (mas sem excessos), mato rasteiro e ligeiro floral; boca de entrada elegante; complexo e sedutor ao mesmo tempo e tudo sem exageros; madeira já a caminho da integração; vai melhorar nos próximos anos; preço alto mas justo. 17,5+
Quinta do Vallado Reserva (T) 2007: O lote poderá não ser o definitivo, daí o intervalo na classificação; sente-se muito a Touriga Nacional no nariz (maior percentagem?) e o vinho está muito acessível, encantador na relação fruta- flores-especiarias; boca quase pastosa e taninos disfarçados; um dos melhores e mais consensuais Vallado Reserva de sempre. 17 - 17,5

quarta-feira, julho 08, 2009


NOVIDADE

Charme (T) 2007

Aquando da última "Masterclass" dos Douro Boys (ver aqui), ficámos com a ideia que o Charme 2006 mantinha a finesse que lhe é reconhecida mas não tinha, nem de perto, o porte aristocrático de edições anteriores. Se lhe tivéssemos então atribuído uma nota, certamente que até nós ficaríamos surpreendidos com mediania da mesma. Aliás, esta é a primeira vez que pontuamos um Charme. Este intróito serve, pois, de demonstração da ausência de interesses e parcialidades a declarar e é, a nosso ver, indispensável dado o que iremos, de seguida e de forma sintética, passar a descrever.

No nariz abre sisudo, com notas iniciais a madeira - decantou-se então. Passada meia hora, brotam extensas notas minerais, pele de cão molhada, um ligeiro bret. e terra húmida com odor a cogumelos. Depois, sobressaem, com delicadeza e refreamento, framboesas, ligeiro citrino e respectiva casca (toranja), medronhos, e um pouco de creme de leite a acrescentar alguma gulodice. Uma hora depois, é tempo das notas fumadas taparem a fruta vermelha e o conjunto fica mais misterioso.
*
Boca excelsa, acetinada e positivamente delgada, com pendor para os frutos vermelhos. "Sente-se quase sem o sentir", apetece-nos desabafar. Potente dada a sua juventude, procura um equilíbrio que só o tempo em garrafa lhe dará. Grande final (para já), mas também ele em construção.

Um tinto absolutamente recomendável pela qualidade e pela diferenciação e destaque no panorama nacional. Absolutamente a não perder, apesar do preço elevado (nunca abaixo dos €70). Um grandíssimo vinho, e uma das notas mais elevadas que já atribuímos a vinhos não-generosos.

18
*

segunda-feira, julho 06, 2009


Cabriz Encruzado (B) 2007

Chegaram-nos algumas dúvidas a propósito da evolução deste Encruzado da Quinta do Cabriz (do universo Dão Sul) pelo que se impunha uma nova prova para tirar as teimas (para a prova anterior, datada de Setembro de 2008, ver aqui). O ano ajudou com boas condições climatéricas e, por isso, não foi difícil manter a qualidade que lhe vem sendo reconhecida, com notas minerais típicas da casta e nuances da madeira na qual estagiou. Na boca, é menos fino e subtil que outros da mesma região e casta mas apresenta uma consistência crocante interessante e apelativa, que se prolonga pelo final. Tudo muito próximo da prova anterior.

Em suma, um estilo próprio, e um estilo de sucesso a um bom preço. Poderá melhorar em garrafa, mas se há dúvidas, aconselha-se a beber umas e a guardar outras. Mantemos a nossa opinião.

16,5 - 17

Próximos vinhos: Quinta do Boição Escolha (T) 2006; Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008

quinta-feira, julho 02, 2009


Alain Graillot Crozes Hermitage (T) 2006

Vinho "trazido" para Portugal pela mão de Dirk Niepoort no seu canal "Projectos". Cor muito púrpura no copo, fechado mas não opaco. Não sendo um Hermitage (é difícil não começar por aqui, mas Crozes Hermitage, além de menos prestigiada do que Hermitage, é mais dispersa e com maior dimensão) está um tinto belíssimo a dar já uma prova com muito prazer. No nariz, de boa intensidade, está super floral - certamente a syrah mais floral que temos provado nos últimos tempos - conjugado com doces frutos negros numa compota muito atractiva e não pesada, antes delicada. Boca fresca, com complexidade, realce para a fruta menos madura do que o nariz faria prever, madeira imperceptível numa abordagem pura (e purista).
*
Em suma, um vinho bem desenhado, elegante e gastronómico, mas também prazenteiro sem ser demolidor na fruta e nos taninos (podendo-se beber desde já). Enfim, a antítese de um vinho chato, e tudo isto mais um bom preço, por volta dos €16 no site Projectos ou na Garrafeira Nacional!

17

Próximos vinhos: Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards (T) 2006; Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008

domingo, junho 28, 2009


BRANCOS DO ESPORÃO 2008

A marca Esporão está associada a vinhos bem feitos, consistentes na qualidade, preços adequados, disponíveis tanto em garrafeiras como em restaurantes e, por vezes – caso dos tintos "Private Selection" e "Torre do Esporão" –, vinhos capazes de proporcionar do que melhor se produz na planície alentejana. São razões de sobra, aliadas a um projecto de rigor financeiro, que explicam o sucesso comercial (bem como a recente expansão para o Douro com a aquisição da Quinta dos Murças) do projecto do empresário José Roquette. E são, também, razões de sobra para que, juntamente com as excelentes condições de 2008, estejamos perante dois brancos que, apesar das centenas de milhares de garrafas que representam, não desmerecem os atributos da marca Esporão. Vejamos:

Vinha da Defesa (B) 2008: Laivos amarelos e verdes no copo, dispara notas citrinas e outras mais tropicais. A diferença para as colheitas anteriores (além do grafismo na garrafa) surge com referências vegetais curiosas, presentes no nariz e confirmadas na boca. Fresco, correcta acidez, quase vibrante, tem ligeiro "pico" mas pode ser que passe com algumas semanas em garrafa. Será amigo de gastronomia de Verão menos elaborada. Tem vários concorrentes de peso, e alguns mais baratos, mas mantém-se um boa compra a menos de € 6, disponível um pouco por todos os pontos de venda no país.
15,5

Esporão Reserva (B) 2008: Consegue revelar-se mais vegetal que o Defesa com referências a talo e caule de couve. Temos também a habitual calda de ananás e pêssego mas menos evidente que em anos anteriores, amparadas pelas tradicionais notas fumadas, e umas curiosas líchias. Boca cheia, ataque amplo marcado pela madeira, perfil internacional de agrado generalizado. Não é fácil encontrar um vinho com tanto volume de venda e, ao mesmo tempo, generoso na fruta, consistente na qualidade, e prazenteiro na hora de acompanhar pratos tão diversos como carnes brancas ou peixes com molhos. Servir em copos largos. A menos de € 10 é uma boa compra, mas é sobretudo uma excelente aposta junto da restauração mais especulativa.
16,5
*
*
Próximos vinhos: Alain Graillot Crozes Hermitage (T) 2006; Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards (T) 2006; Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007

terça-feira, junho 23, 2009

NOVIDADE:

Niepoort vintage (P) 2007

Mais uma novidade. Mais um vintage de 2007 (para outros já provados ver aqui), e que vintage este da Niepoort… Logo depois de um excelente 2005 (tanto mais excelente quanto o facto do ano não ter sido "clássico"), a Niepoort volta a superar-se com este belíssimo vintage de boca carnuda, redonda, meio-doce e longo final. Nariz que surpreende por, apesar do pouquíssimo tempo em garrafa, se encontrar, desde já, muito afinado: fruta em destaque com notas de geleia doce de mirtilhos e amoras, exuberante também nas referências florais, um conjunto sedutor "quase quente", mas sem nenhuma percepção típica dos defeitos e feitios típicos em colheitas com sobre-maturação.

É um estilo este que a casa chefiada por Dirk Niepoort está a introduzir nos seus vintages Port faz já algumas colheitas, é um estilo que nos agrada e muito. Um vintage quase perfeito, com longa vida pela frente, sobretudo no equilíbrio dos seus componentes (sendo que equilíbrio não é, por norma, um atributo deste tipo de Porto). Enfim, um vinho tributário de um ano também ele equilibrado, mas um vinho fruto também de um projecto de gerações que parece não querer deixar de melhorar...

18-18,5


PS: O Pingus também o provou. E também o aprovou, aqui!

terça-feira, junho 16, 2009

NOVIDADES:

Quinta do Vesúvio (T) 2007
Pombal do Vesúvio (T) 2007

Ainda no campo das novidades (as provas em "lista de espera" terão de esperar mais um pouco), e mantendo-nos no universo Symington, provámos os recentíssimos tintos DOC da Quinta do Vesúvio. São dois tintos - i) um topo de gama: o Quinta do Vesúvio (T) 2007, e ii) um "super premium": o Pombal do Vesúvio (T) 2007. A expectativa era muita, não só pelo primeiro se situar lado a lado com o "Chryseia" (que, em rigor, nunca foi dos nossos durienses predilectos) no topo dos vinhos tintos da Symington Family, como pelo facto de ambos serem a estreia comercial de vários anos e ensaios no sentido da produção de vinhos não generosos na mítica quinta do Douro Superior. Vejamos:

Quinta do Vesúvio (T) 2007: Lote de Touriga Nacional (70%), Touriga Franca (20%) e Tinta Amarela (10%). Virtualmente opaco na cor, violácea no bordo do copo. Muito bem no nariz, com as tourigas a revelarem fruta madura para além do esperado carácter floral. Grande casamento com a madeira onde estagiou, que se sente de forma equilibrada e atenua a grande concentração do vinho. Boca mais vegetal do que o nariz faria prever, tem nervo suficiente mas não é do tipo brutal. Ao invés, tem taninos de seda, consegue mesmo trespassar uma sensação de graciosidade e manter um perfil sedoso, o que demonstra os cuidados na sua vinificação. Final médio-longo que se espera ainda melhorar em garrafa. Belíssimo, bem acima, IMHO, de algumas colheitas de "Chryseia". Entre € 42 a € 48 em boas garrafeiras.
17,5 – 18

Pombal do Vesúvio (T) 2007: Mantém uma matriz de Touriga Nacional e Touriga Franca. Como se esperava, está muito mais desabrochado que o Quinta do Vesúvio, nariz focado na fruta madura de qualidade (ameixas e cerejas pretas), mas aparece, minutos depois, também algum bret (nas duas garrafas provadas), terra húmida, mineralidade, tudo a potenciar a complexidade do conjunto. Com o passar do tempo no copo mostra ainda notas poderosas a cacau. Boca com componente de vegetal seco, taninos bem presentes, e fruta (agora vermelha) menos evidente que aquela (mais madura) que mostrava no nariz. Gostámos muito deste tinto, está uns furos acima, sobretudo em termos de complexidade, do "PS Chryseia". Acresce ainda que, ao contrário do seu "irmão mais velho", que está carote, este Pombal do Vesúvio é, a nosso ver, um achado pelo preço, a cerca de € 14 a garrafa em boas garrafeiras.
16,5 - 17


segunda-feira, junho 08, 2009


Vintages 2007 Symington

Interrupção nas provas para... pois é, leram bem o título, é dos vintag
es 2007 da casa "Symington" que vamos escrever. A imprensa especializada já escreveu quase tudo a respeito das óptimas condições proporcionadas pela colheita de 2007, com destaque para a excelente maturação da fruta (e do ciclo completo da planta) e para os benéficos efeitos do Verão suave. E já se começou a escrever também acerca dos vinhos brancos e tintos dessa colheita que têm aparecido no mercado, qualificados (genericamente) de equilibrados e elegantes. Deste contacto (e não foi o primeiro) com algumas das mais importantes marcas de Portos, podemos confirmar a grandeza da colheita (não na produção, que foi escassa como é sabido) e a excelência da Touriga Nacional que marcou os mostos um pouco por todo o país. Mas destacamos, sobretudo, a marca da elegância em detrimento da potência. Como sabemos, mesmo tratando-se de Porto vintages, vinhos quase sempre arrebatadores, podemos dividir entre colheitas clássicas onde potência e garra imperam (como sucedeu eg. com a colheita de 2003) e colheitas onde o equilíbrio parece ser a palavra-chave (tudo indica que será o caso destes 2007).

A nosso ver, e a partir do que provámos, os vintages de 2007 são assim: muito acessíveis, quase femininos no que tal adjectivo aponta para a elegância e delicadeza do conjunto, apaixonantes, profundos, mas com alguma falta de "ferocidade" (sobretudo na dimensão da fruta madura) quando comparados com grande parte dos vintages provenientes das duas últimas declarações generalizadas (2000 e 2003). Não será defeito - longe disso -, mas feitio. Vejamos:


Dow’s vintage (P) 2007: No nariz, como era de esperar, revelou-se o mais fechado e químico de toda a prova. Na boca, apesar do inconfundível estilo seco, está explosivo com muita (mas mesmo muita) fruta, à qual acrescem taninos de ferro e ligeiro etanol. O melhor do grupo, sobretudo no vigor da fruta, e um dos Dow’s clássicos mais acessíveis (leia-se pronto a beber) das últimas declarações. Vai durar como a maioria dos Dow's...
17,5 – 18,5

Quinta do Vesúvio vintage (P) 2007: A partir de Touriga Nacional (55%) e de Touriga Franca (45%) mostra-se, naturalmente, muito mais floral que os seus "irmãos Symington". Destes difere no estilo, sentindo-se menos as sensações a bolo de canela. Sólido, carnudo, está, contudo, num perfil mais "morno" do que nas edições de 2003 e de 2005, faltando um pouco de acidez. Pessoalmente, esperávamos um pouco mais deste Vesúvio, mas não deixa de ser um grande vintage com 15-30 anos pela frente. A prova do Quinta do Vesúvio Capela (P) 2007 para fica outra altura.
17 – 18

Graham’s vintage (P) 2007: Nariz típico da marca com muita fruta madura, todo ele guloso, intenso e quente. De todo o grupo, é o que está mais fácil na boca, acetinado e longo, podendo-se, sem dúvida, bebê-lo desde já com muito prazer. Um vintage intenso e consensual, muito sedutor. Vem na senda das boas edições anteriores, parecido sobretudo com o de 2000, mas sem o músculo do de 2003.
17-17,5

Warre’s vintage (P) 2007: Intermédio entre o estilo seco do Dow’s e o mais doce do Graham’s, está com muito bolo de canela no nariz e fruta madura. Na boca está mais macio do que duro, mais doce do que seco (portanto, mais Graham’s do que Dow’s) e será de fácil e generalizado agrado. Novamente, sentimo-nos perante um vintage de grande nível, que se pode beber desde já, mas ao qual parece faltar alguma garra e potência tanto de fruta como de taninos. O tempo dirá se temos razão...
17-17,5

quinta-feira, junho 04, 2009


Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2005

Faz já algum tempo que não escrevíamos sobre os vinhos da Quinta da Sequeira. Depois de várias provas no passado, houve um interregno no acto de trazer ao nariz e boca os néctares desta quinta do Douro Superior. Pois bem, voltamos agora às provas e logo com o respectivo topo de gama da colheita de 2005 (também existe o de '04 provado aqui). Um topo de gama "à antiga" diga-se, ou seja pronto a beber não nos (quase) três anos que já leva de garrafa (que é agora, em 2009), mas certamente daqui por mais dois pares de anos.

Muito escuro no copo, praticamente opaco com bordo violeta. Nariz intenso com notas muito alcoólicas de fruta negra macerada. Expoente vegetal maduro e seco (típico da casa) que percorre toda a prova. Também alguma rusticidade, e madeira mais seca do que baunilhada. Na boca, tudo muito pouco redondo por enquanto, está cheio de vida, taninos literalmente brutais mas saborosos, envoltos num perfil complexo e inebriante não se descortinando, isoladamente, as castas que compõem o lote. Final de boca mais explosivo do que longo.

À semelhança da edição de 2004, temos aqui um vinho que, sendo alcoólico (15º vol.), não quer entrar na moda dos vinhos fáceis e sem arestas. Ao invés, revela-se "feroz" e muito desafiante na díficil relação entre pujança da fruta madura e frescura arrojada dos taninos. E com a grande vantagem de poder – e de se recomendar mesmo – ser guardado na garrafeira nos próximos anos.

17 +



Próximos vinhos: Vinha da Defesa (B) 2008; Esporão Reserva (B) 2008; Alain Graillot Crozes Hermitage (T) 2006; Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Boição Escolha (T) 2006

quinta-feira, maio 28, 2009


Vinha Othon Reserva (T) 2006


Sendo discreto, o produtor "Vinha Paz" é conhecido pela excelente relação preço-qualidade da maioria dos seus vinhos, e os seus vinhos são conhecidos pela fruta franca, taninos elegantes, complexidade profunda (será dupla adjectivação?) e longevidade garantida. Neste Vinha Othon 2006, o produtor tem, e as palavras não são nossas, a sua "nova estrela maior". E uma nota prévia se impõe de imediato: um topo de gama (ou algo equiparado) a menos de 20€, mesmo a menos de 16€ em algumas garrafeiras? É algo inesperado e é, a nosso ver, um estouro de alegria!

De resto, o vinho é mesmo bom. Cor rubi intensa, começa no nariz um pouco fechado, pelo que se impõe decantação. Com arejamento, surge a fruta: framboesa, cereja e groselhas e um ligeiro toque químico. A boca confirma o equilíbrio do nariz e revela fruta e acidez num ponto óptimo, ou seja sem que uma componente se sobreponha à outra. Pode aparentar ser delgado de corpo mas a concentração é enorme. Os taninos são firmes, secos, mas não agressivos, longe disso até, são saborosos e harmoniosos. Em suma, um vinho de elegância à semelhança de outros do mesmo produtor, mas neste caso de uma elegância suprema, acetinada e aparentemente (só de aparência) delicada.

É um tinto que vem confirmar (como poucos o conseguem fazer) a tese de que as vinhas velhas do Dão, sobretudo das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen (que aqui estagiaram 14 meses em barricas de carvalho francês e americano), dão origem a vinhos magníficos, discretos no primeiro contacto, absolutamente sedutores como companhia permanente à mesa. Recomenda-se em absoluto, pelo menos uma caixa tendo em consideração o preço.

17,5


Próximos vinhos: Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2005; Vinha da Defesa (B) 2008; Esporão Reserva (B) 2008; Alain Graillot Crozes Hermitage (T) 2006; Cabriz Encruzado (B) 2007; Quinta do Boição Escolha (T) 2006

segunda-feira, maio 25, 2009


Quinta de Porrais (B) 2007

Durante alguns anos foi tido com uma curiosidade, dado que não era comercializado e apenas aparecia em provas levadas a cabo pela família Olazabal (Vale Meão). Depois, "democratizou-se" e hoje encontram-se à venda duas versões deste branco duriense cujas uvas de vinhas velhas são colhidas a cerca de 600 metros. Vamos então para o colheita, deixando o reserva para outra ocasião...

Muitas sensações de frescura, ligeiro "pico" (no limite, podia passar por um verde). Nariz tímido, componente mineral que poderia estar mais em evidência (para isso, tem de se escolher o reserva). De resto, maça ácida, algum fruto tropical, boca esguia mas competente, a dar boa prova, quase vibrante. Simples, singelo e agradável. Para quem julgue encontrar aqui um branco de topo o melhor é esquecer. Para quem quiser um branco fresco, descomplicado, muito agradável a acompanhar umas lapas grelhadas ou uma salada "capri" (ver foto)... então acertou em cheio!


15

Próximos vinhos: Vinha Othon Reserva (T) 2006; Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2005; Vinha da Defesa (B) 2008; Esporão Reserva (B) 2008; Alain Graillot Crozes Hermitage (T) 2006

quinta-feira, maio 14, 2009


Coisas lá de fora…

Two Hands Lily's Garden (T) 2005


Uma pequena interrupção nos vinhos nacionais para dar conta de mais um shiraz australiano (McLaren Vale), daqueles com turbo, jantes especiais, "suspensão qualquer coisa" e muitos pontos (94) na Wine Spectator. Ou seja, um vinho todo ele musculado! No nariz, esmagador na fruta madura e na dimensão das especiarias (pimenta preta, sobretudo). Na boca, é pastoso, com grande sabor a fruta preta, chocolate amargo (pois claro) e um final longo, mas sem surpresa nem taninos sérios.
+
Não que não seja bom – que o é! Não que não seja cativante e generoso na fruta – que o é, e muito! Todavia, é um vinho que se bebe com prazer ao mesmo tempo que se esquece o que se está a comer, e nesse aspecto é a antítese de um vinho gastronómico. Neste campeonato de "supercharges", preferimos este de longe. Carote - entre €50 a €70 - em qualquer parte do mundo.

17

segunda-feira, maio 11, 2009


Vértice Rosé (Esp.) 2007

Um vinho espumante simpático, este Vértice Rosé, e uma alegre surpresa do enólogo Celso Pereira! Rosa, muito rosa no copo, com bolha
grossa e evidente, tem aroma rústico a fruta vermelha no nariz. A boca é cheia, ampla, tudo exuberante e pouco subtil, mas revela uma espuma cremosa agradável. Naturalmente, está nas antípodas da delicadeza dos champanhes rosés (nem podia ser de outro modo, dado o reduzido estágio, o seu baixo preço, e a limitada experiência na produção deste tipo de vinho em terras lusas), mas é o acompanhamento perfeito e descontraído para um caril de caranguejo e outros práticos exóticos e picantes.

Teremos, em Portugal, apenas dois ou três espumantes rosés mais bem conseguidos, mas esses todos a um preço bem superior. Ora qual o preço deste Vértice? Uma absoluta tentação, dizemos nós: a menos de €9 nas Coisas do Arco do Vinho (Lisboa).

15

Próximos vinhos: Quinta de Porrais (B) 2007; Vinha Othon Reserva (T) 2006; Quinta da Sequeira Grande Reserva (T) 2005; Vinha da Defesa (B) 2008

quinta-feira, maio 07, 2009

+
VT’05

Regressado do estrangeiro (o que explica a ausência de posts), ficam algumas palavras sobre um belo tinto do Douro. Provado por duas vezes. Trata-se de um lote de vinhas velhas com algum predomínio de Touriga Nacional. O nome parece ser uma referência ao modo como se distingue, pintando a face das pipas, aquelas com vinho tinto (vt) das com vinho branco (vb).

Nariz com juventude e percepção de etanol. À semelhança da colheita de '04, revela muita força, é um puro-sangue com fruta e madeira a caminho da integração. A fruta é de qualidade e harmoniosa, genuína em matizes vermelhas e, por vezes, pretas, não sendo evidentes as características florais da Touriga Nacional. Ligeiro apontamento a baunilha doce que não chega a incomodar. Na boca continua a prova do nariz, sempre com vigor e garra, carnudo e vibrante (quase tenso), taninos vincados a revelar secura de boca e um final em crescendo.
+
Muito gastronómico este tinto, e com "futuro radioso" em garrafa (pesadíssima, por sinal) nos próximos 10 anos. É um vinho vinho, sem concessões! Entre €25 e €30.

17-17,5


Próximos vinhos: Vértice rosé (Esp) 2007; Quinta de Porrais (B) 2007; Vinha Othon Reserva (T) 2006.

sexta-feira, abril 24, 2009


Poeira (T) 2006

Depois dos (demasiados) textos sobre "novidades", sobre "visitas" e afins, voltamos às provas individuais. E voltamos a um grande nome recente do Douro. Já é bem sabido que Jorge Moreira atribui ao seu Poeira um carácter diferente daqueles tintos que mais têm marcado o Douro na última década. Já é bem sabido que o Poeira é um projecto com "pés e cabeça", e que os vinhos se vão moldando às características de cada colheita.
+
Mais do que um certo excesso de presença aromática, mais do que um corpo pungente, mais do que uma sedução imediata, o Poeira tem revelado um lado mais fino no Douro, mas não menos recompensador quando guardado alguns anos na garrafeira. É, na verdade, mais fresco e mais elegante - e o estágio em garrafa aparenta fazer-lhe melhor -, do que à maioria dos outros durienses. Pelo menos, é o que podemos antever desde a sua primeira colheita em 2001. Mas tudo isto que se acabou de escrever é já, estamos certos, do conhecimento dos leitores, e em especial daqueles que, com conhecimento prático, já beberam, por exemplo, o magnífico Poeira '04 (um dos nossos predilectos). Pois bem, e o 2006? Quem já provou?

Numa pincelada breve, arriscamos a dizer que, entre alguns dos nomes maiores do Douro - neles incluindo os vários produtores que dão corpo ao projecto "Douro Boys" e os grandes nomes do Douro Superior -, este Poeira '06 é um dos tintos mais fascinantes da colheita na região. Imediatamente fresco no copo, de carácter rude, taninos muito secos, este é um vinho para durar e não apresenta tiques de excesso de maturação visíveis noutros vinhos do mesmo ano. Apesar da sua dureza, sente-se (mais ainda do que em anteriores colheitas) e muito agrada a presença da Touriga Nacional a atribuir um leve carácter floral a um conjunto que, por estar ainda bruto (o melhor é esperar um par de anos...), encontra-se por ora algo indefinido no nariz ao nível da fruta - ora mais madura, ora com matizes de fruta encarnada. Na boca, apresenta o corpo típico da marca - i.e., com muita presença mas não em amplitude -, todo ele equilibrado apesar de ligeiramente químico, e, com arejamento vigoroso, até mesmo cativante e quase saboroso.

Por enquanto, está algo "preso", mas afigura-se a um nível alto, sobretudo se tivermos em consideração os seus pares na difícil colheita de 2006 no Douro. Não se encontrando no mesmo campeonato das colheitas de '01, '04 e '05, está, todavia, bem bom! Para guardar na garrafeira já se sabe, e só para quem tiver entre €28-€35 para gastar numa garrafa (pois é, já foi mais barato...).


17,5

Próximos vinhos: VT (T) 2005; Vértice rosé (Esp) 2007; Quinta de Porrais (B) 2007; Vinha Othon Reserva (T) 2006.

segunda-feira, abril 13, 2009

Saca a Rolha na Madeira


Mal tínhamos saído do Aeroporto da Madeira e já nos dirigíamos para a "Paixão do Vinho" (Via Rápida, cota 200, Posto Repsol), garrafeira pertencente aos sócios Filipe Santos e a Francisco Albuquerque. Tudo combinado, pormenores ajustados, foi com o segundo dos consócios, enólogo da "Madeira Wine Company", que planeámos, para o dia seguinte, uma visita ao Wine Lodge da "Blandy's", outrora Convento de São Francisco, mesmo no epicentro do Funchal.


Francisco Albuquerque tem no curriculum três prémios mundiais de melhor enólogo de vinhos fortificados, mas poderia ter também vários outros prémios tanto pela gestão de um imenso stock de vinhos (milhões de litros), como pela supervisão de cerca de quatrocentos produtores (onde a parcela de maior dimensão não chega a um ¼ de hectare), ou ainda pela homérica catalogação dos aromas dos vinhos da ilha. E claro, um prémio também pela fantástica capacidade de comunicação, através da qual consegue trocar "por miúdos" qualquer matéria tecnicamente mais complexa.


Aliciante, no mínimo, foi a visita guiada ao Wine Lodge da "Blandy's" pelo próprio Francisco Albuquerque, que incluiu a entrada no cofre onde estão guardadas as últimas reservas (e no qual brilham, entre outras, as famosas garrafas 1792 Napoleão) e não dispensou a visita às várias salas onde repousam em canteiro (chama-se "canteiro" pois as pipas encontram-se fixas sobre pedras trabalhadas pela técnica de cantaria) os vinhos que irão constituir novos lançamentos e/ou enchimentos. De seguida, na Sala Frasqueira, provaram-se, da "Blandy’s", os Colheitas Malmsey de 1990 e de 1993 (ambos bons, mas mais complexo e amplo o primeiro), os Colheita Bual de 1990 e de 1992 (com este último a revelar-se vibrante e fresco) e o elegantíssimo Frasqueira Bual s/d com, pelo menos, mais de 50 anos (fino de perfil e de recorte gracioso, a notar-se o tempo de garrafa). Provaram-se ainda dois vinhos por nós já conhecidos, o Bual 1968 e o Bual 1977, ambos muito bons. Da Cossart Gordon, provou-se um explosivo Sercial 1963, um vinho de concentração máxima, absolutamente seco na boca e de final de acidez elevada e prolongadíssimo (a demonstração do que melhor a casta consegue fazer, mas poucas vezes o faz).


Tempo ainda para provas na "Barbeito", proporcionadas pelo afável staff da "Garrafeira Diogos" (Av. Arriaga, 48, Funchal), com destaque para o altivo Malvasia Lote 20 anos (doses maciças de avelãs e noz, e ainda bolo inglês como referências) e para o muito acessível Single Harvest 1997, um 100% Negra Mole que não pretende ficar na sombra das castas brancas e mostra-se em muito bom plano. Provaram-se ainda os Reserve 10 anos, quer de Bual quer de Malvasia, dois clássicos e best-sellers da marca, sempre com um óptima relação preço-qualidade.



terça-feira, abril 07, 2009


APRESENTAÇÃO de novos vinhos
José Maria da Fonseca


Foi num ambiente descontraído mas sofisticado, no restaurante "Casa da Dízima" (Paço d’Arcos), que decorreu uma apresentação dos últimos vinhos de mesa da José Maria da Fonseca. O menu estava preparado, a casa quase cheia, e os vinhos a postos. Mais do que o passado grandioso da conhecida produtora de Azeitão, importava, nas palavras de António Soares Franco (administrador da JMF) conhecer os vinhos que marcarão o futuro. Um futuro risonho diga-se, pelo que se provou.

Tudo começou com mais uma edição do DSF Moscatel Roxo Rosé, desta feita da colheita de 2008, revelando-se, uma vez mais, como um dos melhores rosé nacionais (e não só). Complexo no nariz com fruta e matizes florais (rosas) intensas, corpo mediano/encorpado e final saboroso. Uma aposta ganha por Domingos Soares Franco, um rosé que marca pela superioridade sobre os concorrentes e que revela uns nem sempre simpáticos 12.9% de álcool (17).

Depois, já com uma terrina de foie-gras no prato (com compota de figo, maça "grany smith", e "peta zetas", muito bom por sinal) provou-se o Camarate (B) 2008, um branco doce, produzido a partir de uvas Moscatel e Malvasia fina, em iguais proporções. Muito frutado, com pendor pesado para fruta cozida e referências a amêndoa amarga e anona, algo linear. Portou-se bem, todavia, no que respeitou ao "wine paring" com o foie gras (e mostrou ter apenas 11% de álcool), mas foi o vinho em apresentação que menos nos agradou (14,5).

Surgiu então uma boa surpresa, uma nova edição do Pasmados (B) 2007, com um perfil ligeiramente diferente. Mantém-se um branco sério, mas agora sente-se mais um curioso lado duriense (quase 50% de Viosinho, o resto é de Viognier e de Arinto e muito pouco de Esgana). Muito bem no nariz, apesar da evidente madeira, revelou frutos secos, pouca exuberância a fruta e algum mineral. Um óptimo acompanhamento a um belíssimo atum fresco em tataki (sobre arroz de sushi tostado, legumes frios e manteiga de manga). Belo branco, boca ampla mas fresca, à qual só faltou alguma acidez, pelo que sugere ser mais para o Inverno do que propriamente para a época estival (16).

Por fim, serviu-se o topo de gama Hexagon (T) 2005, muito mais vinho que as duas edições anteriores, mais força, mais músculo, mais taninos, enfim mais garra. A acompanhar um medalhão de javali (mimado com trouxa de chévre, maça esmolfe caramelizada e molho frio de moscatel, numa criação culinária que só pecou pela secura e dureza da carne), o Hexagnon mostrou ser dotado de um nariz intenso a fruta preta (amora e mirtilhos), folha de tabaco, e referências a carvalho novo. Boca com muita fruta, boa acidez, complexidade assinalável (são seis castas, com predomínio para a Syrah, Trincadeira e Touriga Franca) e um bom prolongamento de final de boca. Temos vinho (17 – 17,5)!

Em suma, ficou demonstrado que a JMF tem muito para dar, para além dos seus maravilhosos moscatéis. Houve, aliás, oportunidade de provar também o Alambre 20 Anos (muito bom na relação preço-qualidade, e uma óptima entrada nos moscatéis mais sérios) e a Aguardente Espírito, uma belíssima aguardente de moscatel que já não se produz.
+

quinta-feira, abril 02, 2009


NOVIDADE

Quinta dos Avidagos
Reserva (T) 2006

Não é a primeira vez que provamos vinhos da Quinta dos Avidagos e este Reserva da colheita de 2006 vem confirmar a apetência do terroir da casa Nunes de Matos, com duas quintas próximas da Régua, para fruta compotada e corpo delicado (eg., ver aqui e ali).
+
É um tinto que não mostra a rusticidade que marcou alguns tintos em 2006, que está com fruta que chegue para satisfazer os mais gulosos, e que mantém contudo elegância na integração da madeira. Na boca é sedutor, com muita fruta madura, estilo quente e um "pico na boca" como que a querer dizer para não esquecermos dele na garrafeira. Sem ser profundo, apresenta complexidade e não segue o registo actual da predominância da Touriga Nacional, o que lhe confere algum grau de originalidade. Corpo mediano, mas com final saboroso a pedir acompanhamento sério à mesa.

Em suma, não chegando à qualidade apresentada pelo "Além Tanha Vinha Velhas" (o topo de gama da casa, com edições de 2001, 2003 e 2004), está, contudo, muito seguro de si e vem na linha da edição anterior. Perfil moderno, descomplicado, sedutor e sem extracção desmedida. A menos de €10 na Wine O´Clock é uma óptima opção para carnes grelhadas.


15,5