domingo, março 30, 2008

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Syrah do Douro
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A serenidade obriga a que não tomemos posições radicais perante a mais que certa realidade: está para breve um monovarietal de syrah do Douro, e logo de uma marca de topo!
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São poucos os que conseguem conter esse "segredo", mas dúvidas não restam que este ano iremos ter um tinto do Douro à venda feito a partir de syrah. Dissemos "à venda" pois, em rigor, já faz uns anos que circulam experiências a partir da casta francesa entre produtores e enólogos da região. E, perante a ausência este ano de vários topos de gama, dada a falta de qualidade da colheita de 2006, esta poderá ser mesmo uma novidade que irá mexer com o mercado.
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Este facto, posto que não é mais segredo agora que revelado, faz-nos lembrar uma conversa que tivemos com um produtor do Douro numa das várias viagem à região em época de vindima. Na sequência da nossa interrogação a propósito de uma determinada vinha cujas uvas não eram colhidas, o produtor revelou-nos que se tratava de syrah e que não as colhia pois não podia atribuir ao vinho a denominação DOC e não tinha certeza de como o mercado, e os seus pares que também a produziam, iriam reagir.
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Ao que nós perguntámos:
- "Mas existe muita syrah por aqui no Douro?"
E foi-nos respondido:
- "Então não existe, quase todos os produtores têm um talhão".
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A ver vamos...
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segunda-feira, março 24, 2008


Novidade: Quinta da Sequeira Late Harvest


Em menos de dez anos, a Quinta da Sequeira passou de apenas um tinto colheita ('2001) para apresentar uma gama completa: rosé, tinto colheita, tinto reserva (já houve um grande escolha em '2002), branco colheita, branco reserva vinhas velhas, e o topo de gama grande reserva. Ou seja, só falta um espumante e um late harvest (LH).
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Mas atenção… o LH já vem a caminho. É caso para dizer que com tantos vinhos o consumidor até se pode perder. Bom, em todo o caso, como a qualidade dos vinhos da Quinta da Sequeira é garantida, até o consumidor perdido não irá dar por mal empregue os seus euros. Mas vamos ao que interessa, vem aí o LH. E se o rosé e o branco reserva já são valores seguros no mercado nacional, este LH parece vir querer colocar em cheque a posição daqueles que nos últimos anos têm preenchido o pódio dos colheitas tardias nacionais (e toda a gente sabe de que falamos).
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Cor amarela forte e brilhante. Nariz complexo e com muitas referências florais, revela uma óptima frescura que o distingue de outros da mesma classe. Na boca, revela-se com menos botrytis do que se podia esperar, mas esse facto até parece ser benéfico pois fica mais oscilante, enfim talvez menos previsível. Pastoso, leva-nos ao céu com um toque metálico que percorre as gengivas (algo que só nos costuma acontecer com os húngaros tokays). Continua fresco na boca, mas sempre com sabor naturalmente doce, tem um final demolidor, daquele do tipo "pilha duracel" tanto que dura.
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Por enquanto é apenas uma amostra, mas já em garrafa. Falta o rótulo e pouco mais. Por nós, contamos os dias até ao seu lançamento. A não perder, a não ser pelo preço que apesar de desconhecemos esperamos que não venha a ser especulativo.
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17

quarta-feira, março 19, 2008


Talentvs (T) 2004

É o actual topo de gama da Quinta Seara d’ Ordens, com 3.000 mil garrafas produzidas, e um preço final de cerca de € 25. Mostra cor violácea no copo, nariz com ataque de casca de amêndoa e fruta preta. Boca rústica, oscila bem entre alguma madeira agressiva e alguma suavidade dos taninos do vinho. Convém decantá-lo para o amaciar mas o perfil algo duro mantém-se: dá luta!
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É um vinho bem feito, sem modernices, tem um forte cariz gastronómico e uns simpáticos 13,5º. O "talento" a que alude a designação parece resultar mais das uvas e do terroir do que do trabalho da adega. Se fosse um pouco mais barato seria um verdadeiro achado.
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16,5


Próximos vinhos: Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

sábado, março 08, 2008


Alvear PX (B) 2004

Nem de propósito: estarmos em Madrid e escrever umas palavras sobre este PX (abreviatura para Pedro Ximénez) que, como tantos outros, conseguiu saiu do esquecimento quando Robert Parker o destacou com mais de noventa pontos faz pouco tempo. Em rigor, a marca Alvear sempre foi relativamente conhecida pelos seus PX, vinhos com sucesso durante grande parte da segunda metade do século vinte, mas esquecidos a partir da década de noventa. Agora, já no século vinte e um, ganharam novo fôlego. São vinhos naturalmente doces, segundo a tradição espanhola de utilizar uvas praticamente em passa depois de colhidas e muito expostas ao sol. Este PX da colheita de 2004 mostra-se um vinho dourado na cor, de boca ampla, vincadamente pastoso. Tem um nariz meloso e na boca mostra sempre um cariz muito doce e, por isso, deve ser servido muito fresco (mesmo abaixo dos 5 graus).
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Serve muito bem o seu propósito de acompanhar sobremesas (na foto com leite creme) e o seu preço é uma surpresa. Quase sempre em garrafa de meio litro, esteve disponível em Portugal durante alguns meses no clube WinePT, e ví-o ontem na garrafeira Lavinia na Calle Jose Ortega y Gasset a pouco mais de 10 € (também há um reserva mas esse é bem mais caro).
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16,5
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Próximos vinhos: Talentvs (T) 2004; Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

terça-feira, março 04, 2008


Paulo Laureano Premium (T) 2004

Bem equilibrado, entre um cariz rústico marcado pela caruma e um toque de modernidade. Fruta bem saborosa, morango, casis, enfim uma panóplia de frutos vermelhos. Bom diálogo das castas, também na boca, redonda, macia. Está em óptima fase de consumo e não deve melhorar em garrafa. Peca o final que podia ser mais impositivo, mas não se pode pedir muito mais a vinho deste preço.
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Bom tinto, a um preço interessante, a menos de 10 €. Tem tudo para que dele se goste, e acompanhará bem um prato simples.
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15,5
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Próximos vinhos: Alvear PX (B) 2004; Talentvs (T) 2004; Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

domingo, março 02, 2008


Duas novidades – tintos

Já se sabe, cada semana que passa são lançados no mercado novos vinhos portugueses. A vida do enófilo provador é pois cada vez mais difícil e… gratificante, pois claro.
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Nesta ocasião começamos por sugerir um touriga nacional do Ribatejo, um vinho cujo nome é difícil de se pronunciar, sendo bem mais fácil gostar-se dele. É o Mark Stephen Schultz Res. Touriga Nacional (T) 2005, um tinto profundo com pendor vegetal, de boca fresca e ampla, e final de intensidade média. Não nos admirávamos se melhorasse com um ano em garrafa, pelo menos. Recomenda-se decantar previamente e servi-lo a acompanhar um prato robusto. O preço deve rondar os € 10, o que nos parece ajustado. No cômputo final: 15,5.

O segundo tinto é o Cem Reis Reserva (T) 2005, um syrah da Herdade da Maroteira, um daqueles vinhos onde a casta se apresenta com uma tendência curiosamente vegetal, bem longe do pendor compotado que é tipico da maioria dos comparsas alentejanos. Poderá ser bebido a solo mas tem corpo para aguentar uma refeição. A falta de acidez aconselha, todavia, uma carne simples. Um vinho para quem gosta de sensações fortes, químicas, e não espera muita complexidade. A menos de 15 € será uma escolha acertada, mas existem outras pelo mesmo preço. No cômputo final: 15.


Próximos vinhos: Paulo Loureano Premium (T) 2004; Alvear PX (B) 2004; Talentvs (T) 2004; Versus (T) 2004; Apegadas Quinta Velha (T) 2005; Porta Velha (T) 2005; Vale de Rotais (T) 2004

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

O jantar estava marcado
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E os vinhos e a ementa pensados. Fomos seis, nós aparecemos mais tarde mas o Paulo esperou e não foi abrindo os champanhes.Tudo começou assim… com um Veuve Clicquot Brut a limpar a boca, um champanhe sóbrio, de bolha média/fina de ataque suave na boca mas frutado. Depois, já com os carabineiros grelhados na mesa foi acaso para um cuvée La Grand Dame vintage 1996 da referida casa de Reims, um vinho necessariamente diferente do anterior, com menos “pico”, aroma vinioso e complexo, bolha fina, e mousse saborosa. Um excelente, e luxuoso mesmo, acompanhamento para marisco.
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Veio, de seguida a carne de boi argentino, em forma de medalhões de grande dimensão, uma carne inesquecível adquirida a um fornecedor do restaurante Pragma. Veio então o desfile principal, primeiro com o prémio sedução, um CV (T) 2003 com muitas notas achocolatadas, fruta sobremadura, um vinho de perfil muito quente e não nos referimos apenas ao álcool. Em suma, um delírio sobretudo para quem aprecia este estilo exuberante e sensual (um vinho de preço especulativo, por volta dos € 60).
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Foi então a vez do segundo tinto, e logo o prémio da noite, pois tivemos que nos debruçar sobre um vinho tão escuro no copo e tão sensual quanto o anterior, mas com mais frescura, mais balsâmico, mais complexidade. O mesmo corpo aguerrido, a mesma sensação a Douro, mas mais elegância. Era Douro sim senhor, mas não o nosso, veio de Toro este magnífico San Román (T) 2003 (um vinho que se consegue comprar por menos de € 35, um preço que se pode considerar baixo de acordo com a qualidade apresentada).
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Seguiu-se a entrega do prémio longevidade, não por se tratar de um tinto antigo, mas por ter muitos anos pela frente. Um vinho pleno de acidez, com fruta fresca e barrica de qualidade. Mais um espanhol, de uma das casas consideradas como das melhores do país vizinho, de nome Pago de los Capellanes Reserva (T) 2001. Uma certeza: se este mesmo jantar tivesse lugar daqui a dez anos este seria o vencedor da noite (vinho do qual foram feitas 48.000 garrafas, o que nao é muito para Espanha e que tem um preço inferior a € 30).
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Houve ainda oportunidade para regressar a um dos vinhos do momento (já o tínhamos provado anteriormente aqui no blog), o duriense 2 PR (T) Grande Reserva 2005, um tinto também de perfil quente e sedutor, e que se portou muito bem apesar concorrência, e apesar de ser o mais novo na mesa (o preço ronda os € 25-€ 30).
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No final, tempo para o Graham vintage (P) 2003, que ainda não "fechou" (ao contrário do irmão Dow’s), bem pelo contrário, está uma explosão de notas quentes, picantes e alicoradas e vegetais, um grande vintage a beber até à última gota (o preço varia muito consoante o local de compra, podendo variar entre € 60 a € 120).
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Um grande jantar. Sugerimos todos os vinhos provados, mas cuidado com os preços.

terça-feira, fevereiro 19, 2008


Prémios Revista de Vinhos 2007


Como se vê pela fotografia, foram muitos os vinhos provados em mais uma gala d' Os Melhores do Ano da Revista dos Vinhos que contou com a presença de representantes de vários blogs. E muitos foram também os prémios, e bem assim as controvérsias em redor deles, não estivéssemos nós em Portugal... já se sabe: "País pequeno, confusão grande".

Numa próxima ocasião teremos oportunidade de comentar alguns dos prémios, mas por agora merece destaque o vinho em si mesmo. Ou melhor, os vinhos, aqueles provados durante o jantar no pavilhão de eventos de Santarém. Merecem destaque os provados por nós pela primeira vez e, obviamente, apenas aqueles que se sobressaíram. Quer pela positiva, como o enorme Ferreirinha Reserva Especial (T) 1997, certamente merecedor das mais altas notas aqui no Saca-a-Rolha, como o muitíssimo equilibrado Quinta do Monte d’Oiro Reserva (T) 2004, e como o empolgante Cortes de Cima Reserva (T) 2003, com um daqueles ataques de boca que não se esquece por muito tempo. Quer pela negativa, como o relativamente apático Fonseca Guimaraens vintage (P) 2004, e o deveras fechado Marias (T) 2005 da Herdade da Malhadinha.
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Mais um grandioso evento proporcionado pela Revista de Vinhos!

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Melhores do Ano - 2007 - Revista de Vinhos

A entrega dos prémios dos "Melhores do ano 2007" é já amanhã em Santarém! Estaremos lá e prometemos desde já contar tudo aquilo que os outros não contarem antes.
Saudações

terça-feira, fevereiro 12, 2008


Tintos da Encosta do Sobral


Situados bem a norte do Ribatejo, muito perto já de Tomar, encontram-se 70 hectares de vinha com a intensa exposição solar que a região proporciona. Acrescem solos xistosos, daqueles com capacidade de reflexão, e a opção do produtor por baixas produções. Na teoria, estas caracteristicas proporcionariam tintos com concentração e de perfil cheio. Na teoria e, bem assim, na prática, pois os tintos do projecto Encosta do Sobral são isso mesmo, e algo mais: são vinhos encorpados, com fruta madura e significativa complexidade. A gama é composta por cinco vinhos, um branco e quatro tintos. Nestes, começa-se pelo "Cabeço da Pedra" que na versão 2005 está um tinto interessante, jovem e gratificante de se beber, enfim um bom vinho a preço muito moderado. Depois, surgem os vinhos com o nome do projecto, dos quais provámos o Encosta do Sobral (T) 2004, o Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004 e o Encosta do Sobral Reserva (T) 2004. Todos são uma autêntica revelação dado o pouco conhecimento geral sobre a subregião de Tomar e todos agradarão a todos, mesmo aos exigentes. Vejamos:

Encosta do Sobral (T) 2004: Cor de intensidade e vivacidade mediana de tons encarnados. Aroma muito directo, com boa empatia no primeiro encontro, tudo assente nas referências a fruto maduro. Na boca, de linhagem moderna, é vivo e elegante com sugestões da madeira onde estagiou. Taninos finos, final guloso, aqui está um tinto a ter em conta e para beber ainda nos próximos dois anos. O mais difícil é perceber se ficará melhor à mesa ou sozinho, mas esse é o preço do polivalência. Por falar em preço, a menos de € 7,5, parece-nos ajuizado. 15,5.

Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004: Este é um cabernet que nos tem proporcionado muito prazer nos últimos tempos. Sobretudo a solo, mas também a acompanhar carnes vermelhas grelhadas. Significativamente mais escuro que o irmão colheita, ainda que não opaco, começa por revelar algum excesso na sensação de frescura no nariz - isto é, álcool e alguma juventude! Mas cedo se percebe que não se fica por aí, posto que rapidamente desperta uma combinação feliz de fruto preto e vegetal muito intenso. É como se um diálogo entre fruta e flores se tratasse, se isso for possível... Na boca é verdadeiramente acetinado, o álcool a isso ajuda e tudo se encontra domado. Pesado, forte, mas longe de ser austero é, ao contrário, sedutor, tudo num estilo cabernet muito "Mondavi". Por cerca de € 16, é um grande cabernet nacional de linha moderna. 17.

Encosta do Sobral Reserva (T) 2004: Outro belo vinho, com os mimos de produção do vinho anterior, ou seja com curtimenta prolongada, longa maceração, dois períodos de sete meses em barrica. De resto porém, sendo um vinho de lote, mais a mais de touriga nacional e touriga franca, apresenta-se naturalmente mais floral e, curiosamente, com um estilo mais acessivo que o monocasta cabernet. Neste reserva, o perfil de maturação continua elevado, mas a elegância e a ligação gastronómica parecem ser a aposta da casa. Para além disso, mostra um final muito bem conseguido, longo e distinto, com ligeiras notas de menta a contribuirem para uma sensação de exotismo. Falta-lhe apenas alguma complexidade e os taninos apresentam-se frágeis para a guarda em garrafa. Para a mesa, sem dúvida! Por cerca de € 18? Sem dúvida! 16-16,5.
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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Recomenda-se

É preciso ir até Mem Martins bem perto dos bombeiros, mais precisamente à Urbanização Jardins Poente, para visitar este Fizz Caffé, embora Nuno Santos gostasse que este fosse apenas a primeira de outras casas com a mesma filosofia. Diz-nos o próprio Nuno Santos, a principal face deste projecto, que se trata de um café, bar e restaurante e, efectivamente, quem entra no amplo espaço do Fizz Caffé logo se apercebe disso. O primeiro andar, de decoração moderna e cores vivas, é dedicado ao café e bar. O segundo andar, mais reservado mas de decoração igualmente moderna e em tons de vermelho, é o lugar da comida. No meio da sala, uma garrafeira climatizada merece destaque e ficamos avisados que o vinho é bem tratado por estas bandas. Quanto à comida é simples: tudo o que provámos estava óptimo e chegámos a dar vivas ao chefe o qual, diga-se, já trabalhou para a Bica do Sapato. Mas é sobretudo pelo vinho que falamos deste restaurante. A lista é primorosa, extensa, e os preços não são muito elevados. Entre várias colheitas de Quinta do Mouro, magnums de Esporão Private Selection 2003, Portos e Champanhes, mais charutos para quem gosta, quase tudo encontramos. Na última vez que lá estivemos, o rei da festa foi um Cortes de Cima Reserva (T) 2001 e foi sem palavras que de lá saímos. O vinho esteve… (lá encontrámos uma palavra) fabuloso.
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Sem dúvida, um restaurante a visitar e um vinho definitivamente a provar e beber.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

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Duas novidades alentejanas
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Passamos a falar de dois vinhos tintos do Alentejo. À primeira vista (ou seja, à primeira prova), tirando a sua proveniência e o ano de colheita, pouco mais terão em comum. Bom, na verdade, têm mais algo em comum posto que têm boa apresentação e vêm afamados como recomendações na revista Blue Wine. E, precipitando o que seria a conclusão deste pequeno texto, afinal até partilham mais qualquer coisa - a nossa opinião sobre eles: é que sendo ambos tintos com bastante valor, estávamos a espera de outras alegrias. Em rigor, ambos deixaram a sensação que podiam dar mais. Vejamos:

O primeiro que falamos é o Scala Coeli (T) 2005, da reputada casa Fundação Eugénio de Almeida responsável pelo mui famoso Pêra Manca. Pois bem, este tinto logo nos fascinou pela cor no copo, muito bonita com laivos violeta a revelar juventude. No nariz é que foi menos interessante pois o domínio dos aromas provenientes da madeira é muito intenso. Os apreciadores menos atentos esqueçam as referências a fruta pois é madeira e mais madeira, acompanhada de matizes torradas, caramelizadas e a café. Perante este cenário, já era de esperar que na boca se mostrasse "fechado a sete chaves" como que a dizer que temos uma roleta-russa nas mãos: ou beber agora - e será uma má opção pois está muito novo - ou esperar por ele – e isso é uma incógnita pois os taninos estão escondidos com tanto poder e amargura. A boca, pois claro, é poderosa, cheia de volume e passados 30 minutos o vinho melhora e mostra que foi feito com muitos cuidados, que a fruta é compota daquela bem madura, e que a madeira (nova, nova, nova) é de boa qualidade. Mas... lá que se torna aborrecido, disso não temos dúvidas. O lote é bordalês, mas isso não o faz ser um daqueles tintos que não se esquece. E o preço… upa upa, desde €30 até ao dobro. No cômputo final: 16.

O segundo vinho é o Roma Pereira (T) 2005, que se apresenta num estilo oposto ao anterior: onde o primeiro "atira" madeira, neste ela apenas se "sente"; onde o primeiro tem volume desmedido, este comporta elegância; quando o primeiro se torna aborrecido, este testemunha ser gastronómico. É certo que lhe falta algum corpo e isso nota-se bem, podendo afastar alguns consumidores que apreciam tintos mais aguerridos. É certo que a fruta na boca não é absolutamente saborosa, mas isso não quer dizer que não evolua nesse sentido. Este vinho é, aliás, claramente um tinto de evolução, ao contrário do primeiro, pelo que será de esperar mais daqui a um par de anos. O seu único "calcanhar de Aquiles" talvez seja o facto de estarmos sempre à espera de mais força durante a prova e, sobretudo, no final de boca. Efectivamente, começa bem com fruta macia, boca aveluda, mas o final peca por esguio e escasso na intensidade. Da mesma forma, o conjunto começa por acompanhar bem pratos exigentes, porém das duas vezes que o provámos - uma a acompanhar rabo de boi, e uma outra em prova cega com o Pingus que muito gostou dele (ver aqui) - não deixou tantas saudades como desejávamos. É, sem dúvida, um tinto sério, complexo, no qual a tipicidade das castas não é totalmente perceptível. Os 12,5% de álcool agradecem-se e, assim, pode-se beber um golo mais. O preço recomendado gira em torno dos €15, valor sensato e merecido. No cômputo final: 16,5.
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sábado, janeiro 26, 2008

Frescos no frio

Para os friorentos, como eu, o frio é das sensações mais desagradáveis que existe. Chegamos mesmo a odiar o frio. A única vantagem do frio é que nos faz apetecer comidas quentes e fortes e, com isso, tintos de respeito, encorpados e poderosos. No Inverno temos soluções românticas como a lareira ou as salamandras, e outras mais modernas como o célere ar condicionado e os eficazes aquecedores de vária ordem (os a gás é que aquecem a sério). Também existem recuperadores de calor, e mais uma panóplia completa de electrodomésticos à venda com o mesmo fim.

Pois bem, com os aquecedores ligados no máximo, o calor volta a casa, e logo a vida regressa lentamente ao corpo. E é nestes momentos que vem o prazer sublime de beber um vinho tirado do frio. Pergunto-me se existirá maior prazer, no que toca a vinhos, do que beber um branco ou rosé bem fresquinho no calor da casa, e olhando pela janela contemplar lá fora um Inverno rigoroso.

Assim, ficam aqui duas sugestões para acompanhar o calor da casa neste Inverno de Janeiro: o Sães (R) 2006, um rosé seco, pouco exuberante mas muito fino e de complexidade significativa (merecedor de 15 valores), e o Soalheiro (B) 2006, um alvarinho de cetim que dispensa apresentações e que, segundo a tradição das colheitas anteriores, muito melhora em garrafa, por vezes num período que chega aos cinco anos (e que, também por isso, leva de nós 16,5 valores).
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À vossa
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Saúde !

terça-feira, janeiro 22, 2008


"cuidado, atenção"


Já se sabe: pode acontecer aos melhores vinhos. Mas é sempre com um travo de desapontamento. Provou-se uma garrafa, outra. Outra ainda, desta feita proveniente de uma caixa diferente. Sempre alaranjado no copo, aroma a bafio, e sabor oxidado ("passado" em bom português!). Pode acontecer aos melhores, e muitas vezes não é culpa dos próprios produtores. Pode acontecer aos melhores, e outras vezes a culpa não é dos distribuidores e muito menos das garrafeiras. Todavia... como tudo na vida, raramente a culpa é de ninguém.
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Colheita de 2001. Desclassificado para beber e mesmo para cozinhar.

sexta-feira, janeiro 18, 2008


Quinta da Fata - tintos

Construída no final do século XIX, a Quinta da Fata situa-se em pleno coração da região do Dão. A escassos quilómetros de Nelas, e a menos de meia hora de carro da Serra da Estrela, produz vinhos com as tradicionais castas da região, numa gama que dispõe já de um branco encruzado, um tinto monovarietal de touriga e um tinto reserva, e de muitos prémios nacionais e internacionais. Como é Inverno, com chuva e frio como há muito não se via, deixemos o branco de 2006 para outra altura e centremo-nos nos tintados de 2005, colheita excepcional no Dão.

Quinta da Fata Reserva (T) 2005: Confirmando as suspeitas reveladas no intróito, este reserva tem um perfume típico dos tintos de lote da região. Não admira, assim, a sua composição, seguindo fórmula costumeira, touriga nacional, jaen e tinta roriz em maiores percentagens, e umas "pingas" de alfrocheiro preto e trincadeira - o Dão tem, aliás, mostrado diversos produtores com vontade de melhorar os seus vinhos mas dentro da tradição. Temos assim um vinho retinto, vermelho escuro e límpido no copo. No nariz – e na boca, adiante-se – é identificável de imediato estarmos perante um vinho de lote, com fruta complexa, fina, focada em frutos vermelhos silvestres, tudo num conjunto jovem, embora as notas doces da madeira tragam consigo um carácter surpreendentemente caloroso (mas não quente) a um perfil, no geral, algo duro. Boca com estrutura mediana, taninos não agressivos e saborosos. Para um Dão de 2005, já se bebe muito bem, com prazer e sem receios que a acidez obrigue a um prato muito forte. Esta talvez seja mesmo uma característica a salientar – está pronto a beber embora a acidez garanta longevidade. O final é seco, com persistência média. Está aqui uma boa reserva do Dão, aposta segura para o consumidor e, ao que parece, não muito onerosa. 16

Quinta da Fata touriga nacional (T) 2005: O produtor confessa-se seguidor da tradição de vinhos de lote, mas reconhece que a touriga nacional tem muita garra a sólo e mostra-se, geralmente, com complexidade acima da média. Por isso, e uma vez que o mercado pede cada vez mais touriga, produziu "excepcionalmente" (sic) este monocasta. E ainda bem que o fez, pois tem, efectivamente, muita garra e complexidade. Quanto à garra, é mesmo superior ao irmão reserva: boca cheia, taninos vincados, e um final significativamente prolongado. O nariz está ainda fechado, bem preso na madeira (como tantos outros que andam por aí), mas antevemos o forte carácter das violetas e a fruta madura em caleidoscópio. Para não dizer muito sobre o óbvio quanto à cor – praticamente opaca, como convém nestes tempos. Por agora, perante um prato regional, talvez escolhêssemos o irmão reserva, mais gastronómico e mais pronto a beber, mas o nosso coração pende para a companhia deste touriga, muito jovem ainda no nariz mas na boca muito energético e saboroso. Aconselha-se por isso, nesta fase, a decantar o vinho com bastante antecedência e a consumi-lo a 18º. Belo touriga, a pedir que se se repita a experiência na colheita de 2006 ou 2007. 16,5 - 17
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Próximos vinhos: Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004; Alvear PX (B) 2004

domingo, janeiro 13, 2008

Herdade das Servas Touriga Nacional (T) 2004


A par de vinhos potentes com alicante, o Alentejo também nos tem oferecido vinhos onde a casta touriga nacional é dominante, quando não exclusiva. São, em regra, vinhos também eles potentes, que impressionam os sentidos desde o primeiro momento. Alguns, quando sedutores e exóticos, podem ser fantásticos (como este aqui). Outros, mais brutos, são quase um "murro no estômago" e de difícil ligação gastronómica. Este Herdade das Servas pertence ao segundo e último tipo.
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É um tinto com uma hiper concentração, que destila notas olfativas a tinta-da-china e a vegetação seca, para além de se mostrar totalmente impenetrável aos raios de luz. É como que um bloco e, ainda por cima, com a fruta algo presa e muito tímida. Como é habitual em tintos desta índole, mostra tem boca fresca, ampla até, e o seu final revela uma persistência média.

Na nossa opinião, é um tinto com valor, mas com pouco a dizer. Parece vir dar razão àqueles que dizem que no Alentejo mais vale alicante do que touriga. Contudo, para quem é fanático da casta - apesar de ela não ser evidente -, mesmo ou sobretudo na sua versão hard, será um must a não perder. A menos de € 25.

16,5
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Próximos vinhos: Quinta da Fata Reserva (T) 2005; Quinta da Fata Touriga Nacional (T) 2005; Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004

quarta-feira, janeiro 09, 2008


Vale de Ancho Reserva (T) 2004

É um vinho, topo de gama da casa que produz a marca Couteiro Mor, que tem já algumas edições e revela sempre muita qualidade, apesar de o estilo mudar um pouco (também) em função da colheita.


Neste de 2004 apresenta o estilo seco, rústico, intenso e muito concentrado (tudo marcado pelo alicante) que parece estar na moda no Alentejo. Algo longe, portanto, do estilo de 2003, irá certamente evoluir bem, mas o melhor é esperar um par de anos.

Nariz fechado, pouco falador, vai lançando aromas vegetais misturados com um toque queimado e agreste que provém da madeira. À semelhança de anos anteriores, revela referências interessantes a grafite e espargos. Boca fresca, ampla, fruta vermelha e alguma caruma, tudo muito bem equilibrado. Final marcado pela madeira com boa persistência.

É, em suma, um tinto muito sério – e, por enquanto, até "sisudo" – com fruta menos exuberante e cativante do que em colheitas anteriores (sobretudo face 2003, ver aqui), com predomínio de um estilo mais gastronómico. Vale a pena para guardar em cave e esperar que se torne mais macio e complexo. A nosso ver, não é, todavia, a mais entusiasmante edição do Vale de Ancho. A menos de € 30.

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Próximos vinhos: Herdade das Servas TN (T) 2004; Quinta da Fata Reserva (T) 2005; Quinta da Fata Touriga Nacional (T) 2005; Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004

segunda-feira, janeiro 07, 2008



Quinta do Perú (T) 2004

Chega-nos este tinto das Terras de Sado e logo nos apercebemos do seu carácter moderno e sedutor. Carregado na cor, vermelha escura com ligeira marca acastanhada, e um nariz que começa por causar impacto pela madeira muito presente.

Depois vem muita fruta madura, (infelizmente) linear e compotada, calma e quente. Matriz frutada, corpo sustentado em algum álcool, final médio + com destaque novamente para o fruto muito maduro. Feito a partir de 3 castas, são a syrah e o aragonês que mais se destacam no conjunto, perdendo a touriga nacional o protagonismo.

Vinho no qual se nota aprumo no trabalho na adega, construção assente num estilo excessivamente marcado pela fruta gulosa e madeira predominante, certamente de agrado do público jovem e generalizado. Tem um estilo pouco rústico que nem sempre encontramos nesta região e talvez com algum tempo em garrafa o peso excessivo da madeira seja atenuado (mas quem vai ter paciência para esperar por ele?).

Com um pouco mais de acidez, poderemos vir a encontrar aqui, sobretudo nas próximas colheitas, uma bela marca de uma zona - Azeitão - que tem muitos encantos (a começar na vila e as suas tortas, mas com destaque para a magnífica Serra da Arrábida). A menos de € 14 nas garrafeiras (não é barato...), e em algumas grandes superfícies comerciais.

15,5 - 16



Próximos vinhos: Vale do Ancho Reserva (T) 2004; Herdade das Servas TN (T) 2004; Quinta da Fata Reserva (T) 2005; Quinta da Fata Touriga Nacional (T) 2005; Encosta do Sobral (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva (T) 2004; Encosta do Sobral Reserva Cabernet (T) 2004; Paulo Loureano Premium (T) 2004

terça-feira, dezembro 25, 2007

Feliz Natal e uma sugestão
*
Temos para nós que o Natal não é festa para vinho novo. Aliás, para provar o vinho do ano, ou mesmo de um ou dois anos anteriores, já existem outras festas. Bom, se não existem, a verdade é que deviam existir...

Já no Natal, só nos apetece vinhos com a marca inconfundível do tempo e da evolução em garrafa. Por alguma razão, existe o conceito de "vinhos de calendário": vinhos de luxo, caros – e já com alguma evolução em garrafa, acrescentamos nós – enfim, a antítese do consumo diário.

Efectivamente, se durante um ano inteiro damos connosco a pensar que determinados vinhos "não estão no seu ponto óptimo", que são "demasiado raros para uma determinada ocasião", ou mesmo que "merecem ser bebidos com familiares e/ou certos amigos"... chega o Natal e devemos abrir essas mesmas garrafas. Sem excepção. É este o momento! É quase caso para gritar, como o Obélix perante uma legião de romanos, "Ao ataaaque!!!".

A título de nota pessoal, o nosso Natal sempre foi muito "Ferreirinha", o que se percebe tendo em consideração os (poucos) topos de gama que existiam há 10 e mais anos. Os Barca Velhas, os Reservas Especiais, os Reservas e, fora do universo Sogrape, algumas garrafeiras particulares - recordo-me de uma de Rio Maior da década de 60 absolutamente maravilhosa, bem como algumas do Dão que pareciam melhorar a cada ano que passava.
Ora, este ano vai voltar a ser assim. Mas fica sempre a dúvida: e o que beber antes do Reserva Especial e do Barca Velha? Sim, nós entendemos que não devemos começar a refeição a beber logo esses ícones do Douro... então o que beber antes, no início da longa refeição? Um vinho novo, com um ou dois anos em cave? Nunca!

Por isso, este ano (ou melhor, este Natal) deixamos uma sugestão pessoal de um tinto em óptimo estado de consumo – i.é, naquele momento perfeito (que durará ainda 2 ou mais anos) em que tudo já está equilibrado. Entrada de boca suave, bouquet perfeito com madeira sedutora, fruta fina e complexa, final composto. E claro, algum e saudável depósito. Sugerimos, assim, um Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001, talvez o vinho que mais nos surpreendeu ao longo do ano, dada a sua enorme qualidade e perfeito estado de evolução. Depois sim, provamos e bebemos os Ferreirinhas que, por isso, é que eles existem. E ainda bem.

Feliz Natal, festas felizes e votos de óptimos vinhos.
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Nuno O. Garcia

quinta-feira, dezembro 20, 2007



La Rosa Reserve (T) 2004

São várias as casas do Douro que apresentam sistematicamente vinhos tintos com qualidade. A par de alguns fenómenos mais mediáticos, são já mais de uma "mão cheia" (i.é, entre a meia dúzia e a dúzia...), os produtores que têm apresentado, com alguma regularidade, vinhos muito interessantes. Obviamente, referimo-nos ao panorama português, o que significa que quase uma década de bons vinhos é já, por incrível que pareça, "tempo relevante".

Um desses produtores tem sido a Quinta de La Rosa. Com uma gama interessante e relativamente abrangente (na colheita de 2005 foram mesmo engarrafados dois tintos de duas vinhas específicas), os vinhos desta quinta têm vindo a presentear-nos sempre com qualidade. A actual chefia de enologia de Jorge Moreira ("Poeira", "J", "Sirga") garante, certamente, futuro e sucesso assegurados.

Contudo, apesar desta regularidade, a verdade é que nunca antes deste 2004 tínhamos gostado tanto de um reserva da Quinta de La Rosa (adorámos o estreme tinto cão, mas esse não conta…). Nem mesmo o da recente colheita de 2005, o qual poderá, todavia, vir a melhorar em garrafa (parece-nos bastante mais "duro", a necessitar de polimento).

Este tinto de 2004 está pleno de elegância. Arriscando em tom de comparação – por vezes, já se sabe, infelizes e injustas –, diríamos que, no estilo e na concepção, está mais próximo deste do que daquele, mesmo tendo em consideração a diferença do ano. O nariz está complexo, de carácter não imediatista, com fruta madura e ligeiro floral. A madeira não está, felizmente, muito evidente (o que até se poderá estranhar para um vinho de 2004 com tanto tempo de estágio em carvalho...). Alguns dirão mesmo que lhe faltará a panóplia balsâmica que outros vinhos apresentam, mas isso não parece, a nosso ver, ser um defeito, antes um feitio.

Tem uma entrada de boca suave e muito acetinada, com fruta bem conseguida – delicada e doce q.b. – e taninos finos e saborosos. Final conseguido, trabalhado, de cariz aprimorado mas ainda longe de ser persistente (a melhorar, muito provavelmente, com algum tempo em cave).

A menos de € 27, como se vê pela nossa descrição, é um vinho difícil de resistir.

17,5

Próximos vinhos: Quinta do Perú (T) 2004, Vale do Ancho Reserva (T) 2004; Herdade das Servas TN (T) 2004; Quinta da Fata (vários); Encosta do Sobral (vários).