quarta-feira, agosto 25, 2010

Novidades

Bajancas private selection (B) 2008

Já tínhamos, no passado recente, apreciado os vinhos brancos deste produtor duriense, cujas vinhas são próximas de São João da Pesqueira, terra de planalto sito entre o Cima Corgo e o Douro Superior. Mas, com a prova dos novos brancos, de 2008 e 2009, que serão lançados no mercado, constatamos que houve uma evolução muito positiva na qualidade e ficámos ainda mais agradados.

O branco colheita de 2009 está interessante, frutado e com apetência para o consumo imediato e descontraído. A surpresa estava, porém, reservada para o private selection da colheita de 2008. Aliás, este foi mesmo um dos brancos nacionais que mais nos entusiasmou nas últimas provas que tenho efectuado.

É um vinho «woody but dry», como dizem os anglo-saxónicos. Ou seja, o vinho teve estágio em barrica mas mantém-se seco, muito seco, crocante, apenas com ligeiros fumados da madeira, e um delicioso toque de espuma de café. Nada de fruta tropical, apenas um ligeiro citrino bem mesclado com uma forte componente mineral. Mas o melhor… para nós, o melhor é a sua acidez, intensa, cortante, capaz de nunca nos saturar.

Um belo branco a um preço por volta dos €15, ou seja muito simpático para a qualidade apresentada.

17

terça-feira, agosto 24, 2010

Pechinchas (ou não tanto)

Descobertos num supermercado cooperativo a sul do País, ficámos com uma vontade curiosa de conhecer a  evolução destes dois vinhos. Comprámo-los e levámo-los para casa, o Encostas de Estremoz Alicante Bouschet (T) 2004 a menos de € 6, e o Herdade do Meio Antão Vaz (B) 2005 a menos de € 2. Pensámos, de imediato: 'pechinchas', estes dois alentejanos!

Baratos, sem dúvida, mas, em rigor, também não chegaram a agradar por aí além, quando chegou a hora de os provar. O tinto surgiu com excessivas notas de couro e de óleo vegetal em lata, o que implicou decantação obrigatória. Melhorou, é certo, mas manteve-se longe do nível das provas que dele fizemos no passado. Salvou-se uma frutinha encarnada no final de boca e pouco mais (14). Quanto ao branco, revelou-se farto em notas a carvalho americano e curto em referências ao Antão Vaz. Enjoativo, necessariamente, nas referências a baunilha doce, sem acidez nem complexidade, praticamente mortiço, para não dizer defunto (13).

'Pechinchas' existem, sem dúvida, mas nem sempre como deveriam ser. 

quinta-feira, agosto 19, 2010

Prova especial

Terrenus Reserva (T) 2004

Encaixamos esta prova deste grande tinto na categoria "prova especial". E fazemo-lo pois este é, efectivamente, um vinho fora do normal. Especial, pela relativa raridade do vinho, posto que a sua produção é residual, ridícula mesmo comparando com padrões internacionais. Especial, pois em meia década produziram-se apenas duas colheitas (2004 e 2007). Especial, pelas provas sempre fantásticas que nos proporcionou até hoje, e pela evolução que dele esperamos ainda (ver aqui para uma das provas anteriores). Especial, por fim, pela nossa admiração subjectiva por este tinto de vinhas velhas da Serra de S. Mamede, um dos néctares nacionais no qual depositamos afeição maior.

Cor muito viniosa no copo, praticamente ainda opaco, denotando imensa juventude. No nariz, começa fechado, circunspecto (por isso, decante por uma hora, pelo menos). Cariz complexo e fundo, é um vinho que exige prova atenta, vigilância apertada e sentidos apurados. A fruta é negra, profundamente decadente. 

Na boca, proporciona uma prova gloriosa, mantém-se amplo e saboroso durante muito tempo, com fruta negra e fumados de qualidade. E revela até uma sensação de secura que muito nos apraz. Final de boca em alta, com chocolate amargo e ligeira nota rústica, mesmo ao nosso gosto pessoal.

Este, "está para as curvas", e durará, seguramente, mais 10 anos se guardado em condições ideais. Novidade no mercado é o da colheita 2007, igualmente de alto nível, mas, infelizmente (para nós, que precisamos dele...), mais caro, desculpando-se Rui Reguinga - produtor e enólogo desta delícia - na necessidade de reajustar o preço.

É um vinho denso, calmo mas potente, aparentemente silente mas poderoso. A nós, sugere-se como um tinto com "alma literária", como, aliás, tentámos demonstrar com a foto que colámos ao lado.

17,5-18+

terça-feira, agosto 17, 2010

Provas

Grandes Quintas Reserva (T) 2007

Novo projecto duriense, de um proprietário de vinha velha sita no Douro Superior, encontrando-se Luís Soares Duarte (Gouvyas) no comando da enologia.

No copo, revela cor carregada, quase opaca. Na prova de nariz, tem fruta negra com ligeira baunilha doce, conjunto de pendor guloso e atractivo, que evolui no copo com ligeiro cravinho e esteva. A prova de boca é saborosa, com fruta mais encarnada do que preta, complexidade e final de boca médios, e acidez no ponto (embora se tivesse mais vincada só melhoraria, a nosso ver).

Boa estreia deste novo produtor, que se apresenta já com um reserva interessante (a par de um colheita a cerca de €8), que pretende ser um compromisso entre um Douro mais internacional e uma patine clássica. Para já, a vertente internacional parece levar algum avanço num conjunto sedutor ao qual apenas falta um pouco mais de raça. De qualquer forma, para a boa qualidade apresentada, merece destaque o preço não especulativo, abaixo dos €16. Disponível em garrafeiras de qualidade e no Jumbo.

16,5-17

Próximas provas: Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009; Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009


terça-feira, agosto 10, 2010

Novidade

Valle Pradinhos (B) 2009

Se ainda não está no mercado estará para muito breve, tanto mais que é um daqueles brancos que rapidamente se esgota nas garrafeiras todos os anos. Esta versão de 2009 (para a nossa apreciação sobre as anteriores, ver aqui e ali) mantém a exuberância aromática que lhe conhecemos e que marca a prova de nariz, com a Riesling e Gewürztraminer a dominar por completo. Falta-lhe, por ora, alguma componente mineral e vidrada que lhe descortinámos em anteriores colheitas, mas que poderá vir ainda a receber do estágio da garrafa.

Na prova boca, está ligeiramente mais pesado que a magnífica edição de '08, pelo que deve ser servido bem fresco, sobretudo se bebido nestes dias quentes. A intensidade da prova de boca mantém-se e é de assinalar - fruta branca e flores - mas, a nosso ver, o melhor é mesmo deixá-lo por alguns meses de lado para ver se o conjunto se torna um pouco mais elegante.

De resto, não se pense que não está à altura da fama que conquistou. Na verdade, não lhe falta exuberância, vigor, intensidade na prova e mesmo um final de boca com assinalável comprimento. E até melhorou a imagem, com novos rótulo e cápsula mais actuais, mantendo o bom gosto que caracteriza a marca transmontana.

16-16,5

quinta-feira, agosto 05, 2010

Provas

Cistus Reserva (B) 2009

Cor muitíssimo ligeira, de acordo com a moda actual, ou seja quase transparente. Prova de nariz muito directa, focada em referências a fruta branca mas sem cair na banalidade. Na prova de boca melhora, ligeiramente mais complexo, apesar de algum "pico" gaseificado que complica mas não estorva.

A menos de €4, temos aqui um branco duriense para este Verão, linear mas correcto, a beber bem fresco, talvez mesmo abaixo dos 8º.

14,5

Próximas provas: Grandes Quintas Reserva (T) 2007; Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009

terça-feira, agosto 03, 2010

Provas

AQ Mensagem de Trincadeira (T) 2007

Mais um rebento do projecto "Altas Quintas", projecto sito no norte do Alentejo e que se caracteriza pela produção de vinhos a partir de uvas plantadas a uma altitude média de 600 metros. Desta feita, e depois de um promissor Aragonês da colheita de 2005 (ver aqui), surge-nos um monocasta Trincadeira, casta tanta vezes difícil pelo carácter excessivamente vegetal que atribui a alguns vinhos. Neste caso, nada disso!

Cor ruby escura mas não opaca. Nariz com aroma intenso fruta madura, muitas especiarias - pimenta, cravinho -, tudo muito guloso - café, tosta - mas algo linear, sem a complexidade que pretendíamos encontrar. A prova de boca revela um vinho fresco, com taninos suaves, um vinho muito polido, talvez o mais polido e elegante na boca de todos os já provados deste produtor.

Ainda que tenhamos preferido a Mensagem de Aragonês pela maior complexidade do conjunto, nada cabe apontar a mais este tinto de qualidade saído do terroir da Serra de S. Mamede: em suma, prova de nariz muito sedutora, prova de boca fresca, e conjunto muito aprumado. Quanto ao polimento já demonstrado em garrafa, importa confirmar se será mudança de perfil ou se foi o ano a comandar o estilo, bem como esperar que não se comprometa a longevidade. A menos de €20, temos aqui um estreme Trincadeira de bom nível, de perfil moderno e acessível no estilo, que se recomenda.

16,5

Próximas provas: Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007; Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009

sexta-feira, julho 30, 2010

Provas

Labrador Quinta do Noval (T) 2007

Um 100% Syrah do Douro... e logo de uma das suas mais famosas quintas. Sita no Vale Mendiz, de vistas magníficas, a Quinta do Noval foi das primeiras a produzir Syrah no Douro, sendo certo que já existe muita Syrah plantada noutras quintas da região. Apesar dos resultados parecerem ser prometedores, não conhecemos ainda o impacto desta decisão, nem até que ponto os restantes produtores seguirão o exemplo (recorde-se, a este propósito, o Cabernet plantado para o projecto Poeira e que deu já lugar a um novo vinho deste produtor).

No copo, a cor revelou-se escura, denotando muita concentração. Prova de nariz exuberante, repleta de aromas a fruta negra mas denotando sempre alguma frescura. Referências também a fumo e ligeira tosta.

Na prova de boca manteve o bom nível, saboroso, com fruta abundante e final garboso.  Falta-lhe alguma acidez ao conjunto e uns taninos mais secos para fazer jus à longevidade expectável da maior parte dos vinhos deste terroir de eleição.

16,5

Próximas provas: Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007; Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005

segunda-feira, julho 26, 2010

Provas

Alento (T) 2008

Tinto alentejano com roupagem bonita e moderna. Nariz dominado pela referência a frutos maduros, com ligeira nota de rebuçado "bolas de neve". Boca redonda, bastante saborosa e taninos suaves. Não se prevê grande longevidade, mas para já está muito bem. Afinado, simples e muita disponibilidade de fruta.

Aragonês (40%) e Trincadeira (40%), e um pouco de Alicante Bouschet (10%) e Touriga Nacional (10%). Nada a opor para um vinho que se pretende simples e prazenteiro; tal como ele é.

15,5

Próximas provas: Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007

segunda-feira, julho 12, 2010

De Itália

Piemonte vs. Toscana

Este será um Verão em que iremos dedicar alguma atenção aos vinhos de Itália. Sem revelar tudo, mas levantando já um pouco a ponta do véu, diremos que mais adiante teremos o relato integral de uma prova inolvidável que tivemos o privilégio de poder fazer, nem mais nem menos do que uma dúzia de Barolos todos da magnífica colheita de 2001! E teremos notícias frescas da Toscana, inclusivamente de Maremma - uma das áreas mais em voga na Itália Central com os seus tintos "Morellino di Scansano". Bom, mas até lá... deixamos as nossas opiniões sobre quatro vinhos, dois de Piemonte e dois da Toscana.

Começando pelos vinhos da Itália Central, diremos que tanto o Tignanello (T) 2001 como o Flaccianello (T) 2006 estiveram belíssimos. O primeiro, um pioneiro dos "Super Tuscan", um vinho famoso pela combinação, inventada por Antinori, de 80% Sangiovese mais Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. O segundo, um 100% Sangiovese da casa tradiconal Fontodi sita em Chianti Clássico. Ambos revelam-se completos na prova de nariz e de boca: o Tignanello, necessariamente mais evoluído, já com terciários garbosos a lembrar néctares bordaleses (17,5-18); o Flaccianello, com notas de fruta encarnada, cinza e especiarias,  simultânemente sensual
e elegante (17-17,5).

Do lado de Piemonte, no noroeste de Itália, dois 100% Nebbiolo - talvez a melhor casta italiana -, ambos frescos e gastronómicos. O Barolo, num estilo clássico, revelou-se mais trufado com fruta mais negra na prova de boca (17-17,5); o Barbaresco, de uma casa produtora em grande forma, esteve mais directo, com fruta encarnada e taninos discretos apesar de visivelmente mais jovem (17-17,5). Ambos excelentes, o primeiro, um Massolino (T) 2000, o segundo um Vietti Barbaresco (T) 2005, ambos com muitos anos de evolução segura pela frente.

quinta-feira, julho 08, 2010

Provas especiais

Três brancos de 2007

Não foi ocasião singela - no dia mais quente do ano, foi a vez da prova de três dos melhores brancos nacionais. De uma assentada, provou-se o Soalheiro Reserva (B) 2007 em versão magnum (1,5l.), e dois vinhos da casa Niepoort, o Redoma Reserva (B) 2007 também em magnum e o Tiara (B) 2007 este em formato 75cl. Três vinhos e uma única e segura conclusão: temos brancos em Portugal, temos brancos que estagiam em madeira, e temos brancos que podem evoluir alguns anos em garrafa! 

Os três vinhos estiveram impecáveis em vários capítulos: nos reservas, a madeira foi sentida mas não reprovada e estiveram muito saborosos; no Tiara brilhou um travo mineral que acompanhou toda a prova. Em todos, a acidez esteve a bom nível; em todos as prova de nariz e de boca revelam-se significativamente complexas; nenhum apresentou complicações nem oxidações. Com brancos destes (e mais meia dúzia no mercado nacional), não há razão para se insistir em tintos nos dias mais quentes do ano. Apesar de menos imponente, destaque merecido para a evolução e grande relação preço-qualidade do Tiara, sobretudo se pensarmos que custa cerca de metade a um terço do preço dos outros dois vinhos qualquer que seja o formato da botelha.

sábado, julho 03, 2010

Novidade

Herdade dos Grous Reserva (T) 2008

Muito escuro no copo, praticamente opaco. Dada a sua juventude, aconselha-se decantá-lo. Passados trinta minutos no respirador, revela um nariz muito perfumado, de pendor sensual, com notas de fruta madura, ligeiro vegetal seco e madeira não enjoativa. Na boca está já quase pronto, redondo e corpulento, mantém-se muito prazenteiro, com volume e potência. Ameixa, cereja, aparas de lápis, mas nem sombra de sobre-maturação.

Com uns simpáticos 14.º de álcool, está muito bem feito à imagem das colheitas anteriores, mas talvez menos potente,  tentativamente elegante e - felizmente - mais equilibrado. Ao nível da fruta negra não se pode pedir mais... Para ser perfeito, pedíamos apenas maior acidez e até alguma rusticidade, mas esse é o nosso gosto pessoal.

Em breve à venda a menos de € 40. É uma marca recente mas já com uma incrível estabilidade na qualidade que os seus vinhos apresentam e, até por isso, este topo de gama mantém-se uma escolha muito certeira para os adeptos dos vinhos sexy do sul do Alentejo.

17

sexta-feira, junho 25, 2010

Curiosidade

AVA (B)

Para aqueles leitores que afirmam que este blog é excessivamente centrado em vinhos das gamas média e alta (e reconhecemos, efectivamente, alguma razão a tal apontamento) aqui fica uma sugestão económica.

Imagine um vinho branco de mesa, com pouco teor alcoólico produzido por uma empresa especialista nesta matéria e nesse segmento (a sociedade Aveleda). Agora imagine-o frutado, com destaque para pêra, líchia, ligeiro alperce, mas sempre mantendo-se leve, muito leve mesmo. E imagine-o fresco, com alguma acidez (natural?), e com "pico" agradável na boca. Pouco mais. E, claro, um preço abaixo dos € 3. Se é isto que procura, o AVA é, a nosso ver, uma das melhores opções no mercado.

É certo, mantendo o espírito crítico, que lhe falta estrutura, complexidade, fim de boca, e (mas é pedir muito) carácter. Mas como tudo na vida são "contextos e circunstâncias", tente imaginá-lo ao final de uma tarde quente de Verão, e experimente servi-lo num copo esguio ou mesmo numa flute... Pois é!

14

segunda-feira, junho 21, 2010

Novidades

Novos lançamentos dos projectos de Rui Reginga:

A par de consultadorias e parcerias um pouco por todo o planeta - das quais destacamos 'Quinta dos Roques' (Dão), 'Lima Mayer' (Alentejo), 'Weinbau Wenzel' (Burgenland)  e 'Fabre Montmayou' (Mendoza) - o talentoso enólogo Rui Reguinga encontra ainda tempo para pequenos projectos pessoais domésticos. Desses, os seus brancos estão acima da média nacional, e o tinto Terrenus Reserva mantém o estatuto de grande tinto português na sequência da magnífica colheita de 2004.

Primeira Paixão (B) 2009: Gostámos mais do que da edição anterior ('08), sobretudo na prova de boca, mais complexa e saborosa. De resto, mantém-se fresco, "crispy", e levemente mineral, final mediano. Para beber nos próximos 2 a 3 anos (se conseguir, a acompanhar umas lapas grelhadas...). 16,5-17

Terrenus (B) 2009: Ligeiro fumado, e alguma caruma, no aroma a lembrar a madeira de alguns brancos da Borgonha. Mineral, persistente, muito gastronómico. Um estilo muito elegante e felizmente longe dos vinhos brancos que apenas sabem e cheiram a fruta. Muito bem! Para beber nos próximos 5 anos. 17

Terrenus (T) 2008: Nariz com referências a pólvora e fruta encarnada. Boca fresca, saborosa, corpo mediano e final bem conseguido. Um belo vinho, com um estilo moderno mas sem perder personalidade e até alguma rusticidade. Para beber nos próximos 5 anos, pelo menos.16,5

Tributo (T) 2008: Mantém o estilo  de 'Côtes du Rhône' mas com um cunho pessoal, neste caso mais virado para a elegância e com mais frescura. Corpo relativamente esguio, saboroso e final delgado - não é defeito, é mesmo feitio. Gastronómico e muito elegante. Para beber nos próximos 7 anos, pelo menos. 17+ 

Terrenus Reserva (T) 2007: Um dos melhores tintos nacionais. Cheio de carácter, profundo no aroma e poderoso na boca sem excessos frutados ou de barrica. Um vinho com um final de boca memorável e um hino às vinhas velhas da Serra de S. Mamede! Para beber nos próximos 10 anos, pelo menos (o '04 continua em forma!) 18++


sábado, junho 19, 2010

de Espanha

Neo (T) 2005

Mais um projecto recente à procura de fama e de proveito que nos chega de uma das regiões mais badaladas de Espanha - "Ribera del Duero". Todavia, ao contrário de outros da região, este tinto não é de excessos, nem mesmo no uso da barrica que não chega a "tapar" o belíssimo fruto negro que revela na prova de nariz.

De resto, está quase opaco na cor, mostra-se muito concentrado mas com alguma elegância, tem taninos saborosos (parece-nos, aliás, ser este o ponto alto deste tinto) e um bom final de boca. Tudo isto contribui para um conjunto moderno e sedutor, ao qual apenas falta alguma complexidade (talvez o tempo em garrafa ajude nesse aspecto). Entre os € 25 e os € 30 cada botelha, pode encontrá-lo no clube WinePT.

17 

quinta-feira, junho 17, 2010

Prova especial

Château d'Yquem (B) 1999

Logo no final da colheita, os peritos em "botrytis" foram categóricos em afirmar que 1999 seria um ano mau para o Château d'Yquem. Nós, que não o provámos aquando do seu lançamento, gostamos dele agora, pois apresenta-se, na prova de nariz, com boa complexidade e muita elegância, faltando talvez alguma profundidade para aquele que é, sem dúvida, o rei dos vinhos doces de Sauternes.

A prova de boca é sedosa e envolvente, com uma doçura cristalina que não aborrece (tão diferente de tantos) e um final de boca médio/longo. Ao contrário de outros anos, a "botrytis" não está muito evidente, mas o vinho consegue manter-se gracioso mesmo na quase ausência de tal vital característica, muito devido, a nosso ver, à evolução que já leva em garrafa.

Um vinho doce que marca um estilo copiado em todo o planeta e, em alguns casos, copiado com sucesso. Num momento em que é já possível provar mais de dezena e meia de brancos doces/colheitas tardias produzidos em Portugal, este é, claramente, um vinho a não perder (apesar de sugerirmos uma colheita melhor que esta de 1999, como seja a de 1988, bastante mais cara também). Considerado como o par perfeito do foie gras, nós preferimo-lo a acompanhar uma fatia de tarte de maçã na sobremesa, sobretudo na versão, também francesa, de Tarte Tatin.

17

terça-feira, junho 15, 2010

Restyling
Passados cinco anos e dois meses desde a "debut", eis o Saca a Rolha com o seu primeiro facelift. Se fossemos uma empresa fabricante de automóveis, diríamos que não era propriamente um novo modelo, antes um singelo restyling.
NOG

domingo, junho 13, 2010

Provas especiais


Apresentação novidades IWA

Como vem sendo habitual, o grupo de produtores IWA apresentou as suas recentes novidades num evento, cada vez mais bem organizado, no Hotel Ritz (Lisboa). Para saberem um pouco de tudo o que lá se passou, e como as revistas da especialidade só falarão do evento quando saírem nas bancas daqui a umas semanas, visitem, entretanto, os blogs do Rui, do João Rico, e do Miguel. Aí, poderão encontrar textos bem escritos e fotos bem tiradas. Ao invés, da nossa parte, e à parte da (tentativa de) fotografia que colocamos no canto superior direito deste texto (e pela qual pedimos desculpa ao Domingos Alves de Sousa, a quem ficamos a dever "royalties" pela utilização da sua imagem), ficam apenas breves opiniões e recomendações necessariamente pessoais. A saber:

  • Remendamos todos os brancos de 2009 da Quinta dos Roques, conhecido produtor do Dão que melhora o nível dos seus brancos cada ano que passa. O nosso destaque deste ano segue para o "Quinta dos Maias (B) Malvasia 2009", a Malvasia mais mineral que já provámos e, como vem sendo habitual, para o já clássico "Quinta dos Roques (B) Encruzado 2009", complexo como sempre e que irá envelhecer graciosamente (actualmente o 2007 está perfeito e tem ainda muito para andar na cave).

  • Recomendamos, de igual forma, os brancos de 2009 da Quinta do Ameal, vinhos da casta Loureiro deliciosamente gastronómicos, tanto nas versões "unoaked" como nas com madeira. Também se sugere prova atenta ao "Ameal Special Harvest 2007", mais um branco doce (curioso no perfil, por ser diferente do habitual, e com bela acidez) para enriquecer a cada vez maior oferta nacional neste tipo de vinho.

  • Sugerimos, igualmente, os tintos da Casa de Cello - com destaque para o "Quinta da Vegia Reserva (T) 2007" -, néctares do Dão elegantes, e generosos tanto na fruta e como na componente floral, agora com nova imagem na garrafa. Também se recomendam os brancos deste produtor, feitos na região de Amarante, caso do "Quinta de Sanjoane Escolha (B) 2004" (um branco em óptima evolução) e, num perfil diferente, o "Quinta de Sanjoane Superior (B) 2007".

  • Do produtor duriense Alves de Sousa, não hesite em caso algum adquirir (se conseguir pois não são acessíveis...) umas garrafas do "Abandonado (T) 2007", um vinho fantástico, a melhor edição de sempre desta vinha extraordinária, e não perca também, mas agora apenas para os fãs incondicionais de tintos com Touriga Nacional em evidência, o potentíssimo e garboso "Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo (T) 2007", uma autêntica bomba se provado nesta fase.

  • Finalmente, do bairradio Luís Pato, destacamos dois tintos, o "Quinta do Ribeirinho Pé Franco (T) 2008" e o "Vinha Pan (T) 2008" - dois vinhões na enorme complexidade que já exibem -, bem como as novidades "moleculares", dois abafados da colheita de 2009, um tinto e outro rosé, em especial este último, bastante bem balanceado entre doçura e acidez, duas curiosidades muito interessantes tanto mais que se revelam muito versáteis à mesa.

Da nossa parte, é tudo.

segunda-feira, junho 07, 2010

Provas

2 Castas (B) 2009

Um dueto alentejano pouco provável - produzido a partir de uvas de Viosinho e de Verdelho -, mas com sucesso garantido (mais um da Herdade do Esporão). Como ditam as regras actuais da enologia, as duas castas fermentaram em inox, e a temperaturas baixas.

Prova de nariz com grande expressão aromática, citrinos e pico a hortelã, com ambas as castas em evidência. Na prova de boca, o vinho está menos presente e é mais linear, como é, de resto, normal nesta gama de preço. Revela, contudo, um feliz pendor vegetal, e ligeiro citrino, certamente mais da responsabilidade das castas utilizadas do que propriamento do terroir alentejano. Refrescante e com final saboroso, apesar de curto.

Em suma, um branco atractivo, claramente a apostar no seu consumo enquanto jovem. Moderno no perfil (apesar dos seus 14,5% vol. algo "puxadotes"), mas - felizmente! - sem as modernices vãs e aborrecidas, como sejam os aromas "neo-tropicais", que hoje tanto andam na moda (culpa das leveduras, dizem...). Tendo em conta o preço, abaixo dos €5,5, está muito bem executado. Pouco alentejano no estilo é verdade, mas muito bem executado!

15,5


Próximas provas: Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007

domingo, maio 30, 2010

Provas especiais


"Portfolio" de vinhos únicos

Foi há pouco mais de uma semana que tivemos a oportunidade única de jantar, pela primeira vez, na Feitoria dos Ingleses ("The Factory House"). Localizada na baixa do Porto, num edifício histórico, tem sido, faz séculos, o local de reunião de produtores e enófilos com sotaque "very british" e é, naturalmente, o local de abrigo também de uma garrafeira magnífica de vintages (consta, aliás, que a admissão na Feitoria implica a entrega de algumas caixas de bons vintages).

A ocasião era o jantar patrocinado pela "Portfolio Vinhos" (empresa que associa a família Symington a Joaquim Augusto Cândido da Silva), mas a cerimónia só ocorreria verdadeiramente com a degustação de vinhos que, por motivos diversos, eram quase únicos ou, pelo menos, de muito difícil acesso.
Foi, assim, com muito deleite que começámos por provar um ensaio de Anselmo Mendes, um vinho branco chamado Perdido (B) 2001, um vinho fantástico onde complexidade e elegância andam de braços dados (17-17,5). Segundo o próprio Anselmo existiam antes da prova apenas 6 garrafas... agora talvez nem uma. Provámos também (e já com saudade) as últimas garrafas de um dos primeiros vinhos de José Mota Capitão, denominado pelo produtor por Brisa da Herdade do Portocarro (T) 2003, um vinho feito de vinhas Sangiovese muito jovens, imberbes mesmo, que desafiou a clássica concepção de que só as vinhas velhas podem produzir grandes vinhos (17).

Mantendo-nos no plano doméstico, da Bairrada, veio um interessante Kompassus Reserva Particular (T) 1991, em plena forma e com altiva complexidade faltando apenas, a nosso ver, alguma sedução ao conjunto (16,5-17); como veio também, mas agora das terras do Dão, um enorme Quinta da Falorca (T) 1963, um tinto eternamente na "meia-idade", um tinto que parou no tempo, ainda pujante e com laivos de fruta encarnada (17-17,5). Do Alentejo um imponente Terrenus Reserva (T) 2004, que deu, uma vez mais, uma prova inesquecível com aromas trufados e a frutos encarnados inebriantes (17,5++).

Pelo meio, prova de dois estrangeiros: um Château de Beaucastel (T) 1989 e um Don Melchor (T) 2001, nenhum desapontou (bem pelo contrário) e cada um mostrou-se fiel ao seu estilo: fantástica a prova do francês, revelando uma boca com fruta, terra e ligeiro toque animal (17-17,5); quanto ao tinto chileno, irresistível na sua compota frutada e na textura aveludada que mantém (17).

Tempo também houve para vinhos de perfil mais doce que brilharam muito alto: Hugel Gewurztraminer Sélection de Grains Nobles (B) 1985, da família Hugel & Fils servido em magnum, em perfeito momento de prova já com as notas de evolução típicas da casta, delicioso! (18+); Dow's Vintage (P) 1963, servido também em magnum, sempre um dos nossos favoritos, infelizmente, desta feita, ligeiramente abaixo de provas anteriores (17,5-18); e, o Graham's Malvedos Vintage (P) 1965 um belíssimo vintage que provámos pela primeira vez, mas que gostámos tanto, pois esteve saborosíssimo na prova de boca (17,5-18+), que quase suplantou o Dow's servido anteriormente, tendo ainda com muitas "pernas para andar" em cave.

Para o fim, e após uma tímida flute de Pol Roger Sir Winston Churchill (Esp.) 1996, dois magníficos fortificados lusos: o Warre's A. J. Symington Colheita (P) 1882, um super colheita, de cor castanha e acobreada, intenso e harmonioso, com vinagrinho delicioso, nada pesado e nada extra-doce, boa acidez e um final interminável (19); e, o Blandy's Terrantez (M) 1899, um Terrantez de outro mundo, sufocado com notas de caril e vinagrinho, ligeiramente seco na boca, acidez alta como quase sempre acontece com os vinhos da Pérola do Atlântico, e um final de boca de "largar família", como dizem os brasileiros (19). Foi a melhor maneira de terminar a noite, e foi a prova - como se (ainda) fosse preciso prova... - que os Portos e os Madeiras, quando bons e velhos, estão entre os melhores vinhos do Mundo!
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