terça-feira, julho 31, 2012

Prova


Montes Claros Garrafeira (t) 2008

Topo de gama da Adega de Borba e um verdadeiro topo alentejano. Se são os vinhos mais acessíveis os mais badalados desta adega, não existem razões para que este belíssimo tinto não seja mais conhecido do grande público. A par da fruta generosa que se espera de um alentejano, tem notas elegantes de especiarias, tabaco e alcatrão, que aumentam muito a complexidade. Longe de ser uma 'bomba de cheios', é um vinho sério e que merece o qualificação de "garrafeira". Espere-se mais um par de anos e desfrute-se dele, de preferência à mesa!

17++

segunda-feira, julho 23, 2012

Prova

Terra d' Alter Reserva (b) 2010


Um branco alentejano que procura - e consegue - fugir ao estereótipo dos brancos da região. O facto de o projecto estar mais a norte (em Terras de Alter, como sugere a marca), próximo da Serra de S. Mamede ajuda, e encontramos neste branco um registo fresco, ligeiramente vegetal até, com finura e prolongamento de prova de boca. Muito afinado, seco e gastronómico, é uma boa aposta para este Verão.


16,5

terça-feira, julho 17, 2012

Do antigamente

Periquita Clássico (t) 1994


Em poucos vinhos o desigantivo clássico faz tanto sentido quanto neste Periquita topo-de-gama. Tem o perfil sério, seco e ligeiramente rústico, habituado à garrafa, característico dos vinhos clássicos portugueses. Em jovem (lembramo-nos de o provar faz vários anos na garrafeira Coisas do Arco do Vinho) era taninoso, com a rusticidade à solta, e fruta negra.


Hoje, quinze anos depois, está um vinho absolutamente fantástico e ainda com pernas para andar (apesar de não haver razão para o continuar a guardar). Com uma cor encarnada escura, nariz com laivos de cereja e ligeiro verniz, óptima complexidade (quem diria ser apenas Castelão?), e explode com um final de boca absolutamente demolidor.


Seguramente um dos melhores vinhos tintos, não fortificados, da colheita de 1994 por nós provado.

sexta-feira, julho 13, 2012

Novidade



Vinhos BEYRA


Os mais atentos aos lançamentos de novidade vinícolas já conhecerão, porventura, este novo projecto de Rui Madeira (criador da VDS no Douro Superior). E isto porque aqui e ali (na imprensa escrita e nos blogs) já muito se escreveu – são vinhos de altitude, com óptima acidez e mineralidade, frescos e com um final de boca assinalável. É tudo verdade. Também é realçado que a presença de filões de quartzo no terroir da Vermilhosa é uma mais-valia, o que também é verdade, apesar de não ser exclusivo do concelho de Castelo Rodrigo (de repente, lembramo-nos de Macedo de Cavaleiros que também os tem, e disso se sente nos óptimos vinhos de Valle Pradinhos).

Assim, quanto a nós, o que queremos assinalar neste novo projecto, a par da mineralidade e frescura dos vinhos, é a fantástica relação preço-qualidade dos mesmos. Por ora, são três os vinhos, e por ora só brancos; o mais caro – o belíssimo Beyra (b) Superior 2011 – cifra-se em 9€. Mas o espanto é maior quando nos apercebemos que os dois vinhos de entrada de gama – o Beyra (b) 2011 e o Beyra Quartz (b) 2011 (que, dizem-me, vendem-se no Continente) – custam, respectivamente, 3€ e 5€ e são ambos muito interessantes. O Quartz, em particular, é de beber e chorar por mais.


É caso para concluir que beber um branco mineral português deixou de ser um luxo. Com os vinhos deste projecto BEYRA, passou mesmo a ser acessível. Por isso, trata-se obviamente de uma das melhores novidades deste ano.

terça-feira, julho 10, 2012

Prova


Quinta dos Vales Grace viognier (b) 2011

Um dos melhores brancos do Algarve que já provámos, e logo de uma casta que, a nosso ver, teima em não produzir brancos de primeira linha em Portugal (apesar de cada vez mais plantada por cá...). Ao invés do perfil nacional – vinhos quase sempre volumosos e untuosos, muitas vezes sem qualquer graça ou frescura – este viognier de Estômbar revela-se citrino na prova de nariz, combinando um ligeiro floral com referências a relva cortada (a lembrar um pouco Sauvignon). A prova de boca é muito agradável, fresca e com o volume certo (i.e., nem muito nem pouco), e um final assinalável.

A colheita de 2011 ajudou, como é sabido, a produzir bons brancos. Mas, em qualquer caso, é um esforço assinalável produzir um branco tão equilibrado no terroir quente da DOC de Lagoa, e nem se notam os seus 14,5% de alc. Tal revela aprumo na vinha (escolher o melhor momento para vindimar) e na adega (na qual se optou – e bem, tendo em conta o resultado final – por não passar o vinho por madeira). E confirma também que preconceitos em relação a regiões e tipos de vinho são muitas das vezes contrariados quando os provamos. Quem diria, afinal, que escontraríamos um dos melhores viogniers do país no Algarve?


16,5-17

sexta-feira, junho 29, 2012

Prova

DSF Moscatel Roxo (r) 2011

Mais uma edição deste óptimo rosé, um dos mais entusiasmantes produzidos em Portugal, imbatível se bebido a solo e, ainda, dá uma grande prestação à mesa combinado com comida exótica e apimentada. Na cor está menos intenso do que nas edições anteriores e a prova de boca também parece mais delgada: nada de negativo num vinho de Verão, claro está. O nariz continua exuberante, tão exuberante que mesmo servido em flutes (!) - como o temos visto por aí para aumentar o efeito cénico - continuará a dar uma boa prova de si...

16

terça-feira, junho 26, 2012

Novidade

António Saramago Reserva (t) 2009

Um dos melhores vinhos que já provámos de António Saramago é o 'AS 50', um tinto exclusivo maioritariamente feito com Castelão que tivemos a feliz oportunidade provar no almoço de comemoração dos 50 anos do referido enólogo/produtor.

Também de Castelão, mas menos exclusivo (e mais barato) é este António Saramago Reserva da colheita de 2009. Muito jovem ainda, intenso no nariz a frutas negras, revela uma boca com muita estrutura tânica, gulosa mas também aguerrida a pedir acompanhamento sério e capaz. Nesta gama de preço (pouco mais de 10 EUR) é difícil encontrar melhor, sobretudo para quem quiser - como convém e se recomenda - guardar umas garrafas para  outras provas daqui a uns anos.


Uma última palavra para referir que, não sendo, naturalmente, o único produtor e enólogo que trabalha com mestria a casta Castelão, a verdade é que António Saramago é dos que melhor conhece a casta, pelo menos no que respeita à região de Azeitão e Palmela. Para além disso, tem a imensa experiência que a bonita idade de 50 anos como enólogo proporciona. E ao beber-se este tinto, percebe-se tudo isso...


16,5++ 

segunda-feira, junho 11, 2012

De Espanha

Mas Irene (t) 2003

Micro-cuvée de Penedès do produtor Perés Baltà produzido a partir de castas francesas, neste caso Cabernet Franc e Merlot (nada que surpreenda). Está, todavia, menos concentrado que a maioria dos topos de gama da região, menos pastoso e menos alcoólico (talvez devido ao facto de serem duas enólogas as responsáveis por este vinho). A madeira sente-se mas não se impõe (o que também surpreende para o estilo que marcou a região nos últimos anos), e a fruta está muito bonita, bem madura mas, novamente, sem excessos. 
Um vinho de fino recorte (apesar do ano quente) e muito bem desenhado, que destoa - felizmente - do perfil da região.

16,5++

terça-feira, maio 29, 2012

Prova

Vinha Formal (b) 2008

Um Vinha Formal de Luis Pato a muito bom nível e a dizer-nos que vai melhorar em garrafa nos próximos anos. Muito bem na estrutura, nem muito leve nem muito untuoso. Preciso e focado na mineralidade. Final de boca completo, amplo e saboroso. Tudo a apontar para uma das melhores edições deste branco da Barirrada.

17,5

terça-feira, maio 22, 2012

Prova

Periquita (b) 2011


Fresco e leve, como tem de ser. Revela mestria por não cansar na prova de nariz. Mas não chega a ser um verdadeiro agrado, com o leve pico e a fruta exuberante a teimarem em marcar a prova de boca. Sendo uma opção para a esplanada no Verão (bom preço e certamente disponível na restauração), estavamos à espera de um pouco mais.


15 

quarta-feira, maio 16, 2012

Prova

Contacto (b) 2010


Num ano que não foi fácil para os brancos, Anselmo Mendes coloca mais um belíssimo Alvarinho no mercado. Por cerca de 10 EUR, encontramos um branco fresco mas no qual a prova é conduzida por uma sensação de maior imponência do que estaríamos inicialmente à espera. Isso decorre do contacto pelicular com o mosto (daí o nome do vinho), que, na medida certa (e com a casta adequada, o que parece ser o caso), comporta espessura ao vinho sem que o mesmo deixe de se revelar fresco (a acidez do vinho ajuda muito neste caso). Para tal, o produtor seleccionou propositadamente alguns dos vários terroirs com Alvarinho à sua disposição, garantindo assim o equilíbrio entre frescura e complexidade que é a grande mensagem deste vinho. Como acontece com grande parte dos Alvarinhos, poderá melhorar em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.

17+

sexta-feira, maio 04, 2012

Do antigamente

Reserva Ferreirinha (t) 1989

Maior que o de 1994, menor do que o de 1986, este Reserva (Especial) está a um nível muito alto e não dá, por ora, notas de grande cansaço. Nariz típico da casa, com especiados e licorados muito bonitos, boca final e elegante (menos tânica que outros anos, como de 1994), e final muito próximo da perfeição, nada seco, antes saboroso e ligeiramente lácteo. Melhor do que este só o 1986 e o 1977.



segunda-feira, abril 23, 2012

Prova

Quinta de Camarate (b) 2011

Marca antiga, novo lote. Actualmente produzido a partir de 2 castas apelativas e na «moda» - Verdelho e a Alvarinho -, está muito bem no estilo seco, ligeiro, versátil, e gastronómico. Nariz de pendor vegetal, mas sem excessos. Bebe-se muito bem, pretende e aparenta ter um toque mineral e, aqui e ali, até parece que o consegue. Muito bem para o preço. Poderá evoluir favoravelmente nos próximos 2 a 3 anos.

16+

terça-feira, abril 17, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Casa de Santar Touriga Nacional (t) 2000

Tratava-se, na época, se bem nos lembramos, do topo de gama da Casa de Santar, vinho feito com todos os cuidados, a partir de lotes seleccionados e com barricas de qualidade. Está muito fino no nariz, com evolução marcada (até na cor), notas a couro, ligeiro animal. Com arejamento surge alguma fruta, bonita, mais encarnada do que negra, boca subtil, aveludada e um final típico do Dão, ou seja saboroso, fino e prolongado. Está muito bem nesta fase, calmo e elegante, mas não deverá durar muito mais do que (mais) meia década.


16,5

sexta-feira, abril 13, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Meandro (t) 2001

De um bom ano, de um terroir conceituado, de uma região que é um portento nacional, este tinto não podia ser outra coisa que não um belíssimo vinho. Segunda escolha da Quinta do Vale Meão, é a prova que andamos a beber estes tintos cedo demais. Está - pasme-se - ainda muito jovem, e melhorá nos próximos anos. Grande aroma, fruta madura e alguma esteva. Boca intensa, completa e inteira, cheia e com muita força. Final com garra, quase agressivo, faltando, por ora, alguma elegância e patine. Se pensarmos que custava cerca de 12 €, temos aqui uma das melhores relações qualidade-preço que conhecemos. Mas claro, esta era a versão do Meandro em 2001; hoje em dia está um pouco diferente.

17

terça-feira, abril 10, 2012

Prova

Esporão Verdelho (b) 2011

Versão muito aromática de Verdelho, com lima, relva cortada, e maracujá. Boca saborosa, mediana na persistência. Um branco para se beber novo, mas que aguentará 2 anos em garrafa. Alegre, festivo, exuberante (por vezes em demasia), termina com garra graças a uma acidez pungente (quase no limite). Bom preço. Bom vinho de Verão.


15,5

domingo, abril 08, 2012

Prova

Herdade do Rocim (t) 2009

Esta gama premium da Herdade do Rocim não tem parado de melhorar e, nesta edição de 2009, está melhor do que nunca. Surpreendemente fresco, sem concentração desmedida nem fruta em demasia. Mais do que a Syrah, sugere-se que são a Alicante Bouchet e a Trincadeira que estão aos comandos deste lote alentejano. De resto, o habitual da casa de Catarina Vieira: um vinho muito aprumado, bem construído, sem falhas e com um final elegante. A grande nível!

17

terça-feira, abril 03, 2012

Prova

Valle Pradinhos (b) 2010

Já andou por caminhos mais festivos e florais este branco transmontano... encontrando-se, agora, mais austero e isso agrada-nos. Efectivamente, nesta versão de 2010, apresenta-se muito sólido, de fino recorte e,  no que respeita à componente aromática, com um pendor mais mineral do que mostrou na colheita anterior. Na prova de boca mantém-se longo, saboroso, com acidez cativante e um óptimo final. Faz muito tempo que é verdadeiro sucesso de vendas  e faz muito tempo que é um dos mais interessantes brancos nacionais. A colheita 2010 está mesmo um pouco melhor do que a de 2009.

17 

terça-feira, março 27, 2012

Do Chile

Los Vascos Grande Reserve (t) 2008

Os tintos chilenos de influência francesa - como é o caso - são quase sempre vinhos que optam por um estilo claramente europeu, à margem do que habitualmente se faz na América Latina. São vinhos frescos, de taninos jovens e duros e, muitas das vezes, com elementos «verdes» do Cabernet Sauvignon. Este não foge a essa regra. Bonito nariz, fruta encarnada profunda, prova de boca muito jovem mas com excesso de notas apimentadas e de pimento verde. Mais do que defeito é, sobretudo, feitio.

16,5

segunda-feira, março 19, 2012

Prova

Baton (t) 2008


Boa fruta, muito madura, compota e alguma geleia, debaixo de um manto de notas da barrica. Perfil quente, próximo do registo típico do Rio Torto (Douro), está, todavia, muito marcado pela madeira. Nota-se os cuidados com o vinho, e nota-se também a qualidade das massas vínicas. Mas se no nariz a fruta exuberante compensa, já na boca ficamos com a ideia que o conjunto acabou por ficar pouco equilibrado. A corrigir o excesso da barrica.

16

quinta-feira, março 08, 2012

Prova

Quinta dos Murças Reserva (t) 2008

Com este vinho (e mais dois, um colheita e um Porto 10 anos), o Esporão chega ao Douro. E boa hora o faz, pois projectos com dimensão e sucesso (difícil binómio no nosso país) é coisa que nunca é demais, seja onde for. Este Reserva beneficiou de muitos carinhos e, apesar de ser uma estreia, o vinho apresenta-se a um grande nível. A fruta está muito madura, sensual, viciosa até, num nariz ao qual falta apenas refinamento (que o tempo poderá proporcionar). A prova de boca - com taninos secos, e muita potência - diz-nos o mesmo, ou seja, que o melhor está para vir e que este tinto estará em forma daqui a 3 ou 4 anos. 
Mais um belo tinto do Douro, e mais um para o qual não devemos ter pressa.

17++

segunda-feira, março 05, 2012

Prova

Carrocel (t) 2006

Está em grande momento de forma este portentoso vinho do Dão. Apesar da aparência de muita extracção, apesar da cor e da intensidade, o vinho mostra-se cordato e galante. Com apenas 13,5% sugere-se (felizmente) pouco representativo da colheita e revela um lado fresco muito positivo. De resto, a marca inconfundível de uma Touriga Nacional menos evidente do que é comum é a patente de estamos perante um vinho sério, quase clássico. Falta-lhe apenas mais alguma expressão frutada na prova de boca, e é bem capaz da evolução caminhar nesse preciso sentido.

17,5

quinta-feira, março 01, 2012

Do antigamente

Duque de Bragança 20 anos e Barros 20 anos

Dois dignos representantes da categoria de Porto 20 anos num «frente a frente». Ambos engarrafados na viragem para a década de ’90 do século passado (o Ferreira em 1991 e o Barros em 1989). Ambos já sem a frescura e o refrescamento que um engarrafamento recente lhes poderia dar, mas com muitos anos em garrafa, ou seja com muito vidro. A intensidade de ambos é fantástica: super generosos na prova de nariz e de boca, sempre com ligeira vantagem para o Duque de Bragança, mais complexo no nariz, mais cheio e saboroso na boca; enfim melhor lote! Dois belos vinhos.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Prova


Quinta do Alqueve Touriga Nacional (t) 2001

A cor denota a evolução natural para os dez anos que leva. Nariz com fruta parcial e alguns aromas terciários já em evidência com predomínio para notas terrosas e outras a couro. Nada que nos perturbe a prova. Alguma frescura também, o que nos agrada. Boca acetinada, com garra, faltando apenas maior intensidade e um final mais longo.

Com uma ou outra excepção, temos gostado muito dos vários vinhos Touriga Nacional deste produtor do Tejo. Este, apesar da evolução, não foge a essa regra, ainda que os vinhos mais recentes levem algum avanço (decorrente, porventura, da própria idade da vinha).

16,5

sábado, fevereiro 25, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta dos Cozinheiros Poeirinho (t) 1998

Continua em forma este tinto. Fresco, leve, fino de boca e elegante, mas nem por isso menos complexo ou assertivo. Um bom exemplar da casta Baga num dos terroirs portugueses de maior influência atlântica. Um vinho a que podemos regressar sempre, o que só por si já é uma homenagem ao seu criador.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Curiosidade


A imagem do vinho produzido a partir de uma só casta é tão importante nos países denominados de «Novo Mundo» que, no Chile por exemplo, até aqueles vendidos em pacote nos supermercados contêm a indicação da casta.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)


Porta dos Cavaleiros (t) 1997

Um verdadeiro clássico português (um daqueles que mais se pode orgulhar de ser clássico nos vários significados da palavra), e um vinho sobre o qual não se compreende bem o afastamento do público. Se está bom? Claro que está! Pleno de vida, frescura e suavidade. Quer-se mais? Talvez, hoje procura-se o resto, mas esse resto muitas vezes é apenas componente pirotécnica. Este é daqueles tintos que não foge ao estilo directo, seco e gastronómico que tanto prezamos. Não é um vinhão. É vinho.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Vinhos do Vallado


No final do século passado, o início da nova vida da Quinta do Vallado aos comandos de Francisco Ferreira e João Alvares Ribeiro (6.ª geração da família Ferreira) era muito promissor. Os primeiros vinhos tintos do Vallado, em meados da década de ’90, prometiam alterar o paradigma do Douro acompanhando, e liderando mesmo, uma «nova vaga» de vinhos durienses que se pretendiam mais modernos. E assim veio a acontecer, sempre com a enologia de Francisco Olazabal.
Um pouco mais tarde, já com a entrada do novo milénio, tintos como os reserva de 1999 e de 2000 colocariam o nome da Quinta do Vallado no top dos produtores daquela região que mais emergia em Portugal. Prova disso é que o tinto Quinta do Vallado Reserva tinha-se tornado uma referência incontornável ao lado de vinhos como Pintas ou Qta. do Vale Meão.
Depois, foi a vez da plataforma Douroboys tomar lugar, impulsionando a marca Vallado a atravessar fronteiras e descobrir novos públicos. Uma vez agregada com outras magníficas referências durienses, o Quinta do Vallado viu, porém, alguma da sua preponderância perder-se. Veja-se, que nas quentes colheitas de 2003 e 2005, e apesar dos bons vinhos que foi capaz de colocar no mercado, tratavam-se de néctares que, em comparação com os topos do Vale D. Maria ou da Qta. do Crasto , apareciam como sendo mais rústicos e menos sofisticados. Nada que tenha feito «mossa», antes consagrando uma distinção.
Finalmente, com a alteração do lote do reserva para a colheita de 2007, e com o crescente sucesso da monocasta Touriga Nacional, um novo ciclo se iniciou. Desde de então, muitos foram os prémios e distinções - sobretudo no estrangeiro -, inclusivamente para o projecto de turismo. Veio uma nova adega e sala de barricas, e os tintos do Vallado não têm parado de impressionar, inclusivamente o Porto vintage '09 recentemente lançado e que revela uma qualidade (para muitos) inesperada.
Mas, de nós para nós, a grande revolução do Vallado é uma outra, silenciosa e menos evidente, enfim discreta como Francisco Ferreira o é: são os seus brancos, cada vez mais frescos e mais minerais. Onde antes brilhava quase exclusivamente o moscatel galego, na sua natural vertente festiva, agora os trunfos surgem na pele do branco colheita (a preço sem igual) e do branco reserva. Este último, em especial nas últimas duas colheitas, é um vinho muito sério, um belíssimo branco.
Em pouco mais de década e meia, a Quinta do Vallado passou a possuir um invejável e versátil portefólio de vinhos (de branco ao vintages), é um dos maiores sucessos lusos em mercados difíceis como a China ou a Áustralia, e os seus vinhos (que o digam os monocastas) estão quase sempre esgotados, o que se deve em muito às pontuações excelentes que têm recebido um pouco por todas as mais relevantes revistas de vinhos com perfil internacional. Por tudo isso, e sobretudo pelos vinhos, parabéns.


terça-feira, janeiro 31, 2012

Do antigamente


Quinta das Bageiras (t) 1990

Um dos primeiros vinhos do produtor Mário Sérgio Nuno (talvez mesmo o seu primeiro tinto com rótulo) e logo num ano muito positivo para a Bairrada. Vivo de cor encarnada garrafa no copo, revela aroma típico da baga, num bouquet suave de frutas vermelhas e um toque citrino da evolução. Boa prova de boca, potente e saborosa que, todavia, poderia ter mostrado um pouco mais de complexidade. Final curto.

Nenhuma razão existe para não provar este tinto de estreia de um produtor cada vez mais - merecidamente - em destaque (dos brancos aos tintos passando pelos espumantes), a não ser, talvez, o facto de não se encontrar à venda. 

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Provas

Quinta do Cerrado Encruzado (b) 2009

Mantém-se a um bom nível este Quinta do Cerrado. Menos expressivo que outros Encruzados, mas não menos mineral, é fresco, não tem excesso de peso, e acarreta um bom final de boca. Não apresenta malabarismos nem disfarces, sendo directo e franco. Encontra-se facilmente à venda em superfícies como o ECI, a preço simpático o que é outra vantagem. Poderá ser guardado por mais 2 ou 3 anos.

16,5 

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Provas

Burmester Touriga Nacional (t) 2009

Cativante este Touriga Nacional da Burmester, que poderíamos apelidar de um vinho de equilíbrio... equilíbrio entre generosidade na fruta e frescura activa, entre alguma extracção e um corpo delgado. Por outro lado, também, a Touriga não surge neste tinto de forma impositiva nem carregada, preferindo-se um registo mais subtil e leve. Por isso, revela-se particularmente apto a combinações gastronómicas, mesmo se consumido em novo.

Tratar-se de um lote de TN de diferentes terroirs, parte do Cima Corgo, parte do Douro Superior, pode explicar o acerto. A contensão enológica (aparentemente miníma ou minimal) pode explicar o resto, e nós agradecemos.

17,5

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Provas

Qta. de Foz Arouce V.V. de Sta. Maria (t) 2005


(É) Um clássico este tinto de baga da Quinta de Foz de Arouce, e lembro-me bem de algumas colheitas dos anos oitentas excepcionais. Este, de 2005, revela uma cor encarnada, ligeira (nos tempos que correm), denotanto concentração média. Comporta uma prova de nariz delicada, com fruta encarnada fresca, ligeira barrica, e algumas notas terrosas - tudo muito bom, e a um nível alto. Na prova de boca está muito definido, cheio de sabor.


Todavia, em comparação com outras colheitas, diríamos que a fruta está um pouco madura de mais e o final podia ser mais longo. Neste último capítulo, o tempo poderá ajudar. Em qualquer caso, temos um belo vinho com a certeza de o poder guardar, sem pressas, na garrafeira por mais alguns anos.


17+

quarta-feira, dezembro 14, 2011

do antigamente (ou nem tanto)

José de Sousa (t) 1997


Já lá leva quase 15 anos, e o tempo não o tratou mal. Os antigos José de Sousa já tinham a imagem de vinhos duradouros e a JMF parece apostar no seguimento desse segmento. A cor é ainda muito jovem, encarnada brilhante, longe de se encontrar tijolada. O nariz é pouco exuberante na fruta, e mostra fantásticas notas a terra trufada. A boca é fina, translúcida, mas muito saborosa, com um travo  limonado fruto da evolução. O final podia ser mais vincado, menos apto limpar o palato, mas em qualquer caso está muito bom.

Mais um bom tinto português que durou década e meia e durará ainda, pelo menos, mais 5 anos. E mais um bom tinto que deverá custar pouco a quem o encontrar à venda.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

de França

Chateau Smith Haut Lafite (t) 2002

Goza da fama de ser um dos melhores Bordéus da colheita de 2002, pelo menos em Graves e, efectivamente, está em muito boa forma este tinto. Menos elegante e fresco, é certo, do que se poderia esperar, está, todavia, irresistível no nariz com uma prova de fruto maduro excepcionalmente bem assimilada com as notas de fumo habituais da casa. Também na boca se apresenta muito exuberante, com pouca evolução, diríamos que um pouco mais sexy do que é habitual na região. Aliás, o Cabernet Sauvignon (50%) parece estar lá para a estrutura, pois, na boca, sente-se mais o Merlot (35%), com notas ligeiramente quentes, mas muito saboroso. Final também intenso, com fruta madura novamente, e a deixar algumas saudades.

Trata-se, pois, de um Bordéus de nova geração, reconvertido a uma certa modernidade sobretudo desde que, à cerca de 2 décadas, o Chateau mudou de proprietário. É o seu lado de maior volúpia que mais consegue agradar, inclusivamente ao R. Parker que não tem parado de lhe atribuir boas notas. Está muito bem para a colheita de 2002 e agradará certamente a todos os que (até em Bordéus) procuram bombas.


17

terça-feira, novembro 29, 2011

Provas

Fiuza Premium (b) 2010


Uma fórmula de sucesso este Fiuza. Cada vez mais certeira, na relação entre acidez e corpo, temos aqui um branco que difilmente não agradará, mesmo aos enófilos exigentes. Alguma fruta, mas felizmente fresca e não excessiva, bom balanço mas não excessivamente encorpado nem untuoso. Bom final de boca, com alguma pattine. Tudo muito correcto nesta gama de preço. Um valor seguro, sobretudo junto da restauração.

16

quinta-feira, novembro 24, 2011

Provas

Quinta do Crasto Touriga Nacional (t) 2001


Bem sei por estes tempos fica bem ser algo crítico em relação aos monocastas de Touriga Nacional. Mas não resisto, neste caso, a um elogio.


De uma das nossas melhores regiões, de uma das nossas melhores colheitas das últimas décadas, de um dos nossos melhores produtores, e, claro, de uma das nossas melhores castas... bom, de tudo isto, o vinho só podia ser (e estar) fantástico. E, 10 anos depois, está, efectivamente, num grande momento de forma. Um tinto muito jovem, quase impenetrável ainda na cor, fruta belíssima, e a notável presença acetinada na prova de boca tão típica desta casa.


Belíssimo! Assim, sim, vale a pena ter monocastas.


17,5

segunda-feira, novembro 21, 2011

Do antigamente

Grão Vasco Garrafeira (t) 1994

Quem se lembra dele? Nós sim, e dele gostamos, claro! Produzido com uvas da Quinta dos Carvalhais (mas sem essa indicação expressa), e com o rigor conhecido do produtor (que teima em ter sempre bons vinhos de guarda), temos aqui um tinto que merece muito respeito. Cor encarnada no copo - belíssima para idade -, nariz subtil, elegante, sem domínio de castas e muito menos da madeira. A prova de boca é aveludada - como os bons Dão devem ser -, esguia e muito saborosa.

Está ainda em forma, pelo que se aguentará mais meia década mas não ganhará mais com o estágio. Beba-se por ora (mas sem muitas pressas) e dará muito prazer. Um belo Dão!

quinta-feira, novembro 17, 2011

Provas


Quinta das Bageiras Reserva (esp.) 2001

É bem bruto este espumante natural e isso agrada-nos. Apesar de Portugal ter que percorrer (ainda) algum caminho neste tipo de vinhos (a nossa média anda longe da de Franciacorta e de Champagne), dúvidas não existem que temos alguns bons espumantes. A Quinta das Bageiras é uma das casas que teima em manter uma produção constante de espumantes nas várias gamas, sempre com qualidade e preços sensatos (coisa cada vez mais rara nos espumantes nacionais). Os vinhos de entradas são simpáticos e gastronómicos, os velha reserva são vinhos sérios e do melhor que se faz por cá.

Este espumante sem dosagem, da colheita de 2001, mostrou-se cheio de vigor e seco como é típico do produtor, bolha persistente (não necessariamente fina), e cheio de aromas e sabor. Um bom espumante para todas as ocasiões, mas, claro está, melhor se acompanhar umas lagostinhas.

16,5

segunda-feira, novembro 14, 2011

Provas

Quinta do Ameal (b) 2008


São sempre vibrantes, frescos e estaladiços os vinhos Quinta do Ameal. Os da gama Escolha são mais ainda: são envolventes, complexos e com longevidade quase sempre garantida (por vezes imitando alguma oxidação). A colheita de 2008 sugere-se excepcional (como noutros verdes, por sinal) e está mais mineral e refrescante que nunca. Uma das melhores expressões da casta Loureiro!


Um vinho fino (não confundir com Porto), belíssimo na elegância, a provar nos próximos 5 anos com uma salada de vieiras ou, daqui a 10, com uma salada de queijo cabra não excessivamente forte.


17++

sexta-feira, novembro 11, 2011

Do antigamente

Ferreirinha Reserva (t) 1994


Continua jovem, muito jovem este tinto com treze anos. Tanta é a força da juventude que o seu final (ao contrário do que é habitual na casa) é algo seco e precipitado, apesar de saboroso. De resto, tudo a um nível muito alto: fruta - encarnada - ainda plena, integração total da barrica, muito prazer na boca, potente e sedutora, alguns taninos presentes ainda. Só o final podia ser melhor. Mais uma prova (são precisas mais?) da longevidade destes tintos da Ferreira (os das décadas de 80 e 90 estão quase todos bons).

De nós para nós, filosofando um pouco, preferimos (dir-se-ia, naturalmente) os Vintages de 1994 aos de 1995, assim como preferimos (talvez de forma menos evidente) os tintos de mesa do Douro de 1995 aos de 1994. O que fazer?

quarta-feira, novembro 02, 2011

De Itália


Topo de gama da casa familiar 'Moris Farm' este é um dos melhores morellino scansano que provámos, uma das castas em erupção na Itália (no fundo, trata-se de um clone de Sangiovese adaptado ao clima mais quente de Meremma, no sul da Toscana).

Apresenta camadas de fruta madura, uma definição de total precisão no fruto (muito bonito, diga-se), meia concentração, corpo de cetim a lembrar alguns australianos de topo, e bastante elegância no final. Não é o nosso tinto favorito da Toscana - longe disso (nós que preferimos os Chianti Clássico Riserva) -, mas é um tinto muito bem composto e que impressiona os sentidos. Irá melhorar nos próximos 5 anos, mas não parece tratar-se de um vinho de guarda. O preço não exagerado, a menos de €30 (se adquirido em Itália), é uma vantagem para quem quer conhecer um tinto da sub-região conhecida por ser a Califórnia da Itália.

17

segunda-feira, outubro 31, 2011

Provas

Batuta (t) 2003

O ano foi de muito calor, e alguns vinhos têm indesejáveis notas de passa. Este não. Este Batuta, de uma vinha muito velha, está muito floral, e ainda com fruta negra também. A madeira, de luxo diga-se, está integrada, e até o final se apresenta elegante. Só a acidez não muito alta, e alguns taninos doces, tirarão alguns anos de vida, mas, em qualquer caso, eu guardaria umas garrafas por mais meia década a ver o que de lá sairá. Não é o melhor Batuta, é certo, mas mantém-se um belo tinto do Douro.

17,5

PS: provámos este fim-de-semana no EVS o Batuta (t) 2001 (na prova - verdadeiramente - especial liderada por Luís Lopes com os topos de gama de 2001) e recomenda-se muito. Esse sim, durará mais alguns bons anos em garrafa.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Prova especial


Alambre (m) 20 anos

É especial a prova pois o vinho está especialmente bom. Neste caso tínhamos ainda uma garrafa de 0.375l. de capacidade (ideal para uma sobremesa a dois), de um engarrafamento de meados dos anos '90 do século passado. Cor âmbar típica, mas com muitos laivos esverdeados a lembrar que a idade média dos lotes deste moscatel está muito acima das duas dezenas de anos (20 anos é o vinho mais novo no lote, de acordo com a legislação aplicável aos moscatéis, ao contrário do que acontece nos Portos). Aromas citrinos fortes (licor de laranja), já um ligeiro vinagrinho, tofa, uma boca de veludo e um final muitíssimo longo.

Foi provado ao longo de 3 dias e, ao contrário do que muitas vezes acontece, melhorou muito na última prova (porventura pois ter estado muitos anos fechado em vidro depois do engarrafamento).

17,5

terça-feira, outubro 11, 2011

Novidade

Bétula (b) 2010

Terceira colheita deste branco regional duriense, feito a partir de um lote de 50% Sauvignon Blanc e 50% Viognier. Melhor que a versão de estreia de 2008, mas não tão fresco que o 2009, mostra-se um branco seguro de perfil internacional. Ou seja, um branco de acidez controlada (por nós podia ser mais elevada), com fruta expressiva de pendor tropical, bom corpo - redondo e compacto - na percepção da prova de boca, e um final longo ligeiramente adocicado.

Em suma, um branco muito bem feito, equilibrado e sério, que agradará a muitos consumidores, e que se recomenda para acompanhar pratos de peixe, tanto no forno como grelhados com molhos.

16,5

quinta-feira, outubro 06, 2011

Prova

Nossa (b) 2007

Muito bom este branco de Filipa Pato. Está mesmo, a nosso ver, no seu melhor momento de prova (mas poderá melhorar ainda). Ligeira oxidação, muito mineral, corpo exuberante e acidez em alta. Boca muito saborosa, potente, final elegante e super gastronómico. Gostámos muito.

17+

domingo, outubro 02, 2011

Provas

Campolargo pinot (t) 2008

Cor ligeira e corpo esguio típicos da casta, destoando-se apenas os 15º de álcool que, contudo, não se notam (o que o torna "perigoso"). Nariz muito bem desenhado, bonito, cambiantes de framboesas e groselhas, todo e tudo sem excessos, com a excepção da madeira que teima em aparecer. Na boca, acidez viva e boa frescura, mas repete-se o amargo com os taninos da madeira muito presentes a contribuir para uma secura artificial que não era necessária.

Mantém-se como um tinto gastronómico (apesar do álcool excessivo), generoso e cativante, e que nesta versão de 2008 deverá ficar guardado na garrafeira mais um par de anos para ver se a madeira se integra melhor.  Acresce que, algumas provas anteriores deste tinto com vários anos em garrafa mostraram-se convincentes.

16+ 

domingo, setembro 25, 2011

Do antigamente

JMF Garrafeira RA (t) 1985


Quando saiu para o mercado vinha com pergaminhos e estatuto de topo de gama. Afirmava-se caro, e feito para durar muitos anos em garrafa. Procurava reconhecimento numa altura em que os vinhos que evoluíam em garrafa vinham de outras paragens, quase sempre mais a norte.


E a verdade é que, passados uns incríveis 26 anos, uma coisa é certa: o vinho está num óptimo momento de forma. No copo, a cor denota ligeira concentração, encarnado claro, longe de tons tijolados. Nariz muito complexo, com muita fruta ainda (framboesas, ameixa pouco madura), e muitas notas de especiaria e de bazar marroquino. Algum toque de lavanda a tornar o conjunto verdadeiramente apaixonante. Na boca está fresco, com acidez majestosa, e muito saboroso. O final segue em boa forma mas podia ser mais longo. Mais fantástico só carácter aveludado do vinho, redondo e pouco seco.


Mais uma prova que alguns tintos de Setúbal também podem durar décadas (lembro-me de, no ano passado, o João Afonso e o Arlindo Santos terem apresentado a colheita RA de 1992 em prova especial no EVS). Este RA, com mais de duas décadas e meia, consegue combina muito bem um estilo generoso na fruta com uma evolução perfeita a nível dos aromas terciários. Lembra alguns dos melhores tintos Australianos build to last.
Belíssimo!

quarta-feira, setembro 14, 2011

Do antigamente (ou nem tanto)

Dom Rafael (t) 2001

Bem sabemos que dez anos em garrafa não faz de um vinho um "vinho do antigamente" (quantos anos são precisos para fazer de um vinho um vinho velho?). Mas a verdade é que poucos acreditariam que, passada uma década, este Dom Rafael 2001 estivesse tão interessante. Mais, se as nossas prova dele enquanto jovem nunca nos fizeram recordar que se tratavam de uvas do Mouchão, passados tantos anos o local de nascimento está mais presente, aspecto muito positivo obviamente.

Está num bom momento de consumo, com alguma evolução naturalmente. Aguentará mais 2 anos, estamos certos, mas não se ganhará muito com tal opção. Fruta ligeira e uma rusticidade brava descrevem, em duas notas, este simpático vinho tinto. Muito agradável a acompanhar uma carne grelhada.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Do antigamente

CRF Reserva (t) 1990

Feito maioritariamente (mas não em exclusivo) a partir de Baga, este Bairrada de outros tempos apresenta-se menos cativante que este e ligeiramente mais cansado que aquele outro. Está, todavia, ainda assim com ganas de continuar a dar prazer a quem o bebe, desde que o consumidor seja, naturalmente, um apreciador de vinhos desta estirpe bairradia.

Delicado, directo (não muito complexo, na verdade), marca presença na prova de nariz com notas de fruta encarnada viva que (ainda) convivem saudavelmente com pormenores oxidativos que não perturbam a prova. A boca está um pouco menos interessante, sentindo-se o peso dos anos. Mas mantém-se fresca a prova, e termina com um final de boca positivo, delgado mas com sabor.

(Foi) Provado a solo. Depois, bebido a acompanhar uma cabidela, deu mostras do seu valor gastronómico (como seria, aliás, de esperar) sem nunca saturar o paladar nem fazer adormecer os sentidos. Em suma, vale a pena provar este CRF, e vale ainda mais bebê-lo!

quarta-feira, agosto 31, 2011

Do antigamente

Vald Arcos Garrafeira (t) 1989

Ocasião para voltar a provar – e regressar a escrever - sobre vinhos menos recentes, com predomínio daqueles provenientes da Bairrada, esta que é uma das regiões do país capaz de produzir vinhos verdadeiramente duradouros e sólidos.

Esta garrafeira das 'Caves Vald Arcos' continua em forma (poderá ser bebido sem pressas nos próximos anos) e pouco mais lhe pode ser pedido. Apesar da passagem dos anos (quase 22...), mantém-se fiel ao estilo duro que a marca cultivou, revelando todavia boa e fresca fruta da Baga, sobretudo na prova olfactiva.

Na boca, a fruta está menos presente, revela boa complexidade e taninos finos. Porém, uma grande secura no final de boca (que não dos taninos) não permite que se atribua o adjectivo de elegante e, muito menos, merece que se diga ser sedoso. Em todo o caso, está muito interessante e, claro está, gastronómico.

Mais uma prova da vitalidade dos Bairradas clássicos, sendo este um daqueles que mais segue um estilo seco e rústico cada vez menos comum na região.