terça-feira, junho 11, 2013

Prova

Aphros Loureiro (b) 2011

Um caso muito sério este Loureiro biológico de Ponte de Lima, a juntar a outros que têm impulsionado esta casta a um patamar de quase excelência. Se há vinhos centrados mais na mineralidade (caso dos Quinta do Ameal, especialmente com alguns anos - a prová-lo o 2004 em excelente forma), este é mais focado na subtileza, na menor expressão aromática e pureza do frutoO produtor, galardoado na última cerimónia dos Prémios da RV como 'Revelação do Ano', tem mais vinhos, sempre com Loureiro (mas não só) nos brancos, e um interessante Vinhão nos tintos. A enologia é de Rui Cunha e de Pedro Bravo.

Desde logo, um portento visual no copo: límpido na cor e cristalino como se um raio o iluminasse. Muito subtil, aromaticamente preciso e sem exuberâncias desnecessárias, notas florais delicadas e ligeiro limonado. Corpo muito bem desenhado com a técnica sur lies a ser utilizada apenas para beneficiar o vinho, tornando-o mais junto e compacto. Final de boca prolongado, com vigor, mas mantendo sempre a subtileza.

Um belíssimo branco a adquirir por cerca de 12 EUR, com sorte talvez nos alfacinhas Miosótis ou Goliardos de acordo com o produtor. (17)

domingo, junho 09, 2013

Prova

Sino da Romaneira (t) 2010

Vem numa garrafa de meio litro, o pode ser útil para um jantar a dois em que não se pretende beber uma garrafa com 75cl (ou então apenas para uma pessoa com muita 'sede de vinho' o que não se recomenda). Lembro-me que, já em tempos, as edições especiais do Domingos Soares Franco também vinham com a mesma capacidade e nós gostávamos disso.

Quanto à prova: leve no copo, com cor pouco carregada e corpo esguio. Nariz muito floral com apontamentos de fruta bonita, mas tudo directo sem grande complexidade. A prova de boca, muito focada no fruto, tem um final ligeiramente doce que fará as delícias de alguns (mas não é tanto o nosso caso).

Preço cordato para um vinho da famosa Quinta da Romaneira - entre os 5 EUR e os 7,50 EUR - mas não propriamente barato (mais a mais com a crise) se for entendido como um tinto para o chamado dia-a-dia. Em qualquer caso, adequa-se à qualidade apresentada, que é boa, e está presente na cadeia Pingo Doce o que assegura acessibilidade. (15,5)

domingo, junho 02, 2013

Prova especial

Prova de vintages de Quinta do Douro Superior


Fomos responsáveis pela prova comentada de vintages do Douro Superior na recente segunda edição do 'Festival do Vinho do Douro Superior', organizada pela RV. Em prova estiveram vinhos de anos diferentes e apenas de uma só quinta, ou seja, cujo lote final não era o resultado de um blend de vinhos de várias quintas.

Esta prova é amplamente justificada, desde logo pelo facto do Douro Superior permitir - pelo clima essencialmente, entre outros factores - a criação de vintages muito interessantes sem necessidade de lotes do Cima Corgo (ao invés, os vintage clássicos nascem das quintas do Cima Corgo mas quase sempre o lote fial comporta também vinhos do Douro Superior).

Os favoritos do público que encheu a sala foram o Qta de Vargellas 2001 (Taylor's), o Qta da Nossa Senhora da Ribeira 1999 (Dow's), o Qta da Ervamoira 2007 (Ramos Pinto), e o Qta do Arnozelo 2009 (Burmester).

quinta-feira, maio 16, 2013

Prova

Diga? (t) 2005


Prova deste tinto bairradio feito de Petit Verdot. O nome  (a interrogação sugeria-se naqueles que não conheciam a casta bordalesa) e imagem estão bem conseguidos como é habitual nos produtos da Campolargo. O vinho está maduro, refletindo o ano que foi muito quente e mesmo o carácter mais áspero e taninoso da casta parece atenuado. Fruta preta, em camadas, muito generoso na prova de nariz. Na boca, exuberante e com final quente.

A propósito, cada vez surgem mais exemplares de Petit Verdot em Portugal, em especial no Alentejo - nada contra... Sendo certo que ainda não houve um que nos justificasse plenamente a opção pelo engarrafamento a solo (estreme), também é verdade que não têm desiludido no copo. Por isso, a vertente comercial decidirá o futuro desta opção.

Voltanto ao vinho em prova, este Diga? da colheita de 2005 está bom e evoluirá um pouco mais, mas afasta-se  quer do paradigma da região (por norma com maior acidez e elegância) quer dos tintos bordaleses (que não privilegiam a casta, utilizando-a em pequeníssimas proporções). Em qualquer caso, uma curiosidade bem feita e a merecer prova. (16)

quinta-feira, maio 09, 2013

Novidade

Valle Pradinhos (t) 2008

Boa ideia a de lançar um vinho tinto, robusto e intenso, após um estágio em garrafa de quase 4 anos. Pois bem, acompanhamos, faz algum tempo, as edições deste clássico vinho de Trás-os-Montes, há muito com o apoio enológico de Rui Cunha (no início, há mais de vinte anos, o enólogo foi Nicolau de Almeida).

Esta colheita de 2008 é, em comparação com a anterior, um vinho que não renega à terra que o viu nascer. É que se o 2007 estava quase perfeito no equilíbrio entre exuberância e sobriedade (um belo vinho português), este está mais maduro, quente e generoso. Continua a ser um primus inter pares, mas o ano de 2008 marcou-o muito (como seria de esperar) e enquadra-se agora mais na tipologia transmontana.

Um clássico português a não perder de vista. Depois da magnífica colheita de 2007, um bom tinto 2008, intenso e carismático (16)!

sexta-feira, maio 03, 2013

Novidade

Covela Edição Nacional (b) 2012

Regressam os vinhos da Covela e ainda bem! A este respeito, recordamos, como se fosse hoje, a visita que fizemos com Rui Cunha (novamente o enólogo do projecto) nas vindimas de 2007 (ver aqui). A título pessoal, podemos afirmar que sempre gostámos do estilo dos vinhos da Covela e a quinta (na verdade a junção de duas quintas) merece ser vista pelo cenário florido que encerra.

Quando a este branco, assumido agora como 'verde' - os novos proprietários sabem bem que 'vinho verde' é uma marca forte nos mercados estrangeiros -, é feito a partir da casta Avesso, típica da região Entre-Douro-e-Minho. Por isso, por ser uma casta nacional (o que não é assim tão comum na Covela), leva o nome de Edição Nacional. Parece-nos bem.

Está muito bem no aroma, exuberante a fruta branca, muito bonita, e algum mineral. Na prova olfativa está mais florido e menos citrico que muitos dos vinhos da região. Na boca, contudo, volta a assumir-se como um vinho verde, muito fresco e amplo, com óptima acidez, sentindo-se mesmo um ligeiro pico... (16)

Serão comercializados outros vinhos da Covela além deste. A par desta 'Edição Nacional' de 2012 será, para já, lançado um 'Covela Escolha' que também provámos e aprovámos (vinho mais mineral e sério que aconselha algum repouso em garrafa).

segunda-feira, abril 22, 2013

Prova

Quinta de Rosa Reserva (t) 2007

Este Reserva de 2007 confirma que os vinhos da Quinta de la Rosa são, por regra e em comparação com outros grandes tintos do Douro, maduros, algo quentes até. Explicamo-nos: mesmo num ano equilibrado, sem grandes escaldões - como o foi 2007 -, este tinto recorda-nos sempre notas de fruta muito madura, ainda que de grande intensidade e sabor. Em anos quentes, os vinhos podem até conter notas alfativas que lembram LBV.

Em abono da verdade, o vinho está bastante bom, mas a colheita de 2007 deveria ter permitido produzido um néctar ainda melhor, pelo menos um pouco mais equilibrado. A prova de nariz está muito sedutora, cheio de fruta negra e especiarias subtis. Corpo médio a cheio, saboroso mas a faltar alguma frescura. Bom final de boca, mas não a tender para a eternidade. Este será o melhor momento para o beber (ou mais um par de anos, mas não mais).

Um belo tinto do Douro, numa versão mais quente e musculada. (17)

quinta-feira, abril 18, 2013

Novidades

Brancos do Esporão


Quase que já chateia ter que falar bem dos vinhos do Esporão, tantas são as vezes com que nos confrontamos nesta situação...

Desta feita são os brancos da colheita de 2012 que querem fazer face, pela qualidade e pelo preço, ao que de melhor se faz em Portugal (incluindo os vinhos verdes, por norma os melhores brancos nacionais sobretudo no que toca ao preço). Um Alandra jeitoso a beber-se bem (15); um Verdelho à imagem das anteriores colheitas, ou seja, vegetal e austero, numa linha próxima dos sauvignon blancs modernos (16); e um Duas Castas, a partir de Roupeiro e  Arinto, equilibrado entre a fruta e a acidez num conjunto muito interessante e sem recurso à Antão Vaz (16,5).

PS: Ainda sobre o Esporão: numa prova recente, e entre vinhos de topo (todos acima dos 25 EUR), incluímos alguns underdogs menos conceituados. Destes, o que, sem dúvida, melhor se bateu com os topos de gama foi precisamente um Esporão Reserva (t) 2009 que se encontra em todo o lado e custa apenas 12 EUR (menos de metade do mais "barato" topo de gama em prova e um quarto do mais caro).

quarta-feira, abril 03, 2013

Prova

Monte da Casteleja Clássico (t) 2009


Já tínhamos escrito sobre este projecto algarvio (próximo de Lagos) na edição de Agosto de 2012 da RV. Provado novamente o Clássico, confirmou-se muito do que tínnhamos pensado sobre ele inicialmente. O incomum jogo das castas -  bastardo e alfrocheiro - confere-lhe um estilo diferente do habitual. Menos potente, mais polido. Menos seco, ligeiramente mais doce sem perder frescura. Com uma fruta muito bonita e um bom final de boca é, sem dúvida, um vinho de vigneron!

Acresce que é perfeito na ligação com pizas e saladas de frango. Um dos nossos favoritos de terras algarvias. (16) 

segunda-feira, março 18, 2013

Novidades

S   Herdade do Esporão (t) 2009

O ano não foi fácil para as terras quentes. Efectivamente, 2009 foi abrasivo em regra, seco mesmo em alguns dos meses. Os tintos monocastas da Herdade do Esporão, que brilharam em anos anteriores (e disso demos conta), sofreram um pouco com isso. Nesta edição, o Syrah (S é de Syrah) tem notas quentes e até um pouco doces no nariz (destaque para a nota a rebuçado flocos de neve), mas não chega a desequilibrar. A boca melhora bastante, de sabor profundo, fina e muito delgada. Nota-se que se pretendeu evitar - inteligentemente - um estilo mais robusto que  tornaria o vinho chato e anafado.

Em suma, está um bom Syrah nacional, maduro é certo, mas também profundo e sedutor. Já não é nada mau! (16,5)

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Prova

Vinha de Reis (b) 2009

Provado diversas vezes podemos afirmar tratar-se de um dos vinhos brancos nacionais de que mais gostamos. O seu preço é de 10 EUR mais coisa menos coisa, o que é uma óptima notícia do nosso ponto de vista. Com Encruzado e Malvasia Fina, alguma batonnage e barrica, é um vinho que parte da matriz dos brancos típicos do Dão - acidez, força, e mineralidade - mas que procura algo mais. O corpo e o (fantástico) final de boca foram calibrados pela barrica, cujas ligeiras notas ligeiras não atraiçoam um conjunto subtil de muita qualidade. Fresco, cheio de vida (evoluirá bem por mais 3/5 anos), mostra uma rara relação entre elegância e untuosidade, aquilo que, em linguagem política (neste caso francófona), se poderia qualificar como uma «força tranquila»...

Provámos, entretanto, a versão de 2010 no evento dãowinelovers que se realizou faz duas semanas na Casa da Passarela, já com um novo rótulo (aliás, do produtor já devemos ter conhecido mais de 10 rótulos entre brancos e tintos). O branco de 2010 também está bom, mas não sobressai no meio de outros bons brancos da região. Este de 2009 sim, é um belíssimo vinho branco, dos melhores da região e do país. Pena estar já esgotado (17++).

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Prova especial

Ferreirinha reserva especial 1974 e 1977

Já muito tempo passou das colheitas de '77 e '74. Depois de várias garrafas boas de '77, encontramos esta menos feliz, mas a dar prova adequada. Mantinha-se bem na definição da fruta mas revelava na boca uma prova ácida comprometedora. Já colheita da Revolução esteve um pouco melhor, mais madura e morna, apesar de pouco viva e entusiasmante.

Se fosse possível, admito que um blend das duas colheitas daria um resultado melhor que as partes, juntando-se a acidez deslocada do '77 com as notas quentes do '74. Mas isso seria um pecado... como também o seria não afirmar que, apesar de tudo o que se referiu acima, ambos os vinhos brilharam na sua vetusta idade. 

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Prova

Quinta de la Rosa tinto cão (t) 2004


Vinho não comercializado pela Quinta de la Rosa, mas servido em ocasiões especiais. Grande cor e concentração. O nariz lembra muito LBV (a casta é importante em vários lotes de Porto), maduro, quente, profundo mas pouco entusiasmante. Falta acidez, mostra-se redondo, pouco apto à mesa.

Prova didática, denotando-se que estamos perante uma casta de lote, como o são quase todas no Douro. (15,5)

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Prova

Brancos 2011 da Quinta do Monte d'Oiro


Partilham a casta viognier e o terroir, mas são diferentes no estilo. O Lybra, loteado com arinto, está jovem, irrequieto, citrino e com acidez por domar (16). O Madrigal está mais focado, com um grande esforço na definição da fruta, no leve floral e no equilíbrio (17). Em comum também o facto de terminarem sérios, frescos e com aptidão gastronómica.

O ano de 2011 ajudou muito, mas seria injusto não afirmar que a enologia na QMdO nunca esteve tão contida e certeira quanto agora. Em suma, dois bons vinhos brancos da região de Lisboa, e ambos a preços ajuizados - o Madrigal, o mais caro, andará pelos 15 EUR, o Lybra talvez menos de metade disso.

domingo, dezembro 23, 2012

Prova Especial

Porto vintage no Porto & Douro wine show 2012

O Porto & Douro wine show 2012 teve lugar no início do mês no Convento do Beato como vem sendo habitual. O momento mais alto do programa foi a prova de Portos vintage comentada pelos especialistas Bento Amaral (IVDP) e Fernando Melo (RV e DN). A prova, muito didática diga-se, beneficiou de vários vinhos, quase todos muito jovens, das colheitas de 2003 até 2010.

Na memória, ficaram o Vista Alegre Vintage de 2010, o Kopke Quinta de S. Luiz, também de 2010, e o Quinta de São José - talvez o melhor da prova - da colheita de 2009. Para o ano haverá mais! 

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Prova

Vale da Mata (t) 2009


O reserva da mesma marca é já um grande tinto. Este colheita, mais barato, é talvez ainda melhor opção numa lógica de relação preço-qualidade. Ambos os vinhos são sérios, sisudos e duros até. Plenamente gastronómicos, sem concessões. O reserva tem a madeira (belíssima) por integrar. Este nem sequer padece disso. Seco, mas com muita expressão aromática, é um vinho a ter em conta sempre que nos apetece the real thing.

16

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta da Gaivosa (t) 1999

Cor muito escura ainda. Apenas ligeira nota de evolução na extemidade do vinho que tocava com a parede lateral do copo. De início o nariz deu fruta negra mais notas de terciários, algum couro, armário antigo. Depois arejou e impôs-se uma fruta encarnada muito bonita. Expulsou, quase por completo, as notas mais terciárias, e quedamo-nos com um tinto límpido de fruta, sedutor, cheio de matizes, e muito longo.

Está em grande, grande mesmo, momento de forma. Precisa de, pelo menos, meia hora de arejamento, de preferência em decante. Seja capaz de encontrar uma garrafa destas, deixe-o respirar, e deleite-se.

17,5

quarta-feira, novembro 28, 2012

Novidade

Poças Reserva (b) 2011

A matéria-prima do vinho parece interessante apesar de morna, mas o trabalho com a madeira desiquilibra o vinho. Nesta fase, temos notas florais demasiado presentes (quase irritantes) por um lado. Do outro lado, encontramos notas de vagem de baunilha e de afia lápis que ajudam à desilusão. Tudo somado, salva-se o fim de prova de boca que se sugere com algum prolongamento.

Massas vínicas com pouca acidez e excesso do uso de madeira tornam este vinho algo chato apesar do seu inegável volume.

15

terça-feira, novembro 27, 2012

Prova Especial

Vertical Colheitas da 'Quinta do Noval' 


Foi no âmbito das Provas Especiais da última edição do EVS. A foto revela as cores. E as cores revelam as idades dos vinhos. Todos bons, alguns muito bons, sendo que os Colheitas de 1971 e de 1964 brilharam muito, muito mesmo! 

sábado, novembro 24, 2012

Novidade

Mirabilis Grande Reserva (b) 2011


Topo de gama da Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo em matéria de brancos. Esta quinta do Cima Corgo no Douro tem uma enorme exposição a sul pelo que não dispõe de encepamento branco e, por isso, conta com fornecedores de uvas branca com vinhas em terras mais altas (Alijó e arredores). No ano de 2011 - inequivocamente bom para brancos (e tintos, já agora) - foi-se atrás de matéria-prima ainda melhor procurando criar um vinho branco mineral e complexo. Segundo o produtor, procurou-se criar um branco à imagem dos vinhos da Borgonha, o que revela ambição, apesar das evidentes diferenças entre as duas regiões.

Muito bom aroma, a sentir-se as notas de fumo da madeira, felizmente sem nenhuma vertente adocicada ou baunilhada. A fruta, muito delicada, chega depois, e depois ainda sugere-se um ligeiro floral e um bom ataque mineral. Fresco, acidez em alta (mas ainda longe da acidez natural da Borgonha, naturalmente), termina bem. A nosso ver, melhorará significativamente em garrafa nos próximos 2 a 4 anos.

Em suma, mais um bom e sério branco do Douro. Aliás, sendo o Douro uma terra tradicionalmente de tintos, na verdade existe já uma mão cheia de bons (seriamente bons) brancos durienses. E este é um deles.

17+