quarta-feira, abril 03, 2013

Prova

Monte da Casteleja Clássico (t) 2009


Já tínhamos escrito sobre este projecto algarvio (próximo de Lagos) na edição de Agosto de 2012 da RV. Provado novamente o Clássico, confirmou-se muito do que tínnhamos pensado sobre ele inicialmente. O incomum jogo das castas -  bastardo e alfrocheiro - confere-lhe um estilo diferente do habitual. Menos potente, mais polido. Menos seco, ligeiramente mais doce sem perder frescura. Com uma fruta muito bonita e um bom final de boca é, sem dúvida, um vinho de vigneron!

Acresce que é perfeito na ligação com pizas e saladas de frango. Um dos nossos favoritos de terras algarvias. (16) 

segunda-feira, março 18, 2013

Novidades

S   Herdade do Esporão (t) 2009

O ano não foi fácil para as terras quentes. Efectivamente, 2009 foi abrasivo em regra, seco mesmo em alguns dos meses. Os tintos monocastas da Herdade do Esporão, que brilharam em anos anteriores (e disso demos conta), sofreram um pouco com isso. Nesta edição, o Syrah (S é de Syrah) tem notas quentes e até um pouco doces no nariz (destaque para a nota a rebuçado flocos de neve), mas não chega a desequilibrar. A boca melhora bastante, de sabor profundo, fina e muito delgada. Nota-se que se pretendeu evitar - inteligentemente - um estilo mais robusto que  tornaria o vinho chato e anafado.

Em suma, está um bom Syrah nacional, maduro é certo, mas também profundo e sedutor. Já não é nada mau! (16,5)

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Prova

Vinha de Reis (b) 2009

Provado diversas vezes podemos afirmar tratar-se de um dos vinhos brancos nacionais de que mais gostamos. O seu preço é de 10 EUR mais coisa menos coisa, o que é uma óptima notícia do nosso ponto de vista. Com Encruzado e Malvasia Fina, alguma batonnage e barrica, é um vinho que parte da matriz dos brancos típicos do Dão - acidez, força, e mineralidade - mas que procura algo mais. O corpo e o (fantástico) final de boca foram calibrados pela barrica, cujas ligeiras notas ligeiras não atraiçoam um conjunto subtil de muita qualidade. Fresco, cheio de vida (evoluirá bem por mais 3/5 anos), mostra uma rara relação entre elegância e untuosidade, aquilo que, em linguagem política (neste caso francófona), se poderia qualificar como uma «força tranquila»...

Provámos, entretanto, a versão de 2010 no evento dãowinelovers que se realizou faz duas semanas na Casa da Passarela, já com um novo rótulo (aliás, do produtor já devemos ter conhecido mais de 10 rótulos entre brancos e tintos). O branco de 2010 também está bom, mas não sobressai no meio de outros bons brancos da região. Este de 2009 sim, é um belíssimo vinho branco, dos melhores da região e do país. Pena estar já esgotado (17++).

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Prova especial

Ferreirinha reserva especial 1974 e 1977

Já muito tempo passou das colheitas de '77 e '74. Depois de várias garrafas boas de '77, encontramos esta menos feliz, mas a dar prova adequada. Mantinha-se bem na definição da fruta mas revelava na boca uma prova ácida comprometedora. Já colheita da Revolução esteve um pouco melhor, mais madura e morna, apesar de pouco viva e entusiasmante.

Se fosse possível, admito que um blend das duas colheitas daria um resultado melhor que as partes, juntando-se a acidez deslocada do '77 com as notas quentes do '74. Mas isso seria um pecado... como também o seria não afirmar que, apesar de tudo o que se referiu acima, ambos os vinhos brilharam na sua vetusta idade. 

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Prova

Quinta de la Rosa tinto cão (t) 2004


Vinho não comercializado pela Quinta de la Rosa, mas servido em ocasiões especiais. Grande cor e concentração. O nariz lembra muito LBV (a casta é importante em vários lotes de Porto), maduro, quente, profundo mas pouco entusiasmante. Falta acidez, mostra-se redondo, pouco apto à mesa.

Prova didática, denotando-se que estamos perante uma casta de lote, como o são quase todas no Douro. (15,5)

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Prova

Brancos 2011 da Quinta do Monte d'Oiro


Partilham a casta viognier e o terroir, mas são diferentes no estilo. O Lybra, loteado com arinto, está jovem, irrequieto, citrino e com acidez por domar (16). O Madrigal está mais focado, com um grande esforço na definição da fruta, no leve floral e no equilíbrio (17). Em comum também o facto de terminarem sérios, frescos e com aptidão gastronómica.

O ano de 2011 ajudou muito, mas seria injusto não afirmar que a enologia na QMdO nunca esteve tão contida e certeira quanto agora. Em suma, dois bons vinhos brancos da região de Lisboa, e ambos a preços ajuizados - o Madrigal, o mais caro, andará pelos 15 EUR, o Lybra talvez menos de metade disso.

domingo, dezembro 23, 2012

Prova Especial

Porto vintage no Porto & Douro wine show 2012

O Porto & Douro wine show 2012 teve lugar no início do mês no Convento do Beato como vem sendo habitual. O momento mais alto do programa foi a prova de Portos vintage comentada pelos especialistas Bento Amaral (IVDP) e Fernando Melo (RV e DN). A prova, muito didática diga-se, beneficiou de vários vinhos, quase todos muito jovens, das colheitas de 2003 até 2010.

Na memória, ficaram o Vista Alegre Vintage de 2010, o Kopke Quinta de S. Luiz, também de 2010, e o Quinta de São José - talvez o melhor da prova - da colheita de 2009. Para o ano haverá mais! 

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Prova

Vale da Mata (t) 2009


O reserva da mesma marca é já um grande tinto. Este colheita, mais barato, é talvez ainda melhor opção numa lógica de relação preço-qualidade. Ambos os vinhos são sérios, sisudos e duros até. Plenamente gastronómicos, sem concessões. O reserva tem a madeira (belíssima) por integrar. Este nem sequer padece disso. Seco, mas com muita expressão aromática, é um vinho a ter em conta sempre que nos apetece the real thing.

16

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta da Gaivosa (t) 1999

Cor muito escura ainda. Apenas ligeira nota de evolução na extemidade do vinho que tocava com a parede lateral do copo. De início o nariz deu fruta negra mais notas de terciários, algum couro, armário antigo. Depois arejou e impôs-se uma fruta encarnada muito bonita. Expulsou, quase por completo, as notas mais terciárias, e quedamo-nos com um tinto límpido de fruta, sedutor, cheio de matizes, e muito longo.

Está em grande, grande mesmo, momento de forma. Precisa de, pelo menos, meia hora de arejamento, de preferência em decante. Seja capaz de encontrar uma garrafa destas, deixe-o respirar, e deleite-se.

17,5

quarta-feira, novembro 28, 2012

Novidade

Poças Reserva (b) 2011

A matéria-prima do vinho parece interessante apesar de morna, mas o trabalho com a madeira desiquilibra o vinho. Nesta fase, temos notas florais demasiado presentes (quase irritantes) por um lado. Do outro lado, encontramos notas de vagem de baunilha e de afia lápis que ajudam à desilusão. Tudo somado, salva-se o fim de prova de boca que se sugere com algum prolongamento.

Massas vínicas com pouca acidez e excesso do uso de madeira tornam este vinho algo chato apesar do seu inegável volume.

15

terça-feira, novembro 27, 2012

Prova Especial

Vertical Colheitas da 'Quinta do Noval' 


Foi no âmbito das Provas Especiais da última edição do EVS. A foto revela as cores. E as cores revelam as idades dos vinhos. Todos bons, alguns muito bons, sendo que os Colheitas de 1971 e de 1964 brilharam muito, muito mesmo! 

sábado, novembro 24, 2012

Novidade

Mirabilis Grande Reserva (b) 2011


Topo de gama da Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo em matéria de brancos. Esta quinta do Cima Corgo no Douro tem uma enorme exposição a sul pelo que não dispõe de encepamento branco e, por isso, conta com fornecedores de uvas branca com vinhas em terras mais altas (Alijó e arredores). No ano de 2011 - inequivocamente bom para brancos (e tintos, já agora) - foi-se atrás de matéria-prima ainda melhor procurando criar um vinho branco mineral e complexo. Segundo o produtor, procurou-se criar um branco à imagem dos vinhos da Borgonha, o que revela ambição, apesar das evidentes diferenças entre as duas regiões.

Muito bom aroma, a sentir-se as notas de fumo da madeira, felizmente sem nenhuma vertente adocicada ou baunilhada. A fruta, muito delicada, chega depois, e depois ainda sugere-se um ligeiro floral e um bom ataque mineral. Fresco, acidez em alta (mas ainda longe da acidez natural da Borgonha, naturalmente), termina bem. A nosso ver, melhorará significativamente em garrafa nos próximos 2 a 4 anos.

Em suma, mais um bom e sério branco do Douro. Aliás, sendo o Douro uma terra tradicionalmente de tintos, na verdade existe já uma mão cheia de bons (seriamente bons) brancos durienses. E este é um deles.

17+

quarta-feira, novembro 14, 2012

do antigamente (ou nem tanto)


Quinta das Maria encruzado barricas (b) 2007


Já o tínhamos provado um bom punhado de vezes antes. Agora está num excelente momento de forma, pelo menos esta garrafa (apanhei algumas com rolha), apesar de ser difícil antecipar a sua longevidade. A madeira sente-se mas incomoda menos do que quando era novo, a fruta está mais fina, e a austeridade inicial mais domada, inclusivamente com um final de boca mais longo. Muito bem.



sábado, novembro 03, 2012

Prova

Terra d' Alter Reserva (t) 2009

Depois do branco de 2010 (provado aqui) é tempo do tinto de 2009, agora que faz mais frio. Em ambos os vinhos, uma mesma matriz: vinhos secos e gastronómicos.

Este tinto encontra-se solto, ou seja não proporcionada uma prova pesada nem chata, antes pelo contrário. A fruta no nariz é bonita, não demasiado carregada, e a madeira também se funde bem no perfil aromático do vinho que exala notas de anis e outras mais químicas. A prova de boca é talvez ainda melhor, com garra, fruta fresca, tudo longe de perfis mais quentes e aborrecidos.

Um bom vinho do alto Alentejo, de pendor gastronómico e elegante, e com um preço interessante.

16,5 

sexta-feira, outubro 19, 2012

Prova Especial

Ferreirinha Reserva Especial (t) 1980
 
Abrimo-lo porque estava na sua hora. Neste caso a sua hora foi decorrência de nos termos apercebido, na última ronda mensal que fazimos às caixas Ferreirinha, que o vinho vertia ligeiramente para fora da garrafa deitada. Sacámo-la da caixa e quedou-se em pé 4 dias. Durante esse período, bastava aproximar o nariz da extremidade da rolha e, mesmo com a cápsula a tapar, sentia-se um aroma fino a vinho tinto. Depois cortámos,  enfim, a cápsula e confirmámos que a rolha estava bastante mirrada e totalmente ensopada. Mas, apesar de tudo isto, saiu bem (e a bem) a rolha, e não foi sequer necessário um saca-a-rolha de pinças.
 
Quanto ao vinho: perfeito! Foi a enésima vez que provávamos este mesmo vinho (a última vez tinha sido no início do ano no Tavares com os amigos JBS e MPM) mas esta garrafa - logo esta que vertia - foi o melhor RE '80 que provámos até hoje, e talvez o melhor RE que já provámos. Magia no copo: elegância, fruta misturada com terciários, corpo gordo e leitoso e um final longo e saboroso. Bateu mesmo as nossas melhores provas do RE '86.

Uau!

segunda-feira, outubro 08, 2012

Prova

Portal da Alameda Alvarinho (b) 2011


Nariz com uma versão pouco expressiva, mas a fazer lembrar a casta... pouco complexo, muito directo. Boca seca, frutado, final curto. A acidez é notória e a frescura do vinho vive disso mesmo. Não estando mal, anda longe dos Alvarinhos de primeira linha e carece de muita actualização.

Da mesma casa e do mesmo ano, o Loureiro  está muito acima.

15  

quinta-feira, setembro 27, 2012

De Itália

Ansonica Bucce (b) 2007


Por norma, os brancos italianos não são especialmente bons, e os brancos da Toscana (os melhores quase sempre de Chardonnay) não são excepção. Este de que ora falamos, todavia, merece uma atenção especial. Provém do sul da Toscana, mais propriamente da denominação de Meremma (a mesma deste de que falámos aquinuma encosta a 400 metros vinificada pelo produtor Poggio Angentiera , e é produzido a partir de uma das muitas castas brancas italianas quase desconhecidas do grande público, neste caso a Ansonica (também denominada de Inzolia).

No copo revela-se de cor amarela carregada, com um nariz muito rico e complexo com notas de frutos secos, fruto de caroço, licor de mel, e algum verniz (lembra um Bairrada, mas com menos acidez). Poder-se-á pensar que está pesado, mas não é o caso. Na boca é saboroso, profundo e novamente rico, tudo com muito equilibro. Alguma evolução e ligeiríssima oxidação não lhe fazem qualquer mossa e, ao invés, acentuam o prolongamento no final de boca.

Falta-lhe apenas algum nervo e acidez (também é verdade que, em Portugal, estamos mal habituados no que respeita a nervo...), sendo, todavia, um vinho muito interessante, com identidade própria e que proporciona belas ligações gastronómicas.

17

quinta-feira, setembro 13, 2012

Novidade

Marquês dos Vales 'selecta' (r) 2011

Mais um rosé de 2011, desta feita do Algarve. Já escrevemos noutro lugar que andamos muito bem surpreendido com os rosés algarvios. Generosos na fruta mas secos! Este mantém exactamente esse perfil. Muito bom nariz, elegante, com fruta muito bonita, e uma boca de espanto: fresca, vibrante e incrivelmente saborosa. «Sim senhor», que belo rosé, equilibrado e que dá muito prazer!

Do mesmo produtor (Quinta dos Vales, DOC de Lagoa) existe um outro rosé - 'Primeira Selecção' - de menor tiragem e igualmente bom, talvez até melhor (mas este 'selecta' é imbatível na relação preço-qualidade). Qualquer um dos dois - 'selecta' ou 'primeira selecção' - é de «comprar às caixas».

16,5

segunda-feira, setembro 10, 2012

Novidade

Olho de Mocho (r) 2011

Já escrevemos que a Herdade do Rocim se afirma como um dos projectos recentes mais cativantes do Alentejo. Os vinhos são certeiros, enologicamente muito bem feitos, com equilíbrio, mas sem renegar às caracterísiticas mais típicas dos terroirs de Cuba e Vidigueira. O Branco Reserva, por exemplo, é hoje um vinho muito sério, assim como o tinto, e o Herdade do Rocim (provado aqui na versão de 2009) é uma grande relação preço-qualidade.

Este rosé, como seria de esperar, não desiludiu, mas também é verdade que não surpreendeu, pelo menos na prova de nariz. Nesse departamente, começa hesitante, intenso sim mas com a fruta pouco nítida, o que não se espera de um rosé. Esperava-se mais... Ao invés, a prova da boca é cativante e lança-nos um gancho de fruta encarnada e um corpo cheio (o que compensa, largamente, o nariz algo titubeante), tão cheio que temos de olhar melhor para o copo para termos a certeza que é um rosé e não um tinto.

A força da prova de boca é tal que, depois da prova, não resistimos em colocá-lo na mesa para fazer par a um bacalhau à Brás acabado de sair do lume... e não é que resultou bem!

15,5

terça-feira, setembro 04, 2012

Prova

Munda 2006

Provou-se, recentemente, as duas versões deste projecto do Dão da colheita de 2006. Surpreendentemente, ou não, o branco revelou-se bastante melhor que o tinto. Este, demasiado maduro, pouca acidez e muito cansaço, não logrou deixar saudades (15,5).

O branco, bem pelo contrário! Nem a cor (brilante e clara) denunciava os 6 anos que já leva de vida. Complexo (no nariz) e potente (na boca) sim, mas com frescura e ainda com um belo final de boca. Muito bem (17)!