quarta-feira, dezembro 19, 2012

Prova

Vale da Mata (t) 2009


O reserva da mesma marca é já um grande tinto. Este colheita, mais barato, é talvez ainda melhor opção numa lógica de relação preço-qualidade. Ambos os vinhos são sérios, sisudos e duros até. Plenamente gastronómicos, sem concessões. O reserva tem a madeira (belíssima) por integrar. Este nem sequer padece disso. Seco, mas com muita expressão aromática, é um vinho a ter em conta sempre que nos apetece the real thing.

16

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta da Gaivosa (t) 1999

Cor muito escura ainda. Apenas ligeira nota de evolução na extemidade do vinho que tocava com a parede lateral do copo. De início o nariz deu fruta negra mais notas de terciários, algum couro, armário antigo. Depois arejou e impôs-se uma fruta encarnada muito bonita. Expulsou, quase por completo, as notas mais terciárias, e quedamo-nos com um tinto límpido de fruta, sedutor, cheio de matizes, e muito longo.

Está em grande, grande mesmo, momento de forma. Precisa de, pelo menos, meia hora de arejamento, de preferência em decante. Seja capaz de encontrar uma garrafa destas, deixe-o respirar, e deleite-se.

17,5

quarta-feira, novembro 28, 2012

Novidade

Poças Reserva (b) 2011

A matéria-prima do vinho parece interessante apesar de morna, mas o trabalho com a madeira desiquilibra o vinho. Nesta fase, temos notas florais demasiado presentes (quase irritantes) por um lado. Do outro lado, encontramos notas de vagem de baunilha e de afia lápis que ajudam à desilusão. Tudo somado, salva-se o fim de prova de boca que se sugere com algum prolongamento.

Massas vínicas com pouca acidez e excesso do uso de madeira tornam este vinho algo chato apesar do seu inegável volume.

15

terça-feira, novembro 27, 2012

Prova Especial

Vertical Colheitas da 'Quinta do Noval' 


Foi no âmbito das Provas Especiais da última edição do EVS. A foto revela as cores. E as cores revelam as idades dos vinhos. Todos bons, alguns muito bons, sendo que os Colheitas de 1971 e de 1964 brilharam muito, muito mesmo! 

sábado, novembro 24, 2012

Novidade

Mirabilis Grande Reserva (b) 2011


Topo de gama da Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo em matéria de brancos. Esta quinta do Cima Corgo no Douro tem uma enorme exposição a sul pelo que não dispõe de encepamento branco e, por isso, conta com fornecedores de uvas branca com vinhas em terras mais altas (Alijó e arredores). No ano de 2011 - inequivocamente bom para brancos (e tintos, já agora) - foi-se atrás de matéria-prima ainda melhor procurando criar um vinho branco mineral e complexo. Segundo o produtor, procurou-se criar um branco à imagem dos vinhos da Borgonha, o que revela ambição, apesar das evidentes diferenças entre as duas regiões.

Muito bom aroma, a sentir-se as notas de fumo da madeira, felizmente sem nenhuma vertente adocicada ou baunilhada. A fruta, muito delicada, chega depois, e depois ainda sugere-se um ligeiro floral e um bom ataque mineral. Fresco, acidez em alta (mas ainda longe da acidez natural da Borgonha, naturalmente), termina bem. A nosso ver, melhorará significativamente em garrafa nos próximos 2 a 4 anos.

Em suma, mais um bom e sério branco do Douro. Aliás, sendo o Douro uma terra tradicionalmente de tintos, na verdade existe já uma mão cheia de bons (seriamente bons) brancos durienses. E este é um deles.

17+

quarta-feira, novembro 14, 2012

do antigamente (ou nem tanto)


Quinta das Maria encruzado barricas (b) 2007


Já o tínhamos provado um bom punhado de vezes antes. Agora está num excelente momento de forma, pelo menos esta garrafa (apanhei algumas com rolha), apesar de ser difícil antecipar a sua longevidade. A madeira sente-se mas incomoda menos do que quando era novo, a fruta está mais fina, e a austeridade inicial mais domada, inclusivamente com um final de boca mais longo. Muito bem.



sábado, novembro 03, 2012

Prova

Terra d' Alter Reserva (t) 2009

Depois do branco de 2010 (provado aqui) é tempo do tinto de 2009, agora que faz mais frio. Em ambos os vinhos, uma mesma matriz: vinhos secos e gastronómicos.

Este tinto encontra-se solto, ou seja não proporcionada uma prova pesada nem chata, antes pelo contrário. A fruta no nariz é bonita, não demasiado carregada, e a madeira também se funde bem no perfil aromático do vinho que exala notas de anis e outras mais químicas. A prova de boca é talvez ainda melhor, com garra, fruta fresca, tudo longe de perfis mais quentes e aborrecidos.

Um bom vinho do alto Alentejo, de pendor gastronómico e elegante, e com um preço interessante.

16,5 

sexta-feira, outubro 19, 2012

Prova Especial

Ferreirinha Reserva Especial (t) 1980
 
Abrimo-lo porque estava na sua hora. Neste caso a sua hora foi decorrência de nos termos apercebido, na última ronda mensal que fazimos às caixas Ferreirinha, que o vinho vertia ligeiramente para fora da garrafa deitada. Sacámo-la da caixa e quedou-se em pé 4 dias. Durante esse período, bastava aproximar o nariz da extremidade da rolha e, mesmo com a cápsula a tapar, sentia-se um aroma fino a vinho tinto. Depois cortámos,  enfim, a cápsula e confirmámos que a rolha estava bastante mirrada e totalmente ensopada. Mas, apesar de tudo isto, saiu bem (e a bem) a rolha, e não foi sequer necessário um saca-a-rolha de pinças.
 
Quanto ao vinho: perfeito! Foi a enésima vez que provávamos este mesmo vinho (a última vez tinha sido no início do ano no Tavares com os amigos JBS e MPM) mas esta garrafa - logo esta que vertia - foi o melhor RE '80 que provámos até hoje, e talvez o melhor RE que já provámos. Magia no copo: elegância, fruta misturada com terciários, corpo gordo e leitoso e um final longo e saboroso. Bateu mesmo as nossas melhores provas do RE '86.

Uau!

segunda-feira, outubro 08, 2012

Prova

Portal da Alameda Alvarinho (b) 2011


Nariz com uma versão pouco expressiva, mas a fazer lembrar a casta... pouco complexo, muito directo. Boca seca, frutado, final curto. A acidez é notória e a frescura do vinho vive disso mesmo. Não estando mal, anda longe dos Alvarinhos de primeira linha e carece de muita actualização.

Da mesma casa e do mesmo ano, o Loureiro  está muito acima.

15  

quinta-feira, setembro 27, 2012

De Itália

Ansonica Bucce (b) 2007


Por norma, os brancos italianos não são especialmente bons, e os brancos da Toscana (os melhores quase sempre de Chardonnay) não são excepção. Este de que ora falamos, todavia, merece uma atenção especial. Provém do sul da Toscana, mais propriamente da denominação de Meremma (a mesma deste de que falámos aquinuma encosta a 400 metros vinificada pelo produtor Poggio Angentiera , e é produzido a partir de uma das muitas castas brancas italianas quase desconhecidas do grande público, neste caso a Ansonica (também denominada de Inzolia).

No copo revela-se de cor amarela carregada, com um nariz muito rico e complexo com notas de frutos secos, fruto de caroço, licor de mel, e algum verniz (lembra um Bairrada, mas com menos acidez). Poder-se-á pensar que está pesado, mas não é o caso. Na boca é saboroso, profundo e novamente rico, tudo com muito equilibro. Alguma evolução e ligeiríssima oxidação não lhe fazem qualquer mossa e, ao invés, acentuam o prolongamento no final de boca.

Falta-lhe apenas algum nervo e acidez (também é verdade que, em Portugal, estamos mal habituados no que respeita a nervo...), sendo, todavia, um vinho muito interessante, com identidade própria e que proporciona belas ligações gastronómicas.

17

quinta-feira, setembro 13, 2012

Novidade

Marquês dos Vales 'selecta' (r) 2011

Mais um rosé de 2011, desta feita do Algarve. Já escrevemos noutro lugar que andamos muito bem surpreendido com os rosés algarvios. Generosos na fruta mas secos! Este mantém exactamente esse perfil. Muito bom nariz, elegante, com fruta muito bonita, e uma boca de espanto: fresca, vibrante e incrivelmente saborosa. «Sim senhor», que belo rosé, equilibrado e que dá muito prazer!

Do mesmo produtor (Quinta dos Vales, DOC de Lagoa) existe um outro rosé - 'Primeira Selecção' - de menor tiragem e igualmente bom, talvez até melhor (mas este 'selecta' é imbatível na relação preço-qualidade). Qualquer um dos dois - 'selecta' ou 'primeira selecção' - é de «comprar às caixas».

16,5

segunda-feira, setembro 10, 2012

Novidade

Olho de Mocho (r) 2011

Já escrevemos que a Herdade do Rocim se afirma como um dos projectos recentes mais cativantes do Alentejo. Os vinhos são certeiros, enologicamente muito bem feitos, com equilíbrio, mas sem renegar às caracterísiticas mais típicas dos terroirs de Cuba e Vidigueira. O Branco Reserva, por exemplo, é hoje um vinho muito sério, assim como o tinto, e o Herdade do Rocim (provado aqui na versão de 2009) é uma grande relação preço-qualidade.

Este rosé, como seria de esperar, não desiludiu, mas também é verdade que não surpreendeu, pelo menos na prova de nariz. Nesse departamente, começa hesitante, intenso sim mas com a fruta pouco nítida, o que não se espera de um rosé. Esperava-se mais... Ao invés, a prova da boca é cativante e lança-nos um gancho de fruta encarnada e um corpo cheio (o que compensa, largamente, o nariz algo titubeante), tão cheio que temos de olhar melhor para o copo para termos a certeza que é um rosé e não um tinto.

A força da prova de boca é tal que, depois da prova, não resistimos em colocá-lo na mesa para fazer par a um bacalhau à Brás acabado de sair do lume... e não é que resultou bem!

15,5

terça-feira, setembro 04, 2012

Prova

Munda 2006

Provou-se, recentemente, as duas versões deste projecto do Dão da colheita de 2006. Surpreendentemente, ou não, o branco revelou-se bastante melhor que o tinto. Este, demasiado maduro, pouca acidez e muito cansaço, não logrou deixar saudades (15,5).

O branco, bem pelo contrário! Nem a cor (brilante e clara) denunciava os 6 anos que já leva de vida. Complexo (no nariz) e potente (na boca) sim, mas com frescura e ainda com um belo final de boca. Muito bem (17)!


segunda-feira, agosto 27, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta do Mouro (t) 1996


Não escondemos que tínhamos alguma curiosidade para perceber como estava este tinto. Marca actualmente consolidada, com bons tintos e alguns mesmo muito bons (destaque para o TN de 2003  e o tinto de 2004).

Este 1996, cuja rolha só saiu intacta graças a um saca-rolhas de lâminas, revelou a cor esperada para os 17 anos de vida, ou seja muito centrada numa tonalidade vermelha escura, longe de se mostrar opaco. Nariz algo maduro, quente e ligeiramente cansado, mas ainda a dar prazer. A boca esteve bem melhor, com taninos ainda por polir mas maduros e saborosos, tudo a revelar alguma garra. Se a prova de nariz estivesse ao nível da da boca tínhamos aqui um grande tinto.

Em suma, portou-se bem este tinto alentejano, não de forma totalmente altiva, mas também não decepcionou.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Surpresa

Duende (b) 2009

Grande surpresa esta! Um branco «fora da caixa» - 100% rabo de ovelha - proveniente de Borba. Um belíssimo trabalho do jovem enólogo André Herrera de Almeida com base numa vinha de sequeiro plantada há mais 30 anos em solos argilosos e de xistos.

Um vinho aromaticamente subtil, sem exageros, citrino e mineral. Cheio na prova de boca, com belíssimo final. Tudo a revelar enologia contida e respeitadora das massas vínicas. O que nos fica na memória é exactamente essa fórmula (tão pouco comum, mesmo em ditos topos de gama) de conseguir conciliar uma prova cheia e complexa com frescura e leveza. Tudo isto num branco alentejano, ou melhor, num bom branco alentejano.


16,5 

quarta-feira, agosto 22, 2012

Novidade

Vale de Cavalos (t) 2009


Um tinto moderno este douro de perfil quente e muito frutado. Nariz exuberante, com muita fruta preta, violetas, chocolate preto, e algum fumo. A boca não desilude no perfil, macia, com taninos só possíveis no Douro Superior, saboroso mas de final curto. Um tinto desenhado para a conquista de novos consumidores e, a meu ver, um tinto que se dará muito bem noutros mercados como seja Estados Unidos e Inglaterra. 


Em suma, um douro apelativo aos sentidos, com muita fruta e alguma barrica, e um preço muito competitivo. Uma fórmula de sucesso!

16 

segunda-feira, agosto 20, 2012

Do antigamente

Bussacos '58, branco '68 e tinto '83


Depois de um interregno, voltámos a provar algumas das nossas colheitas favoritas do nosso (favorito) Bussaco (ou Buçaco, mais modernamente). Tínhamos provado vários destes vinhos em 2009 (ver aqui) e outros ainda depois e agora, com muita alegria, voltámos ao ataque.

Ambos os '58, tinto e branco, são vinhos sublimes e não só tendo em consideração a idade. São vinhos com força ainda, sobretudo o tinto, que dão muito prazer, e não dispensam mesmo acompanhar uma refeição (depois da prova foram testados com um prato de bacalhau e outro de leitão), e pensar que cada um têm mais de cinco décadas de vida...

O branco '68 é diferente. Provou-se duas garrafas: a primeira confusa a precisar de muito arejamento, notas a mofo (não de TCA) e a pó qe prejudicavam a prova; a segunda garrafa melhor, com fruta muito evoluída e confitada no nariz mas felizmente com prova de boca correcta, saborosa e com vincada acidez.

Mais uma vez, o tinto de '83 revelou-se a um nível altíssimo, elegante, com fruta encarnada muito bonita mas sedutor e carnudo, mais a lembrar a um bordéus do que um borgonha. Um grande vinho com quase três décadas em qualquer lado do mundo! 


quinta-feira, agosto 16, 2012

Novidade

Casa das Buganvílias (r) 2011

Um rosé feito da casta vinhão (também conhecida por sousão no Douro), como este da Casa das Buganvílias, não consegue deixar de se revelar diferente do estereótipo dos rosés nacionais. Desde logo na cor, quase tinta fruto do forte carácter tintureiro (corante) da casta; depois, pela prova de boca, cheia, marcada pela elevada acidez e ligeiro pico, bem como com notas de fruta preta e amarga. Já o nariz pode enganar à primeira... com notas violáceas vivas e frescas não se percebe, logo no imediato, tratar-se de um verde vinhão.

De resto, um rosé vinhão bem feito, diríamos até que superior ao habitual nos verdes tintos da região e, por isso, recomendável para quem nunca provou a casta e tem curiosidade. Também se afigura recomendável para aqueles que não dispensam acompanhar certos pratos com vinhão. Aliás, neste caso tratar-se de um rosé até pode permitir uma maior versatilidade, desde cabidelas a sardinhas assadas.

15

terça-feira, julho 31, 2012

Prova


Montes Claros Garrafeira (t) 2008

Topo de gama da Adega de Borba e um verdadeiro topo alentejano. Se são os vinhos mais acessíveis os mais badalados desta adega, não existem razões para que este belíssimo tinto não seja mais conhecido do grande público. A par da fruta generosa que se espera de um alentejano, tem notas elegantes de especiarias, tabaco e alcatrão, que aumentam muito a complexidade. Longe de ser uma 'bomba de cheios', é um vinho sério e que merece o qualificação de "garrafeira". Espere-se mais um par de anos e desfrute-se dele, de preferência à mesa!

17++

segunda-feira, julho 23, 2012

Prova

Terra d' Alter Reserva (b) 2010


Um branco alentejano que procura - e consegue - fugir ao estereótipo dos brancos da região. O facto de o projecto estar mais a norte (em Terras de Alter, como sugere a marca), próximo da Serra de S. Mamede ajuda, e encontramos neste branco um registo fresco, ligeiramente vegetal até, com finura e prolongamento de prova de boca. Muito afinado, seco e gastronómico, é uma boa aposta para este Verão.


16,5