segunda-feira, setembro 10, 2012

Novidade

Olho de Mocho (r) 2011

Já escrevemos que a Herdade do Rocim se afirma como um dos projectos recentes mais cativantes do Alentejo. Os vinhos são certeiros, enologicamente muito bem feitos, com equilíbrio, mas sem renegar às caracterísiticas mais típicas dos terroirs de Cuba e Vidigueira. O Branco Reserva, por exemplo, é hoje um vinho muito sério, assim como o tinto, e o Herdade do Rocim (provado aqui na versão de 2009) é uma grande relação preço-qualidade.

Este rosé, como seria de esperar, não desiludiu, mas também é verdade que não surpreendeu, pelo menos na prova de nariz. Nesse departamente, começa hesitante, intenso sim mas com a fruta pouco nítida, o que não se espera de um rosé. Esperava-se mais... Ao invés, a prova da boca é cativante e lança-nos um gancho de fruta encarnada e um corpo cheio (o que compensa, largamente, o nariz algo titubeante), tão cheio que temos de olhar melhor para o copo para termos a certeza que é um rosé e não um tinto.

A força da prova de boca é tal que, depois da prova, não resistimos em colocá-lo na mesa para fazer par a um bacalhau à Brás acabado de sair do lume... e não é que resultou bem!

15,5

terça-feira, setembro 04, 2012

Prova

Munda 2006

Provou-se, recentemente, as duas versões deste projecto do Dão da colheita de 2006. Surpreendentemente, ou não, o branco revelou-se bastante melhor que o tinto. Este, demasiado maduro, pouca acidez e muito cansaço, não logrou deixar saudades (15,5).

O branco, bem pelo contrário! Nem a cor (brilante e clara) denunciava os 6 anos que já leva de vida. Complexo (no nariz) e potente (na boca) sim, mas com frescura e ainda com um belo final de boca. Muito bem (17)!


segunda-feira, agosto 27, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta do Mouro (t) 1996


Não escondemos que tínhamos alguma curiosidade para perceber como estava este tinto. Marca actualmente consolidada, com bons tintos e alguns mesmo muito bons (destaque para o TN de 2003  e o tinto de 2004).

Este 1996, cuja rolha só saiu intacta graças a um saca-rolhas de lâminas, revelou a cor esperada para os 17 anos de vida, ou seja muito centrada numa tonalidade vermelha escura, longe de se mostrar opaco. Nariz algo maduro, quente e ligeiramente cansado, mas ainda a dar prazer. A boca esteve bem melhor, com taninos ainda por polir mas maduros e saborosos, tudo a revelar alguma garra. Se a prova de nariz estivesse ao nível da da boca tínhamos aqui um grande tinto.

Em suma, portou-se bem este tinto alentejano, não de forma totalmente altiva, mas também não decepcionou.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Surpresa

Duende (b) 2009

Grande surpresa esta! Um branco «fora da caixa» - 100% rabo de ovelha - proveniente de Borba. Um belíssimo trabalho do jovem enólogo André Herrera de Almeida com base numa vinha de sequeiro plantada há mais 30 anos em solos argilosos e de xistos.

Um vinho aromaticamente subtil, sem exageros, citrino e mineral. Cheio na prova de boca, com belíssimo final. Tudo a revelar enologia contida e respeitadora das massas vínicas. O que nos fica na memória é exactamente essa fórmula (tão pouco comum, mesmo em ditos topos de gama) de conseguir conciliar uma prova cheia e complexa com frescura e leveza. Tudo isto num branco alentejano, ou melhor, num bom branco alentejano.


16,5 

quarta-feira, agosto 22, 2012

Novidade

Vale de Cavalos (t) 2009


Um tinto moderno este douro de perfil quente e muito frutado. Nariz exuberante, com muita fruta preta, violetas, chocolate preto, e algum fumo. A boca não desilude no perfil, macia, com taninos só possíveis no Douro Superior, saboroso mas de final curto. Um tinto desenhado para a conquista de novos consumidores e, a meu ver, um tinto que se dará muito bem noutros mercados como seja Estados Unidos e Inglaterra. 


Em suma, um douro apelativo aos sentidos, com muita fruta e alguma barrica, e um preço muito competitivo. Uma fórmula de sucesso!

16 

segunda-feira, agosto 20, 2012

Do antigamente

Bussacos '58, branco '68 e tinto '83


Depois de um interregno, voltámos a provar algumas das nossas colheitas favoritas do nosso (favorito) Bussaco (ou Buçaco, mais modernamente). Tínhamos provado vários destes vinhos em 2009 (ver aqui) e outros ainda depois e agora, com muita alegria, voltámos ao ataque.

Ambos os '58, tinto e branco, são vinhos sublimes e não só tendo em consideração a idade. São vinhos com força ainda, sobretudo o tinto, que dão muito prazer, e não dispensam mesmo acompanhar uma refeição (depois da prova foram testados com um prato de bacalhau e outro de leitão), e pensar que cada um têm mais de cinco décadas de vida...

O branco '68 é diferente. Provou-se duas garrafas: a primeira confusa a precisar de muito arejamento, notas a mofo (não de TCA) e a pó qe prejudicavam a prova; a segunda garrafa melhor, com fruta muito evoluída e confitada no nariz mas felizmente com prova de boca correcta, saborosa e com vincada acidez.

Mais uma vez, o tinto de '83 revelou-se a um nível altíssimo, elegante, com fruta encarnada muito bonita mas sedutor e carnudo, mais a lembrar a um bordéus do que um borgonha. Um grande vinho com quase três décadas em qualquer lado do mundo! 


quinta-feira, agosto 16, 2012

Novidade

Casa das Buganvílias (r) 2011

Um rosé feito da casta vinhão (também conhecida por sousão no Douro), como este da Casa das Buganvílias, não consegue deixar de se revelar diferente do estereótipo dos rosés nacionais. Desde logo na cor, quase tinta fruto do forte carácter tintureiro (corante) da casta; depois, pela prova de boca, cheia, marcada pela elevada acidez e ligeiro pico, bem como com notas de fruta preta e amarga. Já o nariz pode enganar à primeira... com notas violáceas vivas e frescas não se percebe, logo no imediato, tratar-se de um verde vinhão.

De resto, um rosé vinhão bem feito, diríamos até que superior ao habitual nos verdes tintos da região e, por isso, recomendável para quem nunca provou a casta e tem curiosidade. Também se afigura recomendável para aqueles que não dispensam acompanhar certos pratos com vinhão. Aliás, neste caso tratar-se de um rosé até pode permitir uma maior versatilidade, desde cabidelas a sardinhas assadas.

15

terça-feira, julho 31, 2012

Prova


Montes Claros Garrafeira (t) 2008

Topo de gama da Adega de Borba e um verdadeiro topo alentejano. Se são os vinhos mais acessíveis os mais badalados desta adega, não existem razões para que este belíssimo tinto não seja mais conhecido do grande público. A par da fruta generosa que se espera de um alentejano, tem notas elegantes de especiarias, tabaco e alcatrão, que aumentam muito a complexidade. Longe de ser uma 'bomba de cheios', é um vinho sério e que merece o qualificação de "garrafeira". Espere-se mais um par de anos e desfrute-se dele, de preferência à mesa!

17++

segunda-feira, julho 23, 2012

Prova

Terra d' Alter Reserva (b) 2010


Um branco alentejano que procura - e consegue - fugir ao estereótipo dos brancos da região. O facto de o projecto estar mais a norte (em Terras de Alter, como sugere a marca), próximo da Serra de S. Mamede ajuda, e encontramos neste branco um registo fresco, ligeiramente vegetal até, com finura e prolongamento de prova de boca. Muito afinado, seco e gastronómico, é uma boa aposta para este Verão.


16,5

terça-feira, julho 17, 2012

Do antigamente

Periquita Clássico (t) 1994


Em poucos vinhos o desigantivo clássico faz tanto sentido quanto neste Periquita topo-de-gama. Tem o perfil sério, seco e ligeiramente rústico, habituado à garrafa, característico dos vinhos clássicos portugueses. Em jovem (lembramo-nos de o provar faz vários anos na garrafeira Coisas do Arco do Vinho) era taninoso, com a rusticidade à solta, e fruta negra.


Hoje, quinze anos depois, está um vinho absolutamente fantástico e ainda com pernas para andar (apesar de não haver razão para o continuar a guardar). Com uma cor encarnada escura, nariz com laivos de cereja e ligeiro verniz, óptima complexidade (quem diria ser apenas Castelão?), e explode com um final de boca absolutamente demolidor.


Seguramente um dos melhores vinhos tintos, não fortificados, da colheita de 1994 por nós provado.

sexta-feira, julho 13, 2012

Novidade



Vinhos BEYRA


Os mais atentos aos lançamentos de novidade vinícolas já conhecerão, porventura, este novo projecto de Rui Madeira (criador da VDS no Douro Superior). E isto porque aqui e ali (na imprensa escrita e nos blogs) já muito se escreveu – são vinhos de altitude, com óptima acidez e mineralidade, frescos e com um final de boca assinalável. É tudo verdade. Também é realçado que a presença de filões de quartzo no terroir da Vermilhosa é uma mais-valia, o que também é verdade, apesar de não ser exclusivo do concelho de Castelo Rodrigo (de repente, lembramo-nos de Macedo de Cavaleiros que também os tem, e disso se sente nos óptimos vinhos de Valle Pradinhos).

Assim, quanto a nós, o que queremos assinalar neste novo projecto, a par da mineralidade e frescura dos vinhos, é a fantástica relação preço-qualidade dos mesmos. Por ora, são três os vinhos, e por ora só brancos; o mais caro – o belíssimo Beyra (b) Superior 2011 – cifra-se em 9€. Mas o espanto é maior quando nos apercebemos que os dois vinhos de entrada de gama – o Beyra (b) 2011 e o Beyra Quartz (b) 2011 (que, dizem-me, vendem-se no Continente) – custam, respectivamente, 3€ e 5€ e são ambos muito interessantes. O Quartz, em particular, é de beber e chorar por mais.


É caso para concluir que beber um branco mineral português deixou de ser um luxo. Com os vinhos deste projecto BEYRA, passou mesmo a ser acessível. Por isso, trata-se obviamente de uma das melhores novidades deste ano.

terça-feira, julho 10, 2012

Prova


Quinta dos Vales Grace viognier (b) 2011

Um dos melhores brancos do Algarve que já provámos, e logo de uma casta que, a nosso ver, teima em não produzir brancos de primeira linha em Portugal (apesar de cada vez mais plantada por cá...). Ao invés do perfil nacional – vinhos quase sempre volumosos e untuosos, muitas vezes sem qualquer graça ou frescura – este viognier de Estômbar revela-se citrino na prova de nariz, combinando um ligeiro floral com referências a relva cortada (a lembrar um pouco Sauvignon). A prova de boca é muito agradável, fresca e com o volume certo (i.e., nem muito nem pouco), e um final assinalável.

A colheita de 2011 ajudou, como é sabido, a produzir bons brancos. Mas, em qualquer caso, é um esforço assinalável produzir um branco tão equilibrado no terroir quente da DOC de Lagoa, e nem se notam os seus 14,5% de alc. Tal revela aprumo na vinha (escolher o melhor momento para vindimar) e na adega (na qual se optou – e bem, tendo em conta o resultado final – por não passar o vinho por madeira). E confirma também que preconceitos em relação a regiões e tipos de vinho são muitas das vezes contrariados quando os provamos. Quem diria, afinal, que escontraríamos um dos melhores viogniers do país no Algarve?


16,5-17

sexta-feira, junho 29, 2012

Prova

DSF Moscatel Roxo (r) 2011

Mais uma edição deste óptimo rosé, um dos mais entusiasmantes produzidos em Portugal, imbatível se bebido a solo e, ainda, dá uma grande prestação à mesa combinado com comida exótica e apimentada. Na cor está menos intenso do que nas edições anteriores e a prova de boca também parece mais delgada: nada de negativo num vinho de Verão, claro está. O nariz continua exuberante, tão exuberante que mesmo servido em flutes (!) - como o temos visto por aí para aumentar o efeito cénico - continuará a dar uma boa prova de si...

16

terça-feira, junho 26, 2012

Novidade

António Saramago Reserva (t) 2009

Um dos melhores vinhos que já provámos de António Saramago é o 'AS 50', um tinto exclusivo maioritariamente feito com Castelão que tivemos a feliz oportunidade provar no almoço de comemoração dos 50 anos do referido enólogo/produtor.

Também de Castelão, mas menos exclusivo (e mais barato) é este António Saramago Reserva da colheita de 2009. Muito jovem ainda, intenso no nariz a frutas negras, revela uma boca com muita estrutura tânica, gulosa mas também aguerrida a pedir acompanhamento sério e capaz. Nesta gama de preço (pouco mais de 10 EUR) é difícil encontrar melhor, sobretudo para quem quiser - como convém e se recomenda - guardar umas garrafas para  outras provas daqui a uns anos.


Uma última palavra para referir que, não sendo, naturalmente, o único produtor e enólogo que trabalha com mestria a casta Castelão, a verdade é que António Saramago é dos que melhor conhece a casta, pelo menos no que respeita à região de Azeitão e Palmela. Para além disso, tem a imensa experiência que a bonita idade de 50 anos como enólogo proporciona. E ao beber-se este tinto, percebe-se tudo isso...


16,5++ 

segunda-feira, junho 11, 2012

De Espanha

Mas Irene (t) 2003

Micro-cuvée de Penedès do produtor Perés Baltà produzido a partir de castas francesas, neste caso Cabernet Franc e Merlot (nada que surpreenda). Está, todavia, menos concentrado que a maioria dos topos de gama da região, menos pastoso e menos alcoólico (talvez devido ao facto de serem duas enólogas as responsáveis por este vinho). A madeira sente-se mas não se impõe (o que também surpreende para o estilo que marcou a região nos últimos anos), e a fruta está muito bonita, bem madura mas, novamente, sem excessos. 
Um vinho de fino recorte (apesar do ano quente) e muito bem desenhado, que destoa - felizmente - do perfil da região.

16,5++

terça-feira, maio 29, 2012

Prova

Vinha Formal (b) 2008

Um Vinha Formal de Luis Pato a muito bom nível e a dizer-nos que vai melhorar em garrafa nos próximos anos. Muito bem na estrutura, nem muito leve nem muito untuoso. Preciso e focado na mineralidade. Final de boca completo, amplo e saboroso. Tudo a apontar para uma das melhores edições deste branco da Barirrada.

17,5

terça-feira, maio 22, 2012

Prova

Periquita (b) 2011


Fresco e leve, como tem de ser. Revela mestria por não cansar na prova de nariz. Mas não chega a ser um verdadeiro agrado, com o leve pico e a fruta exuberante a teimarem em marcar a prova de boca. Sendo uma opção para a esplanada no Verão (bom preço e certamente disponível na restauração), estavamos à espera de um pouco mais.


15 

quarta-feira, maio 16, 2012

Prova

Contacto (b) 2010


Num ano que não foi fácil para os brancos, Anselmo Mendes coloca mais um belíssimo Alvarinho no mercado. Por cerca de 10 EUR, encontramos um branco fresco mas no qual a prova é conduzida por uma sensação de maior imponência do que estaríamos inicialmente à espera. Isso decorre do contacto pelicular com o mosto (daí o nome do vinho), que, na medida certa (e com a casta adequada, o que parece ser o caso), comporta espessura ao vinho sem que o mesmo deixe de se revelar fresco (a acidez do vinho ajuda muito neste caso). Para tal, o produtor seleccionou propositadamente alguns dos vários terroirs com Alvarinho à sua disposição, garantindo assim o equilíbrio entre frescura e complexidade que é a grande mensagem deste vinho. Como acontece com grande parte dos Alvarinhos, poderá melhorar em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.

17+

sexta-feira, maio 04, 2012

Do antigamente

Reserva Ferreirinha (t) 1989

Maior que o de 1994, menor do que o de 1986, este Reserva (Especial) está a um nível muito alto e não dá, por ora, notas de grande cansaço. Nariz típico da casa, com especiados e licorados muito bonitos, boca final e elegante (menos tânica que outros anos, como de 1994), e final muito próximo da perfeição, nada seco, antes saboroso e ligeiramente lácteo. Melhor do que este só o 1986 e o 1977.



segunda-feira, abril 23, 2012

Prova

Quinta de Camarate (b) 2011

Marca antiga, novo lote. Actualmente produzido a partir de 2 castas apelativas e na «moda» - Verdelho e a Alvarinho -, está muito bem no estilo seco, ligeiro, versátil, e gastronómico. Nariz de pendor vegetal, mas sem excessos. Bebe-se muito bem, pretende e aparenta ter um toque mineral e, aqui e ali, até parece que o consegue. Muito bem para o preço. Poderá evoluir favoravelmente nos próximos 2 a 3 anos.

16+