segunda-feira, junho 11, 2012

De Espanha

Mas Irene (t) 2003

Micro-cuvée de Penedès do produtor Perés Baltà produzido a partir de castas francesas, neste caso Cabernet Franc e Merlot (nada que surpreenda). Está, todavia, menos concentrado que a maioria dos topos de gama da região, menos pastoso e menos alcoólico (talvez devido ao facto de serem duas enólogas as responsáveis por este vinho). A madeira sente-se mas não se impõe (o que também surpreende para o estilo que marcou a região nos últimos anos), e a fruta está muito bonita, bem madura mas, novamente, sem excessos. 
Um vinho de fino recorte (apesar do ano quente) e muito bem desenhado, que destoa - felizmente - do perfil da região.

16,5++

terça-feira, maio 29, 2012

Prova

Vinha Formal (b) 2008

Um Vinha Formal de Luis Pato a muito bom nível e a dizer-nos que vai melhorar em garrafa nos próximos anos. Muito bem na estrutura, nem muito leve nem muito untuoso. Preciso e focado na mineralidade. Final de boca completo, amplo e saboroso. Tudo a apontar para uma das melhores edições deste branco da Barirrada.

17,5

terça-feira, maio 22, 2012

Prova

Periquita (b) 2011


Fresco e leve, como tem de ser. Revela mestria por não cansar na prova de nariz. Mas não chega a ser um verdadeiro agrado, com o leve pico e a fruta exuberante a teimarem em marcar a prova de boca. Sendo uma opção para a esplanada no Verão (bom preço e certamente disponível na restauração), estavamos à espera de um pouco mais.


15 

quarta-feira, maio 16, 2012

Prova

Contacto (b) 2010


Num ano que não foi fácil para os brancos, Anselmo Mendes coloca mais um belíssimo Alvarinho no mercado. Por cerca de 10 EUR, encontramos um branco fresco mas no qual a prova é conduzida por uma sensação de maior imponência do que estaríamos inicialmente à espera. Isso decorre do contacto pelicular com o mosto (daí o nome do vinho), que, na medida certa (e com a casta adequada, o que parece ser o caso), comporta espessura ao vinho sem que o mesmo deixe de se revelar fresco (a acidez do vinho ajuda muito neste caso). Para tal, o produtor seleccionou propositadamente alguns dos vários terroirs com Alvarinho à sua disposição, garantindo assim o equilíbrio entre frescura e complexidade que é a grande mensagem deste vinho. Como acontece com grande parte dos Alvarinhos, poderá melhorar em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.

17+

sexta-feira, maio 04, 2012

Do antigamente

Reserva Ferreirinha (t) 1989

Maior que o de 1994, menor do que o de 1986, este Reserva (Especial) está a um nível muito alto e não dá, por ora, notas de grande cansaço. Nariz típico da casa, com especiados e licorados muito bonitos, boca final e elegante (menos tânica que outros anos, como de 1994), e final muito próximo da perfeição, nada seco, antes saboroso e ligeiramente lácteo. Melhor do que este só o 1986 e o 1977.



segunda-feira, abril 23, 2012

Prova

Quinta de Camarate (b) 2011

Marca antiga, novo lote. Actualmente produzido a partir de 2 castas apelativas e na «moda» - Verdelho e a Alvarinho -, está muito bem no estilo seco, ligeiro, versátil, e gastronómico. Nariz de pendor vegetal, mas sem excessos. Bebe-se muito bem, pretende e aparenta ter um toque mineral e, aqui e ali, até parece que o consegue. Muito bem para o preço. Poderá evoluir favoravelmente nos próximos 2 a 3 anos.

16+

terça-feira, abril 17, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Casa de Santar Touriga Nacional (t) 2000

Tratava-se, na época, se bem nos lembramos, do topo de gama da Casa de Santar, vinho feito com todos os cuidados, a partir de lotes seleccionados e com barricas de qualidade. Está muito fino no nariz, com evolução marcada (até na cor), notas a couro, ligeiro animal. Com arejamento surge alguma fruta, bonita, mais encarnada do que negra, boca subtil, aveludada e um final típico do Dão, ou seja saboroso, fino e prolongado. Está muito bem nesta fase, calmo e elegante, mas não deverá durar muito mais do que (mais) meia década.


16,5

sexta-feira, abril 13, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Meandro (t) 2001

De um bom ano, de um terroir conceituado, de uma região que é um portento nacional, este tinto não podia ser outra coisa que não um belíssimo vinho. Segunda escolha da Quinta do Vale Meão, é a prova que andamos a beber estes tintos cedo demais. Está - pasme-se - ainda muito jovem, e melhorá nos próximos anos. Grande aroma, fruta madura e alguma esteva. Boca intensa, completa e inteira, cheia e com muita força. Final com garra, quase agressivo, faltando, por ora, alguma elegância e patine. Se pensarmos que custava cerca de 12 €, temos aqui uma das melhores relações qualidade-preço que conhecemos. Mas claro, esta era a versão do Meandro em 2001; hoje em dia está um pouco diferente.

17

terça-feira, abril 10, 2012

Prova

Esporão Verdelho (b) 2011

Versão muito aromática de Verdelho, com lima, relva cortada, e maracujá. Boca saborosa, mediana na persistência. Um branco para se beber novo, mas que aguentará 2 anos em garrafa. Alegre, festivo, exuberante (por vezes em demasia), termina com garra graças a uma acidez pungente (quase no limite). Bom preço. Bom vinho de Verão.


15,5

domingo, abril 08, 2012

Prova

Herdade do Rocim (t) 2009

Esta gama premium da Herdade do Rocim não tem parado de melhorar e, nesta edição de 2009, está melhor do que nunca. Surpreendemente fresco, sem concentração desmedida nem fruta em demasia. Mais do que a Syrah, sugere-se que são a Alicante Bouchet e a Trincadeira que estão aos comandos deste lote alentejano. De resto, o habitual da casa de Catarina Vieira: um vinho muito aprumado, bem construído, sem falhas e com um final elegante. A grande nível!

17

terça-feira, abril 03, 2012

Prova

Valle Pradinhos (b) 2010

Já andou por caminhos mais festivos e florais este branco transmontano... encontrando-se, agora, mais austero e isso agrada-nos. Efectivamente, nesta versão de 2010, apresenta-se muito sólido, de fino recorte e,  no que respeita à componente aromática, com um pendor mais mineral do que mostrou na colheita anterior. Na prova de boca mantém-se longo, saboroso, com acidez cativante e um óptimo final. Faz muito tempo que é verdadeiro sucesso de vendas  e faz muito tempo que é um dos mais interessantes brancos nacionais. A colheita 2010 está mesmo um pouco melhor do que a de 2009.

17 

terça-feira, março 27, 2012

Do Chile

Los Vascos Grande Reserve (t) 2008

Os tintos chilenos de influência francesa - como é o caso - são quase sempre vinhos que optam por um estilo claramente europeu, à margem do que habitualmente se faz na América Latina. São vinhos frescos, de taninos jovens e duros e, muitas das vezes, com elementos «verdes» do Cabernet Sauvignon. Este não foge a essa regra. Bonito nariz, fruta encarnada profunda, prova de boca muito jovem mas com excesso de notas apimentadas e de pimento verde. Mais do que defeito é, sobretudo, feitio.

16,5

segunda-feira, março 19, 2012

Prova

Baton (t) 2008


Boa fruta, muito madura, compota e alguma geleia, debaixo de um manto de notas da barrica. Perfil quente, próximo do registo típico do Rio Torto (Douro), está, todavia, muito marcado pela madeira. Nota-se os cuidados com o vinho, e nota-se também a qualidade das massas vínicas. Mas se no nariz a fruta exuberante compensa, já na boca ficamos com a ideia que o conjunto acabou por ficar pouco equilibrado. A corrigir o excesso da barrica.

16

quinta-feira, março 08, 2012

Prova

Quinta dos Murças Reserva (t) 2008

Com este vinho (e mais dois, um colheita e um Porto 10 anos), o Esporão chega ao Douro. E boa hora o faz, pois projectos com dimensão e sucesso (difícil binómio no nosso país) é coisa que nunca é demais, seja onde for. Este Reserva beneficiou de muitos carinhos e, apesar de ser uma estreia, o vinho apresenta-se a um grande nível. A fruta está muito madura, sensual, viciosa até, num nariz ao qual falta apenas refinamento (que o tempo poderá proporcionar). A prova de boca - com taninos secos, e muita potência - diz-nos o mesmo, ou seja, que o melhor está para vir e que este tinto estará em forma daqui a 3 ou 4 anos. 
Mais um belo tinto do Douro, e mais um para o qual não devemos ter pressa.

17++

segunda-feira, março 05, 2012

Prova

Carrocel (t) 2006

Está em grande momento de forma este portentoso vinho do Dão. Apesar da aparência de muita extracção, apesar da cor e da intensidade, o vinho mostra-se cordato e galante. Com apenas 13,5% sugere-se (felizmente) pouco representativo da colheita e revela um lado fresco muito positivo. De resto, a marca inconfundível de uma Touriga Nacional menos evidente do que é comum é a patente de estamos perante um vinho sério, quase clássico. Falta-lhe apenas mais alguma expressão frutada na prova de boca, e é bem capaz da evolução caminhar nesse preciso sentido.

17,5

quinta-feira, março 01, 2012

Do antigamente

Duque de Bragança 20 anos e Barros 20 anos

Dois dignos representantes da categoria de Porto 20 anos num «frente a frente». Ambos engarrafados na viragem para a década de ’90 do século passado (o Ferreira em 1991 e o Barros em 1989). Ambos já sem a frescura e o refrescamento que um engarrafamento recente lhes poderia dar, mas com muitos anos em garrafa, ou seja com muito vidro. A intensidade de ambos é fantástica: super generosos na prova de nariz e de boca, sempre com ligeira vantagem para o Duque de Bragança, mais complexo no nariz, mais cheio e saboroso na boca; enfim melhor lote! Dois belos vinhos.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Prova


Quinta do Alqueve Touriga Nacional (t) 2001

A cor denota a evolução natural para os dez anos que leva. Nariz com fruta parcial e alguns aromas terciários já em evidência com predomínio para notas terrosas e outras a couro. Nada que nos perturbe a prova. Alguma frescura também, o que nos agrada. Boca acetinada, com garra, faltando apenas maior intensidade e um final mais longo.

Com uma ou outra excepção, temos gostado muito dos vários vinhos Touriga Nacional deste produtor do Tejo. Este, apesar da evolução, não foge a essa regra, ainda que os vinhos mais recentes levem algum avanço (decorrente, porventura, da própria idade da vinha).

16,5

sábado, fevereiro 25, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta dos Cozinheiros Poeirinho (t) 1998

Continua em forma este tinto. Fresco, leve, fino de boca e elegante, mas nem por isso menos complexo ou assertivo. Um bom exemplar da casta Baga num dos terroirs portugueses de maior influência atlântica. Um vinho a que podemos regressar sempre, o que só por si já é uma homenagem ao seu criador.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Curiosidade


A imagem do vinho produzido a partir de uma só casta é tão importante nos países denominados de «Novo Mundo» que, no Chile por exemplo, até aqueles vendidos em pacote nos supermercados contêm a indicação da casta.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)


Porta dos Cavaleiros (t) 1997

Um verdadeiro clássico português (um daqueles que mais se pode orgulhar de ser clássico nos vários significados da palavra), e um vinho sobre o qual não se compreende bem o afastamento do público. Se está bom? Claro que está! Pleno de vida, frescura e suavidade. Quer-se mais? Talvez, hoje procura-se o resto, mas esse resto muitas vezes é apenas componente pirotécnica. Este é daqueles tintos que não foge ao estilo directo, seco e gastronómico que tanto prezamos. Não é um vinhão. É vinho.