domingo, abril 08, 2012

Prova

Herdade do Rocim (t) 2009

Esta gama premium da Herdade do Rocim não tem parado de melhorar e, nesta edição de 2009, está melhor do que nunca. Surpreendemente fresco, sem concentração desmedida nem fruta em demasia. Mais do que a Syrah, sugere-se que são a Alicante Bouchet e a Trincadeira que estão aos comandos deste lote alentejano. De resto, o habitual da casa de Catarina Vieira: um vinho muito aprumado, bem construído, sem falhas e com um final elegante. A grande nível!

17

terça-feira, abril 03, 2012

Prova

Valle Pradinhos (b) 2010

Já andou por caminhos mais festivos e florais este branco transmontano... encontrando-se, agora, mais austero e isso agrada-nos. Efectivamente, nesta versão de 2010, apresenta-se muito sólido, de fino recorte e,  no que respeita à componente aromática, com um pendor mais mineral do que mostrou na colheita anterior. Na prova de boca mantém-se longo, saboroso, com acidez cativante e um óptimo final. Faz muito tempo que é verdadeiro sucesso de vendas  e faz muito tempo que é um dos mais interessantes brancos nacionais. A colheita 2010 está mesmo um pouco melhor do que a de 2009.

17 

terça-feira, março 27, 2012

Do Chile

Los Vascos Grande Reserve (t) 2008

Os tintos chilenos de influência francesa - como é o caso - são quase sempre vinhos que optam por um estilo claramente europeu, à margem do que habitualmente se faz na América Latina. São vinhos frescos, de taninos jovens e duros e, muitas das vezes, com elementos «verdes» do Cabernet Sauvignon. Este não foge a essa regra. Bonito nariz, fruta encarnada profunda, prova de boca muito jovem mas com excesso de notas apimentadas e de pimento verde. Mais do que defeito é, sobretudo, feitio.

16,5

segunda-feira, março 19, 2012

Prova

Baton (t) 2008


Boa fruta, muito madura, compota e alguma geleia, debaixo de um manto de notas da barrica. Perfil quente, próximo do registo típico do Rio Torto (Douro), está, todavia, muito marcado pela madeira. Nota-se os cuidados com o vinho, e nota-se também a qualidade das massas vínicas. Mas se no nariz a fruta exuberante compensa, já na boca ficamos com a ideia que o conjunto acabou por ficar pouco equilibrado. A corrigir o excesso da barrica.

16

quinta-feira, março 08, 2012

Prova

Quinta dos Murças Reserva (t) 2008

Com este vinho (e mais dois, um colheita e um Porto 10 anos), o Esporão chega ao Douro. E boa hora o faz, pois projectos com dimensão e sucesso (difícil binómio no nosso país) é coisa que nunca é demais, seja onde for. Este Reserva beneficiou de muitos carinhos e, apesar de ser uma estreia, o vinho apresenta-se a um grande nível. A fruta está muito madura, sensual, viciosa até, num nariz ao qual falta apenas refinamento (que o tempo poderá proporcionar). A prova de boca - com taninos secos, e muita potência - diz-nos o mesmo, ou seja, que o melhor está para vir e que este tinto estará em forma daqui a 3 ou 4 anos. 
Mais um belo tinto do Douro, e mais um para o qual não devemos ter pressa.

17++

segunda-feira, março 05, 2012

Prova

Carrocel (t) 2006

Está em grande momento de forma este portentoso vinho do Dão. Apesar da aparência de muita extracção, apesar da cor e da intensidade, o vinho mostra-se cordato e galante. Com apenas 13,5% sugere-se (felizmente) pouco representativo da colheita e revela um lado fresco muito positivo. De resto, a marca inconfundível de uma Touriga Nacional menos evidente do que é comum é a patente de estamos perante um vinho sério, quase clássico. Falta-lhe apenas mais alguma expressão frutada na prova de boca, e é bem capaz da evolução caminhar nesse preciso sentido.

17,5

quinta-feira, março 01, 2012

Do antigamente

Duque de Bragança 20 anos e Barros 20 anos

Dois dignos representantes da categoria de Porto 20 anos num «frente a frente». Ambos engarrafados na viragem para a década de ’90 do século passado (o Ferreira em 1991 e o Barros em 1989). Ambos já sem a frescura e o refrescamento que um engarrafamento recente lhes poderia dar, mas com muitos anos em garrafa, ou seja com muito vidro. A intensidade de ambos é fantástica: super generosos na prova de nariz e de boca, sempre com ligeira vantagem para o Duque de Bragança, mais complexo no nariz, mais cheio e saboroso na boca; enfim melhor lote! Dois belos vinhos.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Prova


Quinta do Alqueve Touriga Nacional (t) 2001

A cor denota a evolução natural para os dez anos que leva. Nariz com fruta parcial e alguns aromas terciários já em evidência com predomínio para notas terrosas e outras a couro. Nada que nos perturbe a prova. Alguma frescura também, o que nos agrada. Boca acetinada, com garra, faltando apenas maior intensidade e um final mais longo.

Com uma ou outra excepção, temos gostado muito dos vários vinhos Touriga Nacional deste produtor do Tejo. Este, apesar da evolução, não foge a essa regra, ainda que os vinhos mais recentes levem algum avanço (decorrente, porventura, da própria idade da vinha).

16,5

sábado, fevereiro 25, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta dos Cozinheiros Poeirinho (t) 1998

Continua em forma este tinto. Fresco, leve, fino de boca e elegante, mas nem por isso menos complexo ou assertivo. Um bom exemplar da casta Baga num dos terroirs portugueses de maior influência atlântica. Um vinho a que podemos regressar sempre, o que só por si já é uma homenagem ao seu criador.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Curiosidade


A imagem do vinho produzido a partir de uma só casta é tão importante nos países denominados de «Novo Mundo» que, no Chile por exemplo, até aqueles vendidos em pacote nos supermercados contêm a indicação da casta.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)


Porta dos Cavaleiros (t) 1997

Um verdadeiro clássico português (um daqueles que mais se pode orgulhar de ser clássico nos vários significados da palavra), e um vinho sobre o qual não se compreende bem o afastamento do público. Se está bom? Claro que está! Pleno de vida, frescura e suavidade. Quer-se mais? Talvez, hoje procura-se o resto, mas esse resto muitas vezes é apenas componente pirotécnica. Este é daqueles tintos que não foge ao estilo directo, seco e gastronómico que tanto prezamos. Não é um vinhão. É vinho.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Vinhos do Vallado


No final do século passado, o início da nova vida da Quinta do Vallado aos comandos de Francisco Ferreira e João Alvares Ribeiro (6.ª geração da família Ferreira) era muito promissor. Os primeiros vinhos tintos do Vallado, em meados da década de ’90, prometiam alterar o paradigma do Douro acompanhando, e liderando mesmo, uma «nova vaga» de vinhos durienses que se pretendiam mais modernos. E assim veio a acontecer, sempre com a enologia de Francisco Olazabal.
Um pouco mais tarde, já com a entrada do novo milénio, tintos como os reserva de 1999 e de 2000 colocariam o nome da Quinta do Vallado no top dos produtores daquela região que mais emergia em Portugal. Prova disso é que o tinto Quinta do Vallado Reserva tinha-se tornado uma referência incontornável ao lado de vinhos como Pintas ou Qta. do Vale Meão.
Depois, foi a vez da plataforma Douroboys tomar lugar, impulsionando a marca Vallado a atravessar fronteiras e descobrir novos públicos. Uma vez agregada com outras magníficas referências durienses, o Quinta do Vallado viu, porém, alguma da sua preponderância perder-se. Veja-se, que nas quentes colheitas de 2003 e 2005, e apesar dos bons vinhos que foi capaz de colocar no mercado, tratavam-se de néctares que, em comparação com os topos do Vale D. Maria ou da Qta. do Crasto , apareciam como sendo mais rústicos e menos sofisticados. Nada que tenha feito «mossa», antes consagrando uma distinção.
Finalmente, com a alteração do lote do reserva para a colheita de 2007, e com o crescente sucesso da monocasta Touriga Nacional, um novo ciclo se iniciou. Desde de então, muitos foram os prémios e distinções - sobretudo no estrangeiro -, inclusivamente para o projecto de turismo. Veio uma nova adega e sala de barricas, e os tintos do Vallado não têm parado de impressionar, inclusivamente o Porto vintage '09 recentemente lançado e que revela uma qualidade (para muitos) inesperada.
Mas, de nós para nós, a grande revolução do Vallado é uma outra, silenciosa e menos evidente, enfim discreta como Francisco Ferreira o é: são os seus brancos, cada vez mais frescos e mais minerais. Onde antes brilhava quase exclusivamente o moscatel galego, na sua natural vertente festiva, agora os trunfos surgem na pele do branco colheita (a preço sem igual) e do branco reserva. Este último, em especial nas últimas duas colheitas, é um vinho muito sério, um belíssimo branco.
Em pouco mais de década e meia, a Quinta do Vallado passou a possuir um invejável e versátil portefólio de vinhos (de branco ao vintages), é um dos maiores sucessos lusos em mercados difíceis como a China ou a Áustralia, e os seus vinhos (que o digam os monocastas) estão quase sempre esgotados, o que se deve em muito às pontuações excelentes que têm recebido um pouco por todas as mais relevantes revistas de vinhos com perfil internacional. Por tudo isso, e sobretudo pelos vinhos, parabéns.


terça-feira, janeiro 31, 2012

Do antigamente


Quinta das Bageiras (t) 1990

Um dos primeiros vinhos do produtor Mário Sérgio Nuno (talvez mesmo o seu primeiro tinto com rótulo) e logo num ano muito positivo para a Bairrada. Vivo de cor encarnada garrafa no copo, revela aroma típico da baga, num bouquet suave de frutas vermelhas e um toque citrino da evolução. Boa prova de boca, potente e saborosa que, todavia, poderia ter mostrado um pouco mais de complexidade. Final curto.

Nenhuma razão existe para não provar este tinto de estreia de um produtor cada vez mais - merecidamente - em destaque (dos brancos aos tintos passando pelos espumantes), a não ser, talvez, o facto de não se encontrar à venda. 

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Provas

Quinta do Cerrado Encruzado (b) 2009

Mantém-se a um bom nível este Quinta do Cerrado. Menos expressivo que outros Encruzados, mas não menos mineral, é fresco, não tem excesso de peso, e acarreta um bom final de boca. Não apresenta malabarismos nem disfarces, sendo directo e franco. Encontra-se facilmente à venda em superfícies como o ECI, a preço simpático o que é outra vantagem. Poderá ser guardado por mais 2 ou 3 anos.

16,5 

quarta-feira, janeiro 18, 2012

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Burmester Touriga Nacional (t) 2009

Cativante este Touriga Nacional da Burmester, que poderíamos apelidar de um vinho de equilíbrio... equilíbrio entre generosidade na fruta e frescura activa, entre alguma extracção e um corpo delgado. Por outro lado, também, a Touriga não surge neste tinto de forma impositiva nem carregada, preferindo-se um registo mais subtil e leve. Por isso, revela-se particularmente apto a combinações gastronómicas, mesmo se consumido em novo.

Tratar-se de um lote de TN de diferentes terroirs, parte do Cima Corgo, parte do Douro Superior, pode explicar o acerto. A contensão enológica (aparentemente miníma ou minimal) pode explicar o resto, e nós agradecemos.

17,5

quinta-feira, dezembro 22, 2011

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Qta. de Foz Arouce V.V. de Sta. Maria (t) 2005


(É) Um clássico este tinto de baga da Quinta de Foz de Arouce, e lembro-me bem de algumas colheitas dos anos oitentas excepcionais. Este, de 2005, revela uma cor encarnada, ligeira (nos tempos que correm), denotanto concentração média. Comporta uma prova de nariz delicada, com fruta encarnada fresca, ligeira barrica, e algumas notas terrosas - tudo muito bom, e a um nível alto. Na prova de boca está muito definido, cheio de sabor.


Todavia, em comparação com outras colheitas, diríamos que a fruta está um pouco madura de mais e o final podia ser mais longo. Neste último capítulo, o tempo poderá ajudar. Em qualquer caso, temos um belo vinho com a certeza de o poder guardar, sem pressas, na garrafeira por mais alguns anos.


17+

quarta-feira, dezembro 14, 2011

do antigamente (ou nem tanto)

José de Sousa (t) 1997


Já lá leva quase 15 anos, e o tempo não o tratou mal. Os antigos José de Sousa já tinham a imagem de vinhos duradouros e a JMF parece apostar no seguimento desse segmento. A cor é ainda muito jovem, encarnada brilhante, longe de se encontrar tijolada. O nariz é pouco exuberante na fruta, e mostra fantásticas notas a terra trufada. A boca é fina, translúcida, mas muito saborosa, com um travo  limonado fruto da evolução. O final podia ser mais vincado, menos apto limpar o palato, mas em qualquer caso está muito bom.

Mais um bom tinto português que durou década e meia e durará ainda, pelo menos, mais 5 anos. E mais um bom tinto que deverá custar pouco a quem o encontrar à venda.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

de França

Chateau Smith Haut Lafite (t) 2002

Goza da fama de ser um dos melhores Bordéus da colheita de 2002, pelo menos em Graves e, efectivamente, está em muito boa forma este tinto. Menos elegante e fresco, é certo, do que se poderia esperar, está, todavia, irresistível no nariz com uma prova de fruto maduro excepcionalmente bem assimilada com as notas de fumo habituais da casa. Também na boca se apresenta muito exuberante, com pouca evolução, diríamos que um pouco mais sexy do que é habitual na região. Aliás, o Cabernet Sauvignon (50%) parece estar lá para a estrutura, pois, na boca, sente-se mais o Merlot (35%), com notas ligeiramente quentes, mas muito saboroso. Final também intenso, com fruta madura novamente, e a deixar algumas saudades.

Trata-se, pois, de um Bordéus de nova geração, reconvertido a uma certa modernidade sobretudo desde que, à cerca de 2 décadas, o Chateau mudou de proprietário. É o seu lado de maior volúpia que mais consegue agradar, inclusivamente ao R. Parker que não tem parado de lhe atribuir boas notas. Está muito bem para a colheita de 2002 e agradará certamente a todos os que (até em Bordéus) procuram bombas.


17

terça-feira, novembro 29, 2011

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Fiuza Premium (b) 2010


Uma fórmula de sucesso este Fiuza. Cada vez mais certeira, na relação entre acidez e corpo, temos aqui um branco que difilmente não agradará, mesmo aos enófilos exigentes. Alguma fruta, mas felizmente fresca e não excessiva, bom balanço mas não excessivamente encorpado nem untuoso. Bom final de boca, com alguma pattine. Tudo muito correcto nesta gama de preço. Um valor seguro, sobretudo junto da restauração.

16

quinta-feira, novembro 24, 2011

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Quinta do Crasto Touriga Nacional (t) 2001


Bem sei por estes tempos fica bem ser algo crítico em relação aos monocastas de Touriga Nacional. Mas não resisto, neste caso, a um elogio.


De uma das nossas melhores regiões, de uma das nossas melhores colheitas das últimas décadas, de um dos nossos melhores produtores, e, claro, de uma das nossas melhores castas... bom, de tudo isto, o vinho só podia ser (e estar) fantástico. E, 10 anos depois, está, efectivamente, num grande momento de forma. Um tinto muito jovem, quase impenetrável ainda na cor, fruta belíssima, e a notável presença acetinada na prova de boca tão típica desta casa.


Belíssimo! Assim, sim, vale a pena ter monocastas.


17,5