quinta-feira, março 01, 2012

Do antigamente

Duque de Bragança 20 anos e Barros 20 anos

Dois dignos representantes da categoria de Porto 20 anos num «frente a frente». Ambos engarrafados na viragem para a década de ’90 do século passado (o Ferreira em 1991 e o Barros em 1989). Ambos já sem a frescura e o refrescamento que um engarrafamento recente lhes poderia dar, mas com muitos anos em garrafa, ou seja com muito vidro. A intensidade de ambos é fantástica: super generosos na prova de nariz e de boca, sempre com ligeira vantagem para o Duque de Bragança, mais complexo no nariz, mais cheio e saboroso na boca; enfim melhor lote! Dois belos vinhos.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Prova


Quinta do Alqueve Touriga Nacional (t) 2001

A cor denota a evolução natural para os dez anos que leva. Nariz com fruta parcial e alguns aromas terciários já em evidência com predomínio para notas terrosas e outras a couro. Nada que nos perturbe a prova. Alguma frescura também, o que nos agrada. Boca acetinada, com garra, faltando apenas maior intensidade e um final mais longo.

Com uma ou outra excepção, temos gostado muito dos vários vinhos Touriga Nacional deste produtor do Tejo. Este, apesar da evolução, não foge a essa regra, ainda que os vinhos mais recentes levem algum avanço (decorrente, porventura, da própria idade da vinha).

16,5

sábado, fevereiro 25, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)

Quinta dos Cozinheiros Poeirinho (t) 1998

Continua em forma este tinto. Fresco, leve, fino de boca e elegante, mas nem por isso menos complexo ou assertivo. Um bom exemplar da casta Baga num dos terroirs portugueses de maior influência atlântica. Um vinho a que podemos regressar sempre, o que só por si já é uma homenagem ao seu criador.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Curiosidade


A imagem do vinho produzido a partir de uma só casta é tão importante nos países denominados de «Novo Mundo» que, no Chile por exemplo, até aqueles vendidos em pacote nos supermercados contêm a indicação da casta.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Do antigamente (ou nem tanto)


Porta dos Cavaleiros (t) 1997

Um verdadeiro clássico português (um daqueles que mais se pode orgulhar de ser clássico nos vários significados da palavra), e um vinho sobre o qual não se compreende bem o afastamento do público. Se está bom? Claro que está! Pleno de vida, frescura e suavidade. Quer-se mais? Talvez, hoje procura-se o resto, mas esse resto muitas vezes é apenas componente pirotécnica. Este é daqueles tintos que não foge ao estilo directo, seco e gastronómico que tanto prezamos. Não é um vinhão. É vinho.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Vinhos do Vallado


No final do século passado, o início da nova vida da Quinta do Vallado aos comandos de Francisco Ferreira e João Alvares Ribeiro (6.ª geração da família Ferreira) era muito promissor. Os primeiros vinhos tintos do Vallado, em meados da década de ’90, prometiam alterar o paradigma do Douro acompanhando, e liderando mesmo, uma «nova vaga» de vinhos durienses que se pretendiam mais modernos. E assim veio a acontecer, sempre com a enologia de Francisco Olazabal.
Um pouco mais tarde, já com a entrada do novo milénio, tintos como os reserva de 1999 e de 2000 colocariam o nome da Quinta do Vallado no top dos produtores daquela região que mais emergia em Portugal. Prova disso é que o tinto Quinta do Vallado Reserva tinha-se tornado uma referência incontornável ao lado de vinhos como Pintas ou Qta. do Vale Meão.
Depois, foi a vez da plataforma Douroboys tomar lugar, impulsionando a marca Vallado a atravessar fronteiras e descobrir novos públicos. Uma vez agregada com outras magníficas referências durienses, o Quinta do Vallado viu, porém, alguma da sua preponderância perder-se. Veja-se, que nas quentes colheitas de 2003 e 2005, e apesar dos bons vinhos que foi capaz de colocar no mercado, tratavam-se de néctares que, em comparação com os topos do Vale D. Maria ou da Qta. do Crasto , apareciam como sendo mais rústicos e menos sofisticados. Nada que tenha feito «mossa», antes consagrando uma distinção.
Finalmente, com a alteração do lote do reserva para a colheita de 2007, e com o crescente sucesso da monocasta Touriga Nacional, um novo ciclo se iniciou. Desde de então, muitos foram os prémios e distinções - sobretudo no estrangeiro -, inclusivamente para o projecto de turismo. Veio uma nova adega e sala de barricas, e os tintos do Vallado não têm parado de impressionar, inclusivamente o Porto vintage '09 recentemente lançado e que revela uma qualidade (para muitos) inesperada.
Mas, de nós para nós, a grande revolução do Vallado é uma outra, silenciosa e menos evidente, enfim discreta como Francisco Ferreira o é: são os seus brancos, cada vez mais frescos e mais minerais. Onde antes brilhava quase exclusivamente o moscatel galego, na sua natural vertente festiva, agora os trunfos surgem na pele do branco colheita (a preço sem igual) e do branco reserva. Este último, em especial nas últimas duas colheitas, é um vinho muito sério, um belíssimo branco.
Em pouco mais de década e meia, a Quinta do Vallado passou a possuir um invejável e versátil portefólio de vinhos (de branco ao vintages), é um dos maiores sucessos lusos em mercados difíceis como a China ou a Áustralia, e os seus vinhos (que o digam os monocastas) estão quase sempre esgotados, o que se deve em muito às pontuações excelentes que têm recebido um pouco por todas as mais relevantes revistas de vinhos com perfil internacional. Por tudo isso, e sobretudo pelos vinhos, parabéns.


terça-feira, janeiro 31, 2012

Do antigamente


Quinta das Bageiras (t) 1990

Um dos primeiros vinhos do produtor Mário Sérgio Nuno (talvez mesmo o seu primeiro tinto com rótulo) e logo num ano muito positivo para a Bairrada. Vivo de cor encarnada garrafa no copo, revela aroma típico da baga, num bouquet suave de frutas vermelhas e um toque citrino da evolução. Boa prova de boca, potente e saborosa que, todavia, poderia ter mostrado um pouco mais de complexidade. Final curto.

Nenhuma razão existe para não provar este tinto de estreia de um produtor cada vez mais - merecidamente - em destaque (dos brancos aos tintos passando pelos espumantes), a não ser, talvez, o facto de não se encontrar à venda. 

segunda-feira, janeiro 23, 2012

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Quinta do Cerrado Encruzado (b) 2009

Mantém-se a um bom nível este Quinta do Cerrado. Menos expressivo que outros Encruzados, mas não menos mineral, é fresco, não tem excesso de peso, e acarreta um bom final de boca. Não apresenta malabarismos nem disfarces, sendo directo e franco. Encontra-se facilmente à venda em superfícies como o ECI, a preço simpático o que é outra vantagem. Poderá ser guardado por mais 2 ou 3 anos.

16,5 

quarta-feira, janeiro 18, 2012

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Burmester Touriga Nacional (t) 2009

Cativante este Touriga Nacional da Burmester, que poderíamos apelidar de um vinho de equilíbrio... equilíbrio entre generosidade na fruta e frescura activa, entre alguma extracção e um corpo delgado. Por outro lado, também, a Touriga não surge neste tinto de forma impositiva nem carregada, preferindo-se um registo mais subtil e leve. Por isso, revela-se particularmente apto a combinações gastronómicas, mesmo se consumido em novo.

Tratar-se de um lote de TN de diferentes terroirs, parte do Cima Corgo, parte do Douro Superior, pode explicar o acerto. A contensão enológica (aparentemente miníma ou minimal) pode explicar o resto, e nós agradecemos.

17,5

quinta-feira, dezembro 22, 2011

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Qta. de Foz Arouce V.V. de Sta. Maria (t) 2005


(É) Um clássico este tinto de baga da Quinta de Foz de Arouce, e lembro-me bem de algumas colheitas dos anos oitentas excepcionais. Este, de 2005, revela uma cor encarnada, ligeira (nos tempos que correm), denotanto concentração média. Comporta uma prova de nariz delicada, com fruta encarnada fresca, ligeira barrica, e algumas notas terrosas - tudo muito bom, e a um nível alto. Na prova de boca está muito definido, cheio de sabor.


Todavia, em comparação com outras colheitas, diríamos que a fruta está um pouco madura de mais e o final podia ser mais longo. Neste último capítulo, o tempo poderá ajudar. Em qualquer caso, temos um belo vinho com a certeza de o poder guardar, sem pressas, na garrafeira por mais alguns anos.


17+

quarta-feira, dezembro 14, 2011

do antigamente (ou nem tanto)

José de Sousa (t) 1997


Já lá leva quase 15 anos, e o tempo não o tratou mal. Os antigos José de Sousa já tinham a imagem de vinhos duradouros e a JMF parece apostar no seguimento desse segmento. A cor é ainda muito jovem, encarnada brilhante, longe de se encontrar tijolada. O nariz é pouco exuberante na fruta, e mostra fantásticas notas a terra trufada. A boca é fina, translúcida, mas muito saborosa, com um travo  limonado fruto da evolução. O final podia ser mais vincado, menos apto limpar o palato, mas em qualquer caso está muito bom.

Mais um bom tinto português que durou década e meia e durará ainda, pelo menos, mais 5 anos. E mais um bom tinto que deverá custar pouco a quem o encontrar à venda.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

de França

Chateau Smith Haut Lafite (t) 2002

Goza da fama de ser um dos melhores Bordéus da colheita de 2002, pelo menos em Graves e, efectivamente, está em muito boa forma este tinto. Menos elegante e fresco, é certo, do que se poderia esperar, está, todavia, irresistível no nariz com uma prova de fruto maduro excepcionalmente bem assimilada com as notas de fumo habituais da casa. Também na boca se apresenta muito exuberante, com pouca evolução, diríamos que um pouco mais sexy do que é habitual na região. Aliás, o Cabernet Sauvignon (50%) parece estar lá para a estrutura, pois, na boca, sente-se mais o Merlot (35%), com notas ligeiramente quentes, mas muito saboroso. Final também intenso, com fruta madura novamente, e a deixar algumas saudades.

Trata-se, pois, de um Bordéus de nova geração, reconvertido a uma certa modernidade sobretudo desde que, à cerca de 2 décadas, o Chateau mudou de proprietário. É o seu lado de maior volúpia que mais consegue agradar, inclusivamente ao R. Parker que não tem parado de lhe atribuir boas notas. Está muito bem para a colheita de 2002 e agradará certamente a todos os que (até em Bordéus) procuram bombas.


17

terça-feira, novembro 29, 2011

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Fiuza Premium (b) 2010


Uma fórmula de sucesso este Fiuza. Cada vez mais certeira, na relação entre acidez e corpo, temos aqui um branco que difilmente não agradará, mesmo aos enófilos exigentes. Alguma fruta, mas felizmente fresca e não excessiva, bom balanço mas não excessivamente encorpado nem untuoso. Bom final de boca, com alguma pattine. Tudo muito correcto nesta gama de preço. Um valor seguro, sobretudo junto da restauração.

16

quinta-feira, novembro 24, 2011

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Quinta do Crasto Touriga Nacional (t) 2001


Bem sei por estes tempos fica bem ser algo crítico em relação aos monocastas de Touriga Nacional. Mas não resisto, neste caso, a um elogio.


De uma das nossas melhores regiões, de uma das nossas melhores colheitas das últimas décadas, de um dos nossos melhores produtores, e, claro, de uma das nossas melhores castas... bom, de tudo isto, o vinho só podia ser (e estar) fantástico. E, 10 anos depois, está, efectivamente, num grande momento de forma. Um tinto muito jovem, quase impenetrável ainda na cor, fruta belíssima, e a notável presença acetinada na prova de boca tão típica desta casa.


Belíssimo! Assim, sim, vale a pena ter monocastas.


17,5

segunda-feira, novembro 21, 2011

Do antigamente

Grão Vasco Garrafeira (t) 1994

Quem se lembra dele? Nós sim, e dele gostamos, claro! Produzido com uvas da Quinta dos Carvalhais (mas sem essa indicação expressa), e com o rigor conhecido do produtor (que teima em ter sempre bons vinhos de guarda), temos aqui um tinto que merece muito respeito. Cor encarnada no copo - belíssima para idade -, nariz subtil, elegante, sem domínio de castas e muito menos da madeira. A prova de boca é aveludada - como os bons Dão devem ser -, esguia e muito saborosa.

Está ainda em forma, pelo que se aguentará mais meia década mas não ganhará mais com o estágio. Beba-se por ora (mas sem muitas pressas) e dará muito prazer. Um belo Dão!

quinta-feira, novembro 17, 2011

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Quinta das Bageiras Reserva (esp.) 2001

É bem bruto este espumante natural e isso agrada-nos. Apesar de Portugal ter que percorrer (ainda) algum caminho neste tipo de vinhos (a nossa média anda longe da de Franciacorta e de Champagne), dúvidas não existem que temos alguns bons espumantes. A Quinta das Bageiras é uma das casas que teima em manter uma produção constante de espumantes nas várias gamas, sempre com qualidade e preços sensatos (coisa cada vez mais rara nos espumantes nacionais). Os vinhos de entradas são simpáticos e gastronómicos, os velha reserva são vinhos sérios e do melhor que se faz por cá.

Este espumante sem dosagem, da colheita de 2001, mostrou-se cheio de vigor e seco como é típico do produtor, bolha persistente (não necessariamente fina), e cheio de aromas e sabor. Um bom espumante para todas as ocasiões, mas, claro está, melhor se acompanhar umas lagostinhas.

16,5

segunda-feira, novembro 14, 2011

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Quinta do Ameal (b) 2008


São sempre vibrantes, frescos e estaladiços os vinhos Quinta do Ameal. Os da gama Escolha são mais ainda: são envolventes, complexos e com longevidade quase sempre garantida (por vezes imitando alguma oxidação). A colheita de 2008 sugere-se excepcional (como noutros verdes, por sinal) e está mais mineral e refrescante que nunca. Uma das melhores expressões da casta Loureiro!


Um vinho fino (não confundir com Porto), belíssimo na elegância, a provar nos próximos 5 anos com uma salada de vieiras ou, daqui a 10, com uma salada de queijo cabra não excessivamente forte.


17++

sexta-feira, novembro 11, 2011

Do antigamente

Ferreirinha Reserva (t) 1994


Continua jovem, muito jovem este tinto com treze anos. Tanta é a força da juventude que o seu final (ao contrário do que é habitual na casa) é algo seco e precipitado, apesar de saboroso. De resto, tudo a um nível muito alto: fruta - encarnada - ainda plena, integração total da barrica, muito prazer na boca, potente e sedutora, alguns taninos presentes ainda. Só o final podia ser melhor. Mais uma prova (são precisas mais?) da longevidade destes tintos da Ferreira (os das décadas de 80 e 90 estão quase todos bons).

De nós para nós, filosofando um pouco, preferimos (dir-se-ia, naturalmente) os Vintages de 1994 aos de 1995, assim como preferimos (talvez de forma menos evidente) os tintos de mesa do Douro de 1995 aos de 1994. O que fazer?

quarta-feira, novembro 02, 2011

De Itália


Topo de gama da casa familiar 'Moris Farm' este é um dos melhores morellino scansano que provámos, uma das castas em erupção na Itália (no fundo, trata-se de um clone de Sangiovese adaptado ao clima mais quente de Meremma, no sul da Toscana).

Apresenta camadas de fruta madura, uma definição de total precisão no fruto (muito bonito, diga-se), meia concentração, corpo de cetim a lembrar alguns australianos de topo, e bastante elegância no final. Não é o nosso tinto favorito da Toscana - longe disso (nós que preferimos os Chianti Clássico Riserva) -, mas é um tinto muito bem composto e que impressiona os sentidos. Irá melhorar nos próximos 5 anos, mas não parece tratar-se de um vinho de guarda. O preço não exagerado, a menos de €30 (se adquirido em Itália), é uma vantagem para quem quer conhecer um tinto da sub-região conhecida por ser a Califórnia da Itália.

17

segunda-feira, outubro 31, 2011

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Batuta (t) 2003

O ano foi de muito calor, e alguns vinhos têm indesejáveis notas de passa. Este não. Este Batuta, de uma vinha muito velha, está muito floral, e ainda com fruta negra também. A madeira, de luxo diga-se, está integrada, e até o final se apresenta elegante. Só a acidez não muito alta, e alguns taninos doces, tirarão alguns anos de vida, mas, em qualquer caso, eu guardaria umas garrafas por mais meia década a ver o que de lá sairá. Não é o melhor Batuta, é certo, mas mantém-se um belo tinto do Douro.

17,5

PS: provámos este fim-de-semana no EVS o Batuta (t) 2001 (na prova - verdadeiramente - especial liderada por Luís Lopes com os topos de gama de 2001) e recomenda-se muito. Esse sim, durará mais alguns bons anos em garrafa.