quinta-feira, julho 21, 2011

Novidade

Bafarela (R) 2010

Este é um Bafarela que destoa dos restantes. É muito jovem (2010), é rosé, e é muito menos alcoólico do que os seus irmãos tintos. Nada a opor, bem pelo contrário!

Tem muita fruta – bem definida e persistente – o que não fica mal num vinho de Verão desde que seja leve e fresco também, o que acontece. Acresce que não é dispendioso e fará óptima companhia a grelhados, sejam sardinhas sejam febras ou entremeada.

Em suma, prove-se e beba-se, à vontade.

15

segunda-feira, julho 18, 2011

Provas

Passadouro Reserva (T) 2004

Continua como estava há meia década quando o provámos pela primeira vez: muito escuro, de perfil químico (tinta-da-china), lácteo e, pois claro, "fechado a sete chaves". Mas tem frescura, e mostra já um final de boca muito interessante. Ainda não sabemos se é um diamante por lapidar ou apenas um tinto que tem dificuldades em evoluir. A ver vamos...

16,5++

quarta-feira, julho 06, 2011

Prova especial

Qta Vallado Res. '06 vs. Encostas do Tua Res. '06

Dois bons vinhos duriense de uma colheita menos boa. Dois bons vinhos tintos do Douro mas de terroirs diferentes com vários quilómetros entre si (a Quinta do Vallado no Cima Corgo e o Vale da Corça no Douro Superior). O Vallado esteve mais subtil, mais elegante, com um belo trabalho nas barricas (fumados e especiarias várias), mantendo um perfil severo ainda que ligeiramente rústico no final de boca (16,5). O Encostas do Tua, revelou-se mais generoso na fruta, mais evidente na utilização da barrica, guloso e sedutor (16,5). É difícil encontrar um vencedor claro, e tudo dependerá do gosto pessoal, apesar do Vallado, por ora, se beber melhor e mostrar-se ligeiramente mais gastronómico.

quinta-feira, junho 30, 2011

Provas

Esporão Petit Verdot (t) 2008

Não é primeira vez que escrevemos que os vinhos alentejanos do Esporão estão cada vez melhores, pelo menos a gama Vinha da Defesa (óptimo o rosé das últimas duas edições), os Private Selection (melhor o tinto que o branco), e a nova colecção de monocastas.

Nestes últimos, o salto qualitativo foi, mesmo, impressionante. E as versões de 2008  (o segundo ano da "nova vida" dos monocastas do Esporão, mais selectos e exclusivos do que no passado e com upgrade imagem) que agora foram apresentadas não desiludem em face das versões apresentadas na colheita de 2007, revelando a consistência que a marca Esporão costuma proporcionar.

Das versões de 2008, destacamos o Petit Verdot (PV). E assim o fazemos não tanto (ou melhor, não apenas) pela casta estar cada vez mais em voga (de súbito, lembramo-nos de pelo menos meia dúzia de PV espalhados de Beja a Alenquer), mas sobretudo pelo enorme equilíbrio conseguido neste tinto de grande precisão. Não é tão verdasco quanto o Alicante Bouschet (que se mantém potente e fresco) e não é tão exuberante quanto o Touriga Nacional (mais uma óptima versão, disputando o pódio de melhor touriga da planície). Acresce que é melhor que o Syrah, talvez o tinto menos conseguido dos monocastas, por ser algo morno, apesar da sensualidade que emana a cada gole.

Em suma, se no ano passado ficámos radiosos com a qualidade do Aragonês e do Touriga Nacional, este ano é sobretudo o PV a fazer-nos a delícia, apesar de os restantes revelarem, igualmente, uma qualidade muito elevada (incluindo um simpático Verdelho de 2010).

Com os monocastas do Esporão a continuarem assim - na qualidade e no preço ajuizado - a procura por vinhos de uma só casta não vai desaparecer tão depressa…

17

quarta-feira, junho 22, 2011

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Quinta do Soque Vinhas Velhas (t) 2008

Mais uma demonstração do que as vinhas mais velhas do Douro podem proporcionar, desde que estejam no local certo, em boa saúde, e o produtor não se preocupe com a pouca produtividade.

A prova no nariz começa fechada, com aromas muito profundos a notas de fruta madura mas muito longe de serem doces. Algum grafite e notas de fumo, também. Na boca mantém o regiso fechado, duro, fresco e com taninos que se revelam em cada esquina mas sem agredir o provador. E esta é outra maravilha das vinhas mais velhas, é permitirem vinhos polidos e muito complexos ainda que também sejam poderosos e intensos ao mesmo tempo.

É um vinho que pede comida, decante, e um copo tipo-borgonha. Ou seja, é um vinho para começar a provar daqui a 5 anos e guardar uma ou duas garrafas para daqui a 15 anos vermos o que lá está. São vinhos destes que o Douro também precisa. E este pode vir a ser um clássico.

17++ 

segunda-feira, junho 20, 2011

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Brancos da Herdade do Rocim

Trata-se de dois brancos: um, o reserva, já no mercado há alguns meses, o outro, entrada de gama, a sair por estes dias. Começando por este, o Rocim (b) 2010 é um vinho simples, frutado e directo (14,5), pelo que não temos dúvidas em afirmar que é o Reserva que interessará mais ao enófilo e ao curioso.

O Olho do Mocho Reserva é um monovarietal Antão Vaz, casta branca em que muitos produtores alentejanos apostam. Apesar de registarmos a evolução positiva das mais recentes propostas produzidas a partir desta casta, julgamos ser ainda preciso abandonar a opção por estágio integral em madeira nova, e o uso de tostas agressivas em especial no carvalho americano.

Este Olho de Mocho Reserva (b) 2009 é paradigmático do que acima dissemos - é um bom vinho, com a casta a mostrar as suas virtudes (boa complexidade, boa estrutura e corpo), está fresco e com acidez muito interessante (16). Peca apenas a prova de nariz algo doce e o toque a baunilha no final de boca que preferíamos que não existissem. Melhorando esses aspectos (que são praticamente transversais à maioria dos 100% Antão Vaz), julgamos que a nova geração de brancos a partir de Antão Vaz - liderado por este Olho de Mocho Reserva - pode trazer ainda mais sucesso aos produtores alentejanos. 

quinta-feira, junho 09, 2011

Prova especial

Warre's Vintage (p) 1963

Servido em magnum. Ligeiramente com menos garra que a média das provas do Dow's Vintage do mesmo ano, mas muitíssimo elegante. A cor mantém-se aguerrida, num tom encarnado claro, mas ainda longe das matizes de cobre. Grande expressão aromática, sem vinagrinho, doçura muito bem controlada (i.e., não excessiva) na prova de boca, e um final estonteantemente longo.

É um grande Porto em perfeito momento de consumo. Por outras palavras, é um grande vinho em qualquer lado do Mundo!

18,5

segunda-feira, junho 06, 2011

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Reserva-do (t) 2005

Mais um produto do projecto "Altas Quintas", este reserva-do diz-se ser o topo de gama em anos nos quais o perfil do vinho não é exactamente o pretendido para o outro topo de nome Obsessão. Confessamos que ficámos um pouco confusos, pois se é verdade que o vinho não consegue chegar ao nível - muito alto, diga-se - do Obsessão (t) 2004 (ver a prova aqui), também é verdade que não conseguimos detectar um perfil diferente.

E isto porque mantém o estilo fresco, seco, e vigoroso. De início fechado, abre-se aos poucos em matizes de fruta maduro mas pouco doce, notas a terra com destaque para túbaras do alentejo. Na boca continua fresco, de boa amplitude, sem peso excessivo e com um final em construção que irá melhorar certamente. Um vinho muito bom, para guardar, pelo menos, mais 10 anos.

Em suma, nomes à parte - preferimos a designação "reserva-do" a de "obsessão" - temos um vinho de grande qualidade, fresco e poderoso. 

17+ 

quinta-feira, junho 02, 2011

Soalheiro (b) 2005 & Muros Antigos (b) 2002

São brancos que reluzem. Belos brancos, sem estágio em madeira e com vários anos em garrafa. Melhor ainda, são baratos para a qualidade que têm.

O primeiro que provámos foi o Soalheiro (b) 2005, claramente a melhor edição da última década. Guardada desde a sua aquisição no início de 2006, revelou-se com cor amarela clara ainda não muito carregada, sem nenhum tique tropical no nariz, e bastante mineral na prova de boca, ainda com capacidade de evolução. O final de boca esteve mesmo em destaque, prolongadíssimo, muito acima da nossa memória dele há 5 anos atrás (17).  Mas melhor surpresa ainda foi o Muros Antigos (b) 2002, que, apesar da cor já marcadamente amarela, se apresentou perfeito à prova. Muito mineral no nariz, ligeiro amargo na prova de boca com vegetal verde (couve/espargos), e enorme acidez. Um belíssimo verde, sério e contido, com quase uma década de garrafa (17).

Não temos dúvidas: é guardá-los!
Dois óptimos brancos em grande fase por uma bagatela de euros.

PS: na foto, riedel com Soalheiro (b) 2005 num fundo de um quadro de Maria d' Aires.

segunda-feira, maio 30, 2011

Prova especial

Roriz contra Roriz

São poucos os (a)casos de colheitas de 2000 melhores que as de 2001. Sobretudo no Douro. Mas aconteceu-nos faz pouco tempo com dois Roriz Reserva. Claro que os tintos de Roriz (magnífica a quinta, dizê-lo não gasta nem cansa) nunca foram de seguir modas e sempre baralharam as contas... Por isso não se estranha que tenha saído tudo ao invés: mais duro o 2000, mais cansado o 2001; com taninos mais sólidos o 2000; menos fresco o 2001. Ambos bons (mas talvez não muito bons), mas não são vinhos de guarda. Prove-se e beba-se agora, de preferência em parelha, que darão prazer.

quinta-feira, maio 26, 2011

Troika de Brancos de 2009

A verdadeira Troika dos vinhos brancos nacionais, sem contar com um ou outro verde minhoto que poderia estar incluído. O Primus (b) 2009 é um vinho de precisão incrível, um vinho de harmonia e força, pleno de mineralidade. O Guru (b) 2009 não tem parado de melhorar em cada uma das últimas edições e está nesta versão incrivelmente fresco e complexo, sem marca de madeira. O Foz d' Arouce (b) 2009 é directo, muito saboroso e profundamente subtil.

Que bela Troika!

segunda-feira, maio 23, 2011

de França

Château Pichon Longeville
Contesse de la Lalande (T) 1988

Belíssimo Pauillac este clássico Pichon Lalande, um dos melhores "super segundos" de Bordéus (grupo restrito de vinhos que, sendo 2ème Cru-Classé, são fantásticos). E em forma também! Não sendo o '82, este '88 mostra-se a dar cartas e o preço pode compensar. Cor muito escura, nariz muito preso de início. Depois de muita decantação, mostra os pergaminhos da região: revela-se forte, potente, incrível para as mais de duas décadas que já leva! Não se consegue distinguir qual a casta mais presente, até porque o Merlot aqui não é apenas residual. Apesar do estilo potente, os anos trouxeram-lhe elegância e prolongaram-lhe o final com taninos saborosos. Um vinho (per)feito, e um vinho (per)feito para durar, pelo menos, mais meia década. Para o '82, que ainda não provámos, veja-se aqui (e pelo vistos confirma a fama).

18

quarta-feira, maio 11, 2011

de Itália

Fontodi Case Via (T) 2003

Não podemos ter meias-palavras. Há que dizê-lo: deveríamos ser capazes de fazer um Syrah assim em Portugal, mas não o fazemos ou, pelo menos, nós ainda não o provámos. É certo que este Case Via chega-nos da casa Fontodi, uma das clássicas das colinas centrais da Toscana, mais conhecida pelo seu topo de gama Sangiovese ("Flaccionello", um dos favoritos de Robert Parker), mas nunca esperámos que este Syrah fosse tão bom. 

Apesar de 2003 ter sido uma colheita muito quente na Toscana - tal como o foi em quase todas as regiões portuguesas - chega-nos um vinho muito pouco sobremaduro. Claro que é poderoso e algo rústico - fruta decadente, aromas a cogumelos e terra, a carne, algum químico e ligeiríssimo animal -, mas sempre sem perder o equilíbio e a proporção e, muito importante, sem perder frescura (coisa que parece impossível pois, no Verão de 2003, a zona central da Toscana atingiu temperaturas muito superiores a 40º durante vários dias seguidos). É certo que é um vinho bem desenhado, mas tem mais: tem carácter (apesar da casta ser importada de França) e tem outra qualidade também, a sua complexidade, qualidade tão difícil de encontrar nos "espécimes Syrah" nacionais. A boca é sedosa e sublime - a verdadeira sedução dos vinhos italianos! -, com os seus taninos maduros muito saborosos.

Não, este não é um texto de quem está desgostoso relativamente aos Syrah produzidos em Portugal. Pelo contrário! Este é um texto de quem esperança, sim esperança que alguns dos grandes produtores e enólogos nacionais provem este tinto e o tentem imitar.

17,5+

sexta-feira, maio 06, 2011

Um texto político

Meias garrafas de champagne refrescadas rapidamente num saco de plástico com muito gelo e água. Truque barato mas eficaz. Também o Mumm, não muito caro e longe de ser um nosso preferido, revelou-se eficaz na arte de agradar sem impor complexidade(s). 

Ainda há momentos assim. Haja vida para eles, mesmo com o FMI dentro de casa.

segunda-feira, maio 02, 2011

David Lopes Ramos


Conheci pessoalmente o David Lopes Ramos apenas em 2009 apesar de há muito seguir as suas crónicas gastronómicas. Primeiramente pareceu-me sereno, tímido até, e ligeiramente distante. Numa segunda volta, logo percebi que a serenidade era a sua matriz, e que a referida distância era apenas uma ilusão - na verdade, revelou-se sempre muito amável e incrivelmente cordial para mim, um seu admirador.

Lembro-me de uns rissóis de camarão que provámos no Panascal num dia de sol de Inverno. Adorei-os e disse-lhe que os achava fantásticos; respondeu-me que eram realmente bons, que tinham sido preparados pela cozinheira da quinta (que ele conhecia), e que o segredo talvez fosse o caldo (o David era louco por caldos...). Por mais do que uma ocasião voltámos a falar sobre esse dia de Inverno magnífico no Douro e, claro, sobre esses rissóis de camarão - a última circunstância em que nos lembrámos disso foi nos prémios da Revista de Vinhos faz 2 meses, quando calhámos, mais uma vez, na mesma mesa. Infelizmente, foi a última vez.

Que grande tristeza a sua morte.

Os mais sinceros pêsames à família, sobretudo a sua mulher que também conheci, e à filha.

NOG

sexta-feira, abril 29, 2011

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Pedro & Inês (T) 2004

Um vinho diferente no portefólio do grupo Global Wines/Dão Sul que agrega marcas e quintas como Cabriz, Quinta das Tecedeiras, Quinta do Encontro, entre outras, inclusivamente fora de Portugal. Um vinho do Dão produzido a partir das castas Baga e Alfrocheiro, ou seja um quase abraço do Dão à Bairrada. Um vinho que gostámos por ser fresco e ligeiramente taninoso com a casta Baga a mostrar "os dentes".

Em prova, revelou um bouquet elegante, a mostrar evolução, numa (an)dança floral com notas de framboesas, morangos pouco maduros e especiarias. Boca de perfil fino - tipicamente da região -, não opolento, mas com  uma acidez muito vincada - tipicamente da Baga - e taninos rijos. Pode ser mantido na garrafeira pelo menos por mais 4 anos.

Não sendo um clássico, é um produto muito interessante, até pelo carácter gastronómico (não por acaso foi feito a pensar na carta de vinhos do restaurante da Quinta das Lágrimas em Coimbra). A nosso ver, é um dos vinhos com mais alma de todo o extenso portefólio do grupo Global Wines/Dão Sul.

17

domingo, abril 17, 2011

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Bétula  (B) 2009

A versão inaugural deste branco duriense não foi bem recebida pela crítica, o que acabou por ser natural, pois, apesar de enologicamente impecável, não conseguia justificar a escolha das castas Sauvignon Blanc e Viognier (em detrimento de boas castas brancas nacionais), nem se apresentar fresco, sobretudo para um ano temperado como foi o 2008. Tinha, é verdade, aspectos curiosos - a "tensão dialéctica" das castas francesas, conforme referimos na altura aqui - mas, à parte desse carácter didáctico, era um branco ao qual faltava leveza e frescura.

O produtor não desistiu todavia, e ainda bem, pois a versão de 2009 está alguns pontos acima. O que não nos deixa de surpreender, uma vez que o ano de 2008 foi, em regra, bom para brancos, em muitos casos melhor mesmo que o 2009. Assim sendo, qual a razão para esta segunda edição se apresentar tão mais fresca que a anterior? Que motivo pode explicar que, com as mesmas castas, se apresente tão menos marcada pelo peso da casta Viognier? A verdade é que não temos respostas para estas questões, mas isso não nos impede de chegarmos a uma conclusão: o Bétula, na versão de 2009, está bom e merece prova - é fresco, não é excessivo na componente frutada, e tem alguma profundidade. Mostrou-se, inclusivamente, apto a acompanhar com classe um prato de peixe grelhado.

É caso para dizer que, sabendo o produtor e o enólogo (este em especial que não é novato nestes andanças...) que a versão de 2009 estava assim tão acima da anterior, a de 2008 deveria ter ficado na adega, ou vendida a granel se a questão era financeira, nem que fosse para não (nos) confundir.

16,5

quarta-feira, abril 06, 2011

Porto

Quinta da Costa das Aguaneiras vintage (P) 2005

O mercado de vinho do Porto de qualidade tem sido dominado, sobretudo quando falamos em vintages, pelas ditas "casas inglesas" como seja os importantes grupos Symington Family Estates  (Dow's, Graham's, Warre's, Qta do Vesúvio) e Taylor Fladgate (Taylor's, Fonseca, Qta da Roêda). Em casos mais residuais, algumas quintas têm conseguido algum sucesso com os seus vintages, mas muito devido à fama dos seus vinhos de mesa - Vale Meão e Pintas são disso bom exemplo, como o era também o vintage da Quinta de Roriz, entre outros.

Todavia, existe um universo extenso de produtores por descobrir, muitos deles tradicionais e com preços competitivos. Um desse casos é este Quinta da Costa das Aguaneiras que devemos a um produtor ligado ao projecto Lavradores da Feitoria com o vinho DOC Quinta da Costa. Pois bem, este vintage portou-se de forma muito positiva em prova.

Macio e quente, revelou-se mais apto a um consumo imediato do que a uma guarda prolongada, lembrando por isso um LBV, mas isso não o prejudicou. Muito saboroso, imponente na estrutura e no equilíbrio, foi uma confirmação que somos um país de vinhos fortificados e que não temos que comprar sempre as mesmas marcas. Dos vários vintages lançados pelo produtor nos últimos anos (e provámos os últimos 4), o que mais nos marcou foi este de 2005, pela maior complexidade e garra na prova de boca. Em suma, um óptimo Porto vintage com capacidade para melhorar em garrafa nos próximos 5 anos.

17

terça-feira, março 29, 2011

de França

Château Giscour (T) 1982

Terminamos uma pequena viagem por alguns tintos bordaleses com este Giscour, um clássico Gran Cru Classé (3.º cru) de Margaux. Fruto de uma colheita mítica, e produzido a partir de Cab. Sauvignon e Merlot, mais um pouco de Petit Verdot e Cab. Franc, está "muito bom e recomenda-se" mas não deu uma prova tão surpreendente quanto este e este. No fundo, o que queremos dizer, é que está tudo como se imagina num Bordéus de uma grande colheita: ainda frutado, com boa prova de boca, sensual e complexidade em alta.

Só lhe sentimos falta (será mesmo possível dizer que lhe falta algo?) daquela "qualquer coisa" de excepcional ou de surpreendente que não conseguimos, em concreto, saber descrever. Pode ser que seja por provir de Margaux que, com sinceridade, não é a nossa apellation favorita de Bordéus; ou pode ser pelo facto de - como os especialistas afirmam (Parker deu-lhe apenas 85 pontos) - os vinhos do Château Giscour verdadeiramente deliciosos terem surgido apenas na década de '90; enfim, não sabemos ao certo...

De resto, denota cor fantástica para a idade, corpo firme, aroma típico da região com fruta bonita evoluída e uma ligeira nota terrosa que ajudou muito no wine paring com comida. Um belo vinho sem qualquer dúvida, um belo Margaux clássico, e ainda com alguns anos de vida. Para um interessante vídeo com a prova do vinho sigam para aqui.

17-17,5

quinta-feira, março 17, 2011

Do antigamente

Coop. Cantanhede Garrafeira (T) 1990
1.º prémio adegas coop.

Mais um Bairrada. Mais uma colheita de 1990. Mais um óptimo vinho. Muito frutado, e até ligeiramente mais doce que os seus comparsas da região, está, em qualquer caso, um "senhor vinho". Muito aprumado, desenhado pela enologia a regra e esquadro, melhorado pelo estágio em garrafa, está redondo e macio. Por outras palavras, está sem arestas, como vulgarmente também se diz.

O carácter dos tintos da Bairrada sente-se, mas não se impõe - uns dirão que lhe falta alguma autenticidade, a nós parece-nos bastante bem. Até pelo preço pois, se o encontrarem, é provável que o vendedor não tenha "lata" para pedir mais do que 10 € ou 15 € por uma garrafa, e vale bem esse dinheiro. Mais uma demonstração que os Bairradas quando bem feitos e assentes em Baga duram, com saúde, pelo menos 20 anos.

Neste caso - e provámos duas garrafas -, a framboesa doce que apresenta no nariz (mais doce do que é habitual para a região, como já referimos) poderá confundir o provador menos atento; faça, por isso, uma brincadeira, e comece por insinuar aos seus convidados que é um Bordéus da margem direita num ano quente...