segunda-feira, junho 21, 2010

Novidades

Novos lançamentos dos projectos de Rui Reginga:

A par de consultadorias e parcerias um pouco por todo o planeta - das quais destacamos 'Quinta dos Roques' (Dão), 'Lima Mayer' (Alentejo), 'Weinbau Wenzel' (Burgenland)  e 'Fabre Montmayou' (Mendoza) - o talentoso enólogo Rui Reguinga encontra ainda tempo para pequenos projectos pessoais domésticos. Desses, os seus brancos estão acima da média nacional, e o tinto Terrenus Reserva mantém o estatuto de grande tinto português na sequência da magnífica colheita de 2004.

Primeira Paixão (B) 2009: Gostámos mais do que da edição anterior ('08), sobretudo na prova de boca, mais complexa e saborosa. De resto, mantém-se fresco, "crispy", e levemente mineral, final mediano. Para beber nos próximos 2 a 3 anos (se conseguir, a acompanhar umas lapas grelhadas...). 16,5-17

Terrenus (B) 2009: Ligeiro fumado, e alguma caruma, no aroma a lembrar a madeira de alguns brancos da Borgonha. Mineral, persistente, muito gastronómico. Um estilo muito elegante e felizmente longe dos vinhos brancos que apenas sabem e cheiram a fruta. Muito bem! Para beber nos próximos 5 anos. 17

Terrenus (T) 2008: Nariz com referências a pólvora e fruta encarnada. Boca fresca, saborosa, corpo mediano e final bem conseguido. Um belo vinho, com um estilo moderno mas sem perder personalidade e até alguma rusticidade. Para beber nos próximos 5 anos, pelo menos.16,5

Tributo (T) 2008: Mantém o estilo  de 'Côtes du Rhône' mas com um cunho pessoal, neste caso mais virado para a elegância e com mais frescura. Corpo relativamente esguio, saboroso e final delgado - não é defeito, é mesmo feitio. Gastronómico e muito elegante. Para beber nos próximos 7 anos, pelo menos. 17+ 

Terrenus Reserva (T) 2007: Um dos melhores tintos nacionais. Cheio de carácter, profundo no aroma e poderoso na boca sem excessos frutados ou de barrica. Um vinho com um final de boca memorável e um hino às vinhas velhas da Serra de S. Mamede! Para beber nos próximos 10 anos, pelo menos (o '04 continua em forma!) 18++


sábado, junho 19, 2010

de Espanha

Neo (T) 2005

Mais um projecto recente à procura de fama e de proveito que nos chega de uma das regiões mais badaladas de Espanha - "Ribera del Duero". Todavia, ao contrário de outros da região, este tinto não é de excessos, nem mesmo no uso da barrica que não chega a "tapar" o belíssimo fruto negro que revela na prova de nariz.

De resto, está quase opaco na cor, mostra-se muito concentrado mas com alguma elegância, tem taninos saborosos (parece-nos, aliás, ser este o ponto alto deste tinto) e um bom final de boca. Tudo isto contribui para um conjunto moderno e sedutor, ao qual apenas falta alguma complexidade (talvez o tempo em garrafa ajude nesse aspecto). Entre os € 25 e os € 30 cada botelha, pode encontrá-lo no clube WinePT.

17 

quinta-feira, junho 17, 2010

Prova especial

Château d'Yquem (B) 1999

Logo no final da colheita, os peritos em "botrytis" foram categóricos em afirmar que 1999 seria um ano mau para o Château d'Yquem. Nós, que não o provámos aquando do seu lançamento, gostamos dele agora, pois apresenta-se, na prova de nariz, com boa complexidade e muita elegância, faltando talvez alguma profundidade para aquele que é, sem dúvida, o rei dos vinhos doces de Sauternes.

A prova de boca é sedosa e envolvente, com uma doçura cristalina que não aborrece (tão diferente de tantos) e um final de boca médio/longo. Ao contrário de outros anos, a "botrytis" não está muito evidente, mas o vinho consegue manter-se gracioso mesmo na quase ausência de tal vital característica, muito devido, a nosso ver, à evolução que já leva em garrafa.

Um vinho doce que marca um estilo copiado em todo o planeta e, em alguns casos, copiado com sucesso. Num momento em que é já possível provar mais de dezena e meia de brancos doces/colheitas tardias produzidos em Portugal, este é, claramente, um vinho a não perder (apesar de sugerirmos uma colheita melhor que esta de 1999, como seja a de 1988, bastante mais cara também). Considerado como o par perfeito do foie gras, nós preferimo-lo a acompanhar uma fatia de tarte de maçã na sobremesa, sobretudo na versão, também francesa, de Tarte Tatin.

17

terça-feira, junho 15, 2010

Restyling
Passados cinco anos e dois meses desde a "debut", eis o Saca a Rolha com o seu primeiro facelift. Se fossemos uma empresa fabricante de automóveis, diríamos que não era propriamente um novo modelo, antes um singelo restyling.
NOG

domingo, junho 13, 2010

Provas especiais


Apresentação novidades IWA

Como vem sendo habitual, o grupo de produtores IWA apresentou as suas recentes novidades num evento, cada vez mais bem organizado, no Hotel Ritz (Lisboa). Para saberem um pouco de tudo o que lá se passou, e como as revistas da especialidade só falarão do evento quando saírem nas bancas daqui a umas semanas, visitem, entretanto, os blogs do Rui, do João Rico, e do Miguel. Aí, poderão encontrar textos bem escritos e fotos bem tiradas. Ao invés, da nossa parte, e à parte da (tentativa de) fotografia que colocamos no canto superior direito deste texto (e pela qual pedimos desculpa ao Domingos Alves de Sousa, a quem ficamos a dever "royalties" pela utilização da sua imagem), ficam apenas breves opiniões e recomendações necessariamente pessoais. A saber:

  • Remendamos todos os brancos de 2009 da Quinta dos Roques, conhecido produtor do Dão que melhora o nível dos seus brancos cada ano que passa. O nosso destaque deste ano segue para o "Quinta dos Maias (B) Malvasia 2009", a Malvasia mais mineral que já provámos e, como vem sendo habitual, para o já clássico "Quinta dos Roques (B) Encruzado 2009", complexo como sempre e que irá envelhecer graciosamente (actualmente o 2007 está perfeito e tem ainda muito para andar na cave).

  • Recomendamos, de igual forma, os brancos de 2009 da Quinta do Ameal, vinhos da casta Loureiro deliciosamente gastronómicos, tanto nas versões "unoaked" como nas com madeira. Também se sugere prova atenta ao "Ameal Special Harvest 2007", mais um branco doce (curioso no perfil, por ser diferente do habitual, e com bela acidez) para enriquecer a cada vez maior oferta nacional neste tipo de vinho.

  • Sugerimos, igualmente, os tintos da Casa de Cello - com destaque para o "Quinta da Vegia Reserva (T) 2007" -, néctares do Dão elegantes, e generosos tanto na fruta e como na componente floral, agora com nova imagem na garrafa. Também se recomendam os brancos deste produtor, feitos na região de Amarante, caso do "Quinta de Sanjoane Escolha (B) 2004" (um branco em óptima evolução) e, num perfil diferente, o "Quinta de Sanjoane Superior (B) 2007".

  • Do produtor duriense Alves de Sousa, não hesite em caso algum adquirir (se conseguir pois não são acessíveis...) umas garrafas do "Abandonado (T) 2007", um vinho fantástico, a melhor edição de sempre desta vinha extraordinária, e não perca também, mas agora apenas para os fãs incondicionais de tintos com Touriga Nacional em evidência, o potentíssimo e garboso "Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo (T) 2007", uma autêntica bomba se provado nesta fase.

  • Finalmente, do bairradio Luís Pato, destacamos dois tintos, o "Quinta do Ribeirinho Pé Franco (T) 2008" e o "Vinha Pan (T) 2008" - dois vinhões na enorme complexidade que já exibem -, bem como as novidades "moleculares", dois abafados da colheita de 2009, um tinto e outro rosé, em especial este último, bastante bem balanceado entre doçura e acidez, duas curiosidades muito interessantes tanto mais que se revelam muito versáteis à mesa.

Da nossa parte, é tudo.

segunda-feira, junho 07, 2010

Provas

2 Castas (B) 2009

Um dueto alentejano pouco provável - produzido a partir de uvas de Viosinho e de Verdelho -, mas com sucesso garantido (mais um da Herdade do Esporão). Como ditam as regras actuais da enologia, as duas castas fermentaram em inox, e a temperaturas baixas.

Prova de nariz com grande expressão aromática, citrinos e pico a hortelã, com ambas as castas em evidência. Na prova de boca, o vinho está menos presente e é mais linear, como é, de resto, normal nesta gama de preço. Revela, contudo, um feliz pendor vegetal, e ligeiro citrino, certamente mais da responsabilidade das castas utilizadas do que propriamento do terroir alentejano. Refrescante e com final saboroso, apesar de curto.

Em suma, um branco atractivo, claramente a apostar no seu consumo enquanto jovem. Moderno no perfil (apesar dos seus 14,5% vol. algo "puxadotes"), mas - felizmente! - sem as modernices vãs e aborrecidas, como sejam os aromas "neo-tropicais", que hoje tanto andam na moda (culpa das leveduras, dizem...). Tendo em conta o preço, abaixo dos €5,5, está muito bem executado. Pouco alentejano no estilo é verdade, mas muito bem executado!

15,5


Próximas provas: Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007

domingo, maio 30, 2010

Provas especiais


"Portfolio" de vinhos únicos

Foi há pouco mais de uma semana que tivemos a oportunidade única de jantar, pela primeira vez, na Feitoria dos Ingleses ("The Factory House"). Localizada na baixa do Porto, num edifício histórico, tem sido, faz séculos, o local de reunião de produtores e enófilos com sotaque "very british" e é, naturalmente, o local de abrigo também de uma garrafeira magnífica de vintages (consta, aliás, que a admissão na Feitoria implica a entrega de algumas caixas de bons vintages).

A ocasião era o jantar patrocinado pela "Portfolio Vinhos" (empresa que associa a família Symington a Joaquim Augusto Cândido da Silva), mas a cerimónia só ocorreria verdadeiramente com a degustação de vinhos que, por motivos diversos, eram quase únicos ou, pelo menos, de muito difícil acesso.
Foi, assim, com muito deleite que começámos por provar um ensaio de Anselmo Mendes, um vinho branco chamado Perdido (B) 2001, um vinho fantástico onde complexidade e elegância andam de braços dados (17-17,5). Segundo o próprio Anselmo existiam antes da prova apenas 6 garrafas... agora talvez nem uma. Provámos também (e já com saudade) as últimas garrafas de um dos primeiros vinhos de José Mota Capitão, denominado pelo produtor por Brisa da Herdade do Portocarro (T) 2003, um vinho feito de vinhas Sangiovese muito jovens, imberbes mesmo, que desafiou a clássica concepção de que só as vinhas velhas podem produzir grandes vinhos (17).

Mantendo-nos no plano doméstico, da Bairrada, veio um interessante Kompassus Reserva Particular (T) 1991, em plena forma e com altiva complexidade faltando apenas, a nosso ver, alguma sedução ao conjunto (16,5-17); como veio também, mas agora das terras do Dão, um enorme Quinta da Falorca (T) 1963, um tinto eternamente na "meia-idade", um tinto que parou no tempo, ainda pujante e com laivos de fruta encarnada (17-17,5). Do Alentejo um imponente Terrenus Reserva (T) 2004, que deu, uma vez mais, uma prova inesquecível com aromas trufados e a frutos encarnados inebriantes (17,5++).

Pelo meio, prova de dois estrangeiros: um Château de Beaucastel (T) 1989 e um Don Melchor (T) 2001, nenhum desapontou (bem pelo contrário) e cada um mostrou-se fiel ao seu estilo: fantástica a prova do francês, revelando uma boca com fruta, terra e ligeiro toque animal (17-17,5); quanto ao tinto chileno, irresistível na sua compota frutada e na textura aveludada que mantém (17).

Tempo também houve para vinhos de perfil mais doce que brilharam muito alto: Hugel Gewurztraminer Sélection de Grains Nobles (B) 1985, da família Hugel & Fils servido em magnum, em perfeito momento de prova já com as notas de evolução típicas da casta, delicioso! (18+); Dow's Vintage (P) 1963, servido também em magnum, sempre um dos nossos favoritos, infelizmente, desta feita, ligeiramente abaixo de provas anteriores (17,5-18); e, o Graham's Malvedos Vintage (P) 1965 um belíssimo vintage que provámos pela primeira vez, mas que gostámos tanto, pois esteve saborosíssimo na prova de boca (17,5-18+), que quase suplantou o Dow's servido anteriormente, tendo ainda com muitas "pernas para andar" em cave.

Para o fim, e após uma tímida flute de Pol Roger Sir Winston Churchill (Esp.) 1996, dois magníficos fortificados lusos: o Warre's A. J. Symington Colheita (P) 1882, um super colheita, de cor castanha e acobreada, intenso e harmonioso, com vinagrinho delicioso, nada pesado e nada extra-doce, boa acidez e um final interminável (19); e, o Blandy's Terrantez (M) 1899, um Terrantez de outro mundo, sufocado com notas de caril e vinagrinho, ligeiramente seco na boca, acidez alta como quase sempre acontece com os vinhos da Pérola do Atlântico, e um final de boca de "largar família", como dizem os brasileiros (19). Foi a melhor maneira de terminar a noite, e foi a prova - como se (ainda) fosse preciso prova... - que os Portos e os Madeiras, quando bons e velhos, estão entre os melhores vinhos do Mundo!
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segunda-feira, maio 24, 2010

Provas

Dom Cosme Reserva (T) 2006

Dos vários vinhos da meritória "Fundação Abreu Callado" (v. foto para os três de categoria superior), produtor com vinhas plantadas no Alto Alentejo, mais propriamente em Benavila (Avis), foi o tinto topo de gama "Dom Cosme Reserva", da colheita de 2006, que mais nos impressionou.

De cor escura, revela de imediato uma prova de nariz profunda, com fruta negra, porém latente e algo contida. Pouca madeira, apenas ligeiro alcatrão e fumados, tudo desenhado numa perspectiva essencialmente gastronómica e nada exuberante, decisão que merece o nosso aplauso.

Boca com fruta mais viva do que o nariz faz prever, fruta ora negra ora encarnada. A tendência do conjunto é para alguma rusticidade mas isso, a nosso ver, não tem mal algum desde que não haja lugar a excessos - e neste caso não há! Falta apenas alguma complexidade e um corpo mais envolvente para vermos neste tinto uma verdadeira e indiscutível referência alentejana. Destaque positivo também para o final de boca saboroso.

Está ainda um pouco bruto e fechado mas, até pela acidez que demonstra, vai certamente melhorar em garrafa pelo menos nos próximos 5 anos. Sem dúvida, o melhor vinho da "Fundação Abreu Callado" que provámos.

16,5+

Próximas provas: 2 Castas (B) 2009; Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009

terça-feira, maio 18, 2010

Provas


Bétula (B) 2008

Temos aqui um branco duriense que, tudo ponderado, vive de uma "tensão dialéctica" entre duas castas francesas de grande personalidade, sem que, contudo, o resultado dessa dialéctica seja, a nosso ver, uma grande mais-valia para o nosso país vinícola. Referimo-nos à tensão que se verifica entre o fruto maduro e de caroço típico do Viognier (sobretudo na prova de boca) e a maior exuberância tropical do Sauvignon Blanc (na prova de nariz).

Inevitavelmente, quanto mais fresco for servido e provado, melhor sai o conjunto devido à (alguma) secura e fruta viva proporcionada pela casta de Bordéus e de Loire. Pelo contrário, quando a temperatura aquece no copo, logo vem a untuosidade, tantas vezes excessiva, da casta branca de Côtes du Rhône, e o vinho ressente-se.

Um branco que precisa, a nosso ver, de uma maior acidez que permitisse um equilibro mais certeiro entre frescura e doçura da barrica. Uma vez que se apresenta com algum peso, essencialmente na prova de boca, recomendamos para dias invernosos. Em todo o caso, não deixa de ser um vinho branco enologicamente bem feito e cujo principal atributo talvez seja o seu carácter pedagógico de permitir explorar sensorialmente, de uma só assentada, duas castas muito em voga no plano internacional.

Não sendo o melhor branco no mercado, muito menos um branco apto para acompanhar peixes e mariscos grelhados (longe disso...), será certamente amigo de uma salada de carnes brancas podendo revelar aptidão gastronómica nessa combinação.

15,5


Próximas provas: Dom Cosme Reserva (T) 2006; 2 Castas (B) 2009; Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009

quarta-feira, maio 12, 2010

Provas especiais


E o vencedor é...

Três grandes vinhos tintos nacionais. Os três da óptima colheita de 2001 e provenientes de duas regiões - um do Douro e dois da Estremadura (actual Região de Lisboa). Directamente de Alenquer vieram dois "pesos pesados" da região: de um lado, um produtor clássico - Quinta de Pancas - e do outro, um recém chegado ao mais elevado patamar dos vinhos nacionais - Quinta do Monte d'Oiro. Do Douro, uma das nossas marcas predilectas, um terroir de excepção - Brunheda - na expressão das suas vinhas mais velhas. Os três vinhos foram provados primeiramente a solo, e depois a acompanhar cabrito assado no forno.

Quinta de Pancas TN Special Selection (T) 2001: Nariz exuberante a indicar tudo menos que se tratava de um monocasta de Touriga Nacional. Chocolate preto, fumo de cachimbo, anis, fruta madura carnuda (ameixa) e ligeiros aromas terciários. Boca potente, larga, muito expressivo e saboroso, e acidez elevada. Um grande vinho num momento fantástico para ser provado! O claro vencedor da prova - o melhor e o mais equilibrado. Beber até 2015.
17,5

Brunheda Vinhas Velhas (T) 2001: Já faz algum tempo que é dos nossos durienses favoritos. Nariz com muita madeira de início, depois vira para especiaria vária e fruta muito madura, quase quase em sobrematuração. Amora e chocolate. Boca em perfeita forma, começa por surpreender pela frescura (pois o nariz é muito mais maduro), e termina redonda e láctea - é uma tentação! Uma bomba de fruta no melhor dos sentidos possíveis e que irá ainda evoluir. Beber até 2015.
17

Quinta do Monte d'Oiro Reserva (T) 2001: O menos concentrado na cor, e também o mais evoluído. Nariz com referências terciárias já evidentes, couro, cogumelos, e fundo de armário. Depois, fruta encarnada fresca como a framboesa e a groselha. Na boca, foi o menos potente e encorpado dos três, mas manteve-se elegante e brioso e foi o mais gastronómico quando obrigado a emparelhar com um prato de carne. Na boca ainda revelou ainda fruta encarnada, ligeira nota apimentada muito agradável, e só o final pecou por não ser mais longo. Beber até 2012.
16,5
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segunda-feira, maio 10, 2010

Novidade

Fiuza (R) 2009

Chega-nos este rosé da ribatejana casa Fiuza (região Tejo), chega-nos da colheita de 2009, e chega-nos em boa altura com o calor a surgir. Produzido a partir de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, mantém um nariz fresco, muito seguro de si, com nuances mais ou menos directas a morango e frambuesa. Boca saborosa, ligeira e leve como se pretende num rosé que se quer descomprometido. Apenas um ligeiro ardor no fim de boca que não chega a desagradar, antes pelo contrário - lembra-nos que é vinho, que tem álcool e que, por isso, não convém abusar...
Tem tudo para ser uma boa companhia de Verão, um rosé que não vira a cara a uma fatia de pizza ou a uma salada de carnes brancas. Em suma, mais uma boa edição deste rosé de sucesso. Certinho!

15

sexta-feira, maio 07, 2010

Provas

Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006

Topo de gama da Casa de Santa Eufémia e, é caso para dizer, topo de gama num ano difícil como o de 2006 para a região do Douro. Uvas de vinhas com mais de 25 anos, das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Carvalha, entram neste lote que viu 12 meses de barrica francesa (500l). No copo revela cor muito concentrada, vinioso, quase opaco.

Nariz clássico duriense, feliz combinação entre componente floral, muito fruto negro maduro e doce (como seja o mirtilho) e ligeiro vegetal. De resto, limpo, sem nenhum toque de rusticidade agressiva que caracteriza alguns dos melhores tintos do Douro na colheita de 2006.

Prova de boca muito fresca, aliás surpreendentemente fresca para um ano tão quente e difícil, mas explicável, em parte, pela localização das vinhas, próximas da Régua quase na fronteira com o Baixo Corgo, e pela exposição maioritariamente a noroeste. Acresce fruta negra saborosa, um conjunto elegante e muito afinado (sem os excessos da anterior edição), e longo no prazer. Acreditamos que irá evoluir favoravelmente nos próximos 5 anos.

Em suma, um grande salto qualitativo em relação à edição anterior (de 2003). Por pouco mais de €15, temos aqui um primus inter pares no que respeita à colheita de 2006 no Douro e, ainda por cima, a um óptimo preço.

17+

Próximas provas: Bétula (B) 2008; Dom Cosme Reserva (T) 2006; 2 Castas (B) 2009; Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009

quarta-feira, maio 05, 2010

Provas

Esporão Bruto (Esp.) 2007

Ainda não foi desta que nos surpreendemos com um espumante alentejano. De resto, este Esporão tem até um carácter seco, bem ao estilo que gostamos. Sucede que, no nariz falta-lhe graciosidade – é um espumante bruto e não apenas no que tal designação se refere à proporção de açúcar –, sendo muito pouco diplomático e mesmo algo agreste. Na boca, apesar de fresco e agradável, é a complexidade a principal lacuna, apresentando-se algo linear e com uma vontade própria de querer desaparecer do palato.
Sem defeitos, simples e linear, é capaz de agradar e é, sem dúvida, mais um meritório esforço de um produtor (com muito melhores vinhos, brancos e tintos, no seu portefólio) na busca de dispor de uma completa uma gama de vinhos.

14,5

Próximas provas: Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008; Dom Cosme Reserva (T) 2006; 2 Castas (B) 2009; Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009

segunda-feira, maio 03, 2010

Provas


Altas Quintas (B) 2008

Para completar uma gama já de si extensa, surgiu, faz poucos meses, um branco da marca Altas Quintas, projecto com vinhas localizadas na Serra de São Mamede (Alto Alentejo, distrito de Portalegre) e enologia de Paulo Loureano.

No copo, surge-nos com uma cor amarela ligeiramente carregada. No nariz, sente-se a barrica do estágio muito presente, com notas de fumo e de tosta a taparem em demasia os subtis contributos aromáticos da casta Verdelho e os aromas mais exuberantes da casta Arinto. Em todo o caso, o vinho transpira acidez e frescura "por todos os poros" e, nesse aspecto, está muito bem desenhado, quase sem peso e sem excesso de fruta ou de doçura.

À semelhança do nariz, também a prova de boca é, sobretudo no início, dominada pelas impressões da madeira por onde o vinho estagiou. É curiosa a sensação que nos ocorre de que enquanto as notas a frutos secos do Verdelho batalham para se imporem, o Arinto, ao invés, parece ter conseguido conviver melhor com a "prisão de carvalho" e surge a caminho da integração com a fruta. Óptima acidez (neste campo a madeira não estorvou em nada), quase quase crocante, juntando-se um final persistente e novamente com acidez refrescante.

Em suma, é pena a presença impositiva da madeira. Para já, o melhor parece mesmo ser esperar que o estágio em garrafa retire o excesso de notas tostadas. Se tal suceder, e se a acidez se mantiver, poderemos ter aqui um branco bastante interessante.

15,5+

Próximas provas: Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008; Dom Cosme Reserva (T) 2006; 2 Castas (B) 2009; Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009

quinta-feira, abril 22, 2010

Provas especiais

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Prova e almoço com vinhos de Colares

Foi há dois dias que o Palácio de Seteais (segundo uma das lendas, são sete os ecos que se escutam ao gritar "ais" num dos românticos varandins do palácio) se vestiu de acrescida gala para o denominado "I Almoço de Colares", iniciativa conjunta de alguns dos mais emblemáticos produtores de vinho da região e dos Hoteis Tivoli, com coordenação do enólogo e crítico Aníbal Coutinho (iniciativa, vinhos e wine-paring) e do chef Luís Baena (refeição e wine-paring).
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Dos vinhos provados, alguns dos quais raridades e velharias (sempre no bom sentido quando se fala de um vinho, como o de Colares, que tende a envelhecer com nobreza), os mais marcantes para nós foram o Colares Chitas (B) 2006 - ainda jovem e muito cítrico, com anos pela frente, e marcado por uma acidez vibrante (16) -, bebendo agora estará perfeito a acompanhar peixes grelhados ou marisco; depois, o vinho da tarde, o Viúva Gomes Reserva (T) 1969 - com o nariz a revelar bonitas notas voláteis (com realce para verniz) e ainda um pouco de fruta, e uma extraordinária prova de boca (apesar dos seus meros 11º vol.), aveludada mas mantendo frescura até um final arrasador (17,5) -, o qual casou muito bem com a "Garoupa corada com batata grelhada e molho de mostarda de Moeux"; e ainda o Adega Regional (T) 1992, um pouco abaixo de forma comparado com o Viúva Gomes 1969 mas ainda assim bastante complexo e muito agradável com notas de fruta encarnada e ligeiro toque animal sem desagradar (16,5).
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No fim, com a sobremesa, uma proposta de "Strudel com recheio de travesseiros de Sintra e gelado de manjericão" foi servido um vinho de Carcavelos (também parte, tal como Colares, da região de Lisboa), no caso o Quinta da Bela Vista (s/d), não datado, mas com mais de 50 anos de acordo com os dados existentes e engarrafado em 1991. Seco, muito seco, de aroma bonito mas com pouca presença na prova de boca, portou-se bem com o gelado mas, a nosso ver, não conseguiu ligar devidamente com a potência doce do strudel com recheio de travesseiros (16).
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Antes do almoço, tempo para a prova cuidada de novos lançamentos de vinhos de Colares. A preferência voltou-se para dois brancos de 2008, o Adega Regional Arenae Malvazia (B) 2008, subtil e elegante, mantendo uma acidez vincada do início ao fim da prova (16-16,5) e o Fundação Oriente (B) 2008, moderno no estilo, com uma curiosa simbiose entre madeira do estágio e acidez pungente (15,5-16). Os tintos? Como comprovaram os velhinhos provados ao almoço, esses precisam de tempo...
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Uma iniciativa que correu muito bem, organizada com profissionalismo, e que merece ser repetida para o ano. Parabéns à organização.

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segunda-feira, abril 19, 2010

Provas


Apegadas:

De volta às provas. De volta aos tintos.
Quem percorre o trajecto entre a Régua e o Pinhão, pela margem direita do rio Douro, conhece bem a adega do projecto Apegadas sita em Canelas, a poucos quilómetros da Quinta do Vallado, na denominada "Quinta Velha", bem defronte da barragem de Bagaúste. Em pouco tempo afirmou-se como um produtor revelação, sempre apresentando tintos modernos, sem sobre-maturacão (a proximidade com o Baixo Corgo favorece), e bem desenhados enologicamente. O ano de 2007 trouxe algumas novidades, um Colheita ligeiramente abaixo do esperado e um Grande Reserva em excelente nível! A saber:


Apegadas Qta Velha (T) 2007
Cor ruby e encarnada, não opaca portanto. Na prova do nariz revela, logo no início, um aroma complicado a madeira queimada e fumados (do estágio parcial em madeira), fósforo, resina. Ainda denota ligeiro café e notas amargas e terrosas. Com arejamento melhora muito (sugere-se, por isso, decantação prévia ao consumo) passando a sobressair fruta encarnada em geleia. A prova de boca é mais linear (e menos complicada, diga-se), fresca mas com pouco corpo, taninos firmes mas que precisam de mais fruta. Final com presença vincada, mas abaixo do esperado, correcto mas ligeiramente "sensaborão"...
15,5

Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007
Praticamente opaco na cor a denotar muita concentração. No nariz, topa-se a Touriga Nacional madura com a componente floral de "braço dado" com a compota de fruta negra. A madeira não se impõe e o registo global é muito cativante, sobretudo pela exuberância aromática (grande primeiro impacto!). Na boca começa sério, ligeiramente áspero, com taninos do carvalho novo, mas sem perder o lado sedutor. Tudo muito bem, exuberante mas não perdendo a elegância do conjunto. Aqui estamos a um nível muito superior do colheita. Para quem gosta destas curiosidades das pontuações, obteve recentemente 90 pontos na conhecida revista americana "Wine Spectator".
17-17,5


Próximas provas: Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008; Dom Cosme Reserva (T) 2006; 2 Castas (B) 2009; Alento (T) 2008; Labrador Qta Noval (T) 2007

quinta-feira, abril 15, 2010

Ainda há provas assim:


Quando já começávamos a pensar que as provas e apresentações de vinhos tinham esgotado a criatividade e imaginação dos seus promotores, eis que fomos surpreendidos com uma iniciativa que nos encheu todas as medidas...

Os ingredientes eram, à partida, muito interessantes: (i) um local atractivo – um estúdio de fotografia com uma enorme cozinha no meio (em rigor, já conhecíamos o local de refeições memoráveis preparadas pelo Luís Baena); (ii) três chefes conceituados a cozinhar – Fausto Airoli (Spot São Luiz, ex-Pragma), Marco Gomes (Foz Velha) e Henrique Sá Pessoa (Alma, ex-Panorama); (iii) e uma ideia muito bem burilada – a maridagem de vários vinhos com mini-pratos preparados pelos referidos chefes a partir de um mesmo cesto de ingredientes, sendo que cada vinho teria de acasalar sempre com 3 mini-pratos (um de cada chef).

O resultado, ou melhor o "resultadão", foi um evento divertido, formativo e, para a empresa distribuidora em questão (PrimeDrinks), uma oportunidade de mostrar alguns dos melhores produtos que comercializa. Por isso, presentes estavam também os enólogos de cada produtor, óptima oportunidade para trocar experiências.

Ainda que tal não fosse o objectivo confessado, a refeição acabou por se tornar numa amigável competição entre os três conhecidos chefs, cabendo aos comensais convidados o papel de júri num "concurso" no qual o mais relevante era a busca pela melhor combinação possível entre a comida e os vinhos servidos. As premissas foram iguais para todos: quatro vinhos, dois azeites e um cabaz de ingredientes. O desafio: procurar criar ligações perfeitas.

No primeiro flight (de mini-pratos), para emparelhar com um poderoso (e, por ora, com algum excesso da madeira) Herdade dos Grous Reserva (B) 2008 (16-16,5), soube-nos melhor o excelente "aveludado de batata e ovo escalfado durante 45 minutos a 63º, com misto de cogumelos salteados e cebola desidratada" (criação de Marco Gomes). Com o mesmo vinho branco alentejano, também funcionou muito bem - até porque a preparação estava igualmente soberba - o "robalo assado em cama de amêijoas, com cogumelos e cenoura" (criação de Henrique Sá Pessoa).

Já para o segundo flight, o Ermelinda Freitas Alicante Bouchet (T) 2008, um Alicante moderno, quente e saboroso, com as características do terroir de solo de areia em destaque (15,5-16), bateu-se graciosamente com um fantástico "robalo sobre sarrabulho de arroz, rúcula e espargos" (criação de Fausto Airoli), de todas, para nós, a mais didáctica das maridagens testadas.

Para o terceiro vinho, um bairradio Grande Follies (T) 2003, muito bem (para nós, a surpresa vinícola do evento), complexo e gastronómico (17-17,5), foi vez de brilhar a "feijoada de rabo de boi em cesto crocante de massa brick" (criação de Marco Gomes), numa das mais felizes (mas também menos originais) ligações da prova; a comprovação de que, como sabem os amigos espanhóis, vinho tinto e rabo de boi é uma maridagem perfeita...

Por fim, no derradeiro flight, os "lombinhos de porco em vinha d‘alhos com pêra glaciada e morcela de arroz" (criação de Marco Gomes) revelaram-se como o melhor acompanhamento para um sensualíssimo Esporão Touriga Nacional (T) 2007 (16,5-17), talvez um dos melhores monocastas de sempre lançado pela empresa de José Roquette. Ainda para acompanhar o mesmo tinto, também recordamos com saudade a "espuma de batata com rabo de boi estufado em vinho tinto, nabo e chalota caramelizada em vinagre balsâmico" (criação de Fausto Airoli).

Em suma, uma prova vibrante e didáctica, daquelas que quando acabam já temos pena que tenha terminado (repetição à parte). É caso para dizer, ainda há provas assim, e era bom que fossem mais...


terça-feira, abril 13, 2010

Para beber ou guardar

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Ambos estão em óptimas condições de consumo, apesar de serem dois vinhos que, certamente, irão melhorar com mais uns anitos de cave. São duas sugestões pessoais, pois claro.
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O Graham's vintage é de 1980, está ainda jovem, com fruta abundante e um perfil doce (como é típico da marca). Aguentará com brilho mais duas décadas, sendo que, por ora, exige decante durante, pelo menos, duas horas. É, a nosso ver, um grande vinho de um ano vintage injustamente menosprezado e pouco conhecido. Por isso, é uma pechincha, posto que custa, nas melhores garrafeiras, entre €45 e €65.
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O Passadouro Reserva é de 2004, mantém-se opaco, químico, seco e fresco, apanágios dos melhores vinhos desta quinta no fundão do Vale Mendiz. Cremos que evolua positivamente durante, pelo menos, mais 5 anos. Passou, incompreensivelmente, ao lado da histeria e especulação pelos novos tintos do Douro, pelo que, em boas garrafeiras, custará entre €30 e €35.

segunda-feira, abril 05, 2010

Pesquera Reserva (T) 1990


Outro tinto de 1990 em belo estado de consumo, de uma das principais marcas, na senda das "Bodegas Vega-Sicilia", a contribuir para fama e projecção da sua região (ironicamente, menos creditada na actualidade). Efectivamente, foi com tintos como este (entre outros, claro está) que Pesquera del Duero ("pueblo" da província de Valladolid sem qualquer interesse além-vinho), e a região de Ribera del Duero, ficaram definitivamente no mapa de muitos enófilos.

Apenas a rolha mostrou alguma complicação. De resto, laivos de fruta encarnada embalada em notas de fumo de cachimbo e de madeira (que agora nos parece) usada e avinhada. Ligeiro animal e subtil nota limonada. Uma delícia a beber já, sem necessidade de maior evolução.

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Robustus (T) 1990


Está tão bom quanto (os poucos que já o provaram) dizem dele! Ou seja, faz jus à fama e não é pouco. Um vinho fruto da teimosia de Dirk Niepoort em procurar fazer grandes tintos no Douro (e não apenas Portos).

Tem fruta, complexidade e muita garra, e pode ainda evoluir por mais alguns anos. Foi o primeiro Robustus (nunca lançado no mercado, ao que sabemos). É um grande vinho tinto do Douro com vinte anos.
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terça-feira, março 30, 2010

100 Pontos WS


100 pontos ao Dow's vintage 2007 pela "Wine Spectator"? É verdade!

Ainda não tinha o rótulo oficial (v. foto), e já nós tínhamos avisado (v. aqui) que era o nosso preferido! Parabéns ao Grupo Symington que já merecia. Desta é que foi...


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domingo, março 28, 2010

"Alentejo report": parte 2

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Fica a agora a segunda parte de pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Alentejo, em especial das colheitas de 2006 e 2007 (para outros tantos tintos do Alentejo, veja-se a prova de topos de gama aqui). São algumas notas curtas, todas de vinhos tintos, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser de consulta simpática e inteligível. Vejamos:

Solar dos Lobos Grande Escolha (T) 2007: Marca e projecto recentes, e enologia de Susana Esteban. Lote de Alicante, Syrah, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Muito intenso nos aromas a frutos negros, compota de qualidade, envolvente e sensual. Confirma a sua grande qualidade na boca, que se revela cheia e potente até final. 17-17,5

Solar dos Lobos Grande Escolha (T) 2008: Prova de amostra de casco. Alicante com Touriga Nacional. Por ora está preto, um autêntico "buraco negro". Nariz fechado mas com toneladas de fruta negra, e boca de potência máxima. Lembra, curisosamente, um LBV na garra e na intensidade da fruta negra. Grande expectativa! 17-18

Herdade da Calada Block n.º 3 (T) 2006: Vem de Évora este tinto fresco e muito directo no nariz, com fruta conjugada com notas mentoladas. Boca fina e elegante, notas de pimenta branca. Falta-lhe talvez um pouco de mais complexidade, mas revela-se muito gastronómico e com pattine durante toda a prova. 16,5-17

Monte do Limpo Alicante Bouschet (T) 2007: Amostra de casco, está um típico varietal da casta francesa que melhor se adapta ao calor do Alentejo: muito vegetal e com enorme frescura. Grande concentração na boca mas com final súbito. Por ora, é cedo para saber se este estilo algo brutal é o pretendido pelo produtor e acertado para o mercado. Por nós, achamo-lo demasiado rude, mas poderá evoluir bem. 15,5-16+

Herdade de São Miguel Reserva (T) 2006: Mantém o estilo vigoroso das colheitas anteriores, bem conjugado com um perfil ora químico ora ligeiramente rústico. Muita fruta madura e madeira de qualidade são, por ora, as principais notas. Muito bem na boca, com taninos saborosos e final em crescendo. Um fórmula muito certeira o que explica o sucesso da marca. 17

Inevitável (T) 2005: Da casa Santa Vitória chega-nos este lote de Touriga Nacional e Syrah. O nariz está muito directo e, curiosamente, já equilibrado com fruta doce (mas não enjoativa) e notas violáceas não excessivas. Na prova de boca volta a revelar fruta de qualidade, mas falta-lhe alguma complexidade e garra. É bom e só não cativa mais pela sua excessiva linearidade. A cerca de €20. 16,5

Casa de Santa Vitória Reserva (T) 2007: Lote de Touriga Nacional (50%), Cabernet Sauvignon e 20% de Syrah. Muito bem no nariz, com fruta madura e madeira muito bem integrada, um estilo moderno, ligeiro floral, mas com frescura surpreendente para um reserva do Baixo Alentejo. A boca confirma a boa prova do nariz, polida, com complexidade, nervo (certamente do Cabernet), especiarias exóticas e um bom final. Uma boa surpresa. Pode evoluir bem durante os próximos 5 anos. 17+

Esporão Touriga Nacional (T) 2007: As novas monocastas do Esporão sofreram um grande "upgrade", e são agora resultado de produções mais pequenas e de melhor acabamentos. Este TN provem de uma vinha da propriedade de Reguengos plantada há mais de 20 anos. Apresenta-se muito bem no nariz, profundo e com o floral não excessivo. Boca também de qualidade, aveludada mas potente, com muita concentração e um final sério e impositivo. Poderá evoluir bem durante os próximos 5 anos. A cerca de €25. 17+

Marquês de Borba Reserva (T) 2007: Mais uma vez esta uma marca de referência do Alentejo (Estremoz) oferece-nos um tinto belíssimo. Cheio de força e intenso no nariz – com fruta negra e algum vegetal seco, notas terrosas –, e uma prova de boca que indicia anos de vida com fruta latente e especiarias da madeira, tudo num estilo seco. Merece ser esquecido durante uns anos na garrafeira pois irá evoluir muito bem na próxima década. Abaixo dos €30. 17,5++

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domingo, março 21, 2010

"Alentejo report": parte 1

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Depois do "Douro report" (v. aqui), é a vez do Alentejo. Fica a primeira parte de pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Alentejo, em especial das colheitas de 2007, 2008 e 2009. São algumas notas curtas, todas de vinhos brancos, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser de consulta simpática e inteligível. Vejamos:
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Dona Maria (B) 2008: Aromas frescos de índole vegetal, fruta ácida na boca, final precipitado e demasiado rústico. Bom, mas algo complicado. Preço cordato abaixo dos €6. 15,5

Amantis (B) 2007: No nariz, revela notas curiosas a jasmim, azeitona preta e gengibre. Boca redonda, sentindo-se a madeira, untuoso e de final garboso. Interessante. 16

.Com (B) 2008: Fresco e muito directo no nariz, faltando complexidade. Ligeiro, directo e bastante agradável. Um branco de Verão. 15,5

Monte dos Cabaços Colh. Seleccionada (B) 2008: Tem uma ligeira complexidade olfáctica que faz esquecer uma prova de boca linear e sem garra. Simples e descomplexado. 15

Herdade dos Grous (B) 2009: Acabado de sair para o mercado, limpo no nariz, directo nas referências a ananás e banana. Para beber novo pois é agora que dá prazer. Abaixo de €8. 15,5

Herdade dos Grous Reserva (B) 2008: Notas de madeira a sobressaírem no nariz (espuma de café, aduelas), e fruta ainda algo escondida. Boca com volume, saborosa até ao final, poderá evoluir bem nos próximos 3 anos. Revela bom nível geral. A cerca de €20. 16,5.

Comenda Grande (B) 2008: Lote de Antão Vaz, Arinto e Verdelho, está muito fresco, com boa acidez, um vinho aparentemente simples mas muito bem feito. Bom preço abaixo dos €7. 16

Monte Vilar Reserva (B) 2008: Nova marca do produtor "Casa Santa Vitória". Sente-se o diálogo entre a casta Arinto e a barrica, revela estilo moderno, bem trabalhado na vinha e na adega. Com garra. Mais seis meses em garrafa só lhe fará bem. 16,5

Casa de Santa Vitória Reserva (B) 2007: Notas tostadas da barrica no ataque inicial, evolui muito bem durante a prova. Pendor vegetal, notas de folha de chá e ligeira torrefacção. Boca potente, mas fresca, expressiva e saborosa com ligeira evolução. Muito interessante. A acompanhar em futuras edições. Bom preço, abaixo dos €12. 16,5

Esporão Verdelho (B) 2008: Naturalmente vegetal nos primeiros aromas, é um branco de atracção imediata (para quem se identifica com a casta), apesar da sua subtileza na prova de nariz e da pureza na prova de boca. Bom preço, abaixo dos €9. 16,5

Vila Santa (B) 2008: Muito expressivo e cheio de intensidade aromática com o Antão Vaz a comandar as hostes. Alguma acidez do Verdelho ajuda a compor a frescura e fruta do Arinto, ligeiro toque da madeira, temos aqui um lote muito bem pensado. Moderno no estilo, de grande atracção. Preço cordato, abaixo dos €10. 16

Antão Vaz da Peceguina (B) 2008: Pouco intenso na prova olfactiva de início, depois revela ligeiro floral e fruta branca (alperce maduro). Na boca melhora, está seco com ligeiro mineral. Tudo bem feito, mas pouco original. Para os fanáticos da casta. 16

Malhadinha (B) 2008: Lote de Chardonnay e Arinto, por ora é a casta francesa a dominar e, por isso, sobressaem as notas amanteigadas. Todavia, revela mais acidez que em anos anteriores, melhora no perfil com uma boca fresca e um final refrescante limonado. Voltar a provar daqui a um ano pois acreditamos que irá melhorar. Um passo à frente em relação às edições anteriores. 16,5+

Esporão Private Selection (B) 2008: Algo fechado, mas são já evidentes as notas da barrica mas, surpreendentemente, a fruta (branca e madura) não está escondida, bem pelo contrário. Boca cheia, quase que se mastiga, ampla mas - felizmente - com pouco peso residual. Belo final de boca, de comprimento assinalável. Vai melhorar em garrafa nos próximos três anos . 17+

Tapada de Coelheiros (B) 2008: Lote de Roupeiro, Chardonnay e um pouco de Arinto, revela-se fresco, leve e divertido, com ligeira tosta no nariz. Está vibrante na boca, mas falta final e um pouco mais de complexidade. Gastronómico. 15,5

Tapada de Coelheiros Chardonnay (B) 2008: Um branco muito sério, com as notas amanteigadas da casta francesa em evidência mas sem cansar. Boca poderosa, apesar de linear, e um final saboroso muito conseguido dado o significativo comprimento. Mais uma boa edição de um dos melhores chardonnays alentejanos. Preço cordato abaixo dos €15. 16,5+

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terça-feira, março 16, 2010

Surpresa


Compota Tinta Roriz (T) 2007

Uma surpresa efectivamente... mas não por duvidar do qualidade do "projecto pessoal" de Pedro Carvalho (e referimo-nos a projecto pessoal por contraposição ao projecto familiar da conhecida Casa de Santa Eufémia). Uma surpresa, isso sim, pela casta escolhida para este tinto estreme, nem mais nem menos que a cada vez menos privilegiada Tinta Roriz. E uma surpresa também pelo registo: fino e elegante (que nos lembrou, por vezes, um Pinot Noir menos complexo), bem longe do perfil concentrado do Compota (T) 2005, produzido também no Douro mas a partir da mediática Touriga Nacional.

No copo, a cor, como deixámos antever, revela concentração mediana, com transparência bastante assinalável. A prova de nariz é muito agradável, contribuindo para isso as matizes de fruta silvestre encarnada fresca, notas tostadas sem excesso, e um toque mineral persistente, tudo num conjunto directo, bonito e (parece-nos) bem trabalhado na vinha onde é preciso ter cuidado com a casta que amadurece cedo.

Na boca, mantém o registo refrescante, de tinto fino e com bom recorte, com fruta saborosa apesar do final de boca algo curto. A madeira quase não se sente (poucos meses de barrica, certamente) deixando a fruta encarnada dominar o palco e a prova - e ainda bem! Precisa somente de maior complexidade, e quem sabe se de um par de anos em garrafa, para voos mais altos.

No mercado, devem contar-se pelos dedos das mãos os monocastas de Tinta Roriz/Aragonês, independentemente da região do país, numa tendência que se tem intensificado nos últimos anos. Neste tinto estreme, encontramos um duriense personalizado, apostado na elegância sóbria. A acidez capaz, e a frescura vincada, colocam-no como um bom companheiro à mesa, jogando na maridagem com saladas, carnes simples, e mesmo peixes assados. A menos de €14, é então uma surpresa que merece ser provada.

16,5
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domingo, março 14, 2010

Mais um (do mesmo) devaneio


Ainda sobre as publicações à volta do vinho, detenho-me novamente em frente ao local onde compro jornais e revistas, e penso nos profissionais do sector. Sobretudo nos escanções, mas também nos proprietários de garrafeiras e nos empresários de hotelaria. E claro, nos produtores. E claro, nos próprios jornalistas. É muita gente (!), bem sei; mas não serão, ainda assim, revistas em excesso?
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quinta-feira, março 11, 2010

Devaneio


Subo a Castilho e dirijo-me à Rodrigo da Fonseca. Detenho-me no lugar de (quase) sempre e olho para jornais e revistas. São mais de 4 os periódicos nacionais à volta do vinho!


Sabemos que a tiragem de alguns aumentou na sequência do surgimento de outros - num reprodutor movimento de autopoiesis capitalista -, mas é legitimo interrogarmo-nos sobre se teremos capacidade para manter todas estas publicações.

Esperemos [mas por quanto tempo (?)] que sim.

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terça-feira, março 09, 2010

Provas



Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007

Novo vinho, novo topo de gama deste produtor duriense. No copo, está praticamente opaco na cor a denotar de imediato muita concentração e alguma juventude.

Na prova de nariz, topa-se a Touriga Nacional muito madura, com matizes florais de braços entrelaçados com referências gulosas a compota e geleia de fruto preto. A madeira não se impõe e o registo é cativante sobretudo pela intensidade e exuberância aromática desde o primeiro impacto, muito próximas do que esperaria de um LBV.

Na prova de boca começa áspero com as notas da barrica mais evidentes do que no nariz; depois taninos vincados mas doces, e mantém o carácter sedutor num final saboroso (tudo aponta) ainda em crescimento.

Um conjunto muito exuberante, dominado por matéria-prima - Touriga Nacional - com séria pujança (o vinho tem 16º de álcool), mas onde a enologia procurou preservar alguma elegância. Sem dúvida, o melhor vinho produzido com a chancela Quinta dos Avidagos que já provámos.

A título de notas finais, o vinho custa cerca de €30 mas dizem-nos que está esgotado no produtor. Acresce ainda o recente 2.º lugar na prova de vinhos de topos de gama nacionais que decorreu na Essência do Vinho.


17-17,5


Próximas provas: Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

segunda-feira, março 01, 2010

Provas


Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008

Voltamos à prova de um néctar proveniente de uma das quintas do Douro cujos vinhos mais vezes provámos para o Saca a Rolha. Da Quinta da Sequeira, sita no Douro superior, chega-nos este branco de vinhas velhas (Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato), agora com nova roupagem (nova garrafa e rótulo com serigrafia) em relação às colheitas anteriores.

No copo, revela cor amarela carregada mas não escura. No nariz, começa por insinuar-se com anis e laivos de amêndoa seca. Um pouco depois, também com um interessante carácter floral (pétalas) e alguma pipoca da madeira onde estagiou.

Na boca entra maciço, com carga e potência, mas menos expressivo na fruta do que em edições anteriores: onde antes passeava fruta madura (nem sempre consensual mas apelativa), agora vagueiam notas tostadas e minerais que ajudam a construir uma arquitectura de vinho mais séria. A acidez está correcta (bem melhor que em edições anteriores), o final é expressivo, mas o conjunto não consegue surpreender – apesar da qualidade, parece algo preso, pelo que beneficiará de alguns meses mais em garrafa.

O perfil do vinho mudou em relação às colheitas anteriores, mas mantém-se de boa estirpe (custa cerca de €16) e deverá evoluir bem, recomendando-se no acompanhamento de carnes brancas ou pratos de bacalhau. Em todo o caso, julgamos que a Quinta da Sequeira ainda poderá originar melhores vinhos brancos num futuro próximo, e estamos certos que a actual equipa enológica - liderada por Rui Cunha - tudo fará nesse sentido.

16+


Próximas provas: Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Provas



Negreiros (T) 2007

Regressados da região de Mendoza (Argentina), e dos vales semi-desérticos que a compõem, plantados massivamente de Malbec, é tempo para tentar voltar a colocar em ordem as provas periódicas de novos lançamentos.

Com este Negreiros da safra de 2007, temos mais um tinto moderno de terras nortenhas. Intenso, ainda que algo linear, na prova de nariz, revela fruta negra - como é típico do Douro Superior de onde provém - mas latente, como que pronta a explodir assim a tosta da madeira o permita com o estágio em garrafa.

A prova de boca, por seu turno, está redonda, centrada com eficácia essencialmente no binómio fruta e cacau, com mediana acidez e taninos domados e saborosos. "Madeira à vista" (quase apostamos em carvalho francês), falta, todavia, maior complexidade na boca e um final de prova mais prolongado e vincado.

Está tudo a dizer-nos que temos aqui um bom tinto para consumo generalizado, um vinho prazenteiro para várias ocasiões, mas também com algum comportamento sério que lhe confere versatilidade à mesa. Com enologia de João Brito e Cunha, à venda por menos de €10, o que, não sendo barato, não escandalizará ninguém face à qualidade apresentada.

16


Próximas provas: Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Próximos dias

Caros,
Nos próximos dias, é muito provável que não surjam novos textos. É que estamos de malas para a Argentina, onde provaremos vinhos e visitaremos produtores para depois relatarmos aqui.
Cump.
NOG

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Dois anos e meio depois...


Quinta das Marias Garrafeira (T) 2005

É inestimável o valor da evolução positiva em garrafa para alguns vinhos. Na verdade, nem sempre assim acontece e, por isso, muitas vezes já ficámos com a sensação que provámos e bebemos determinados vinhos tarde de mais. Mas outras vezes existem que, ao voltar a provar um vinho dois ou três anos depois do seu lançamento no mercado, nos deparamos com um "ser diferente" do que conhecíamos, quase sempre mais "maduro", mais seguro de si, com as debilidades iniciais corrigidas e as feridas juvenis praticamente saradas (assunto a que já nos referimos, mais timidamente, aqui). Foi isso que aconteceu com uma prova recente do Quinta da Marias Garrafeira (T) 2005.

É certo que este tinto da Quinta das Marias, como aliás a maioria dos vinhos deste produtor do Dão, sempre teve atributos notórios logo à nascença; é certo que este Garrafeira, ao invés agora dos seus irmãos de gama, sempre privilegiou a complexidade (sobretudo na prova de nariz) em teor da exuberância... isso tudo é certo, mas nem mesmo essas evidentes qualidades iniciais foram suficientes para nos preparar para o deleite desta última prova!

Grande intensidade aromática mas não de forma abrupta e exuberante, antes discreta e profunda. Notas florais a comandar as hostes muito bem secundadas por fruta abundante, fresca e misteriosa. Prova de boca equilibradíssima, larga na complexidade e ao mesmo tempo fina na subtileza, fruta encarnada madura e ligeira doçura baunilhada exactamente no ponto certo, tal como a acidez também muito afinada. Final excelso no sabor.

A garrafa esteve sempre sujeita a temperatura e humidade ideais para uma adequada evolução, e a conclusão é uma só: muito bom! A prova que vale bem não beber alguns vinhos logo aquando do seu lançamento, devendo-se antes esperar dois ou três anos para melhor integração do conjunto. Acreditamos que este Garrafeira da Quinta das Marias irá manter-se neste nível por mais um par de anos, e gostaríamos de acreditar que daqui a cinco anos vai estar ainda melhor. Será?

17,5+

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Provas


Fiuza Sauvignon (B) 2009

Um texto pequeno, sem derivações, sobre um vinho sem derivações. Um branco, já de 2009, absolutamente focado na procura pelas referências à casta Sauvignon Blanc que países produtores como a Nova Zelândia, a Austrália e a África do Sul nos têm vindo a habituar. Ou seja, um Sauvignon directo, sem nenhuma concessão nem procura por complexidade, aroma a relva cortada de fresco, a ligeiro xixi de gato, a vegetal imberbe e a um maracujá verde.

Um branco que se sugere a acompanhar comida exótica e levemente picante, sobretudo num dia quente. Um Sauvignon, com preço imbatível abaixo dos €4, que não fica atrás do que se vai produzindo em massa por esse (novo) mundo fora, bem longe do Vale de Loire, berço de alguns dos mais minerais e deslumbrantes brancos franceses.

14,5 - 15


Próximas provas: Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Provas



Quinta do Francês (T) 2007

O enófilo mais atento já estaria à espera que o que se segue viesse, mais tarde ou mais cedo, a acontecer: a erupção de um belo tinto argarvio. Na verdade, o Algarve, apesar da longa ausência na produção de vinhos de categoria cimeira, não tem estado propriamente alheio à modernização vitivinícola, e são vários os sinais: (i) em primeiro lugar, cada vez existem mais vinhos feitos de forma séria e com o auxílio de enólogos competentes, (ii) depois, existem já duas ou três casas produtoras que, mesmo em tempos de crise, não têm tido qualquer problema com o escoamento dos seus vinhos (esgotam com frequência sobretudo os brancos e os rosés), (iii) por fim, a construção recente de um par de adegas modernas e vistosas capazes de atrair muitos visitantes (essencialmente turistas veraneantes, mas visitantes são visitantes), tantos já que fazem (ou deveriam fazer) inveja a outras regiões ditas com mais notoriedade.

Pois bem, a nosso ver, só faltava mesmo esta novidade para confirmar o renascimento da região, a da produção de um belo tinto algarvio - é certo que já existiam outros interessantes na região, mas este está, decididamente, um furo acima. É certo também que este tinto da colheita de 2007 não nos faz recordar a região mais solarenga do país (em prova cega, está entre o Douro e Alto Alentejo), até porque tem frescura, alguma acidez, e muita - mas mesmo muita - garra. Mas, talvez a qualidade que mais apreciámos neste tinto seja outra ainda - a notável simultaneidade entre o estilo novo-mundista que adoptou e algumas "não concessões" que pratica com os seus taninos sérios e ausência de sobre-maturação.

A partir das castas Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah, plantadas em encostas xistosas do Rio Odelouca (Silves), e com 20 meses em barricas de carvalho francês, apresenta-se com uns equilibrados 14% (hoje em dia 14% é uma cifra razoável, comparado com o que se pratica um pouco por todo o país). No copo apresenta-se encarnado muito escuro, quase ruby, com transparência ligeira.
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Nariz com estilo guloso mas sem revelar fruta excessiva, aqui e ali ligeiramente austero e fechado (como gostamos) quase rústico, a madeira ampara mas não está, felizmente, exuberante. A prova de boca confirma os melhores auspícios, larga/ampla, taninos saborosos e impecáveis no desenho com tanto de garra como de cetim. Final médio, mas em construção, poderá melhorar.

A cerca de €18 a garrafa, está um conjunto muito afinado, tudo óptimas indicações para o que o futuro pode reservar, enfim um nome a não esquecer este da Quinta do Francês. E sim, o produtor é francês (!), Patrick Agostini de seu nome.

16,5-17


Próximas provas: Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007