quinta-feira, abril 15, 2010

Ainda há provas assim:


Quando já começávamos a pensar que as provas e apresentações de vinhos tinham esgotado a criatividade e imaginação dos seus promotores, eis que fomos surpreendidos com uma iniciativa que nos encheu todas as medidas...

Os ingredientes eram, à partida, muito interessantes: (i) um local atractivo – um estúdio de fotografia com uma enorme cozinha no meio (em rigor, já conhecíamos o local de refeições memoráveis preparadas pelo Luís Baena); (ii) três chefes conceituados a cozinhar – Fausto Airoli (Spot São Luiz, ex-Pragma), Marco Gomes (Foz Velha) e Henrique Sá Pessoa (Alma, ex-Panorama); (iii) e uma ideia muito bem burilada – a maridagem de vários vinhos com mini-pratos preparados pelos referidos chefes a partir de um mesmo cesto de ingredientes, sendo que cada vinho teria de acasalar sempre com 3 mini-pratos (um de cada chef).

O resultado, ou melhor o "resultadão", foi um evento divertido, formativo e, para a empresa distribuidora em questão (PrimeDrinks), uma oportunidade de mostrar alguns dos melhores produtos que comercializa. Por isso, presentes estavam também os enólogos de cada produtor, óptima oportunidade para trocar experiências.

Ainda que tal não fosse o objectivo confessado, a refeição acabou por se tornar numa amigável competição entre os três conhecidos chefs, cabendo aos comensais convidados o papel de júri num "concurso" no qual o mais relevante era a busca pela melhor combinação possível entre a comida e os vinhos servidos. As premissas foram iguais para todos: quatro vinhos, dois azeites e um cabaz de ingredientes. O desafio: procurar criar ligações perfeitas.

No primeiro flight (de mini-pratos), para emparelhar com um poderoso (e, por ora, com algum excesso da madeira) Herdade dos Grous Reserva (B) 2008 (16-16,5), soube-nos melhor o excelente "aveludado de batata e ovo escalfado durante 45 minutos a 63º, com misto de cogumelos salteados e cebola desidratada" (criação de Marco Gomes). Com o mesmo vinho branco alentejano, também funcionou muito bem - até porque a preparação estava igualmente soberba - o "robalo assado em cama de amêijoas, com cogumelos e cenoura" (criação de Henrique Sá Pessoa).

Já para o segundo flight, o Ermelinda Freitas Alicante Bouchet (T) 2008, um Alicante moderno, quente e saboroso, com as características do terroir de solo de areia em destaque (15,5-16), bateu-se graciosamente com um fantástico "robalo sobre sarrabulho de arroz, rúcula e espargos" (criação de Fausto Airoli), de todas, para nós, a mais didáctica das maridagens testadas.

Para o terceiro vinho, um bairradio Grande Follies (T) 2003, muito bem (para nós, a surpresa vinícola do evento), complexo e gastronómico (17-17,5), foi vez de brilhar a "feijoada de rabo de boi em cesto crocante de massa brick" (criação de Marco Gomes), numa das mais felizes (mas também menos originais) ligações da prova; a comprovação de que, como sabem os amigos espanhóis, vinho tinto e rabo de boi é uma maridagem perfeita...

Por fim, no derradeiro flight, os "lombinhos de porco em vinha d‘alhos com pêra glaciada e morcela de arroz" (criação de Marco Gomes) revelaram-se como o melhor acompanhamento para um sensualíssimo Esporão Touriga Nacional (T) 2007 (16,5-17), talvez um dos melhores monocastas de sempre lançado pela empresa de José Roquette. Ainda para acompanhar o mesmo tinto, também recordamos com saudade a "espuma de batata com rabo de boi estufado em vinho tinto, nabo e chalota caramelizada em vinagre balsâmico" (criação de Fausto Airoli).

Em suma, uma prova vibrante e didáctica, daquelas que quando acabam já temos pena que tenha terminado (repetição à parte). É caso para dizer, ainda há provas assim, e era bom que fossem mais...


terça-feira, abril 13, 2010

Para beber ou guardar

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Ambos estão em óptimas condições de consumo, apesar de serem dois vinhos que, certamente, irão melhorar com mais uns anitos de cave. São duas sugestões pessoais, pois claro.
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O Graham's vintage é de 1980, está ainda jovem, com fruta abundante e um perfil doce (como é típico da marca). Aguentará com brilho mais duas décadas, sendo que, por ora, exige decante durante, pelo menos, duas horas. É, a nosso ver, um grande vinho de um ano vintage injustamente menosprezado e pouco conhecido. Por isso, é uma pechincha, posto que custa, nas melhores garrafeiras, entre €45 e €65.
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O Passadouro Reserva é de 2004, mantém-se opaco, químico, seco e fresco, apanágios dos melhores vinhos desta quinta no fundão do Vale Mendiz. Cremos que evolua positivamente durante, pelo menos, mais 5 anos. Passou, incompreensivelmente, ao lado da histeria e especulação pelos novos tintos do Douro, pelo que, em boas garrafeiras, custará entre €30 e €35.

segunda-feira, abril 05, 2010

Pesquera Reserva (T) 1990


Outro tinto de 1990 em belo estado de consumo, de uma das principais marcas, na senda das "Bodegas Vega-Sicilia", a contribuir para fama e projecção da sua região (ironicamente, menos creditada na actualidade). Efectivamente, foi com tintos como este (entre outros, claro está) que Pesquera del Duero ("pueblo" da província de Valladolid sem qualquer interesse além-vinho), e a região de Ribera del Duero, ficaram definitivamente no mapa de muitos enófilos.

Apenas a rolha mostrou alguma complicação. De resto, laivos de fruta encarnada embalada em notas de fumo de cachimbo e de madeira (que agora nos parece) usada e avinhada. Ligeiro animal e subtil nota limonada. Uma delícia a beber já, sem necessidade de maior evolução.

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Robustus (T) 1990


Está tão bom quanto (os poucos que já o provaram) dizem dele! Ou seja, faz jus à fama e não é pouco. Um vinho fruto da teimosia de Dirk Niepoort em procurar fazer grandes tintos no Douro (e não apenas Portos).

Tem fruta, complexidade e muita garra, e pode ainda evoluir por mais alguns anos. Foi o primeiro Robustus (nunca lançado no mercado, ao que sabemos). É um grande vinho tinto do Douro com vinte anos.
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terça-feira, março 30, 2010

100 Pontos WS


100 pontos ao Dow's vintage 2007 pela "Wine Spectator"? É verdade!

Ainda não tinha o rótulo oficial (v. foto), e já nós tínhamos avisado (v. aqui) que era o nosso preferido! Parabéns ao Grupo Symington que já merecia. Desta é que foi...


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domingo, março 28, 2010

"Alentejo report": parte 2

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Fica a agora a segunda parte de pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Alentejo, em especial das colheitas de 2006 e 2007 (para outros tantos tintos do Alentejo, veja-se a prova de topos de gama aqui). São algumas notas curtas, todas de vinhos tintos, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser de consulta simpática e inteligível. Vejamos:

Solar dos Lobos Grande Escolha (T) 2007: Marca e projecto recentes, e enologia de Susana Esteban. Lote de Alicante, Syrah, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Muito intenso nos aromas a frutos negros, compota de qualidade, envolvente e sensual. Confirma a sua grande qualidade na boca, que se revela cheia e potente até final. 17-17,5

Solar dos Lobos Grande Escolha (T) 2008: Prova de amostra de casco. Alicante com Touriga Nacional. Por ora está preto, um autêntico "buraco negro". Nariz fechado mas com toneladas de fruta negra, e boca de potência máxima. Lembra, curisosamente, um LBV na garra e na intensidade da fruta negra. Grande expectativa! 17-18

Herdade da Calada Block n.º 3 (T) 2006: Vem de Évora este tinto fresco e muito directo no nariz, com fruta conjugada com notas mentoladas. Boca fina e elegante, notas de pimenta branca. Falta-lhe talvez um pouco de mais complexidade, mas revela-se muito gastronómico e com pattine durante toda a prova. 16,5-17

Monte do Limpo Alicante Bouschet (T) 2007: Amostra de casco, está um típico varietal da casta francesa que melhor se adapta ao calor do Alentejo: muito vegetal e com enorme frescura. Grande concentração na boca mas com final súbito. Por ora, é cedo para saber se este estilo algo brutal é o pretendido pelo produtor e acertado para o mercado. Por nós, achamo-lo demasiado rude, mas poderá evoluir bem. 15,5-16+

Herdade de São Miguel Reserva (T) 2006: Mantém o estilo vigoroso das colheitas anteriores, bem conjugado com um perfil ora químico ora ligeiramente rústico. Muita fruta madura e madeira de qualidade são, por ora, as principais notas. Muito bem na boca, com taninos saborosos e final em crescendo. Um fórmula muito certeira o que explica o sucesso da marca. 17

Inevitável (T) 2005: Da casa Santa Vitória chega-nos este lote de Touriga Nacional e Syrah. O nariz está muito directo e, curiosamente, já equilibrado com fruta doce (mas não enjoativa) e notas violáceas não excessivas. Na prova de boca volta a revelar fruta de qualidade, mas falta-lhe alguma complexidade e garra. É bom e só não cativa mais pela sua excessiva linearidade. A cerca de €20. 16,5

Casa de Santa Vitória Reserva (T) 2007: Lote de Touriga Nacional (50%), Cabernet Sauvignon e 20% de Syrah. Muito bem no nariz, com fruta madura e madeira muito bem integrada, um estilo moderno, ligeiro floral, mas com frescura surpreendente para um reserva do Baixo Alentejo. A boca confirma a boa prova do nariz, polida, com complexidade, nervo (certamente do Cabernet), especiarias exóticas e um bom final. Uma boa surpresa. Pode evoluir bem durante os próximos 5 anos. 17+

Esporão Touriga Nacional (T) 2007: As novas monocastas do Esporão sofreram um grande "upgrade", e são agora resultado de produções mais pequenas e de melhor acabamentos. Este TN provem de uma vinha da propriedade de Reguengos plantada há mais de 20 anos. Apresenta-se muito bem no nariz, profundo e com o floral não excessivo. Boca também de qualidade, aveludada mas potente, com muita concentração e um final sério e impositivo. Poderá evoluir bem durante os próximos 5 anos. A cerca de €25. 17+

Marquês de Borba Reserva (T) 2007: Mais uma vez esta uma marca de referência do Alentejo (Estremoz) oferece-nos um tinto belíssimo. Cheio de força e intenso no nariz – com fruta negra e algum vegetal seco, notas terrosas –, e uma prova de boca que indicia anos de vida com fruta latente e especiarias da madeira, tudo num estilo seco. Merece ser esquecido durante uns anos na garrafeira pois irá evoluir muito bem na próxima década. Abaixo dos €30. 17,5++

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domingo, março 21, 2010

"Alentejo report": parte 1

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Depois do "Douro report" (v. aqui), é a vez do Alentejo. Fica a primeira parte de pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Alentejo, em especial das colheitas de 2007, 2008 e 2009. São algumas notas curtas, todas de vinhos brancos, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser de consulta simpática e inteligível. Vejamos:
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Dona Maria (B) 2008: Aromas frescos de índole vegetal, fruta ácida na boca, final precipitado e demasiado rústico. Bom, mas algo complicado. Preço cordato abaixo dos €6. 15,5

Amantis (B) 2007: No nariz, revela notas curiosas a jasmim, azeitona preta e gengibre. Boca redonda, sentindo-se a madeira, untuoso e de final garboso. Interessante. 16

.Com (B) 2008: Fresco e muito directo no nariz, faltando complexidade. Ligeiro, directo e bastante agradável. Um branco de Verão. 15,5

Monte dos Cabaços Colh. Seleccionada (B) 2008: Tem uma ligeira complexidade olfáctica que faz esquecer uma prova de boca linear e sem garra. Simples e descomplexado. 15

Herdade dos Grous (B) 2009: Acabado de sair para o mercado, limpo no nariz, directo nas referências a ananás e banana. Para beber novo pois é agora que dá prazer. Abaixo de €8. 15,5

Herdade dos Grous Reserva (B) 2008: Notas de madeira a sobressaírem no nariz (espuma de café, aduelas), e fruta ainda algo escondida. Boca com volume, saborosa até ao final, poderá evoluir bem nos próximos 3 anos. Revela bom nível geral. A cerca de €20. 16,5.

Comenda Grande (B) 2008: Lote de Antão Vaz, Arinto e Verdelho, está muito fresco, com boa acidez, um vinho aparentemente simples mas muito bem feito. Bom preço abaixo dos €7. 16

Monte Vilar Reserva (B) 2008: Nova marca do produtor "Casa Santa Vitória". Sente-se o diálogo entre a casta Arinto e a barrica, revela estilo moderno, bem trabalhado na vinha e na adega. Com garra. Mais seis meses em garrafa só lhe fará bem. 16,5

Casa de Santa Vitória Reserva (B) 2007: Notas tostadas da barrica no ataque inicial, evolui muito bem durante a prova. Pendor vegetal, notas de folha de chá e ligeira torrefacção. Boca potente, mas fresca, expressiva e saborosa com ligeira evolução. Muito interessante. A acompanhar em futuras edições. Bom preço, abaixo dos €12. 16,5

Esporão Verdelho (B) 2008: Naturalmente vegetal nos primeiros aromas, é um branco de atracção imediata (para quem se identifica com a casta), apesar da sua subtileza na prova de nariz e da pureza na prova de boca. Bom preço, abaixo dos €9. 16,5

Vila Santa (B) 2008: Muito expressivo e cheio de intensidade aromática com o Antão Vaz a comandar as hostes. Alguma acidez do Verdelho ajuda a compor a frescura e fruta do Arinto, ligeiro toque da madeira, temos aqui um lote muito bem pensado. Moderno no estilo, de grande atracção. Preço cordato, abaixo dos €10. 16

Antão Vaz da Peceguina (B) 2008: Pouco intenso na prova olfactiva de início, depois revela ligeiro floral e fruta branca (alperce maduro). Na boca melhora, está seco com ligeiro mineral. Tudo bem feito, mas pouco original. Para os fanáticos da casta. 16

Malhadinha (B) 2008: Lote de Chardonnay e Arinto, por ora é a casta francesa a dominar e, por isso, sobressaem as notas amanteigadas. Todavia, revela mais acidez que em anos anteriores, melhora no perfil com uma boca fresca e um final refrescante limonado. Voltar a provar daqui a um ano pois acreditamos que irá melhorar. Um passo à frente em relação às edições anteriores. 16,5+

Esporão Private Selection (B) 2008: Algo fechado, mas são já evidentes as notas da barrica mas, surpreendentemente, a fruta (branca e madura) não está escondida, bem pelo contrário. Boca cheia, quase que se mastiga, ampla mas - felizmente - com pouco peso residual. Belo final de boca, de comprimento assinalável. Vai melhorar em garrafa nos próximos três anos . 17+

Tapada de Coelheiros (B) 2008: Lote de Roupeiro, Chardonnay e um pouco de Arinto, revela-se fresco, leve e divertido, com ligeira tosta no nariz. Está vibrante na boca, mas falta final e um pouco mais de complexidade. Gastronómico. 15,5

Tapada de Coelheiros Chardonnay (B) 2008: Um branco muito sério, com as notas amanteigadas da casta francesa em evidência mas sem cansar. Boca poderosa, apesar de linear, e um final saboroso muito conseguido dado o significativo comprimento. Mais uma boa edição de um dos melhores chardonnays alentejanos. Preço cordato abaixo dos €15. 16,5+

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terça-feira, março 16, 2010

Surpresa


Compota Tinta Roriz (T) 2007

Uma surpresa efectivamente... mas não por duvidar do qualidade do "projecto pessoal" de Pedro Carvalho (e referimo-nos a projecto pessoal por contraposição ao projecto familiar da conhecida Casa de Santa Eufémia). Uma surpresa, isso sim, pela casta escolhida para este tinto estreme, nem mais nem menos que a cada vez menos privilegiada Tinta Roriz. E uma surpresa também pelo registo: fino e elegante (que nos lembrou, por vezes, um Pinot Noir menos complexo), bem longe do perfil concentrado do Compota (T) 2005, produzido também no Douro mas a partir da mediática Touriga Nacional.

No copo, a cor, como deixámos antever, revela concentração mediana, com transparência bastante assinalável. A prova de nariz é muito agradável, contribuindo para isso as matizes de fruta silvestre encarnada fresca, notas tostadas sem excesso, e um toque mineral persistente, tudo num conjunto directo, bonito e (parece-nos) bem trabalhado na vinha onde é preciso ter cuidado com a casta que amadurece cedo.

Na boca, mantém o registo refrescante, de tinto fino e com bom recorte, com fruta saborosa apesar do final de boca algo curto. A madeira quase não se sente (poucos meses de barrica, certamente) deixando a fruta encarnada dominar o palco e a prova - e ainda bem! Precisa somente de maior complexidade, e quem sabe se de um par de anos em garrafa, para voos mais altos.

No mercado, devem contar-se pelos dedos das mãos os monocastas de Tinta Roriz/Aragonês, independentemente da região do país, numa tendência que se tem intensificado nos últimos anos. Neste tinto estreme, encontramos um duriense personalizado, apostado na elegância sóbria. A acidez capaz, e a frescura vincada, colocam-no como um bom companheiro à mesa, jogando na maridagem com saladas, carnes simples, e mesmo peixes assados. A menos de €14, é então uma surpresa que merece ser provada.

16,5
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domingo, março 14, 2010

Mais um (do mesmo) devaneio


Ainda sobre as publicações à volta do vinho, detenho-me novamente em frente ao local onde compro jornais e revistas, e penso nos profissionais do sector. Sobretudo nos escanções, mas também nos proprietários de garrafeiras e nos empresários de hotelaria. E claro, nos produtores. E claro, nos próprios jornalistas. É muita gente (!), bem sei; mas não serão, ainda assim, revistas em excesso?
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quinta-feira, março 11, 2010

Devaneio


Subo a Castilho e dirijo-me à Rodrigo da Fonseca. Detenho-me no lugar de (quase) sempre e olho para jornais e revistas. São mais de 4 os periódicos nacionais à volta do vinho!


Sabemos que a tiragem de alguns aumentou na sequência do surgimento de outros - num reprodutor movimento de autopoiesis capitalista -, mas é legitimo interrogarmo-nos sobre se teremos capacidade para manter todas estas publicações.

Esperemos [mas por quanto tempo (?)] que sim.

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terça-feira, março 09, 2010

Provas



Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007

Novo vinho, novo topo de gama deste produtor duriense. No copo, está praticamente opaco na cor a denotar de imediato muita concentração e alguma juventude.

Na prova de nariz, topa-se a Touriga Nacional muito madura, com matizes florais de braços entrelaçados com referências gulosas a compota e geleia de fruto preto. A madeira não se impõe e o registo é cativante sobretudo pela intensidade e exuberância aromática desde o primeiro impacto, muito próximas do que esperaria de um LBV.

Na prova de boca começa áspero com as notas da barrica mais evidentes do que no nariz; depois taninos vincados mas doces, e mantém o carácter sedutor num final saboroso (tudo aponta) ainda em crescimento.

Um conjunto muito exuberante, dominado por matéria-prima - Touriga Nacional - com séria pujança (o vinho tem 16º de álcool), mas onde a enologia procurou preservar alguma elegância. Sem dúvida, o melhor vinho produzido com a chancela Quinta dos Avidagos que já provámos.

A título de notas finais, o vinho custa cerca de €30 mas dizem-nos que está esgotado no produtor. Acresce ainda o recente 2.º lugar na prova de vinhos de topos de gama nacionais que decorreu na Essência do Vinho.


17-17,5


Próximas provas: Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

segunda-feira, março 01, 2010

Provas


Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008

Voltamos à prova de um néctar proveniente de uma das quintas do Douro cujos vinhos mais vezes provámos para o Saca a Rolha. Da Quinta da Sequeira, sita no Douro superior, chega-nos este branco de vinhas velhas (Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato), agora com nova roupagem (nova garrafa e rótulo com serigrafia) em relação às colheitas anteriores.

No copo, revela cor amarela carregada mas não escura. No nariz, começa por insinuar-se com anis e laivos de amêndoa seca. Um pouco depois, também com um interessante carácter floral (pétalas) e alguma pipoca da madeira onde estagiou.

Na boca entra maciço, com carga e potência, mas menos expressivo na fruta do que em edições anteriores: onde antes passeava fruta madura (nem sempre consensual mas apelativa), agora vagueiam notas tostadas e minerais que ajudam a construir uma arquitectura de vinho mais séria. A acidez está correcta (bem melhor que em edições anteriores), o final é expressivo, mas o conjunto não consegue surpreender – apesar da qualidade, parece algo preso, pelo que beneficiará de alguns meses mais em garrafa.

O perfil do vinho mudou em relação às colheitas anteriores, mas mantém-se de boa estirpe (custa cerca de €16) e deverá evoluir bem, recomendando-se no acompanhamento de carnes brancas ou pratos de bacalhau. Em todo o caso, julgamos que a Quinta da Sequeira ainda poderá originar melhores vinhos brancos num futuro próximo, e estamos certos que a actual equipa enológica - liderada por Rui Cunha - tudo fará nesse sentido.

16+


Próximas provas: Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Provas



Negreiros (T) 2007

Regressados da região de Mendoza (Argentina), e dos vales semi-desérticos que a compõem, plantados massivamente de Malbec, é tempo para tentar voltar a colocar em ordem as provas periódicas de novos lançamentos.

Com este Negreiros da safra de 2007, temos mais um tinto moderno de terras nortenhas. Intenso, ainda que algo linear, na prova de nariz, revela fruta negra - como é típico do Douro Superior de onde provém - mas latente, como que pronta a explodir assim a tosta da madeira o permita com o estágio em garrafa.

A prova de boca, por seu turno, está redonda, centrada com eficácia essencialmente no binómio fruta e cacau, com mediana acidez e taninos domados e saborosos. "Madeira à vista" (quase apostamos em carvalho francês), falta, todavia, maior complexidade na boca e um final de prova mais prolongado e vincado.

Está tudo a dizer-nos que temos aqui um bom tinto para consumo generalizado, um vinho prazenteiro para várias ocasiões, mas também com algum comportamento sério que lhe confere versatilidade à mesa. Com enologia de João Brito e Cunha, à venda por menos de €10, o que, não sendo barato, não escandalizará ninguém face à qualidade apresentada.

16


Próximas provas: Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Próximos dias

Caros,
Nos próximos dias, é muito provável que não surjam novos textos. É que estamos de malas para a Argentina, onde provaremos vinhos e visitaremos produtores para depois relatarmos aqui.
Cump.
NOG

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Dois anos e meio depois...


Quinta das Marias Garrafeira (T) 2005

É inestimável o valor da evolução positiva em garrafa para alguns vinhos. Na verdade, nem sempre assim acontece e, por isso, muitas vezes já ficámos com a sensação que provámos e bebemos determinados vinhos tarde de mais. Mas outras vezes existem que, ao voltar a provar um vinho dois ou três anos depois do seu lançamento no mercado, nos deparamos com um "ser diferente" do que conhecíamos, quase sempre mais "maduro", mais seguro de si, com as debilidades iniciais corrigidas e as feridas juvenis praticamente saradas (assunto a que já nos referimos, mais timidamente, aqui). Foi isso que aconteceu com uma prova recente do Quinta da Marias Garrafeira (T) 2005.

É certo que este tinto da Quinta das Marias, como aliás a maioria dos vinhos deste produtor do Dão, sempre teve atributos notórios logo à nascença; é certo que este Garrafeira, ao invés agora dos seus irmãos de gama, sempre privilegiou a complexidade (sobretudo na prova de nariz) em teor da exuberância... isso tudo é certo, mas nem mesmo essas evidentes qualidades iniciais foram suficientes para nos preparar para o deleite desta última prova!

Grande intensidade aromática mas não de forma abrupta e exuberante, antes discreta e profunda. Notas florais a comandar as hostes muito bem secundadas por fruta abundante, fresca e misteriosa. Prova de boca equilibradíssima, larga na complexidade e ao mesmo tempo fina na subtileza, fruta encarnada madura e ligeira doçura baunilhada exactamente no ponto certo, tal como a acidez também muito afinada. Final excelso no sabor.

A garrafa esteve sempre sujeita a temperatura e humidade ideais para uma adequada evolução, e a conclusão é uma só: muito bom! A prova que vale bem não beber alguns vinhos logo aquando do seu lançamento, devendo-se antes esperar dois ou três anos para melhor integração do conjunto. Acreditamos que este Garrafeira da Quinta das Marias irá manter-se neste nível por mais um par de anos, e gostaríamos de acreditar que daqui a cinco anos vai estar ainda melhor. Será?

17,5+

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Provas


Fiuza Sauvignon (B) 2009

Um texto pequeno, sem derivações, sobre um vinho sem derivações. Um branco, já de 2009, absolutamente focado na procura pelas referências à casta Sauvignon Blanc que países produtores como a Nova Zelândia, a Austrália e a África do Sul nos têm vindo a habituar. Ou seja, um Sauvignon directo, sem nenhuma concessão nem procura por complexidade, aroma a relva cortada de fresco, a ligeiro xixi de gato, a vegetal imberbe e a um maracujá verde.

Um branco que se sugere a acompanhar comida exótica e levemente picante, sobretudo num dia quente. Um Sauvignon, com preço imbatível abaixo dos €4, que não fica atrás do que se vai produzindo em massa por esse (novo) mundo fora, bem longe do Vale de Loire, berço de alguns dos mais minerais e deslumbrantes brancos franceses.

14,5 - 15


Próximas provas: Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Provas



Quinta do Francês (T) 2007

O enófilo mais atento já estaria à espera que o que se segue viesse, mais tarde ou mais cedo, a acontecer: a erupção de um belo tinto argarvio. Na verdade, o Algarve, apesar da longa ausência na produção de vinhos de categoria cimeira, não tem estado propriamente alheio à modernização vitivinícola, e são vários os sinais: (i) em primeiro lugar, cada vez existem mais vinhos feitos de forma séria e com o auxílio de enólogos competentes, (ii) depois, existem já duas ou três casas produtoras que, mesmo em tempos de crise, não têm tido qualquer problema com o escoamento dos seus vinhos (esgotam com frequência sobretudo os brancos e os rosés), (iii) por fim, a construção recente de um par de adegas modernas e vistosas capazes de atrair muitos visitantes (essencialmente turistas veraneantes, mas visitantes são visitantes), tantos já que fazem (ou deveriam fazer) inveja a outras regiões ditas com mais notoriedade.

Pois bem, a nosso ver, só faltava mesmo esta novidade para confirmar o renascimento da região, a da produção de um belo tinto algarvio - é certo que já existiam outros interessantes na região, mas este está, decididamente, um furo acima. É certo também que este tinto da colheita de 2007 não nos faz recordar a região mais solarenga do país (em prova cega, está entre o Douro e Alto Alentejo), até porque tem frescura, alguma acidez, e muita - mas mesmo muita - garra. Mas, talvez a qualidade que mais apreciámos neste tinto seja outra ainda - a notável simultaneidade entre o estilo novo-mundista que adoptou e algumas "não concessões" que pratica com os seus taninos sérios e ausência de sobre-maturação.

A partir das castas Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah, plantadas em encostas xistosas do Rio Odelouca (Silves), e com 20 meses em barricas de carvalho francês, apresenta-se com uns equilibrados 14% (hoje em dia 14% é uma cifra razoável, comparado com o que se pratica um pouco por todo o país). No copo apresenta-se encarnado muito escuro, quase ruby, com transparência ligeira.
+
Nariz com estilo guloso mas sem revelar fruta excessiva, aqui e ali ligeiramente austero e fechado (como gostamos) quase rústico, a madeira ampara mas não está, felizmente, exuberante. A prova de boca confirma os melhores auspícios, larga/ampla, taninos saborosos e impecáveis no desenho com tanto de garra como de cetim. Final médio, mas em construção, poderá melhorar.

A cerca de €18 a garrafa, está um conjunto muito afinado, tudo óptimas indicações para o que o futuro pode reservar, enfim um nome a não esquecer este da Quinta do Francês. E sim, o produtor é francês (!), Patrick Agostini de seu nome.

16,5-17


Próximas provas: Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Provas


Arundel (T) 2007

Regional Alentejano, produzido por Joaquim Pedro Arnaud em terras de Pavia, distrito de Évora entre Mora e Cabeção (as mesmas terras que produzem um excelente azeite também engarrafado pelo produtor). Em 2007, o lote, praticamente opaco na cor, foi constituído por Aragonês, Trincadeira e as cada vez mais inevitáveis (pelo menos em solos alentejanos) Syrah e Alicante Bouchet.

Aroma muito limpo e intenso, com fruta madura – mais preta que encarnada – e directa, com as castas Aragonês e Syrah a muito bom nível, ligeiro chocolate que agrada por não ser impositivo e madeira sem baunilha. Em suma, uma prova de nariz com fruto muito bonito, boa complexidade e sem exageros.

Na boca, a entrada apresenta-se mais macia que robusta, mas a meio do palato surge um veio mais rude a revelar carácter (certamente do Alicante) potência e taninos - tudo muito bem! Acidez mediana e final muito interessante, longo e saboroso, em crescendo.

Uma bela surpresa! Um tinto equilibrado, prazenteiro e a menos de €20. O que pedir mais?

16,5-17


Próximas provas: Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Provas comparadas


Verdelho

Dois brancos em prova produzidos a partir de uma mesma casta, cada vez mais em voga, Verdelho. Dois terroirs, a ilha da Madeira e o Azeitão (Setúbal).

O Primeira Paixão (B) 2007, directamente da Pérola do Atlântico, apresenta um estilo seco, muito seco. Subtil e tímido no nariz, com notas vegetais a comandar as hostes, secundadas por uma panóplia delicada de frutas tropicais exóticas como ananás-banana. A boca mantém o registo, ligeiramente "crispy", nuances amargas no fim de boca, e muita competência na hora de acompanhar comida. 16,5

O Colecção Privada DSF Verdelho (B) 2008 é, em comparação com o anterior, mais exuberante, desde logo mais "evidente" na vertente da fruta tropical no nariz. É também mais gordo, menos seco portanto, com um final de boca cativante mas menos fino. Um verdelho para quem gosta de emoções fortes, muito ao estilo de alguns "bestsellers" verdejos de Rueda (Espanha), mas nem por isso menos interessante. 16,5

Inevitavelmente parecidos - porque ambos produzidos a partir de uma casta que, por norma, é facilmente identificável na prova de nariz -, têm, todavia, perfis diferentes: mais austero o madeirense, mais emotivo o continental. Ambos os vinhos revelam belíssima acidez e boa capacidade gastronómica. Uma coisa é certa, temos casta! O preço de ambos ronda os €15 por garrafa, talvez um pouco menos.

domingo, dezembro 27, 2009

Provas especiais


CASA FERREIRINHA '85, '86, '96 E '97

Não temos uma resposta incondicional para o fenómeno, mas a verdade é que o Inverno nos impele para a prova de vinhos com alguma idade. O frio do época poderia, é certo, aconselhar exactamente o oposto, ou seja a escolha de vinhos jovens, encorpados, cuja força, exuberância e álcool aquecessem os "espaços em volta", mas não. Decididamente, a nossa escolha tem seguido inteira para vinhos, normalmente tintos, moldados pelo tempo, vinhos com fôlego e com a subtil complexidade que só o tempo em garrafa atribui. Talvez seja afinal a Quadra Natalícia, e a inerente vontade de provar o que de melhor temos na garrafeira, que nos leva a cometer esse devaneio de abrir algumas daquelas preciosas garrafas que reservamos para uma ocasião especial. Talvez...


Este ano, regressámos à "Casa Ferreirinha" (Sogrape), um dos poucos produtores nacionais que, a par de vinhos de volume, se especializou em tintos que sabem e conseguem envelhecer de forma nobre. Este ano, regressámos a duas colheitas dos anos '80 e a outras duas da década de '90. De uma assentada, provámos - e adorámos todos eles – o Barca Velha (T) 1985, o Ferreirinha Reserva Especial (T) 1986, o Ferreirinha Reserva (T) 1996 e o Ferreirinha Reserva Especial (T) 1997. Incrível, desde logo, o facto de todos os vinhos estarem em perfeitas condições, ou seja, sem oxidações excessivas, sem cheiro a "rolha", com níveis adequados de líquido, com as rolhas firmes, todos com viva cor encarnada e todos (uns mais do que outros) com fruta ainda evidente.

Nos vinhos da década de '80, o Barca Velha (T) 1985 mostrou-se altivo, com uma cor impressionante para os seus vetustos 25 anos (próxima da tonalidade exibida pelo Reserva de 1996, onze anos mais novo...), um nariz clássico elegantíssimo onde notas a caça mortificada e fruta encarnada se moldam em harmonia até um final perfeito, fino mas longo (17-17,5). Ainda melhor que o anterior, o Reserva Especial (T) 1986 revelou-se um hino aos vinhos com evolução em garrafa: perfeito na fruta que enche o "bouquet", ainda irreverente, com enorme elegância mas também vigoroso, referências a mina de lápis e tabaco num fundo ainda nítido de frutas como cereja e groselha encarnadas; final perfeito, em crescendo, impressionante a vários títulos (17,5-18).

Depois, foi a vez dos dois vinhos da década de '90, necessariamente mais "novos", mas ambos a revelar a marca do produtor e do nome que ostentam. O Reserva (T) 1996 em bom nível, macio e aveludado, notas positivas de evolução mas ligeiramente mais linear (e menos fresco) que os restantes provados (16,5-17) e, por isso, aconselha-se bebê-lo nos próximos anos. Já o Reserva Especial (T) 1997 mostra-se com taninos saborosos, com vigor, especiado e com frescura, ainda com bom nervo, boca com complexidade em alta e final elegante. Pode ainda ser guardado mais uns anos na garrafeira (17-17,5).

Em suma, quatro grandes vinhos e a uma certeza: a de que a Casa Ferreirinha tem vinhos que sabem, efectivamente, envelhecer nobremente. É claro que sempre ficam algumas interrogações: será que a década que se aproxima nos vai trazer mais tintos destes? Daqui a 10 anos, como estará o Reserva Especial (T) 2001 recentemente lançado no mercado? Independentemente das respostas a estas (e outras) questões, certo é que todos os vinhos provados estavam óptimos e recomendam-se, merecendo destaque absoluto o Reserva Especial (T) 1986, um vinho que, com 24 anos, se mantém um gigante com "pernas para andar" na garrafeira e que, nessa medida, pode ainda ser guardado mais uns anos, sempre para os momentos especiais da vida - se poderia ter sido Barca Velha(?), talvez... mas isso, a nosso ver, não interessa nada.


Boas Festas e Feliz 2010!

terça-feira, dezembro 22, 2009

Novidade


Quinta da Covada Reserva (T) 2007

Cor muito escura, e alguma espuma violeta, a denotar juventude. No lote, onde entra uma percentagem de uvas de vinhas velhas, o predomínio é para a Touriga Nacional mas também (saúda-se pois não vem sendo comum) para a Tinta Roriz.

A prova de nariz revela uma fruta encarnada muito bonita, depois notas mais florais, a urze. Conjunto sem excessos, tudo entre o fresco e o cativante, num perfil muito duriense e gastronómico. Prova de boca saborosa, que se inicia com uma boa entrada de boca. Corpo e final de boca médios sem desmerecer, confirmando consistência ao conjunto no qual apenas a madeira está a caminho de melhor integração. Acresce um ou outro tanino "verde" (que poderá ser da madeira), devendo evoluir positivamente nos próximos 2-4 anos (pelo menos).

Mais uma bela estreia no Douro, um tinto com qualidade e carácter. Numa linha sem excessos (num ano dado a isso...), nem mesmo no preço que ficará abaixo dos €15.

16,5
+

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Provas


Quinta do Lubazim Reserva (T) 2005

Cor retinta, bem concentrada mas não opaca. Prova de nariz com boa intensidade, fruto maduro com predomínio para amoras e gingas, notas licorosas agradáveis e subtil chocolate.

A boca confirma o perfil generoso e garboso na fruta, muito saborosa de resto, cheia, quase-carnuda, de taninos redondos e final de boca correcto.

Um tinto muito consensual, que aposta sobretudo na generosidade da fruta, num carácter quase primário e autêntico não fosse o uso da barrica a atribuir-lhe uma maior complexidade. Quente de aroma e sabor, muito prazenteiro (mais a solo do que a acompanhar refeições), é um tinto que não desmerece a sua região, muito pelo contrário, é mesmo o Douro Superior numa garrafa.

A menos de €20 para quem não o tem e quer comprar, para os restantes - não esperem por ele na garrafeira pois parece estar agora na sua melhor fase.

16,5


Próximos vinhos: Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007

segunda-feira, dezembro 14, 2009

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Rol de Coisas Antigas (T) 2007

Muito curioso, e não só pelo nome, este tinto (mais um fruto da criatividade de Carlos Campolargo) bairradio Rol de Coisas Antigas. Nariz exótico, combinando notas adocicadas a alfarroba, urze e flores, muitas flores campestres e ligeiro couro – ao que parece, diz-nos o produtor, tanta originalidade advém do uso de castas antigas e/ou pouco utilizadas neste tempo (e daí também o nome escolhido para o vinho).

A boca apresenta-se pronta a beber, de taninos discretos, muito afinado mostrando enologia moderna, ao qual falta, todavia, alguma garra tão típica na região. Existe uma certa nostalgia exótica neste tinto, de aroma original e boca capaz.

Não sendo o melhor tinto de Campolargo (anda mesmo longe disso) merece ser descoberto, nem que seja pelo registo diferente com que se apresenta, a cerca de €10.

16


Próximos vinhos: Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009

quinta-feira, dezembro 03, 2009

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Obsessão (T) 2004

Cor a revelar muita concentração e a não fazer notar que passou já meia década da vindima. No nariz, um primeiro aviso a informar que é preciso arejamento, e depois… uma imensa profundidade aromática, daquela profundidade quieta, ortodoxa, nada exuberante.


É, por isso, um tinto que precisa e merece atenção, de bons e grandes copos, e que não pode passar despercebido, nem se deve desacertar com a sua complexidade. Ainda no nariz, mas já no fim da palete aromática surge a fruta madura (quase uma surpresa dado o invólucro cheio de frescura) mesclada com especiaria fina, daquela que o produtor já nos habituou noutros tintos da marca "Altas Quintas", muito provavelmente da madeira onde estagiou por vinte meses. Boca com acidez viva a proporcionar grande frescura – a antítese de um vinho enjoativo – todo ele gastronómico, um vinho que apetece beber e com o qual apetece comer.

Muito bem! Entre €40 a €50, um tinto com qualidade (e preço) elevado que certamente irá evoluir muito bem em garrafa e, por isso, dará melhor prova nos próximos dez anos.

17,5++


Próximos vinhos: Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007

domingo, novembro 29, 2009

Provas comparadas

+
Espanholices:


Três tintos espanhóis, todos com galardões mas de preços e colheitas diferentes, todos "ao molho" numa prova só. Ou seja, prova livre e de livre espírito crítico, como tudo devia ser...

Psi (T) 2007: Mais fresco do que as restantes criações de Peter Sisseck, fruto muito puro, bonita prova nariz, mas na boca pretende-se mais do que um tinto fresco e gastronómico (que o é), era preciso mais garra e profundidade, mas tem taninos e acidez que o permitirão evoluir (entre €25 a €30). 16,5+

El Puntido (T) 2005: Já o tínhamos provado outras vezes antes desta, é um tinto moderno, internacional no estilo, com fruta e madeira em doses certeiras e uma doçura que não chega a incomodar. Bom trabalho na madeira, que na boca se sente oferecendo alguma garra que os taninos do vinho não têm. É bom - teve 93 pontos "Guía Peñin" - mas não faz sonhar (a cerca de €30). 16,5-17

La Nieta (T) 2004: Este sim, este DOC Rioja (das "Bodegas Viñedos de Páganos") convence-nos... abre com nariz sisudo, pouco expressivo de início mas muito profundo. Boca na mesma linha, de início fechada mas opulenta de seguida, com fruta saborosíssima. A madeira ainda está evidente e os taninos são brutais, mas o que é mesmo evidente é estarmos na presença de um grande vinho com um grande futuro (entre €60 a €80). 17,5++



quarta-feira, novembro 25, 2009

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Altas Quintas Reserva (T) 2005

Muito escuro no copo, púrpura e violeta praticamente opaco. Nariz muto intenso com notas imediatas a etanol e ligeira madeira (a lembrar mobiliário antigo). Neste início, a fruta aparece sem pressas, e como que disfarçada em matizes de amoras e mirtilhos. Com uma hora no decante, maior expressão toma a fruta, agora acompanhada de um toque fresco a menta – de resto, não evolui muito (o que aparenta garantir-lhe longevidade).

Boca fresca, ampla com taninos muito presentes, saborosos mas ligeiramente ásperos. A melhorar os taninos, e também o final de boca que deverá crescer em comprimento.

Um belo tinto, fresco e profundo (ao qual falta apenas, no nariz, melhor definição da fruta), que respeita o terroir de origem - Alto Alentejo - e que merece descansar mais um pouco na garrafeira. Neste momento, do mesmo produtor e colheita, dá mais prazer o "Mensagem Aragonês (T) 2005" (ver aqui).

17++


Próximos vinhos: Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007

quarta-feira, novembro 18, 2009

Provas


Quinta das Maria Touriga Nacional (T) 2006

Voltando às provas e deixando de lado, por breves textos, as novidades, avançamos para este cada vez mais conhecido tinto do Dão. O estilo é marcante, com muita potência na prova de nariz e boca, um vinho que pretende ser uma simbiose entre o que o Dão melhor pode proporcionar, mas nem sempre consegue: força e elegância.

No nariz, contudo, é a força que se impõe, infelizmente com a madeira ainda por integrar, num registo de muita fruta a par das típicas notas violetas da casta. Apelativo, mas algo "morno", com alguma compota e notas soltas a chocolate. Na boca melhora pois a madeira não está tão evidente e a fruta é mesmo saborosa, com ligeira (mas essencial) frescura. Final agressivo, "largo" e expressivo, mas ainda longe da elegância revelada por outros vinhos da casa.

Neste momento, está para os fãs da marca (que, merecidamente, já são muitos), mas, a nosso ver, o melhor é por ora beber, da mesma casa, o tinto Garrafeira e/ou o Touriga Nacional, ambos da magnífica colheita de 2005.

16,5+


Próximos vinhos: Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim (T) 2005; Arundel (T) 2007

terça-feira, novembro 10, 2009

NOVIDADES DO DOURO



São duas novidades do Douro, de colheitas e produtores diferentes. O tinto de 2006 da Quinta da Foz, uma das poucas quintas da família Cálem que não foi alienada a terceiros, já está no mercado faz cerca de 2 meses, mas não deixa por isso de ser uma novidade a nosso ver. Depois de uma enorme reconversão das vinhas (à excepção da vinha velha que ficou inalterada) e de uma nova adega é bom ver renascer esta quinta!
O (também) tinto da Tapadinha é de 2007 e é mais recente no mercado, mas o produtor há muito que faz (bom) vinho, basta dizer que e é o primeiro resultado a sair da quinta recentemente adquirida por Domingos Alves de Sousa na região do Cima Corgo.

  • Quinta da Foz (T) 2006
Novo projecto de uma quinta emblemática do Douro situada na foz do rio Pinhão. Depois da boa receptividade do tinto VT (colheitas '04, '05 e '06), José Maria Cálem volta à carga, desta feita agora com um tinto menos rústico, mais sofisticado e prazenteiro na fruta, enfim bastante mais no "estilo Pintas". Aroma quente, notas licoradas e frutos negros e encarnados. Boca já sedosa, saborosa e com taninos certeiros na proporção macieza/envergadura. Belo final a prometer evolução (irá, naturalmente, melhorar em garrafa nos próximos 5 anos). A cerca de € 35 nas melhores garrafeiras e também no clube WinePT. 17-17,5+


  • Tapadinha Grande Reserva (T) 2007
Novo projecto de Domingos e Tiago Alves de Sousa, desta feita numa investida no Cima Corgo. Absolutamente negro no copo, muito químico no nariz, tinta-da-china, frescura química que esconde o álcool elevado (15.º). Na boca melhora, mostra a meio do palato força e juventude com muita fruta negra, sem revelar contudo arestas vincadas. Por ora, falta final de boca mas está interessante, no perfil concentrado. Entre € 20 a € 25 nas melhores garrafeiras. 17
+

domingo, novembro 08, 2009

NOVIDADE


Esporão 1.º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo (T) 2007


As recentes colheitas de 2007 e 2008, com temperaturas moderadas um pouco por todo o país, os avanços tecnológicos no trabalho na adega, e a introdução de castas com perfil floral (eg., Touriga Nacional e Franca), fizeram com que a planície alentejana começasse a produzir vinhos onde o calor da fruta não é o aspecto mais evidente. O gosto de alguns consumidores – que, alegadamente, terá cambiado no sentido de preferir vinhos menos madurões – também marcou a suposta reviravolta.

Um dos melhores exemplos da planície chega-nos ao copo com este Esporão 1.º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo (T) 2007. Sim, porque se no primeiro ataque no nariz nos faz questão de lembrar que tem Syrah e Touriga Nacional, numa vertente próxima do rebuçado e da compota, já com alguma oxidação forçada com o mover do copo são outros os aromas exalados, mas próximos da urze e de algum vegetal mesmo, talvez fruto da Touriga Franca e do Alicante Bouchet que também contém. Na boca mostrou-se muito bom, com taninos suaves mas não redondos, antes saborosos, algum chocolate no fim da fruta encarnada madura, e madeira a aparar o lote. Nada de excessos, nada de concentrações majoradas, e até alguma frescura e largura no fim de boca. Poderá – e deverá – melhorar com mais 2 a 3 anos em garrafa.

Um bom exemplar do que melhor se faz no Alentejo com recurso a castas que, à excepção do Alicante, não são propriamente típicas da região (o Alicante não sendo indígena tem vindo a ser utilizada faz vários anos). Não por isso (ou talvez?), ressente-se apenas uma certa falta de complexidade e até, opinião pessoalíssima, a falta de um ligeiro lado rústico que não dispensamos quando provamos alentejanos.

A cerca de € 35 nas melhores garrafeiras, temos aqui um vinho de muito prazer.

17+
+

domingo, novembro 01, 2009

NOVIDADE

+
Quinta do Vallado Reserva 2007

Se, por um lado, os Vallado Reserva (T) das colheitas de 2000 e de 2003 espantaram(-nos) pela maturação não excessiva da fruta, ao contrário de parte dos seus pares durienses, e se, por outro lado, os Vallado Reserva (T) de 2004 e 2005 encantaram(-nos) pelos taninos valentes, secos e gastronómicos, em especial o '04, é então licito concluirmos que este Reserva (T) de 2007 marcou(-nos) pelo carácter perfumado e pela elegância das suas "formas".

Com uma maior percentagem no lote de Touriga Nacional ("o melhor talhão de Touriga disponível na quinta", segundo os responsáveis) em relação a anos anteriores, o nariz deste Vallado Reserva encontra-se, naturalmente, marcado por um timbre floral, mas sem excessos antes em plena conjugação com fruta encarnada de qualidade e madeira nova, num blend muito cativante e nada maçador. No copo, pronto a levar à boca, apresenta-se de cor ruby, não opaca portanto, e de corpo aparentemente esguio que não deverá, todavia, afastar os consumidores.

Muito saboroso logo na ataque de boca, com fruta fresca no meio do palato marcado pela fruta encarnada e ligeira madeira, é contudo o seu final de boca, com acidez, elegância e profundidade, que nos leva a concluir que temos vinho, e que teremos vinho para os próximos anos. É preciso é saber esperar...

Esta edição de '07 estará, sem muitas dúvidas, o Vallado Reserva (T) mais apelativo e perfumado no nariz de todos os que conhecemos (e conhecemos todos...), ao que acresce a boca equilibrada apanágio da marca, plena de sabor como nunca antes, e sem esmagamentos ou potências desmedidas. Uma das melhores edições deste tinto a um preço não exagerado entre € 28 a € 32.


17,5
+

sábado, outubro 24, 2009


Independent Winegrowers Association

São conhecidos por IWA, mas ninguém duvida que são sobretudo(re)conhecidos como a associação dos produtores vinícolas Nuno e Pedro Araújo (Covela e Ameal, respectivamente), Luís Pato, Alves de Sousa (pai e filho), João Pedro Araújo (Casa de Cello) e Luis Lourenço (Quinta dos Roques). São 6 produtores espalhados essencialmente por 5 regiões: Vinhos verdes, Entre-Douro-e-Minho, Bairrada/Beira, Douro, e Dão. Em comum têm o facto de produzirem excelentes vinhos de "terroir" (dos melhores em cada região) e uma atitude comercial serena mas ambiciosa. Para além disso, "são malta muito afável"...

Foi pois num final de manhã solarengo, na adega de Luís Pato (que continua a não passar "fora de moda"), que provámos alguns dos melhores vinhos destes produtores independentes (mas associados). Do provado, que não foi assim tão pouco, ficou-nos na memória:
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a) os minhotos Ameal Escolha (b) 2007 – directo mas, felizmente, não exuberante, discreto na boca e final composto mas tranquilo –, e o Ameal Escolha (B) 2004 – a prova de que estes brancos sabem envelhecer invulgarmente bem, com charme, de tique fino e crocante, muito mineral.

b) também guardamos na lembrança dois Covelas (não nos cansamos dizer que é uma das Quintas mais bonitas e floridas que conhecemos), uma versão rosé – Palhete (R) 2007 – com belíssima acidez e de perfil austero, enfim um rosé amplamente gastrómico, e o Covela (B) 2008 que, apesar de fechado no nariz, revela já uma prova de boca de grande nível.

c) do duriense Alves de Sousa, destacou-se o melhor Reserva Pessoal branco que já provámos, desta feita da colheita de 2005, bem como o elegante e potente Quinta da Gaivosa Reserva (T) 2005, uma marca que não para de ascender qualitativamente.

d) tempo ainda para os vinhos de Luís Pato, com realce para o espumante Vinha Formal (Esp.) 2007, seco e já com significativa complexidade, mas também para a nova edição de um dos vinhos mais aguardados deste produtor, o Quinta do Ribeirinho (T) 2007, ainda jovem a necessitar de garrafa, de perfil borgonhês e muito complexo.
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e) Do Dão, o Quinta da Vegia Reserva (T) 2005, um dos melhores tintos do Dão, a nosso ver, um dos poucos a combinar potência, elegância e utilização não esmagadora de Touriga Nacional. Da mesma região, provou-se e merece destaque o Quinta dos Roques Reserva (T) 2006, um belíssimo blend da região.

Até à próxima!

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PS: Na fotografia, no almoço após a prova, temos Tamlyn Currin (Jancis Robinson Team), ladeada por João Pedro Araújo (esquerda na foto), Luis Lourenço (à direita na foto) e Domingos Alves de Sousa (em pé).

segunda-feira, outubro 19, 2009

Provas


Quinta do Tedo Savedra vintage 2007

"Bom, bonito e barato"... calha bem esta expressão tão popular junto dos comerciante neste vintage da Quinta do Tedo. E é sempre positivo ver um "terroir" de excelência a produzir, de forma séria, outra coisa de não Portos ruby e tawnies novos (provem, já agora, os tintos DOC deste quinta, é que nunca estiveram tão bons). Sim, a Quinta do Tedo - no cruzamento do Tedo e do Douro, de costas voltadas para a mediática Quinta de Nápoles - está com novo fôlego e Jorge Alves (o enólogo, também conhecido pelos tintos Quanta Terra, em parceria com Celso Pereira) em grande momento de forma!

No copo apresenta-se absolutamente preto (dos mais negro que já encontrámos), de pendor químico, muita tinta da china, concentrado, vegetal seco, e fruta negra esmagada, ligeiramente linear. Já a boca está mais fresca, elegante, quase polida, mas ainda assim ligeiramente seca e com final robusto e saboroso. Para o futuro, falta apenas definição no estilo: mais brutal (como sugere o nariz) ou mais delicado (como confirma a boca).

Muito bom, sobretudo tendo em consideração o preço, abaixo dos €40. Uma marca a acompanhar nos Portos (mas também nos DOCs).

17


Próximos vinhos: Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim (T) 2005; Arundel (T) 2007

terça-feira, outubro 13, 2009

Provas


Quinta do Vallado Moscatel Galego (B) 2008

(Acreditamos que) O leitor estará de acordo connosco quanto ao facto de não ser comum encontrar um branco monovarietal do Douro. A par de uma ou outra experiência com Viosinho (no Baixo e Cima Corgo) ou Rabigato (no Douro Superior), a grande maioria dos brancos durienses resultam, efectivamente, de lote de várias castas. O Vallado sobre o qual vamos escrever não é assim e, mais a mais, é produzido a partir de uma casta pouco conhecida pelos consumidores, o Moscatel Galego.

A característica essencial da casta Moscatel Galego é a sua exuberância, sobretudo na vertente aromática, existindo controvérsia no seio enófilo: para alguns, é uma virtude encontrar uma "prova de nariz" tão evidente e característica, sem complexidades exacerbadas; para outros, é uma carência resultar um vinho linear centrado, por norma e maioritariamente, na componente frutada, pelo que é uma casta para entrar em lote.

Quanto a este Vallado Moscatel Galego, resultante da colheita de 2008, importa dizer que se apresenta com fruta tropical e notas doces (tipo fruta cozida) no nariz, mas tudo longe de maçar ou enfadar com exageros na fruta - aliás, tem mesmo bastante frescura no copo. Na boca, mantém-se amigo do consumidor, limpo, directo, relativamente encorpado e muito saboroso. O final de boca também se presta ao sabor, com ligeiras notas adocicadas que garantem persistência no palato. Nada vegetal. Pouco mineral.

É, sem dúvida, o melhor Vallado Moscatel Galego que já provámos, aquele com melhor equilíbrio entre fruta e frescura. O seu estilo intenso e, simultaneamente, fresco, permite-o acompanhar várias pratos (das saladas às carnes brancas) e o seu preço não magoa.

16


Próximos vinhos: Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007

sexta-feira, outubro 02, 2009


Athayde Grande Escolha (T) 2007

Um novo produtor do Alentejo - Herdade da Raposinha - e mais um bom exemplar da nova geração de tintos alentejanos. Nariz complexo, com as principais castas (Syrah e Alicante Bouschet) a "aparecerem" apesar da madeira evidente no primeiro impacto e das referências a chocolate e doce de leite num segundo momento. Boca potente, com taninos (da madeira?) fortes, fruta madura mas ainda escondida pelo estágio de 12 meses em barrica. Passada uma hora revela notas a café e algum vegetal seco. Final de boca médio mas saboroso (talvez da Syrah...) e agreste (talvez do Alicante Bouschet...).
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Tudo num registo internacional mas, simultaneamente, com um lado rústico português também. Ou seja, um vinho do Novo Mundo com sotaque alentejano. Mais uma boa estreia de um novo produtor alentejano. A provar e consumir com carnes encarnadas pela frente.
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16,5 - 17

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Próximos vinhos: Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007

domingo, setembro 27, 2009

Feiras de Vinhos: ECI & Continente

Aqui ficam as nossas sugestões de compras após a visita a dois hipermercados. A euforia das Feiras de Vinhos já passou é certo, mas em "tempos de crises" continuam-se a fazer bons negócios e talvez seja esta a melhor altura para açambarcar. Vejamos:

ECI
  • Aneto Reserva (B) 2008 a €11,95 - é, a nosso ver, um grande branco a um grande preço, criação de Francisco Montenegro (Qta Nova e Bétula), pelo que não hesite em comprar;
  • Graínha (B) 2008 a €10,45 - a nosso ver, está um dos mais vibrantes brancos durienses no mercado (mais um de Francisco Montenegro), fácil e descomplexado com acidez muito viva e ligeiramente crocante;
  • Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2008 a €5,49 - este é já um clássico do universo "Dão Sul/Global Wines", sempre um campeão na RPQ e cada vez com menos madeira saliente (o que nos agrada);
  • Quinta do Infantado Reserva (T) 2007 a €22,50 - será possível este preço (?); este não o vimos na prateleira, apenas no catálogo (começamos a duvidar se o preço estará correcto...), mas a ser verdade vale comprar uma caixa.

Continente
  • Quinta do Cerrado Encruzado (B) 2008 a €5,49 - um 100% Encruzado de primeira linha, extremamente mineral mantendo boa RPQ, uma marca que tem vindo a crescer junto do público (está mais barato do que no ECI);
  • Herdade do Meio Garrafeira (T) 2004 a €15,99 - mais uma vez aparece este tinto a preço de saldo, um bom vinho (mas não excelente) de um projecto que "deu as últimas" (ao que tudo indica); vale muito a pena experimentá-lo a este preço.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Provas

Valle Pradinhos (B) 2008

A invulgar composição de castas, a frescura e limpidez de palato, e a manutenção, ano após ano, de uma qualidade significativa e preço estável, são tudo características do vinho sobre o qual vamos escrever (ver aqui e ali para colheitas anteriores).

O facto do "estilo" deste vinho branco transmontano se manter constante independentemente da colheita é, sem dúvida, um atributo, sobretudo num país habituado a variações na qualidade das marcas (talvez seja o lado germânico de Rui Cunha, enólogo responsável por este vinho).


Contudo, a nosso ver, esta versão de 2008 está ligeiramente diferente: está mais vidrada, mais mineral, mais contida, mais séria enfim. É certo que, à semelhança de anos anteriores, mantém a expressividade floral da Gewürztraminer na prova do nariz (secundada pela Riesling e Malvasia Fina), mas mesmo esse carácter floral encontramos mitigado em relação a anos anteriores beneficiando de maior presença de notas minerais. É certo que, à semelhança de anos anteriores, existe um prolongamento final na boca ligeiramente adocicado, mas neste ano está mais austero e saboroso.

Nós, ao invés de outros certamente, preferimos esta versão do Valle Pradinhos branco, achamo-la mais versátil e com mais garra. Aos consumidores, todavia, caberá a palavra final. Em suma, de nós para nós, o Valle Pradinho branco está igual a sempre, mas um pouco mais ao nosso gosto...

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Próximos vinhos: Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005