terça-feira, janeiro 04, 2011

Do antigamente

Reserva Especial Ferreinha (T) 1977

Fomos longe demais? Levámos a nossa louca predilecção a um nível onde o risco é maior que o prazer? Arriscámos em demasia em troco de um eventual momento de prova da existência de Deus? Sim, fizemos tudo isso, e entrámos em 2011 com a confirmação de uma certeza (e sim, sabemos que é inexoravelmente contraditório confirmar uma certeza).

A certeza essa já aqui foi firmada: a da capacidade de evolução de alguns (poucos, é certo) néctares nacionais. Desta feita, foi caso do Ferreinha Reserva Especial (T) 1977, ou seja mais de 30 anos num vinho tinto não fortificado.

Como estava? A garrafa com nível baixo, preocupante mas não alarmante sobretudo considerando os anos que já decorreram do engarrafamento. O rótulo bastante degradado como a foto atesta. Mas a rolha, essa estava em perfeitas condições apesar de manifestar a vetustez da idade, recheada de vinho. E de que vinho…

Cor ligeira, corpo magro (da idade), ligeiro desvio avinagrado mas sem em nada atrapalhar a prova. De resto, muito bem no nariz ainda com uma ou outra nota a fruta encarnada muito fresca. Os aromas terciários dominam mas não são excessivos e por isso não desconfortam, trazendo apenas um extra na complexidade. A boca é maravilhosa, um vinho fresco, de acidez notável, com sabor subtil e final de elegante prudência.

Melhor que o FRE’84 mas menos impressionante que o BV'85 e, sobretudo, que o colossal FRE’86 (ver aqui), todos da Casa Ferreira, temos aqui um vinho muito especial. Naturalmente, está numa fase descendente (nem poderia ser de outra forma, em sanidade de espírito), mas provem-no se conseguirem por a mão numa garrafa e, se forem como nós, será grande o prazer.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Do antigamente

Vinhos Luis Pato

São vinho maduros. "Maduros" por oposição a imberbes, claro. Em época festiva - boas festas e votos de um óptimo 2011! - não dispensamos provas a vinhos do antigamente. Aqui vão mais 3 notas de provas, todas de vinhos de Luis Pato, todos vinhos com calma, sossegados, e muito saborosos.

Surpreendentemente, o menos evoluído é o Luís Pato (T) 1988, imaculado na cor ainda profunda, e na prova de boca onde sobressai a sensação que o conjunto precisa ainda de mais tempo (!) para afinar. Depois o Luis Pato (T) 1990, o mais elegante dos 3 vinhos aqui descritos, evoluído, maduro, equilibro perfeito entre fruta e terciários. Está em óptimo ponto de consumo, mas aguenta mais 5 anos. Depois, veio o Luís Pato Vinhas Velhas (T) 1994, demasiado frutado (o ano não foi excelente na Bairrada ao contrário de outras regiões), mas com uma complexidade significativa a não permitir que o vinho se tornasse morno. De todos, é aquele com menor acidez, mas sem dúvida muito curioso na sua vertente frutada pouco habitual num Baga com mais de 15 anos.

Em suma: o VV ' 94 para beber agora acompanhando uma carne simples. O ' 90 para beber agora (mas podendo guardá-lo) com uma cabidela de leitão. O '88 para beber daqui a uns anos e logo se verá o acompanhamento!

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Do antigamente

Gonçalves Faria Garrafeira Tonel 5 (T) 1990

A foto não faz jus ao momento vivido, mas procurem acreditar nas minhas palavras: era mesmo um Tonel 5, e estava mesmo como imaginei que ele estivesse! E não foi sugestão - aliás, o facto de imaginarmos um vinho antes de o provar faz com que, por regra, o perigo da decepção seja maior no momento da prova. Sucede que, no toca a este vinho, decepção é palavra proibida...


Repleto de fruta encarnada - morangos, cerejas pouco maduras, framboesas - revela também aromas terciários magníficos e não demasiados pungentes, revelando grande carácter e equilibro. Um vinho que surpreende, ademais, pela enorme frescura, pelos taninos impecáveis, e por uma acidez monumental. Foram provadas 2 garrafas, ambas perfeitas, e isso diz muito da qualidade de um vinho com 20 anos.

Um dos melhores Baga para se beber neste momento, mas certamente ainda com mais uma década de vida. Fantástico. Pena é que a vinha velha que produzia esta maravilha tenha sido arrancada. Mas isso é outra história.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Do antigamente

Falcoaria (T) 1989

Quem diria que este tinto Ribatejano, com mais de 20 anos, estaria um verdadeiro colosso de vinho? Produzido a partir de Trincadeira e Castelão, passeou-se com frescura e surpreendeu com fruta primária ainda. O tempo deu-lhe a complexidade que, porventura, não teve quando era jovem. Revelou-se, nesta garrafa que se provou, calmo e sensato, em perfeitíssimas condições.

Um vinho que dificilmente se detecta a região de onde provém. Adivinha-se, é certo, português pela ligeira rusticidade que ainda ostenta. Mas podia ser também um vinho espanhol, ou melhor, um grande vinho espanhol, daquele que, como sabemos, custam certamente 50 vezes mais do que este alguma vez poderá (vir a) custar. Felizardos que somos.

sábado, dezembro 11, 2010

Prova especial

Campo Ardosa RRR (T) 2003

De um ano tão complicado, surge-nos um vinho maravilhoso. Efectivamente, são muitos os tintos de 2003 que nos têm decepcionado, sobretudo com a evolução em garrafa. Mas as excepções sempre existem. Uma delas, é este RRR da Quinta da Carvalhosa, sita a poucos quilómetros onde o Rio Tedo se encontra com o Douro (Cima Corgo).

Nariz cheio de mato seco, fruta profunda, cera, algum químico, ligeira madeira muito especiada e deliciosas notas licoradas - tudo muito bem! Mas verdadeiramente em forma esteve a prova de boca, um vinho verdadeiramente memorável, de sabor e mineralidade transbordantes. Intenso, carnudo, complexo. Muito mineral ("ardosa" refere-se a ardósia existente no solo), com taninos secos mas não duros. Tudo muito equilibrado, com boa acidez, e muitos anos pela frente. Um vinho para daqui a meia década. E ainda bem!

Trata-se do topo de gama da Quinta da Carvalhosa, que representa a selecção das barricas escolhidas pelos 3 sócios alemães do projecto (cada um coloca um R nas barricas de que mais gosta, sendo o lote final composto pelas barricas que levam RRR). Não é barato é certo - a cerca de €35 cada garrafa -, mas vale a pena prová-lo.

17,5+

domingo, dezembro 05, 2010

Prova especial

Trimbach Réserve Personelle Pinot Gris (B) 2001

Se é verdade que a Pinot Gris é uma casta que nem sempre evolui bem em garrafa, também é verdade que no que respeita à colecção Réserve Personelle da Trimbach ela evolui muito bem. Já se sabe que a Pinot Gris da Alsácia tende a ser mais poderosa que a de outras regiões, e isso é bem visível neste branco pois temos um vinho enorme! Muito floral no nariz, sem qualquer excesso (nada de água de rosas e coisas que tal), e um delicioso toque fumado. Complexo e untuoso na boca, agora com fruta branca madura a acompanhar a componente floral, mas novamente sem nenhum excesso, nomeadamente de doçura. Intenso, de grande estrutura, e com um final de boca luxuoso.

Um grande vinho em qualquer lado do planeta. A cerca de €40, sirva-se a acompanhar umas fatias de queijo manchego, ou uma terrina de "foie", nada mais.


17+

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Mendoza

Em Fevereiro

Na Argentina as pessoas são as melhores pessoas que podemos conhecer. Sobretudo em Mendoza, enorme região onde tudo gira em torno do vinho: a agricultura, a comida, e até o (pouco) turismo. Em Mendoza descobrimos a confirmação de vinhos, essencialmente tintos, generosos na fruta pura, e elaborados por um conjunto de gente tão aventureira quanto entusiasta a propósito da melhor bebida do mundo, incluindo alguns portugueses.

 ***
***

***

segunda-feira, novembro 29, 2010

Toscana

Em Julho

A Toscana é como nos disseram que seria, mas melhor. É como "vem nos livros", mas ainda melhor. O cheiro é melhor, a comida é melhor, até as pessoas são melhores. E tem grandes vinhos também. Vinhos calmos, gastronómicos e com muita sabedoria.

***
***
***

***

quarta-feira, novembro 24, 2010

Devaneio

Existe de tudo

Existem aqueles que procuram comprar uma garrafeira já com imensas referências e não se preocupam onde compram. Existem aqueles que entram em falência e vendem tudo o que têm em stock. Existem aqueles que conseguem sempre descobrir um ou outro tesouro no meio de muito lixo. Existem, por outro lado, vinhos nacionais nas listas TOP 10 das melhores revistas internacionais. Existe de tudo por cá.

A foto em anexo é de um armazém próximo de Lisboa, carregado de vinho adquirido por "tuta-e-meia" em leilão judicial, fruto de mais uma liquidação.

O mundo do vinho (também) anda assim.
***

quinta-feira, novembro 18, 2010

Prova especial

Valle Pradinhos: Mini-Vertical
Colheitas 2003, 2004 e 2005

Conhecida marca transmontana (talvez a mais conhecida da região), foi colocada à prova numa mini-vertical. Provaram-se as colheitas de 2003, 2004 e 2005. Anos diferentes, estilo semelhante, e um grande vinho, o Valle Pradinhos (T) 2004. Em rigor, os três vinhos estiveram bem, límpidos de cor (apenas ligeira evolução no 2003) e de aroma, confirmando a marca como um bom porto seguro em matéria de qualidade e preço (e, já agora, de acessibilidade, pois encontra-se facilmente à venda, inclusivamente na restauração).

O 2005 revelou-se, todavia, uns furos abaixo, morno no aroma, demasiado redondo, muito pronto a beber e com pouca acidez, considerando o padrão da marca. Beba-se desde já, não se guarde garrafas, e não espere ser surpreendido (15,5). O 2003, apesar de maior evolução – era o mais antigo e de um ano quente, como é sabido – não se revelou demasiado cansado, mostrando grande disponibilidade na fruta (nariz e boca), taninos secos, óptimo final, em boa fase para consumo actual mas, em todo o caso, não recomendável a guarda duradoura (16,5).

O melhor da tarde, sem dúvida a colheita de 2004: aroma clássico da marca, mas com acentuada frescura, marcado um pouco pela Touriga Nacional. Taninos presentes, saborosos, grande prova de boca, fresco e muito gastronómico, pode ser guardado, sem medos, por mais meia década (17++). Belo vinho, e a um preço, no mínimo, convidativo…

terça-feira, novembro 09, 2010

Provas

Alento (B) 2009

Mais um "3b"... ou seja, um branco, bom e barato! Desta feita do Alentejo, e de uma marca - Alento - mais associada a tintos. De início, surge-nos um vinho muito claro no copo, de aparente fragilidade; mas é só aparência. Na prova de nariz está bem, com uma feliz combinação de fruta e vegetal, sem que a primeira vertente se sobreponha à segunda. Prova de boca que surpreende pela complexidade, com boa profundidade e evidente carácter gastronómico.

A acidez também está bem, mas o que realmente agrada - e que realmente nos fica na memória - é a força e complexidade da prova de boca - muito bem! Óptima relação preço-qualidade.

16

Próximas provas: 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005; Bétula (B) 2009; Senhor da Adraga (T) 2008

quinta-feira, novembro 04, 2010

Provas especiais

Burmester e Kopke: Port Old Whites e Colheitas

Numa interessante jogada de antecipação ao programa de provas especiais do EVS (esta sexta-feira, fim-de-semana e segunda-feira), a 'Quinta Wine Guide' e a 'Sogevinus' organizaram uma prova de Portos Old White e Colheitas. A prova contou com a presença do enólogo Pedro Sá e teve lugar no restaurante Clube de Jornalistas (Lisboa). De acordo com a Sogevinus, os vinhos mais velhos foram engarrafados especialmente para a prova.

Os Porto brancos estiveram, em geral, em bom nível, apesar dos mais novos - o 10 anos (Burmester) e o 20 anos (Kopke) - ainda estarem um pouco tensos, a precisar do calibre do tempo (temos para nós, que os brancos velhos são, em regra, melhores quanto mais velhos, o que nem sempre é verdade com os Porto tintos, como sabemos...). Ao invés, o 40 anos (Kopke), esteve muito bem, tanto na complexidade como na profundidade, muito bom durante toda a prova nas suas notas de casca de laranja confitada, figos e frutos secos (17,5).

Tempo depois para os Colheitas e um Tawny, sendo certo que, nesse campeonato, a Burmester é sempre uma equipa favorita. O Burmester Tordiz 40 Anos revelou-se uma vez mais como um dos melhores vinhos nacionais, untuoso, toque de vinagrinho, absolutamente fabuloso (18-18,5). O Burmester Colheita de 1955 esteve praticamente ao mesmo nível, muito exuberante e com grande potência no palato, mas ligeiramente menos complexo que o anterior (18). Finalmente, o Burmester Colheita 1937, um vinho com uma frescura e mineralidade arrebatadoras, possuidor de uma auréola esverdeada, e de um final inesquecível, tanto que bem merece uma fotografia nossa (19).

terça-feira, novembro 02, 2010

Novidade

Esporão Private Selection (T) 2007

O Private Selection (T) 2001 tinha uma enorme garra e um carácter rústico (foi dos nossos favoritos); o Private Selection (T) 2003 não devia ter saído para o mercado enquanto tal (demasiado maduro e químico); o Private Selection (T) 2005 estava quase lá (mais fino na boca, mas excessivamente frutado no nariz); já este Private Selection (T) 2007 está perfeito para o estilo que pretende ter! O envelhecimento das vinhas e um ano muito ameno contribuiu seguramente para o melhor tinto do Esporão que já provámos (e sim, provámos o Torre do Esporão '04...).

No copo revela-se muito escuro, mas não opaco. O nariz é muito complexo, com fruta madura em camadas, especiarias e muita frescura. Na boca, os taninos são magníficos, finos, muito finos, mas ainda assim secos e seguros de si. O final de boca é potente, largo e sedutor mas sempre mantendo frescura e carácter. Um vinho muito completo, onde nenhuma casta sobressai, um tinto luxuoso bem trabalhado na vinha e na adega.

Sem dúvida que é moderno no estilo, mas se todos os modernos fossem como este… Tem um único problema: não é barato.

17,5-18

sexta-feira, outubro 29, 2010

Prova especial

Scion very old Port

Foi ontem, e literalmente a conta-gotas... David Guimarães abanou um pequeno frasco, talvez com 500ml, contendo um líquido pré-filoxérico. De pipeta em mão, proporcionou alguns momentos mágicos a quem provou este "very old Port". David Guimarães acredita tratar-se de um vinho com cerca de 155 anos e, muito provavelmente, tem origem num único ano.  Das três pipas que originalmente continham esta vinho precioso, uma terá sido comprada comprada nem mais nem menos do que por Winston Churchill. As outras duas, agora, pela Taylor's.

De resto tudo o que espera de um dos melhores vinhos que se pode provar em vida. Muita complexidade num nariz com notas frescas mas rançosas, e um vinagrinho em proporção adequada. Boca esmagadora, doce mas com acidez altiva, infindável e indecifrável. A concentração é tal que cada gota - cada gota rigorosamente - tem um sabor dos diabos! Ou melhor, dos deuses! O preço, esse sim, é mesmo dos diabos, pois cifra-se pelos €2.500.

19,5

quinta-feira, outubro 28, 2010

Provas

Valle Pradinhos (R) 2009

Não podemos esconder a atracção que sentimos por este rosé. Sempre apreciámos o seu estilo generoso mas não guloso; o diálogo que perpetua entre fruta e garra. Cor carregada no copo (rosa muito escuro), nariz vinioso, álcool em alta mas sem distrair.

Com comida tem uma aptidão gastronómica próxima de um vinho tinto; se bebido a solo aproxima-se de um vinho branco pela elegância. Ponderados ambos os atributos, optamos por não o beber como aperitivo; servirá antes para acompanhar um bom prato, mesmo que seja daqueles que pode dispensar vinho, como foi o caso da tortilha que se vê na foto em plena fritura. É, para nós, um dos melhores rosés nacionais!

16

Próximas provas: Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005; Bétula (B) 2009


terça-feira, outubro 26, 2010

Provas

Guarda Rios (R) 2009

Os rosés nacionais estão em alta! Já começa a ser difícil encontrar um exemplar que nos estrague o palato. Este Guarda-Rios já teve versões mais doces (e, por isso, menos atraentes). Agora, ainda mantendo um registo guloso, está todavia mais sério e interessante. Nesta colheita de 2009, a fruta continua a comandar a prova sensorial (e é isso que se espera de um rosé), mas a boca é mais complexa e o final mais acentuado que em edições anteriores. E tem bom preço, o que é simpático para enfrentar a crise em que vivemos com o copo cheio.

No nosso caso, acompanhou umas fajitas de frango e pimentos bem picantes e a ligação, apesar de simples e costumeira, revelou-se perfeita.

15,5

Próximas provas: Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005


domingo, outubro 24, 2010

Provas

Conventual Reserva (B) 2008

Talvez menos conseguido que na colheita de 2007 (ver prova aqui), mantém todavia um bom nível e um preço muito interessante. É um branco que nasce nas terras altas de Portalegre, pelo que não espanta que revele frescura, fruta citrina, e uma complexidade acima da média.

A menos de €4 continua a ser uma aposta segura. Quem disse que não existem bons brancos baratos?

15,5-16

Próximas provas: Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005

quinta-feira, outubro 21, 2010

Prova especial

Escultor (T) 2006

Grande vinho este alentejano! Prova que a casta Trincadeira, com Alicante à mistura, pode proporcionar vinhos fantásticos em climas quentes e noites frescas. Grande concentração, mas não esmagador, revela taninos secos, e muita fruta preta mas não enjoativa nem mastigável. Madeira de primeira qualidade, em perfeita conjugação com as notas de pimenta e as referências menos maduras da Trincadeira. Óptima frescura com boa acidez, e um eterno perfil gastronómico, final de boca em construção. Faz parte da nova – e feliz! – tendência para produzir vinhos cheios, encorpados e poderosos, sem serem chatos ou devastadores. Assim, sim.

É o topo de gama do Monte do Pintor, sito em Igrejinha a 15 km de Évora (bem defronte da famosa Herdade dos Coelheiros) e é propriedade do produtor que também detém a Herdade do Perdigão mais a norte na direcção de Portalegre. Temos aqui um vinho valioso e com preço elevado, entre os €45 e os €55. Garrafa (excessivamente) pesada, mas com rótulo belíssimo da autoria do escultor João Cutileiro.

A não perder!

17,5-18++

sexta-feira, outubro 15, 2010

Pechincha

Uma proposta bag-in-box de colheita seleccionada. Verdadeiramente seleccionada, vinho de qualidade elevada, com passagem por madeira, competente e muito saboroso. Uma proposta que pode revolucionar o vinho a copo na restauração.

É o novo vinho do produtor alentejano Solar dos Lobos e chama-se "Le Loup Noir". Estagia oito meses em barrica e é da colheita de 2008. O melhor elogio que poderemos dar-lhe é relatar que quando o provámos pensámos de imediato que se tratava de um tinto de gama alta (um vinho com cerca de 16 valores ou mais) engarrafado! Ou seja, nunca pensámos que estivesse num formato bag-in-box. Nem imaginamos o sucesso nas festas lá em casa – é colocá-lo em vários decanters e servi-lo com o gabarito que merece.

Por 9,90€ temos dois litros de vinho tinto de qualidade, o que é uma verdadeira pechincha, sobretudo se pensarmos que o vinho não evoluirá de forma acelerada pois está sempre sob vácuo, podendo permanecer aberto durante algumas semanas.


Pechincha pois!

quarta-feira, outubro 13, 2010

Novidade

Primeira Paixão (B) 2009

Nesta segunda edição, parece estar ainda melhor que a anterior, com uma prova de boca mais intensa e penetrante. Notas exóticas muito subtis (ligeiro maracujá), outras citrinas mais vincadas mas mantendo-se sóbrio, elegante, ligeiramente distante e circunspecto, próximo da mineralidade.

Seco, muito seco, crocante. E gastronómico, pois deixa sede na boca com notas a sal e iodo apressado. Só o fim de boca o compromete - por ser tão seco é algo fugaz - não o deixando "voar mais alto".

É, de qualquer forma, um vinho quase perfeito à mesa, que pode tanto acompanhar peixe e marisco (prove-o com lapas grelhadas como sugerimos aqui) como pratos com influências orientais. Essa versatilidade - é um vinho que não chateia e isso é sempre uma qualidade - é uma vantagem pouco comum nos brancos nacionais. O facto de ser um Verdelho da Madeira pode atrair os mais curiosos e esses não vão ao engano.

Em suma, é um vinho que tem tudo para ser um sucesso. E merece-o!

16,5-17