quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Provas



Negreiros (T) 2007

Regressados da região de Mendoza (Argentina), e dos vales semi-desérticos que a compõem, plantados massivamente de Malbec, é tempo para tentar voltar a colocar em ordem as provas periódicas de novos lançamentos.

Com este Negreiros da safra de 2007, temos mais um tinto moderno de terras nortenhas. Intenso, ainda que algo linear, na prova de nariz, revela fruta negra - como é típico do Douro Superior de onde provém - mas latente, como que pronta a explodir assim a tosta da madeira o permita com o estágio em garrafa.

A prova de boca, por seu turno, está redonda, centrada com eficácia essencialmente no binómio fruta e cacau, com mediana acidez e taninos domados e saborosos. "Madeira à vista" (quase apostamos em carvalho francês), falta, todavia, maior complexidade na boca e um final de prova mais prolongado e vincado.

Está tudo a dizer-nos que temos aqui um bom tinto para consumo generalizado, um vinho prazenteiro para várias ocasiões, mas também com algum comportamento sério que lhe confere versatilidade à mesa. Com enologia de João Brito e Cunha, à venda por menos de €10, o que, não sendo barato, não escandalizará ninguém face à qualidade apresentada.

16


Próximas provas: Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007; Viseu de Carvalho Grande Escolha (T) 2006; Bétula (B) 2008

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Próximos dias

Caros,
Nos próximos dias, é muito provável que não surjam novos textos. É que estamos de malas para a Argentina, onde provaremos vinhos e visitaremos produtores para depois relatarmos aqui.
Cump.
NOG

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Dois anos e meio depois...


Quinta das Marias Garrafeira (T) 2005

É inestimável o valor da evolução positiva em garrafa para alguns vinhos. Na verdade, nem sempre assim acontece e, por isso, muitas vezes já ficámos com a sensação que provámos e bebemos determinados vinhos tarde de mais. Mas outras vezes existem que, ao voltar a provar um vinho dois ou três anos depois do seu lançamento no mercado, nos deparamos com um "ser diferente" do que conhecíamos, quase sempre mais "maduro", mais seguro de si, com as debilidades iniciais corrigidas e as feridas juvenis praticamente saradas (assunto a que já nos referimos, mais timidamente, aqui). Foi isso que aconteceu com uma prova recente do Quinta da Marias Garrafeira (T) 2005.

É certo que este tinto da Quinta das Marias, como aliás a maioria dos vinhos deste produtor do Dão, sempre teve atributos notórios logo à nascença; é certo que este Garrafeira, ao invés agora dos seus irmãos de gama, sempre privilegiou a complexidade (sobretudo na prova de nariz) em teor da exuberância... isso tudo é certo, mas nem mesmo essas evidentes qualidades iniciais foram suficientes para nos preparar para o deleite desta última prova!

Grande intensidade aromática mas não de forma abrupta e exuberante, antes discreta e profunda. Notas florais a comandar as hostes muito bem secundadas por fruta abundante, fresca e misteriosa. Prova de boca equilibradíssima, larga na complexidade e ao mesmo tempo fina na subtileza, fruta encarnada madura e ligeira doçura baunilhada exactamente no ponto certo, tal como a acidez também muito afinada. Final excelso no sabor.

A garrafa esteve sempre sujeita a temperatura e humidade ideais para uma adequada evolução, e a conclusão é uma só: muito bom! A prova que vale bem não beber alguns vinhos logo aquando do seu lançamento, devendo-se antes esperar dois ou três anos para melhor integração do conjunto. Acreditamos que este Garrafeira da Quinta das Marias irá manter-se neste nível por mais um par de anos, e gostaríamos de acreditar que daqui a cinco anos vai estar ainda melhor. Será?

17,5+

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Provas


Fiuza Sauvignon (B) 2009

Um texto pequeno, sem derivações, sobre um vinho sem derivações. Um branco, já de 2009, absolutamente focado na procura pelas referências à casta Sauvignon Blanc que países produtores como a Nova Zelândia, a Austrália e a África do Sul nos têm vindo a habituar. Ou seja, um Sauvignon directo, sem nenhuma concessão nem procura por complexidade, aroma a relva cortada de fresco, a ligeiro xixi de gato, a vegetal imberbe e a um maracujá verde.

Um branco que se sugere a acompanhar comida exótica e levemente picante, sobretudo num dia quente. Um Sauvignon, com preço imbatível abaixo dos €4, que não fica atrás do que se vai produzindo em massa por esse (novo) mundo fora, bem longe do Vale de Loire, berço de alguns dos mais minerais e deslumbrantes brancos franceses.

14,5 - 15


Próximas provas: Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Provas



Quinta do Francês (T) 2007

O enófilo mais atento já estaria à espera que o que se segue viesse, mais tarde ou mais cedo, a acontecer: a erupção de um belo tinto argarvio. Na verdade, o Algarve, apesar da longa ausência na produção de vinhos de categoria cimeira, não tem estado propriamente alheio à modernização vitivinícola, e são vários os sinais: (i) em primeiro lugar, cada vez existem mais vinhos feitos de forma séria e com o auxílio de enólogos competentes, (ii) depois, existem já duas ou três casas produtoras que, mesmo em tempos de crise, não têm tido qualquer problema com o escoamento dos seus vinhos (esgotam com frequência sobretudo os brancos e os rosés), (iii) por fim, a construção recente de um par de adegas modernas e vistosas capazes de atrair muitos visitantes (essencialmente turistas veraneantes, mas visitantes são visitantes), tantos já que fazem (ou deveriam fazer) inveja a outras regiões ditas com mais notoriedade.

Pois bem, a nosso ver, só faltava mesmo esta novidade para confirmar o renascimento da região, a da produção de um belo tinto algarvio - é certo que já existiam outros interessantes na região, mas este está, decididamente, um furo acima. É certo também que este tinto da colheita de 2007 não nos faz recordar a região mais solarenga do país (em prova cega, está entre o Douro e Alto Alentejo), até porque tem frescura, alguma acidez, e muita - mas mesmo muita - garra. Mas, talvez a qualidade que mais apreciámos neste tinto seja outra ainda - a notável simultaneidade entre o estilo novo-mundista que adoptou e algumas "não concessões" que pratica com os seus taninos sérios e ausência de sobre-maturação.

A partir das castas Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah, plantadas em encostas xistosas do Rio Odelouca (Silves), e com 20 meses em barricas de carvalho francês, apresenta-se com uns equilibrados 14% (hoje em dia 14% é uma cifra razoável, comparado com o que se pratica um pouco por todo o país). No copo apresenta-se encarnado muito escuro, quase ruby, com transparência ligeira.
+
Nariz com estilo guloso mas sem revelar fruta excessiva, aqui e ali ligeiramente austero e fechado (como gostamos) quase rústico, a madeira ampara mas não está, felizmente, exuberante. A prova de boca confirma os melhores auspícios, larga/ampla, taninos saborosos e impecáveis no desenho com tanto de garra como de cetim. Final médio, mas em construção, poderá melhorar.

A cerca de €18 a garrafa, está um conjunto muito afinado, tudo óptimas indicações para o que o futuro pode reservar, enfim um nome a não esquecer este da Quinta do Francês. E sim, o produtor é francês (!), Patrick Agostini de seu nome.

16,5-17


Próximas provas: Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007; Altas Quintas (B) 2008; Esporão (Esp.) 2007

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Provas


Arundel (T) 2007

Regional Alentejano, produzido por Joaquim Pedro Arnaud em terras de Pavia, distrito de Évora entre Mora e Cabeção (as mesmas terras que produzem um excelente azeite também engarrafado pelo produtor). Em 2007, o lote, praticamente opaco na cor, foi constituído por Aragonês, Trincadeira e as cada vez mais inevitáveis (pelo menos em solos alentejanos) Syrah e Alicante Bouchet.

Aroma muito limpo e intenso, com fruta madura – mais preta que encarnada – e directa, com as castas Aragonês e Syrah a muito bom nível, ligeiro chocolate que agrada por não ser impositivo e madeira sem baunilha. Em suma, uma prova de nariz com fruto muito bonito, boa complexidade e sem exageros.

Na boca, a entrada apresenta-se mais macia que robusta, mas a meio do palato surge um veio mais rude a revelar carácter (certamente do Alicante) potência e taninos - tudo muito bem! Acidez mediana e final muito interessante, longo e saboroso, em crescendo.

Uma bela surpresa! Um tinto equilibrado, prazenteiro e a menos de €20. O que pedir mais?

16,5-17


Próximas provas: Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007; Quinta da Sequeira Reserva (B) 2008; Quinta dos Avidagos Grande Reserva (T) 2007; Apegadas Qta Velha (T) 2007; Apegadas Qta Velha Grande Reserva (T) 2007

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Provas comparadas


Verdelho

Dois brancos em prova produzidos a partir de uma mesma casta, cada vez mais em voga, Verdelho. Dois terroirs, a ilha da Madeira e o Azeitão (Setúbal).

O Primeira Paixão (B) 2007, directamente da Pérola do Atlântico, apresenta um estilo seco, muito seco. Subtil e tímido no nariz, com notas vegetais a comandar as hostes, secundadas por uma panóplia delicada de frutas tropicais exóticas como ananás-banana. A boca mantém o registo, ligeiramente "crispy", nuances amargas no fim de boca, e muita competência na hora de acompanhar comida. 16,5

O Colecção Privada DSF Verdelho (B) 2008 é, em comparação com o anterior, mais exuberante, desde logo mais "evidente" na vertente da fruta tropical no nariz. É também mais gordo, menos seco portanto, com um final de boca cativante mas menos fino. Um verdelho para quem gosta de emoções fortes, muito ao estilo de alguns "bestsellers" verdejos de Rueda (Espanha), mas nem por isso menos interessante. 16,5

Inevitavelmente parecidos - porque ambos produzidos a partir de uma casta que, por norma, é facilmente identificável na prova de nariz -, têm, todavia, perfis diferentes: mais austero o madeirense, mais emotivo o continental. Ambos os vinhos revelam belíssima acidez e boa capacidade gastronómica. Uma coisa é certa, temos casta! O preço de ambos ronda os €15 por garrafa, talvez um pouco menos.

domingo, dezembro 27, 2009

Provas especiais


CASA FERREIRINHA '85, '86, '96 E '97

Não temos uma resposta incondicional para o fenómeno, mas a verdade é que o Inverno nos impele para a prova de vinhos com alguma idade. O frio do época poderia, é certo, aconselhar exactamente o oposto, ou seja a escolha de vinhos jovens, encorpados, cuja força, exuberância e álcool aquecessem os "espaços em volta", mas não. Decididamente, a nossa escolha tem seguido inteira para vinhos, normalmente tintos, moldados pelo tempo, vinhos com fôlego e com a subtil complexidade que só o tempo em garrafa atribui. Talvez seja afinal a Quadra Natalícia, e a inerente vontade de provar o que de melhor temos na garrafeira, que nos leva a cometer esse devaneio de abrir algumas daquelas preciosas garrafas que reservamos para uma ocasião especial. Talvez...


Este ano, regressámos à "Casa Ferreirinha" (Sogrape), um dos poucos produtores nacionais que, a par de vinhos de volume, se especializou em tintos que sabem e conseguem envelhecer de forma nobre. Este ano, regressámos a duas colheitas dos anos '80 e a outras duas da década de '90. De uma assentada, provámos - e adorámos todos eles – o Barca Velha (T) 1985, o Ferreirinha Reserva Especial (T) 1986, o Ferreirinha Reserva (T) 1996 e o Ferreirinha Reserva Especial (T) 1997. Incrível, desde logo, o facto de todos os vinhos estarem em perfeitas condições, ou seja, sem oxidações excessivas, sem cheiro a "rolha", com níveis adequados de líquido, com as rolhas firmes, todos com viva cor encarnada e todos (uns mais do que outros) com fruta ainda evidente.

Nos vinhos da década de '80, o Barca Velha (T) 1985 mostrou-se altivo, com uma cor impressionante para os seus vetustos 25 anos (próxima da tonalidade exibida pelo Reserva de 1996, onze anos mais novo...), um nariz clássico elegantíssimo onde notas a caça mortificada e fruta encarnada se moldam em harmonia até um final perfeito, fino mas longo (17-17,5). Ainda melhor que o anterior, o Reserva Especial (T) 1986 revelou-se um hino aos vinhos com evolução em garrafa: perfeito na fruta que enche o "bouquet", ainda irreverente, com enorme elegância mas também vigoroso, referências a mina de lápis e tabaco num fundo ainda nítido de frutas como cereja e groselha encarnadas; final perfeito, em crescendo, impressionante a vários títulos (17,5-18).

Depois, foi a vez dos dois vinhos da década de '90, necessariamente mais "novos", mas ambos a revelar a marca do produtor e do nome que ostentam. O Reserva (T) 1996 em bom nível, macio e aveludado, notas positivas de evolução mas ligeiramente mais linear (e menos fresco) que os restantes provados (16,5-17) e, por isso, aconselha-se bebê-lo nos próximos anos. Já o Reserva Especial (T) 1997 mostra-se com taninos saborosos, com vigor, especiado e com frescura, ainda com bom nervo, boca com complexidade em alta e final elegante. Pode ainda ser guardado mais uns anos na garrafeira (17-17,5).

Em suma, quatro grandes vinhos e a uma certeza: a de que a Casa Ferreirinha tem vinhos que sabem, efectivamente, envelhecer nobremente. É claro que sempre ficam algumas interrogações: será que a década que se aproxima nos vai trazer mais tintos destes? Daqui a 10 anos, como estará o Reserva Especial (T) 2001 recentemente lançado no mercado? Independentemente das respostas a estas (e outras) questões, certo é que todos os vinhos provados estavam óptimos e recomendam-se, merecendo destaque absoluto o Reserva Especial (T) 1986, um vinho que, com 24 anos, se mantém um gigante com "pernas para andar" na garrafeira e que, nessa medida, pode ainda ser guardado mais uns anos, sempre para os momentos especiais da vida - se poderia ter sido Barca Velha(?), talvez... mas isso, a nosso ver, não interessa nada.


Boas Festas e Feliz 2010!

terça-feira, dezembro 22, 2009

Novidade


Quinta da Covada Reserva (T) 2007

Cor muito escura, e alguma espuma violeta, a denotar juventude. No lote, onde entra uma percentagem de uvas de vinhas velhas, o predomínio é para a Touriga Nacional mas também (saúda-se pois não vem sendo comum) para a Tinta Roriz.

A prova de nariz revela uma fruta encarnada muito bonita, depois notas mais florais, a urze. Conjunto sem excessos, tudo entre o fresco e o cativante, num perfil muito duriense e gastronómico. Prova de boca saborosa, que se inicia com uma boa entrada de boca. Corpo e final de boca médios sem desmerecer, confirmando consistência ao conjunto no qual apenas a madeira está a caminho de melhor integração. Acresce um ou outro tanino "verde" (que poderá ser da madeira), devendo evoluir positivamente nos próximos 2-4 anos (pelo menos).

Mais uma bela estreia no Douro, um tinto com qualidade e carácter. Numa linha sem excessos (num ano dado a isso...), nem mesmo no preço que ficará abaixo dos €15.

16,5
+

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Provas


Quinta do Lubazim Reserva (T) 2005

Cor retinta, bem concentrada mas não opaca. Prova de nariz com boa intensidade, fruto maduro com predomínio para amoras e gingas, notas licorosas agradáveis e subtil chocolate.

A boca confirma o perfil generoso e garboso na fruta, muito saborosa de resto, cheia, quase-carnuda, de taninos redondos e final de boca correcto.

Um tinto muito consensual, que aposta sobretudo na generosidade da fruta, num carácter quase primário e autêntico não fosse o uso da barrica a atribuir-lhe uma maior complexidade. Quente de aroma e sabor, muito prazenteiro (mais a solo do que a acompanhar refeições), é um tinto que não desmerece a sua região, muito pelo contrário, é mesmo o Douro Superior numa garrafa.

A menos de €20 para quem não o tem e quer comprar, para os restantes - não esperem por ele na garrafeira pois parece estar agora na sua melhor fase.

16,5


Próximos vinhos: Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009; Negreiros (T) 2007

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Provas



Rol de Coisas Antigas (T) 2007

Muito curioso, e não só pelo nome, este tinto (mais um fruto da criatividade de Carlos Campolargo) bairradio Rol de Coisas Antigas. Nariz exótico, combinando notas adocicadas a alfarroba, urze e flores, muitas flores campestres e ligeiro couro – ao que parece, diz-nos o produtor, tanta originalidade advém do uso de castas antigas e/ou pouco utilizadas neste tempo (e daí também o nome escolhido para o vinho).

A boca apresenta-se pronta a beber, de taninos discretos, muito afinado mostrando enologia moderna, ao qual falta, todavia, alguma garra tão típica na região. Existe uma certa nostalgia exótica neste tinto, de aroma original e boca capaz.

Não sendo o melhor tinto de Campolargo (anda mesmo longe disso) merece ser descoberto, nem que seja pelo registo diferente com que se apresenta, a cerca de €10.

16


Próximos vinhos: Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007; Fiuza Sauvignon (B) 2009

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Provas


Obsessão (T) 2004

Cor a revelar muita concentração e a não fazer notar que passou já meia década da vindima. No nariz, um primeiro aviso a informar que é preciso arejamento, e depois… uma imensa profundidade aromática, daquela profundidade quieta, ortodoxa, nada exuberante.


É, por isso, um tinto que precisa e merece atenção, de bons e grandes copos, e que não pode passar despercebido, nem se deve desacertar com a sua complexidade. Ainda no nariz, mas já no fim da palete aromática surge a fruta madura (quase uma surpresa dado o invólucro cheio de frescura) mesclada com especiaria fina, daquela que o produtor já nos habituou noutros tintos da marca "Altas Quintas", muito provavelmente da madeira onde estagiou por vinte meses. Boca com acidez viva a proporcionar grande frescura – a antítese de um vinho enjoativo – todo ele gastronómico, um vinho que apetece beber e com o qual apetece comer.

Muito bem! Entre €40 a €50, um tinto com qualidade (e preço) elevado que certamente irá evoluir muito bem em garrafa e, por isso, dará melhor prova nos próximos dez anos.

17,5++


Próximos vinhos: Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007

domingo, novembro 29, 2009

Provas comparadas

+
Espanholices:


Três tintos espanhóis, todos com galardões mas de preços e colheitas diferentes, todos "ao molho" numa prova só. Ou seja, prova livre e de livre espírito crítico, como tudo devia ser...

Psi (T) 2007: Mais fresco do que as restantes criações de Peter Sisseck, fruto muito puro, bonita prova nariz, mas na boca pretende-se mais do que um tinto fresco e gastronómico (que o é), era preciso mais garra e profundidade, mas tem taninos e acidez que o permitirão evoluir (entre €25 a €30). 16,5+

El Puntido (T) 2005: Já o tínhamos provado outras vezes antes desta, é um tinto moderno, internacional no estilo, com fruta e madeira em doses certeiras e uma doçura que não chega a incomodar. Bom trabalho na madeira, que na boca se sente oferecendo alguma garra que os taninos do vinho não têm. É bom - teve 93 pontos "Guía Peñin" - mas não faz sonhar (a cerca de €30). 16,5-17

La Nieta (T) 2004: Este sim, este DOC Rioja (das "Bodegas Viñedos de Páganos") convence-nos... abre com nariz sisudo, pouco expressivo de início mas muito profundo. Boca na mesma linha, de início fechada mas opulenta de seguida, com fruta saborosíssima. A madeira ainda está evidente e os taninos são brutais, mas o que é mesmo evidente é estarmos na presença de um grande vinho com um grande futuro (entre €60 a €80). 17,5++



quarta-feira, novembro 25, 2009

Provas


Altas Quintas Reserva (T) 2005

Muito escuro no copo, púrpura e violeta praticamente opaco. Nariz muto intenso com notas imediatas a etanol e ligeira madeira (a lembrar mobiliário antigo). Neste início, a fruta aparece sem pressas, e como que disfarçada em matizes de amoras e mirtilhos. Com uma hora no decante, maior expressão toma a fruta, agora acompanhada de um toque fresco a menta – de resto, não evolui muito (o que aparenta garantir-lhe longevidade).

Boca fresca, ampla com taninos muito presentes, saborosos mas ligeiramente ásperos. A melhorar os taninos, e também o final de boca que deverá crescer em comprimento.

Um belo tinto, fresco e profundo (ao qual falta apenas, no nariz, melhor definição da fruta), que respeita o terroir de origem - Alto Alentejo - e que merece descansar mais um pouco na garrafeira. Neste momento, do mesmo produtor e colheita, dá mais prazer o "Mensagem Aragonês (T) 2005" (ver aqui).

17++


Próximos vinhos: Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim Reserva (T) 2005; Arundel (T) 2007; Quinta do Francês (T) 2007

quarta-feira, novembro 18, 2009

Provas


Quinta das Maria Touriga Nacional (T) 2006

Voltando às provas e deixando de lado, por breves textos, as novidades, avançamos para este cada vez mais conhecido tinto do Dão. O estilo é marcante, com muita potência na prova de nariz e boca, um vinho que pretende ser uma simbiose entre o que o Dão melhor pode proporcionar, mas nem sempre consegue: força e elegância.

No nariz, contudo, é a força que se impõe, infelizmente com a madeira ainda por integrar, num registo de muita fruta a par das típicas notas violetas da casta. Apelativo, mas algo "morno", com alguma compota e notas soltas a chocolate. Na boca melhora pois a madeira não está tão evidente e a fruta é mesmo saborosa, com ligeira (mas essencial) frescura. Final agressivo, "largo" e expressivo, mas ainda longe da elegância revelada por outros vinhos da casa.

Neste momento, está para os fãs da marca (que, merecidamente, já são muitos), mas, a nosso ver, o melhor é por ora beber, da mesma casa, o tinto Garrafeira e/ou o Touriga Nacional, ambos da magnífica colheita de 2005.

16,5+


Próximos vinhos: Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim (T) 2005; Arundel (T) 2007

terça-feira, novembro 10, 2009

NOVIDADES DO DOURO



São duas novidades do Douro, de colheitas e produtores diferentes. O tinto de 2006 da Quinta da Foz, uma das poucas quintas da família Cálem que não foi alienada a terceiros, já está no mercado faz cerca de 2 meses, mas não deixa por isso de ser uma novidade a nosso ver. Depois de uma enorme reconversão das vinhas (à excepção da vinha velha que ficou inalterada) e de uma nova adega é bom ver renascer esta quinta!
O (também) tinto da Tapadinha é de 2007 e é mais recente no mercado, mas o produtor há muito que faz (bom) vinho, basta dizer que e é o primeiro resultado a sair da quinta recentemente adquirida por Domingos Alves de Sousa na região do Cima Corgo.

  • Quinta da Foz (T) 2006
Novo projecto de uma quinta emblemática do Douro situada na foz do rio Pinhão. Depois da boa receptividade do tinto VT (colheitas '04, '05 e '06), José Maria Cálem volta à carga, desta feita agora com um tinto menos rústico, mais sofisticado e prazenteiro na fruta, enfim bastante mais no "estilo Pintas". Aroma quente, notas licoradas e frutos negros e encarnados. Boca já sedosa, saborosa e com taninos certeiros na proporção macieza/envergadura. Belo final a prometer evolução (irá, naturalmente, melhorar em garrafa nos próximos 5 anos). A cerca de € 35 nas melhores garrafeiras e também no clube WinePT. 17-17,5+


  • Tapadinha Grande Reserva (T) 2007
Novo projecto de Domingos e Tiago Alves de Sousa, desta feita numa investida no Cima Corgo. Absolutamente negro no copo, muito químico no nariz, tinta-da-china, frescura química que esconde o álcool elevado (15.º). Na boca melhora, mostra a meio do palato força e juventude com muita fruta negra, sem revelar contudo arestas vincadas. Por ora, falta final de boca mas está interessante, no perfil concentrado. Entre € 20 a € 25 nas melhores garrafeiras. 17
+

domingo, novembro 08, 2009

NOVIDADE


Esporão 1.º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo (T) 2007


As recentes colheitas de 2007 e 2008, com temperaturas moderadas um pouco por todo o país, os avanços tecnológicos no trabalho na adega, e a introdução de castas com perfil floral (eg., Touriga Nacional e Franca), fizeram com que a planície alentejana começasse a produzir vinhos onde o calor da fruta não é o aspecto mais evidente. O gosto de alguns consumidores – que, alegadamente, terá cambiado no sentido de preferir vinhos menos madurões – também marcou a suposta reviravolta.

Um dos melhores exemplos da planície chega-nos ao copo com este Esporão 1.º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo (T) 2007. Sim, porque se no primeiro ataque no nariz nos faz questão de lembrar que tem Syrah e Touriga Nacional, numa vertente próxima do rebuçado e da compota, já com alguma oxidação forçada com o mover do copo são outros os aromas exalados, mas próximos da urze e de algum vegetal mesmo, talvez fruto da Touriga Franca e do Alicante Bouchet que também contém. Na boca mostrou-se muito bom, com taninos suaves mas não redondos, antes saborosos, algum chocolate no fim da fruta encarnada madura, e madeira a aparar o lote. Nada de excessos, nada de concentrações majoradas, e até alguma frescura e largura no fim de boca. Poderá – e deverá – melhorar com mais 2 a 3 anos em garrafa.

Um bom exemplar do que melhor se faz no Alentejo com recurso a castas que, à excepção do Alicante, não são propriamente típicas da região (o Alicante não sendo indígena tem vindo a ser utilizada faz vários anos). Não por isso (ou talvez?), ressente-se apenas uma certa falta de complexidade e até, opinião pessoalíssima, a falta de um ligeiro lado rústico que não dispensamos quando provamos alentejanos.

A cerca de € 35 nas melhores garrafeiras, temos aqui um vinho de muito prazer.

17+
+

domingo, novembro 01, 2009

NOVIDADE

+
Quinta do Vallado Reserva 2007

Se, por um lado, os Vallado Reserva (T) das colheitas de 2000 e de 2003 espantaram(-nos) pela maturação não excessiva da fruta, ao contrário de parte dos seus pares durienses, e se, por outro lado, os Vallado Reserva (T) de 2004 e 2005 encantaram(-nos) pelos taninos valentes, secos e gastronómicos, em especial o '04, é então licito concluirmos que este Reserva (T) de 2007 marcou(-nos) pelo carácter perfumado e pela elegância das suas "formas".

Com uma maior percentagem no lote de Touriga Nacional ("o melhor talhão de Touriga disponível na quinta", segundo os responsáveis) em relação a anos anteriores, o nariz deste Vallado Reserva encontra-se, naturalmente, marcado por um timbre floral, mas sem excessos antes em plena conjugação com fruta encarnada de qualidade e madeira nova, num blend muito cativante e nada maçador. No copo, pronto a levar à boca, apresenta-se de cor ruby, não opaca portanto, e de corpo aparentemente esguio que não deverá, todavia, afastar os consumidores.

Muito saboroso logo na ataque de boca, com fruta fresca no meio do palato marcado pela fruta encarnada e ligeira madeira, é contudo o seu final de boca, com acidez, elegância e profundidade, que nos leva a concluir que temos vinho, e que teremos vinho para os próximos anos. É preciso é saber esperar...

Esta edição de '07 estará, sem muitas dúvidas, o Vallado Reserva (T) mais apelativo e perfumado no nariz de todos os que conhecemos (e conhecemos todos...), ao que acresce a boca equilibrada apanágio da marca, plena de sabor como nunca antes, e sem esmagamentos ou potências desmedidas. Uma das melhores edições deste tinto a um preço não exagerado entre € 28 a € 32.


17,5
+

sábado, outubro 24, 2009


Independent Winegrowers Association

São conhecidos por IWA, mas ninguém duvida que são sobretudo(re)conhecidos como a associação dos produtores vinícolas Nuno e Pedro Araújo (Covela e Ameal, respectivamente), Luís Pato, Alves de Sousa (pai e filho), João Pedro Araújo (Casa de Cello) e Luis Lourenço (Quinta dos Roques). São 6 produtores espalhados essencialmente por 5 regiões: Vinhos verdes, Entre-Douro-e-Minho, Bairrada/Beira, Douro, e Dão. Em comum têm o facto de produzirem excelentes vinhos de "terroir" (dos melhores em cada região) e uma atitude comercial serena mas ambiciosa. Para além disso, "são malta muito afável"...

Foi pois num final de manhã solarengo, na adega de Luís Pato (que continua a não passar "fora de moda"), que provámos alguns dos melhores vinhos destes produtores independentes (mas associados). Do provado, que não foi assim tão pouco, ficou-nos na memória:
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a) os minhotos Ameal Escolha (b) 2007 – directo mas, felizmente, não exuberante, discreto na boca e final composto mas tranquilo –, e o Ameal Escolha (B) 2004 – a prova de que estes brancos sabem envelhecer invulgarmente bem, com charme, de tique fino e crocante, muito mineral.

b) também guardamos na lembrança dois Covelas (não nos cansamos dizer que é uma das Quintas mais bonitas e floridas que conhecemos), uma versão rosé – Palhete (R) 2007 – com belíssima acidez e de perfil austero, enfim um rosé amplamente gastrómico, e o Covela (B) 2008 que, apesar de fechado no nariz, revela já uma prova de boca de grande nível.

c) do duriense Alves de Sousa, destacou-se o melhor Reserva Pessoal branco que já provámos, desta feita da colheita de 2005, bem como o elegante e potente Quinta da Gaivosa Reserva (T) 2005, uma marca que não para de ascender qualitativamente.

d) tempo ainda para os vinhos de Luís Pato, com realce para o espumante Vinha Formal (Esp.) 2007, seco e já com significativa complexidade, mas também para a nova edição de um dos vinhos mais aguardados deste produtor, o Quinta do Ribeirinho (T) 2007, ainda jovem a necessitar de garrafa, de perfil borgonhês e muito complexo.
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e) Do Dão, o Quinta da Vegia Reserva (T) 2005, um dos melhores tintos do Dão, a nosso ver, um dos poucos a combinar potência, elegância e utilização não esmagadora de Touriga Nacional. Da mesma região, provou-se e merece destaque o Quinta dos Roques Reserva (T) 2006, um belíssimo blend da região.

Até à próxima!

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PS: Na fotografia, no almoço após a prova, temos Tamlyn Currin (Jancis Robinson Team), ladeada por João Pedro Araújo (esquerda na foto), Luis Lourenço (à direita na foto) e Domingos Alves de Sousa (em pé).

segunda-feira, outubro 19, 2009

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Quinta do Tedo Savedra vintage 2007

"Bom, bonito e barato"... calha bem esta expressão tão popular junto dos comerciante neste vintage da Quinta do Tedo. E é sempre positivo ver um "terroir" de excelência a produzir, de forma séria, outra coisa de não Portos ruby e tawnies novos (provem, já agora, os tintos DOC deste quinta, é que nunca estiveram tão bons). Sim, a Quinta do Tedo - no cruzamento do Tedo e do Douro, de costas voltadas para a mediática Quinta de Nápoles - está com novo fôlego e Jorge Alves (o enólogo, também conhecido pelos tintos Quanta Terra, em parceria com Celso Pereira) em grande momento de forma!

No copo apresenta-se absolutamente preto (dos mais negro que já encontrámos), de pendor químico, muita tinta da china, concentrado, vegetal seco, e fruta negra esmagada, ligeiramente linear. Já a boca está mais fresca, elegante, quase polida, mas ainda assim ligeiramente seca e com final robusto e saboroso. Para o futuro, falta apenas definição no estilo: mais brutal (como sugere o nariz) ou mais delicado (como confirma a boca).

Muito bom, sobretudo tendo em consideração o preço, abaixo dos €40. Uma marca a acompanhar nos Portos (mas também nos DOCs).

17


Próximos vinhos: Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007; Quinta de Lubazim (T) 2005; Arundel (T) 2007

terça-feira, outubro 13, 2009

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Quinta do Vallado Moscatel Galego (B) 2008

(Acreditamos que) O leitor estará de acordo connosco quanto ao facto de não ser comum encontrar um branco monovarietal do Douro. A par de uma ou outra experiência com Viosinho (no Baixo e Cima Corgo) ou Rabigato (no Douro Superior), a grande maioria dos brancos durienses resultam, efectivamente, de lote de várias castas. O Vallado sobre o qual vamos escrever não é assim e, mais a mais, é produzido a partir de uma casta pouco conhecida pelos consumidores, o Moscatel Galego.

A característica essencial da casta Moscatel Galego é a sua exuberância, sobretudo na vertente aromática, existindo controvérsia no seio enófilo: para alguns, é uma virtude encontrar uma "prova de nariz" tão evidente e característica, sem complexidades exacerbadas; para outros, é uma carência resultar um vinho linear centrado, por norma e maioritariamente, na componente frutada, pelo que é uma casta para entrar em lote.

Quanto a este Vallado Moscatel Galego, resultante da colheita de 2008, importa dizer que se apresenta com fruta tropical e notas doces (tipo fruta cozida) no nariz, mas tudo longe de maçar ou enfadar com exageros na fruta - aliás, tem mesmo bastante frescura no copo. Na boca, mantém-se amigo do consumidor, limpo, directo, relativamente encorpado e muito saboroso. O final de boca também se presta ao sabor, com ligeiras notas adocicadas que garantem persistência no palato. Nada vegetal. Pouco mineral.

É, sem dúvida, o melhor Vallado Moscatel Galego que já provámos, aquele com melhor equilíbrio entre fruta e frescura. O seu estilo intenso e, simultaneamente, fresco, permite-o acompanhar várias pratos (das saladas às carnes brancas) e o seu preço não magoa.

16


Próximos vinhos: Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007

sexta-feira, outubro 02, 2009


Athayde Grande Escolha (T) 2007

Um novo produtor do Alentejo - Herdade da Raposinha - e mais um bom exemplar da nova geração de tintos alentejanos. Nariz complexo, com as principais castas (Syrah e Alicante Bouschet) a "aparecerem" apesar da madeira evidente no primeiro impacto e das referências a chocolate e doce de leite num segundo momento. Boca potente, com taninos (da madeira?) fortes, fruta madura mas ainda escondida pelo estágio de 12 meses em barrica. Passada uma hora revela notas a café e algum vegetal seco. Final de boca médio mas saboroso (talvez da Syrah...) e agreste (talvez do Alicante Bouschet...).
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Tudo num registo internacional mas, simultaneamente, com um lado rústico português também. Ou seja, um vinho do Novo Mundo com sotaque alentejano. Mais uma boa estreia de um novo produtor alentejano. A provar e consumir com carnes encarnadas pela frente.
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16,5 - 17

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Próximos vinhos: Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005; Altas Quintas Obsessão (T) 2004; Rol de Coisas Antigas (T) 2007

domingo, setembro 27, 2009

Feiras de Vinhos: ECI & Continente

Aqui ficam as nossas sugestões de compras após a visita a dois hipermercados. A euforia das Feiras de Vinhos já passou é certo, mas em "tempos de crises" continuam-se a fazer bons negócios e talvez seja esta a melhor altura para açambarcar. Vejamos:

ECI
  • Aneto Reserva (B) 2008 a €11,95 - é, a nosso ver, um grande branco a um grande preço, criação de Francisco Montenegro (Qta Nova e Bétula), pelo que não hesite em comprar;
  • Graínha (B) 2008 a €10,45 - a nosso ver, está um dos mais vibrantes brancos durienses no mercado (mais um de Francisco Montenegro), fácil e descomplexado com acidez muito viva e ligeiramente crocante;
  • Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2008 a €5,49 - este é já um clássico do universo "Dão Sul/Global Wines", sempre um campeão na RPQ e cada vez com menos madeira saliente (o que nos agrada);
  • Quinta do Infantado Reserva (T) 2007 a €22,50 - será possível este preço (?); este não o vimos na prateleira, apenas no catálogo (começamos a duvidar se o preço estará correcto...), mas a ser verdade vale comprar uma caixa.

Continente
  • Quinta do Cerrado Encruzado (B) 2008 a €5,49 - um 100% Encruzado de primeira linha, extremamente mineral mantendo boa RPQ, uma marca que tem vindo a crescer junto do público (está mais barato do que no ECI);
  • Herdade do Meio Garrafeira (T) 2004 a €15,99 - mais uma vez aparece este tinto a preço de saldo, um bom vinho (mas não excelente) de um projecto que "deu as últimas" (ao que tudo indica); vale muito a pena experimentá-lo a este preço.

quarta-feira, setembro 23, 2009

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Valle Pradinhos (B) 2008

A invulgar composição de castas, a frescura e limpidez de palato, e a manutenção, ano após ano, de uma qualidade significativa e preço estável, são tudo características do vinho sobre o qual vamos escrever (ver aqui e ali para colheitas anteriores).

O facto do "estilo" deste vinho branco transmontano se manter constante independentemente da colheita é, sem dúvida, um atributo, sobretudo num país habituado a variações na qualidade das marcas (talvez seja o lado germânico de Rui Cunha, enólogo responsável por este vinho).


Contudo, a nosso ver, esta versão de 2008 está ligeiramente diferente: está mais vidrada, mais mineral, mais contida, mais séria enfim. É certo que, à semelhança de anos anteriores, mantém a expressividade floral da Gewürztraminer na prova do nariz (secundada pela Riesling e Malvasia Fina), mas mesmo esse carácter floral encontramos mitigado em relação a anos anteriores beneficiando de maior presença de notas minerais. É certo que, à semelhança de anos anteriores, existe um prolongamento final na boca ligeiramente adocicado, mas neste ano está mais austero e saboroso.

Nós, ao invés de outros certamente, preferimos esta versão do Valle Pradinhos branco, achamo-la mais versátil e com mais garra. Aos consumidores, todavia, caberá a palavra final. Em suma, de nós para nós, o Valle Pradinho branco está igual a sempre, mas um pouco mais ao nosso gosto...

17

Próximos vinhos: Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005

quinta-feira, setembro 17, 2009

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Conventual Reserva (B) 2007

Aqui está um vinho que nos agradou subjectivamente. Isto é que, na ausência de eloquências, revelou um conjunto de atributos que muito nos agradam.

Esteve fresco, tanto na prova de nariz como na de boca. Mostrou garra na boca com fruta branca de qualidade. E esteve simples e directo, sem aquelas "complicações" e "sofisticações" que, quando mal trabalhadas e mal harmonizadas, (só) causam confusão no momento da prova e do desfrute.

Foi assim: fresco, com fruta, muita garra e descomplexado. Parece fácil, não é? Pois a este preço não conhecemos muitos.

Na versão de 2008, que ainda não provámos, substituiu-se o tradicional rótulo de cortiça por um de papel prata com letras pretas (para a versão tinta, o rótulo é dourado com letras pretas, e faz lembrar mais o antigo). A ver vamos, em breve, se o estilo também cambiou...

16,5


Próximos vinhos: Valle Pradinhos (B) 2008; Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005

segunda-feira, agosto 24, 2009

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Prova de tintos topos de gama do Alentejo

Não se recusa uma prova aos tintos topos de gama do Alentejo... é algo que não se faz, é um convite que não merece um "voltar costas", é uma proposta que não pode ser ignorada. Não recusámos, pois claro.

As regras eram simples: 12 tintos alentejanos topos de gama ou "super premium" de colheitas relativamente recentes (a grande maioria de 2004 e 2005), e três momentos diferentes de prova - o primeiro, imediatamente após abertos; o segundo, após uma hora sem decantar; e o terceiro, após duas horas e a acompanhar comida típica da região. Notas telegráficas, como se impõem:

Quinta do Mouro Rótulo Dourado (T) 2005: Fruta madura e muito mineral no nariz, tudo com muita potência e intensidade aromática. Boca jovem, com muita fruta mas não excessivamente madura, cheio, pleno de complexidade e de sabor. Um vinho enorme, de taninos de ferro e com um grande futuro – foi o vencedor inequívoco da prova.18++

D. Maria Reserva (T) 2005: Muito bem no nariz, complexo e sedutor, com muitos laivos florais e fruta definida. Boca acetinada, taninos doces, fruta gulosa mas não enjoativa. Ganhou ritmo durante a prova, e o tempo no copo só lhe fez bem. Acabou em grande forma!17,5+

Herdade do Esporão Garrafeira (T) 2005: Belo nariz, mesclando fruta e mineral, madeira e notas vidradas. Complexo e saboroso na boca, mais fino e elegante no estilo do que algumas bombas em prova. Melhorou muito no copo, sobretudo a acompanhar refeição onde mostra ter vocação. 17,5+

Zambujeiro (T) 2004: Muito intenso no nariz, com a Touriga em grande forma e fruto muito maduro em camadas, com creme de leite e chocolate à mistura. Grande boca, intensa mas curiosamente aveludada e de taninos doceis. Uma bomba muito sedutora, quase demolidor no sabor, para os amantes dos super-charges! 17,5

Cortes de Cima Reserva (T) 2004: Complexo e muito sedutor no nariz com fruta negra de excelsa qualidade e fumados da madeira. Mantém o perfil na boca, muito saboroso, taninos perfeitos que não se impõem, cheio e largo no copo. Só não foi perfeito por não ter melhorado com o passar do tempo. 17,5

Mouchão (T) 2003: Começa verde no nariz, com notas a couro à mistura e fruta encarnada tímida. Na boca está fresco, com boa complexidade e a fruta mostra-se mais. Melhorou muito no copo - foi o vinho que mais melhorou durante a prova -, com cambiantes mentoladas e fruta quase madura. Grande evolução durante toda a prova e fantástica aptidão gastronómica. 17++

Vale do Ancho (T) 2004: Bom nariz, mineral e vidrado, algum grafite também. Saboroso na boca, potente com taninos bravos, mas não cheio nem opulento. Óptimo final de boca com matizes mentoladas e grande apidão gastronómica. 17

Paulo Laureano Alicante Bouchet (T) 2005: Nariz original e diferente, mas algo "complicado" por ser verde e pouco expressivo, ao qual parece faltar precisão no ataque. Muito fresco e taninoso na boca, está contudo de difícil harmonização com comida. Irá evoluir bem em garrafa e agradará, por certo, aos fãs da casta. 16,5+

Casa de Santa Vitória Reserva (T) 2005: Muito floral no nariz, com fruto doce doce ligeiramente enjoativo. Na boca mostra fruta madura, taninos correctos, mas não ganhou com o passar do tempo. Evidenciou-se pouco face os restantes vinhos em prova e não marcou a diferença apesar da qualidade mostrada sobretudo na boca e na componente frutada. 16,5
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Malhadinha (T) 2006: Nariz típico da casa, com notas a rebuçado "floco de neve", floral e fruta derivados da Touriga e da Syrah (quase não se nota o Alicante). Boca bem construída, elegante, cheia e sem falhas, mas algo monótona. Boa qualidade apresentada pelo conjunto, mas falta chama. 16,5

Monte da Cal Vinha Saturno (T) 2004
: Muitas notas a verniz e alguma frescura balsâmica no nariz. De resto, muito couro, notas animais em abundância e sensação de fruta algo "queimada". Um vinho com um registo diferente, talvez num momento de forma pouco feliz, sendo certo que ambas as garrafas em prova estiveram exactamente iguais. 16

Quinta do Carmo Reserva (T) 2004
: Sensações imediatas a madeira no nariz, e alguma percepção a acidez e a etanol. Boca algo "dura", com taninos secos e pouca fruta. Final de boca inexpressivo. Sem chama, e muito abaixo do esperado. 16


PS I: Esta prova inseriu-se num périplo de 3 dias e meio de provas em diversas regiões do país e só foi possível graças à Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, com destaque para a presidente Dora Simões e manager Tiago Caravana, e ao amável convite - e excelente organização - do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).
PS II: As fotos foram tiradas e cedidas pela provadora Tamlyn Currin (Jancis Robinson Team) a quem, naturalmente, muito agradecemos.


quarta-feira, agosto 12, 2009


Vinhos do Palace Hotel Bussaco

Existem provas de vinhos e existem provas de vinho! Uma daquelas provas que vamos procurar não esquecer realizou-se há bem pouco tempo em plena adega privada do Palácio Real Hotel do Bussaco.

São muitas as estórias a propósito dos vinhos do Bussaco criados por Alexandre de Almeida, fundador dos Hotéis Alexandre de Almeida no início do século passado. E são muitas também as estórias sobre a famosa adega do hotel construída porque o seu fundador entendia que, tal como qualquer castelo (château) europeu, o Bussaco também deveria ter a sua própria adega. São, de facto, muitas as estórias da história deste hotel palácio real, mas acreditem que, na verdade, a realidade consegue suplantar a mais novelesca descrição desse local quase mítico.

Um dos aspectos que mais contribui para o quase mito em redor dos vinhos do Hotel do Bussaco é o facto da tradição na sua elaboração ser levada extremamente a sério. Não admira, por isso, que ao longo de um século de existência se tenha mantido o modo de vinificação, a escolha das melhores uvas das castas regionais típicas da Bairrada e do Dão (dado que o Bussaco se encontra em plena zona de fronteira entre a Bairrada e o Dão), a vinificação em madeira e sem filtragem, o estágio do vinho em madeira, a lavagem manual das garrafas com areia do rio, e mesmo a manutenção do rótulo (lindíssimo, vide foto de cima) durante os últimos 80 anos.

Acresce ao respeito pela tradição, a prática singular da manutenção de uma reserva enorme de garrafas de cada colheita. Por isso, não é difícil imaginar a quantidade vastíssima de garrafas existentes na adega. Aliás, são tantas as garrafas na adega, e esta é tão vasta em dimensão e altitude, que são muitos os vinhos de uma mesma colheita guardados em diferentes locais e em diferentes altitudes. Não é, pois, de espantar verificar-se a excentricidade de se encontrar dois ou mais bons vinhos da mesma colheita com diferenças significativas na prova posto que foram armazenados em locais e altitudes muito diferentes, sujeitos a diferentes níveis de temperatura, de humidade e de luminosidade. Mas essa, mesmo para o viajante-enófilo mais experimentado, é apenas uma de muitas surpresas que o aguardam.

A outra surpresa é a de comprovar que as garrafas mais antigas datam de 1923 e que estas, segundo os responsáveis do hotel, ainda se encontram bebíveis. E igualmente notável é o facto de se encontrar na lista de vinhos do restaurante do hotel quase todos os vinhos brancos e tintos do Bussaco a partir de 1944 e 1945 - algo verdadeiramente único no panorama nacional.

Mas talvez a maior surpresa seja o próprio vinho do Bussaco, ou melhor, os vinhos guardados e provados naquele ambiente único. Vinhos históricos já, com os inevitáveis bouquets tão evoluídos quanto amadeirados, acompanhados de finais de boca intermináveis pelos quais (ainda) suspiramos. Não conseguimos evitar, todavia, a injustiça de elogiar apenas alguns desses néctares em detrimentos de outros, também eles majestosos. Destacamos, assim, o encanto do Bussaco Reserva (B) 1958 com as suas persistentes notas a verniz; mas também as subtis sensações aromáticas a café presentes no delicado Bussaco Reserva (T) 1959; sem, por um momento, olvidar a juventude da prova de boca do impressionante Bussaco Reserva (T) 1983 e, em especial, as suas imponentes referências a couro no nariz; e claro, a fruta gentil da edição especial "Vinha da Mata" do Bussaco Reserva (T) 2001 e, "last but not the least", o inebriante perfume a mel de acácia do Bussaco Reserva (B) 2002. São, enfim, vinhos que não se esquecem. Foi, também e sobretudo por isso, uma prova que não esqueceremos...

PS I: Esta prova inseriu-se num périplo de 3 dias e meio de provas em diversas regiões do país e só foi possível dada a gentileza de Alexandre de Almeida, presidente do grupo Hotéis Alexandre Almeida (AA), e o amável convite - e excelente organização - do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).
PS II: As fotos foram tiradas e cedidas pela provadora Tamlyn Currin (Jancis Robinson Team) a quem, naturalmente, muito agradecemos.






quarta-feira, agosto 05, 2009


Vale d’ Algares

Projecto relativamente recente mas já com significativa projecção mediática, sito na região denominada hoje de Tejo, mais propriamente em Vila Chã de Ourique. Em poucos anos, Vale d’ Algares afirmou-se em diversos campos, quer através de uma gama de vinhos relativamente diversificada, quer como uma referência de design a respeito da sua adega, quer ainda no seio do desporto equestre (actividade paralela à produção de vinhos). Em prova temos o segmento Guarda Rios, todos da colheita de 2007, o colheita tardia também de 2007, e ainda duas novidades o Vale D’Algares Selection (B) 2008 e o Vale D’Algares Selection (T) 2008.

Guarda Rios (R) 2007
Feito a partir de Syrah, Touriga Nacional e Aragonês, mostra um nariz reservado com referência a fruta madura. Todavia, falta, ao conjunto, maior intensidade aromática. Na boca, apresenta-se com corpo, e nota-se que tem um cariz sério sem tiques de maturação excessiva ou de inadequado açúcar residual. No todo, temos aqui um rosé sério e capaz, com alguma vocação gastronómica. 15,5

Guarda Rios (B) 2007
No nariz, e à semelhança do rosé, está pouco exuberante, a fruta aparece mas só timidamente – não parece ser defeito, antes feitio. Boca de entrada agradável, fresca, com acidez franca, mas final curto. Um branco com um perfil menos pesado em relação a alguns concorrentes da região e, por isso, a merecer destaque positivo. Junte-se o preço atractivo – 6,5€ por garrafa – e percebe-se o sucesso de vendas. 15,5

Guarda Rios (T) 2007
Ao contrário dos brancos, este tinto revela grande pujança aromática, com impacto jovem, algum etanol e muito balsâmico da madeira. Algum verniz, pomada "vip vapor up" e acetona. Especiarias também, sobretudo com o passar do tempo no copo. A boca mantém um perfil quente, de fruta muito madura, quase doce, de final composto e saboroso. Pode ainda crescer com mais um ano em garrafa. Um vinho próximo de outros tantos do denominado Novo Mundo, muito sedutor na boca, mas a necessitar de ligeira afinação no nariz. 15,5-16

Vale D’Algares Selection (B) 2008
Como não vai haver em 2008 os topos de gama da casa (branco e tinto "Vale D’Algares"), surge este novo segmento - branco e tinto selection - a 8,5€ a garrafa (ou seja, um pouco mais caro que o Guarda Rios, mas mais barato que o Vale D'Algares). Muito mais aromático que a versão branca Guarda Rios 2007, com fruta tropical e fruta branca cozida, mas com frescura. A boca parece precisar de tempo em garrafa, está tensa, directa, mas com um final de boca mais preciso e focado. Boa acidez, é um vinho bem desenhado que será de agrado generalizado. 16

Vale D’Algares Selection (T) 2008
Opaco no copo, muito retinto. Trata-se de um vinho cheio de juventude, etanol em evidência, nariz "em construção" com predomínio na fruta muito madura mas com tiques da madeira nova à mistura (eg., sensações queimadas). A boca mostra outra realidade, revela um vinho mais polido, com típicos taninos ribatejanos, ou seja redondos e doces. É incrível como um vinho de 2008 pode já dar esta prova de boca... Moderno, pronto a beber e a mostrar enologia capaz, está muito ao gosto dos consumidores ingleses. Pode ainda crescer, na prova de nariz sobretudo, com mais um ano em garrafa.15,5-16
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Vale D’Algares (CT) 2007
Colheita tardia, produzida a partida de 100% de Viognier (a casta da famosa Condrieu AOC). Nariz com notas subtis a fruta branca, pouco intenso (parece ser uma marca na casa relativamente às castas brancas), quase despercebido. Melhora muito na boca, pouco untuosa e nada aborrecida, antes com notas frescas a alperce e óptima acidez. A antítese de um vinho de sobremesa pesado e gordo – uma bela surpresa (e uma bela estreia) esta colheita tardia. 16,5-17
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Próximos vinhos: Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008; Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006; Altas Quintas Reserva (T) 2005

sexta-feira, julho 24, 2009


Quinta do Boição Escolha (T) 2006

Escuro no copo, mas não opaco. Nariz aguerrido, com notas de acidez e juventude à mistura, e um ataque a madeira a procurar amparar o conjunto. Boca com categoria, saborosa (mas não sedutora) nos frutos encarnados e pouco maduros, acidez franca e um final de boca honesto. Bem feito este tinto da Estremadura (agora, região de Lisboa), faltando um pouco mais de complexidade e fruta mais profunda e gulosa na boca. Em todo o caso, a €12 é uma boa escolha.

16

Próximos vinhos: Vale d' Alagares (vários); Conventual Reserva (B) 2007; Valle Pradinhos (B) 2008; Athayde Grande Escolha (T) 2007; Vallado Moscatel Galego (B) 2008; Quinta do Tedo vintage (P) 2007; Quinta das Marias TN (T) 2006

domingo, julho 19, 2009

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"Douro report": parte 2

É a segunda parte de pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Douro, em especial das colheitas de 2007 e 2008. São (mais algumas) curtas notas, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser simpático e inteligível. Vejamos:

Vértice Gouveio (Esp) 2004: Muito bem no estilo - seco e bruto - em crescendo até um final de boca absolutamente "champanhês"; complexidade (nariz), textura (boca) e graciosidade (final de boca), tudo numa flûte à sua espera; não o perca de vista. 17-17,5
Passadouro (B) 2008: Muita exuberância olfáctica, com um ataque inicial a fruto tropical, mais pêssegos e ligeiro ananás; tudo muito bem casado no nariz; boca com menos presença, algo "leve" mas com muito sabor; melhora com ligeira oxidação. 16
Olho no Pé Grande Reserva (B) 2008: Muito fresco e persistente no estilo; fruta em evidência mas alguma complexidade à mistura; na senda da boa colheita de 2007 mas talvez com mais fruta na boca; bom preço. 16,5
Aneto (B) 2008: Mais fruta, em parte tropical, do que na colheita anterior, e menos madeira nova também; perfil elegante; boca crocante e bom final; está agora mais um branco de Verão, enquanto a versão de 2007 estava mais um branco de Inverno.17
Lupucinus (T) 2007: Bela surpresa da Quinta do Lubazim; nariz a mostra os atributos do Douro Superior, quente, com fruta muito madura e vegetal seco, notas licoradas; a boca está um pouco mais fresca do que o nariz indicava e acaba muito bem, sedutor e seguro de si; grande preço a menos de €8. 16
Olho no Pé Grande Reserva Pinot Noir (T) 2007: Muito curioso este Pinot duriense, boa frescura no nariz e alguma complexidade; na boca cai um pouco com ligeira doçura, mas termina bem com um final elegante. 16 - 16,5
Miura (T) 2006: Produzido na Quinta de Tourais (Régua), tem um perfil moderno e internacional; madeira a tapar parcialmente a fruta; boca agarrida, secura da madeira e final sedoso; será de agrado generalizado. 16,5
Quinta de Tourais (T) 2006: Nariz com perfil duriense, fruto e ligeiro floral; na boca é alegre, mostra vivacidade e taninos definidos; irá evoluir bem em garrafa por mais 3 a 5 anos. 16,5+
Quinta do Tedo Fine Tawny (P) s/d: Bastante doce; complexidade q.b.; final saboroso; um tawny novo sem defeitos, mas também sem brilho; servir ligeiramente refrescado; bom preço abaixo dos €7. 15,5
Quinta do Tedo Finest Reserve Ruby (P) s/d: Muito bem este ruby, cheio de força e bem definido no que respeita à fruta; nariz muito maduro; aguerrido na boca mas com final relativamente sedoso; qualidade a um preço justo. 16,5
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Reserve Ruby (P) s/d: Mais um belo ruby, fruta preta no nariz, macio e redondo na boca, mas com potência de sobra para que passasse por um LBV. 16,5
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo LBV (P) 2005: Ainda não está no mercado, mas esperávamos um pouco mais depois da grande prova do ruby; muito fechado; estilo meio-seco; falta pujança sobretudo no final de boca. 16,5
Quinta do Tedo LBV (P) 2003: Perfil clássico de LBV com muita fruta, mas sem excessos; nariz maduro com referências a mato rasteiro e vegetal seco; destaque positivo para o final de boca; poderá melhorar ligeiramente na garrafa. 16,5+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Vintage (P) 2007: Melhor que o 2005; curiosamente mostra mais força, mais garra, mais químico; na boca apresenta alguma contenção; o melhor vintage da Quinta Nova na era "ex-Burmester". 17


quarta-feira, julho 15, 2009


"Douro report": parte 1

São pequenos apontamentos de provas recentes de algumas das últimas produções do Douro (e uma de Trás-os-Montes), em especial das colheitas de 2007 e 2008. São curtas
notas, pois se fossem extensas não caberiam num formato que procura ser simpático e inteligível. Vejamos:

3 Pomares (R) 2008: Apreciamos o estilo - mais seco que doce - mas falta-lhe expressão aromática; muito bem na boca, focada na fruta vermelha fresca com framboesas em destaque; bom preço. 15
Vallado (R) 2008: Muito bem no estilo - seco - mas muito expressivo. Boca cativante com fruta em evidência mas sem qualquer excesso; uma bela surpresa a conhecer. 15,5
Valle Pradinhos (R) 2008: Um dos nossos rosés favoritos; nariz contido com floral da Touriga Nacional; absolutamente seco na boca (quase palha), simplesmente imperdível. 16,5
Vallado (B) 2008: Muito fresco e acessível no estilo; nariz com fruta em evidência; descomplicado; boca prazenteira; ligeiro "pico" nesta fase (sulforoso?); bom preço. 16
Conceito (B) 2008: Algum peso excessivo prejudica o primeiro impacto; belíssima fruta branca madura, e final em evolução; poderá melhorar muito em garrafa. 16,5 +
Grainha (B) 2008: Muito fresco (apenas 50% de madeira nova), brilhante acidez, subtil, ligeiras notas a café; acaba tenso e vibrante; muito acima da versão tinta. 17
Quinta do Tedo (T) 2007: Bela surpresa; nariz duriense com fruta de bosque e flores; sedutor mas linear na boca; taninos já macios; bom tinto a preço de saldo. 16
Quinta do Tedo Grande Reserva Savedra (T) 2007: Mais uma grande surpresa da Quinta do Tedo (sita entre o Tedo e o Douro); fruta madura no nariz; boca elegante e saborosa; alguma madeira ainda tapa um pouco o conjunto; final médio/longo; preço muito competitivo. 17
Soares Duarte TTT (T) 2006: Perfil rústico e quente; nariz muito curioso, sedutor pela marca da complexidade e dos aromas difíceis de descrever; boca potente; um tinto interessantíssimo. 17
Conceito (T) 2007: Sisudo, impõe-se, no início, pelo carácter algo rude; fruta fresca escondida mas muito bem desenhada; profundamente gastronómico e com anos pela frente. 17+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Touriga Nacional (T) 2007: Opaco no copo, perfil aromático intenso mas não aborrecido; boca fantástica, complexa e de grande final; belo monocasta; irá melhorar em garrafa nos próximos 2 anos. 17+
Quinta Nova N.ª Sr.ª Carmo Grande Reserva (T) 2007:
Fechado, procura compatibilizar o perfil duriense da marca com uma matriz mais internacional, e sobe um patamar na qualidade face ao resto da gama; fruta muito madura; madeira nova a integrar; grande entrada de boca e uma textura acetinada fora do vulgar; vai melhorar; muita qualidade mas um pouco caro. 17,5+
Quinta do Infantado Reserva (T) 2007: Perfil clássico com nariz de fruta madura (mas sem excessos), mato rasteiro e ligeiro floral; boca de entrada elegante; complexo e sedutor ao mesmo tempo e tudo sem exageros; madeira já a caminho da integração; vai melhorar nos próximos anos; preço alto mas justo. 17,5+
Quinta do Vallado Reserva (T) 2007: O lote poderá não ser o definitivo, daí o intervalo na classificação; sente-se muito a Touriga Nacional no nariz (maior percentagem?) e o vinho está muito acessível, encantador na relação fruta- flores-especiarias; boca quase pastosa e taninos disfarçados; um dos melhores e mais consensuais Vallado Reserva de sempre. 17 - 17,5

quarta-feira, julho 08, 2009


NOVIDADE

Charme (T) 2007

Aquando da última "Masterclass" dos Douro Boys (ver aqui), ficámos com a ideia que o Charme 2006 mantinha a finesse que lhe é reconhecida mas não tinha, nem de perto, o porte aristocrático de edições anteriores. Se lhe tivéssemos então atribuído uma nota, certamente que até nós ficaríamos surpreendidos com mediania da mesma. Aliás, esta é a primeira vez que pontuamos um Charme. Este intróito serve, pois, de demonstração da ausência de interesses e parcialidades a declarar e é, a nosso ver, indispensável dado o que iremos, de seguida e de forma sintética, passar a descrever.

No nariz abre sisudo, com notas iniciais a madeira - decantou-se então. Passada meia hora, brotam extensas notas minerais, pele de cão molhada, um ligeiro bret. e terra húmida com odor a cogumelos. Depois, sobressaem, com delicadeza e refreamento, framboesas, ligeiro citrino e respectiva casca (toranja), medronhos, e um pouco de creme de leite a acrescentar alguma gulodice. Uma hora depois, é tempo das notas fumadas taparem a fruta vermelha e o conjunto fica mais misterioso.
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Boca excelsa, acetinada e positivamente delgada, com pendor para os frutos vermelhos. "Sente-se quase sem o sentir", apetece-nos desabafar. Potente dada a sua juventude, procura um equilíbrio que só o tempo em garrafa lhe dará. Grande final (para já), mas também ele em construção.

Um tinto absolutamente recomendável pela qualidade e pela diferenciação e destaque no panorama nacional. Absolutamente a não perder, apesar do preço elevado (nunca abaixo dos €70). Um grandíssimo vinho, e uma das notas mais elevadas que já atribuímos a vinhos não-generosos.

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