terça-feira, novembro 09, 2010

Provas

Alento (B) 2009

Mais um "3b"... ou seja, um branco, bom e barato! Desta feita do Alentejo, e de uma marca - Alento - mais associada a tintos. De início, surge-nos um vinho muito claro no copo, de aparente fragilidade; mas é só aparência. Na prova de nariz está bem, com uma feliz combinação de fruta e vegetal, sem que a primeira vertente se sobreponha à segunda. Prova de boca que surpreende pela complexidade, com boa profundidade e evidente carácter gastronómico.

A acidez também está bem, mas o que realmente agrada - e que realmente nos fica na memória - é a força e complexidade da prova de boca - muito bem! Óptima relação preço-qualidade.

16

Próximas provas: 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005; Bétula (B) 2009; Senhor da Adraga (T) 2008

quinta-feira, novembro 04, 2010

Provas especiais

Burmester e Kopke: Port Old Whites e Colheitas

Numa interessante jogada de antecipação ao programa de provas especiais do EVS (esta sexta-feira, fim-de-semana e segunda-feira), a 'Quinta Wine Guide' e a 'Sogevinus' organizaram uma prova de Portos Old White e Colheitas. A prova contou com a presença do enólogo Pedro Sá e teve lugar no restaurante Clube de Jornalistas (Lisboa). De acordo com a Sogevinus, os vinhos mais velhos foram engarrafados especialmente para a prova.

Os Porto brancos estiveram, em geral, em bom nível, apesar dos mais novos - o 10 anos (Burmester) e o 20 anos (Kopke) - ainda estarem um pouco tensos, a precisar do calibre do tempo (temos para nós, que os brancos velhos são, em regra, melhores quanto mais velhos, o que nem sempre é verdade com os Porto tintos, como sabemos...). Ao invés, o 40 anos (Kopke), esteve muito bem, tanto na complexidade como na profundidade, muito bom durante toda a prova nas suas notas de casca de laranja confitada, figos e frutos secos (17,5).

Tempo depois para os Colheitas e um Tawny, sendo certo que, nesse campeonato, a Burmester é sempre uma equipa favorita. O Burmester Tordiz 40 Anos revelou-se uma vez mais como um dos melhores vinhos nacionais, untuoso, toque de vinagrinho, absolutamente fabuloso (18-18,5). O Burmester Colheita de 1955 esteve praticamente ao mesmo nível, muito exuberante e com grande potência no palato, mas ligeiramente menos complexo que o anterior (18). Finalmente, o Burmester Colheita 1937, um vinho com uma frescura e mineralidade arrebatadoras, possuidor de uma auréola esverdeada, e de um final inesquecível, tanto que bem merece uma fotografia nossa (19).

terça-feira, novembro 02, 2010

Novidade

Esporão Private Selection (T) 2007

O Private Selection (T) 2001 tinha uma enorme garra e um carácter rústico (foi dos nossos favoritos); o Private Selection (T) 2003 não devia ter saído para o mercado enquanto tal (demasiado maduro e químico); o Private Selection (T) 2005 estava quase lá (mais fino na boca, mas excessivamente frutado no nariz); já este Private Selection (T) 2007 está perfeito para o estilo que pretende ter! O envelhecimento das vinhas e um ano muito ameno contribuiu seguramente para o melhor tinto do Esporão que já provámos (e sim, provámos o Torre do Esporão '04...).

No copo revela-se muito escuro, mas não opaco. O nariz é muito complexo, com fruta madura em camadas, especiarias e muita frescura. Na boca, os taninos são magníficos, finos, muito finos, mas ainda assim secos e seguros de si. O final de boca é potente, largo e sedutor mas sempre mantendo frescura e carácter. Um vinho muito completo, onde nenhuma casta sobressai, um tinto luxuoso bem trabalhado na vinha e na adega.

Sem dúvida que é moderno no estilo, mas se todos os modernos fossem como este… Tem um único problema: não é barato.

17,5-18

sexta-feira, outubro 29, 2010

Prova especial

Scion very old Port

Foi ontem, e literalmente a conta-gotas... David Guimarães abanou um pequeno frasco, talvez com 500ml, contendo um líquido pré-filoxérico. De pipeta em mão, proporcionou alguns momentos mágicos a quem provou este "very old Port". David Guimarães acredita tratar-se de um vinho com cerca de 155 anos e, muito provavelmente, tem origem num único ano.  Das três pipas que originalmente continham esta vinho precioso, uma terá sido comprada comprada nem mais nem menos do que por Winston Churchill. As outras duas, agora, pela Taylor's.

De resto tudo o que espera de um dos melhores vinhos que se pode provar em vida. Muita complexidade num nariz com notas frescas mas rançosas, e um vinagrinho em proporção adequada. Boca esmagadora, doce mas com acidez altiva, infindável e indecifrável. A concentração é tal que cada gota - cada gota rigorosamente - tem um sabor dos diabos! Ou melhor, dos deuses! O preço, esse sim, é mesmo dos diabos, pois cifra-se pelos €2.500.

19,5

quinta-feira, outubro 28, 2010

Provas

Valle Pradinhos (R) 2009

Não podemos esconder a atracção que sentimos por este rosé. Sempre apreciámos o seu estilo generoso mas não guloso; o diálogo que perpetua entre fruta e garra. Cor carregada no copo (rosa muito escuro), nariz vinioso, álcool em alta mas sem distrair.

Com comida tem uma aptidão gastronómica próxima de um vinho tinto; se bebido a solo aproxima-se de um vinho branco pela elegância. Ponderados ambos os atributos, optamos por não o beber como aperitivo; servirá antes para acompanhar um bom prato, mesmo que seja daqueles que pode dispensar vinho, como foi o caso da tortilha que se vê na foto em plena fritura. É, para nós, um dos melhores rosés nacionais!

16

Próximas provas: Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005; Bétula (B) 2009


terça-feira, outubro 26, 2010

Provas

Guarda Rios (R) 2009

Os rosés nacionais estão em alta! Já começa a ser difícil encontrar um exemplar que nos estrague o palato. Este Guarda-Rios já teve versões mais doces (e, por isso, menos atraentes). Agora, ainda mantendo um registo guloso, está todavia mais sério e interessante. Nesta colheita de 2009, a fruta continua a comandar a prova sensorial (e é isso que se espera de um rosé), mas a boca é mais complexa e o final mais acentuado que em edições anteriores. E tem bom preço, o que é simpático para enfrentar a crise em que vivemos com o copo cheio.

No nosso caso, acompanhou umas fajitas de frango e pimentos bem picantes e a ligação, apesar de simples e costumeira, revelou-se perfeita.

15,5

Próximas provas: Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005


domingo, outubro 24, 2010

Provas

Conventual Reserva (B) 2008

Talvez menos conseguido que na colheita de 2007 (ver prova aqui), mantém todavia um bom nível e um preço muito interessante. É um branco que nasce nas terras altas de Portalegre, pelo que não espanta que revele frescura, fruta citrina, e uma complexidade acima da média.

A menos de €4 continua a ser uma aposta segura. Quem disse que não existem bons brancos baratos?

15,5-16

Próximas provas: Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005

quinta-feira, outubro 21, 2010

Prova especial

Escultor (T) 2006

Grande vinho este alentejano! Prova que a casta Trincadeira, com Alicante à mistura, pode proporcionar vinhos fantásticos em climas quentes e noites frescas. Grande concentração, mas não esmagador, revela taninos secos, e muita fruta preta mas não enjoativa nem mastigável. Madeira de primeira qualidade, em perfeita conjugação com as notas de pimenta e as referências menos maduras da Trincadeira. Óptima frescura com boa acidez, e um eterno perfil gastronómico, final de boca em construção. Faz parte da nova – e feliz! – tendência para produzir vinhos cheios, encorpados e poderosos, sem serem chatos ou devastadores. Assim, sim.

É o topo de gama do Monte do Pintor, sito em Igrejinha a 15 km de Évora (bem defronte da famosa Herdade dos Coelheiros) e é propriedade do produtor que também detém a Herdade do Perdigão mais a norte na direcção de Portalegre. Temos aqui um vinho valioso e com preço elevado, entre os €45 e os €55. Garrafa (excessivamente) pesada, mas com rótulo belíssimo da autoria do escultor João Cutileiro.

A não perder!

17,5-18++

sexta-feira, outubro 15, 2010

Pechincha

Uma proposta bag-in-box de colheita seleccionada. Verdadeiramente seleccionada, vinho de qualidade elevada, com passagem por madeira, competente e muito saboroso. Uma proposta que pode revolucionar o vinho a copo na restauração.

É o novo vinho do produtor alentejano Solar dos Lobos e chama-se "Le Loup Noir". Estagia oito meses em barrica e é da colheita de 2008. O melhor elogio que poderemos dar-lhe é relatar que quando o provámos pensámos de imediato que se tratava de um tinto de gama alta (um vinho com cerca de 16 valores ou mais) engarrafado! Ou seja, nunca pensámos que estivesse num formato bag-in-box. Nem imaginamos o sucesso nas festas lá em casa – é colocá-lo em vários decanters e servi-lo com o gabarito que merece.

Por 9,90€ temos dois litros de vinho tinto de qualidade, o que é uma verdadeira pechincha, sobretudo se pensarmos que o vinho não evoluirá de forma acelerada pois está sempre sob vácuo, podendo permanecer aberto durante algumas semanas.


Pechincha pois!

quarta-feira, outubro 13, 2010

Novidade

Primeira Paixão (B) 2009

Nesta segunda edição, parece estar ainda melhor que a anterior, com uma prova de boca mais intensa e penetrante. Notas exóticas muito subtis (ligeiro maracujá), outras citrinas mais vincadas mas mantendo-se sóbrio, elegante, ligeiramente distante e circunspecto, próximo da mineralidade.

Seco, muito seco, crocante. E gastronómico, pois deixa sede na boca com notas a sal e iodo apressado. Só o fim de boca o compromete - por ser tão seco é algo fugaz - não o deixando "voar mais alto".

É, de qualquer forma, um vinho quase perfeito à mesa, que pode tanto acompanhar peixe e marisco (prove-o com lapas grelhadas como sugerimos aqui) como pratos com influências orientais. Essa versatilidade - é um vinho que não chateia e isso é sempre uma qualidade - é uma vantagem pouco comum nos brancos nacionais. O facto de ser um Verdelho da Madeira pode atrair os mais curiosos e esses não vão ao engano.

Em suma, é um vinho que tem tudo para ser um sucesso. E merece-o!

16,5-17

segunda-feira, outubro 04, 2010

Surpresa

Senhor d' Adraga (B) 2009

Quem diria que lado a lado a uma das mais ventosas e frias praias do concelho de Sintra fosse possível produzir vinho? Quem diria que esses dois vinhos - pois que os há um branco e um tinto - não resultariam das vinhas tradicionalmente plantadas em Colares ou nas Azenhas do Mar, mas antes em Almoçageme, território perigosamente próximo do Cabo da Roca, em plena falda noroeste da Serra de Sintra? E quem diria que esses mesmos vinhos seriam vinhos de lote com castas tão diferentes e pouco usuais na região como o Alvarinho, o Chardonnay, ou mesmo Riesling e Semillon e que, ademais, proporcionariam uma prova muito, mas mesmo muito, positiva?  Muito poucos, certamente.

Do projecto Senhor d' Adraga, hoje falamos do branco. Um branco interessantíssimo dada a sua vertente original, pouco frutada (apenas caroço), ligeiramente oxidada até, muito gastronómico e complexo. Não é vinho para enófilos menos experientes ou consumidores mais vocacionados para brancos untuosos; não, neste branco Regional de Lisboa não existem vaidades exacerbadas nem "saladas de frutas". Ao invés, mostra-se fresco, austero apesar de ser ligeiramente cremoso ao entrar na boca, com enorme acidez e final refrescante. Com 12% vol., de inesgotável limpidez, é um vinho que pede comida, peixe de preferência (por exemplo, num dos muitos restaurantes e marisqueiras na costa entre Cascais e Ericeira).

Uma surpresa, realmente! Uma óptima surpresa, a menos de €10. Faz justiça ao nome que emprega, pois está mesmo um Senhor, e é da Praia da Adraga.

16,5

sexta-feira, outubro 01, 2010

Novidade

Vale d' Algares Selection (T) 2007

Projecto jovem mas já consolidado na recém criada região do Tejo, Vale D' Algares produz vinhos modernos, de carácter frutado e guloso. Este Selection de 2007 está, contudo, ligeiramente mais sério e bastante mais interessante que o tinto entrada de gama "Guarda Rios". Mantém-se frutado, é certo, mas apresenta-se com alguma profundidade e a madeira dá-lhe alguma expressão mais complexa.

Bem executado e de perfil internacional, é um tinto que agradará um público generalizado, mas é também, dado o seu preço não exagerado, uma escolha segura (sobretudo a acompanhar carne bovina) na sempre especulativa restauração nacional. Não é o melhor tinto da região, mas não conhecemos razões para não o ter como companheiro de mesa.

16

quarta-feira, setembro 29, 2010

Provas

Altas Quintas Crescendo (B) 2009

Branco de vinhas plantadas na Serra de S. Mamede. Sente-se levemente a fruta citrina, cheio de frescura e até um fundo mineral. Está muito bem, surpreendentemente melhor que o 2008 (quando as características do ano poderiam supor o inverso), o que se deve explicar pelo maior conhecimento do terroir e pelo crescimento das vinhas. Gastronómico, seco, sem excessos frutados ou florais.

Está ainda algo directo de mais, necessita de estrutura (mas não de peso!) e de mais complexidade, mas para isso teremos que esperar que as vinhas envelheçam um pouco mais. Este 2009 pode ainda evoluir em garrafa nos próximos 2 a 3 anos.

Em suma, mais um bom branco, com a vantagem de ser bem distribuído e poder ser encontrado em muitas superfícies comerciais.

16+

Próximas provas: Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005

domingo, setembro 26, 2010

Provas

Alain Grillot La Guiraude (T) 2005

No nariz, fruta negra porém fresca com alguns tiques florais curiosos a lembrar violetas. Na boca, está seco, ligeiramente terroso, imponente na frescura e no carácter gastronómico, final competente. Tal como nos vem habituando Alain Grillot, temos aqui um tinto de Cotes du Rhône onde a madeira pouco se sente, um vinho muito puro, minimalista e espartano no uso de mão humana.

"La Guiraude" é o resultado da selecção das melhores barricas de cada ano, daquelas que apresentam maior potencial de evolução e não aquelas que necessariamente se revelam mais aromáticas e/ou sedutoras. Por isso, não espere o leitor encontrar um vinho muito diferente do Syrah base deste produtor de Crozes-Hermitage, nem necessariamente muito melhor, apenas (e já é tanto) com mais longevidade. Mas mais do que tudo, é um vinho quase perfeito na altura da refeição, um par ideal para qualquer prato de carne.

Importado pelos Projectos Niepoort, cada garrafa a cerca de €30.

17++


Próximas provas: Altas Quintas Crescendo (B) 2009; Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009

segunda-feira, setembro 20, 2010

de Espanha

Victorino (T) 2007

Tinto de gama alta do novo projecto em Toro das "Bodegas Eguren" (Sierra Cantábrica). É quase impossível não comparar este néctar com os títulos Numanthia e Termanthia, vinhos do anterior projecto, vendido recentemente pelos irmãos Eguren ao colosso francês "Moet Hennessy SNC". Na verdade, este tinto prossegue o estilo centrado num fruto negro muito intenso e profundo, e mantém uma aposta segura no compromisso entre raça e potência da casta Tinta del Toro como poucos o conseguem fazer. Aliás, a qualidade das massas vínicas - provenientes de vinhas com mais de 45 anos com rendimento de cerca de 15hl/ha - deve ser incrível, pois o vinho reflecte um carácter perfeitamente maduro, de grande qualidade.

A diferença para os anteriores vinhos, contudo, não é para melhor, pois este Victorino revela demasiada baunilha denunciando de forma muito evidente os mais de 15 meses em madeira nova; está mais sexy admitimos, mas também algo mais domesticado. De fora, parece ter ficado o carácter rude do Numanthia, um estilo que era quase agressivo mas que garantia autenticidade e uma boa evolução. Ao invés, este novo tinto - apesar da imagem forte do seu rótulo e das dimensões excessivas da garrafa - está, infelizmente, mais redondo e demasiado pronto a beber (apesar de entendermos que irá beneficiar com o estágio em garrafa) se comparado com os vinhos do anterior projecto Eguren em Toro.

A qualidade mantém-se, e o preço alto também (entre €35 a €40 a garrafa). O estilo está algo diferente.   

17++

quinta-feira, setembro 16, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte II

O jantar depois da Masterclass

Depois da prova masterclass a que nos referimos no texto abaixo, houve jantar na bela Quinta de Nápoles da Niepoort (ver foto ao lado). Para além de confirmar a mestria da equipa do Chef Luís Paula (DOC e DOP) para este tipo de eventos (sobretudo nas entradas - divinais), foi uma oportunidade de ficarmos a par da evolução de alguns dos melhores vinhos criados por este conjunto notável de produtores durienses. Assim, foi com muito apreço que regressámos à prova do Quinta do Crasto Touriga Nacional (T) 2005 que, servido no formato magnum (1,5l.), comprovou tratar-se de um dos melhores exemplos estremes da casta raínha, generoso no perfil violáceo mas também com a seriedade típica dos grandes vinhos (17-17,5). Igualmente em alta esteve o Quinta do Vale Meão (T) 2004, um dos mais secos néctares produzidos neste terroir do Douro Superior, farto na fruta mas bem compensado por taninos rijos (17-17,5). Também provado – e aprovadíssimo, diga-se – foi o Batuta (T) 2005 em magnum, apresentando-se muito complexo na fruta negra integrada com a barrica, ainda com bons anos pela frente e que recompensará certamente aqueles com paciência e que o souberem guardar em boas condições (17,5-18). Os maiores elogios, contudo, estavam guardados para um branco e para um Vinho do Porto, ou seja para o Redoma Reserva (B) 2005 em magnum, perfeito exemplar do que melhor o Douro pode dar no que respeita a vinhos brancos, complexo e fresco (17,5), e para  o Niepoort Garrafeira (P) 1952, um clássico produto da Niepoort, engarrafado em formato demijon (garrafões de vidro) de 5l., onde os cambiantes dos aromas a Vinho do Porto se misturam entre frutos secos, fruta encarnada e enebriantes sensações vidradas (17,5); melhor só o de 1931...

segunda-feira, setembro 13, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte I

Douro Boys Masterclass

Mais uma edição da masterclass dos Douro Boys, desta feita com as novidades deste grupo duriense relativas aos tintos e Vinhos do Porto da colheita de 2008, e aos brancos da colheita 2009. Se na edição do ano anterior brilharam, a nosso ver, os tintos da Quinta do Vallado e da Quinta de Vale Dona Maria, bem como os dois topos de gama da Quinta do Crasto - as cuvées "Vinha da Ponte" e "Vinha Maria Teresa" -, este ano foi vez dos vinhos tintos da Niepoort e do Vale Meão levarem a melhor num dos eventos mais bem organizados e charmosos da agenda vinícola nacional.

Se é certo que todos os vinhos da prova tinham bastante valor - trata-se, como é sabido, de um conjunto com alguns dos melhores produtores nacionais -, mais certo é que, como sempre acontece, alguns vinhos se destacaram dos restantes. Assim, e começando pelo topo, o Charme (T) 2008 da Niepoort bateu um novo recorde na nossa apreciação, impondo-se com o mais terroso e borgonhês de sempre na prova de nariz, e com uma prova de boca deliciosa marcada por subtis e elegantes variações de morango silvestre (18-18,5). Da mesma forma, o Quinta do Vale Meão (T) 2008 mostrou-se a um nível muito alto, perfumadíssimo, uma bomba de complexidade e fruta, cereja negra e violeta (o lote tem, desta feita, mais Touriga Nacional do que Touriga Franca) apresentando-se como um dos melhores tintos que esta quinta produziu até hoje (17,5), isto apesar de, em rigor, a colheita de 2007 também ter andado lá perto...

Ainda nos tintos, destaque também para dois Crasto: o primeiro, um Quinta do Crasto Reserva vinhas velhas (T) 2008 a prometer ficar perto da maravilhosa colheita de 2005 sempre no seu estilo generoso e sexy (17-17,5), tendo beneficiado da inclusão no lote das uvas das vinhas Maria Teresa e Ponte  que, por isso, nesta colheita não foram vinificadas à parte; o segundo, um novo produto, um tinto de uma vinha plantada no Douro Superior, denominado Crasto Superior (T) 2007, muito bem executado, profundo e sem ponta de sobre-maturação (16,5), um tinto que custará cerca de €15, ou seja, ficará a ocupar o espaço entre as marcas "Crasto" e "Crasto Reserva vinhas velhas".

Quanto aos brancos, e apesar do ano quente como foi o de 2009, mantém-se tudo muito consistente, com os vários produtores a apresentaren vinhos de qualidade. Bons, estiveram o Vallado Reserva (B) 2009 (16) e o VZ (B) 2009 (16,5), dois brancos de estirpe e pedigree, sendo que o segundo está um pouco melhor que o primeiro (que, por ora, nos pareceu excessivamente frutado) mas ainda ligeiramente prejudicado pela barrica (de óptima qualidade, como é costume nos vinhos de Cristiano van Zeller); bastante bom, como é habitual, o Redoma Reserva (B) 2009 (17), a revelar já uma interessante convivência entre fruta e barrica; mais simples, mas bastante aprazível, esteve o Crasto (B) 2009, um vinho de perfil mais frutado do que os restantes, mas com um toque de vegetal seco que o enobrece (15,5).

Nos Vinhos do Porto, destaque para duas surpresas de duas quintas geralmente mais conotadas com vinho de mesa: a primeira, um Quinta do Crasto vintage (P) 2008 de bom nível, um dos melhores vintage que provámos desta quinta (16,5); e um Quinta do Vale Meão vintage (P) 2008 ainda melhor que o anterior, também numa das suas melhores edições de sempre (17).

terça-feira, setembro 07, 2010

Provas

Avidagos (B) 2009

Vinho duriense, da Quinta dos Avidagos, propriedade da família Nunes de Matos sita na fronteira entre Baixo e Cima Corgo.

Branco competente, com boa acidez e que proporciona prova agradável na boca pois tem um perfil seco interessante. A prova de nariz revela um vinho que encontra-se mais virado para um certo carácter frutado (tropical, mas também pera cozida) que não nos convence tanto, mas essa parece ser uma preferência actual dos consumidores. Final de boca limpo, quase mineral, fresco e elegante.

Um vinho de Verão, sem dúvida, a um preço convidativo, ou seja a menos de €4 no Continente.

15

Próximas provas: Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009; Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009

quarta-feira, agosto 25, 2010

Novidades

Bajancas private selection (B) 2008

Já tínhamos, no passado recente, apreciado os vinhos brancos deste produtor duriense, cujas vinhas são próximas de São João da Pesqueira, terra de planalto sito entre o Cima Corgo e o Douro Superior. Mas, com a prova dos novos brancos, de 2008 e 2009, que serão lançados no mercado, constatamos que houve uma evolução muito positiva na qualidade e ficámos ainda mais agradados.

O branco colheita de 2009 está interessante, frutado e com apetência para o consumo imediato e descontraído. A surpresa estava, porém, reservada para o private selection da colheita de 2008. Aliás, este foi mesmo um dos brancos nacionais que mais nos entusiasmou nas últimas provas que tenho efectuado.

É um vinho «woody but dry», como dizem os anglo-saxónicos. Ou seja, o vinho teve estágio em barrica mas mantém-se seco, muito seco, crocante, apenas com ligeiros fumados da madeira, e um delicioso toque de espuma de café. Nada de fruta tropical, apenas um ligeiro citrino bem mesclado com uma forte componente mineral. Mas o melhor… para nós, o melhor é a sua acidez, intensa, cortante, capaz de nunca nos saturar.

Um belo branco a um preço por volta dos €15, ou seja muito simpático para a qualidade apresentada.

17

terça-feira, agosto 24, 2010

Pechinchas (ou não tanto)

Descobertos num supermercado cooperativo a sul do País, ficámos com uma vontade curiosa de conhecer a  evolução destes dois vinhos. Comprámo-los e levámo-los para casa, o Encostas de Estremoz Alicante Bouschet (T) 2004 a menos de € 6, e o Herdade do Meio Antão Vaz (B) 2005 a menos de € 2. Pensámos, de imediato: 'pechinchas', estes dois alentejanos!

Baratos, sem dúvida, mas, em rigor, também não chegaram a agradar por aí além, quando chegou a hora de os provar. O tinto surgiu com excessivas notas de couro e de óleo vegetal em lata, o que implicou decantação obrigatória. Melhorou, é certo, mas manteve-se longe do nível das provas que dele fizemos no passado. Salvou-se uma frutinha encarnada no final de boca e pouco mais (14). Quanto ao branco, revelou-se farto em notas a carvalho americano e curto em referências ao Antão Vaz. Enjoativo, necessariamente, nas referências a baunilha doce, sem acidez nem complexidade, praticamente mortiço, para não dizer defunto (13).

'Pechinchas' existem, sem dúvida, mas nem sempre como deveriam ser.