sexta-feira, outubro 01, 2010

Novidade

Vale d' Algares Selection (T) 2007

Projecto jovem mas já consolidado na recém criada região do Tejo, Vale D' Algares produz vinhos modernos, de carácter frutado e guloso. Este Selection de 2007 está, contudo, ligeiramente mais sério e bastante mais interessante que o tinto entrada de gama "Guarda Rios". Mantém-se frutado, é certo, mas apresenta-se com alguma profundidade e a madeira dá-lhe alguma expressão mais complexa.

Bem executado e de perfil internacional, é um tinto que agradará um público generalizado, mas é também, dado o seu preço não exagerado, uma escolha segura (sobretudo a acompanhar carne bovina) na sempre especulativa restauração nacional. Não é o melhor tinto da região, mas não conhecemos razões para não o ter como companheiro de mesa.

16

quarta-feira, setembro 29, 2010

Provas

Altas Quintas Crescendo (B) 2009

Branco de vinhas plantadas na Serra de S. Mamede. Sente-se levemente a fruta citrina, cheio de frescura e até um fundo mineral. Está muito bem, surpreendentemente melhor que o 2008 (quando as características do ano poderiam supor o inverso), o que se deve explicar pelo maior conhecimento do terroir e pelo crescimento das vinhas. Gastronómico, seco, sem excessos frutados ou florais.

Está ainda algo directo de mais, necessita de estrutura (mas não de peso!) e de mais complexidade, mas para isso teremos que esperar que as vinhas envelheçam um pouco mais. Este 2009 pode ainda evoluir em garrafa nos próximos 2 a 3 anos.

Em suma, mais um bom branco, com a vantagem de ser bem distribuído e poder ser encontrado em muitas superfícies comerciais.

16+

Próximas provas: Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009; 4 Castas (T) 2008, Quinta dos Poços Reserva (T) 2005

domingo, setembro 26, 2010

Provas

Alain Grillot La Guiraude (T) 2005

No nariz, fruta negra porém fresca com alguns tiques florais curiosos a lembrar violetas. Na boca, está seco, ligeiramente terroso, imponente na frescura e no carácter gastronómico, final competente. Tal como nos vem habituando Alain Grillot, temos aqui um tinto de Cotes du Rhône onde a madeira pouco se sente, um vinho muito puro, minimalista e espartano no uso de mão humana.

"La Guiraude" é o resultado da selecção das melhores barricas de cada ano, daquelas que apresentam maior potencial de evolução e não aquelas que necessariamente se revelam mais aromáticas e/ou sedutoras. Por isso, não espere o leitor encontrar um vinho muito diferente do Syrah base deste produtor de Crozes-Hermitage, nem necessariamente muito melhor, apenas (e já é tanto) com mais longevidade. Mas mais do que tudo, é um vinho quase perfeito na altura da refeição, um par ideal para qualquer prato de carne.

Importado pelos Projectos Niepoort, cada garrafa a cerca de €30.

17++


Próximas provas: Altas Quintas Crescendo (B) 2009; Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009; Alento (B) 2009

segunda-feira, setembro 20, 2010

de Espanha

Victorino (T) 2007

Tinto de gama alta do novo projecto em Toro das "Bodegas Eguren" (Sierra Cantábrica). É quase impossível não comparar este néctar com os títulos Numanthia e Termanthia, vinhos do anterior projecto, vendido recentemente pelos irmãos Eguren ao colosso francês "Moet Hennessy SNC". Na verdade, este tinto prossegue o estilo centrado num fruto negro muito intenso e profundo, e mantém uma aposta segura no compromisso entre raça e potência da casta Tinta del Toro como poucos o conseguem fazer. Aliás, a qualidade das massas vínicas - provenientes de vinhas com mais de 45 anos com rendimento de cerca de 15hl/ha - deve ser incrível, pois o vinho reflecte um carácter perfeitamente maduro, de grande qualidade.

A diferença para os anteriores vinhos, contudo, não é para melhor, pois este Victorino revela demasiada baunilha denunciando de forma muito evidente os mais de 15 meses em madeira nova; está mais sexy admitimos, mas também algo mais domesticado. De fora, parece ter ficado o carácter rude do Numanthia, um estilo que era quase agressivo mas que garantia autenticidade e uma boa evolução. Ao invés, este novo tinto - apesar da imagem forte do seu rótulo e das dimensões excessivas da garrafa - está, infelizmente, mais redondo e demasiado pronto a beber (apesar de entendermos que irá beneficiar com o estágio em garrafa) se comparado com os vinhos do anterior projecto Eguren em Toro.

A qualidade mantém-se, e o preço alto também (entre €35 a €40 a garrafa). O estilo está algo diferente.   

17++

quinta-feira, setembro 16, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte II

O jantar depois da Masterclass

Depois da prova masterclass a que nos referimos no texto abaixo, houve jantar na bela Quinta de Nápoles da Niepoort (ver foto ao lado). Para além de confirmar a mestria da equipa do Chef Luís Paula (DOC e DOP) para este tipo de eventos (sobretudo nas entradas - divinais), foi uma oportunidade de ficarmos a par da evolução de alguns dos melhores vinhos criados por este conjunto notável de produtores durienses. Assim, foi com muito apreço que regressámos à prova do Quinta do Crasto Touriga Nacional (T) 2005 que, servido no formato magnum (1,5l.), comprovou tratar-se de um dos melhores exemplos estremes da casta raínha, generoso no perfil violáceo mas também com a seriedade típica dos grandes vinhos (17-17,5). Igualmente em alta esteve o Quinta do Vale Meão (T) 2004, um dos mais secos néctares produzidos neste terroir do Douro Superior, farto na fruta mas bem compensado por taninos rijos (17-17,5). Também provado – e aprovadíssimo, diga-se – foi o Batuta (T) 2005 em magnum, apresentando-se muito complexo na fruta negra integrada com a barrica, ainda com bons anos pela frente e que recompensará certamente aqueles com paciência e que o souberem guardar em boas condições (17,5-18). Os maiores elogios, contudo, estavam guardados para um branco e para um Vinho do Porto, ou seja para o Redoma Reserva (B) 2005 em magnum, perfeito exemplar do que melhor o Douro pode dar no que respeita a vinhos brancos, complexo e fresco (17,5), e para  o Niepoort Garrafeira (P) 1952, um clássico produto da Niepoort, engarrafado em formato demijon (garrafões de vidro) de 5l., onde os cambiantes dos aromas a Vinho do Porto se misturam entre frutos secos, fruta encarnada e enebriantes sensações vidradas (17,5); melhor só o de 1931...

segunda-feira, setembro 13, 2010

Provas especiais - Douro Boys - parte I

Douro Boys Masterclass

Mais uma edição da masterclass dos Douro Boys, desta feita com as novidades deste grupo duriense relativas aos tintos e Vinhos do Porto da colheita de 2008, e aos brancos da colheita 2009. Se na edição do ano anterior brilharam, a nosso ver, os tintos da Quinta do Vallado e da Quinta de Vale Dona Maria, bem como os dois topos de gama da Quinta do Crasto - as cuvées "Vinha da Ponte" e "Vinha Maria Teresa" -, este ano foi vez dos vinhos tintos da Niepoort e do Vale Meão levarem a melhor num dos eventos mais bem organizados e charmosos da agenda vinícola nacional.

Se é certo que todos os vinhos da prova tinham bastante valor - trata-se, como é sabido, de um conjunto com alguns dos melhores produtores nacionais -, mais certo é que, como sempre acontece, alguns vinhos se destacaram dos restantes. Assim, e começando pelo topo, o Charme (T) 2008 da Niepoort bateu um novo recorde na nossa apreciação, impondo-se com o mais terroso e borgonhês de sempre na prova de nariz, e com uma prova de boca deliciosa marcada por subtis e elegantes variações de morango silvestre (18-18,5). Da mesma forma, o Quinta do Vale Meão (T) 2008 mostrou-se a um nível muito alto, perfumadíssimo, uma bomba de complexidade e fruta, cereja negra e violeta (o lote tem, desta feita, mais Touriga Nacional do que Touriga Franca) apresentando-se como um dos melhores tintos que esta quinta produziu até hoje (17,5), isto apesar de, em rigor, a colheita de 2007 também ter andado lá perto...

Ainda nos tintos, destaque também para dois Crasto: o primeiro, um Quinta do Crasto Reserva vinhas velhas (T) 2008 a prometer ficar perto da maravilhosa colheita de 2005 sempre no seu estilo generoso e sexy (17-17,5), tendo beneficiado da inclusão no lote das uvas das vinhas Maria Teresa e Ponte  que, por isso, nesta colheita não foram vinificadas à parte; o segundo, um novo produto, um tinto de uma vinha plantada no Douro Superior, denominado Crasto Superior (T) 2007, muito bem executado, profundo e sem ponta de sobre-maturação (16,5), um tinto que custará cerca de €15, ou seja, ficará a ocupar o espaço entre as marcas "Crasto" e "Crasto Reserva vinhas velhas".

Quanto aos brancos, e apesar do ano quente como foi o de 2009, mantém-se tudo muito consistente, com os vários produtores a apresentaren vinhos de qualidade. Bons, estiveram o Vallado Reserva (B) 2009 (16) e o VZ (B) 2009 (16,5), dois brancos de estirpe e pedigree, sendo que o segundo está um pouco melhor que o primeiro (que, por ora, nos pareceu excessivamente frutado) mas ainda ligeiramente prejudicado pela barrica (de óptima qualidade, como é costume nos vinhos de Cristiano van Zeller); bastante bom, como é habitual, o Redoma Reserva (B) 2009 (17), a revelar já uma interessante convivência entre fruta e barrica; mais simples, mas bastante aprazível, esteve o Crasto (B) 2009, um vinho de perfil mais frutado do que os restantes, mas com um toque de vegetal seco que o enobrece (15,5).

Nos Vinhos do Porto, destaque para duas surpresas de duas quintas geralmente mais conotadas com vinho de mesa: a primeira, um Quinta do Crasto vintage (P) 2008 de bom nível, um dos melhores vintage que provámos desta quinta (16,5); e um Quinta do Vale Meão vintage (P) 2008 ainda melhor que o anterior, também numa das suas melhores edições de sempre (17).

terça-feira, setembro 07, 2010

Provas

Avidagos (B) 2009

Vinho duriense, da Quinta dos Avidagos, propriedade da família Nunes de Matos sita na fronteira entre Baixo e Cima Corgo.

Branco competente, com boa acidez e que proporciona prova agradável na boca pois tem um perfil seco interessante. A prova de nariz revela um vinho que encontra-se mais virado para um certo carácter frutado (tropical, mas também pera cozida) que não nos convence tanto, mas essa parece ser uma preferência actual dos consumidores. Final de boca limpo, quase mineral, fresco e elegante.

Um vinho de Verão, sem dúvida, a um preço convidativo, ou seja a menos de €4 no Continente.

15

Próximas provas: Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009; Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009; Vale Pradinhos (R) 2009

quarta-feira, agosto 25, 2010

Novidades

Bajancas private selection (B) 2008

Já tínhamos, no passado recente, apreciado os vinhos brancos deste produtor duriense, cujas vinhas são próximas de São João da Pesqueira, terra de planalto sito entre o Cima Corgo e o Douro Superior. Mas, com a prova dos novos brancos, de 2008 e 2009, que serão lançados no mercado, constatamos que houve uma evolução muito positiva na qualidade e ficámos ainda mais agradados.

O branco colheita de 2009 está interessante, frutado e com apetência para o consumo imediato e descontraído. A surpresa estava, porém, reservada para o private selection da colheita de 2008. Aliás, este foi mesmo um dos brancos nacionais que mais nos entusiasmou nas últimas provas que tenho efectuado.

É um vinho «woody but dry», como dizem os anglo-saxónicos. Ou seja, o vinho teve estágio em barrica mas mantém-se seco, muito seco, crocante, apenas com ligeiros fumados da madeira, e um delicioso toque de espuma de café. Nada de fruta tropical, apenas um ligeiro citrino bem mesclado com uma forte componente mineral. Mas o melhor… para nós, o melhor é a sua acidez, intensa, cortante, capaz de nunca nos saturar.

Um belo branco a um preço por volta dos €15, ou seja muito simpático para a qualidade apresentada.

17

terça-feira, agosto 24, 2010

Pechinchas (ou não tanto)

Descobertos num supermercado cooperativo a sul do País, ficámos com uma vontade curiosa de conhecer a  evolução destes dois vinhos. Comprámo-los e levámo-los para casa, o Encostas de Estremoz Alicante Bouschet (T) 2004 a menos de € 6, e o Herdade do Meio Antão Vaz (B) 2005 a menos de € 2. Pensámos, de imediato: 'pechinchas', estes dois alentejanos!

Baratos, sem dúvida, mas, em rigor, também não chegaram a agradar por aí além, quando chegou a hora de os provar. O tinto surgiu com excessivas notas de couro e de óleo vegetal em lata, o que implicou decantação obrigatória. Melhorou, é certo, mas manteve-se longe do nível das provas que dele fizemos no passado. Salvou-se uma frutinha encarnada no final de boca e pouco mais (14). Quanto ao branco, revelou-se farto em notas a carvalho americano e curto em referências ao Antão Vaz. Enjoativo, necessariamente, nas referências a baunilha doce, sem acidez nem complexidade, praticamente mortiço, para não dizer defunto (13).

'Pechinchas' existem, sem dúvida, mas nem sempre como deveriam ser. 

quinta-feira, agosto 19, 2010

Prova especial

Terrenus Reserva (T) 2004

Encaixamos esta prova deste grande tinto na categoria "prova especial". E fazemo-lo pois este é, efectivamente, um vinho fora do normal. Especial, pela relativa raridade do vinho, posto que a sua produção é residual, ridícula mesmo comparando com padrões internacionais. Especial, pois em meia década produziram-se apenas duas colheitas (2004 e 2007). Especial, pelas provas sempre fantásticas que nos proporcionou até hoje, e pela evolução que dele esperamos ainda (ver aqui para uma das provas anteriores). Especial, por fim, pela nossa admiração subjectiva por este tinto de vinhas velhas da Serra de S. Mamede, um dos néctares nacionais no qual depositamos afeição maior.

Cor muito viniosa no copo, praticamente ainda opaco, denotando imensa juventude. No nariz, começa fechado, circunspecto (por isso, decante por uma hora, pelo menos). Cariz complexo e fundo, é um vinho que exige prova atenta, vigilância apertada e sentidos apurados. A fruta é negra, profundamente decadente. 

Na boca, proporciona uma prova gloriosa, mantém-se amplo e saboroso durante muito tempo, com fruta negra e fumados de qualidade. E revela até uma sensação de secura que muito nos apraz. Final de boca em alta, com chocolate amargo e ligeira nota rústica, mesmo ao nosso gosto pessoal.

Este, "está para as curvas", e durará, seguramente, mais 10 anos se guardado em condições ideais. Novidade no mercado é o da colheita 2007, igualmente de alto nível, mas, infelizmente (para nós, que precisamos dele...), mais caro, desculpando-se Rui Reguinga - produtor e enólogo desta delícia - na necessidade de reajustar o preço.

É um vinho denso, calmo mas potente, aparentemente silente mas poderoso. A nós, sugere-se como um tinto com "alma literária", como, aliás, tentámos demonstrar com a foto que colámos ao lado.

17,5-18+

terça-feira, agosto 17, 2010

Provas

Grandes Quintas Reserva (T) 2007

Novo projecto duriense, de um proprietário de vinha velha sita no Douro Superior, encontrando-se Luís Soares Duarte (Gouvyas) no comando da enologia.

No copo, revela cor carregada, quase opaca. Na prova de nariz, tem fruta negra com ligeira baunilha doce, conjunto de pendor guloso e atractivo, que evolui no copo com ligeiro cravinho e esteva. A prova de boca é saborosa, com fruta mais encarnada do que preta, complexidade e final de boca médios, e acidez no ponto (embora se tivesse mais vincada só melhoraria, a nosso ver).

Boa estreia deste novo produtor, que se apresenta já com um reserva interessante (a par de um colheita a cerca de €8), que pretende ser um compromisso entre um Douro mais internacional e uma patine clássica. Para já, a vertente internacional parece levar algum avanço num conjunto sedutor ao qual apenas falta um pouco mais de raça. De qualquer forma, para a boa qualidade apresentada, merece destaque o preço não especulativo, abaixo dos €16. Disponível em garrafeiras de qualidade e no Jumbo.

16,5-17

Próximas provas: Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009; Conventual Reserva (B) 2008; Guarda Rios (R) 2009


terça-feira, agosto 10, 2010

Novidade

Valle Pradinhos (B) 2009

Se ainda não está no mercado estará para muito breve, tanto mais que é um daqueles brancos que rapidamente se esgota nas garrafeiras todos os anos. Esta versão de 2009 (para a nossa apreciação sobre as anteriores, ver aqui e ali) mantém a exuberância aromática que lhe conhecemos e que marca a prova de nariz, com a Riesling e Gewürztraminer a dominar por completo. Falta-lhe, por ora, alguma componente mineral e vidrada que lhe descortinámos em anteriores colheitas, mas que poderá vir ainda a receber do estágio da garrafa.

Na prova boca, está ligeiramente mais pesado que a magnífica edição de '08, pelo que deve ser servido bem fresco, sobretudo se bebido nestes dias quentes. A intensidade da prova de boca mantém-se e é de assinalar - fruta branca e flores - mas, a nosso ver, o melhor é mesmo deixá-lo por alguns meses de lado para ver se o conjunto se torna um pouco mais elegante.

De resto, não se pense que não está à altura da fama que conquistou. Na verdade, não lhe falta exuberância, vigor, intensidade na prova e mesmo um final de boca com assinalável comprimento. E até melhorou a imagem, com novos rótulo e cápsula mais actuais, mantendo o bom gosto que caracteriza a marca transmontana.

16-16,5

quinta-feira, agosto 05, 2010

Provas

Cistus Reserva (B) 2009

Cor muitíssimo ligeira, de acordo com a moda actual, ou seja quase transparente. Prova de nariz muito directa, focada em referências a fruta branca mas sem cair na banalidade. Na prova de boca melhora, ligeiramente mais complexo, apesar de algum "pico" gaseificado que complica mas não estorva.

A menos de €4, temos aqui um branco duriense para este Verão, linear mas correcto, a beber bem fresco, talvez mesmo abaixo dos 8º.

14,5

Próximas provas: Grandes Quintas Reserva (T) 2007; Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009

terça-feira, agosto 03, 2010

Provas

AQ Mensagem de Trincadeira (T) 2007

Mais um rebento do projecto "Altas Quintas", projecto sito no norte do Alentejo e que se caracteriza pela produção de vinhos a partir de uvas plantadas a uma altitude média de 600 metros. Desta feita, e depois de um promissor Aragonês da colheita de 2005 (ver aqui), surge-nos um monocasta Trincadeira, casta tanta vezes difícil pelo carácter excessivamente vegetal que atribui a alguns vinhos. Neste caso, nada disso!

Cor ruby escura mas não opaca. Nariz com aroma intenso fruta madura, muitas especiarias - pimenta, cravinho -, tudo muito guloso - café, tosta - mas algo linear, sem a complexidade que pretendíamos encontrar. A prova de boca revela um vinho fresco, com taninos suaves, um vinho muito polido, talvez o mais polido e elegante na boca de todos os já provados deste produtor.

Ainda que tenhamos preferido a Mensagem de Aragonês pela maior complexidade do conjunto, nada cabe apontar a mais este tinto de qualidade saído do terroir da Serra de S. Mamede: em suma, prova de nariz muito sedutora, prova de boca fresca, e conjunto muito aprumado. Quanto ao polimento já demonstrado em garrafa, importa confirmar se será mudança de perfil ou se foi o ano a comandar o estilo, bem como esperar que não se comprometa a longevidade. A menos de €20, temos aqui um estreme Trincadeira de bom nível, de perfil moderno e acessível no estilo, que se recomenda.

16,5

Próximas provas: Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007; Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005; Altas Quintas Crescendo (B) 2009

sexta-feira, julho 30, 2010

Provas

Labrador Quinta do Noval (T) 2007

Um 100% Syrah do Douro... e logo de uma das suas mais famosas quintas. Sita no Vale Mendiz, de vistas magníficas, a Quinta do Noval foi das primeiras a produzir Syrah no Douro, sendo certo que já existe muita Syrah plantada noutras quintas da região. Apesar dos resultados parecerem ser prometedores, não conhecemos ainda o impacto desta decisão, nem até que ponto os restantes produtores seguirão o exemplo (recorde-se, a este propósito, o Cabernet plantado para o projecto Poeira e que deu já lugar a um novo vinho deste produtor).

No copo, a cor revelou-se escura, denotando muita concentração. Prova de nariz exuberante, repleta de aromas a fruta negra mas denotando sempre alguma frescura. Referências também a fumo e ligeira tosta.

Na prova de boca manteve o bom nível, saboroso, com fruta abundante e final garboso.  Falta-lhe alguma acidez ao conjunto e uns taninos mais secos para fazer jus à longevidade expectável da maior parte dos vinhos deste terroir de eleição.

16,5

Próximas provas: Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007; Avidagos (B) 2009; Alain Grillot La Guiraude (T) 2005

segunda-feira, julho 26, 2010

Provas

Alento (T) 2008

Tinto alentejano com roupagem bonita e moderna. Nariz dominado pela referência a frutos maduros, com ligeira nota de rebuçado "bolas de neve". Boca redonda, bastante saborosa e taninos suaves. Não se prevê grande longevidade, mas para já está muito bem. Afinado, simples e muita disponibilidade de fruta.

Aragonês (40%) e Trincadeira (40%), e um pouco de Alicante Bouschet (10%) e Touriga Nacional (10%). Nada a opor para um vinho que se pretende simples e prazenteiro; tal como ele é.

15,5

Próximas provas: Labrador Qta Noval (T) 2007; Altas Quintas Mensagem de Trincadeira (T) 2007; Cistus Reserva (B) 2009; Grandes Quintas Reserva (T) 2007

segunda-feira, julho 12, 2010

De Itália

Piemonte vs. Toscana

Este será um Verão em que iremos dedicar alguma atenção aos vinhos de Itália. Sem revelar tudo, mas levantando já um pouco a ponta do véu, diremos que mais adiante teremos o relato integral de uma prova inolvidável que tivemos o privilégio de poder fazer, nem mais nem menos do que uma dúzia de Barolos todos da magnífica colheita de 2001! E teremos notícias frescas da Toscana, inclusivamente de Maremma - uma das áreas mais em voga na Itália Central com os seus tintos "Morellino di Scansano". Bom, mas até lá... deixamos as nossas opiniões sobre quatro vinhos, dois de Piemonte e dois da Toscana.

Começando pelos vinhos da Itália Central, diremos que tanto o Tignanello (T) 2001 como o Flaccianello (T) 2006 estiveram belíssimos. O primeiro, um pioneiro dos "Super Tuscan", um vinho famoso pela combinação, inventada por Antinori, de 80% Sangiovese mais Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. O segundo, um 100% Sangiovese da casa tradiconal Fontodi sita em Chianti Clássico. Ambos revelam-se completos na prova de nariz e de boca: o Tignanello, necessariamente mais evoluído, já com terciários garbosos a lembrar néctares bordaleses (17,5-18); o Flaccianello, com notas de fruta encarnada, cinza e especiarias,  simultânemente sensual
e elegante (17-17,5).

Do lado de Piemonte, no noroeste de Itália, dois 100% Nebbiolo - talvez a melhor casta italiana -, ambos frescos e gastronómicos. O Barolo, num estilo clássico, revelou-se mais trufado com fruta mais negra na prova de boca (17-17,5); o Barbaresco, de uma casa produtora em grande forma, esteve mais directo, com fruta encarnada e taninos discretos apesar de visivelmente mais jovem (17-17,5). Ambos excelentes, o primeiro, um Massolino (T) 2000, o segundo um Vietti Barbaresco (T) 2005, ambos com muitos anos de evolução segura pela frente.

quinta-feira, julho 08, 2010

Provas especiais

Três brancos de 2007

Não foi ocasião singela - no dia mais quente do ano, foi a vez da prova de três dos melhores brancos nacionais. De uma assentada, provou-se o Soalheiro Reserva (B) 2007 em versão magnum (1,5l.), e dois vinhos da casa Niepoort, o Redoma Reserva (B) 2007 também em magnum e o Tiara (B) 2007 este em formato 75cl. Três vinhos e uma única e segura conclusão: temos brancos em Portugal, temos brancos que estagiam em madeira, e temos brancos que podem evoluir alguns anos em garrafa! 

Os três vinhos estiveram impecáveis em vários capítulos: nos reservas, a madeira foi sentida mas não reprovada e estiveram muito saborosos; no Tiara brilhou um travo mineral que acompanhou toda a prova. Em todos, a acidez esteve a bom nível; em todos as prova de nariz e de boca revelam-se significativamente complexas; nenhum apresentou complicações nem oxidações. Com brancos destes (e mais meia dúzia no mercado nacional), não há razão para se insistir em tintos nos dias mais quentes do ano. Apesar de menos imponente, destaque merecido para a evolução e grande relação preço-qualidade do Tiara, sobretudo se pensarmos que custa cerca de metade a um terço do preço dos outros dois vinhos qualquer que seja o formato da botelha.

sábado, julho 03, 2010

Novidade

Herdade dos Grous Reserva (T) 2008

Muito escuro no copo, praticamente opaco. Dada a sua juventude, aconselha-se decantá-lo. Passados trinta minutos no respirador, revela um nariz muito perfumado, de pendor sensual, com notas de fruta madura, ligeiro vegetal seco e madeira não enjoativa. Na boca está já quase pronto, redondo e corpulento, mantém-se muito prazenteiro, com volume e potência. Ameixa, cereja, aparas de lápis, mas nem sombra de sobre-maturação.

Com uns simpáticos 14.º de álcool, está muito bem feito à imagem das colheitas anteriores, mas talvez menos potente,  tentativamente elegante e - felizmente - mais equilibrado. Ao nível da fruta negra não se pode pedir mais... Para ser perfeito, pedíamos apenas maior acidez e até alguma rusticidade, mas esse é o nosso gosto pessoal.

Em breve à venda a menos de € 40. É uma marca recente mas já com uma incrível estabilidade na qualidade que os seus vinhos apresentam e, até por isso, este topo de gama mantém-se uma escolha muito certeira para os adeptos dos vinhos sexy do sul do Alentejo.

17

sexta-feira, junho 25, 2010

Curiosidade

AVA (B)

Para aqueles leitores que afirmam que este blog é excessivamente centrado em vinhos das gamas média e alta (e reconhecemos, efectivamente, alguma razão a tal apontamento) aqui fica uma sugestão económica.

Imagine um vinho branco de mesa, com pouco teor alcoólico produzido por uma empresa especialista nesta matéria e nesse segmento (a sociedade Aveleda). Agora imagine-o frutado, com destaque para pêra, líchia, ligeiro alperce, mas sempre mantendo-se leve, muito leve mesmo. E imagine-o fresco, com alguma acidez (natural?), e com "pico" agradável na boca. Pouco mais. E, claro, um preço abaixo dos € 3. Se é isto que procura, o AVA é, a nosso ver, uma das melhores opções no mercado.

É certo, mantendo o espírito crítico, que lhe falta estrutura, complexidade, fim de boca, e (mas é pedir muito) carácter. Mas como tudo na vida são "contextos e circunstâncias", tente imaginá-lo ao final de uma tarde quente de Verão, e experimente servi-lo num copo esguio ou mesmo numa flute... Pois é!

14