segunda-feira, outubro 22, 2007


Churchill's LBV (P) 2000

De volta às provas individuais, quedámo-nos por um Churchill's LBV (P) 2000, um LBV que não aparenta os anos que já leva de tal modo é forte o seu impacto inicial.

Como vem regra na casa, apresenta muita fruta no nariz - nada aqui é seco ou fechado - a mostrar que se pode, e recomenda, beber já. Muito guloso na boca, cheio, intenso e vibrante, está aqui um belo LBV para quem gosta de vintages novos (se é que isto faz algum sentido).

Com algum arejamento vem a complexidade esperada de um Porto que já leva alguns anos em garrafa, mas a tónica é sempre um fruto muito maduro a "puxar" ao estilo vintage. Ainda terá uns anos pela frente mas dada a sua natureza de LBV não vemos vantagens na guarda.

16,5


Próximos vinhos: Francisco Nunes Garcia Res. (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Res. (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Res. (T) 2003; Monte da Ravasqueira (B) 2006; Herdade de São Miguel Res. (T) 2005; La Rosa Reserve (T) 2004; Quinta do Perú (T) 2004

segunda-feira, outubro 15, 2007

Vinhos com (e de) Rui Cunha

Conhecer as quintas e os produtores aos quais Rui Cunha presta assessoria é um prazer. Conhecer essas quintas, e os seus proprietários, na companhia do próprio Rui Cunha não é apenas um prazer – é uma autêntica regalia! E conhecer com o próprio os seus projectos pessoais é um privilégio ainda mais especial. Pronto... está tudo dito! E qualquer objectividade, imparcialidade ou rigor no relato que se segue das provas está "contaminada", dirá o leitor. Tentaremos que assim não seja...
Dos vários vinhos provados ao longo de dois dias e meio – para uma descrição das visitas ver o texto dos amigos vinho a copo -, aqui fica o conjunto dos nossos destaques. A saber:

OS NOSSOS PREDILECTOS:
» Valle Pradinhos (T) 1992: Legado do tempo em que Nicolau de Almeida era o enólogo da casa. Um corpo estruturado e uma vibrante acidez "carregam ao colo" um fruto vermelho macio e redondo. Ainda com vida pela frente, é um vinho elegante e com uma pattine inesquecível. Foram provadas 3 garrafas – e todas elas em condições! (17,5-18)
» Campo Ardosa RRR (T) 2000: Provado defronte dos próprios vinhedos numa manhã fria de vindima. Numa mini-vertical, este RRR 2000 foi o que mais nos "agarrou" com o seu nariz frutado e uma boca cheia de garra. Final de boca inesquecível, está aqui um vinho potente mas (já) equilibradíssimo e pode ser guardado. Grande tinto! (17,5-18)
» Covela Colheita Seleccionada (B) 2004: Da região "entre Douro e Minho" está um branco fascinante e de corpo cheio. Complexo, muito mineral, é um branco deveras sério que não vira a cara à luta em qualquer combinação gastronómica por mais exigente que seja. (16-16,5)

AS SURPRESAS:
» Crooked Vines (T) 2005: Provado em magnum, é um tinto moderno (tal como o rótulo), sedutor e de perfil internacional. Bom trabalho com a madeira que se sente mas não se impõe. Fruta sobremadura e um final quente e picante que aponta mais para o consumo do que para a guarda. Um tinto de puro deleite que fará a alegria de muitos consumidores. (16,5-17)
» CM Romeu (PB) 1974: Belíssimo Porto branco da Soc. Agrícola Menéres a fazer-nos lembrar alguns madeiras (de bual). Untuosidade máxima, doçura cativante e boca de veludo. Final impressionante. Grande Porto branco. (17-17,5)
» Vista Alegre Old White (PB) s/idade: Outro Porto branco, este com cerca de 20 anos. Temos aqui um blend potentíssimo e um conjunto de aromas que remetem para flor de laranjeiro, casca de limão confitada e notas meladas - tudo num estilo curiosamente próximo de um tawny. (16,5-17)
» Quinta dos Avidagos Reserva (T) 2005: Por menos de €8 temos aqui um tinto muito gastronómico com fruta e força suficientes para acompanhar qualquer prato de carne. Num perfil muito duriense será uma excelente compra e está disponível em grandes superfícies (no "Continente"). (15,5-16)
» Sousa Lopes (B) 2006: Surpreendente branco de uvas plantadas próximo de Famalicão. Feito a partir das castas loureiro e chardonnay, está muito citrino, de perfil fácil e directo, mas brinda-nos com um tique de originalidade (talvez da pouco usual combinação das castas) muito feliz. Também por isso, parabéns ao enólogo Gonçalo Lopes. (15-15,5)

AS CONFIRMAÇÕES:
» Secret Spot (T) 2004: No seu lançamento, faz cerca de um ano atrás, estava já interessante a mostrar fruta vermelha e madeira presente, mas não se distinguia de outros bons tintos da região. Agora, um ano depois, está muito mais elegante, fino na entrada de boca e final mais prolongado. Reúne, em suma, um conjunto muito significativo de atributos: fruta de qualidade, elegância e complexidade. É um vinho muito sério que merece copos a preceito. (17-17,5)
» Valle Pradinhos Reserva (T) 2004: Já está com menos "pêlo na venta" do que na nossa primeira prova (ver aqui). Mantém uma fruta vermelha fabulosa e uma acidez cativante. Talvez o melhor cabernet português (mas tem ainda tinta amarela) que conhecemos. Não é arriscado vaticinarmos muitos anos de vida a este belíssimo tinto. (17-17,5)
» Quinta do Além-Tanha V.V. (T) 2004: Confirmação de um tinto que melhora a cada colheita que passa (para o 2001 ver aqui, para o 2003 aqui). O estilo sobremaduro está agora menos evidente mas a fruta preta de qualidade mantém-se. É um vinho difícil de não gostar e tem um final macio e encantador. (16,5-17)
» Apegadas Qta Velha (T) 2005: Nariz fechado, tudo muito longe... mas vai-se adivinhando o estilo, pois rusticidade e alguma dureza parece ser a marca da casa. Melhora na boca, fruta saborosa, acidez franca. Irá, em princípio, evoluir muito bem e tem um perfil gastronómico que combinará muito bem com pratos fortes. (16-16,5)

Foi assim...

sexta-feira, outubro 12, 2007


Mais vale tarde do que nunca

Apercebo-me que já devia ter colocado os links de dois recentes blogs sobre vinhos que muito merecem uma visita atenta. Ao Pumadas e ao Pinga Amor o desejo de venturas e de óptimos posts.

domingo, outubro 07, 2007


Prova: 6 tintos do Dão

Tratava-se de mais uma prova cega de seis vinhos levada a cabo por seis amigos (ver provas anteriores aqui e ali). Desta feita, o lema era "Tintos recentes do Dão". Como é política destas coisas, decantou-se cada vinho cerca de 40m antes da prova e atribuiu-se a cada decanter um número de 1 a 6. A prova foi constituída por uma fase sem qualquer comida e outra na qual foi acompanhada de uma refeição leve. Ao longo da prova verificou-se que "em jogo" estavam diferentes estilos de Dão o que, desde logo, revela que a região não anda parada, e que o consumidor tem por onde escolher... vejamos melhor:

O vinho que se revelou como o mais duro da mesa (apesar de para alguns isso ser "autenticidade") foi, curiosamente, o único produzido por uma senhora: foi o Lokal Sílex (T) 2004 da produtora e enóloga Filipa Pato. De facto, não esteve nada bem no nariz (começou reduzido, depois passou por uma fase de mofo, enfim…) mas melhorou significativamente na boca onde, já redondo e afinado, terminou com referências a fruta amarga e, outras mais curiosas, a carne.
Empatados em quarto lugar ficaram dois vinhos. O primeiro deles foi o Barão de Nelas Reserva (T) 2003, um tinto com notas de chá doce no nariz, boca fina e elegante mas com ligeiro travo a água-pé; o outro foi o Vinha de Reis (T) 2004 que, apesar de também ter começado por despontar no nariz (inclusive um ligeiro mas muito desagradável odor a pano molhado), esteve muito bem na boca onde revelou um estilo mais quente e internacional do que os vinhos referidos anteriormente.
Depois, no último lugar do pódio surgiu o Munda (T) 2004, num perfil todo ele muito intenso: nariz fortemente frutado (eg., líchias) e floral por vezes mesmo alicorado, boca potente e larga - uma pequena "bomba". Já um degrau acima ficou o Quinta da Garrida Touriga Nacional (T) 2003, muito torrado no nariz (seria da madeira?) combinou um precoce bouquet a frutas secas com uma boca equilibradíssima, elegante e final prolongado – claramente a melhor relação preço-qualidade dentro do grupo.

O primeiro prémio absoluto foi para o vinho com o perfil mais moderno e sedutor… nariz vinioso, notas soltas a tinta-da-china, muito corpo na boca, pesado mas sem perder qualquer laivo de graciosidade – é um grande vinho este Quinta do Perdigão Touriga Nacional (T) 2004 (já o provámos com mais detalhe aqui) !

Foi assim…

terça-feira, outubro 02, 2007

Feiras de vinhos: Destaques

"ECI" com uma boa selecção e a bons preços, mais caro que o habitual temos o "Continente", e em grande forma (como nos habituou) a feira no Jumbo. Faltam nesta lista o "Carrefour" e o "Feira Nova". O "Pingo Doce" nem se fala… Assim vão as feiras de vinhos nesta versão 2007.

Jumbo:
Prova Régia (B) 2006 - € 2,97
Catarina (B) 2006 – € 3,48
Deu la Deu (B) 2006 – € 5,29
Valle Pradinhos (T) 2003 - € 7,28
Quinta da Mimosa (T) 2004 – € 7,98
Quinta do Gradil (T) 2003 - € 9,95
Evel Grande Escolha (T) 2004 - € 13,85

ECI:
Vila dos Gamas Antão Vaz (B) 2006 – € 1,49
Prova Régia (B) 2006 – € 3,25
Quinta do Penedo (T) 2006 – € 4,35
Bajancas (B) 2006 – € 4,95
Casa da Atela TN (T) 2005 - € 4,95
Quinta do Infantado (T) 2004 – € 6,45
Casa Burmester Reserva (T) 2005 – € 10,95

Continente:
Catarina (B) 2006 – € 3,99
Quinta do Cerrado Encruzado (B) 2006 – € 4,98
Deu la Deu (B) 2006 – € 5,49
Burmester white porto (P) – € 6,99
Couteiro-Mor Reserva (T) 2004 – € 7,99
Meandro (T) 2004 – € 8,39

segunda-feira, outubro 01, 2007


Geol (T) 2003

Tomàs Cusiné já era um valor seguro da enologia em Costers del Segre quando, tinha mais de 20 anos de experiência, decidiu iniciar um novo e pessoal projecto vinícola. Conhecedor da região, instalou a adega no pueblo de El Vilosell, no município de Les Garrigues (Lleida), não muito longe da afamada região de Priorat.

O seu vinho de entrada carrega o nome de Vilosell e é feito a partir um lote curioso de 50% de tempranillo, 25% de cabernet sauvignon, e o resto de garnacha, syrah e merlot. Já o actual topo de gama - denominado Geol - é um lote maioritariamente composto por merlot e cabernet sauvignon. Vejamos:

São pouco mais de 20 mil as garrafas produzidas deste lote muito "afrancesado", sujeito a fermentação a 24-26ºc de temperatura, maceração durante 10 dias, e madeira nova de carvalho francês durante 10 meses. Apesar de todos estes (e outros) mimos, a garrafa que nos coube não agradou de sobremaneira.

Cor cereja escura com auréola clara. Nariz intenso é certo… mas intenso a anis (o que não apreciamos), acrescido de uma sensação de excesso de grau (mas 14.5º não explica tudo)! Em rigor, temos aqui um bouquet algo enjoativo dadas as referências impositivas a canela, bolo de mel, licor de ervas e amêndoa amarga. Está bem melhor na boca (pudera…) com fruta vermelha fresca, boa acidez e final médio com impacto proveniente da madeira nova.

Um vinho que vai agraciando alguma fama por Espanha (e um pouco pela Europa), mas que a nós não nos agradou "por aí além". Fica, em todo o caso, o registo de um vinho curioso, com fruta viva e fresca na boca, mas com um nariz excessivamente enjoativo que prejudica a prova e que retira qualquer hipótese de uma aptidão gastronómica.

15



Próximos vinhos: Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003.

quinta-feira, setembro 27, 2007


Apontamentos...

3 vinhos tintos muito interessantes com os quais nos cruzámos recentemente em prova cega.
A saber:
Conceito (T) 2005 (s/ rótulo): intenso, ainda jovem, muita força bruta, vamos ver como evolui;
Quinta da Levandeira do Roncão Grande Escolha (T) 2003 – perfil clássico do Douro, perfumado e gastronómico (boa aposta se o preço for honesto);
Quinta do Lubazim (T) 2005 - curioso, interessante, um pouco fechado ainda, se melhorar em garrafa será um caso sério.

quarta-feira, setembro 26, 2007



Mirto (T) 2002

Ramón Bilbao foi um dos vários produtores de La Rioja a compreender a necessidade de modernizar o perfil dos seus tintos. Este Mirto surge como o seu topo de gama. Pois bem, 5 anos após a colheita, e mais de 3 anos em garrafa, continuamos a ter aqui um projecto (magnífico) de vinho. Dizemos "projecto" pois ainda é preciso esperar por ele, tanta é a força que demonstra ter, bem patente, aliás, na opacidade da sua cor violeta.

No nariz cativa apesar de se mostrar fechado (ou por isso mesmo...). Mas "tem lá tudo"; ou seja: camadas de fruta preta viciosa e madeira sedutora. Na boca mostra enorme estrutura, é fresco, de acidez fantástica e taninos monstruosos. Referências a petróleo, alcatrão, torrados, e tinta-da-china, tudo isto e mais um final elegante e frutado. É possível? É pois!

Um vinho quase perfeito com muitos anos pela frente.
18

Próximos vinhos: Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003.

terça-feira, setembro 25, 2007

sexta-feira, setembro 21, 2007


Breves sobre brancos

Ainda por Espanha, aqui ficam breves referências a 3 bons brancos que nos acompanharam recentemente por terras calmas. A saber:

Palacio de Bornos Verdejo (B) 2006: Mais uma edição deste branco de Rueda sem madeira. Muito fresco e com preço super competitivo. O seu irmão feito a partir de sauvignon também se recomenda (15,5).

Louro do Bolo (B) 2005: Aproveitando a (justa) fama do topo de gama "As Sorte", Rafael Palacio brinda-nos com este 100% godello, extremamente mineral e cheio de corpo (16).

Raimat Chardonnay Selección Especial (B) 2004: Tudo muito intenso… fruta e madeira mas num registo puro e quase-elegante. O álcool? 14,5º, um autêntico supercharge (16)!



Próximos vinhos: Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003; Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002; Calços do Tanha Reserva (T) 2003.

terça-feira, setembro 18, 2007


Sierra Cantabria Gran Reserva (T) 1996

Não é preciso acompanhar com afinco desmedido os nossos textos (imagino que ninguém o faça) para constatar que este é um blog que versa, em regra, sobre "a causa nacional". Por outras palavras, a grande maioria dos vinhos provados são néctares produzidos em território nacional ou nos quais participaram enólogos portugueses.

Este statement, todavia, não adere com absoluto rigor à realidade das provas do autor, pois são muitos os vinhos estrangeiros provados com regularidade, com destaque para os espanhóis, franceses e italianos ("venho-mundo", portanto). Todas estas palavras servem para (tentar) justificar que nos próximos textos aparecerão alguns vinhos espanhóis que, por serem (ou se terem, entretanto, tornado) referência no país-vizinho (e não só), mereceram a nossa melhor atenção.

Ora, um desses vinhos provém de um ano fantástico numa das zonas mais conhecidas de Espanha – La Rioja (ver, da mesma região, textos aqui e aqui, entre outros). Em 1996 houve pluviosidade adequada, Outono e Invernos suaves, Primavera fria e um forte aumento de temperatura no Veão. Vinhas velhas, quase todas tempranillo e 24 meses de barrica... e já está!. A casa é a dos irmãos Eguren que dispensam introdução.

Nariz fantástico, já não madeira nem fruta… é uma autêntica "3.ª via" tanto é o refinamento e a integração dos elementos neste tinto. Móvel antigo, couro, de quando em vez notas frescas a lembrar fruta verde… e algum citrino. Boca tranquila, final elegante mas não hiper-persistente.

Com este Gran Reserva, os irmãos Eguren pretendem um tinto "old school", típico da Rioja, e dedicado à guarda. Agora que o provámos, podemos garantir que foi um enorme privilégio e prazer.

17,5


Próximos vinhos: Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001; Quinta do Infantado Reserva (T) 2003; Quinta do Cerrado Reserva (T) 2003

segunda-feira, setembro 17, 2007


Vila Santa (T) 2004

Lembro-me de, faz já vários anos, ter entrado num "wine bar" em La Coruña. Creio que se chamava Cienfuegos, mas não tenho a certeza. O que sei é que o proprietário andava louco com um precioso tinto português.
Dizia-me esse proprietário que era dos melhores tintos que já provara e que era uma bagatela pois custava menos de 2.000 pesetas, custos de transportes incluídos. Tinha encomendado várias caixas e aquele era o seu tinto bestseller na venda a copo. Era um "Vila Santa" de João Portugal Ramos!

Este de 2004 revela uma tonalidade cereja média-escura. Nariz que começa fresco (primeiros minutos) mas rapidamente (após arejamento) surge a fruta muito madura. Compotas, ameixa, toda a panóplia de fruta negra do calor alentejano. Na boca, o toque fresco inicial no nariz reproduz-se numa acidez curiosa.

Está muito bom este tinto, nada pesado ou docinho. Caruma, algum grão de café, a madeira dá-lhe a dose certa de complexidade e rusticidade... a fruta agradece. Tem boa ligação gastronómica e é um dos melhores valores-seguros do Alentejo com excelente relação preço/qualidade. A beber já, mas pode guardar por 5 anos pois a longevidade é outro dos atributos deste belo tinto.

17


Próximos textos: Sierra Cantabria Gran Reserva (T) 1996; Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Francisco Nunes Garcia Reserva (T) 2001

sábado, setembro 15, 2007


Duas Quinta Celebração (T) s/data

É caso para celebração, pois se não fossem as gravuras rupestres a Quinta da Ervamoira estaria submersa, pelo menos parcialmente. Por isso foi feito um lote de diferentes anos da Quinta da Ervamoira, elaborado propositadamente para a celebração dos 10 anos da decisão da "Não construção da barragem de Foz Côa". Ora, para mim, aquela é a quinta com o cenário mais majestoso em todo o Douro e Trás-os-Montes!

Quanto ao vinho: cor vermelha forte, depois… muita fruta madura. Nariz irrequieto, com especiaria e domínio para a vertente fruta mas sem a complexidade (por nós) desejada (apesar de um travo balsâmico percorrer o copo arejado). Quente na entrada de boca, fruta preta e algum álcool. Boca macia, aveludada até.

Um bom tinto, descomprometido e moderno. Acompanhará bem carnes. Hum… porque não uns panadinhos de porco preto com arroz-feijão. A menos de € 12.

16

*

Próximos textos: Vila Santa (T) 2004; Sierra Cantabria Gran Reserva (T) 1996; Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; Franciso Nunes Garcia Reserva (T) 2001

terça-feira, setembro 04, 2007



Vértice Grande Reserva (Esp.) Bruto 1992

A tradição (e as regras) dizem que espumante é para beber pouco depois do seu engarrafamento. Mas, bem vistas as coisas, estas duas garrafas sempre fugiram à tradição, tanto mais que foi por iniciativa do produtor que foram leiloadas (para fins humanitários) faz cerca de ano e meio. No dia seguinte ao do leilão abrimos uma dessas garrafas (nosso texto de então aqui). Gostámos tanto que resolvemos arriscar e fazer uma loucura: dar-lhe mais um ano de garrafa a juntar aos quase 13 que, então, já levava.
Acabou por sair bem a "brincadeira" e o vinho manteve as mesmas características da prova do ano transacto, talvez até com mais força (sorte com a garrafa!). Cor carregada, assim como os aromas a tosta (perto dos torrados). Corpo muito elegante, agulha positiva, e um final muito longo. A evolução não lhe fez mossa e estava um belíssimo vinho para acompanhar um prato delicado como uma entrada a partir de vieiras.
Obrigado ao Celso pela sugestão.

PS: Claro que a vista maravilhosa da Costa do Castelo (Lisboa) ajudou ao deleite.


*
Próximos textos: Duas Quintas celebração (T) s/data; Vila Santa (T) 2004; Sierra Cantabria Gran Reserva (T) 1996; Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003; Churchill LBV (P) 2000; FNG Reserva (T) 2001

quinta-feira, agosto 30, 2007


Casa de Vila Verde Alvarinho (B) 2005


A cor carregada faz adivinhar o estilo... é a fruta madura que domina um nariz pouco complexo. A boca tem textura, uma certa dose de peso faz-se notar (e, por isso, tem de se beber bem fresco), e temos mesmo alguma untuosidade... menos acidez do que espera para um vinho verde, mesmo sabendo que se trata de um alvarinho. A casta está bem definida, mas é pena o impacto da fruta tropical não permitir espaço à mineralidade - não parece ser defeito mas feitio, pelo que cabe provar a colheita de 2006 para tirar as dúvidas (apesar de 2006 ter originado, em regra, verdes menos frescos que 2005). Servido a 10º, servirá bem para acompanhar peixe assado no forno. 14,5

*

Próximos textos: espumante Vértice Grande Reserva 1992, Duas Quintas celebração (T) s/data; Vila Santa (T) 2004; Sierra Cantabria Gran Reserva (T) 1996; Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003

terça-feira, agosto 28, 2007


Quinta do Alqueve 2 Words (T) 2003


Cor profunda, muito escura. O calor da região está bem presente pois ambas as castas predominantes (touriga e cabernet) encontram-se bem maduras. Nariz com muita fruta, à qual se juntam sensações vegetais intensas, boca larga e final imponente. Está um pouco marcado pelo ardor do álcool o qual, todavia, não destoa e até torna o vinho redondo e aveludado. Bom tinto do Ribatejo, forte e de carácter moderno. Difícil não gostar e acompanhará bem um naco de novilho. 16


Próximos textos: Casa de Vila Verde Alvarinho (B) 2005; espumante Vértice Grande Reserva 1992, Duas Quintas celebração (T) s/data; Vila Santa (T) 2004; Sierra Cantabria Gran Reserva (T) 1996; Mirto (T) 2002; Geol (T) 2003

sábado, agosto 25, 2007


Prova: Quinta do Perdigão (segunda ronda)

Depois da primeira ronda pelos tintos da Quinta do Perdigão (ver post infra), deixamos agora a nossa impressão do estreme touriga e do reserva, ambos de 2004 e num patamar de qualidade superior aos restantes.
Vejamos:

Quinta do Perdigão Touriga (T) 2004: Cor púrpura muito escura, verdadeiramente viniosa. Nariz definido e marcante: é touriga do Dão! Violeta, bergamota, casca de laranja, frutos secos. Sensações a ardor quente e a algum álcool que podem saturar o consumidor regular de vinhos do Dão. Surpreende pela suavidade que já apresenta na boca (digamos que não é preciso esperar 2 ou 3 anos por ele); bom trabalho na madeira que se sente (e sente-se a suavidade que transmite) mas não impõe aromas ou sabores. Belo corpo, redondo e com estrutura moderna. Pena o final (com músculo, mas de média persistência) que pedia mais. Em suma, um tinto sedutor, elaborado a partir de touriga genuína do Dão à qual foi adicionado uma dose certa de modernidade.
17

Quinta do Perdigão Reserva (T) 2004: Muito escuro no copo, quase opaco. Nariz intensamente floral com o aroma dominado pela touriga numa versão floral mas adocicada. Boca com fruta, corpo macio, não está muito diferente do estilo do estreme touriga (ver supra), num estilo marcadamente guloso. Contudo, como é vinho de lote, apresenta-se já mais equilibrado, mais gastronómico, mas não menos sedutor. Curiosamente (ou não), também está com mais fruta (ameixa) do que o irmão touriga. Já se pode beber mas valerá mais se guardado por um par de anos. Um tinto que não cansa, fresco e franco. Final longo, persistente. Um vinho menos musculado que o touriga, mas mais complexo... o nosso palato agradece e dá-lhe preferência. Muito bom tinto do Dão a preço não exagerado (a menos de € 25). 17,5
*

Próximos textos: Quinta do Alqueve 2 Words (T) 2004, Casa de Vila Verde (B) 2005; Espumante Vértice Grande Reserva 1992; Duas Quintas celebração (T) s/ ano.

sexta-feira, agosto 17, 2007


Prova: Quinta do Perdigão (primeira ronda)

Não é a mais antiga quinta do Dão mas afirma-se como a mais premiada desde 1999. José Perdigão, arquitecto de formação, é o proprietário desta quinta que leva o seu nome aos 7 ha. de vinha todos plantados a uma altitude superior a 360 metros. A enologia está a cargo de Helena la Pastina que tem vindo a transmitir, a par da tipicidade da região, um carácter mais moderno e frutado aos tintos produzidos nos solos graníticos e argilosos de Silgueiro, localidade onde se encontra a Quinta do Perdigão.

Com as castas que tradicionalmente são trabalhadas no Dão – touriga nacional, jaen, alfrocheiro e tinta roriz – a Quinta do Perdigão tem vindo a acumular prémios e boas referências na imprensa especializada. Recentemente, nós próprios ficámos surpreendidos quando, em prova cega e perante 6 grandes tintos do Dão, elegemos o Quinta do Perdigão Reserva (T) 2004 como um dos nossos favoritos.

As mais recentes produções no mercado são todas de 2004, à excepção de um alfrocheiro de 2005 e do rosé de 2006. A prova da gama disponível foi divida em dois momentos: numa primeira ronda, provaram-se os Quinta do Perdigão Rosé (R) 2006, Quinta do Perdigão Alfrocheiro (T) 2005 e Quinta do Perdigão Colheita (T) 2004; numa segunda ronda, foi a vez dos afamados Quinta do Perdigão Touriga Nacional (T) 2004 e Quinta do Perdigão Reserva (T) 2004.

Para já, vejamos a primeira ronda dos vinhos provados:

Quinta do Perdigão Rosé (R) 2006: Para quem está convencido que a cor dos rosés é toda igual este vinho será um curioso desafio tal é o seu tom groselha repleto de laivos violeta e roxos (flor de pessegueiro japonês, diz-nos o rótulo). Depois surge-nos no nariz e na boca um rosé seco e sério; tão sério que admito ser o menos exuberante que já provei da colheita de 2006. Corpo, estrutura e álcool (13% vol.), este é um rosé gastronómico que poderá, contudo, ser servido de aperitivo dado a sua forte secura. Nariz fechado e fresco de pequena/média intensidade. Com ligeiro aquecimento e forte arejamento no copo surgem as notas aromáticas a fruta madura (papaia, damasco) e um ligeiro funcho (do tipo rebuçado madeirense). A boca é gorda, untuosa mesmo, e não existem por aqui referências soltas a fruta vermelha. Final picante e persistente. Um belo rosé que não tem qualquer razão para ser tão tímido. 15,5

Quinta do Perdigão Alfrocheiro (T) 2005: Cor cereja não muito escura. Como é habitual na casta, começa com muita fruta doce no nariz. A boca está mais fresca e com ligeiro toque floral interessante. Pouco depois, surge um nariz a baunilha e caramelo (do tipo refrigerante cola) guloso que não chega, todavia, a incomodar. Cerca de ½ hora depois encontram-se referências minerais e a "coisa fica mais séria" - nós agradecemos! Final médio com persistência mineral. Se servido bem fresco (perto dos 15º), trata-se de um dos mais complexos e interessantes varietais de alfrocheiro que provámos este ano. 15,5

Quinta do Perdigão Colheita (T) 2004: Cor cereja escura com auréola ligeiramente grená. Nariz de intensidade média marcado pelo cariz floral. Sente-se a touriga e pressente-se a jaen e o alfrocheiro. Corpo cheio, redondo e de interessante complexidade. Boca larga, fruta vermelha (do tipo não doce), final longo picante envolto em especiarias. No final da prova o nariz está mais doce e menos floral - é a vez de amoras e cassis dominarem o aroma. Bom trabalho na madeira a qual já está perfeitamente integrada. Em suma, é um tinto equilibrado, fresco, de forte pendor gastronómico, mas que não deixa de revelar um lado sedutor, infelizmente pouco comum nos pares da região.
16,5


Próximos textos: Quinta do Alqueve 2 Words (T) 2004, Casa de Vila Verde (B) 2005; Espumante Vértice Grande Reserva 1992; Duas Quintas celebração (T) s/ ano

quinta-feira, agosto 09, 2007


Visita à Quinta da Gricha (Churchill's)

John Graham é a alma e rosto da firma Churchill’s. Aliás, só por razões legais - a marca Graham já estava registada é usado por outra conhecida firma - é que a empresa não tem o seu apelido. No início, em 1981, a empresa não sentiu a necessidade de comprar quintas pois "recebia" as melhores uvas de quintas hoje muito conhecidas. Mas, como todos os gentlement agreements acabam por ruir (nem que seja com a morte de uma das partes), John Grahm deixou de beneficiar dessas uvas e teve que comprar terra com vinha. E foi assim que adquiriu duas quintas: a Quinta do Rio, localizada no rio Torto, e a Quinta da Gricha. Tivemos a oportunidade, e o privilégio, de visitar esta última.

A quinta, com um total de 100 hectares, situa-se num local de difícil acesso, mas, apesar da estrada ser complicada de se percorrer (entre alguns penhascos até), é impossível a viagem correr mal pois o pior cenário é perdermo-nos e correr o risco de ir ao encontro das duas quintas mais próximas, nada menos que a Quinta de Roriz ou a Quinta da Tecedeira… nada mau, portanto.

Após uma breve explicação da história da firma Churchill's (by the way, "Churchill" é o apelido da mulher de John), e de um dedo de conversa com Maria Emília Campos (desde o primeiro momento junto da empresa e actual representante de vinhos estrangeiros), foi tempo de prova e almoço mesmo junto aos antigos lagares da quinta.

Logo depois de um Porto branco, foi tempo de começar por provar um Gricha (T) 2002, vinho produzido a partir de vinha misturada com cerca de 20 anos e touriga nacional. Está pois um vinho interessante, com boa evolução e alguma elegância (pelo menos merece uma nota 16). Depois, foi a vez de um Gricha (T) 2005, preto na cor, com um belo nariz, corpo empactante e muito grastronómico. Esta foi, aliás, uma das melhores surpresas do dia (para este belo Gricha uns belos 17 valores) pelo que importa não esquecer este tinto. Houve tempo (e barriga) para um Churchill’s Estates (T) 2005, mais fresco, complexo e equilibrado que o famigerado (mas muito popular) Churchill’s Estates (T) 2004 (e por isso fica com uns 16).

Finalmente os Portos: um Quinta da Gricha Vintage (P) 1999, um belo single quinta mas absolutamente fechado, e a merecer bom descanço (e por isso não leva nota); e um óptimo Churchill’s Vintage (P) 1997, com um perfil quente, de um ano clássico (e também ele quente), com vários anos pela frente mas já preparado para o consumo, com muitas notas doces a lembrar uva passa e um excelente final (17,5).

*
Foi assim…



segunda-feira, agosto 06, 2007


Rótulo "Luz" (B) 2006

São apenas 2500 garrafas desta novidade Luz (o nome oficial é "Rótulo" por questões legais), de Dirk Niepoort em parceria com Pedro Abrunhosa.

Sabe-se pouco da contribuição do conhecido cantor do Porto; se o vinho foi "afinado" ao seu gosto, ou se apenas lhe "deu" o nome. Isso também pouco interessa. Mais interessante é o rótulo de ambos os vinhos (o branco é "Luz", o tinto é "Sombra") que apresenta uma imagem de uma lâmpada de baixo consumo a fazer lembrar campanhas pró-ambientais. Para o lote do branco, segundo se diz, foi desviado um lote do "Redoma Reserva" e, por isso, não é de admirar a qualidade apresentada. O preço, apesar das poucas garrafas disponíveis, deve ser inferior ao do "Redoma Reserva" (o que o torna um bela compra).

E… de facto tudo nos remete para o branco topo de gama de Niepoort, ou seja, tudo nos lembra um Redoma Reserva. O nariz fresquíssimo, genuinamente "verde" nas referências a fruto (não há geleias ou "coisas que o valhe", antes espargos), toque mineral cuidado e madeira no ponto. Curiosamente, sente-se mais a madeira comparado com os Redomas Reservas: será porque está a ser comercializado mais cedo? Será a preferência de Pedro Abrunhosa? Não sabemos. Mas não é essa maior untuosidade que retira o brilho a tanta "Luz", pois o vinho mantém-se alegre na boca com um final longo e muito saboroso.

Passada ½ hora e o nariz mantém-se fechado, apenas notas vegetais (pepino) e minerais (sílex) se fundem em harmonia. Na boca, o vinho ganha complexidade, a fruta é mais madura (é importante conservá-lo abaixo dos 14º) mas não chega a cansar, pelo contrário.
*

Grande branco, como se esperava... "vindo de quem vem".

17

Próximos textos: Visita à Quinta da Gricha (Churchill's), prova da colheita 2004 da Quinta do Perdigão, Quinta do Alqueve 2 Worlds (T) 2004, Vértice Grande Res. 1992

sexta-feira, agosto 03, 2007


Projectos Niepoort: Chardonnay e Riesling

"Gritar ao vento" que os brancos da Niepoort são do melhor que se faz por Portugal é absolutamente desnecessário. É uma repetição a evitar...

Como sabemos, vinhos como Redoma ou Redoma Reserva são hoje pleonasmos de grandes vinhos. Mas quis Dirk Niepoort que se conhecesse parte das suas experiências, i.é, parte dos vinhos que faz pela vontade de conhecer mais, de "ir mais longe" (frase feita, bem sabemos) e não numa lógica comercial. Como cobaias que gostamos de ser (no que toca a néctares vínicos), não hesitámos em provar dois recentes projectos do autor: o Projecto Chardonnay (B) 2004 e o Projecto Riesling (B) 2005.

Como seria de esperar, castas e anos diferentes significam vinhos diferentes. Temos, assim, dois brancos bastante diferentes entre si, mas (feita a prova) com um denominador comum: a frescura.

No chardonnay a frescura vem da própria fruta que não cansa e é eficazmente fresca: é o vinho português mais parecido com um chablis que conhecemos. A fruta tropical como que se "transmuta" em notas verdes, e o trabalho da madeira não chega a torná-lo pesado nem meloso. Em suma: notas maduras de fruta que se equilibram em referências vegetais encantadoras. Um vinho absolutamente gastronómico e de muito prazer!

No riesling a frescura é sobretudo acidez. Atenção, não é um branco fácil face a tanta acidez, ao seu nariz reduzido e à (falta de) cor perto da transparência. Mas é um branco francamente refrescante, generosamente seco, profundo nas notas minerais e com um final enigmático e "picante". Muito interessante e bem diferente, como seria de esperar, dos brancos mais comuns em Portugal.
*

16,5 ao chardonnay (hum... talvez a acompanhar um peixe assado).
16 ao riesling (hum... porque não com camarão cozido?).

Próximos textos: Luz Niepoort/Abrunhosa (B) 2006, visita à Quinta da Gricha (Churchill's), prova da colheita 2004 da Quinta do Perdigão, Quinta do Alqueve 2 Worlds (T) 2004.

terça-feira, julho 31, 2007


Quinta do Vale Meão (T) 2002

Quando surgiu no final da década de ´90 apareceu como um furacão e arrecadou, de imediato, elogios de toda a parte. Naturalmente, quando o provei aconteceu-me o mesmo: na altura, com o Vale Meão 1999, fiquei perdido com tanta "força tranquila".

Colheita após colheita, o elevado standard mantém-se imperturbável. Por isso, e a par de dúvidas que vêm sendo levantadas sobre a longevidade das primeiras colheitas, importa conhecer, a título de desafio, como se porta o Vale Meão no pior ano do Douro desde que surgiu no mercado.

Belíssima cor cereja muito escura com ligeiros laivos violeta. Auréola ligeiramente acastanhada a revelar cuidada evolução.

No nariz começa com fruto em geleia em grande intensidade mas sem se tornar monótono ou excessivamente doce… enfim tudo começa com qualidade excelsa e, nesta fase, é um tinto de puro prazer. Depois, ½ hora volvida, revela-se um lado floral proveniente da touriga nacional que marca (e de que maneira!) o lote. Passada mais outra metade de hora, e é notar uma nova mudança de perfil… agora mais químico onde referências a tinta-da-china se impõem.

De resto, é um tinto muito cheio, boca larga, com final muito saboroso. Por mim (e para mim) pode aguardar mais 3 anos em garrafa.
*

Sugestão de acompanhamento? Poucos – mas bons – acepipes (ver foto). É um filho grande de um ano menor!

18


Próximos textos: Projectos Niepoort, visita à Quinta da Gricha (Churchill's), prova da colheita 2004 da Quinta do Perdigão, Quinta do Alqueve 2 Worlds (T) 2004.

quinta-feira, julho 26, 2007


Redoma (T) 2003

Cor assertiva – está confiante este Redoma (T) 2003!
Nariz fresco de alta intensidade. Não evitamos pensar como deve ser difícil fazer um vinho com tanta frescura num ano quente como o 2003...

Na boca é Douro, Douro e mais Douro: i.é, fruta elegante, sem excessos, postura fina e séria, alguma rusticidade. Mais 5 anos em garrafa não lhe trarão mal algum. Madeira integrada, final longo e a denotar mais e mais frescura (que alegria!).

A antítese de um vinho monótono e previsível que nos acompanha faz várias colheitas (para o ' 2001 ver aqui). Mais palavras para quê?

17,5

Próximos textos: Quinta do Vale Meão (T) 2002, Projectos Niepoort, visita à Quinta da Gricha (Churchill's), prova da colheita 2004 da Quinta do Perdigão.

terça-feira, julho 24, 2007


Quinta do Vallado Reserva (T) 2004

Lembramo-nos com muito prazer dos primeiros Vallados Reserva que bebemos. Lembramo-nos até com exactidão onde tal sucedeu, qual o "local do crime". Na altura, bebeu-se o belíssimo ‘1999 – que surpresa naqueles tempos... -; um ano depois foi a vez de provar o igualmente fantástico ‘2000. No copo de prova, desta feita e vários anos volvidos, temos a colheita de 2004, também ela merecedora de prémios e elogios internacionais.

Pois bem, a cor é cereja escura, longe de se mostrar opaca. A maior qualidade deste tinto (nesta fase) revela ser o seu nariz: marcado por aromas a verniz e acetona, está muito fresco, abundantemente balsâmico e com um feliz mix composto pela madeira predominante e pela fruta vermelha à procura de mais espaço.

Na boca, está igualmente jovem mas já polido: muita intensidade, largo e cheio, todo do tipo sedutor todavia com pequenas nuances terrosas. Final amargo (café, chocolate preto) de bom porte. É a madeira que novamente mais se sente.
*

Está um belo Douro, sem dúvida. Para já, talvez o melhor seja deixar repousar na garrafeira cerca de dois anos com esperança de mais complexidade. Mas é inevitável sentirmos nostalgia da prova das primeiras colheitas.

17

Próximos textos: Redoma (T) 2003, Quinta do Vale Meão (T) 2002, Projectos Niepoort, visita à Quinta da Gricha (Churchill’s) e muito mais…

segunda-feira, julho 23, 2007


Valle Pradinhos Reserva (T) 2004

Desta feita é mesmo novidade… depois de nos termos referido (ver aqui) à gama Valle Pradinhos como uma das melhores no mercado – falamos de qualidade, originalidade, e preço – surge agora a cereja no cimo do bolo.

Por algum tempo cogitámos sobre a razão de não existir um produto no topo da gama desta casa de Macedo de Cavaleiros, um vinho que beneficiasse daquele cabernet "maduro e adulto" (SIC) plantado em altitude. Ora bem, aí está ele agora (ou melhor em breve…), o Valle Pradinhos Reserva (T) 2004. Uma nota preliminar: quem prova tintos deste produtor conhece bem a força do terroir, e sabe que é necessária alguma cave para o vinho arredondar. Ora bem, neste Reserva tudo é ainda mais bruto, mais inacessível, pelo que a guarda deixa de ser necessária para passar a ser verdadeiramente indispensável.

Pois bem, com todos os luxos de hoje – desengace total, suaves remontagens diárias, longa maceração pós-fermentativa, 16 meses em barrica – surge-nos no copo um tinto de cor vermelha granada; perdidos que andamos nos monótonos tons "quase-pretos" e "cereja escura", este Valle Pradinhos começa por nos surpreender com um vermelho lindíssimo e reflexos violáceos e outros mais acastanhados.

Ab initio, o aroma é marcado pela madeira - Não há nada a fazer dada a sua juventude, é mesmo assim! Só depois (5 a 10m depois), vem a fruta, o tal cabernet maduro que se resume a uma combinação muito feliz de fruto negro e sensações frescas e florais. Já mais calmo no decanter (i.é, ½h depois) e na boca revela um morango silvestre cativante, em suma um fruto vermelho de invejável qualidade. Boca cheia, mantêm-se fresco, de cariz profundo e demonstrando um final amplo. Mesmo perto do fim da prova (já lá vão mais de hora e ½), o nariz atinge o seu auge com uma finesse demolidora e a boca finalmente "arredonda-se".

Para já está pujante, talvez demasiado para os padrões actuais. Mas os taninos finos permitem perspectivar que não será preciso uma década para o beber em deleite.
*

Aqui vai uma banalidade do autor para quem leu o texto: é o melhor Valle Pradinho que bebemos até hoje! À venda a partir de Novembro de 2007, por menos de € 25.

17,5

Próximos textos: Quinta do Vallado Reserva (T) 2004, Redoma (T) 2003, Vale Meão 2002, Luz (B) 2006 Projectos Niepoort

quarta-feira, julho 18, 2007

Mini-vertical de Evel Grande Escolha

A ideia de uma mini-vertical de Evel Grande Escolha andava a matutar na nossa cabeça faz tempo. Lembro-me mesmo de ter conversado com o Rui sobre isso, mas desta foi mesmo de vez! Este topo de gama da Real Companhia Velha surgiu na segunda metade da década de ' 90, mas em jogo apenas estavam as colheitas de 2000, 2001 e 2003. O que havia de 1999 já era (ver aqui), e o de ' 2004 pensamos que se encontra ainda muito novo.
A conclusão principal que podemos tirar é que se trata de um vinho com uma belíssima qualidade (sobretudo para o preço em causa), mas também consistente ao nível das três colheitas provadas. Como sempre acontece nestas coisas, é evidente que os vinhos foram o espelho da colheita, e por isso o ' 2001 mostrou um registo bem diferente dos irmãos, mas sem ficar furos abaixo. Para mais, tratam-se de vinhos de relativa longevidade, posto que o ' 2000 já leva uns anos e portou-se muito… vejamos:

Evel Grande Escolha (T) 2003: confirmou-se o que se esperava dele, e confirmou também as provas anteriores (ver aqui). Jovem no nariz, de cariz frutado e com final balsâmico. Não é daqueles tintos que nos fazem perdem horas a contemplá-lo, mas é "focado" e vai direito ao assunto. Esteve muito bem, boca totalmente redonda e já pronto para consumo, faltando-lhe apenas alguma complexidade no final de boca que talvez a idade lhe pode proporcionar. 17

Evel Grande Escolha (T) 2001: o ano não foi de fruta mas antes de "vinho", e este Evel Grande Escolha revelou isso mesmo. Mais seco que os irmãos, nariz distante mas muito cativante, profundo mesmo. Complexo na boca – é um tinto que dá séria luta – fresco, com toques de menta e chocolate amargo. Perfil gastronómico (neste aspecto, muito acima dos 2000 e 2003), final médio, taninoso, e (novamente) a sensação que ainda pode durar alguns anos na garrafeira. 17

Evel Grande Escolha (T) 2000: quem pensou que o ano quente o podia marcar com pouca longevidade engane-se! Está de boa saúde (e existem muitos ' 2000 do Douro que já não estão…), com camadas de fruta preta madura mas sem qualquer "pico" de sobrematuração. A evolução está no auge – é bebê-lo já – com a madeira perfeitamente integrada. Final elegante, longo e quente, enfim um conjunto muito sedutor. Um vinho de puro prazer em perfeito estado de evolução. 17,5
*

domingo, julho 15, 2007


Final de tarde na CASA de SANTA EUFÉMIA (CSE)


Depois de saímos da Quinta S. Luís (ver aqui), foi pegar no jipe, e andar poucos mais quilómetros na mesma margem do Douro em direcção a Oeste. De caminho em caminho, subida em subida, e lá chegámos à Casa de Santa Eufémia (CSE). Fomos então recebidos – e bem recebidos! – por Pedro Carvalho.
O dia que tinha amanhecido veraneante estava agora quase chuvoso e foi com "medo" da dita chuva que, com rapidez redobrada, visitámos as vinhas ao redor da quinta. Não nos livrámos, ainda assim, de um breve aguaceiro, muito desejado pelas gentes daquelas bandas dado a seca que se faz sentir. Houve, em todo o caso, tempo para perceber que o produtor está repleto de novas ideias, como, por exemplo, plantar syrah no Douro...
Depois (ainda molhados) fomos convidados para uma prova fantástica, conduzida pelo próprio enólogo. By the way, Pedro Carvalho também assiste outras casas como o projecto "Brites Aguiar" e o seu mediato tinto Bafarela Grande Escolha.
Começámos então por um vinho que nada tem que ver com a zona nem com a CSE, mas era uma estreia acarinhada pelo enólogo (produzido por uma amiga sua na região dos vinhos verdes), tratava-se de um alvarinho, o Poema (B) 2005. Um bom verde, com excesso de agulha, e uma boca muito (demasiado) madura para o nosso gosto (a atribuir uma nota seria um 14).
Depois, entrámos nos tintos e logo por cima: por um Viseu de Carvalho (T) Grande Escolha 2003, um vinho que conhecemos bem e gostamos bastante, com carácter, nariz potente e boca cheia e redonda, aliás significativamente mais redonda do que quando o provámos pela primeira vez faz mais de um ano (um 17 é uma nota que lhe assenta muito bem).
A seguir foi a vez do Casa Santa Eufémia (T) Reserva 2004, uma novidade, com um nariz óptimo, fresco e bruto, mas simultaneamente com a inconfundível marca da casa: fruta muito madura. Por estar repleto de taninos tem ainda que se esperar por ele, mas será certamente um belo vinho (certamente uns 16).
Por fim, duas grandes "pomadas" a não esquecer:
Primeiro, o recentíssimo topo de gama de Pedro Carvalho e o seu projecto pessoal, o Compota Touriga Nacional (T) 2005: um grande touriga do Douro, com um nariz fantástico marcado ainda pela madeira nova. Na boca é doce, prazenteiro, com notas a chocolate de leite. É muito sedutor (tem o estilo de alguns Crastos), internacional, e demonstra um final já em grande estilo (17-17,5).
Finalmente, um Casa Santa Eufémia Special Reserve White (P) 1973: um vinho de balseiro a partir do qual são engarrafadas algumas garrafas todos os anos, um grande Porto envelhecido em madeira e um verdadeiro "murro no estômago" a mostrar que um Porto branco, quando "velho", é capaz de apagar qualquer registo do paladar de um vinho anterior (uns merecidos 17,5).

Foi assim...

Foto no canto superior direito: vinha da Casa Santa Enfémia virada a norte.

quinta-feira, julho 12, 2007


Muxagat (B) 2005

Provado na própria região de produção - Foz Côa - no cenário magnífico da Quinta da Ervamoira, este branco de rabigato (90%), gouveio, códega e viosinho portou-se bastante bem.

Pouco evidente a parte do lote que é envelhecida em barricas novas. Incidência na fruta fresca, acídula, em espécie de "citrinomania". Final agradável mas curto. Grande apetência gastronómica e sem defeitos este vinho de Mateus Nicolau de Almeida.
*
É muito bom sinal que os brancos portugueses estejam a virar para a frescura e acidez...

15,5

terça-feira, julho 10, 2007


TINTOS DE 1996

Não era a primeira vez que os seis nos reuníamos (ver aqui para ocasião anterior). Desta feita o objectivo era (mais) exigente (exigente para nós, exigente para os vinhos): provar tintos de 1996. Dois do Alentejo, dois do Douro e dois do Dão.

Como é sabido, provar vinhos com mais de 10 anos exige atenções redobradas. Em primeiro lugar, é preciso acreditar que estiveram guardados em boas condições (foi o caso, numa cave fria ano inteiro), depois decantá-los com cuidado e ter muita atenção ao arejamento. No restante, as comidas também se adaptaram aos vinhos e pugnou-se por pratos não muitos intensos. Aliás, o nariz também se tem de adaptar… ou melhor, o cérebro tem de se consciencializar que são vinhos com 10 anos. Quer isto dizer, a evolução já fez muito do seu caminho e, ademais, o tipo de vinho de então era um pouco diferente do normal género que se produz actualmente. Uma curiosidade em provar vinhos com mais de 10 anos passa pela análise das várias fases por que os vinhos vão passando durante a refeição. De facto, por vezes, ninguém da mesa está de acordo pois o vinho está em diferentes estádios num determinando momento em cada copo. Apesar dos cuidados todos, um azar: rolha no vinho n.º 6… um Dão… o Quinta dos Carvalhais Reserva (T) 1996.

Como é sabido, provar vinhos em grupo é encontrar diferenças na opinião de cada um. No final, uma média ponderada ditou os resultados. E bom… em primeiro lugar ficou um grande tinto do Alentejo, um nariz calmo, de acidez média, muito perfumado, de grande equilíbrio na boca, complexo e ainda cheio, era um Esporão Reserva (T) 1996 (pensamos que altura não havia ainda o Garrafeira). Depois, veio um tinto mais vegetal no nariz, acre, de média intensidade, boca interessante, mutável no paladar, um belo conjunto este Quinta da Leda Touriga Nacional (T) 1996. Ainda com lugar no pódio ficou sem dúvida o vinho mais sensual da mesa, nariz de alta intensidade, fino e elegante, fruta viva, grande volume na boca e um bom final, parabéns para este Quinta da Pellada T. Roriz–T. Nacional (T) 1996. Mais atrás ficaram o Quinta do Carmo (T) 1996 com um bom nariz mas muito plano na boca, e o Quinta do Côtto (T) 1996 a acusar cansaço mas, ainda assim, a mostrar bom volume na boca.
*
Em conclusão, no geral os vinhos apresentaram algum desgaste nem sempre compensado com a complexidade, harmonia e finesse que se esperava. Todavia, os três primeiros classificados - Esporão, Leda e Pellada - deram bem conta de si e muito prazer aos seis convivas.

domingo, julho 08, 2007


Quinta dos Cozinheiros Maria Gomes (B) 2005

Não me cansa nem maça o imenso calor. Cansa e já me maça o imenso calor e não haver mais brancos como este. Fresco, muito fresco. A cor semi-carregada não faz jus a tanta acidez. Maracujá, outros tantos frutos tropicais ácidos, este branco pode acompanhar qualquer coisa pois não é pesado nem "madeiroso" e tem um final curto mas persistente.
*
Houvesse mais assim…

15,5

quarta-feira, julho 04, 2007

Um dia na Quinta S. Luís

Ao Douro voltamos todos os anos. Existem sempre novos lugares a descobrir, quintas, vinhos. Amigos que ficam. Tudo no Douro parece mágico, e tem outro tempo, outro sabor, outra intensidade. Passear no Douro, sobretudo com amigos, é daquelas tarefas que não cansam e cujas memórias não desaparecem. Ir ao Douro é saber que vamos voltar em breve. Que vamos fazer tudo para, em breve, lá voltar. Por isso, também nós lá voltámos...

Ainda meio acordados saltámos para o jipe e, pouco depois de passar a ponte no Pinhão (vínhamos de Sabrosa), curvámos à esquerda e subimos a primeira rampa da Quinta S. Luís. Propriedade do grupo "Sogevinus" que passou a deter, com a aquisição no ano passado da "Barros, Almeida & Ca", as marcas Cálem, Kopke, Barros (além de outras que já detinha como a Burmester), esta é uma quinta de grande dimensão e com abundância de micro-climas.


Após uma apresentação às vinhas (sempre indispensável nestas ocasiões), e sob um sol fantástico, foi ocasião para algum resguardo ao fresco e muitas provas na adega:
Primeiro um Cálem LBV (P) 2003, opaco, repleto de fruta e um carácter lácteo impregnado, fácil e acessível (na altura pensei num 15,5).
Depois (e eram ainda onze da manhã!), um Kopke Vintage (P) 2005, também opaco, misterioso no início, maior acidez e taninos do que o LBV e um carácter próximo da sobrematuração que me lembrou o 2003 (o campeonato dos vintages é, como sabemos, difícil e este Kopke é para se beber novo, pensei num 17).
Veio então um Burmester Tawny (P) 30 Anos, sublime com notas a laranjeiro, muito fino e marcante, mas com um final menos persistente do que esperávamos (16,5 pareceu-me acertado).
Depois, um Barros Colheita (P) 1978, ligeiramente mais escuro que o anterior, com um nariz completamente exótico, boca cheia e untuosa, final interminável (17,5 sem qualquer exagero).
Depois de tudo isto (batia quase o meio dia e meia) era de tempo de descansar... enjoy the view num terraço maravilhoso (e a view é para a Quinta do Crasto e para a Quinta Nova!). Tempo (temos sempre tempo) para provar um Curva Reserva (B) 2006, um branco com nariz interessante, delicado e muito subtil, boca citrina mas muito curta (um belo mouthwash diria John Graham… talvez 15).
Com o almoço já servido (um arroz de pato bem consistente) tivemos um dueto curioso. Lado a lado um Kopke Reserva (T) 2003 – seguro de si, muita fruta, moderno, pronto a beber com taninos moldados – e um Burmester Reserva (T) 2004 – mais fresco que anterior, vinioso, rústico, é um vinho sério que merece garrafa (16,5 aos dois e "não se fala mais nisso").
Mas o melhor ainda estava para vir… um Burmester Colheita (P) 1955… palavras para quê? Para dizer final interminável? Boca de veludo? Acidez perfeita? Nota? 18.
*
Tudo isto só foi possível graças ao António Montenegro e à sua equipa que nos receberam muito bem. A eles muito e muito obrigado.
Quanto a nós, vamos voltar ao Douro claro. E quem sabe ainda este ano...


Fotos (de acordo com os ponteiros do relógio): Burmester 1955 e vista do terraço; caminho para a Quinta; adega equipada; Francisco (um dos enólogos da empresa).







terça-feira, julho 03, 2007



Quinta do Couquinho (T) 2003

Este foi um daqueles tintos que sempre agraciou alguma fama entre os novos vinhos do Douro. Certamente pelo facto de ter sido uma das quintas inseridas no projecto "Lavradores da Feitoria". Certamente porque a enologia é de João Brito e Cunha.

A colheita é de 2003 e pensámos que o tempo de garrafa que levava já era suficiente. E neste aspecto acertámos! O calor daquela "terra longe" marca o vinho com notas intensas a fruto no nariz. Mas, ao invés da maior parte dos tintos do Douro Superior, este está macio e calmo. Casca de árvore, móvel antigo, referências num bouquet quase apaixonante e de clara tendência hedonística.

Pena não se poder dizer o mesmo da boca. Interessante, redondo, por vezes cheio, mas não estimula o palato, e no meio da boca (como que) já terminou. Quase plano este tinto, que tanto prometia no nariz...
*
Em todo o caso, um vinho interessante e curioso, que se destaca dos seus congéneres do Douro Superior (em prova cega diríamos ser do Cima Corgo), mas nem sempre pelas melhores razões. Cabe estar atento à colheita de 2004 e a um novo reserva.

15,5

domingo, julho 01, 2007


Quinta do Mouro Touriga Nacional (T) 2003

Cor magnífica, nariz interminável e boca explosiva. É assim este Mouro touriga...

Se na cor apenas importa notar que é escuro quase opaco, já no nariz são precisas mais palavras para o descrever. Como os grandes vinhos, começa tímido o bouquet (a fera está trancada na garrafa), e mesmo alguns minutos passados no decanter não o fazem respirar. Mais de 30m depois (e já o vinho estava nos copos), um perfume interminável e misterioso se solta. É evidente que tem bergamota, tangerina, amêndoas e tudo o mais - é afinal um touriga, embora do Alentejo. Mas tem mais: é um nariz – numa palavra – viciante... tem certamente dos aromas mais viciantes de que nos lembramos. É verdade que por vezes ficamos presos a um nariz harmonioso e sedutor que nos apetece cheirar sempre mais um pouco, mas este não é bem assim. Ao invés, é uma curiosidade permanente (mais do que sedução) que nos leva a não deixar este tinto pousado na mesa. É, enfim, uma incapacidade de caracterizar o bouquet em poucas palavras...

A boca é uma total surpresa e um caminho sem fim. Começa leve, aveludada, tem uma entrada de boca majestosa e elegante. Depois – já a meio do palato – como que explode e é, nesse momento ténue, que toda a boca fica cheia por este tinto. É um vinho gordo e cheio, é evidente. Mas é mais do que isso... a explosão é apenas a preparação para um final inacreditável, fresco e floral. Um paladar contraditório e que exige atenção redobrada.
*
Por tudo isto, e é só pena a componente gastronómica que tanto gostamos nos outros Quinta do Mouro (ver aqui) fique um pouco relegada por tanto exotismo, é um grande vinho. Um grande touriga do Alentejo!

17,5

segunda-feira, junho 25, 2007


Fabre Montmayou Grand Reserva (T) Malbec 2005

A prova era cega e já muito se tinha tragado naquela tarde. Por fim, um tinto escuro com laivos sedutores azuis e purpurinos, se colocou no nosso caminho...

Grande nariz, forte e intenso, mas não monótono na força bruta. Fruta, muita fruta de excelsa qualidade, barrica perfeita (mais tarde soubemos que acertámos quando não nos parecia ter mais de 1 ano em madeira). Havia qualquer coisa no nariz que apontava para um registo não nacional... não sei bem o que era... podia ser o facto de não existir nenhuma casta nacional naquele lote. Lote? Não... era um monocasta, mas – ao princípio – nada o fazia prever.

Na boca, já podia ser um tinto nacional, talvez do Douro feito com imensa touriga nacional madura. Tem corpo, taninos elegantes e arredondados, um misto de força (sobretudo na fruta) com elegância (notas a tabaco) mas sempre com determinação na sedução do provador (chocolate guloso). Final distinto, exótico, inesquecível mesmo.

Revelou-se ser um malbec da Argentina, um Fabre Montmayou Grand Reserva com mão enológica de Rui Reguinga. Uvas colhidas entre 24 de Março e 5 de Abril, com cerca de 40 hl/ha de rendimento, produzem um retinto vinho com 14,5 % vol..Os luxos que cada vez mais vêm sendo habituais também existem aqui: apanha das uvas de modo manual em caixas de 20 kg, dupla selecção (i.é, por cacho e por uva), fermentação com leveduras indígenas e quatro remontagens diárias. Por fim, 12 meses em carvalho francês.
*
Um vinho extraordinário, de vinhas com cerca de 60 anos plantadas a mais de 1000 metros de altitude. Um vinho que chega agora a Portugal na colheita de 2005 (a de 2003 ainda se vende no "winept"). Um vinho que custa menos de € 25 nas "Coisas do Arco do Vinho" em Lisboa e que em breve se esgotará.

17,5