
Apesar de me fazer bem pensar noutras coisas que não néctares engarrafados (diz-me o médico...), não consegui resistir a tomar apontamentos, a criar referências, enfim a tudo fazer para me lembrar sobre o escrever nestas linhas. E, assim sendo, deixo breves notas sobre aquilo que os meus olhos viram sobre nos referidos países. Sobre vinho, claro está.
1. Em primeiro lugar, confirma-se facilmente que o gosto pelo vinho – ou melhor, a moda do vinho – também explodiu noutros países (assumindo, como faço, que explodiu em Portugal). É hoje muito frequente a referência a wine bars de Amsterdão a Bruxelas, e, sobretudo, em Berlim. Em qualquer destas cidades europeias surgem "wieners", "enotekes" ou mesmo "enotecas" (como que escrito em Português) nas mais diversas esquinas. E em muito maior quantidade do que sucede no nosso país.
2. Em segundo lugar, à semelhança de Portugal, também existem hoje muitas garrafeiras e lojas especializadas por essa Europa fora (mais do que antes, de acordo com a minha experiência). E, neste particular, as garrafeiras portuguesas não ficam, em regra, a perder para as suas congéneres europeias. Em Berlim, o destaque vai para a "PlanetWine", uma loja fantástica no centro do Mitte com uma selecção prodigiosa de riesilings alemães e austríacos.
3. Depois, também os restaurantes lá fora privilegiam os vinhos. Nas casas mais afamadas de Berlim - como o "Vau" - deparei-me com cartas com mais de 600 vinhos (em Inglaterra ou em França, ou mesmo num ou outro em Espanha, chegam a ter quase mil). Nos locais certos, os preços não são tão inflacionados como na restauração nacional (maldita seja!). Mas claro... também existem aqueles restaurantes que andam à caça dos mais incautos e vendem vinhos três vezes o preço em loja. Mas atenção, os restaurantes de topo não apresentam geralmente qualquer falha no serviço do vinho.
4. Por fim, a nota menos feliz: o vinho português quase não se vê nos países referidos. Com excepção dos Portos, só o "Pintas" (na Alemanha por duas vezes me referiram o vinho quando me identifiquei como português), alguns gama alta da "Ferreirinha", e um ou outro verde branco (surpresa!) pouco se vê nas garrafeiras e menos ainda nos restaurantes. Ao invés, franceses, italianos e espanhóis (por ordem decrescente) dominam por todo o lado. Nos supermercados cabe ao "novo mundo" reinar. Até nos aviões da Luftansa onde se pode comprar pacotes de selecção de 6 vinhos de 6 países diferentes, Portugal não aparece.




































