quinta-feira, março 01, 2007

Gambozinos Reserva (T) 2004


Mais um tinto duriense proveniente de um pequeno produtor à procura de um lugar ao sol. Mais um tinto bem feito, sem defeitos, apetecível até.

O Douro está com uma nova dinâmica. Juntamente com os "Douro Boys" tem surgido, mais recentemente, uma autêntica "nouveaux vague" com vinhos de gama "premium" muito interessantes. É como se existisse um Douro a duas velocidades, sendo que uma vaga pode muito bem aproveitar as sinergias criadas pela outra (e, naturalmente, o inverso), pelo que estamos perante uma tendência que nos parece muito positiva.

Pois bem, este Gambozinos Reserva – de pouco consensual talvez só tenha o nome comercial escolhido – tem uma bela cor, vermelha muito escura, e no copo mostra-se pesado e de álcool evidente. No nariz predomina a touriga (como vem sendo cada vez mais habitual) e os seus aromas florais, aqui um pouco rústicos e mais duros do que seria desejável. Na boca o vinho é bem curioso, se bem que parece hesitar entre um estilo rústico (que predomina) com algumas notas gulosas a fruta confitada e chocolate que o final acentua.
Em conclusão: temos vinho, e para beber nos próximos 5 anos. A menos de 12 €.

16
PS - Vejo que o Paulo anda a beber o mesmo que nós, aqui.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Calços do Tanha Reserva (T) 2004


Mais uma colheita de Calços do Tanha Reserva, e mais um bom vinho repleto de fruta madura. O estilo dos vinhos de Manuel Pinto Hespanhol são marcados pela fruta, mas não tendem a ser agressivamente doces, bem pelo contrário. Por outro lado, a ausência da touriga nacional no lote deste Reserva (apenas existe em versão monocasta, bem boa por sinal) torna este tinto um dos poucos durienses de qualidade sem recurso à "casta rainha portuguesa".
Não por isso, mas por muito mais (incluindo o preço estável faz anos), os vinhos do referido produtor têm vindo a fazer parte das nossas preferências (ver aqui, ali e ainda ali).

No copo é marcado por uma cor cereja escura no centro, e vermelha claro na auréola - aqui não existem opacidades! Nariz marcado pela fruta vermelha, muito mirtilho e framboesa. É um daqueles tintos que "vai directo ao assunto", muito personalizado, pelo que se torna um vinho sedutor e aprazível. Com o passar dos minutos no copo algumas notas de fruta preta destacam-se e o final, de média intensidade, traz consigo uma complexidade curiosa oriundo de um leve balsâmico e notas achocolatadas.

Em suma, tem tudo aquilo por que se espera de um Calços do Tanha Reserva. Ainda bem!
A menos de 14€.

16,5

domingo, fevereiro 25, 2007

Quinta dos Avidagos (B) 2005


Por esta é que não esperávamos...

Sabíamos que os tintos da casa Nunes de Matos eram valorosos – ver aqui – mas não esperávamos tanta qualidade neste Quinta dos Avidagos (B) 2005. Tanto mais que o preço anda pelos simpáticos 5 €, ou seja muito abaixo do que se cobra actualmente por um branco sério.

Pois bem este Avidagos branco é uma pequena maravilha, resultado de um lote de malvasia fina, gouveio real e vital. É-o logo no nariz, fresco, com notas pujantes a ananás e maracujá. Depois, uma boca leve, elegante e de textura ligeira ajuda as notas levemente citrinas a chegarem a "bom porto". Belo final, vivo, persistente mas não impositivo ou untuoso. Um branco no qual se pode confiar com a subida da temperatura no copo pois mantém-se deleitoso e de acidez graciosamente teimosa.

Talvez o melhor branco do Douro a menos de 10 €, neste caso bastante abaixo desse preço. É caso para abastecer a garrafeira!

16,5

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Terrenus Reserva (T) 2004


Este é já um dos nossos tintos predilectos resultantes da colheita de 2004.
É mesmo caso para dizer que podia muito bem ser um dos melhores do ano - e é mesmo para a RV, vejo agora na edição de Fevereiro.

Carácter vinioso, tudo muito intenso mas não demasiado marcante ou carregado. Toda uma consistência só possível quando se tratam de vinhas muito velhas. É um tinto seco, que começa fechado no nariz, talvez mesmo austero, mas depois revela-se um autêntico "poço sem fundo". É uma estrada sem fim no que toca a aromas, mas também na boca. Saboroso, é um tinto absolutamente sem qualquer traço de monotonia, um daqueles vinhos que até pode passar despercebido senão lhe dermos a atenção merecida.

Madeira delicada, sem excesso, final longo, e fruta sem maçar: que combinação de luxo! Faz tempo que o "terroir" da serra S. Mamede não nos oferecia um vinho assim. Parabéns ao enólogo/produtor Rui Reguinga.

A menos de 27 €, com direito a entrada directa para os nossos favoritos.

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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Essencialmente...

Eram muitos os vinhos que me esperavam na Essência do Vinho. Estavam anunciados cerca de 2000, mas como o devaneio vai passando com a idade, apressei-me a provar alguns brancos no Sábado e menos tintos ainda no Domingo. Uma imperiosa pré-selecção impõe-se nestes eventos.
Entre os brancos que fiz questão de provar, gostei muito do Quinta da Sequeira (B) 2006 (vai dar que falar...), dos sempre inesperados Dona Berta Rabigato (B) 2005 e Escolha Pessoal Alves de Sousa (B) 2003, e do internacional e deveras perfumado Valle Pradinhos (B) 2005. Curiosamente, muitos dos brancos que mais destaque têm merecido junto da imprensa escrita mostraram-se, na minha boca, um pouco pesados e, em alguns casos, excessivamente madeirosos (num deles, por sinal um dos brancos mais cotados do mercado, cheguei a sentir notas intensas a café).
Nos tintos, o meu gosto virou-se à descoberta de novidades ou de néctares que ainda não tinha provado: Dona Maria Reserva (T) 2004 (infelizmente mais consensual e "fácil" que o maravilhoso 2003), Herdade do Meio Garrafeira (T) 2003 (vinho cheio e gordo, muito bom), Além Tanha VV (T) 2004 (grande salto de qualidade face os anteriores), Quinta da Sequeira Reserva (T) 2003 (o mesmo estilo rústico e directo da casa, mas com fruta mais acessível).
Perguntam-me: e o que dizer dos VT 04 (T), Secret Spot (T) 2004, JM (T) 2004, Talentus (T) 2004? O que dizer desses tintos durienses? Provei-os efectivamente (alguns já os tinha provado), e são realmente bons. Porém, salvo uma ou outra excepção, mostraram um perfil muito semelhante entre eles. Esta é aliás uma característica que começei a detectar nos grande vinhos do Douro e sobre a qual espero escrever mais no futuro. Talvez seja por fugirem a esse registo que alguns vinhos distintos - como o Abandonado (T) 2004 (muito exótico) e o Poeira (T) 2004 (intenso mas com muita frescura) - têm tido merecido maior sucesso. A ausência de contraste levou-me, por vezes quando necessitava de algo diferente, a seguir para o stand da "FineWines" e beber algo diferente... um Quinta Sardónia (T) 2004, por exemplo.
Destaque inevitável para algumas provas comentadas, sobretudo a de vinhos doces, ministrada por Rui Falcão, absolutamente inesquecível entre moscatéis de montanha, "icewines" e "tokais".
É verdade que a quantidade enorme de público torna o evento cansativo, mas esse parece ser o preço da conquista do público do Porto. A Essência do Vinho está consolidada como um dos maiores eventos vinícolas de Portugal.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Os melhores do ano - RV


Cabe aos leitores perdoar, ou não, o perscrutador autor destas linhas por não ter escrito mais cedo o que verdadeiramente se passou - não se pode confiar nas versões oficiais (LOL) - na passada sexta-feira, dia 16. O rigor de um fim de semana de copo na mão, mais uns dias a diambular por travessas de lampreia no Mondego, obrigou o autor a descanso e algum afastamento.
Tudo tomou lugar no belíssimo edifício da Alfândega no Porto para a atribuição dos prémios "Os melhores do ano - Revista dos Vinhos". Como sempre sucede nas cerimónias desta índole, foi prémios para aqui, prémios para ali, intervenções aqui e agradecimentos acolá. A melhor demonstração do impacto dos prémios da RV surge nos dias seguintes à cerimónia. No Sábado já se discutia se A Veneza foi merecedora do prémio de Garrafeira do Ano ("aquilo é um restaurante e não uma garrafeira" - ouviu-se em cada esquina). Dois dias depois ainda se duvidava que o prémio de enoturismo assentava bem à Quinta Nova Nossa Sr.ª do Carmo ("a piscina está sempre suja" - foi um comentário comum). Quanto a nós, como é sabido, gostamos de tanto de comer n' A Veneza (ver aqui e ali) como de pernoitar na Quinta Nova Nossa Sr.ª do Carmo (ver aqui). Por nós tudo bem, prémios bem entregues.
Discussões à parte, os prémios dos vinhos foram consensuais e passearam nas mãos de gente ilustre e conhecida como Domingos Alves de Sousa, Luís Duarte, Peter e Charles Symimgton. Também as equipes por detrás dos projectos Altas Quintas, Real Companhia Velha e Coop. de Santo Isidro de Pegões foram - e bem! - premiadas. O prémio especial entregue a José Quitério foi um verdadeiro momento de emoção, pelo menos para mim que acompanho as suas crónicas faz mais de uma década. Em suma, muitos parabéns à RV pelo fulgor em organizar, uma vez mais, um evento no qual o melhor do universo dos vinhos nacionais se encontra representado.
Mas naquele jantar – belíssimo jantar, fantásticas entradas, sobretudo se pensarmos que se tratavam de mais de 800 convivas – surgiu então algo de inesperado. A normalidade habitual neste tipo de eventos foi interrompida! Como se imagina, a composição das mesas encontrava-se ditada pelos vencedores, pelos produtores mais emblemáticos, por algumas figuras da cidade do Porto e demais convidados solenes, e, evidente, pelos jornalistas e provadores da RV. Ou seja, tudo como mandam os cânones. Porém, eis que, quase no fim da sala, firme se equilibrou a mesa n.º 81 com nove bravos delegados da "imprensa mais independente do país" (a frase é de um conhecido produtor). Por isso, e talvez só por isso, a surpresa da noite não foi o prémio atribuído à Bacalhôa Vinhos como Empresa do Ano de vinhos generosos!
A surpresa da noite foi a presença de nove blogistas, tão independentes que se mostraram mesmo independentes entre si. Foi quase impossível o consenso naquela mesa. Tão independentes e pró-activos que criticaram in loco os vinhos premiados, e poucos são capazes de imaginar o mal dizer que sofreram alguns prémios de excelência... Os blogistas não tiveram descanso, foi sempre a trabalhar. Vinhos premiados, vinhos raros, vinhos de preço altíssimo, uns e outros foram - ali mesmo na mesa n.º 81 - criticados sem apelo nem agravo.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Quinta do Gradil (T) 2003


Não se sabe ao certo se o Marquês de Pombal chegou a ser mesmo o proprietário da Quinta do Gradil (na altura com outra denominação), mas o rumor perdura pelos suaves vales verdes da Estremadura. Perdidas na lindíssima zona do Cadaval - na qual é merecido o passeio, e aproveitem para almoçar no restaurante "O Lagar" -, ficam as vinhas de touriga nacional, alicante bouschet e syrah das quais resultam este vinho. A imagem gráfica da garrafa surge apelativa, e o néctar tem "arrancado" boas classificações um pouco por todos os anuários.
No copo a cor é muito bonita com um tom vermelho escuro curioso, é mesmo um pouco diferente do habitual: imaginem um morango muito maduro e estaremos lá perto. O nariz é intenso e provocador, mas está muito perto de tantos outros vinhos provados. Existe pouca novidade num "bouquet" vinioso, com notas de madeira nova e referências a geleia e compota.
Na boca é mais interessante, profundamente rústico, um paladar amargo de taninos marcados, balsâmico médio e uma fruta muito negra anti-doce. Final médio onde o carácter duro se mantém e realça. Uma meia hora depois surge fumo e algum couro. Sem dúvida um vinho marcante, de carácter robusto e bem feito. É um vinho que está a meio caminho entre a Estremadura de hoje e o seu futuro. Acompanhará bem queijos fortes e pratos puxavantes. A menos de 12 €.

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terça-feira, fevereiro 13, 2007

Os suspeitos do costume

Nem só vinhos portugueses nós vivemos. São também momentos de enorme prazer aqueles em que nos sentamos num bom restaurante em Espanha e nos deixamos levar pelos belos néctares do país vizinho. Parámos em Segóvia, jantámos cochinillo no Cândido e bebemos muito bem...
A primeira nota do jantar vai direita ao preço dos vinhos: nenhum vinho custava mais do que o 1/3 do seu preço em garrafeira! Se a restauração nacional fosse assim, talvez o país não tivesse excedente de vinho e talvez a restauração não fosse um sector onde se apregoa sempre a maldita crise.
A segunda nota foi a diversidade das regiões visitadas. Começamos em Rueda com o belíssimo Palacio del Bornos Barrica (B) 2001, um branco sumptuoso, de cor carregada, com um verdelho menos fresco do que o habitual na região mas de patine excelsa, um branco aristocrata. Depois os tintos e entre estes, alguns dos suspeitos do costume que encontramos quando visitamos Espanha. O muito saboroso San Roman (T) 2003 a mostrar a força e a cor dos vinhos de Toro, carregado de fruta, verniz e "after-eight". Mas também o sempre gastronómico e mui complexo Allion (T) 2001, um tinto feito para a mesa que revelou notas vegetais majestosas provando que Ribera del Duero não é só (ou não é sobretudo) novo-mundo. E claro, o poder de atracção do magnífico Clos Martinet (T) 2001, um Priorat de respeito, ainda jovem com notas fortes a madeira, uma fruta doce muito impudica e um final interminável.
Uma noite imperdível.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Próximos prazeres


Já não se pode aceitar que alguém diga que o vinho português não tem momentos de exposição onde pode ser livremente valorado e apreciado. Em Portugal os certames de vinho estão na moda e ainda bem. Cada vez mais bem organizados, cada vez com mais público (importa, contudo, saber se se trata de um verdadeiro movimento de massas ou apenas uma minoria em cada vez maior número), cada vez com mais expositores, enfim cada vez mais apelativos.
Nos próximos dias 16, 17 e 18 de Fevereiro é a vez da Essência do Vinho (ver programa no site oficial aqui) mostrar o seu valor com um programa ambicioso que promete muita actividade. O local é o do costume, no Palácio da Bolsa, cabendo ao mercado Ferreira Borges receber um verdadeira feira "gourmet". O preço dos bilhetes, como sucede noutros certames, é praticamente simbólico tendo em conta o que pode beber, aprender e conviver. Existirão convidados especiais, provas comentadas, jantares temáticos, descontos, etc. Não existem desculpas para não ir...
Na noite de 16 de Fevereiro, também no Porto, será feita a entrega dos prémios da Revista dos Vinhos, também conhecida pela noite dos "Óscares" no que toca à enofilia nacional. Uma noite sempre especial – já vai na décima edição, é obra! – que irá premiar os melhores néctares, produtores, enólogos e restaurantes, entre muitos outros.
Posto que vamos marcar presença em ambos os eventos, na nossa querida cidade do Porto – é que não existem mesmo razões para não ir... – procuraremos dar o "feedback" de tanta animação e convívio à volta do vinho. Estamos a viver talvez o momento mais activo no que toca a certames e feiras sobre vinho em Portugal. Por isso, toca a aproveitar, "penso eu de que" (cit.)!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Casa de Aguiar (T) 2004


Já não era a primeira vez que tamanha força nos passara pelo estreito. A anterior foi com a colheita de 2002 (ver aqui) e apreciámos tanto que tivemos que repetir, mas agora com as uvas de 2004. Como gostámos ainda mais deste, foi nossa escolha para representar as Beiras no texto "2006 em revista".

Muito vivo na cor carmim intensa. Vivo e vibrante também no copo, nariz algo reduzido, sensação a álcool e a percepção de uma acidez muito interessante. Forte concentração num corpo já perto de se tornar retinto. Apimentado, com notas vegetais, é um tinto forte, que merece um prato robusto a preceito. Final balsâmico de média-longa intensidade. Com um estilo menos rústico que o 2002, apresenta-se mais redondo, gordo... e eu agradeço.
De mim para mim, teremos de esperar um pouco para que a força descanse. A garrafa fará certamente o resto, guarde 1 ou 2 anos. Mais um belo tinto do universo das "
Caves Aliança"! Quando o bebi pensei num cozido das beiras sem couves, mas não o estava a comer. A menos de 10 €.

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Pedra Basta (T) 2005


Faz hoje uma exacta semana que provámos, em "estreia mundial", o mais recente fruto da colaboração entre Richard Mayson e Rui Reguinga (ver foto à direita). Ambos dispensam apresentações cabendo apenas referir que o primeiro, antigo crítico da revista "Decanter", é o novo proprietário da Quinta do Centro bem próximo de Portalegre e da Serra de São Mamede, e o segundo dá o respectivo apoio enológico. A prova decorreu em mais um jantar brilhantemente organizado pelas Coisas do Arco do Vinho no restaurante "A Commenda" em Belém.
Mas vamos ao vinho, o Pedra Basta (T) 2005: é um lote de trincadeira, aragonês, alicante bouschet e cabernet sauvignon que se apresenta correcto na cor, viva e saudável. Nariz jovem, com intensidade, mas é madeira que mais se sente "narinas a fora". O conjunto é doce com a fruta saborosa que não chega a ser sobremadura. Pareceu-nos novo, a precisar muito de garrafa pois a madeira (que é de boa qualidade) está para um lado, e o resto - por enquanto só fruta e um breve balsâmico... - está para o outro.
O final é consensual, do tipo novo mundo, mas não é um espanto. No fim ficámos satisfeitos ao saber que este será o vinho de entrada na gama de Richard Mayson que irá lançar mais dois vinhos. Para estreia e vinho de base está muito bem.
15,5

terça-feira, janeiro 30, 2007

Vinhos da Quinta da Atela



Uma das regiões que cedo arrancou com projectos com "pés e cabeça" foi o Ribatejo. É difícil saber o futuro da região, mas, em rigor, é difícil saber qual o futuro de várias regiões portuguesas - o que fazer com tanta vinha e com tanto vinho?. Às portas de Lisboa, o Ribatejo tem vindo a aproveitar a grande quantidade de vinha que dispõe para elaborar vinhos com preços comedidos e qualidade certeira. Acresce que a aposta de muitos produtores em tintos de carácter moderno e internacional deu um empurrão adicional para colocar a região no mapa. E bem o merece!
Ora, situada neste mesmo Ribatejo, mais concretamente no Concelho de Alpiarça, ficam os 600 hectares da
Quinta da Atela, com regadio, montado e vinha. Pertencente à mesma família há várias gerações, foi contudo nos anos noventa que teve lugar uma importante reestruturação da vinha, e, já em 2003, uma profunda reestruturação na adega.
A gama dos vinhos é variada, mas os mais interessantes carregam o nome da casa. Destes provámos 3, um surpreendente sauvignon e dois tintos.
  • Quinta da Atela Sauvignon (B) 2005: Que surpresa! Um nariz fantástico, mineral e muito herbáceo. Na boca é suave, notas a toranja que transmitem uma sensação amarga típica da casta. Bom corpo mas nada pesado ou chato. Elegante e muito afinado é um dos melhores brancos das terras ribatejanas que já provei. A menos de 5 € é um excelente preço. 16
  • Quinta da Atela Merlot (T) 2004: No copo mostra-se com ligeira concentração, cor cereja suave. O nariz está noviço e com força, transborda framboesa, compota de morangos e álcool no "retronassal". Linear na boca, ataque dócil, mantém-se a percepção da casta francesa com frutos vermelhos exuberantes e... novamente o álcool. Final de média intensidade, taninos no sítio, mas a dar boa prova para já. O carácter didáctico (merlot bem marcado), e facto de estar pronto a beber (álcool à parte) são o melhor a retirar deste vinho. A menos de 7 €. 15
  • Quinta da Atela (T) 2004: Por ser de um lote no qual entra um bom punhado de castas está bem melhor e menos linear que o extreme merlot. Aroma franco, acidez elegante, fresco e frutado. Sentem-se o syrah e o merlot na boca com muita fruta, enquanto o nariz mantém-se apimentado pelo cabernet. Suave, redondo, bom final (médio/longo), poderá beneficiar com mais 1 ano de garrafa. Um tinto muito interessante e mais complexo do que é costume no Ribatejo. A menos de 12 € não é propriamente caro.16

quinta-feira, janeiro 25, 2007

AALTO (T) 2001


Este é um daqueles vinhos recentes mas já com alguma história. Estórias, melhor dizendo e quase todas em torno dos seus fundadores carismáticos Mariano García (Bodegas Mauro, ex-Vega Sicilia) e Javier Zaccagnini (presidente durante anos do "Consejo Regulador de Ribera del Duero"). A bodega foi fundada em plena Ribera em 1998 e, desde a primeira colheita, tem coleccionado 90 e mais pontos atribuídos pelo Sr. Robert Parker. Com este início, está bem de ver, é só sucessos, contanto agora com um topo de gama ainda mais impressionante: o "Aalto PS (T)".
Sucede que não é por estas exéquias que a minha garrafa é (era!) especial. Lembro-me sim de ter parado o jipe, faz quase dois anos, fazer depois uma perigosa inversão de marcha e ter voltado para a direcção de Peñafiel. Na primeira tienda de "vinos y quesos" que encontrei comprei-a por um preço que hoje parecerá ridículo. Que viagem!
Mas, vamos ao nosso AALTO (T) 2001, o qual impressiona logo na cor, lindíssima num rubi muito escuro sem qualquer sinal aparente de evolução e escondendo os mais de 20 meses (é verdade!) de estágio em barrica. O nariz começa com muita fruta no primeiro impacto - é impossível não recordar o cheio característico do tempranillo espalhado pelas bodegas de Pesquera. Depois, pouco depois, evolui para um conjunto extraordinário de aromas minerais, fumo e um fundo vegetal e terra molhada. Na boca, frutos negros e tabaco voltam a repartir o jogo das sensações, algum final de boca animal que não chega a desagradar e taninos ainda totalmente firmes. Este está daqueles tintos "que dura e dura...". Final médio/longo que peca por não ser saboroso. No geral, um pouco mais guloso e seria perto da perfeição.


17,5

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Carmim Aragonês (T) 2004


Cor rubi escura, aureola clareada e muitos indícios de falta de concentração. Nariz com referências obvias à casta mas tudo muito limitado. Na boca está muito fraco, fruta monótona, sem qualquer intensidade e alguma madeira queimada enjoativa. Corpo inexpressivo e um final... mas qual final?
Um vinho que faz lembrar algumas "coisas" que já não provava faz tempo. Com este vinho a Adega Cooperativa de Monsaraz recua anos em termos de qualidade ("não havia necessidade"). Uma vila tão bonita merece melhor vinho! Vale o carácter aromático no início de prova para o salvar de uma nota mais próxima da negativa.
A menos de 5 €, mas não se recomenda a compra.

13
PS - A foto foi pedida de empréstimo ao Pedro, ao qual agradecemos.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Quinta do Além Tanha (T) 2001

É caso para dizer: a importância do estágio em garrafa!
É assente que o estágio em garrafa assume, à semelhança do estágio em barrica, uma importância fulcral no resultado final de um vinho. A tendência recente de colocação dos vinhos no mercado após um ano (nos brancos) ou dois (nos tintos) da colheita faz com que alguns néctares sejam consumidos demasiado novos. Pode dizer-se: "compra novo e bebe passados uns anos". Mas, como bem sabemos, isso não é fácil: se um vinho sai para o mercado em 2006 é muito provável que o enófilo curioso já o tenha provado antes de 2007. E nem toda a gente pode ter o luxo de comprar caixas de vinhos para observar a sua evolução.
Mas como dizia, já lá vão 5 anos desde a colheita de 2001. Elaborado pela "Quinta dos Avidagos" a partir de vinhas velhas (indicação que passa a constar do rótulo a partir da colheita de 2003), provámos pela primeira vez este Quinta do Além Tanha (T) 2001 em Novembro de 2005, faz já quase 15 meses (ver aqui). Então, pareceu-nos já guloso, mas um pouco duro com algumas notas verdes e minerais não totalmente enquadradas no perfil do vinho. É verdade que tinha tudo para ser um vinho deveras aprazível - foi sempre uma recomendação nossa - mas faltava-lhe algo... o "bouquet" parecia reduzido, e os frutos negros que surgiam na boca tapavam demasiado a madeira.
Sucede que, passados os tais 15 meses no silêncio da cave, muito mudou! O vinho mantém-se jovem na cor num bonito tom vermelho escuro, e jovem continua também o nariz. Mas agora está absolutamente perfumado com compota doce de amora e um final especiado que lhe atribui um toque exótico e oriental. Na boca está ainda mais guloso do que na prova anterior - frutos negros em camada, chocolate de leite - num final médio/longo marcado pela baunilha da barrica. Onde antes havia dureza e alguma secura, encontramos hoje delicadeza e diplomacia. Muito redondo, falta-lhe pouco para atingir o seu melhor, mas está ainda em crescendo. Menos linearidade na boca e seria certamente um "tomba-gigantes" do Douro. Um vinho belíssimo, em suma. Mais um pela mão do enólogo Rui Cunha. Beba-o nos próximos 2 anos.
Passados 15 meses da prova anterior, 5 anos da colheita e 4 anos do engarrafamento... a importância do estágio em garrafa!
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Garrafeira Diogos (Funchal)


É sabido que a Madeira é a pérola do Atlântico. O que eu não sabia é que quase a meio do Atlântico existia uma pérola para o enófilo. É verdade, bem no centro do Funchal, na elegante Avenida Arriaga, fica a garrafeira Diogos. Naturalmente, a selecção de vinhos da Madeira é vasta (muito superior ao que se encontra no continente), mas o que mais agrada é a criteriosa selecção dos vinhos DOC e de mesa nacionais, com destaque inevitável para as regiões do Douro e Alentejo. Interessante – e até certo ponto surpreendente pois a insularidade tende a onerar os mais diversos produtos – é o preço simpático de várias propostas vinícolas. Em alguns casos, o preço é verdadeiramente fantástico se pensarmos que estamos numa garrafeira repleta de requinte com atendimento personalizado. Querem 2 exemplos? Meandro do Vale Meão (T) 2004 a 8 € e La Rosa Reserve (T) 2004 a 21 €. Existe ainda a possibilidade de provar vários licores e alguns Madeira 10 anos (Boal/ Verdelho), bem como participar em eventos como encontros com produtores. A simpatia de quem nos atende (o Sr. Américo e o Sr. Leandro no meu caso) é outro plus. Não admira que enófilos despontem na ilha, como o Rui Sousa.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Apegadas Quinta Velha Res. (T) 2004


Há apenas 5 anos atrás era quase impossível encontrar um vinho como este no Douro. Sem tradição familiar, sem um grupo económico de suporte, apenas o incansável desejo e "carinho muito especial" pela região (fazem questão de o dizer) dos dois sócios. A Quinta das Apegadas é assim mais um recente projecto fruto da paixão de querer fazer vinhos. Hoje em dia começa a ser comum esta aposta no cometimento de produzir vinho, de viver afastado da cidade, de ajudar a natureza a recuperar tempo perdido. Foi isso que decidiram fazer Cândida e António Amorim adquirindo, em momentos diferentes, duas quintas, a Quinta das Apegadas no concelho de Mesão Frio (Baixo Corgo) e a Quinta Velha, uma propriedade centenária, situada na margem direita do Douro Cima Corgo. É desta última Quinta que sai o tinto ora provado. Cor jovial, generoso de tintura em tons cereja muito vermelha. Nariz arrepiante, uma capa de álcool sobrepõem-se imediatamente a uma madeira discreta mas gulosa. Na boca é compacto, arredondado por uma barrica que ajuda a harmonizar um conjunto forte e complexo. Tudo no sítio, muito agradável, acidez média. Final médio/longo com notas a compota e café. Um belo vinho! E uma grande estreia! A menos de € 20.

16,5

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Revisitação:


  • Damasceno (T) 2003: Quando o provámos faz mais de ano e meio (ver aqui) gostámos do que bebemos apesar de excessivamente doce, carregado, estruturado pelo álcool (14,5%). Por tudo isso, ficámos com dúvidas sobre a saúde que teria neste início de 2007. Pois bem, continua vivo de açúcares - pelo que me atrevo a sugerir servir a uma temperatura entre 15º a 16º - e a boca cheia a fruta madura. Estará porventura mais equilibrado, mas mantém-se muito centrado na fruta e de final apimentado, com uma sensação a "pico" que, por vezes, o castelão teima em largar na língua. Para beber já, e a acompanhar uma mousse de chocolate apesar de não se tratar de vinho generoso. Provem a edição de 2005, mais harmoniosa com 13,5% álcool e sem castelão a entrar no lote. A menos de € 9. 14,5

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Quinta da Padrela


A Quinta da Padrela situa-se no Concelho de Tabuaço, Cima Corgo portanto. Em termos de longitude está, de forma pouco precisa, no enfiamento de Ferrão, mas na margem oposta e mais a sul. Com 12 hectares, vinhas dos 20 ao 70 anos, todas em solo xistoso e a 400 metros de altitude, está bom de ver que os seus néctares transpiram os aromas do Douro. Com um cariz familiar, lançou-se no sonho de comercializar a "bebida mais civilizada do mundo" (disse-o Hemingway) e tem dois vinhos a postos cuja exportação tem sido um êxito. O primeiro foi provado 2 vezes – com um intervalo de mais de seis meses – e as notas que se seguem são as da segunda prova realizada já no início deste mês de Janeiro. Trata-se de um projecto promissor que parece assentar num perfil claramente duriense e que, neste momento de voragem de marcas, merece o nosso destaque pela genuinidade dos seus vinhos. Original é a escolha das garrafas, de vidro fino e dimensão reduzida (mas mantendo 75cl de capacidade), muito práticas e leves de transportar. Vejamos então:

  • Quinta da Padrela (T) 2004: Cor viniosa de tons cereja. Nariz intenso, algum álcool e uma combinação curiosa entre estilo marcadamente vegetal (duro) e notas de fruta preta amarga. Na boca temos harmonia sem laivos de madeira por perto com taninos agrestes a pedir tempo de garrafa. Com o trago mantém-se vigoroso o seu lado vegetal com notas a espargos e aneto. Tudo muito vivo, fresco mas também curto, com um final pouco persistente. Está menos acabado que o irmão reserva e, por isso, um ano de garrafa (pelo menos) só lhe fará bem para diminuir a adstringência e irreverência da juventude. A menos de 8 €. 15
  • Quinta da Padrela Reserva (T) 2004: Rubi muito negro, com auréola escura e alguma espuma. Nariz novo, menos vegetal que o anterior, arrebita um nariz sedutor a cereja, noz moscada e alguma pimenta branca. Na boca mantém o equilíbiro do irmão, mas eleva-se num (ou mais) patamar de qualidade. Muita concentração, esgaço, notas amargas a chocolate preto e azeitonas, castas bem trabalhadas, enfim um vinho que pede uma refeição. Final médio a prometer mais. Em crescendo. O contra-rótulo fala em cariz moderno mas não parece ser o caso. "Douro clássico bem feito" isso sim! E não é pouco. Se gostei? Gostei muito. A menos de 14 €. 16

terça-feira, janeiro 16, 2007

Quinta do Portal Touriga Nacional (T) 2000


Cor cereja escura, sem evolução precoce ou evidente. No nariz: touriga, touriga e touriga. Muita bergamota, num conjunto floral agreste e seco, mas cativante e insinuante! Depois, na boca, seguem-se as notas a casca de laranja, algum caramelo e referências sumidas a chá preto, tudo onde um final médio/curto desaponta e destoa. Curiosamente, passada a primeira meia hora, o vinho como que cai, desmaia na boca, gasta-se rápido e parece perder fôlego.
Por não ser um maratonista não deixa de ser um bom representante da casta nacional tida como a mais reputada da actualidade. E está pronto a beber. Não espere por ele.
A menos de € 22 nas boas garrafeiras. 16
PS - Faz precisamente um ano provámos o "Portal Reserva 2000" (aqui).

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Inesquecível!

Tudo começou aqui faz quase um ano. Depois ali. E depois já não consigo saber mais ao certo, pois o Rui e o João arregaçaram as mangas. E...
Na passada sexta-feira encontrámo-nos quase todos, os já referenciados e mais ainda a cambada amiga do vinho a copo (com o seu "camisola amarela"), os krónicas e mais os vinhos. Na "York House", como combinado, estava a sala de prova quase cheia quando entrei. Um encontro deste calibre, só possível após a existência consolidada de enoblogs, é algo para qual não se está preparado, não se sabe o que esperar, o que pode acontecer. Neste caso, tudo correu como se uma organização profissional estivesse por detrás do "evento". E estava, se pensarmos na tarimba do anfitrião ZT Mello Breyner!
As provas foram em catadupa, do Alentejo à Madeira (graças a este homem nas ilhas), passando pela Bairrada e Palmela, da Estremadura ao Algarve. Do Douro vieram duas ante-estreiras pela mão amiga do AJS: o Pintas (T) 2005 e o Pintas Character (T) 2005. Do Douro veio ainda o vinho mais gastronómico da noite, o Sirga (T) 2004. Convidados especiais também os houve: para além dos amigos "independentes" - Chapim, Pedro Sousa e Chicão obrigado pela V. presença -, recebemos a Allison e o Joaquim, principais responsáveis pela recente marca alentejana "Azamor".
Depois a comida, quase imaculada a não fazer sombra aos vinhos (como competia), e de novo os néctares. Brancos doces, brancos, tintos, tintos em magnum - Hexagnon (T) 2000 em bom nível -, Portos - santo Warre's 1995 LBV! - e um Madeira - fantástico Boal 10 anos. Deu ainda tempo para provar - off the record - o Quinta da Gaivosa (T) 2003.
Fica muito por (d)escrever? Certamente! Mas não para esquecer.
Certamente inesquecível.

domingo, janeiro 14, 2007

Fonte das Moças (T) 2003


João Melícias já nos habituou a óptimos vinhos. Lembro-me, de repente, de uma mão cheia de grandes tintos alentejanos (de Montemor a Cuba) feito pelo "Enólogo do Ano 2005 (RV)". Agora dá-nos o prazer de provar um projecto mais pessoal, concretizado pela sociedade "Agro Vitis" na Estremadura (Torres Vedras).
Mostra-se novo na cor, cereja escura tintada, mas o que sobressai de imediato é o nariz... que "bouquet" explosivo: fruta confitada, ameixa preta e amora, bombom de chocolate, fundo lácteo, tudo muito internacional. Na boca, a combinação do aragonês (30%) e da syrah (20%) domina num estilo impositivo, com fruta muito marcada a pedir mais uns meses de garrafa. Por seu lado, a touriga nacional (50%) parece dar-lhe um futuro radioso com taninos rijos. Final de grande intensidade. É de gritar: modernidade na Estremadura!
Com um preço quase imbatível, tudo tem para ser um sucesso de vendas, excepto o facto do mercado não estar virado para sucessos de venda e a produção ser limitada a menos de 7.000 botelhas. É pena. Não é fácil encontrá-lo, mas o preço não deverá ascender uns simpáticos € 6. 16

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Tapada de Coelheiros (T) 2001


Aconteceu o vinho ser a melhor coisa da noite passada. O vinho pode ter esta virtude, a qualidade de se manter fielmente aprazível numa refeição que está a correr mal. Foi isso que aconteceu ontem...
Intróito à parte, faz tempo que adoro beber um tinto alentejano com 5/6 anos a acompanhar carne vermelha simples. O Tapada de Coelheiros (T) 2001 foi o sacrificado; para mim, o seu sacrifício foi o único prazer. Mostrou-se vivo no copo, a cor está cereja vermelha com um círculo aureolar mais esbatido. Após alguns minutos de arejamento, transpirou aromas finos e elegantes a fruta vermelha fresca, esteva com notas de menta suaves, tudo muito elegante e afinado. Nada de brutalidade, apenas serenidade. A boca mostrou-se complexa, com a fruta menos presente parcialmente substituída por referências herbáceas e apimentadas (do cabernet) e alguma baunilha do carvalho francês. Final conivente , médio/longo.
Não se tratando do famoso "garrafeira", este Tapada tinto de 2001 surpreendeu muito positivamente com sua evolução. O preço vai variar muito do local onde o comprar (e será preciso procurar um pouco), e poderá ser particularmente elevado na restauração. 16,5

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Tintos para o "dia a dia" ou para várias ocasiões: Lybra e Taká

Um bom tinto para o dia a dia não é fácil de se encontrar. Dir-se-á que basta que seja bom e barato, mas sabemos bem que isso não é verdade. Para além dos dois referidos indispensáveis requisitos, é ainda preciso que o vinho não seja chato ou monótono, que combine com vários pratos de diferente culinária, que se adeqúe a refeições que viram em festas de um momento para outro, enfim vinhos nos quais se pode confiar quase a 100% para todos os trabalhos. Nesta nossa busca incessante desse vinho ideal para o quotidiano surgiram-nos dois recentes concorrentes. Foi assim que provámos o Lybra (T) 2004 de José Bento dos Santos e o Taká (T) 2005, projecto resultante da fusão dos esforços do escanção Bruno Antunes (Ritz), da Adega Algarvia e do enólogo Paulo Loureano.

  • Lybra (T) 2004: Cor cereja escura e notas aromáticas a fruto preto (amoras) marcam a apreciação inicial. Entra com confiança no nariz, rapidamente dá a entender ao que vem. Os 90% de Syrah, e as manhãs frias da Estremadura, são suficientes para criar uma sensação muito agradável entre fruta e frescura. O estágio em madeira de 12 meses quase não se nota (madeira de 2.º ano), o que se agradece num vinho deste perfil. Na boca sentem-se notas a balsâmico, é quase pastoso sem ser imponente e mantém-se de perfil atraente - e final de boca médio - durante toda uma refeição. Acompanhou com muita bravura um creme de castanhas com espuma em cappuccino e pinhões torrados, bem como umas tenras bochechas de porco preto em cama de couves. A menos de € 12 em garrafeira, é um óptimo vinho para várias ocasiões mas não é propriamente acessível para todos os dias. 15,5
  • Taká (T) 2005: Muita cor no copo fruto da juventude: cereja escuro no copo meio cheio, e tons arroxeados com o copo quase vazio ("vis-a-vis" alicante bouschet). Nariz intenso, vibrante, é um lote alentejano com o aragonês em maioria e cheio de força, sem pretensões de elegância ou romantismos. Mais guloso do que propriamente sedutor na boca, pode-se tornar aborrecido pela linearidade da fruta doce e compota que demonstra, mas será muito eficaz na hora de atacar carne vermelha simples. No nosso teste, deu luta a um pato com laranja acompanhado por um risotto de pimentos feito em casa. A menos de € 5 no Supercor ECI. 15

domingo, dezembro 31, 2006

2006 em revista


O que segue não se trata de uma lista dos melhores vinhos provados em 2006. Muito menos de uma selecção rigorosa das novidades ou estreias que viram luz neste ano que finda. Em rigor, nem se trata sequer de uma lista… mas antes de um apanhado de boas coisas nacionais – sobretudo surpresas e estreias, mas também algumas confirmações – com que nos deparámos em 2006 e nos lembrámos de escrever. Como é natural, os preços são meramente indicativos.

Comecemos pelas surpresas. O ano de 2006 foi o ano da afirmação do Vértice (T) 2003 (€ 12), um dos melhores e mais acessíveis tintos do Douro. Elegante, sem problemas ou dilemas de estilo, directo e frutado qb foi, sem dúvida, uma das melhores surpresas do ano que está prestes a terminar; a crítica internacional muito favorável tornou-se, por isso, inevitável. Outra surpresa acessível foi o Ermelinda Freitas Touriga Nacional (T) 2003 (€10), que já conta com uma edição de 2004 na mesma linha. Forte e carnudo, mas fresco e revigorante também, é um tinto que merece ser guardado por uns alguns anos na garrafeira.
Mais dispendioso do que os anteriores, mas nem por isso caro, o Quinta da Vegia Reserva (T) 2003 (€ 20) foi um dos vários vinhos do Dão que saltaram para a ribalta em 2006. A par dos nomes mais conhecidos da região (eg., Roques, Perdigão, Pellada), a Quinta da Vegia e o produtor "Casa de Cello" são já um marco no Dão graças aos seus vinhos prazenteiros e com muita "patine".
Do Alentejo, o Grou (T) 2004 (€ 25) foi uma das novidades que mais nos deu prazer beber. Um tinto cheio de cor, incisivo e inesquecível, perfeitamente apto para devaneios gastronómicos de forte impacto. Os tintos alentejanos do produtor "Dão Sul" também surpreenderam: o complexo Monte da Cal Reserva (T) 2003 (€ 9) e o sedutor Monte da Cal Aragonês (T) 2004 (€ 6).
Da Bairrada, o projecto de Manuel Campolargo parece arrastar toda uma região aparentemente parada para as prateleiras das garrafeiras e supermercados. A hiper-criatividade trouxe belos tintos como o Termeão Pássaro Ver. (T) 2004 (€ 17) e o Diga? (T) 2004 (€ 25).
Das Beiras, o pódio é ocupado pelo fantástico Casa de Aguiar (T) 2004 (€ 10), uma marca em ascensão no universo das "Caves Aliança", e que, na colheita de 2004, atingiu um nível elevadíssimo. Menção honrosa também para o Versus (T) 2004 (€ 6), um tinto forte e duro que deu muito de falar na imprensa escrita e na blogosfera, ainda que nem sempre de forma unânime.
Mas o ano de 2006 também foi um ano da confirmação dos tintos da Estremadura. O lançamento dos vinhos da "Quinta de Pancas" - o nem sempre consensual Reserva Especial (T) 2003 (€ 25) e o magnífico Pancas Premium (T) 2003 (€ 45) -, os da "Quinta da Monte d’Oiro" com a estreia do day-to-day Lybra (T) 2004 (€ 12), e os topos de gama dos projectos pessoais dos enólogos José Neiva [Francos Reserva (T) 2003 (€ 25)] e de João Melícias [Fonte das Moças Reserva (T) 2003 (€ 10)], são hoje confirmações mais do que certas, redundância à parte.
Do Ribatejo, e na sequência do melhor vinho de sempre da "Casa Cadaval", mostrou a sua raça um novo tinto de gama média/alta com elevado aprumo e estilo “novo mundista”: o Mythos (T) 2003 ( € 15): néctar escuro e muito poderoso cabaz de ombrear com tintos de outras paragens mais a sul.
Das várias "segundas marcas" que proporcionam muito prazer, os durienses Prazo de Roriz (T) 2003 e Post Scriptum (T) 2004, e o Quinta da Chocapalha (T) 2004 de Alenquer, são três sólidos destaques de 2006 (€ 7 - € 9).
No Douro, sempre o Douro, merece uma palavra de elogio os projectos que começaram a consolidar-se e deram luz ao poderoso Quinta da Touriga-Chã (T) 2004 (€ 30), ao distinto Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002 (€ 20) e ao concentradíssimo Odisseia Touriga (T) 2004 (€ 22), entre outros exemplos. Ainda no Douro, para além de várias marcas com tintos ainda não provados - CV 2004, Quinta de Macedos 2003, Gouvyas 2004, Vallado Reserva 2004, Poeira 2004, VT 2004 -, tivémos a confirmação do La Rosa Reserve (T) 2004 (€ 22), talvez o melhor de sempre da casa centenária, bem como dos Quinta de Roriz (T) 2004 (€ 30) e Quinta de Vale Meão (T) 2004 (€ 48).
Nos brancos, o ano de 2006 deu a provar a óptima colheita de 2005 da qual foram lançados vinhos verdadeiramente surpreendentes. Se em 2004/2005 o mercado notou o surgimento de um conjunto selecto de vinhos com muita qualidade, já em 2006 a diferença foi a maior quantidade de propostas cativantes. A par das confirmações do untuoso Esporão Private Selection (B) 2005 (€ 17) e do delicado Soalheiro (B) 2005 (€ 10), ficámos com sede para o floral Tiara (B) 2005 (€ 15) da Niepoort e para o citrino Muros Antigos Loureiro (B) 2005 (€ 6). Isto claro, para não falar de voos mais altos (leia-se Redoma Reserva 2005 a € 30).
Finalmente, nos generosos, o Quinta do Noval Vintage (P) 2004 (€ 60) encheu-nos as medidas. Não é original, mas também não se amam os Portos pela originalidade.
Fica por aqui este périplo de alguns destaques pessoais provados em 2006, com a certeza que muito ficou por escrever, e com o desejo de um 2007 com muito mais para provar e divulgar.
Votos de um fantástico 2007 para todos.
NOG
PS - Ah... já me esquecia, 2006 também foi ano de nova edição de Barca Velha (1999) mas, por motivos vários, só o provarei para o ano.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Reserva Especial Ferreirinha (T) 1986

Abertas mas não decantadas. A decisão pareceu-nos acertada tanto mais que as "borras" foram muito reduzidas. Desta feita, ao contrário do que tem sido a regra com estas reservas, a rolha mostrou-se perfeita em ambas as garrafas.
A cor é um autêntico assombro; pode mesmo dizer-se que nos enganava totalmente. Pela cor o vinho tem cinco, oito anos no máximo... vermelho intenso, quase vibrante! O nariz inicial está muito reduzido com notas menos agradáveis típicas do estágio em garrafa. Após arejamento mostra aromas terceários nobres como madeira antiga (armários), tabaco e couro. A boca está imperial, com uma acidez pouco vulgar e uma óptima vivacidade. O que peca é mesmo a fruta: com tantas indicações que estaria em plena forma (cor, acidez, como já referimos) sentimos falta dos elegantes morangos e cassis que os "irmãos ferreirinhas", mesmo "velhos", nos habituam. Não somos loucos por fruta, mas este reserva especial deixa água na boca. Mesmo sabendo que já lá vão mais de vinte anos, o palato ficou algo pobre e o final quase mediano. É morrer na praia...

domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Consoada

Para aqueles que têm dúvidas de última hora a respeito dos vinhos a beber na Consoada, aqui fica a sugestão para um repasto bem regado.
À vossa!
NOG
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Quinta dos Minotes (BV) 2005
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Chardonnay Projectos Niepoort (B) 2004
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Numanthia (T) 2003
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Esporão Private Selection Garrafeira (T) 2001
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Reserva Ferreirinha (T) 1996
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Quinta do Noval vintage (P) 2003

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Um bom ano


Russell Crowe aos gritos em pleno Coliseu de Roma de espada em punho é uma imagem difícil de esquecer. Talvez pela maneira impressionante como se vestiu de Maximus (também pela mão de Scott), seja difícil agora convencer-nos que pode ser um "broker" da bolsa de Londres que, paulatinamente, descobre uma paixão antiga por uma vinha algures em França herdada de um tio (a localização exacta da vinha não é revelada para não ferir susceptibilidades...). Também por isto, o mais recente filme de Ridley Scott e Russell Crowe não deverá esperar o mesmo sucesso de "The Gladiator" (2000). Mas "A Good Year" fala de uma vinha…
A ideia central do filme gira em torno do dilema moderno do Homem que vive numa metrópole e vive para o seu trabalho e sucesso. Como é endinheirado, julga ter conquistado tudo na sua vida mesmo que o contacto com a natureza, e, já agora, com o amor e família, estejam totalmente ausentes do seu quotidiano. Depois, descobre que herdou uma vinha em França e vai visitá-la a fim de conhecer o seu potencial de venda. O resto já imaginam.
De Ridley Scott estou sempre à espera de um pouco mais, pois ainda revejo com muito agrado as suas primeiras e auspiciosas películas. Em todo o caso, para quem está a descansar (como é o meu caso) ou está de férias, é uma boa distracção de hora e meia que, ainda por cima, fala um pouco de vinhas, pisca o olho a Mondavi e dá dicas sobre "vinhos de garagem". Mas atenção, tem pouco que ver com "Sideways" (2004) e muito menos com "Mondovino" (2004).

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Esporão Trincadeira (T) 2004


Os monocastas da Herdade do Esporão têm vindo a melhorar significativamente. Este é talvez o melhor Trincadeira produzido pelo Esporão (Finagra) que provámos. A cor esteve correcta num vermelho escuro discreto. O nariz impecável, com notas florais quentes e mesmo alguma esteva. Complexidade média, concentração elevada e corpo elegante. Fruta madura em camadas e um toque ligeiro balsâmico tornam o conjunto muito sedutor. Tudo afinado, a madeira quase não se sente. Um vinho de laboratório para ser consumido já. Pena o final, apenas médio/curto.
Bom (16). A menos de € 12.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Quinta da Pedra (B) Alvarinho 2004


É verdade que o Inverno não pede sempre por um branco verde fresco. Mas quando nos deparamos com camarão frito e uma dourada escalada (escalada mas conservando o suco do bicho) é difícil resistir. A colheita de 2004 não foi das melhores para os verdes e os Alvarinhos da Quinta da Pedra teimam em apostar na vertente vegetal. Este que se provou veio atestar tudo isso. Cor marcada e amarela, bouquet pouco evidente. Na boca a fruta andou desaparecida, só muito ao longe se sentia um pouco de melão picante. Falta-lhe garra mas pode ser do ano. Já as notas vegetais, ainda que não exuberantes, foram constantes e bem blendadas com uma acidez fina e elegante. É um daqueles Alvarinhos que "aproveita" a fama da casta e que pouco acrescenta, nesta colheita de 2004, ao panorama existente. Em todo o caso, mostrou se um branco eficaz na hora de atacar o marisco e peixe.
Suficiente (13). A menos de € 10.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Dica de restauração: Néctar

Nem dez dias da inauguração tinham decorrido e já estávamos sentados numa das bonitas mesas do mais recente winebar de Lisboa. O "Néctar" abriu portas no final de Novembro em plena R. dos Douradores na Baixa (uma paralela à R. Augusta). A decoração é simples, valorizando os arcos de pedra de um bonito rés-do-chão pombalino. Fazia frio no interior (pedimos para ligar o aquecimento), sensação infelizmente comum na restauração em Portugal que teima em não investir em bons caloríferos.
Existe uma carta para jantar e outra, mais interessante, para petiscar à base de queijos, saladas e enchidos. A carta de vinhos não é monumental mas tem uma escolha criteriosa e nota-se a preocupação em disponibilizar alguns vinhos que se encontram na berra. Todos os vinhos podem ser consumidos a copo pois decidiu-se investir - e bem! - no sistema “Le Verre du vin” (na versão simples). O serviço esteve eficiente e os copos eram de boa qualidade. Um dos vinhos foi provado a uma temperatura que não a adequada mas foi rectificada aquando do serviço. Provámos o "Quinta dos Roques Encruzado (B) 2005" e o "Azamor (T) 2003". O primeiro confirmou ser um dos vinhos brancos mais minerais de Portugal, e o segundo primou por um estilo Novo Mundo que vem sendo habitual em alguns (cada vez mais...) produtores do Alentejo.
Uma visita com um saldo muito positivo. Sem dúvida uma experiência a repetir no coração da Baixa lisboeta.

domingo, dezembro 10, 2006

K(olheita) (T) 2002


Fim-de-semana grande no Algarve: não o Algarve da praia, do calor e das filas no Verão, mas da calma fortificante e das águas santas das Caldas de Monchique. Após banhos retemperantes, foi tempo de revisitar o "Veneza", restaurante/garrafeira perto de Paderne em Ferreiras (para a primeira visita ver aqui). As comidas – próprias do Inverno – estiveram óptimas com destaque para o ensopado de javali (com um toque de alecrim). Nos vinhos a escolha é obra demorada, pois a variedade é próxima do infinito. Escolhemos um "K 2002" do projecto "Kolheita de Ideias" (que belo nome!) dos três amigos Rui Moreira, Luís Soares Duarte (eg., "Gouvyas", "Infantado"), Francisco Ferreira ("Vallado"). No copo mostrou-se bonito, cor acertada entre o cereja escuro e o vermelho purpurino. Corpo cheio, muito elegante no nariz, bom balanço entre o álcool e a fruta. A madeira está totalmente integrada, tudo em harmonia. Guloso q.b., com frescura vibrante (típica do ano), tem fruta com realce para a bergamota, também evidente no final médio/longo. Belo tinto do Douro a provar que a colheita de 2002 (ou, pelo menos, este Kolheita) esteve e está a um bom nível.
Bom + (17). A menos de € 20.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Adega Coop. Borba Reserva (T) 2001


A colheita de 2001 tem trazido altivos momentos com tintos alentejanos (ver aqui e ali). Este, também conhecido por “rótulo de cortiça”, acompanhou bem um entrecosto à Mestre d’Avis no "Grémio" (Évora), mas não passou disso. Na cor nota-se a evolução com um ligeiro tom laranja desmaiado, mas não em demasia: bem feitas as contas o vermelho cereja ainda impera. No nariz está certinho, a fruta já quase não tem garra, mas o que ainda persiste faz aguentar bem o vinho que está naturalmente macio e com notas a especiarias. Na boca já domina a madeira com sensações a carvalho queimado e algum balsâmico, a fruta está sisuda, e pouco mais. Se existe alguma garrafa por abrir deste alentejano de 2001 é altura de a beber sem saudosismos. E rapidamente.
Suficiente + (14,5).

PS – Faz dias, no Hotel Ritz, foram apresentados os novos Adega Coop. de Borba, de estilo mais moderno e com cara lavada. O "Reserva (T) 2004" mostrou-se em forma e continua a apostar no rótulo de cortiça, agora com dimensão mais pequena contribuindo para um resultado gráfico final menos rústico.
PS 2 - Outras provas a este vinho podem ser encontradas no Copo d' 3 e nas Krónicas Vinicolas.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Vértice (T) 2003



Já íamos avisados – é inegável que a opinião dos outros nos pode influenciar, mas neste caso a qualidade do vinho é uma evidência. A todos.
A cor está rubi escura, profunda e bem bonita com laivos e tons arroxeados. Nada de opacidades! O nariz revela-se muito afinado e sedutor. As notas a baunilha derretem-se (literalmente) na fruta vermelha macia e quente – que intenso prazer... Na boca atesta a sensualidade do nariz, fácil de se beber (elogio), muito acetinado. Peca apenas o final, guloso mas curto (ou curto demais para tanta gulodice).
Uma única divergência de opinião parece residir num eventual estágio em garrafa: alguns juram que se deverá bebê-lo num vértice até 2008, outros pregoam que a cave será o mais indicado para o néctar. Eu? Eu alinho, quase sem dúvidas, pela primeira tese: beber já pois não vejo como o vinho possa melhorar mais (a não ser que fosse outro o vinho e de uma qualidade ainda superior). Um belo tinto do Douro a um belíssimo preço.
Bom + (17). A menos de € 12.

sábado, dezembro 02, 2006

Quinta da Sequeira GE (T) 2002



Respondendo ao desafio lançado pelo Vinho da Casa - ie., uma prova a um vinho de 2002 -, o vinho ora provado é uma grande escolha. E é mesmo! Este "Quinta da Sequeira Grande Escolha (T) 2002" mostra-se perto do negrito no copo e o aroma é marcadamente vegetal com nuances simpáticas de madeira de qualidade (10 meses em barricas de carvalho Allier e Limousin).
Na boca mantém um certo estilo da casa, entre o carácter terroso e notas a fruta muito madura. Já está pronto para consumo mas eu esperaria por ele mais um ano. Final elegante com notas frescas a esteva e um fundo animal que pode, aqui e ali, assustar os mais desprevenidos.
Bom (16). A menos de € 20.
PS: Aqui está um tinto douriense de 2002 bem acima da média. Daqui a um ano estará provavelmente melhor. Uma imagem cuidada e consistência na gama (dos tintos aos brancos, passando pelos rosés) a Quinta da Sequeira é um projecto a ter em muita atenção.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Dom Martinho (T) 2004 - Licença para agradar


Finalmente um Dom Martinho capaz de não malfadar o nome da família Lafite Rothschild. Após várias colheitas onde "qualidade" parecia palavra proibida, e quando já não acalentávamos esperanças, heis o Dom Martinho (T) 2004 a portar-se bem à mesa. Para acompanhar uma cabidela séria (coisa para adultos!) o vinho mostrou-se estreito, jovem mas com vontade de agradar. Notas frescas a cereja, cassis, tudo num corpo discreto e de taninos suaves que nem água. Mesmo com 13º mostra-se bem equilibrado, rico em sabor com extracto.
Este Dom Martinho, versão tinta de 2004, está tal e qual o novo filme do James Bond: quando já nada o faria esperar, renasce com garra para nos animar e para ser consumido rapidamente.
Bom - (15). A menos de € 6.

PS – Distribuído pela Vinalda, o Dom Martinho (T) 2004 encontra-se com muita facildiade quer nos hipermercados quer na restauração. Acresce que a "meia-garrafa", ideal para um almoço com o jornal, é também uma vantagem.

Herdade das Pias Reserva (T) 2003

De regresso pois aos néctares do Alentejo. Mas comecemos por uma breve referência ao p(r)ato que acompanhou o vinho: peito de pato (que hoje em dia se compra com facilidade), colocado numa sertã com a gordura do bicho (que se quer abundante) virada para baixo. Adicionar a gosto sumo de laranja e mel (que pode e deve ser substituído por vinho do Porto) e deixar ao lume cerca de 15 minutos. Perto do ponto tempera-se com especiarias e já está. A acompanhar: um arroz de pimentos. Nada mais simples, verdade?
Para beber sacou-se a rolha a um Herdade das Pias Reserva (T) 2003, disponível na última feira do "Jumbo" a menos de € 12. E que belo tinto regional do Alentejo! Se bem que no copo a cor não seduz pois mostra-se clarinha e fina, já o corpo (delgado) antecipa um aroma elegante. O bouquet entusiasma efectivamente, primeiro fechado e medroso, depois mais aberto e afirmativo, mas sempre contido na fruta (ainda bem!) com notas sedutoras de chocolate de leite e pudim de ameixas pretas. Na boca mantém-se fino, não está um típico alentejano da colheita de 2003 (!), antes um tinto verdadeiramente "contra a corrente". Este que se bebeu está equilibrado e demonstra uma total harmonia entre os elementos, com um suave final capitoso a especiarias. Pronto a beber.
Bom + (17). A menos de € 12.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Douro Wine Show


Mais uma iniciativa da "Essência do Vinho". Mais glamour. Mais novidades. Podíamos descrever assim o evento do fim-de-semana que passou. Realizado no Casino de Lisboa, ambiente nocturno, pouco propício para provas sérias, muito propício para a conversa animada e descontraída. O melhor da noite: as novidades. Do Ázeo (T) 2004 ao Quinta das Apegadas (T) 2004, das estreias do Gambozinos Reserva (T) 2004 e do Quinta do Avidalgos (T) 2005 à nova roupagem do Vallegre (T) 2003 e às confirmações do tinto vinhas velhas "Além Tanha" e do rosé da "Quinta da Sequeira". Se tivermos tempo, e a oportunidade se proporcionar, iremos escrever um pouco sobre alguns destes vinhos.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Galeria de vinhos




De regresso ao restaurante "A Galeria" provámos o menu “Encontro com o vinho”. Graças ao chefe milanês Augusto Gemelli, os vários pratos estiveram óptimos na senda do que a casa nos habituou. Já sobre os vinhos - um por prato - importa alongar-nos um pouco mais.

O vinho de entrada foi o "Bajancas (B) 2005", um douro leve e muito agradável que vem confirmar que a colheita de 2005 foi boa para os brancos. Depois, veio um dos vinhos pelo qual tínhamos maior curiosidade: o "Herdade do Portocarro (T) 2003" que se revelou fresco e nervoso mas também carnudo; é um tinto muito curioso com a madeira em evidência. De seguida, provámos o "Viseu Carvalho (T) Grande Escolha 2004" - o melhor da noite! - negro e encorpado, cheio de aroma, paladar robusto e final elegante! Por fim, o sempre guloso "Brites Aguiar (T) 2004" - com os seus famosos 15,5º - um tinto redondo que surpreende pela sua elegância (a temperatura de serviço ajudou) mas, infelizmente, também pela falta de garra. Foram ainda servidos um Porto (depois da janta) e um espumante (antes das entradas) que não merecem, todavia, destaque especial.
Em resumo, e para quem gosta de classificações:

  • Bajancas (B) 2005: Suficiente (14,5)
  • Herdade do Portocarro (T) 2003: Bom (16)
  • Viseu Carvalho (T) Grande Escolha 2003: Bom + (17)
  • Brites de Aguiar (T) 2004: Bom + (16,5)

PS - Os amigos do Vinho a Copo também passaram pela Galeria e provaram do mesmo (notas aqui).

segunda-feira, novembro 20, 2006

An amusing vintage


Já sabíamos que o mundo dos vinhos americanos é um mundo à parte. Mas nunca pensámos que seria possível um litígio judicial entre produtores sobre a propriedade e titularidade do nome comercial “Big Ass”! Nos clássicos padrões europeus trata-se de uma hipótese remota. Nos EUA é já uma realidade! Tudo começou quando num evento de provas vinhos se veio a descobrir que existiam várias marcas com “Big Ass” nos rótulos. A luta nos tribunais já começou. O mais curioso é ver que também por cá se tem procurado nomes fáceis de decorar e que sejam atrevidos, apelando aos consumidores mais jovens (eg., casos dos tintos portugueses "Sexy" ou "Amo-te"). Fica aqui um excerto retirado do site WineBusiness:

«Both Adler Fels Winery in Santa Rosa and Milano Family Vineyards in Hopland are producing "Big Ass" wines, and neither is willing to turn the other cheek. The two sides are girding for a battle in federal court in San Francisco over the rights to the colorful name. The case highlights the increasing importance wineries are placing on eye-catching brands to help their products stand out in a fiercely competitive marketplace.
"The Big Ass name seems to have some legs, no pun intended," said Raymond Horwath, who applied for a trademark for " Big Ass " for beer in 1995. Alder Fels got federal approval to produce "Big Ass Cab" in April 2004 for one of its custom-crush clients. The label on the $15 cabernet sauvignon features a colorful painting of a corpulent couple dancing.
Six weeks later, in June 2004, the smaller Milano Family Vineyards in Hopland received label approval to make "Big Ass Red," a red blend that also retails for about $15. The label also depicts a painting of a couple dancing, the woman's posterior prominently displayed. At the time they got their labels approved, however, neither winery owned the trademark for the cheeky name (…). In July 2005, with his beer business building steadily, Horwath agreed to license the rights to "Big Ass" to the tiny Milano Family Winery.
Deanna Starr, who started the 4,000-case Hopland winery with her husband Ted in 2001, said she first learned the importance of catchy labels when she created Recall Red in 2003, a "tribute to the crazy gubernatorial recall election in California". "That taught me the power of a label," Starr said. "We had calls from all over the country on that." But when Starr sought to trademark the label, her attorney found that Horwath owned the rights to the name. Starr made contact with Horwath and struck a deal to license the name from him, she said.
Soon after inking the deal, Horwath said one of his customers saw another "Big Ass" wine at a wine show. A little investigation revealed that Adler Fels, the 300,000-case winery started in 1979 by David and Ayn Coleman, was producing three wines with that name: Big Ass Cab, Big Ass Zin and Big Ass Chard. In an effort to urge the winery to stop infringing on his trademark, Horwath said he spoke to Larry Dutra, president of the Adams Beverage Group, the Westlake Village firm that purchased the winery in late 2004. Dutra explained that while Adler Fels produces the Big Ass label, the brand was actually owned by a New Jersey beverage distributor. Alder Fels makes a few of its own wine brands, such as Leaping Lizard, but specializes in making wines for other organizations, a common wine industry practice called "custom crushing." It makes Big Ass wines for Allied Beverage Group.
Dutra said this week the genesis of the Big Ass labels preceded his company's purchase of Adler Fels, and he could not comment on it. He said the company hoped to have the matter behind it soon. "It's unfortunate that we live in a litigious society where a guy who makes beer can interfere with a wine business," Dutra said. Wine label disputes are not uncommon, but it is unusual for them to end up in lawsuits, Ross said. The law is fairly clear, and usually once the facts are outlined, the winery infringing on a trademark agrees to stop, she said.
It's not too surprising that two wineries would want to use the "Big Ass" name, said British wine writer Peter May, who recently published "Marilyn Merlot and the Naked Grape," a survey of unusual wine labels. Wineries, especially new ones, are realizing they need to be creative to stand out on store shelves that are more crowded than ever, May said. Examples of clever wine labels are everywhere, May said. Fat Bastard, a French wine, has seen phenomenal growth in the United States in recent years, and is now the fourth best-selling French chardonnay in the United States, May said. Goats Do Roam, a South African wine that plays off of the French wine region Cotes du Rhone, has seen equally rapid growth, May said.
"If you're aiming for the low to mid-price range and you want to get someone to pick up your wine, then you've got to have something fun and a bit interesting just to get people to notice it," May said. »

PS - É claro que os críticos americanos aproveitam-se - e bem! - dos nomes dos vinhos para testar a sua criatividade e fazem notas de prova com comentários delirantes, tais como: "The idea of big ass Cabernet is distinctly Californian, and frankly it's about time someone just put it on the label. If the Old World of Bordeaux is subtle and understated, like a mix of Glenn Close and Sophie Marceau, then California Cabernet generally falls somewhere between Bette Midler and Salma Hayek."

quinta-feira, novembro 16, 2006

Quinta de S. Francisco (T) 2000


Um tinto de Óbidos, uma das denominações controladas da sempre ecléctica região da Estremadura. A partir de Castelão (predominante), Tinta-Miúda e Carignan apresenta-se com cor rubi clarinha, com concentração mas de corpo mediano como é comum por estas bandas. Produzido na Companhia Agrícola do Sanguinhal (fundada nos anos vinte por Abel Pereira da Fonseca), com sede no Concelho do Bombarral e vinhas em diversos concelhos (Bombarral, Cadaval, Alenquer e Torres Vedras). Aqui (na Estremadura litoral) produzem-se vinhos com um toque gaulês, são as geadas e nevoeiros matinais.
Apresenta evidentes aromas a frutos vermelhos (lá está o Castelão!), não é aborrecido nem pesadão (bem pelo contrário), é macio com um final longo, elegante e levemente especiado derivado dos 8 meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano. Com 12,5%, e uma acidez fantástica, é ideal para acompanhar pratos ligeiros como legumes confeccionados, peixe, e carnes brancas. A capacidade de envelhecer com imensa dignidade é outra mais-valia deste néctar.
Bom (16). A menos de € 10.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Os vinhos do Douro: algumas questões


A prova comparativa dos tintos do Douro que consta na última edição da RV leva-me a escrever algumas linhas sobre os meus problemas quando compro Douro. Os problemas, como começa a ser evidente, não lidam com a qualidade dos vinhos, essa geralmente muito alta.
Uma primeira questão é o preço dos vinhos de gama média e alta. Como resulta do comparativo da RV, a maioria dos vinhos provados situa-se num estádio de € 30 para cima. Abaixo dos € 20 são apenas três ou quatro excepções com destaque para o Vértice (T) 2003 e o Evel Grande Escolha (T) 2003. Aliás, ainda em relação ao preço indicado pela revista (pelos produtores?), cumpre-me dizer que em muitos casos é quase impossível encontrá-los a esse valor nas garrafeiras especializadas - estou a pensar no Passadouro Reserva (T) 2004 ou no Pintas (T) 2004, ambos sujeitos a muita especulação.
Por outro lado, é interessante notar que o preço de certas marcas raramente desce, mesmo quando a procura ou a qualidade da colheita é menor num determinado momento. Vinhos como os da Quinta do Crasto e da Quinta do Portal, entre outros, não baixam de uma fasquia que chega a ser, por vezes, acima dos € 60. Ora, os preços dos vinhos do Douros já são hoje o principal óbice à sua compra, mesmo considerando os elevados custos de produção na região. Comparados com algumas estrelas estrangeiras (basta olhar para Espanha...) os preços dos vinhos do Douro estão num disparate! E não é coisa apenas dos tintos (salvem-se os Porto vintages!). Mas existem, apesar de não serem baratos, ainda boas compras: o Quinta do Infantado Reserva (T) 2003 e Gouvyas VV (T) 2004, o Esmero (T) 2004, o Quanta Terra (T) 2004, a Quinta dos 4 Ventos (T) 2004, o Talentvs (T) 2004 (que belo vinho!), o já referido Vértice (T) 2003. Acrescem alguns "neo-clássicos" como o Quinta de la Rosa Reserva (T) 2004 e o Evel Grande Escolha (T) 2003 que teimam em não elevar o preço - e ainda bem, muito obrigado!
Por fim, é difícil encontrar à venda nas garrafeiras de Lisboa, quanto mais noutros locais de venda, alguns dos vinhos provados. Marcas como Quanta Terra, Esmero, Poeira, Touriga-Chã não se encontram facilmente por aqui. Bem compreendo que se tratem de vinhos de quinta, com pequenas produções e, por isso, a sua oferta seja limitada. Mas, como tive oportunidade de dizer a alguns produtores durante o “Encontro com o vinho 2006”, é preciso dinamizar a colocação dos produtos no mercado. É que se os distribuidores tradicionais não fazem um bom trabalho então arranjem-se novos distribuidores. O que é difícil de suportar é que um apaixonado pelo vinho, um mero "alguém" com dinheiro no bolso, mesmo um curioso turista, um alcoólico até, não possa - com facilidade e conforto - adquirir os vinhos que deseja. Do Douro, ora bem!
À nossa saúde.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Passadouro (T) 1995


Segundo a cor e a boa disposição que mantém no copo dir-se-ia que não leva já mais de uma década de vida. Excepto as normais partículas de depósito, a cor mantém-se carregada em valentes tons de rubis escuros. Na boca sim, são mais evidentes os sinais do tempo, a fruta está lá mas a prova a "meio-de-boca" oscila entre o doce e a acidez. Sente-se bem a madeira, não agressiva, com notas a couro e a tabaco. A harmonia está bem conseguida! O final é longo e muito elegante, perdendo apenas alguma exuberância e intensidade aromáticas. O seu apogeu já passou, mas quem tiver uma garrafa esquecida pode depositar confiança e abri-la, pois ainda "está para as curvas". Tomara eu envelhecer assim...
Bom + (16,5). O preço é uma incógnita dados os 11 anos que leva, mas deve variar entre € 10 a €20 dependendo da especulação.

PS – É curioso como o rótulo do Passadouro tem-se mantido actual após uma década, recorrendo a alusões de diferentes animais. Noto apenas uma diferença: neste tinto de 1995 o rótulo lembra que o vinho começou por ser engarrafado pela Niepoort.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo Reserva (T) 2003


É uma quinta especial. Linda de morrer e mesmo defronte da Quinta do Crasto. Tivemos a sorte – se bem que um hotel está à disposição de todos – de por lá pernoitar (ver post aqui para o relato do fim-de-semana). Passados seis meses da pernoita saiu para o mercado este Reserva de 2003. Passados outros tantos meses foi tempo de provar o vinho.
A cor é rubi escura, sem laivos de opacidade. No nariz é um Douro de verdade, rústico mas com fruta quanto baste. Na boca mantém o estilo rústico, apesar de algumas notas florais (outras vezes jurei notar referências a cogumelos). A madeira podia estar mais elegante (e menos marcada), existe muito álcool à mistura (14,5º). O final é balsâmico e o estilo é tradicional. Um vinho interessante – mas esperava-se melhor... – que teima em lembrar que nem todos os vinhos do Douro são iguais. Ainda bem.
Bom (16). A menos de € 20.

PS – A foto é da Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo, das vinhas, da piscina, e dos 11 quartos do seu hotel vinícola. É um turismo a não perder.

terça-feira, novembro 07, 2006

Encontro com o vinho

Passei pelo "Encontro com o vinho" no Domingo. Por isso, infelizmente, não encontrei tantos blog-amigos como esperava, tirando o João que passeou por lá os dois dias. Mas, felizmente, por ser Domingo, não encontrei multidões nem filas. Os eventos dos anos anteriores mostraram-me que o Domingo é geralmente o dia mais calmo, apesar das melhores provas ditas especiais serem realizadas ao Sábado.
Como não gosto muito de cuspir – ou, por outra, gosto bastante de tragar – tive que limitar as minhas escolhas. Nesta edição de 2006, abdiquei praticamente do Alentejo (fiz apenas uma visita ao stand do Francisco Nunes Garcia), das Terras do Sado (mas fiz questão de provar o tinto “Anima L4”), e mesmo da Estremadura (com a excepção do Reserva 2003 da Quinta do Monte d’Oiro, que está soberbo).
Dediquei-me, assim, quase em exclusivo, ao Douro, ou melhor ao Douro 2004. Como é mister, não posso referenciar todos os vinhos provados, muito menos descrever o prazer (quase sempre) e o desprazer (muito raramente) que os néctares proporcionaram. Contudo, por ordem muito pouco hierarquizada, mas usando o sistema de patamares (ranks), aqui fica o que de melhor foi provado do Douro:
  • Charme (T) 2004, Batuta (T) 2004
  • Abandonado (T) 2004, Passadouro Reserva (T) 2004, Quinta da Touriga Chã (T) 2004, Sirga (T) 2004, Talentus (T) 2004
  • Vallado Reserva (T) 2004, Vale Meão (T) 2004, Gouvyas Vinhas Velhas (T) 2004
  • Esmero (T) 2004, Casa Amarela Reserva (T) 2004

PS - Este post foi escrito sem o autor ter lido a prova geral dos tintos do Douro publicada na última Revista dos Vinhos.

PS2 - Nos brancos, o destaque vai para dois óbvios, o "Redoma Reserva (B) 2005" e o "Gouvyas Reserva (B) 2004".