domingo, setembro 24, 2006

Dicas de restauração:

  • "Enoteca de Cascais" - Esta é uma dica para aqueles, como nós, que são amantes do bom vinho. Ocupa um rés-do-chão e primeiro andar, estreitos, a pouco mais de 250 metros da bonita baía de Cascais. Decoração moderna e quente, com predomínio para as estantes de madeira escura onde se encontram centenas de garrafas. A selecção de vinhos é boa - mas podia ser maior (onde estão os vinhos estrangeiros?), tendo em conta tratar-se de uma enoteca -, e o aconselhamento é simpático e eficiente. Os pratinhos e acepipes são pequenos mas apetitosos e escolhem-se em menus de quatro ou mais variedades. A menos de € 40 por pessoa (vinhos incluídos).

  • "Café 3" - Fica na cave do conjunto de edifícios conhecido por Fórum Tivoli, em plena Avenida da Liberdade em Lisboa. Ao almoço é ocupado por jovens executivos de gravata, à noite por casais e grupos antes de uma saída para la movida. Pratos a preços acessíveis e uma cozinha que pretende ser inovadora conseguindo, sobretudo nas massas, boas combinações. A lista de vinhos é muito curta, mas conseguem-se algumas surpresas positivas conversando com o gerente Miguel van Uden. Foi o que me aconteceu com um Comenda Grande (T) 2004, um vinho jovem do Alentejo, barato mas bem feito. A menos de € 20 por pessoa (vinho incluído).

terça-feira, setembro 19, 2006

Vinhos a menos de € 5

São muitos os leitores que nos pedem referências de vinhos com preço inferior a € 5. Este é um segmento muito importante para os consumidores e produtores portugueses. Aqueles porque bebem vinho regularmente e o dinheiro não estica. Estes porque sem vendas em grande escala é difícil manter-se em actividade. Mas é um segmento onde a decisão do que comprar não é fácil. Se é verdade que hoje existem bons vinhos abaixo daquele preço, também é verdade que é nessa gama onde vinhos menos interessantes se multiplicam.
A pedido de alguns leitores, aproveitamos o catálogo da feira dos vinhos do “Carrefour” para deixar dez referências. Todas a menos de € 5.

Tintos:

  • Terras do Pó (T) 2005 (ver opinião aqui)
  • Rapariga da Quinta (T) 2004
  • Evel (T) 2003
  • Quinta dos Aciprestes (T) 2003
  • Sá de Baixo (T) 2003

Brancos:

  • Quinta de Azevedo (B) 2005
  • Catarina (B) 2005
  • Caves Velhas Arinto (B) 2004
  • DFJ Alvarinho & Chardonnay (B) 2004
  • Quinta do Cidrô Reserva Chardonnay (B) 2003 (ver opinião aqui)

quarta-feira, setembro 13, 2006

Quinta do Vale da Raposa Grande Escolha (T) 2000


O produtor Alves de Sousa já me deu grandes motivos de prazer. Os seus "Quinta da Gaivosa" (hum... o de 2000) foram responsáveis por momentos fantásticos que guardo bem presentes. Porém, os da "Quinta do Vale da Raposa" sempre me pareceram demasiado terrosos, por vezes mesmo acres. Foi o aconteceu com este tinto Grande Escolha de 2000.
Na cor demostra sinais, evidentes, de evolução, um tom cereja com laivos de tijolo. O nariz está bem, potente com elegância, mas uma suave percepção áspera vai avisando "ao que vínhamos". É que a boca está muito presa, alguma fruta mas escondida por um travo a terra húmida que não consigo apreciar. Notas herbáceas em quantidade exagerada. Pode ter sido problema da garrafa. Poucas palavras para o final, posto que era longo, mas a mim só alongava a decepção.
S/n
PS - Tenho pena não ter gostado do vinho. Tenho uma óptima impressão do produtor (e do filho Tiago) e dos seus vinhos. Bom... com a excepção deste! Estou em crer, todavia, que tenho de dar uma outra oportunidade, pois adorei o Quinta da Gaivosa. Assim, irei provar uma outra garrafa e, por isso, não atribuo, para já, nota.

domingo, setembro 10, 2006

Mouton Cadet (T) 2002


Um best seller absoluto. Pelo menos no que toca a Bordéus. A partir de Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, é um registo que se tem mantido, ainda que com actualizações, ao longo de anos.
Cor vermelha, com notas de evolução a turvar a tonalidade brilhante. No nariz é muito certinho, suave, um aroma muito agradável a frutas vermelhas frescas. Já na boca decepciona (é o problema quando o aroma é tão agradável que não o esquecemos), alguma framboesa e notas tostadas. Final elegante mas demasiado curto.
A menos de € 8, é um vinho que não deixa ninguém ficar mal. O aroma chega mesmo a cativar, mas a verdade é que existem produtos nacionais mais baratos e melhores.
Suficiente + (14).

sexta-feira, setembro 08, 2006

Ermelinda Freitas Touriga Nacional (T) 2003


Falou-se muito naquele jantar, e em grande parte sobre (o) trabalho. Já não nos basta trabalhar... Talvez o devaneio tenha sido provocado pelo vinho, quente e acolhedor, um Touriga Nacional da casa Ermelinda Freitas, colhido em 2003.
A cor era de cereja escura, sem sinais de opacidade. O aroma mostrou-se pujante, jovem e destemido, com muita fruta (que "terroir" este das Terras do Sado!) a dominar um conjunto sedutor. Na boca entra macio, mas não demora muito a vir, de novo, o nervo. Fruta madura, com "patine", doce, notas florais encobertas com uma certa força bruta, madeira integrada. Nem no final – persistente por sinal – nos desapontou.
Belo vinho, concentrado e robusto, directo, sem tiques diletantes. A menos de €10, se este vinho não for um sucesso de vendas, é como os Xutos cantam, o mundo está ao contrário!
Bom + (16,5).

terça-feira, setembro 05, 2006

Jolie? Very.

Será apenas impressão minha, ou a capa da última Revista de Vinhos (n.º 201) - agora com menor mancha gráfica - está muito bonita?

segunda-feira, setembro 04, 2006

A tia de Jamie Oliver

Já repararam que o chefe britânico Jamie Oliver, no seu famoso programa de televisão (entre nós no canal SIC Mulher), tem uma garrafa de "Tia Maria" na cozinha? Está logo na primeira prateleira do lado direito.

Dica do mês:

Herdade da Comporta (B) 2005 – Muito fresco, aromático, notas florais em abundância (certamente do Arinto). No lote entra ainda Antão Vaz, mas o resultado final revela maior acidez do que a maioria dos brancos alentejanos. Ou seja, é um alentejano do litoral, nem mais! Antes do fim do Verão, fica aqui a indicação de mais um branco com boa relação preço/qualidade. A menos de € 6.

Varandas de Monção (B) 2005

Chegádos a Vila do Bispo, fomos obrigados a comer uns percebes para fazer tempo. Uma hora depois, mal abriu o Café Correia, então fomos nós! Ainda com a lembrança nos percebes, mas já com um tacho de arroz de camarão pela frente, continuámos no vinho verde. Qual? Pois bem, o "Varandas de Monção". É com este verde que a sociedade "Provam" e Anselmo Mendes pretendem destronar os best sellers da região. Estilo clássico feito a partir de Alvarinho e Trajadura, um verde de Verão, mas com mais porte e menos “agulha” que o mítico Muralhas.

Suficiente + (14,5) A menos de € 6.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Herdade do Peso Reserva (T) 2003


Provado no restaurante "Veneza", em Paderne, perdido no interior do concelho de Albufeira. Este Veneza tem uma particularidade curiosa, posto que é garrafeira (com mais de 1500 propostas entre vinhos nacionais e estrangeiros) enquanto serve manjares tradicionais algarvios e de influência alentejana. Tem, está bem de ver, uma enorme selecção de vinhos!
Mas, voltando ao vinho... provou-se a "porta estandarte" da Sogrape no Alentejo, produzido numa herdade colada à Cortes de Cima (na Vidigueira, portanto). No copo, cereja escura. Nariz interessante, forte, vivo, trata-se de um vinho jovem sem qualquer dúvida! Na boca é todo Aragonês, embora partilhe a sua composição com Alfrocheiro e Alicante (que mal se notam). Ameixa preta, madeira presente, breves notas florais. Final gostoso, jovem, mas esperava-se outra persistência. Um vinho muito alentejano, a acompanhar com interesse as próximas colheitas.
Bom + (17). A menos de € 25.

PS - O clube de vinhos wine.pt propõe este Peso Reserva (T) 2003 na sua escolha mensal de Agosto por € 23,50.

domingo, agosto 27, 2006

Mauro (T) 2000


Opaco no copo, mas não preto. Cor cereja escura muito bonita... evolução é algo que não nos passa pela cabeça quando miramos este vino de mesa. No nariz é um deleite, fruta madura esmagada (mas não doce) e muita especiaria. Na boca é fresco, com grande cumprimento, muito redondo e taninos macios. Lembra-nos o "Alion" que bebemos faz pouco (ver prova Alion 1995 aqui), e não lhe fica muito atrás. Retronasal profundo, balsâmico e muito sedutor. Final médio mas muito saboroso.
Num ano de muita chuva em Ribera del Duero, sobretudo na Primavera, o mago Mariano García (sob a capa mais versátil de "Castilla León") consegue oferecer com este Mauro mais um grande vinho, com a fórmula já célebre de tempranillo (na maioria), syrah e umas "pingas" de garnacha.
Tudo isto à mesa de um belo restaurante, e por menos de € 30.
Bom ++ (17,5)

terça-feira, agosto 22, 2006

Vinhos entre críticos e "treinadores de bancada"


É sabido que uma das características mais interessantes nos "enoblogs" é o carácter pessoal dos relatos escritos sobre as provas dos vinhos. Ao invés das criticas especializadas das revistas sobre vinhos, os blogs são mais intimistas e, não raras vezes, surgem discrepâncias entre o gosto do crítico provador e a apreciação do blogger enófilo. Mas atenção, a opinião que conta é, sem dúvida, a da imprensa especializada, é essa que faz e desfaz preços (e assim se deve manter), é essa imprensa que todos os meses tem de provar dezenas/centenas de vinhos, é essa imprensa que tem os melhores provadores nacionais como redactores.
Em todo o caso, um bom exemplo da saudável discórdia que se vem escrevendo pode ser encontrado na comparação entre as pontuações atribuídas pela Revista de Vinhos (RV) na edição n.º 194 (Janeiro, 2006, pp. 62 e ss) e as nossas notas publicadas neste blog. O objecto de estudo: "Brancos com madeira".
Ora, no top da RV não existem discrepâncias com a minha opinião – tanto o "Conde de Ervideira 2004", como o "JPR Antão Vaz 2004" (nossa prova aqui), passando pelo "Cova da Ursa" da mesma colheita (nossa prova aqui), são todos vinhos que merecem o meu total, e sincero, aplauso.
As diferenças surgem, todavia, no ponto extremo, exactamente nos vinhos com menores pontuações: é que considero o "Gouvyas Reserva 2003" (nossa prova aqui) um dos melhores brancos do mercado e, no entanto, a RV atribuiu 15 pontos e coloca-o atrás de brancos que (já os tendo provado também) não merecem, em nossa opinião, esse feito. O mesmo se diga dos 14,5 pontos oferecidos ao "Castello d’ Alba Vinhas Velhas 2004", um dos vinhos que mais me cativou em provas recentes. Outra diferença: a acidez que tanto apreciei no "Herdade do Meio 2004" (nossa prova aqui) é considerada agressiva pela RV e, talvez por isso, "catrapum"... meros 13,5 pontos.
Ao longos de mais de dez anos que sigo as pontuações da RV, e aconselho todos a fazer o mesmo! Mas, por vezes, as nossas provas (com ou sem rótulo à vista) dizem-nos coisas diferentes. O que fazer?
O consumidor que decida!

domingo, agosto 20, 2006

Redoma, Crasto, Chocapalha - Trio de Tintos

Tantas foram as vezes que escrevi sobre apenas um vinho dito “normal”, em alguns casos, já de si muito bom... bem, hoje escrevo sobre três belos vinhos. São vinhos que, pelo cuidado na elaboração, pela qualidade da matéria prima e do saber enológico que demostram, e até pelo preço que exibem, pouco têm de normal. Vejamos então mais de perto este trio de tintos:
  • Redoma (T) 2001 – O único decantado pois verifiquei a existência de forte resíduo. O que mais me agradou neste vinho foi, sem dúvida, a sua elegância. Tem um porte aristocrático, verdadeiramente cheio mas sempre elegante. Contido no nariz, reduzido, aromático e especiado contudo. Na boca é fino, estruturado, e muitíssimo equilibrado – é difícil notar as castas, apontar a madeira ou acusar a mão do enólogo. Taninos potentes (a boca não tardou a ficar seca!) mas não agrestes. Um belo vinho, seguro e fino, para muitas (mas selectas) ocasiões. Bom ++ (17,5).
  • Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas (T) 2002 – Paira álcool mal o colocamos no copo, mas é um álcool guloso. Imediatamente depois, surge um perfil sedutor de grande categoria. Na boca, solta-se os apontamentos a bergamota, flores (um carácter floral intenso, mas não enjoativo), e um fundo mineral que parece não ter fim. No final de boca – que grande final (pensei em contar os segundos, seriam certamente pelo menos uma dezena)! – arrebata novamente a sensação a álcool, desta feita acompanhada de canela e sensações lácteas, doces e quentes, misturadas com fumo (quem sabe se um açúcar queimado em leite creme). Enfim, tudo demonstração de frescura e vitalidade. Grande vinho, o mais sedutor dos três, mesmo em ano difícil. Bom ++ (18).
  • Chocapalha (T) 2003 – Não é a primeira vez que escrevemos sobre os vinhos desta quinta próxima de Alenquer. Na verdade, provámos, e o que provámos relatámos, o "Quinta da Chocapalha (T) 2003" (ver link), o vinho de entrada na gama desta quinta. Pois bem, tudo aquilo que admirámos no "Quinta da Chocapalha" também encontramos neste topo de gama. Reside aqui, aliás, um dos poucos óbices que encontrámos neste Chocapalha. É que, a nosso ver, ambos os vinhos são muito similares, ficando o "Chocapalha" a dever pouco mais ao seu "irmão mais novo", mas sendo bem mais dispendioso. Nas notas de prova, mostrou cor negrita profunda não opaca. No nariz foi a vez das referências a chocolate branco, baunilha da madeira, enfim, tudo um pouco adocicado. Aqui não há vegetal, apenas bagas vermelhas e um toque floral (gerânio, pareceu-nos). Mais dissimuladas, aparecem notas a cacau, madeira de qualidade, fruta (mais fresca do que no “irmão mais novo”) e algum dado químico à mistura num palato que enche bem a boca. Final agradável, médio/longo, tudo muito próximo do estilo "novo mundo". Bom + (17).

quinta-feira, agosto 17, 2006

Legaris Crianza (T) 2001


Já depois de muita gente se ter apercebido da qualidade dos vinhos "del Duero", foi tempo de alguns grandes grupos bodegueros aí se instalarem. Foi o que sucedeu com o grupo Cordorniú, que criou em 2000, de raiz, a bonita e moderna bodega Legaris, a poucos quilómetros entre Peñafiel e Pesquera. A garrafa aberta foi comprada na própria bodega, depois de uma simpática visita às instalações seguida de "catas" (provas).
Uma vez que parte das vinhas só foram plantadas em 2000, a colheita de 2001 só foi conseguida com recurso a uvas de outros produtores. Ora, segundo o conhecido crítico espanhol José Peñín, as colheitas de 2002 e 2003 estão bem melhores.
A cor não impressiona, tons de cereja escura. O bouquet sim, é poderoso, sedutor e confitado. Notas de madeira muito agradáveis num nariz que promete, embora falte a fruta madura e delicadeza que procurávamos. Na boca, confirma-se o carácter para já indeciso do vinho, e o equilíbrio entre a madeira e a fruto ainda não é o melhor. Por outo lado, falta-lhe também corpo e estrutura, e o final é médio/curto.
Um projecto que promete bons dias, mas que, na colheita de 2001, ainda não logrou brilhar.
Suficiente + (14,5). A menos de € 15 na bodega.

quarta-feira, agosto 16, 2006

(Mais) Revisitações:



  • Adega de Pegões Colheita Seleccionada (T) 2001 - Após uma prova (já em 2006) que desagradou - excesso de evolução, ou "coisa que o valha" - não descansei até o provar novamente. É que se tratava de um dos meus predilectos, no que respeita às "Terras do Sado". Abriu-se a garrafa e ... afinal tudo voltou a ser como eu esperava: um vinho ainda quente, seguro, com estrutura, taninos absolutamente macios e ainda muita fruta. O que se pode pedir mais? Adivinha-se o seu definar, por isso toca a beber até 2008. Bom + (16,5).

terça-feira, agosto 08, 2006

Revisitações:

  • Quinta dos Carvalhais Encruzado (B) 2003 - Foi decantado e novamente introduzido na garrafa. Mantém-se muito interessante (ver prova anterior aqui), um branco de referência. O primeiro impacto olfactivo é de calda de ananás, está mais doce do que a prova anterior. Só depois surge o toque mineral que aguardávamos. Mantém-se fresco, mas o nível de acidez da prova anterior é coisa quase do passado, por isso não hesite em bebê-lo já, ou durante 2007. Bom (16).
  • Quinta do Infantado (T) 2002 - Vinho bom de um ano mau... Continua a mostrar uma bonita cor e mantém-se fácil de beber (ver referência anterior aqui): tem complexidade, não sendo hesitante nem tímido. Notas a bagas vermelhas e alguma especiaria no final (merecia, aliás, um final mais longo e incisivo). Na minha opinião, ainda pode evoluir favoravelmente mais um ou dois anos. Bom - (15,5)
  • Adega de Pegões Trincadeira (T) 2004 - Este tinto ainda está "para durar" mais uns 3-5 anos, mas já se encontra pronto a beber (ver sugestão anterior aqui). Apesar de ser monocasta, a Trincadeira está "marcada" pelo terroir das "Terras do Sado". É um vinho jovem, quente, com singelas notas florais e a fruta vermelha. A madeira continua demasiado evidente. Bom - (15)

segunda-feira, agosto 07, 2006

Post Scriptum (T) 2004


Não constitui novidade que se trata do "baby-Chryseia". Ora, é de boas uvas - já se sabe - que se fazem bons vinhos. E este PS de 2004 está bastante bom! Aliás, quanto mais provo vinhos de 2004, maiores são as expectativas para os topos de gama da colheita.
Cor bonita, ainda rubi-lilás, e logo um nariz poderoso, amaciado pela madeira, coloca-nos de sentido.
Na boca, surgem as imediatas referências a geleia de morango, e alguma cereja. Mas depois, depois vem a madeira, a resina e o carvalho, mas tudo ainda muito novo e nada integrado.
Todavia é o final, ainda que de média intensidade e menos evoluído e elegante, que nos faz lembrar do irmão mais velho... é aquele final láctico com notas de baunilha e chucutre que, paulatinamente, se transforma num "bom-bom" (de chocolate de leite com recheio de licor), muito guloso! Por este preço, melhor é quase impossível.
A menos de € 13. Bom + (16,5).

Dicas de restauração:

  • Casa da Dízima - Edifício antigo, mas restaurado, mesmo à entrada de Paço de Arços (para quem vem de Lisboa). Provou-se, entre outros, a salada de coelho (este desfiado, um pouco mais de vinagre tinha sido o ideal), o medalhão de vitela com molho de trufas acompanhado de risotto de pleurotes e trouxa de legumes e as codornizes recheadas de alheira de Mirandela. Tudo muito bom. Também boa a carta de vinhos, bons copos e temperaturas adequadas, aliás todo o serviço de vinhos é óptimo graças ao escanção da casa. Bebeu-se Meandro (T) 2003: muito bom, só falta mais presença e corpo, tem muitos taninos, boa fruta fresca, e alguma moka no final; e Molino Real 2003: muito refrescante, ananás, banana, melão... A menos de € 50 por pessoa (com vinho).
  • O Migas - No centro histórico de Sines. Já jantei n’ "O Migas" dezenas vezes, e sempre muito bem. Não se pode dizer melhor de um restaurante, pois não..? Maçã com farinheira de entrada e depois galinhola em cama de patés (por encomenda). Divinal! Bebeu-se um Lagoalva (T) Syrah 2000: no ponto óptimo de consumo, penetrante com notas de enxofre de início, depois foi seco com notas de chá, tabaco e cacau, final interminável. Óptima relação preço/qualidade, mesmo nos vinhos. A menos de € 25 por pessoa (com vinho).

sexta-feira, agosto 04, 2006

Coisas do Arco do Vinho


Procurava dois vinhos brancos. A saber, "Três Bagos Sauvignon" e "Muros Antigos Loureiro", ambos de 2005. Procurava-os mesmo!
Na verdade, tenho vários brancos em casa para ir bebendo. Também conheço outros vinhos brancos que não tenho, apenas por que não os quero. Mas aqueles dois... queria mesmo comprar, e de imediato.
Sucede, que não estava a ser fácil a tarefa de encontrá-los nos sítios mais vulgares. Bem sei que não são raridades, mas a verdade é que os supermercados, "hipers", e mesmo algumas garrafeiras perto de casa não conseguiam satisfazer o meu capricho.
Mas esta história tem um final feliz. Andava afinal burro, eu! Fui, finalmente, a uma das minhas garrafeiras predilectas, talvez a primeira garrafeira onde comprei vinho em Lisboa, e lá estavam as garrafas a olhar para mim, e a preços muito simpáticos! Pedi umas tantas botelhas e diz-me, de forma convincente, um dos sócios:
- "Isto tem tido muita procura, sabe."
Claro que sei... e se eu os procurei! Que parvo fui em não ter ido "in the first place" àquela garrafeirra. Logo eu, depois do que já passámos juntos.
É por isto que nos devemos lembrar que certas garrafeiras merecem a nossa confiança total. É que têm aquilo que queremos. Ao Francisco Barão da Cunha, e ao José Azevedo, asseguro lembrar-me (ainda) mais vezes.

domingo, julho 30, 2006

Brancos para vários gostos:

Em pleno Verão apetece vinho branco. Em Portugal, todavia, já temos brancos para todos os gostos. Bons, maus, leves e frescos, pesados e aborrecidos, pesados mas agradáveis com determinada refeição. Enfim, já temos de tudo. Prova disso são os 4 vinho que sugiro, todos diferentes...
  • Deu la Deu Alvarinho (B) 2005
    Distante do "Estilo Soalheiro", mas, como vem sendo regra, um bom vinho branco na linha do "Alvarinho clássico". Cor amarela clarinha esbatida e turvada pela “agulha” forte (muita efervescência). Na boca é um daqueles Alvarinhos que não nos faz esquecer que é verde: erupção abrupta de notas citrinas e tropicais, tudo muito fresco num conjunto leve, como se a fruta tivesse acabado de sair do frio. Final curto. Bom – (15).
  • Luís Pato Vinha Formal (B) 2003
    Provado a 15º de temperatura na companhia da Filipa Pato. Segundo a enóloga (e filha do produtor Luís Pato), talvez esteja no seu melhor ponto de consumo. Cor impressionante, quase âmbar (próximo da cor de muitos colheita tardia), é um néctar difícil: doce no primeiro ataque à boca, depois mineral suave até um final longo, mas indefinido. A repetir a prova para tirar dúvidas. Bom – (15).
  • Herdade do Meio (B) 2004
    Enorme frescura e refrescante acidez! Olhámos uma segunda vez para o rótulo, pois imaginámos ter feito confusão. Mas não... é um branco alentejano cheio de frescura. Mais, é feito de Antão Vaz! Demonstração cabal que uma região pode ter vários registos, desde que os enólogos saibam "trabalhar" o vinho. Muito intressante, e com forte componente aromática. Suficiente + (14,5).
  • Lugar D’arei (B) 2004
    Pouco exuberante no aroma e na boca, é do tipo reduzido e tímido (mas sem razões para isso). É que demostra bom porte, corpo elegante e robusto, apesar da falta da componente aromática. Ideal para acompanhar peixe assado. Suficiente + (14).

Rosa Choc



Na edição n.º 200 (Julho) da Revista de Vinhos (RV), surge-nos um comparativo de rosés. Também a edição n.º 3 (Julho) da Blue Wine (BW) tinha uma prova semelhante. Sucede que, apesar de alguns vinhos serem os mesmos em ambas as provas, o consenso entre as duas revistas voltou a não existir. Por mim, óptimo – é destas divergências que os enófilos estão à espera. É que, perante a discórdia, resta beber para tirar as dúvidas!
Ora, eu já tinha tido a oportunidade de provar uma parte dos vinhos seleccionados por ambas as revistas, e deixem-me dizer-vos a que conclusão cheguei: a melhor pontuação da RV foi para vinhos que, entre outras características, demostravam algum açúcar residual; ao invés, já para a BW os melhores vinhos foram os mais refrescantes.
A minha selecção é, obviamente, de âmbito pessoal, mas, à posteriori, não consigo deixar de notar que é mais próxima da selecção da BW, ou seja, por outras palavras, mais próxima dos rosés feitos no Douro. Aqui fica:
  • Portal (R) 2005: Muito equilibrado e sedutor. Um rosé para várias ocasiões. Bom – (15)
  • Vale da Raposa (R) 2005: Feito de touriga nacional, e não resulta de sangria. O mais complexo do grupo. Suficiente + (14)
  • Quinta da Alorna (R) 2005: Está bem feito, todo do tipo "certinho". Suficiente (13)
  • Lugar de Arei (R) 2005: Falta-lhe garra, mas tem elegência. Bom final de boca. Suficiente (12,5)
  • Monte da Peceguina (R) 2005: Cor escura. Excesso de açúcar, groselha autêntica. Suficiente (12)

Parabéns Revista de Vinhos

Chegou finalmente a edição n.º 200 da Revista de Vinhos (RV). Em preparação durante vários meses, chegou às bancas com duzentas páginas e algumas "características especiais" (Luís Ramos Lopes dixit).
Com tanta preparação, parece-me que esta edição não é assim tão marcante quanto eu antecipava, e as tais "características" resumem-se a um caderno destacável (com um título, aliás, de gosto discutível), e algumas listagens de vinhos, de restaurantes, de acessórios gourmet, etc, enfim uma espécie de best of da RV. Por mim, como gosto e sigo a RV faz anos, tudo bem! Sou daquele tipo de público fiel: não me surpreendo facilmente com cadernos e afins, mas também não é por isso que abdico de comprar e ler a RV.
O mais importante é deixar bem claro a importância deste projecto: desde 1989, uma revista especializada de sucesso que fez e faz mais pelos vinhos portugueses (e não só) do que qualquer acção governamental, institucional ou promocional ("relatório Porter" incluído).
Aliás, eu não comecei a beber vinho por causa da RV, mas se não fosse esta revista talvez não estivesse aqui a escrever este blog. Obrigado, portanto.

sábado, julho 22, 2006

Loridos Alvarinho (B) 2005



O primeiro Alvarinho que provei produzido fora da região de vinhos verdes foi com José Neiva da DFJ. Na altura (já lá vão uns aninhos), José Neiva tentava convencer das virtudes desta casta quando plantada no Ribatejo. Também me lembro do vinho ter um estilo bastante próximo dos Alvarinhos do Minho, mas com menor intensidade aromática.
Já este Loridos Alvarinho, da Estremadura pertinho do Bombarral, é bem diferente… parece mesmo não querer imitar os seus irmãos nortenhos. Ao invés, o Alvarinho desta quinta – durante muitos anos apenas vocacionada para a produção de espumantes – tem um estilo próprio, naturalmente mais gordo e redondo do que os refrescantes verdes minhotos.
Na cor é amarelo citrino, forte e muito brilhante (é raro um minhoto ter uma cor tão carregada!). O nariz é exuberante e fresco, com notas a ananás e manga. Na boca é curioso, não me lembrou de início essa casta branca que tanto adoro – é mais uma prova que o terroir pode "marcar" mais um vinho do que as castas! Final médio/longo com elegância.
Um bom vinho, e com um bom preço, sobretudo vocacionado para a época estival. Mas não substitui, nem pretenderá certamente, os Alvarinhos mais verdejantes...
Abaixo de € 7. Suficiente + (14,5).

sexta-feira, julho 21, 2006

Sugestões - Dois tintos abaixo de € 10:

Para este Verão nada melhor do que dois belos tintos a bom preço. Já muito me tinham falado sobre eles, mas só ontem tive a oportunidade de os provar. Um douriense, outro da oriundo da Estremadura. Ambos de 2003, ambos muito bem feitos…

  • Quinta da Chocapalha (T) 2003: fechado na cor, ainda que viniosa com laivos roxeados - tudo indica um bom vinho. Na boca, temos concentração e estrutura, alguma fruta madura e um toque doce acompanha a prova. Um vinho surpreendentemente quente e guloso (vem da Estremadura!), muito bem desenhado pela bonita e dotada Sandra Tavares da Silva (Pintas, Vale D. Maria). Final médio/longo. Abaixo de € 8. Bom (16).
  • Castello d’ Alba Reserva (T) 2003: na cor também vinioso, purpurina com tons violáceos. No nariz é "duro", pouco friendly, com madeira mas sem qualquer exaltação, sem dúvida um douro "à moda antiga". Mais exuberante na boca, mais ainda complexo, difícil, alguma fruta absolutamente preta (ameixa) sem componente doce, notas de azeitona também. Final curto/médio. Mais um belo vinho da sociedade VDS. Abaixo de € 6. Bom – (15).

quarta-feira, julho 19, 2006

Colecção Priv. Domingos S. Franco Sauvignon (B) 2003


Em viagem, não devo ser o único enófilo a preferir beber os vinhos produzidos na região por onde vou passando. É como se tratasse de uma maneira de me encruzar melhor com a região, de vivê-la. E desta feita, em Azeitão, o bom tempo convidou a um Sauvigon Blanc da casa José Maria da Fonseca.
Rótulo aprumado com o nome e semblante do autor. No copo mostrou-se amarelo citrino claro. Nariz vegetal à casta, com notas de espargos e azeitonas verdes, tudo muito bem.
Na boca é mais fresco, quase exuberante na frescura (lima e algum alperce), muito equilibrado, quase não se nota a madeira, e com um toque mineral interessante. O final é que muito curto, sem intensidade. Como se diz por aqui "sabe a pouco"!
A menos de € 12. Suficiente + (14,5).
PS – não resisto em colocar uma foto da Serra da Arrábida, que além de belíssima, protege os milhares de hectares de vinhas de Azeitão, Palmela e restantes Terras do Sado.

terça-feira, julho 18, 2006

Dinastía Vivanco Crianza Sel. de Família (T) 2001


Ainda um resquício da viagem por "Rioja Alta" e "Duero" que fizemos no passado recente. Comprámos a botelha na loja do Museo de la cultura del vino em Briones, casa que honra a história do vinho de "La Rioja".
É um dos mais jovens vinhos desta famosa bodega, mas aquele que melhor combinava com o lombo de porco que na mesa jazia.
É um néctar a meio caminho entre o "rioja tradicional" e o "novo rioja" (desta tendência já escrevemos sobre um exemplar aqui). Mostra cor vermelha pouco viva, e revela a típica concentração diminuta da maioria dos riojas.
O nariz é comedido, mas nota-se um bom trabalho no tempranillo, sedutor e quente. Na boca é elegante q.b., a madeira é equilibrada (o que nem sempre é comum), pó-talco, com as notas de baunilha a não se sobreporem a um conjunto que prima pela fruta vermelha.
A menos de € 15. Suficiente + (14,5).

domingo, julho 16, 2006

Preta (T) 2004


Duas mesas ocupadas… a nossa, e a do anfitrião Filipe Gaivão com a respectiva família. Segundo o Filipe são assim as sextas-feiras com calorzinho, toda a gente a jantar na esplanada (olhai os mosquititos!). Nada que me importe, pois havia conversa a por em dia.
Para acompanhar a empada de perdiz (antes tinham ido já uns pitéus), fomos para mais um projecto alentejano de Estremoz, o Preta (T) 2004 – o topo de gama da recentemente constituída sociedade Fita Preta, segundo nos informam.
Confesso que já estou um pouco saturado deste "novo mundo regional alentejano". A culpa não é, obviamente, dos vinhos isoladamente considerados – muitos deles bem bons! – mas desta mania, consciente ou não, pela uniformização. Por mais que se tente, alguns dos novos vinhos do Alentejo (sobretudo de Estremoz e de Albernoa) sabem "muito ao mesmo". Mesmo quando a sua composição é inesperada, como sucedeu com este Preta: Touriga (52%) e Cabernet (48%)!
Neste caso, no copo, mostrou uma cor rubi-violeta ligeiramente concentrada. Nariz intenso, químico, com um ataque a fruta madura a lembrar (aí está, aí está…) outras provas! Na boca teve mais graciosidade, com a Touriga a dar um toque floral muito interessante. O Cabernet é que parece ter ficado para segundo plano, sobressaindo mais a madeira, num conjunto redondo e macio.
Um vinho bem feito, sem arestas (como se escreve por aí), disto não temos dúvidas – veja-se a ligeira acidez mentolada e o final médio/longo – mas, a meu ver, pouco original.
Bom (15,5).

sexta-feira, julho 14, 2006

Soalheiro (B) 2005 em noite amena de Verão


Em cada ano, não são assim tão poucas as noites amenas em Lisboa. Mas noites amenas (é que quentes são as de Sevilha!) sem qualquer indício de brisa, essas sim constituem uma raridade alfacinha. Comparada com outras cidades, vilas e aldeias de Portugal, Lisboa merece mesmo o destaque infeliz de ser uma windy city!
Ontem foi uma noite rara: sem vento nem brisa, apenas um maravilhoso calorzinho (quase quase 30º). Para quem não tem ADN sueco nem norueguês - aqueles portugueses, como o Pingus, que juram não aguentar o calor - a noite de ontem foi um verdadeiro deleite. E é nestas noites, de quando em quando, que não me esqueço de aparecer no Chafariz do Vinho para ficar na muy agradável mini-esplanada. Como também não me esqueço desse néctar dourado que me viu crescer, e através do qual comecei - em Braga, na casa dos meus avós - a beber vinho.
Foi assim a ocasião para um Soalheiro (B) 2005 - nome seguro quando se fala em Alvarinhos - que esteve, uma vez mais, irrepreensível. Aliás, não restam dúvidas que a colheita de 2005 foi muito bondosa para a maioria dos Alvarinhos.
Da cor pouco se pode falar (a penumbra da noite não o permitiu), mas em contrapartida apurou-se o nariz: elegante, banana intensa, notas doces tropical (manga), algum mineral, enfim um festim para o olfacto. Na boca, a frescura citrina revelou-se a grande nível, nomeadamente através das notas de casca de tangerina, frescura ajudada ainda pelo mineral de qualidade e, mais ténues, por referências a fumo num final médio/longo.
A acidez (bem como a "agulha") é que não me pareceu a de outros tempos, mas em noite de glória, foi coisa que pouco me perturbou.
A menos de € 10. Bom (16).

quarta-feira, julho 12, 2006

Novidades / Confirmações: 2004 & 2005

Não foram muitos aqueles que estiveram no Palácio da Bolsa no passado dia do vinho. Mas foi pena, pois surgiram algumas novidades. Em rigor, mais do que novidades foram confirmações. Boas casas apresentaram bons tintos e portos da colheita de 2004 e brancos de 2005. O que mostra qualidade e consistência. Ora, consistência na qualidade é coisa que os vinhos portugueses bem precisam. Vejamos as nossas notas:

  • La Rosa Reserve (T) 2004: É a nova imagem do "reserva" da Quinta de la Rosa. Mantém um altíssimo nível. Ainda duro, mas já é o lote final. Tudo indica que será mais uma bomba, mas com a polidez reconhecida a esta marca.
  • Quinta Vale da Raposa (T) 2004: Já mostra um registo elegante, personalizado e com boa capacidade de guarda. Enfim, as características comuns dos bons vinhos do produtor Alves de Sousa.
  • Quinta Vale da Raposa Vintage (P) 2003: É o primeiro Porto Vintage de Alves de Sousa no mercado. Não nos parece ter a força e o carácter necessários para uma guarda de longos anos, mas é já um vintage muito agradável, daqueles para consumir novos sem receio.
  • Kopke Vintage (P) 2003: Este sim é um vintage especial. Tinha curiosidade em prová-lo depois da excelente nota da "Blue Wine" (19). Ainda fechado no nariz; muito profundo e intenso na boca, mostra um complexo e inesquecível conjunto de sabores... tudo embrulhado numa força pujante. É um vintage incontornável.
  • Quinta do Noval Vintage (P) 2004: servido muito quente... ainda assim mostra as qualidades de sempre. É um vintage muitíssimo bem feito, perfeito equilíbrio. Mas merecia mais chama e agressividade. É como se a Noval tivesse uma formúla e a repetisse ano após ano. Podia ser diferente...
  • Castello d’ Alba Reserva (B) 2005: Na linha do "vinhas velhas" mas com menos battonage e madeira. A cerca de € 5 é um autêntico achado. Toca a comprar este branco neste Verão!

segunda-feira, julho 10, 2006

Monte da Cal Reserva (T) 2003


No início... muito álcool no nariz – é impossível não notar (14,5º, vejo depois)! Também algumas notas a madeira fruto do estágio de 8 meses em carvalho francês.
No copo, mostra pouca concentração, cor vermelha esbatida. Na boca é poderoso, complexo, o álcool traz-lhe uma acidez refrescante e ajuda a "sustentar" todo o conjunto.
Final de média intensidade.
É um vinho sem pretensões mas bem feito, com um vigor típico do alto do Alentejo, e que tem na harmonia com a boa-mesa a sua melhor qualidade.
A menos de € 10. Bom (15,5).

domingo, julho 09, 2006

3 vinhos no dia mais quente do ano... "so far"

Foi talvez o dia mais quente do ano nos campos em torno de Vila Viçosa. Os 39º impunham-se a todos os que se preparavam para almoçar no resguardo do alpendre. Fomos à garrafeira com o dono da casa e decidimos tudo num ápice. Primeiro um branco de Évora, depois um ribera espanhol a abrir cominho para um final com um alentejano de meia idade. O resultado... vejam:

  • Pêra Manca (B) 2002: Amarelo concentrado na cor - quase âmbar - muita evolução. Notas secas num nariz tremido. Corpo pesado, largo, muita estrutura. Na boca é gordo mas não convence: sobressaem as notas de resina, pó talco, e muita caruma. A fruta é que quase não se nota, não fosse alguma pêra no final. Falta-lhe garra, frescura. É um estilo muito próprio... mas não o meu. Suficiente (13,5).
  • Alion Reserva Tinto Fino (T) 1995: Notas de evolução na cor violeta e no corpo de mediana robustez. Algum resíduo no fundo da botelha. No nariz tudo muito intenso, bouquet vinioso, carregado, fruto preto, de início alguma resina, mas tudo muito elegante. Na boca foi uma bomba de dispersão: primeiro fruta, depois chocolate, depois moka, depois ainda notas “doce-amargas”... e azeitona preta. Taninos finos e de grande qualidade. Bom ++ (18).
  • Esporão Reserva (T) 1997: Já tínhamos apreciado o “garrafeira 1997” – mais fino, com menos evolução – mas este “reserva” não ficou muito atrás. Prova inequívoca da variável longevidade dos vinhos do Alentejo, é um néctar de nariz intenso e possante. De cor rubi muito escuro, mostra na boca surpreendentes notas florais (como se Touriga se tratasse, mas deve ser a Trincadeira), encobertas, aqui e ali, por algum tabaco e alcatrão. Excelente complexidade e final irresistível. Bom + (17).

quinta-feira, julho 06, 2006

JPR Aragonês (T) 2004


Vermelho discreto na cor, sem notas de evolução. Nariz comedido, manifesta pouca intensidade aromática. Na boca está mais fino e elegante do que as anteriores colheitas, mas menos afirmativo também. Pouca presença, boca hesitante com tendência a melhorar, fruta vermelha com notas dominantes de mirtilho e groselha, alguma caruma. Final médio.
Ficámos com a ideia que este aragonês, depois de anos de uma "relativa liderança", precisa agora de melhorar (upa upa) para acompanhar a recém chegada "concorrência". Preço em conta, a menos de € 12. Bom – (15).

Gouvyas Reserva (B) 2003


O dia (ou melhor, o final do dia) era de jogo decisivo para a nossa selecção de futebol. Na mesa, uma cataplana (pimentos, muito tomate, louro, alho e cebola, vinho branco, etc) de tamboril, fresquíssimo. Mas o que beber? Um branco de certeza! Mas, certamente, não um branco qualquer. Tirámos a garrafa do frigorífico, pouco depois saltaram os copos do armário.
Como o jogo não corria de feição, escolheu-se um branco que sabemos não nos decepcionar nunca; afinal, tínhamos que fazer um esforço (!) para "salvar" a noite.
Na cor surpreende um amarelo tão palha quanto brilhante, chega a ser difícil de acreditar – longe dos tons sombrios que o excesso de barrica pode provocar.
No nariz, curiosamente ainda fechado, é reduzido de aromas, tímido, mas com muita personalidade com notas subtis florais e mais intensas de abacaxi. Se apurarmos totalmente o olfacto ele “diz-nos” tudo o que, de seguida com o primeiro gole, iremos desfrutar. Um branco elegante, delgado mas marcante, com peso e frescura (o que não é fácil de encontrar). E que belo final! O João Roseira que me perdoe o excesso, mas é um branco perto da estampa. A menos de €17. Bom + (16,5).

terça-feira, julho 04, 2006

Herdade dos Grous (T) 2004


A cor praticamente opaca, profunda, com discretas nuances castanhas no remate do copo. Bouquet vinioso, compota, ameixa preta muito seca, bem no estilo dos vinhos desta região a sul de Beja (para mais informações sobre esta região ver aqui).
Na boca é terroso, guloso e quente, fruta muito madura misturada com chocolate negro - é sem dúvida um vinho todo no estilo moderno e linear. Porém, quando (dele) menos se espera, emerge timidamente alguma frescura proporcionado-lhe uma vitalidade sofisticada.
Tende a ser um pouco monótono e terá pouca harmonia com a boa mesa, mas é uma mimo de fruta doce, do estilo bombom. A menos de € 12. Bom (16).

segunda-feira, julho 03, 2006

Quinta dos Aciprestes Reserva (T) 2003


Depois do texto do Pingus, já se adivinhava um belo vinho...
Cor misteriosa, não totalmente opaca, bouquet sedutor logo de início. A primeira observação fazia adivinhar um vinho já pronto a beber, tudo já bem casado. Nariz transbordante, cheio de fruta preta, violetas, mas também algum chá e bergamota. Na boca é cheio, redondo, faltando-lhe apenas um pouco do corpo e peso, mas é tremendamente sedutor... um golo atrás de outro. Final médio/longo.
Mais uma grande proposta da Real Companhia Velha (que, a par do conceituado Evel GE, tem aqui um vinho de grande qualidade), e uma óptima aposta da Revista dos Vinhos que ofereceu uma garrafa deste Reserva na penúltima edição a troco de meros € 5,50. Uma bagatela!
A menos de € 12 em garrafeira. Bom + (16,5).

Que rico dia do vinho!


A viagem ao Porto, e mais concretamente ao Palácio da Bolsa, vale sempre a pena. A viagem ao Porto para beber umas pingas e usufruir de dois dedos de conversa com gente amiga... melhor é impossível.
Tanto mais que se provaram novidades, das quais darei feedback nos próximos dias, a saber: rosés e brancos de 2005 (destaque para o "Quinta d’Alba Reserva"), tintos de 2004 (entre outros, o "la Rosa Reserve", a nova designação do topo de gama da Quinta de la Rosa), e Vintages também de 2004 ("Quinta do Noval").
Na descontração, um dedo de conversa com o João Roseira (Gota & Pinga e Bago de Touriga), outro com Nuno Vaz Pires (Essência do Vinho), e muita tertúlia com o João Pedro e a Teresa da Casa de Cello (produtores dos vinhos da Quinta da Vegia).

sexta-feira, junho 30, 2006

Dia do Vinho


Este Domingo, dia 2 de Julho, é DIA DO VINHO. Não obstante o dia do vinho ser como o Natal - é quando um Homem quiser -, aí está uma data em que é obrigatório “sacar a rolha”. Eu estarei no Porto, no Palácio da Bolsa, em mais uma iniciativa da ViniPortugal e da Essência do Vinho. Se o leitor conseguir venha daí também. Em Lisboa também existem comemorações na ViniPortugal no Terreiro do Paço. Em qualquer caso, basta comemorar em casa com família e/ou amigos. Tchim tchim!

quarta-feira, junho 28, 2006

Dica do mês:

Vô Bento Reserva (T) 2003: este tinto vem directo das terras de Fernando Pó, para os lados do Poceirão, em plena região de Palmela e Terras do Sado. É o topo de gama a “Sociedade Agrícola Tí Bento”, e é produzido apenas quando a natureza permite o melhor aproveitamento de vinhas velhas castelão, ao qual é proporcionado um estágio em madeira no sossego das instalações da vizinha "Casa Ermelinda Freitas" (a meros 500m da sede da Soc. Agrícola Tí Bento). Na cor, como de resto no nariz, é um castelão puro e dos bons, madurão, com fruta exuberante e carácter macio. Na boca continua generoso, forte e persuasivo, com notas de fruta preta e alguma baunilha do carvalho. O final é curto para tanta fruta, mas é bom amigo da comida e do enófilo. Até no preço!

terça-feira, junho 27, 2006

Vale do Ancho Reserva (T) 2003


Da casa Couteiro-Mor têm saído alguns dos melhores vinhos alentejanos de tal modo que hoje, quando se fala sobre o Alentejo, surge invariavelmente Montemor ao lado de outras regiões famosas como Évora, Vidigueira ou Estremoz. O topo de gama da marca é este Vale do Ancho Reserva, cuja fama maior viria com a colheita de 2003. Experimentámos pela primeira vez este vinho no final do ano passado. Passados 6 meses foi altura de novo teste.
Em primeiro lugar importa assinalar a significativa evolução sentida logo aquando do “sacar da rolhar”. O bouquet que emergiu da garrafa não era aquele fruto maduro que nos comoveu no primeiro encontro. Agora, era um balsâmico fresco, uma certa acidez alcoólica que nos encheu de curiosidade. No copo, a cor mantinha-se retinta forte, de um vermelho granada fechado. Com a passagem de alguns minutos, e o agitar do copo, de novo surgiram as notas verdes (certamente do alicante bouschet), cogumelos, espargos, alguma ameixa. Depois, passámos para várias sensações de grafite e um toque metálico. Está muito diferente da primeira prova, onde dominaram as sensações carnudas a fruta quente.
Perto do fim, veio ainda a madeira, agora sim sente-se a harmonia entre a madeira e o aragonês (mas está escondido). Sempre no estilo complexo, rico, potente, taninos estruturados. Está muito bom, e já tão diferente um semestre passado. Pena estar mais caro.
Bom + (17). A menos € 30.

segunda-feira, junho 26, 2006

Duas confirmações

Por vezes a mera confirmação de grandes vinhos é mais útil ao enófilo do que a novidade ou a surpresa. Não se duvida que são as novidades que fazem girar o mundo comercial dos vinhos, que provocam a leitura das revistas da especialidade, bem como a realização de eventos promocionais mais ou menos eloquentes. Mas sem aqueles vinhos que são verdadeiros “porto-seguros” onde andávamos nós? O que fazer quando queremos servir um vinho com a certeza de que iremos gostar tanto quanto os nossos convidados? Afinal, o que fazer quando se quer beber e não provar?
Por isso hoje escrevo sobre dois vinhos (um branco outro tinto) que não constituindo novidades, têm muito que dizer:
  • Cova da Ursa (B) 2004: É sabido que muitos vinhos brancos portugueses têm um excesso de açúcar residual e que se tornam pouco amigos das refeições. Quando se opta por um chardonnay existe o risco adicional do vinho ser demasiado linear, aborrecido com a marca da casta excessivamente vincada. Mas nada disso sucede com este Cova da Ursa. Cristalino no copo, amarelo claro, transporta-nos pelo seu bouquet para um campo de lírios. Fino, elegante, mineral e herbáceo q.b., tem um belo final de boca com maça “golden”, nota citrina e pó de canela. É o branco português mais próximo de um “petit chablis”.
    Bom (15,5). A menos de € 12.
  • Quinta da Vegia Reserva (T) 2003: Já muito se escreveu sobre este tinto do Dão, em especial os nossos amigos na blogosfera (aqui e ali). Bastam assim breves notas: cor elegante, de um vermelho carregado com laivos azuis. Nariz fino e sedutor (todo elegância em desprimor da força bruta), notas florais, frescas, fruta de qualidade. Esta hamonia mantém na boca, seca e taninosa, com fruta discreta e chocolate distante, notas subtis a rebuçado e alguma moka. Final consistente médio/longo.
    Bom + (17) com tendência melhorar. A menos de € 25.

segunda-feira, junho 19, 2006

Presentes assim... sim!


Trouxeram-me directamente de Itália uma garrafa de Renatto Ratti Barolo (T) 2001. Para quem não gosta de chianti barato, é mais uma oportunidade de reencontrar um bom vinho italiano. Apesar de ainda não o ter provado (este é daqueles que vai dormir para a cave), é também certamente uma boa recomendação de compra dado o seu preço não especulativo (abaixo de € 40) e o facto da colheita de 2001 ter sido considerada excepcional (ou não fossem italianos, para quem todas as colheitas são excepcionais ou muito boas...).

quarta-feira, junho 14, 2006

O Lagar


Portugal pode ter menos estrelas Michelin do que outros países. É um facto. Mas por cada não-estrela Michelin, o nosso país tem centenas de restaurantes. E de tanta quantidade, já se sabe, sempre sai alguma qualidade. E é por isso que temos na restauração uma realidade peculiar, a saber: são restaurantes fora de moda, que em vez de chefe têm cozinheiro, que não mudam de gerência cada cinco anos, que não têm um (ou mais) “relações públicas”, que não investem em cadeiras Philippe Stark nem gastam dinheiro em elegante papel de parede.
Bem sei que nesta realidade que descrevi pululam restaurantes sem qualquer categoria, que juntam a uma fraca cozinha um mau serviço, e que têm uma mendinha oferta de vinhos. Mas não generalizemos! Existe uma minoria que prima pela distinção na comida, pelo atendimento afável e familiar, por vezes com uma extensa carta de vinhos fruto da paixão do proprietário pela pinga.
Ora, um dos melhores exemplos deste tipo de restaurante - que faz a partir da simplicidade e da paixão muito mais do alguns fazem a partir da mera sofisticação - é O Lagar, sito no lugar do Carvalhal. Quem vem de Lisboa pela A8 tem de sair em "Bombarral norte/Paúl", seguindo depois em direcção "Carvalhal/Santuário".
Antes de chegar ao restaurante é possível contemplar a paisagem da região, verde com as uvas brancas a partir das quais que produz o Espumante Loridos. A Quinta dos Loridos também é visível de longe (mas quem quiser pode passar mesmo à porta, se seguir outra estrada), com a renovada imagem dada por Joe Berardo e na qual se destaca um enorme jardim budista. Mais ao lado, é a produção de pêra-rocha que se faz sentir; mais distante surgem os moinhos típicos da zona Oeste.
Chegados finalmente ao Lagar, deixamo-nos nas mãos da família Louro. Nas entradas saem vitoriosas a morcela de arroz, as sardinhas de escabeche, a sopa de coelho e os ovos com cogumelos. Todos os pratos são assentes na melhor matéria prima, seja peixe (de Peniche, a poucos quilómetros de distância) ou carne (os melhores nacos vêm dos Açores). Em todo o caso, o mais sensato é perguntar por sugestões, mas adianto as minhas preferências: arroz de cabrito, perna de porco assada, jaquinzinhos com arroz de tomate, nos arrozes o de safio é delicioso. Para sobremesa, não se esqueça do "sorriso", versão da casa de fondant de chocolate acompanhado de gelado e geleia de leite condensado.
Mas o melhor ainda não chegou... falo da carta de vinhos. São centenas as referências de vinhos, incluindo toda a oferta da região, não fosse o proprietário um dos maiores coleccionadores de vinhos da Península Ibérica. Os copos e os preços são os adequados, apenas as temperaturas merecem ser revistas. Para quem já teve a sorte, como nós, de conhecer o armazém onde Luís Louro mantêm as dezenas de milhares de garrafas da sua colecção, sabe que o vinho n ' O Lagar só pode ter lugar de destaque.
Da região, prove-se então o Quinta do Sanguinhal (T) 2001, o Quinta das Cerejeiras (T) 2000, ou o Loridos Alvarinho (B) 2004 agora para o Verão. Todavia, se quiser algo mais a sério, abra os cordões à bolsa e peça um Quinta de Pancas Premium (T) 2003, vai ver que vale a pena.

sexta-feira, junho 09, 2006

O Vinho na Internet


O último número da revista da empresa VinaldaDoVinho – trás um artigo subordinado ao tema "O Vinho na Internet". Neste, dá-se o destaque aos sites institucionais promocionais e de compra de vinhos online. Mas também se aborda o mundo dos blogs, com referências elogiosas ao Copo d’ 3, ao Que tal o vinho?, e este nosso Saca a Rolha.
Clique aqui para ver a revista.

segunda-feira, junho 05, 2006

Esporão Reserva (B) 2004


Não constitui novidade que o território que rodeia Almancil está repleto de restauração de grande nível. A concorrência é feroz e faz-se sobretudo de grandes nomes (eg., São Gabriel, Vincent, Ermitage), mas também existe espaço para uma gama alta que, não almejando uma estrela Michelin, aposta forte na cozinha internacional. É nesta gama que se insere o restaurante Oceanos, localizado no sítio do Valverde, a cerca de meio quilómetro da entrada da Quinta do Lago. Ora, para acompanhar um bisque de sapateira, seguido de uma posta de pregado em cama de alho francês, com mexilhões e arroz basmati, e mais uns mimos pelo meio, veio... um Esporão Reserva (B) 2004.
Considerado o melhor vinho branco do TOP 10 ("Prova internacional") da revista Blue Wine (n.º 1), vinho afamado de uma casa com tradição e prestígio. A colheita de 2005 acaba de sair para o mercado.
A tradicional “triplicata” de castas brancas alentejanas - Roupeiro, Arinto, Antão Vaz - oferecem neste vinho uma cor dourada muito límpida; no nariz são as notas a baunilha e a pêssego que mais vincam, a madeira está sempre presente durante a prova, talvez demasiado incisiva. Cheio, gordo, na boca sobressaem notas persistentes a manteiga, algum persuasivo alperce, tudo bem equilibrado, do género corpulento.
Comparando com o Private Selection (B) 2004, este Esporão Reserva é menos doce e sedutor, com mais adstringência, o que o torna ideal para acompanhar refeições de todo o tipo. A uma temperatura de 12º é perfeito para peixes no forno, já a 14º pode acompanhar carnes leves.
Mais um belo vinho branco do Alentejo, ao qual apenas falta uma maior acidez aromática.
A menos de € 10 (€20-€25 em restaurante). Bom (15,5).

quarta-feira, maio 31, 2006

Vértice Grande Reserva Bruto 1992

Comprámos 2 garrafas em perfeitas condições no leilão organizado pela Dão & Douro. Segundo o Celso Pereira (enólogo das “Caves Transmontanas”), a marca só mantém 4 garrafas deste espumante. De resto, talvez alguns coleccionadores ainda tenham algumas botelhas.
De bolha finíssima, cor amarela palha (com laivos ora dourados ora esverdeados) e sabor intenso. De espumante típico apenas mantém alguma força inicial, mas a agulha já foi domesticada com a passar dos anos. Tudo o resto é puro deleite, é como se um belíssimo vinho branco se tratasse, mas com a finesse do gás carbónico.
No boca sentem-se notas a noz e frutos secos, tosta, alguma tangerina no longo final... tudo perfeitamente limado pelo anos de estágio em garrafa. Que glória!

segunda-feira, maio 29, 2006

Tintos até € 10


A última edição da Revista de Vinhos (RV) tem como destaque de capa uma prova comparativa entre vinhos tintos cujo preço de mercado é inferior a 10€. Apesar de não constituir uma novidade, posto que a RV já nos vem habituando a este tipo de artigo, é de salutar mais esta iniciativa, pois um comparativo deste tipo relaciona a qualidade de um vinho a um determinado preço máximo, o que facilita a vida do consumidor.
Sucede que, analisando com algum pormenor, descortino 2 questões que merecem destaque. A saber:
1 - Em primeiro lugar, constato que o preço indicado de alguns dos vinhos provados encontra-se abaixo do valor pelo qual, normalmente, se encontram à (nossa) disposição em garrafeiras ou mesmo em supermercados. Será o caso do "João Portugal Ramos Syrah 2004" indicado com o preço de € 10, ou do "Dão Álvaro de Castro" a € 8,50. Mesmo o "Ermelinda Freitas Touriga 2004" vem indicado a € 8, apesar de eu já o ter comprado à porta da Adega (à própria D. Leonor Freitas) quase a esse preço, o que pressupõe que em garrafeira o preço seja superior! E onde encontrar o "Prazo de Roriz 2003" a menos de € 10? Não é fácil garanto, no Gourmet do Centro Colombo vende-se a € 13... Ou seja, que a qualidade dos vinhos portugueses da gama “super premium” está a aumentar é algo que não discuto, aliás concordo totalmente. A prova realizada pela RV é bem ilustrativa disso mesmo, alguns dos vinhos mencionados (mas existem ausentes...) são realmente grandes compras (eg., Quinta dos Aciprestres Reserva 2003, como nos escreve o Pingus). Todavia, a publicidade que alguns desses vinhos têm tido, bem como as margens que alguns comerciantes não abdicam, fazem com que o seu preço já não se situe nessa faixa abaixo dos € 10. E importa estar, portanto, atento.
2 - Em segundo lugar, e apesar da longa lista de vinhos provados, encontrei dois ausentes de peso: o "Quinta do Infantado 2002" e o "Monte da Peceguina 2004". Em ambos os casos não compreendo a não inclusão na lista de vinhos provados. O douriense (€ 9 no ECI) é, apesar do ano difícil, um vinho com bastante complexidade, frutado e macio, enquanto o alentejano (€ 10 no ECI) é um dos vinhos mais gulosos que se pode provar na sua gama.
PS - Por fim, ainda uma curiosidade: o "Herdade do Paço Reserva 2004" passa um pouco despercebido na prova da RV, apesar da pontuação de 16 pontos; já na Blue Wine n.º 1 vinha apresentado como “recomendação/boa compra”...

segunda-feira, maio 22, 2006

A comunidade

Tenho para mim que o encontro entre blogs que escrevem sobre vinhos da passada semana revelou-se uma prova da vivacidade da “blogosfera”.
Ao contrário do que sucede um pouco por todo o "jornalismo amador e diletante", não se tratou de competição, muito menos de rivalidades. Ao contrário do que se assiste pela internet fora, não se tratou de promoção, muito menos de egocentrismos. Desta certeza ficámos todos certos, passe a redundância.
Em rigor, a boa disposição que mostramos uns para com os outros está bem longe do que se pode observar noutros sectores, mesmo no que respeita a blogs. Quem escreve sobre política (e os blogs em Portugal começaram sobretudo por serem páginas feitas por políticos ou por jornalistas de política nacional) sabe bem quanto é difícil escrever um texto sem criar reacções negativas noutros cronistas, ou encontrar (novos) inimigos. Do mesmo modo, muitas vezes quem rabisca poesia ou literatura, quem cola num site fotografias que tirou, quem descreve uma ideia de negócio etc..., procura a sua promoção (legítima, claro está).
Sucede que, ao invés, quando conheci o João Pedro, o Ricardo, o Rui, o Nuno, o Cristo, o Rui “Pingus”, só pensei: “olha-me estes tipos fantásticos... e não é que eu ando a fazer o mesmo que eles...”
O Copo de 3 mostrou um vivo sotaque alentejano (que eu já esperava!) e um estômago habituado ao melhor de Portugal e Espanha. Os Vinho a Copo mostraram uma bela união e a conjugação de vontade e conhecimentos. O Pinga no Copo revelou boa disposição e profissionalismo nas notas que ia tomando (sei que adoras o Quinta da Vegia Reserva 2003, olha, comprei uma caixa inteira no leilão).
Por isso, cabe marcar um primeiro evento de blogs sobre vinhos – algo sério, mas descontraído – para ver como esta “comunidade” evolui. Já com o João Roseira, claro, e com todos outros.
Este foi o primeiro passo. E não tenho receio de dar o segundo.

Gota e Pinga - mais um blog e dos bons...

Não sei se foram os meus elogios ao João Roseira que o levaram à reactivação do seu antigo blog. Do mesmo modo, desconheço se foi a “dinâmica” que se constata nos blogs sobre vinhos que determinou tal regresso... O que sei é que já está novamente em funcionamento. Sobre vinhos claro.
E melhor é impossível: um blog sobre vinhos escrito por quem conhece o vinho “por dentro”. Por mim, vou espreitar todos os dias o Gota e Pinga.
João, um forte abraço!

quinta-feira, maio 18, 2006

Quinta de Carapeços (B) Alvarinho 2004

No início é uma explosão de gás, excessivo mesmo. É tanto o gás que prejudica, num olhar desatento, a análise à cor deslavada tornando-a pouco nítida. Na boca melhora bastante, sente-se um bouquet guloso e adivinha-se o doce que a boca irá trazer. Pesado no copo para um vinho verde. Na boca, confirma-se o carácter floral e exuberante, mas de final curto. Dá a sensação que não é 100% Alvarinho – será Trajadura? O contra-rótulo não esclarece. Um pouco depois, mais "aberto", confirma-se então o temperamento doce e explosivo que prevíamos, agora com notas vivas a groselha... o “novo mundo” em pleno Minho?
Para quem (como eu) prefere a mineralidade e a complexidade não vai encontrar neste verde grande motivo de atracção. Ao invés, aqueles que preferem a fruta fresca e as notas florais aguerridas encontrarão neste verde minhoto um atractivo vinho de Verão.
A menos de € 6. Suficiente (13,5).

terça-feira, maio 16, 2006

Dão e Douro: já as saudades...

Só pela simpatia do João Roseira (Bago de Touriga) e da Teresa Gomes (Wine Solutions), - que soberbo jantar na sexta-feira no Valle-Flôr! – a iniciativa Dão e Douro já tinha muito para ser um êxito. A óptima selecção de vinhos, incluindo algumas grandes marcas de Portos (Taylor e Niepoort), acrescida ainda de um programa abrangente com provas em garrafeiras e jantares em restaurantes de prestígio... enfim tudo indicava um cuidado esmerado na organização. As cerejas no topo foram, para mim, o leilão de vinhos para beneficência e a prova final de excelência do Domingo no Pestana Palace.
Do jantar de sexta-feira, tudo é elogio: magnífica a cozinha do chefe Aimé, vinhos para todos os gostos, rigoroso serviço de vinhos seguido pela equipa da profissionalíssima Ana Paula.
Quanto à prova final realizada no Domingo, foram várias as provas de casco que entoavam vitória. Para além destas (quase todas de 2005), estiveram presentes outros vinhos já em comercialização. Destes, uns eram nossos conhecidos - eg., Aneto, Quinta da Pacheca, Quinta da Vegia, Gouvyas, entre outros - os restantes também proporcionaram fantásticas experiências vinícolas. Para não ser exaustivo, e sabendo que estou a deixar muitos bons rótulos de fora, ainda não esqueci alguns vinhos provados pela primeira vez no Domingo (é que tenho para mim que a lembrança é sempre um óptimo critério, nem que seja residual). É o caso dos brancos Castelo D’Alba (B) Vinhas Velhas 2004, Alves de Sousa Reserva (B) Pessoal 2003, o espumante Vértice “Bruto 0” 2000, e dos tintos Quinta do Infantado (T) Reserva 2003, Batuta (T) 2004, e Esmero (T) 2005 [este em prova de casco].

Um abraço redobrado para o João Roseira e um beijinho para a Teresa Gomes, bem como para aqueles que os ajudaram nesta iniciativa. A todos parabéns!

sexta-feira, maio 12, 2006

Pancas, Gago e ... Tapada do Chaves 1996

Enquanto outros colegas de ofício degustavam na Galeria Gemelli, nós, mais remediados (contamos tostões para nos desforrarmos hoje no Valle-Flôr), tínhamos um acordo com o Filipe Gaivão: nós levámos as garrafas, ele preparou a janta no seu restaurante. Assim, com uma pescada em tomatada e cebolada, seguida de folhado de perdiz e de lombo de porco com farinheira, bebeu-se:

  • Quinta de Pancas, Reserva Especial (T) 2003: muito concentrado como se esperava - os melhores Pancas são "built to last" e melhoram bastante com em garrafa -, mas não resistimos a uma prova antes do tempo. Muito maduro, fruto certamente do ano quente, com um impacto forte a fruta preta, sem traços de acidez, madeira já viva mas ainda escondida. Com um preço elevado, é um Pancas um pouco diferente de anos anteriores, mais madurão (ou será apenas do ano?). Cabe provar o “Premium (T) 2003” para tirarmos as dúvidas. Bom+ (17,5)
  • Dehesa Gago, (T) 2002: um belo vinho da região de Toro (a noroeste de Salamanca) feito por um dos novos mestres espanhóis, Telmo Rodriguez. Afirmando-se como um “driving winemaker”, percorrendo as auto-pistas de Espanha, Telmo Rodriguez (licenciado em Bordéus) dá assistência profissional um pouco por todo o território do vizinho ibérico. Este néctar, produzido a partir da variante autóctone da Tempranilho plantada em Toro (região ainda banhada pelo Douro), é talvez o seu projecto mais pessoal, mostrando-se elegante, macio, com irresistíveis notas a baunilha no bouquet e uma entrada de boca muitíssimo sedutora. Sem o excesso do carvalho americano típico de alguns vinhos espanhóis da velha guarda, e sem se notar o álcool, é um vinho sem arestas, onde a fruta vermelha madura (que não contribuiu para que se tornasse excessivamente doce) acompanha toda a prova, sobressaindo notas a mirtilho e referências a groselhas; fortemente guloso. Bom+ (17,5)
  • Tapada do Chaves (T) 1996: Fechou a noite antes do Porto, e fechou-a muito bem. Incrível a jovialidade deste puro alentejano, de Portalegre, diga-se! Nota-se pouco a evolução no copo (nem dá para acreditar...), apresentando-se rubi escuro apenas com a auréola em traços de castanho grenat. Nariz fechado mas com alguma fruta (que surpresa) e notas a couro e a armário antigo. Na boca esteve magnífico, elegante e portentoso, com fruta vermelha e notas nobres típicas da idade. Grande vinho. Bom ++ (18)
  • Quinta do Infantado (P) Vintage 1999: Pouco opaco na cor, perfumado e honesto. Conversei com o João Roseira uns dias mais tarde que me disse que a intenção era essa mesma, a de um vintage para ser consumido novo. Bom (16)

quarta-feira, maio 10, 2006

Vintages: novos ou menos novos?

Para quem quer ler uma interessante e vincada opinião, bem como os comentários, sobre Portos vintages (novos ou menos novos?), basta clicar aqui.

segunda-feira, maio 08, 2006

Evel Grande Escolha e Quinta dos Carvalhais

Também em casa se fez um mini “Dão e Douro” em pura brincadeira...
Abriram-se um Quinta dos Carvalhais Colheita 2002 (Sogrape) e um Evel Grande Escolha 1999 (Real Companhia Velha). É neste momento que me cabe esclarecer que tenho pelo Evel Grande Escolha (sobretudo os de 1999 e de 2000) uma grande afeição. Não sendo a marca mais mediática no mercado, nem o vinho mais poderoso das colheitas, foi e é um valor seguro e constitui uma excelente relação preço/qualidade. Diria mesmo que pode bem ser a porta de entrada para os verdadeiros topos de gama do Douro (G7), tendo outros já sido surpreendidos com este vinho. Quanto ao Quinta dos Carvalhais Colheita, também de preço não especulativo, surpreendeu pelo equilíbrio do seu conjunto, muito agradável, todo do tipo redondo, com a fruta a teimar em não sobressair. Vejamos melhor:

  • Evel Grande Escolha (T) 1999: muito escuro, apenas vermelho na auréola, bonito e elegante sem ser do tipo super-concentrado. Alguma evolução, mas revelou muita saúde (pode ser consumido até 2010). O nariz esteve algo fechado, duro mesmo, fruta madura em bloco e alguma madeira resultante dos 18 meses de estágio. Na boca esteve complexo, também fechado, mas muito sedutor. Notas a grafite misturadas com chocolate preto, muitas camadas, terminando por vezes doce e quente. Bom++ (18)
  • Quinta dos Carvalhais Colheita (T) 2002: grenat na cor, com pouca concentração e lágrima esguia. No nariz sentiu-se alguma acidez interessante, não concretizada na boca. Do estilo redondo e macio, é um conjunto equilibrado, mas de final curto. Suficiente+ (14)

Dão e Douro em Lisboa


Desde 4 deste mês, e até ao dia 14, as regiões vinícolas do Dão e do Douro estão espalhadas um pouco por toda Lisboa. Falo, como alguns já sabem, da 3.ª edição da Dão e Douro, iniciativa que privilegia o contacto pessoal dos vinhos com o consumidor, quer através de provas em garrafeiras, quer mediante jantares em restaurantes de prestígio.
As provas nas garrafeiras realizaram-se este fim de semana, os jantares começaram no dia 4 (no Eleven) e acabam no próximo dia 13 (no Terreiro do Paço).
Quanto a nós do Saca a Rolha, marcamos presença na Charcutaria Gourmet do CC Colombo e na garrafeira Adivinho, provando os seguintes durienses:
  • Calheiro Cruz Grande Escolha (T) 2000 bom++: um clássico do Douro em óptima forma; belo e elegante bouquet, madeira integrada, notas minerais e algum café.
  • Cerro das Mouras (T) 2003 bom+: bela surpresa, a marca soa a Alentejo... mas o carácter é do Douro, guloso, poderoso, taninos em forma e um belo final.
  • Taylor LBV (P) 2000 bom+: mais uma bela prova do que esta casa consegue fazer nos LBV (foi esta marca que "inventou" os LBV).
  • Quinta da Revolta Touriga Nac. (T) 2003 bom+: macio, aveludado, cativante, bela surpresa. Venham mais destes!
  • Glória Reserva (T) 2003 suficiente+: boa concentração, rubi escuro no copo, mas na boca esteve demasiado terroso, o carácter mineral demasiando bruto dominou a prova.

Quanto aos vinhos do Dão, quedámo-nos pelo:

  • Quinta dos Roques Reserva (T) 2003 bom-: no nariz surge o perfil duro da casa, e copo é médio/muito encorpado. Interessante, mas não surpreende.

No que respeita a restaurantes, lá estaremos nós na próxima sexta-feira dia 12 no Valle-Flôr. Já no dia 14, no encerramento das "festividades" cumpre-se a promessa de um encontro entre blogs de vinhos...

quarta-feira, maio 03, 2006

Notas gastronómicas

Uma vez mais importa parar a degustação de vinhos e destacar, apenas por uns instantes, algumas propostas gastronómicas.

O Nobre: novo restaurante - agora sito no Montijo - depois de tantas peripécias em Lisboa (algumas deixam muitas saudades, outras menos). É um regresso a alguns dos sabores da minha infância: a sopa de santola, os camarões quentes ao sal, o lombo de robalo/cherne à Justa, and so on... and so on. O estilo da casa mudou bastante para quem se lembra do restaurante na Ajuda (mas não entro em detalhes), o público alvo também mudou... a qualidade da comida da D. Justa e a simpatia do Sr. Nobre essas continuam intactas.
Quinta de Catralvos: em plena estrada entre Azeitão a Sesimbra fica esta quinta, projecto ambicioso, dos vinhos ao turismo, passando pela restauração. Com o chefe Luís Baena a comandar a cozinha, temos então várias propostas interessantes (eg., shot de navalheiras e ouriços do mar, croquetes de ostra, ovos de codorniz em cogumelos) viradas sobretudo para o estilo tapear, dada as dimensões reduzidas. Tirando o facto de várias propostas estarem esgotadas (!) aquando da nossa visita, e a escassez demostrada pela lista de vinhos, é uma visita a repetir, sobretudo pelo bom ambiente e pela a originalidade da maior parte dos pratos apresentados.

terça-feira, maio 02, 2006

Dica do mês


Adega de Pegões Trincadeira (T) 2004: mostra uma boa cor profunda, notas a fruta muito madura e alguma pimenta branca. Sente-se bem o terroir das "Terras do Sado", com a doçura habitual. A madeira talvez esteja demasiado evidente mas sem deturpar o conjunto muito macio, gordo até, e bastante agradável.
A menos de € 6.

quinta-feira, abril 27, 2006

Château Cap de Faugères (T) 2001


Os vinhos franceses têm destas coisas...quando compramos a garrafa pensamos que são bons, depois guardamos e por vezes esquecemos que os temos, mas quando finalmente os abrimos, constatamos ao primeiro trago que são ainda melhor do que pensávamos. Este Château Cap de Faugères vem de uma casa bordalesa em ascensão com vinhas em Saint-Emilion solos "grand cru", bem como numa região contígua denominada Côtes-de-Castillon. O vinho ora provado vem de um lote desta última região.
Um bouquet trasbordante, profundamente confitado e sedutor, e uma cor terrivelmente viniosa, abre o caminho para uma fantástica descoberta, deu-nos mesmo a sensação que o vinho podia ter esperado mais uns anos.
Na boca, sabores intensos a fruta silvestre muito madura, madeira que não se impõem – tudo no sítio! Sensações a bombons, ginja, todo guloso mas não sendo demasiado doce nem quente. Enfim, nada maçador...
Acabamos como começamos: os vinhos franceses têm destas coisas... são, muitas vezes, fantásticos.

sexta-feira, abril 21, 2006

Vinhos da Malhadinha Nova na Venha à Vinha

Na passada quarta-feira a garrafeira Venha à Vinha celebrou mais um aniversário. Como é costume da casa, que só sabe servir bem, a festa foi enobrecida com convidados e vinhos especiais. Quem fez as honras foi o Paulo Soares, um dos proprietários da Herdade da Malhadinha Nova, da simpática família Soares.
O primeiro vinho servido foi o Monte da Peceguina (B) 2004, um branco da nova geração do Alentejo, no qual as castas Arinto e o Roupeiro são adicionadas à Antão Vaz para atribuir ao vinho um carácter mais aromático. Todavia, foi mesmo o Antão Vaz que mais sobressaiu na prova (deve ser maioritário no lote), com o temperamento pesado e áspero que o torna apto para acompanhar comidas. Está um belo branco, com uma frescura considerável (sobretudo tendo em conta o ano quente de 2004), madeira bem doseada (como é necessário quanto se trabalha com o Antão Vaz). Enfim, um branco a rivalizar com alguns dos melhores da região.
Depois seguiu-se o Rosé da Peceguinha (R) 2004, com uma imagem comercial muito persuasiva e cuidada, tal como sucede, aliás, com os restantes vinhos desta casa. A característica que mais marcou a proa foi o travo doce (xarope de groselha) proeminente. A fruta é de qualidade, mas tem de ser bebido muito fresco e de preferência como aperitivo, senão pode-se tornar enjoativo.
Mas vamos então aos tintos... e que tintos! Tudo começou com o Monte da Peceguina (T) 2004: No nariz esteve muito bem, a mostrar-se um alentejano com garra, notas quentes ao Aragonês, tudo no nariz é Alentejo... Na boca, curiosamente, mudou um pouco o estilo, sente-se mais o Alicant(e), que lhe dá também uma bela cor, com notas vegetais elegantes, e a Syrah com nuances ora doces ora apimentadas. A madeira sente-se pouco e não está (ainda) integrada com a fruta do Aragonês, o que não nos desagradou, pelo contrário.
Seguiu-se o Aragonês da Peceguinha (T) 2004, uma aragonês típico da região, muito bem feito. A madeira sentiu-se mais do que nos vinhos anteriores (alguma baunilha, tosta menos evidente), com aromas a banana e noz moscada. Um aragonês não pesado, com bastante fruta, óptimo para consumo sem comida.
Abriu-se ainda o Pequeño João (T) 2004, vinho concebido a partir de um limitado lote que agradou muito os produtores, mas que tem desagradado alguma crítica. Percebe-se imediatamente que é não um vinho fácil (o Cabernet com o Arogonês tem destas coisas...), mas não deixa de ser interessante. Escuro na cor, sobressai um Cabernet escaldado pelo sol, poderosíssimo mas ligeiramente agre. De todos os vinhos provados, este foi aquele que achei com mais capacidade para acompanhar gastronomia robusta.
Por fim, veio o Madalhadinha (T) 2004 – numa das suas primeiras apresentações – mostrando-se bastante complexo, ainda jovem (quero prová-lo daqui a 6 meses), muito denso na boca. O Alicant(e) está em grande nível, fresco mas longe das notas verdes habituais. A madeira está bem marcada (bela madeira, by the way) mas toda em elegância, e um final longo que, daqui a alguns meses, será certamente longo e... guloso.
Enfim, vinhos do Alentejo feitos com trabalho e investimento, como a zona merece e retribui. Simpatia dos proprietários a provar que estão no negócio para durar. Ainda bem.

quinta-feira, abril 20, 2006

Breves notas: brancos

  • Neethlingshof Chardonnay (B) 2004: Vinho da região do Cabo (África do Sul) com notas próximas do estilo acídulo de alguns chablis menos equilibrados, longe por isso daqueles onde predominam notas amanteigadas. Muito fresco, algumas notas florais, para se beber com marisco. A menos de € 10. Suficiente +.
  • Três Bagos (B) 2004: Bastante acidez (demasiada mesmo!), mostra-se muito vivo, sem se notar que parte estagiou em madeira. A acidez da região (Douro) confere-se alguma complexidade e estrutura, mas está bem longe do que marca faz em relação ao Sauvignon Blanc. Abaixo dos € 6. Suficiente.

segunda-feira, abril 17, 2006

Jantar com a Montez Champallimaud


Não foi apenas mais um jantar o realizado no restaurante À Volta do Vinho, na penúltima sexta-feira, ali para os lados da Praça das Flores. De facto, esta iniciativa de Filipe d' Orey Gaivão contou com a colaboração da conhecida casa Montez Champallimaud e, mais importante, com a presença dos seus vinhos, incluindo o Quinta do Côtto Grande Escolha (T) 2001.
Com as entradas, começou por se provar o recente Paço de Teixeiró (B) 2005, branco com alguma complexidade, de cor pouco brilhante, mostrou uma frescura agradável na boca, embora fosse algo seco. Nuances ainda não totalmente evidentes (por ser tão novo), mas ainda assim notou-se algum ananás e, mais escondido, um pouco de maracujá.
Depois, já com o folhado de coelho servido (bastante bom, aliás), serviu-se o Quinta do Côtto (T) 2003. Revelou-se um tinto jovem, com um estilo mais moderno do que faria supor (para quem conhece os vinhos desta casa). Bastante agradável com fruta de qualidade (ao que parece não vai existir Grande Escolha de 2003, pelo que alguma uva de vinha velha deve ter vindo aqui parar), traço de uva madura mas sem qualquer excesso, taninos todos em elegância, e algum carácter mineral e metálico que contribuiu, em nossa opinião, para uma frescura e complexidade bastante interessantes. Belo final, médio/longo.
Com o novilho no forno (mal passado, como gostamos) serviu-se então o homenageado da noite... o Grande Escolha (T) 2001: este mostrou-se, desde logo, muito bonito na cor de um rubi profundo, não fosse já alguma evolução. No nariz sobressaltaram as notas a fruta bem casadas com a madeira, esta delicada mas presente. Tudo bem equilibrado, mas o futuro o dirá melhor. Na boca esteve, de início, menos fácil que o tinto de 2003, mas sempre com fruta encarnada elegante (morango silvestre) e referências frescas e piques de verdor correctos (orvalho e erva molhada). Tem alguns bons anos pela frente, o que negligencia uma prova para já... existem vinhos assim, preparados para envelhecer e, por isso, menos sedutores quando novos. Estão contra a corrente do mercado actual, disso temos a certeza!
Quanto ao Champallimaud Vintage (P) 2001 mostrou-se um Porto ao nível do que a casa nos habituou. Doce, muito doce, e pouca película na cor. Alguma silhueta feminina determinada pelo pouco álcool a piscar o olho ao mercado inglês não especializado. Em todo o caso, casou bem com um queijo da serra (este também algo mortiço, sem a força habitual).
Um bom jantar, com vinhos muito bem feitos, aos quais falta apenas um pouco mais de alma. Neste jantar estiveram presentes muitos daqueles convivas que costumam encher as provas na garrafeiras Coisas do Arco do Vinho, bem como alguns colegas de ofício do blog Vinho a Copo, aos quais redobramos votos para um futuro encontro.

segunda-feira, abril 10, 2006

Quinta de Roriz (T) 1999


A oportunidade de beber um Quinta de Roriz 1999 é algo que não costumo evitar, tanto mais que a sua produção foi muito limitada (cerca de 1000 caixas). A garrafa que abri faz poucos dias foi-me oferecida pelo meu amigo Almeida Fernandes na altura em que tinha o feliz hábito de me presentear com vinhos... hoje, prefere tentar vender e a preços destituídos de amizade.
Mas vamos então escrever sobre o vinho... a cor esteve um espanto, num rubi escuro retinto a mostrar uma evolução lenta para a idade. No cheiro, a conversa foi outra pois um odor a rolha manifestou-se durante quase toda a prova (embora o arejamento o tivesse diminuído). Bouquet evoluído com notas a resina, algum couro, e uma fruta ainda madura por detrás de uma capa de tabaco.
A boca confirmou o nariz, apresentando-se vinioso e elegante, com aromas muito subtis a cassis, e uma madeira bem estruturada com os sabores (e aromas) secundários.
Venham mais destas...
Nota ainda para o belíssimo rótulo da autoria de José Guimarães.

quinta-feira, abril 06, 2006

Nota Breve: tinto douriense

  • Quinta do Infantado (T) 2002: Com tanta cor nem parece um Douro da colheita de 2002 ... concentração média/alta, muita fruta madura e madeira equilibrada. Um belo tinto, a merecer mais dois ou três anos de garrafa. Se o futuro passar pela utilização de madeira nova no estágio, e pelas uvas de 2003, então teremos certamente um vinhão. Ficamos à espera, até porque o preço é bastante agradável - a menos € 10.

segunda-feira, abril 03, 2006

Verdes Majestosos

Faz vários anos que Anselmo Mendes tem vindo a dinamizar o mercado dos vinhos verdes brancos. Não hesitamos em considerar o lançamento dos rótulos “Muros de Melgaço” e “Muros Antigos” (bem como o “Espumante Muros Antigos”), como o maior salto qualitativo dos últimos anos vivido nos vinhos verdes. Tanto no que respeita ao cuidado na sua elaboração, quer no renovar de uma imagem que se encontrava um pouco gasta.
Surgiu assim o conceito de um Alvarinho com o caracter fresco da região, mas com mimos na produção nunca antes utilizados. A utilização de madeira nova, que já se vinha fazendo nos melhores Albarinhos galegos (Rias Bajas), mostrou-se mais um trunfo de Anselmo Mendes.
Com poucos dias de diferença, provámos ambos os rótulos da colheita de 2004. Vejamos:
Temos assim o “Muros Antigos”, super refrescante, com efervescência potente, traço citrino forte e uma espécie de sensação de terroir. Não é um Alvarinho fácil nem comum (quase omissas as referências a fruta tropical), é mesmo difícil de o esquecer, tem aquilo que só conseguimos descrever como uma “frescura complexa”.
Quanto ao “Muros de Melgaço” (um pouco mais caro do que o anterior, e com um ligeiro estágio em barrica) sente-se a mesma fruta de qualidade, mas tudo mais domado, o citrino evolui bem para a manga e o maracujá. Algumas notas doces finais contribuem para um conjunto guloso. Uma impressionante cor amarela ajuda a embelezar todo o conjunto, sentindo-se uma agulha menos potente do que o irmão mais novo.
Dois grandes Alvarinhos com algumas diferenças, mas iguais no que realmente importa: a qualidade do fruto, e o estilo personalizado do produtor.