- Casa da Dízima - Edifício antigo, mas restaurado, mesmo à entrada de Paço de Arços (para quem vem de Lisboa). Provou-se, entre outros, a salada de coelho (este desfiado, um pouco mais de vinagre tinha sido o ideal), o medalhão de vitela com molho de trufas acompanhado de risotto de pleurotes e trouxa de legumes e as codornizes recheadas de alheira de Mirandela. Tudo muito bom. Também boa a carta de vinhos, bons copos e temperaturas adequadas, aliás todo o serviço de vinhos é óptimo graças ao escanção da casa. Bebeu-se Meandro (T) 2003: muito bom, só falta mais presença e corpo, tem muitos taninos, boa fruta fresca, e alguma moka no final; e Molino Real 2003: muito refrescante, ananás, banana, melão... A menos de € 50 por pessoa (com vinho).
- O Migas - No centro histórico de Sines. Já jantei n’ "O Migas" dezenas vezes, e sempre muito bem. Não se pode dizer melhor de um restaurante, pois não..? Maçã com farinheira de entrada e depois galinhola em cama de patés (por encomenda). Divinal! Bebeu-se um Lagoalva (T) Syrah 2000: no ponto óptimo de consumo, penetrante com notas de enxofre de início, depois foi seco com notas de chá, tabaco e cacau, final interminável. Óptima relação preço/qualidade, mesmo nos vinhos. A menos de € 25 por pessoa (com vinho).
segunda-feira, agosto 07, 2006
Dicas de restauração:
sexta-feira, agosto 04, 2006
Coisas do Arco do Vinho

Na verdade, tenho vários brancos em casa para ir bebendo. Também conheço outros vinhos brancos que não tenho, apenas por que não os quero. Mas aqueles dois... queria mesmo comprar, e de imediato.
Sucede, que não estava a ser fácil a tarefa de encontrá-los nos sítios mais vulgares. Bem sei que não são raridades, mas a verdade é que os supermercados, "hipers", e mesmo algumas garrafeiras perto de casa não conseguiam satisfazer o meu capricho.
Mas esta história tem um final feliz. Andava afinal burro, eu! Fui, finalmente, a uma das minhas garrafeiras predilectas, talvez a primeira garrafeira onde comprei vinho em Lisboa, e lá estavam as garrafas a olhar para mim, e a preços muito simpáticos! Pedi umas tantas botelhas e diz-me, de forma convincente, um dos sócios:
- "Isto tem tido muita procura, sabe."
Claro que sei... e se eu os procurei! Que parvo fui em não ter ido "in the first place" àquela garrafeirra. Logo eu, depois do que já passámos juntos.
É por isto que nos devemos lembrar que certas garrafeiras merecem a nossa confiança total. É que têm aquilo que queremos. Ao Francisco Barão da Cunha, e ao José Azevedo, asseguro lembrar-me (ainda) mais vezes.
domingo, julho 30, 2006
Brancos para vários gostos:
Em pleno Verão apetece vinho branco. Em Portugal, todavia, já temos brancos para todos os gostos. Bons, maus, leves e frescos, pesados e aborrecidos, pesados mas agradáveis com determinada refeição. Enfim, já temos de tudo. Prova disso são os 4 vinho que sugiro, todos diferentes... - Deu la Deu Alvarinho (B) 2005
Distante do "Estilo Soalheiro", mas, como vem sendo regra, um bom vinho branco na linha do "Alvarinho clássico". Cor amarela clarinha esbatida e turvada pela “agulha” forte (muita efervescência). Na boca é um daqueles Alvarinhos que não nos faz esquecer que é verde: erupção abrupta de notas citrinas e tropicais, tudo muito fresco num conjunto leve, como se a fruta tivesse acabado de sair do frio. Final curto. Bom – (15). - Luís Pato Vinha Formal (B) 2003
Provado a 15º de temperatura na companhia da Filipa Pato. Segundo a enóloga (e filha do produtor Luís Pato), talvez esteja no seu melhor ponto de consumo. Cor impressionante, quase âmbar (próximo da cor de muitos colheita tardia), é um néctar difícil: doce no primeiro ataque à boca, depois mineral suave até um final longo, mas indefinido. A repetir a prova para tirar dúvidas. Bom – (15). - Herdade do Meio (B) 2004
Enorme frescura e refrescante acidez! Olhámos uma segunda vez para o rótulo, pois imaginámos ter feito confusão. Mas não... é um branco alentejano cheio de frescura. Mais, é feito de Antão Vaz! Demonstração cabal que uma região pode ter vários registos, desde que os enólogos saibam "trabalhar" o vinho. Muito intressante, e com forte componente aromática. Suficiente + (14,5). - Lugar D’arei (B) 2004
Pouco exuberante no aroma e na boca, é do tipo reduzido e tímido (mas sem razões para isso). É que demostra bom porte, corpo elegante e robusto, apesar da falta da componente aromática. Ideal para acompanhar peixe assado. Suficiente + (14).
Rosa Choc

Ora, eu já tinha tido a oportunidade de provar uma parte dos vinhos seleccionados por ambas as revistas, e deixem-me dizer-vos a que conclusão cheguei: a melhor pontuação da RV foi para vinhos que, entre outras características, demostravam algum açúcar residual; ao invés, já para a BW os melhores vinhos foram os mais refrescantes.
A minha selecção é, obviamente, de âmbito pessoal, mas, à posteriori, não consigo deixar de notar que é mais próxima da selecção da BW, ou seja, por outras palavras, mais próxima dos rosés feitos no Douro. Aqui fica:
- Portal (R) 2005: Muito equilibrado e sedutor. Um rosé para várias ocasiões. Bom – (15)
- Vale da Raposa (R) 2005: Feito de touriga nacional, e não resulta de sangria. O mais complexo do grupo. Suficiente + (14)
- Quinta da Alorna (R) 2005: Está bem feito, todo do tipo "certinho". Suficiente (13)
- Lugar de Arei (R) 2005: Falta-lhe garra, mas tem elegência. Bom final de boca. Suficiente (12,5)
- Monte da Peceguina (R) 2005: Cor escura. Excesso de açúcar, groselha autêntica. Suficiente – (12)
Parabéns Revista de Vinhos
Com tanta preparação, parece-me que esta edição não é assim tão marcante quanto eu antecipava, e as tais "características" resumem-se a um caderno destacável (com um título, aliás, de gosto discutível), e algumas listagens de vinhos, de restaurantes, de acessórios gourmet, etc, enfim uma espécie de best of da RV. Por mim, como gosto e sigo a RV faz anos, tudo bem! Sou daquele tipo de público fiel: não me surpreendo facilmente com cadernos e afins, mas também não é por isso que abdico de comprar e ler a RV.
sábado, julho 22, 2006
Loridos Alvarinho (B) 2005

Já este Loridos Alvarinho, da Estremadura pertinho do Bombarral, é bem diferente… parece mesmo não querer imitar os seus irmãos nortenhos. Ao invés, o Alvarinho desta quinta – durante muitos anos apenas vocacionada para a produção de espumantes – tem um estilo próprio, naturalmente mais gordo e redondo do que os refrescantes verdes minhotos.
Na cor é amarelo citrino, forte e muito brilhante (é raro um minhoto ter uma cor tão carregada!). O nariz é exuberante e fresco, com notas a ananás e manga. Na boca é curioso, não me lembrou de início essa casta branca que tanto adoro – é mais uma prova que o terroir pode "marcar" mais um vinho do que as castas! Final médio/longo com elegância.
Um bom vinho, e com um bom preço, sobretudo vocacionado para a época estival. Mas não substitui, nem pretenderá certamente, os Alvarinhos mais verdejantes...
Abaixo de € 7. Suficiente + (14,5).
sexta-feira, julho 21, 2006
Sugestões - Dois tintos abaixo de € 10:
Para este Verão nada melhor do que dois belos tintos a bom preço. Já muito me tinham falado sobre eles, mas só ontem tive a oportunidade de os provar. Um douriense, outro da oriundo da Estremadura. Ambos de 2003, ambos muito bem feitos…
- Quinta da Chocapalha (T) 2003: fechado na cor, ainda que viniosa com laivos roxeados - tudo indica um bom vinho. Na boca, temos concentração e estrutura, alguma fruta madura e um toque doce acompanha a prova. Um vinho surpreendentemente quente e guloso (vem da Estremadura!), muito bem desenhado pela bonita e dotada Sandra Tavares da Silva (Pintas, Vale D. Maria). Final médio/longo. Abaixo de € 8. Bom (16).
- Castello d’ Alba Reserva (T) 2003: na cor também vinioso, purpurina com tons violáceos. No nariz é "duro", pouco friendly, com madeira mas sem qualquer exaltação, sem dúvida um douro "à moda antiga". Mais exuberante na boca, mais ainda complexo, difícil, alguma fruta absolutamente preta (ameixa) sem componente doce, notas de azeitona também. Final curto/médio. Mais um belo vinho da sociedade VDS. Abaixo de € 6. Bom – (15).
quarta-feira, julho 19, 2006
Colecção Priv. Domingos S. Franco Sauvignon (B) 2003

Rótulo aprumado com o nome e semblante do autor. No copo mostrou-se amarelo citrino claro. Nariz vegetal à casta, com notas de espargos e azeitonas verdes, tudo muito bem.
Na boca é mais fresco, quase exuberante na frescura (lima e algum alperce), muito equilibrado, quase não se nota a madeira, e com um toque mineral interessante. O final é que muito curto, sem intensidade. Como se diz por aqui "sabe a pouco"!
A menos de € 12. Suficiente + (14,5).
terça-feira, julho 18, 2006
Dinastía Vivanco Crianza Sel. de Família (T) 2001

É um néctar a meio caminho entre o "rioja tradicional" e o "novo rioja" (desta tendência já escrevemos sobre um exemplar aqui). Mostra cor vermelha pouco viva, e revela a típica concentração diminuta da maioria dos riojas.
domingo, julho 16, 2006
Preta (T) 2004

Para acompanhar a empada de perdiz (antes tinham ido já uns pitéus), fomos para mais um projecto alentejano de Estremoz, o Preta (T) 2004 – o topo de gama da recentemente constituída sociedade Fita Preta, segundo nos informam.
Confesso que já estou um pouco saturado deste "novo mundo regional alentejano". A culpa não é, obviamente, dos vinhos isoladamente considerados – muitos deles bem bons! – mas desta mania, consciente ou não, pela uniformização. Por mais que se tente, alguns dos novos vinhos do Alentejo (sobretudo de Estremoz e de Albernoa) sabem "muito ao mesmo". Mesmo quando a sua composição é inesperada, como sucedeu com este Preta: Touriga (52%) e Cabernet (48%)!
Neste caso, no copo, mostrou uma cor rubi-violeta ligeiramente concentrada. Nariz intenso, químico, com um ataque a fruta madura a lembrar (aí está, aí está…) outras provas! Na boca teve mais graciosidade, com a Touriga a dar um toque floral muito interessante. O Cabernet é que parece ter ficado para segundo plano, sobressaindo mais a madeira, num conjunto redondo e macio.
Um vinho bem feito, sem arestas (como se escreve por aí), disto não temos dúvidas – veja-se a ligeira acidez mentolada e o final médio/longo – mas, a meu ver, pouco original.
sexta-feira, julho 14, 2006
Soalheiro (B) 2005 em noite amena de Verão

Ontem foi uma noite rara: sem vento nem brisa, apenas um maravilhoso calorzinho (quase quase 30º). Para quem não tem ADN sueco nem norueguês - aqueles portugueses, como o Pingus, que juram não aguentar o calor - a noite de ontem foi um verdadeiro deleite. E é nestas noites, de quando em quando, que não me esqueço de aparecer no Chafariz do Vinho para ficar na muy agradável mini-esplanada. Como também não me esqueço desse néctar dourado que me viu crescer, e através do qual comecei - em Braga, na casa dos meus avós - a beber vinho.
Foi assim a ocasião para um Soalheiro (B) 2005 - nome seguro quando se fala em Alvarinhos - que esteve, uma vez mais, irrepreensível. Aliás, não restam dúvidas que a colheita de 2005 foi muito bondosa para a maioria dos Alvarinhos.
Da cor pouco se pode falar (a penumbra da noite não o permitiu), mas em contrapartida apurou-se o nariz: elegante, banana intensa, notas doces tropical (manga), algum mineral, enfim um festim para o olfacto. Na boca, a frescura citrina revelou-se a grande nível, nomeadamente através das notas de casca de tangerina, frescura ajudada ainda pelo mineral de qualidade e, mais ténues, por referências a fumo num final médio/longo.
A menos de € 10. Bom (16).
quarta-feira, julho 12, 2006
Novidades / Confirmações: 2004 & 2005
Não foram muitos aqueles que estiveram no Palácio da Bolsa no passado dia do vinho. Mas foi pena, pois surgiram algumas novidades. Em rigor, mais do que novidades foram confirmações. Boas casas apresentaram bons tintos e portos da colheita de 2004 e brancos de 2005. O que mostra qualidade e consistência. Ora, consistência na qualidade é coisa que os vinhos portugueses bem precisam. Vejamos as nossas notas:
- La Rosa Reserve (T) 2004: É a nova imagem do "reserva" da Quinta de la Rosa. Mantém um altíssimo nível. Ainda duro, mas já é o lote final. Tudo indica que será mais uma bomba, mas com a polidez reconhecida a esta marca.
- Quinta Vale da Raposa (T) 2004: Já mostra um registo elegante, personalizado e com boa capacidade de guarda. Enfim, as características comuns dos bons vinhos do produtor Alves de Sousa.
- Quinta Vale da Raposa Vintage (P) 2003: É o primeiro Porto Vintage de Alves de Sousa no mercado. Não nos parece ter a força e o carácter necessários para uma guarda de longos anos, mas é já um vintage muito agradável, daqueles para consumir novos sem receio.
- Kopke Vintage (P) 2003: Este sim é um vintage especial. Tinha curiosidade em prová-lo depois da excelente nota da "Blue Wine" (19). Ainda fechado no nariz; muito profundo e intenso na boca, mostra um complexo e inesquecível conjunto de sabores... tudo embrulhado numa força pujante. É um vintage incontornável.
- Quinta do Noval Vintage (P) 2004: servido muito quente... ainda assim mostra as qualidades de sempre. É um vintage muitíssimo bem feito, perfeito equilíbrio. Mas merecia mais chama e agressividade. É como se a Noval tivesse uma formúla e a repetisse ano após ano. Podia ser diferente...
- Castello d’ Alba Reserva (B) 2005: Na linha do "vinhas velhas" mas com menos battonage e madeira. A cerca de € 5 é um autêntico achado. Toca a comprar este branco neste Verão!
segunda-feira, julho 10, 2006
Monte da Cal Reserva (T) 2003

A menos de € 10. Bom (15,5).
domingo, julho 09, 2006
3 vinhos no dia mais quente do ano... "so far"
Foi talvez o dia mais quente do ano nos campos em torno de Vila Viçosa. Os 39º impunham-se a todos os que se preparavam para almoçar no resguardo do alpendre. Fomos à garrafeira com o dono da casa e decidimos tudo num ápice. Primeiro um branco de Évora, depois um ribera espanhol a abrir cominho para um final com um alentejano de meia idade. O resultado... vejam:
- Pêra Manca (B) 2002: Amarelo concentrado na cor - quase âmbar - muita evolução. Notas secas num nariz tremido. Corpo pesado, largo, muita estrutura. Na boca é gordo mas não convence: sobressaem as notas de resina, pó talco, e muita caruma. A fruta é que quase não se nota, não fosse alguma pêra no final. Falta-lhe garra, frescura. É um estilo muito próprio... mas não o meu. Suficiente (13,5).
- Alion Reserva Tinto Fino (T) 1995: Notas de evolução na cor violeta e no corpo de mediana robustez. Algum resíduo no fundo da botelha. No nariz tudo muito intenso, bouquet vinioso, carregado, fruto preto, de início alguma resina, mas tudo muito elegante. Na boca foi uma bomba de dispersão: primeiro fruta, depois chocolate, depois moka, depois ainda notas “doce-amargas”... e azeitona preta. Taninos finos e de grande qualidade. Bom ++ (18).
- Esporão Reserva (T) 1997: Já tínhamos apreciado o “garrafeira 1997” – mais fino, com menos evolução – mas este “reserva” não ficou muito atrás. Prova inequívoca da variável longevidade dos vinhos do Alentejo, é um néctar de nariz intenso e possante. De cor rubi muito escuro, mostra na boca surpreendentes notas florais (como se Touriga se tratasse, mas deve ser a Trincadeira), encobertas, aqui e ali, por algum tabaco e alcatrão. Excelente complexidade e final irresistível. Bom + (17).
quinta-feira, julho 06, 2006
JPR Aragonês (T) 2004

Ficámos com a ideia que este aragonês, depois de anos de uma "relativa liderança", precisa agora de melhorar (upa upa) para acompanhar a recém chegada "concorrência". Preço em conta, a menos de € 12. Bom – (15).
Gouvyas Reserva (B) 2003

Como o jogo não corria de feição, escolheu-se um branco que sabemos não nos decepcionar nunca; afinal, tínhamos que fazer um esforço (!) para "salvar" a noite.
Na cor surpreende um amarelo tão palha quanto brilhante, chega a ser difícil de acreditar – longe dos tons sombrios que o excesso de barrica pode provocar.
terça-feira, julho 04, 2006
Herdade dos Grous (T) 2004

Na boca é terroso, guloso e quente, fruta muito madura misturada com chocolate negro - é sem dúvida um vinho todo no estilo moderno e linear. Porém, quando (dele) menos se espera, emerge timidamente alguma frescura proporcionado-lhe uma vitalidade sofisticada.
segunda-feira, julho 03, 2006
Quinta dos Aciprestes Reserva (T) 2003

Que rico dia do vinho!

Tanto mais que se provaram novidades, das quais darei feedback nos próximos dias, a saber: rosés e brancos de 2005 (destaque para o "Quinta d’Alba Reserva"), tintos de 2004 (entre outros, o "la Rosa Reserve", a nova designação do topo de gama da Quinta de la Rosa), e Vintages também de 2004 ("Quinta do Noval").
Na descontração, um dedo de conversa com o João Roseira (Gota & Pinga e Bago de Touriga), outro com Nuno Vaz Pires (Essência do Vinho), e muita tertúlia com o João Pedro e a Teresa da Casa de Cello (produtores dos vinhos da Quinta da Vegia).
sexta-feira, junho 30, 2006
Dia do Vinho

quarta-feira, junho 28, 2006
Dica do mês:
terça-feira, junho 27, 2006
Vale do Ancho Reserva (T) 2003

Perto do fim, veio ainda a madeira, agora sim sente-se a harmonia entre a madeira e o aragonês (mas está escondido). Sempre no estilo complexo, rico, potente, taninos estruturados. Está muito bom, e já tão diferente um semestre passado. Pena estar mais caro.
Bom + (17). A menos € 30.
segunda-feira, junho 26, 2006
Duas confirmações
Por isso hoje escrevo sobre dois vinhos (um branco outro tinto) que não constituindo novidades, têm muito que dizer:
- Cova da Ursa (B) 2004: É sabido que muitos vinhos brancos portugueses têm um excesso de açúcar residual e que se tornam pouco amigos das refeições. Quando se opta por um chardonnay existe o risco adicional do vinho ser demasiado linear, aborrecido com a marca da casta excessivamente vincada. Mas nada disso sucede com este Cova da Ursa. Cristalino no copo, amarelo claro, transporta-nos pelo seu bouquet para um campo de lírios. Fino, elegante, mineral e herbáceo q.b., tem um belo final de boca com maça “golden”, nota citrina e pó de canela. É o branco português mais próximo de um “petit chablis”.
Bom (15,5). A menos de € 12. - Quinta da Vegia Reserva (T) 2003: Já muito se escreveu sobre este tinto do Dão, em especial os nossos amigos na blogosfera (aqui e ali). Bastam assim breves notas: cor elegante, de um vermelho carregado com laivos azuis. Nariz fino e sedutor (todo elegância em desprimor da força bruta), notas florais, frescas, fruta de qualidade. Esta hamonia mantém na boca, seca e taninosa, com fruta discreta e chocolate distante, notas subtis a rebuçado e alguma moka. Final consistente médio/longo.
Bom + (17) com tendência melhorar. A menos de € 25.
segunda-feira, junho 19, 2006
Presentes assim... sim!

quarta-feira, junho 14, 2006
O Lagar

Ora, um dos melhores exemplos deste tipo de restaurante - que faz a partir da simplicidade e da paixão muito mais do alguns fazem a partir da mera sofisticação - é O Lagar, sito no lugar do Carvalhal. Quem vem de Lisboa pela A8 tem de sair em "Bombarral norte/Paúl", seguindo depois em direcção "Carvalhal/Santuário".
Chegados finalmente ao Lagar, deixamo-nos nas mãos da família Louro. Nas entradas saem vitoriosas a morcela de arroz, as sardinhas de escabeche, a sopa de coelho e os ovos com cogumelos. Todos os pratos são assentes na melhor matéria prima, seja peixe (de Peniche, a poucos quilómetros de distância) ou carne (os melhores nacos vêm dos Açores). Em todo o caso, o mais sensato é perguntar por sugestões, mas adianto as minhas preferências: arroz de cabrito, perna de porco assada, jaquinzinhos com arroz de tomate, nos arrozes o de safio é delicioso. Para sobremesa, não se esqueça do "sorriso", versão da casa de fondant de chocolate acompanhado de gelado e geleia de leite condensado.
Mas o melhor ainda não chegou... falo da carta de vinhos. São centenas as referências de vinhos, incluindo toda a oferta da região, não fosse o proprietário um dos maiores coleccionadores de vinhos da Península Ibérica. Os copos e os preços são os adequados, apenas as temperaturas merecem ser revistas. Para quem já teve a sorte, como nós, de conhecer o armazém onde Luís Louro mantêm as dezenas de milhares de garrafas da sua colecção, sabe que o vinho n ' O Lagar só pode ter lugar de destaque.
Da região, prove-se então o Quinta do Sanguinhal (T) 2001, o Quinta das Cerejeiras (T) 2000, ou o Loridos Alvarinho (B) 2004 agora para o Verão. Todavia, se quiser algo mais a sério, abra os cordões à bolsa e peça um Quinta de Pancas Premium (T) 2003, vai ver que vale a pena.
sexta-feira, junho 09, 2006
O Vinho na Internet

segunda-feira, junho 05, 2006
Esporão Reserva (B) 2004

Considerado o melhor vinho branco do TOP 10 ("Prova internacional") da revista Blue Wine (n.º 1), vinho afamado de uma casa com tradição e prestígio. A colheita de 2005 acaba de sair para o mercado.
A tradicional “triplicata” de castas brancas alentejanas - Roupeiro, Arinto, Antão Vaz - oferecem neste vinho uma cor dourada muito límpida; no nariz são as notas a baunilha e a pêssego que mais vincam, a madeira está sempre presente durante a prova, talvez demasiado incisiva. Cheio, gordo, na boca sobressaem notas persistentes a manteiga, algum persuasivo alperce, tudo bem equilibrado, do género corpulento.
Comparando com o Private Selection (B) 2004, este Esporão Reserva é menos doce e sedutor, com mais adstringência, o que o torna ideal para acompanhar refeições de todo o tipo. A uma temperatura de 12º é perfeito para peixes no forno, já a 14º pode acompanhar carnes leves.
Mais um belo vinho branco do Alentejo, ao qual apenas falta uma maior acidez aromática.
A menos de € 10 (€20-€25 em restaurante). Bom (15,5).
quarta-feira, maio 31, 2006
Vértice Grande Reserva Bruto 1992
De bolha finíssima, cor amarela palha (com laivos ora dourados ora esverdeados) e sabor intenso. De espumante típico apenas mantém alguma força inicial, mas a agulha já foi domesticada com a passar dos anos. Tudo o resto é puro deleite, é como se um belíssimo vinho branco se tratasse, mas com a finesse do gás carbónico.
No boca sentem-se notas a noz e frutos secos, tosta, alguma tangerina no longo final... tudo perfeitamente limado pelo anos de estágio em garrafa. Que glória!
segunda-feira, maio 29, 2006
Tintos até € 10

Sucede que, analisando com algum pormenor, descortino 2 questões que merecem destaque. A saber:
segunda-feira, maio 22, 2006
A comunidade
Ao contrário do que sucede um pouco por todo o "jornalismo amador e diletante", não se tratou de competição, muito menos de rivalidades. Ao contrário do que se assiste pela internet fora, não se tratou de promoção, muito menos de egocentrismos. Desta certeza ficámos todos certos, passe a redundância.
Em rigor, a boa disposição que mostramos uns para com os outros está bem longe do que se pode observar noutros sectores, mesmo no que respeita a blogs. Quem escreve sobre política (e os blogs em Portugal começaram sobretudo por serem páginas feitas por políticos ou por jornalistas de política nacional) sabe bem quanto é difícil escrever um texto sem criar reacções negativas noutros cronistas, ou encontrar (novos) inimigos. Do mesmo modo, muitas vezes quem rabisca poesia ou literatura, quem cola num site fotografias que tirou, quem descreve uma ideia de negócio etc..., procura a sua promoção (legítima, claro está).
Sucede que, ao invés, quando conheci o João Pedro, o Ricardo, o Rui, o Nuno, o Cristo, o Rui “Pingus”, só pensei: “olha-me estes tipos fantásticos... e não é que eu ando a fazer o mesmo que eles...”
O Copo de 3 mostrou um vivo sotaque alentejano (que eu já esperava!) e um estômago habituado ao melhor de Portugal e Espanha. Os Vinho a Copo mostraram uma bela união e a conjugação de vontade e conhecimentos. O Pinga no Copo revelou boa disposição e profissionalismo nas notas que ia tomando (sei que adoras o Quinta da Vegia Reserva 2003, olha, comprei uma caixa inteira no leilão).
Por isso, cabe marcar um primeiro evento de blogs sobre vinhos – algo sério, mas descontraído – para ver como esta “comunidade” evolui. Já com o João Roseira, claro, e com todos outros.
Este foi o primeiro passo. E não tenho receio de dar o segundo.
Gota e Pinga - mais um blog e dos bons...
E melhor é impossível: um blog sobre vinhos escrito por quem conhece o vinho “por dentro”. Por mim, vou espreitar todos os dias o Gota e Pinga.
João, um forte abraço!
quinta-feira, maio 18, 2006
Quinta de Carapeços (B) Alvarinho 2004
Para quem (como eu) prefere a mineralidade e a complexidade não vai encontrar neste verde grande motivo de atracção. Ao invés, aqueles que preferem a fruta fresca e as notas florais aguerridas encontrarão neste verde minhoto um atractivo vinho de Verão.
terça-feira, maio 16, 2006
Dão e Douro: já as saudades...
Do jantar de sexta-feira, tudo é elogio: magnífica a cozinha do chefe Aimé, vinhos para todos os gostos, rigoroso serviço de vinhos seguido pela equipa da profissionalíssima Ana Paula.
Quanto à prova final realizada no Domingo, foram várias as provas de casco que entoavam vitória. Para além destas (quase todas de 2005), estiveram presentes outros vinhos já em comercialização. Destes, uns eram nossos conhecidos - eg., Aneto, Quinta da Pacheca, Quinta da Vegia, Gouvyas, entre outros - os restantes também proporcionaram fantásticas experiências vinícolas. Para não ser exaustivo, e sabendo que estou a deixar muitos bons rótulos de fora, ainda não esqueci alguns vinhos provados pela primeira vez no Domingo (é que tenho para mim que a lembrança é sempre um óptimo critério, nem que seja residual). É o caso dos brancos Castelo D’Alba (B) Vinhas Velhas 2004, Alves de Sousa Reserva (B) Pessoal 2003, o espumante Vértice “Bruto 0” 2000, e dos tintos Quinta do Infantado (T) Reserva 2003, Batuta (T) 2004, e Esmero (T) 2005 [este em prova de casco].
Um abraço redobrado para o João Roseira e um beijinho para a Teresa Gomes, bem como para aqueles que os ajudaram nesta iniciativa. A todos parabéns!
sexta-feira, maio 12, 2006
Pancas, Gago e ... Tapada do Chaves 1996
Enquanto outros colegas de ofício degustavam na Galeria Gemelli, nós, mais remediados (contamos tostões para nos desforrarmos hoje no Valle-Flôr), tínhamos um acordo com o Filipe Gaivão: nós levámos as garrafas, ele preparou a janta no seu restaurante. Assim, com uma pescada em tomatada e cebolada, seguida de folhado de perdiz e de lombo de porco com farinheira, bebeu-se:
- Quinta de Pancas, Reserva Especial (T) 2003: muito concentrado como se esperava - os melhores Pancas são "built to last" e melhoram bastante com em garrafa -, mas não resistimos a uma prova antes do tempo. Muito maduro, fruto certamente do ano quente, com um impacto forte a fruta preta, sem traços de acidez, madeira já viva mas ainda escondida. Com um preço elevado, é um Pancas um pouco diferente de anos anteriores, mais madurão (ou será apenas do ano?). Cabe provar o “Premium (T) 2003” para tirarmos as dúvidas. Bom+ (17,5)
- Dehesa Gago, (T) 2002: um belo vinho da região de Toro (a noroeste de Salamanca) feito por um dos novos mestres espanhóis, Telmo Rodriguez. Afirmando-se como um “driving winemaker”, percorrendo as auto-pistas de Espanha, Telmo Rodriguez (licenciado em Bordéus) dá assistência profissional um pouco por todo o território do vizinho ibérico. Este néctar, produzido a partir da variante autóctone da Tempranilho plantada em Toro (região ainda banhada pelo Douro), é talvez o seu projecto mais pessoal, mostrando-se elegante, macio, com irresistíveis notas a baunilha no bouquet e uma entrada de boca muitíssimo sedutora. Sem o excesso do carvalho americano típico de alguns vinhos espanhóis da velha guarda, e sem se notar o álcool, é um vinho sem arestas, onde a fruta vermelha madura (que não contribuiu para que se tornasse excessivamente doce) acompanha toda a prova, sobressaindo notas a mirtilho e referências a groselhas; fortemente guloso. Bom+ (17,5)
- Tapada do Chaves (T) 1996: Fechou a noite antes do Porto, e fechou-a muito bem. Incrível a jovialidade deste puro alentejano, de Portalegre, diga-se! Nota-se pouco a evolução no copo (nem dá para acreditar...), apresentando-se rubi escuro apenas com a auréola em traços de castanho grenat. Nariz fechado mas com alguma fruta (que surpresa) e notas a couro e a armário antigo. Na boca esteve magnífico, elegante e portentoso, com fruta vermelha e notas nobres típicas da idade. Grande vinho. Bom ++ (18)
- Quinta do Infantado (P) Vintage 1999: Pouco opaco na cor, perfumado e honesto. Conversei com o João Roseira uns dias mais tarde que me disse que a intenção era essa mesma, a de um vintage para ser consumido novo. Bom (16)
quarta-feira, maio 10, 2006
Vintages: novos ou menos novos?
segunda-feira, maio 08, 2006
Evel Grande Escolha e Quinta dos Carvalhais
Também em casa se fez um mini “Dão e Douro” em pura brincadeira...
Abriram-se um Quinta dos Carvalhais Colheita 2002 (Sogrape) e um Evel Grande Escolha 1999 (Real Companhia Velha). É neste momento que me cabe esclarecer que tenho pelo Evel Grande Escolha (sobretudo os de 1999 e de 2000) uma grande afeição. Não sendo a marca mais mediática no mercado, nem o vinho mais poderoso das colheitas, foi e é um valor seguro e constitui uma excelente relação preço/qualidade. Diria mesmo que pode bem ser a porta de entrada para os verdadeiros topos de gama do Douro (G7), tendo outros já sido surpreendidos com este vinho. Quanto ao Quinta dos Carvalhais Colheita, também de preço não especulativo, surpreendeu pelo equilíbrio do seu conjunto, muito agradável, todo do tipo redondo, com a fruta a teimar em não sobressair. Vejamos melhor:
- Evel Grande Escolha (T) 1999: muito escuro, apenas vermelho na auréola, bonito e elegante sem ser do tipo super-concentrado. Alguma evolução, mas revelou muita saúde (pode ser consumido até 2010). O nariz esteve algo fechado, duro mesmo, fruta madura em bloco e alguma madeira resultante dos 18 meses de estágio. Na boca esteve complexo, também fechado, mas muito sedutor. Notas a grafite misturadas com chocolate preto, muitas camadas, terminando por vezes doce e quente. Bom++ (18)
- Quinta dos Carvalhais Colheita (T) 2002: grenat na cor, com pouca concentração e lágrima esguia. No nariz sentiu-se alguma acidez interessante, não concretizada na boca. Do estilo redondo e macio, é um conjunto equilibrado, mas de final curto. Suficiente+ (14)
Dão e Douro em Lisboa

Quanto a nós do Saca a Rolha, marcamos presença na Charcutaria Gourmet do CC Colombo e na garrafeira Adivinho, provando os seguintes durienses:
- Calheiro Cruz Grande Escolha (T) 2000 bom++: um clássico do Douro em óptima forma; belo e elegante bouquet, madeira integrada, notas minerais e algum café.
- Cerro das Mouras (T) 2003 bom+: bela surpresa, a marca soa a Alentejo... mas o carácter é do Douro, guloso, poderoso, taninos em forma e um belo final.
- Taylor LBV (P) 2000 bom+: mais uma bela prova do que esta casa consegue fazer nos LBV (foi esta marca que "inventou" os LBV).
- Quinta da Revolta Touriga Nac. (T) 2003 bom+: macio, aveludado, cativante, bela surpresa. Venham mais destes!
- Glória Reserva (T) 2003 suficiente+: boa concentração, rubi escuro no copo, mas na boca esteve demasiado terroso, o carácter mineral demasiando bruto dominou a prova.
Quanto aos vinhos do Dão, quedámo-nos pelo:
- Quinta dos Roques Reserva (T) 2003 bom-: no nariz surge o perfil duro da casa, e copo é médio/muito encorpado. Interessante, mas não surpreende.
No que respeita a restaurantes, lá estaremos nós na próxima sexta-feira dia 12 no Valle-Flôr. Já no dia 14, no encerramento das "festividades" cumpre-se a promessa de um encontro entre blogs de vinhos...
quarta-feira, maio 03, 2006
Notas gastronómicas
O Nobre: novo restaurante - agora sito no Montijo - depois de tantas peripécias em Lisboa (algumas deixam muitas saudades, outras menos). É um regresso a alguns dos sabores da minha infância: a sopa de santola, os camarões quentes ao sal, o lombo de robalo/cherne à Justa, and so on... and so on. O estilo da casa mudou bastante para quem se lembra do restaurante na Ajuda (mas não entro em detalhes), o público alvo também mudou... a qualidade da comida da D. Justa e a simpatia do Sr. Nobre essas continuam intactas.
Quinta de Catralvos: em plena estrada entre Azeitão a Sesimbra fica esta quinta, projecto ambicioso, dos vinhos ao turismo, passando pela restauração. Com o chefe Luís Baena a comandar a cozinha, temos então várias propostas interessantes (eg., shot de navalheiras e ouriços do mar, croquetes de ostra, ovos de codorniz em cogumelos) viradas sobretudo para o estilo tapear, dada as dimensões reduzidas. Tirando o facto de várias propostas estarem esgotadas (!) aquando da nossa visita, e a escassez demostrada pela lista de vinhos, é uma visita a repetir, sobretudo pelo bom ambiente e pela a originalidade da maior parte dos pratos apresentados.
terça-feira, maio 02, 2006
Dica do mês

Adega de Pegões Trincadeira (T) 2004: mostra uma boa cor profunda, notas a fruta muito madura e alguma pimenta branca. Sente-se bem o terroir das "Terras do Sado", com a doçura habitual. A madeira talvez esteja demasiado evidente mas sem deturpar o conjunto muito macio, gordo até, e bastante agradável.
quinta-feira, abril 27, 2006
Château Cap de Faugères (T) 2001

Um bouquet trasbordante, profundamente confitado e sedutor, e uma cor terrivelmente viniosa, abre o caminho para uma fantástica descoberta, deu-nos mesmo a sensação que o vinho podia ter esperado mais uns anos.
Na boca, sabores intensos a fruta silvestre muito madura, madeira que não se impõem – tudo no sítio! Sensações a bombons, ginja, todo guloso mas não sendo demasiado doce nem quente. Enfim, nada maçador...
Acabamos como começamos: os vinhos franceses têm destas coisas... são, muitas vezes, fantásticos.
sexta-feira, abril 21, 2006
Vinhos da Malhadinha Nova na Venha à Vinha
O primeiro vinho servido foi o Monte da Peceguina (B) 2004, um branco da nova geração do Alentejo, no qual as castas Arinto e o Roupeiro são adicionadas à Antão Vaz para atribuir ao vinho um carácter mais aromático. Todavia, foi mesmo o Antão Vaz que mais sobressaiu na prova (deve ser maioritário no lote), com o temperamento pesado e áspero que o torna apto para acompanhar comidas. Está um belo branco, com uma frescura considerável (sobretudo tendo em conta o ano quente de 2004), madeira bem doseada (como é necessário quanto se trabalha com o Antão Vaz). Enfim, um branco a rivalizar com alguns dos melhores da região.
Depois seguiu-se o Rosé da Peceguinha (R) 2004, com uma imagem comercial muito persuasiva e cuidada, tal como sucede, aliás, com os restantes vinhos desta casa. A característica que mais marcou a proa foi o travo doce (xarope de groselha) proeminente. A fruta é de qualidade, mas tem de ser bebido muito fresco e de preferência como aperitivo, senão pode-se tornar enjoativo.
Mas vamos então aos tintos... e que tintos! Tudo começou com o Monte da Peceguina (T) 2004: No nariz esteve muito bem, a mostrar-se um alentejano com garra, notas quentes ao Aragonês, tudo no nariz é Alentejo... Na boca, curiosamente, mudou um pouco o estilo, sente-se mais o Alicant(e), que lhe dá também uma bela cor, com notas vegetais elegantes, e a Syrah com nuances ora doces ora apimentadas. A madeira sente-se pouco e não está (ainda) integrada com a fruta do Aragonês, o que não nos desagradou, pelo contrário.
Seguiu-se o Aragonês da Peceguinha (T) 2004, uma aragonês típico da região, muito bem feito. A madeira sentiu-se mais do que nos vinhos anteriores (alguma baunilha, tosta menos evidente), com aromas a banana e noz moscada. Um aragonês não pesado, com bastante fruta, óptimo para consumo sem comida.
Abriu-se ainda o Pequeño João (T) 2004, vinho concebido a partir de um limitado lote que agradou muito os produtores, mas que tem desagradado alguma crítica. Percebe-se imediatamente que é não um vinho fácil (o Cabernet com o Arogonês tem destas coisas...), mas não deixa de ser interessante. Escuro na cor, sobressai um Cabernet escaldado pelo sol, poderosíssimo mas ligeiramente agre. De todos os vinhos provados, este foi aquele que achei com mais capacidade para acompanhar gastronomia robusta.
Por fim, veio o Madalhadinha (T) 2004 – numa das suas primeiras apresentações – mostrando-se bastante complexo, ainda jovem (quero prová-lo daqui a 6 meses), muito denso na boca. O Alicant(e) está em grande nível, fresco mas longe das notas verdes habituais. A madeira está bem marcada (bela madeira, by the way) mas toda em elegância, e um final longo que, daqui a alguns meses, será certamente longo e... guloso.
quinta-feira, abril 20, 2006
Breves notas: brancos
- Neethlingshof Chardonnay (B) 2004: Vinho da região do Cabo (África do Sul) com notas próximas do estilo acídulo de alguns chablis menos equilibrados, longe por isso daqueles onde predominam notas amanteigadas. Muito fresco, algumas notas florais, para se beber com marisco. A menos de € 10. Suficiente +.
- Três Bagos (B) 2004: Bastante acidez (demasiada mesmo!), mostra-se muito vivo, sem se notar que parte estagiou em madeira. A acidez da região (Douro) confere-se alguma complexidade e estrutura, mas está bem longe do que marca faz em relação ao Sauvignon Blanc. Abaixo dos € 6. Suficiente.
segunda-feira, abril 17, 2006
Jantar com a Montez Champallimaud

segunda-feira, abril 10, 2006
Quinta de Roriz (T) 1999

Mas vamos então escrever sobre o vinho... a cor esteve um espanto, num rubi escuro retinto a mostrar uma evolução lenta para a idade. No cheiro, a conversa foi outra pois um odor a rolha manifestou-se durante quase toda a prova (embora o arejamento o tivesse diminuído). Bouquet evoluído com notas a resina, algum couro, e uma fruta ainda madura por detrás de uma capa de tabaco.
A boca confirmou o nariz, apresentando-se vinioso e elegante, com aromas muito subtis a cassis, e uma madeira bem estruturada com os sabores (e aromas) secundários.
Venham mais destas...
quinta-feira, abril 06, 2006
Nota Breve: tinto douriense
- Quinta do Infantado (T) 2002: Com tanta cor nem parece um Douro da colheita de 2002 ... concentração média/alta, muita fruta madura e madeira equilibrada. Um belo tinto, a merecer mais dois ou três anos de garrafa. Se o futuro passar pela utilização de madeira nova no estágio, e pelas uvas de 2003, então teremos certamente um vinhão. Ficamos à espera, até porque o preço é bastante agradável - a menos € 10.
segunda-feira, abril 03, 2006
Verdes Majestosos
Surgiu assim o conceito de um Alvarinho com o caracter fresco da região, mas com mimos na produção nunca antes utilizados. A utilização de madeira nova, que já se vinha fazendo nos melhores Albarinhos galegos (Rias Bajas), mostrou-se mais um trunfo de Anselmo Mendes.
Com poucos dias de diferença, provámos ambos os rótulos da colheita de 2004. Vejamos:
Temos assim o “Muros Antigos”, super refrescante, com efervescência potente, traço citrino forte e uma espécie de sensação de terroir. Não é um Alvarinho fácil nem comum (quase omissas as referências a fruta tropical), é mesmo difícil de o esquecer, tem aquilo que só conseguimos descrever como uma “frescura complexa”.
Quanto ao “Muros de Melgaço” (um pouco mais caro do que o anterior, e com um ligeiro estágio em barrica) sente-se a mesma fruta de qualidade, mas tudo mais domado, o citrino evolui bem para a manga e o maracujá. Algumas notas doces finais contribuem para um conjunto guloso. Uma impressionante cor amarela ajuda a embelezar todo o conjunto, sentindo-se uma agulha menos potente do que o irmão mais novo.
Dois grandes Alvarinhos com algumas diferenças, mas iguais no que realmente importa: a qualidade do fruto, e o estilo personalizado do produtor.


sexta-feira, março 24, 2006
Kefren (T) 2001

A bodega Kefren, com nome de pirâmide (escolhido pela semelhança com a elevação onde a vinha está plantada) é muito recente, começou em 2000 e tenta fugir à tradição (o que não é fácil por aquelas bandas). O vinho, longe do estilo clássico e cansativo dos Rioja tradicionais, é de autor!
Logo se que se sacou a rolha (a custo!) lembrámo-nos daquele território quase desértico protegido dos frios do norte pela Serra Cantábrica, com um aroma a revelar alguma baunilha mas mostrando-se ao mesmo tempo jovem e cheio de força.
Na boca foi a confirmação de um grande vinho, densidade perfeita, várias camadas de fruto no paladar: primeiro mais madura, depois mais fresca, e depois ainda a madeira (notas a lembrar fósforos e especiarias exóticas). Por fim, uma acidez viva que garante pelo menos mais 5 anos em garrafa e um final super guloso.
Um grande tinto de Rioja (uma descoberta algo pessoal!) a mostrar que a zona não tem apenas passado.
terça-feira, março 21, 2006
Sugestões de restauração
Deixando os vinhos de lado (é pouco tempo, bem o sabemos), escrevo sobre dois restaurantes relativamente recentes e que merecem, sem qualquer dúvida, uma visita.
- O primeiro chama-se “Amarra o Tejo”, sito no jardim do castelo de Almada (na parte velha, pouco acima da Incrível Almadense - os amantes de música sabem onde fica). Em pleno miradouro – com Lisboa aos pés – ergue-se um restaurante onde o peixe é o menu principal. Mas não se basta com peixe fresco grelhado, pratica-se também alguma cozinha mais requintada servindo, a título de exemplo, uma bela asa de raia em molho de alho com alcaparras e pasta de azeitona. Uma lista de vinhos (lá está... que não consigo resistir em falar deles!) bem elaborada, com uma variedade significativa de rótulos, copos a preceito, puros conservados em condições propícias de humidade, enfim... tudo o que se deseja. Em rigor, já bastaria a boa comida, mas com a vista deslumbrante e qualidade no serviço, é um programa a repetir.
- O segundo restaurante tem por nome “À volta do vinho”, e centra a sua actividade em proporcionar refeições onde o vinho e o comer estão relacionados em absoluto. Às quintas-feiras este desígnio é exponenciado pela apresentação de um menu de degustação, acompanhado de vinho a copo seleccionado pelo proprietário para cada prato. Fica localizado entre o Palácio de S. Bento e a Praça das Flores (na segunda rua à direita de quem sobe) e tem um preço em conta.
sexta-feira, março 17, 2006
Notas breves: Tintos
- Calda Bordaleza (T) 2003: Belo vermelho rubi compacto sem se aproximar da negritude. Na boca este bairradio é elegante, alguma acidez a compor o conjunto das castas francesas. Sente-se pouco o álcool. Muito interessante. Bom+.
- Terras do Zambujeiro (T) 2002: Um alentejano com 24 meses de barrica! É obra. Mas é muito bom também. Naturalmente a fruta está menos presente, sobressaindo notas de couro e especiarias. Um alentejano diferente, pouco fresco mas muito intrigante. Bom+.
quarta-feira, março 15, 2006
Esporão Private Selection (B) 2004
Contrariamente ao que havia ouvido e lido sobre ele, este Esporão branco mostrou-se bastante fresco. É certo que lá estava a cor âmbar, o corpo cheio e aveludado, o doce e o mel como sabores primários... mas e aquele final? O que dizer daquele final citrino e floral, ligeiramente acídulo (ora acético ora doçura) a pedir mais um sorvo?Um grande branco do Alentejo, mas que penso não servir para guardar pois falta-lhe a estrutura e acidez adequada. Com mais este vinho Portugal subiu mesmo um patamar nos brancos, onde andávamos coxos não fora a honra dos "Alvarinhos" e de alguns "Encruzados".
A menos de €15 nas garrafeiras de todo o país.
segunda-feira, março 13, 2006
Notas breves: 2 brancos franceses bem diferentes
- Coteaux du Lapon, (B) 2003, Domaine Pinsonnerie: Muito doce este vinho do Vale de Loire. Bonita cor, corpo grosso, pena o final não muito gordo. Algo enjoativo, mas o problema pode ser meu posto que não aprecio brancos doces. Em todo o caso, acompanhou bem um fois gras da loja parisiense especializada "Petitte Scierie". Bom-.
- Laroche Chablis (B), 2004: Cor amarela clara (esperava melhor neste aspecto), notas de maçãs, mas também algum fundo mineral que gostei muito. Toda alegância da marca (muita finesse), faltou-lhe apenas um final mais digno (longo) e uma fruta mais exótica pois prevaleceram apenas os citrinos. Bom.
quinta-feira, março 09, 2006
Quinta da Trovisca (T) 1999

Na cor não se vislumbrou brilho, antes mostrou-se vermelho rubi já com alguma evolução, e transparências típicas de um vinho pouco encorpado.
Na boca foi vigoroso, mostrou-se saudável, a fruta é de qualidade mas deu a ideia que não foi bem trabalhada. Depois foi austero, aqui e ali um pouco de pó talco e laivos de tabaco, mas tudo rude. Alguma frescura, morango silvestre, notas de madeira sem classe (provavelmente de barricas de terceiro ano), sensação a madeira queimada. Tudo muito linear. Ressaltou a Touriga Nacional, mas sem glória.
Suficiente - .
domingo, março 05, 2006
Cortes de Cima (T) 2002

Hoje, referimos-nos ao "Cortes de Cima 2002", de preço mais acessível e de maior divulgação nas garrafeiras do nosso país (já que em Londres os vinhos da marca pululam em todas as wineshops de cada esquina).
Feito a partir de Aragonez, Syrah e Cabernet Sauvignon (mais Touriga Nacional e Trincadeira em subtis proporções), mostrou-se de cor vermelha fosca, sem qualquer brilho aparente. Já no nariz, um bouquet a frutos vermelhos bem maduros (já habitual neste produtor) casados com mestria com baunilha e, sobretudo, com especiarias.
Na boca, revelou taninos firmes e alguma complexidade; bem presente a Syrah e o Cabernet (com o Aragonez, em grande proporção, a "misturar" muito bem todo o conjunto).
Numa vindima repleta de chuvas (do norte ao sul do país), o Alentejo não escapou a uma ligeira falta de concentração. Porém, a humidade combinada com as altas temperaturas alentejanas, e uma vindima feita "a todo o vapor", proporcionaram um ano capaz de igualar outros de menos pluviosidade. Nessa medida, não espanta a qualidade deste "Cortes de Cima 2002", como aliás outros do mesmo ano e da mesma região. Bom +.
A menos de 13€ em garrafeira ou num hipermercado com uma decente secção de vinho (eg., Corte Inglês, Jumbo, Continente).
sexta-feira, março 03, 2006
Casa de Santar Touriga Nacional (T) 2000

Pois bem, o actual topo de gama é um monocasta Touriga Nacional e é um espanto. Aliás, soluciona de uma assentada as duas referidas "imperfeições".
Sem ser uma “bomba touriga” - hoje cada vez mais em voga em diversas quintas da Beira, mas para os quais é preciso acompanhamento correcto -, mostrou-se um monocasta superior, dócil, demostração evidente que nem sempre o excesso de força é a melhor qualidade de um vinho. Bom ++.
A menos de € 20 nas garrafeiras de qualidade.
quinta-feira, março 02, 2006
Conde de Vimioso Reserva (T) 2001
Este Conde de Vimioso Reserva é mais um desses vinhos. A nossa primeira prova remonta ao início do ano passado, na qual o vinho demostrou uma cor rubi brilhante e fruta vermelha "a rodos", sobretudo cassis e framboesas. Esta segunda prova revela-nos um vinho mais adulto, sem o brilho na cor que antes possuía, mas com mais madeira na boca, sem perder a finura que caracteriza os vinhos deste produtor, com um final bastante mais complexo.
Fácil de se beber, com um certo estilo internacional (faltando-lhe apenas a cor que se exige ao "novo mundo"), uma acidez bem desenhada (a região do Ribatejo permite-o) e um final guloso. Esta é, aliás, a melhor característica deste vinho... em pouco tempo os copos (e os corpos) esgotaram a garrafa.
A menos de € 15, uma aposta mais de que segura.
quarta-feira, março 01, 2006
Notas breves
- Quinta do Meruge (T) 1999: boa cor, alguma evolução, nariz potente a lembrar bombons de ginja, notas aromáticas típicas de vinho do Porto. Na boca confirma-se uma suavidade muito interessante, com destaque para fruta vermelha madura imposta pela Tinta Roriz. Bom.
- Altas Quintas (T) 2004: utilizando o triangulo das castas de ouro do Alentejo - Trincadeira, Aragonês e Alicant Bouchet - este vinho é uma surpresa total. Produzido a uma altitude pouco vulgar para um alentejano, surge-nos de cor grenada muitíssimo escura, com o nariz a jorrar um perfume de fruta vermelha fresca... na boca, o mesmo se sentiu, muito fino, um longo final e notas de especiaria. Belo vinho, mas a pedir comida. Bom+.
- Cova da Ursa (B) 2004: muito bom este chardonnay, belíssima cor dourada, notas tostadas da casta trabalhada pela madeira e um grande final. Em suma, um belo branco. Bom +.
- Conde da Ervideira Reserva (B) 2003: bonita cor, madeira não em excesso, algumas notas citrinas e um final de mão de gato. Bom.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Gouts du Vin
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Grou no Ganhão

As entradas eram os mimos do costume, belíssimos – a alheira, o paio do lombo, as quatro variadas do azeite alentejo, os queijos e umas empadas à Simões. Depois uns tordos deliciosos, com o tempero de alho no ponto, a queimar os lábios. Finalmente garoupa com caldo de peixe – que magnífico final, simples e leve, uma óptima maneira de terminar os salgados.
Para acompanhar tamanha comezaina, vieram várias garrafas de um dos vinhos alentejanos mais badalados no momento: o Grou 2004. A intromissão do enólogo Anselmo Mendes em terras do norte do Alentejo – zona do Cabeção – levou à criação de um tinto espantoso e muito original.
Servido entre 14º e 15º graus, a temperatura recomendada para este néctar, foi preto no copo a lembrar a cor dos verdes tintos de antigamente (o tal "sangue de boi"), até jurámos ver alguma efervescência... No nariz um impacto brutal a fruta, encobrindo por completo a madeira, fruta fresca, erva acabada de colher, orvalho da manhã, tudo muito bom. Na boca, quase pastoso, muito cheio, corpo imponente. O final, talvez pela temperatura do vinho, não acompanhou os galardões iniciais, e mostrou-se apenas correcto.
Um grande vinho do Alentejo, a beber nos próximos 4/5 anos, muito diferente do que habitualmente se faz. Diríamos que o calor da planície foi substituído pela força da montanha, sempre no Alentejo.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Notas breves: Espanha tinto e Ribatejo branco
- Vilosell (T) 2003, Costers del Segre (Espanha): muito bem na cor, ainda que sem que uma concentração esmagadora. Na boca tudo muito bem desenhado, não se procura o impacto bruto a fruta, nem um esmago a madeira. Antes uma combinação perfeita, harmoniosa, e delicada. A menos de € 10 (por importação).
- Quinta da Alorna Chardonnay Reserva (B) 2004: A casta está bem vincada, e (felizmente) não se encontra com um peso excessivo. Vinho com frescura considerável – não se caiu no erro de um estágio excessivo. Bonita textura, brilhante. Melhorou muito este Quinta de Alorna, comparado com colheitas anteriores.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Passeio pelo Dão: de Santar a Cabriz



Começámos em Santar, vila primorosa de casas antigas e casarões em restauro, e logo fomos recebidos na famosa Casa de Santar. Ora, apesar da menina que serviu de guia não ter primado pela simpatia, tratou-se de uma visita muito interessante. A casa - magnífica! - tem diversos pontos de interesse, a começar numa pequena capela com curiosidades escondidas pelo passar do tempo, passando por uma descomunal cozinha onde água é retirada de uma fonte interior, terminando a visita num pequeno, mas muito original, museu de coches e uniformes antigos.
Já no exterior, ficam os jardins: em réplica miniatura dos jardins de Versailles, são estes que nos conduzem à moderna adega com as vinhas - sempre protegidas pela maravilhosa Serra da Estrela - em pano de fundo. Na adega, uma breve paragem para explicações mais ou menos exactas, e o regresso à estrada foi imperativo.
Não se espante o leitor se lhe contar que após a visita à Casa de Santar, ficámos com fome! Naturalmente. Onde comer então? Pois bem, no restaurante da Quinta do Cabriz! Este, inserido nas instalações da sociedade "Dão Sul", fica na verdade em Carregado do Sal, a alguns quilómetros de distância da Quinta que produz uma parte dos vinhos da casa.
Como a vontade de comer era muita, e de provar os vinhos também, optámos por menu de degustação bem representativo da gastronomia regional. Assim, a um óptimo preço, foram-nos servidos quatro pratos, cada um com a sua garrafa (não é um erro, era mesmo uma garrafa para cada prato).
Espumante (bom, com bolha elegante e muito fresco) para a entrada, Branco "Encruzado" (muito bom, como vem sendo habitual) para o primeiro prato, dois tintos para os pratos de carne (o Jaen e o "Touriga Nacional"), um licoroso para as sobremesas (deliciosa a tigelada) e uma água-ardente com o café. Tudo da Quinta do Cabriz.
Depois de tamanho repasto a visita seguinte foi adiada e não hesitámos numa pequena sesta. Inevitavelmente. Um passeio, e um almoço, inesquecíveis.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Quinta da Bacalhôa (T) 2002

Após algumas voltas entre garrafas mais poeirentas, levei comigo um Quinta da Bacalhôa 2002 para ombrear com tamanho francesismo. De cor rubi pouco brilhante, mostrou um corpo médio/fraco a que já nos acostumamos quando em Portugal a cabernet é cruzada com merlot. Mas no nariz esteve bem, com notas a especiarias e madeira de qualidade, e na boca manteve-se seguro – longe de deslumbrar – com nuances frescas a menta e fruta verde acabada de colher (à qual faltou apenas a geleia doce típica do merlot, talvez pela pequena quantidade do lote utilizado).
A um preço um pouco elevado (entre € 10 a € 13), trata-se de um produto seguro em que se pode confiar, um vinho com uma elegância considerável, embora de colheita para colheita a fruta utilizada parece vir a desmerecer de qualidade.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Couteiro-Mor Antão Vaz (B) 2003

Foi a vez do Antão Vaz de 2003 dos produtores Couteiro-Mor. Esta casa, situada em Montemor, tem vindo a fazer grandes vinhos, brancos e, sobretudo, tintos (com o "Vale do Ancho 2003" em destaque).
Mas foi logo na cor, apesar dos elogios que se vão seguir, que o vinho menos brilhou – mostrou uma cor algo pálida, com transparências evidentes. Na boca, ao invés, mostrou-se altivo, com boa reprodução da casta alentejana, com os elementos minerais a sobressair atribuindo ao néctar uma frescura irrepreensível. Bom corpo e final persistente.
Após anos e anos de vinhos brancos de pouca categoria (sobretudo no Alentejo), podemos começar a concluir que existe hoje já uma “mão-cheia” de produtores a trabalharem muito bem as castas brancas um pouco por todo o país. Sobretudo as nacionais (Alvarinho, Encruzado, Arinto e Antão Vaz), mas também algumas estrangeiras (Sauvignon Blanc e Chardonnay).