sexta-feira, julho 14, 2006

Soalheiro (B) 2005 em noite amena de Verão


Em cada ano, não são assim tão poucas as noites amenas em Lisboa. Mas noites amenas (é que quentes são as de Sevilha!) sem qualquer indício de brisa, essas sim constituem uma raridade alfacinha. Comparada com outras cidades, vilas e aldeias de Portugal, Lisboa merece mesmo o destaque infeliz de ser uma windy city!
Ontem foi uma noite rara: sem vento nem brisa, apenas um maravilhoso calorzinho (quase quase 30º). Para quem não tem ADN sueco nem norueguês - aqueles portugueses, como o Pingus, que juram não aguentar o calor - a noite de ontem foi um verdadeiro deleite. E é nestas noites, de quando em quando, que não me esqueço de aparecer no Chafariz do Vinho para ficar na muy agradável mini-esplanada. Como também não me esqueço desse néctar dourado que me viu crescer, e através do qual comecei - em Braga, na casa dos meus avós - a beber vinho.
Foi assim a ocasião para um Soalheiro (B) 2005 - nome seguro quando se fala em Alvarinhos - que esteve, uma vez mais, irrepreensível. Aliás, não restam dúvidas que a colheita de 2005 foi muito bondosa para a maioria dos Alvarinhos.
Da cor pouco se pode falar (a penumbra da noite não o permitiu), mas em contrapartida apurou-se o nariz: elegante, banana intensa, notas doces tropical (manga), algum mineral, enfim um festim para o olfacto. Na boca, a frescura citrina revelou-se a grande nível, nomeadamente através das notas de casca de tangerina, frescura ajudada ainda pelo mineral de qualidade e, mais ténues, por referências a fumo num final médio/longo.
A acidez (bem como a "agulha") é que não me pareceu a de outros tempos, mas em noite de glória, foi coisa que pouco me perturbou.
A menos de € 10. Bom (16).

quarta-feira, julho 12, 2006

Novidades / Confirmações: 2004 & 2005

Não foram muitos aqueles que estiveram no Palácio da Bolsa no passado dia do vinho. Mas foi pena, pois surgiram algumas novidades. Em rigor, mais do que novidades foram confirmações. Boas casas apresentaram bons tintos e portos da colheita de 2004 e brancos de 2005. O que mostra qualidade e consistência. Ora, consistência na qualidade é coisa que os vinhos portugueses bem precisam. Vejamos as nossas notas:

  • La Rosa Reserve (T) 2004: É a nova imagem do "reserva" da Quinta de la Rosa. Mantém um altíssimo nível. Ainda duro, mas já é o lote final. Tudo indica que será mais uma bomba, mas com a polidez reconhecida a esta marca.
  • Quinta Vale da Raposa (T) 2004: Já mostra um registo elegante, personalizado e com boa capacidade de guarda. Enfim, as características comuns dos bons vinhos do produtor Alves de Sousa.
  • Quinta Vale da Raposa Vintage (P) 2003: É o primeiro Porto Vintage de Alves de Sousa no mercado. Não nos parece ter a força e o carácter necessários para uma guarda de longos anos, mas é já um vintage muito agradável, daqueles para consumir novos sem receio.
  • Kopke Vintage (P) 2003: Este sim é um vintage especial. Tinha curiosidade em prová-lo depois da excelente nota da "Blue Wine" (19). Ainda fechado no nariz; muito profundo e intenso na boca, mostra um complexo e inesquecível conjunto de sabores... tudo embrulhado numa força pujante. É um vintage incontornável.
  • Quinta do Noval Vintage (P) 2004: servido muito quente... ainda assim mostra as qualidades de sempre. É um vintage muitíssimo bem feito, perfeito equilíbrio. Mas merecia mais chama e agressividade. É como se a Noval tivesse uma formúla e a repetisse ano após ano. Podia ser diferente...
  • Castello d’ Alba Reserva (B) 2005: Na linha do "vinhas velhas" mas com menos battonage e madeira. A cerca de € 5 é um autêntico achado. Toca a comprar este branco neste Verão!

segunda-feira, julho 10, 2006

Monte da Cal Reserva (T) 2003


No início... muito álcool no nariz – é impossível não notar (14,5º, vejo depois)! Também algumas notas a madeira fruto do estágio de 8 meses em carvalho francês.
No copo, mostra pouca concentração, cor vermelha esbatida. Na boca é poderoso, complexo, o álcool traz-lhe uma acidez refrescante e ajuda a "sustentar" todo o conjunto.
Final de média intensidade.
É um vinho sem pretensões mas bem feito, com um vigor típico do alto do Alentejo, e que tem na harmonia com a boa-mesa a sua melhor qualidade.
A menos de € 10. Bom (15,5).

domingo, julho 09, 2006

3 vinhos no dia mais quente do ano... "so far"

Foi talvez o dia mais quente do ano nos campos em torno de Vila Viçosa. Os 39º impunham-se a todos os que se preparavam para almoçar no resguardo do alpendre. Fomos à garrafeira com o dono da casa e decidimos tudo num ápice. Primeiro um branco de Évora, depois um ribera espanhol a abrir cominho para um final com um alentejano de meia idade. O resultado... vejam:

  • Pêra Manca (B) 2002: Amarelo concentrado na cor - quase âmbar - muita evolução. Notas secas num nariz tremido. Corpo pesado, largo, muita estrutura. Na boca é gordo mas não convence: sobressaem as notas de resina, pó talco, e muita caruma. A fruta é que quase não se nota, não fosse alguma pêra no final. Falta-lhe garra, frescura. É um estilo muito próprio... mas não o meu. Suficiente (13,5).
  • Alion Reserva Tinto Fino (T) 1995: Notas de evolução na cor violeta e no corpo de mediana robustez. Algum resíduo no fundo da botelha. No nariz tudo muito intenso, bouquet vinioso, carregado, fruto preto, de início alguma resina, mas tudo muito elegante. Na boca foi uma bomba de dispersão: primeiro fruta, depois chocolate, depois moka, depois ainda notas “doce-amargas”... e azeitona preta. Taninos finos e de grande qualidade. Bom ++ (18).
  • Esporão Reserva (T) 1997: Já tínhamos apreciado o “garrafeira 1997” – mais fino, com menos evolução – mas este “reserva” não ficou muito atrás. Prova inequívoca da variável longevidade dos vinhos do Alentejo, é um néctar de nariz intenso e possante. De cor rubi muito escuro, mostra na boca surpreendentes notas florais (como se Touriga se tratasse, mas deve ser a Trincadeira), encobertas, aqui e ali, por algum tabaco e alcatrão. Excelente complexidade e final irresistível. Bom + (17).

quinta-feira, julho 06, 2006

JPR Aragonês (T) 2004


Vermelho discreto na cor, sem notas de evolução. Nariz comedido, manifesta pouca intensidade aromática. Na boca está mais fino e elegante do que as anteriores colheitas, mas menos afirmativo também. Pouca presença, boca hesitante com tendência a melhorar, fruta vermelha com notas dominantes de mirtilho e groselha, alguma caruma. Final médio.
Ficámos com a ideia que este aragonês, depois de anos de uma "relativa liderança", precisa agora de melhorar (upa upa) para acompanhar a recém chegada "concorrência". Preço em conta, a menos de € 12. Bom – (15).

Gouvyas Reserva (B) 2003


O dia (ou melhor, o final do dia) era de jogo decisivo para a nossa selecção de futebol. Na mesa, uma cataplana (pimentos, muito tomate, louro, alho e cebola, vinho branco, etc) de tamboril, fresquíssimo. Mas o que beber? Um branco de certeza! Mas, certamente, não um branco qualquer. Tirámos a garrafa do frigorífico, pouco depois saltaram os copos do armário.
Como o jogo não corria de feição, escolheu-se um branco que sabemos não nos decepcionar nunca; afinal, tínhamos que fazer um esforço (!) para "salvar" a noite.
Na cor surpreende um amarelo tão palha quanto brilhante, chega a ser difícil de acreditar – longe dos tons sombrios que o excesso de barrica pode provocar.
No nariz, curiosamente ainda fechado, é reduzido de aromas, tímido, mas com muita personalidade com notas subtis florais e mais intensas de abacaxi. Se apurarmos totalmente o olfacto ele “diz-nos” tudo o que, de seguida com o primeiro gole, iremos desfrutar. Um branco elegante, delgado mas marcante, com peso e frescura (o que não é fácil de encontrar). E que belo final! O João Roseira que me perdoe o excesso, mas é um branco perto da estampa. A menos de €17. Bom + (16,5).

terça-feira, julho 04, 2006

Herdade dos Grous (T) 2004


A cor praticamente opaca, profunda, com discretas nuances castanhas no remate do copo. Bouquet vinioso, compota, ameixa preta muito seca, bem no estilo dos vinhos desta região a sul de Beja (para mais informações sobre esta região ver aqui).
Na boca é terroso, guloso e quente, fruta muito madura misturada com chocolate negro - é sem dúvida um vinho todo no estilo moderno e linear. Porém, quando (dele) menos se espera, emerge timidamente alguma frescura proporcionado-lhe uma vitalidade sofisticada.
Tende a ser um pouco monótono e terá pouca harmonia com a boa mesa, mas é uma mimo de fruta doce, do estilo bombom. A menos de € 12. Bom (16).

segunda-feira, julho 03, 2006

Quinta dos Aciprestes Reserva (T) 2003


Depois do texto do Pingus, já se adivinhava um belo vinho...
Cor misteriosa, não totalmente opaca, bouquet sedutor logo de início. A primeira observação fazia adivinhar um vinho já pronto a beber, tudo já bem casado. Nariz transbordante, cheio de fruta preta, violetas, mas também algum chá e bergamota. Na boca é cheio, redondo, faltando-lhe apenas um pouco do corpo e peso, mas é tremendamente sedutor... um golo atrás de outro. Final médio/longo.
Mais uma grande proposta da Real Companhia Velha (que, a par do conceituado Evel GE, tem aqui um vinho de grande qualidade), e uma óptima aposta da Revista dos Vinhos que ofereceu uma garrafa deste Reserva na penúltima edição a troco de meros € 5,50. Uma bagatela!
A menos de € 12 em garrafeira. Bom + (16,5).

Que rico dia do vinho!


A viagem ao Porto, e mais concretamente ao Palácio da Bolsa, vale sempre a pena. A viagem ao Porto para beber umas pingas e usufruir de dois dedos de conversa com gente amiga... melhor é impossível.
Tanto mais que se provaram novidades, das quais darei feedback nos próximos dias, a saber: rosés e brancos de 2005 (destaque para o "Quinta d’Alba Reserva"), tintos de 2004 (entre outros, o "la Rosa Reserve", a nova designação do topo de gama da Quinta de la Rosa), e Vintages também de 2004 ("Quinta do Noval").
Na descontração, um dedo de conversa com o João Roseira (Gota & Pinga e Bago de Touriga), outro com Nuno Vaz Pires (Essência do Vinho), e muita tertúlia com o João Pedro e a Teresa da Casa de Cello (produtores dos vinhos da Quinta da Vegia).

sexta-feira, junho 30, 2006

Dia do Vinho


Este Domingo, dia 2 de Julho, é DIA DO VINHO. Não obstante o dia do vinho ser como o Natal - é quando um Homem quiser -, aí está uma data em que é obrigatório “sacar a rolha”. Eu estarei no Porto, no Palácio da Bolsa, em mais uma iniciativa da ViniPortugal e da Essência do Vinho. Se o leitor conseguir venha daí também. Em Lisboa também existem comemorações na ViniPortugal no Terreiro do Paço. Em qualquer caso, basta comemorar em casa com família e/ou amigos. Tchim tchim!

quarta-feira, junho 28, 2006

Dica do mês:

Vô Bento Reserva (T) 2003: este tinto vem directo das terras de Fernando Pó, para os lados do Poceirão, em plena região de Palmela e Terras do Sado. É o topo de gama a “Sociedade Agrícola Tí Bento”, e é produzido apenas quando a natureza permite o melhor aproveitamento de vinhas velhas castelão, ao qual é proporcionado um estágio em madeira no sossego das instalações da vizinha "Casa Ermelinda Freitas" (a meros 500m da sede da Soc. Agrícola Tí Bento). Na cor, como de resto no nariz, é um castelão puro e dos bons, madurão, com fruta exuberante e carácter macio. Na boca continua generoso, forte e persuasivo, com notas de fruta preta e alguma baunilha do carvalho. O final é curto para tanta fruta, mas é bom amigo da comida e do enófilo. Até no preço!

terça-feira, junho 27, 2006

Vale do Ancho Reserva (T) 2003


Da casa Couteiro-Mor têm saído alguns dos melhores vinhos alentejanos de tal modo que hoje, quando se fala sobre o Alentejo, surge invariavelmente Montemor ao lado de outras regiões famosas como Évora, Vidigueira ou Estremoz. O topo de gama da marca é este Vale do Ancho Reserva, cuja fama maior viria com a colheita de 2003. Experimentámos pela primeira vez este vinho no final do ano passado. Passados 6 meses foi altura de novo teste.
Em primeiro lugar importa assinalar a significativa evolução sentida logo aquando do “sacar da rolhar”. O bouquet que emergiu da garrafa não era aquele fruto maduro que nos comoveu no primeiro encontro. Agora, era um balsâmico fresco, uma certa acidez alcoólica que nos encheu de curiosidade. No copo, a cor mantinha-se retinta forte, de um vermelho granada fechado. Com a passagem de alguns minutos, e o agitar do copo, de novo surgiram as notas verdes (certamente do alicante bouschet), cogumelos, espargos, alguma ameixa. Depois, passámos para várias sensações de grafite e um toque metálico. Está muito diferente da primeira prova, onde dominaram as sensações carnudas a fruta quente.
Perto do fim, veio ainda a madeira, agora sim sente-se a harmonia entre a madeira e o aragonês (mas está escondido). Sempre no estilo complexo, rico, potente, taninos estruturados. Está muito bom, e já tão diferente um semestre passado. Pena estar mais caro.
Bom + (17). A menos € 30.

segunda-feira, junho 26, 2006

Duas confirmações

Por vezes a mera confirmação de grandes vinhos é mais útil ao enófilo do que a novidade ou a surpresa. Não se duvida que são as novidades que fazem girar o mundo comercial dos vinhos, que provocam a leitura das revistas da especialidade, bem como a realização de eventos promocionais mais ou menos eloquentes. Mas sem aqueles vinhos que são verdadeiros “porto-seguros” onde andávamos nós? O que fazer quando queremos servir um vinho com a certeza de que iremos gostar tanto quanto os nossos convidados? Afinal, o que fazer quando se quer beber e não provar?
Por isso hoje escrevo sobre dois vinhos (um branco outro tinto) que não constituindo novidades, têm muito que dizer:
  • Cova da Ursa (B) 2004: É sabido que muitos vinhos brancos portugueses têm um excesso de açúcar residual e que se tornam pouco amigos das refeições. Quando se opta por um chardonnay existe o risco adicional do vinho ser demasiado linear, aborrecido com a marca da casta excessivamente vincada. Mas nada disso sucede com este Cova da Ursa. Cristalino no copo, amarelo claro, transporta-nos pelo seu bouquet para um campo de lírios. Fino, elegante, mineral e herbáceo q.b., tem um belo final de boca com maça “golden”, nota citrina e pó de canela. É o branco português mais próximo de um “petit chablis”.
    Bom (15,5). A menos de € 12.
  • Quinta da Vegia Reserva (T) 2003: Já muito se escreveu sobre este tinto do Dão, em especial os nossos amigos na blogosfera (aqui e ali). Bastam assim breves notas: cor elegante, de um vermelho carregado com laivos azuis. Nariz fino e sedutor (todo elegância em desprimor da força bruta), notas florais, frescas, fruta de qualidade. Esta hamonia mantém na boca, seca e taninosa, com fruta discreta e chocolate distante, notas subtis a rebuçado e alguma moka. Final consistente médio/longo.
    Bom + (17) com tendência melhorar. A menos de € 25.

segunda-feira, junho 19, 2006

Presentes assim... sim!


Trouxeram-me directamente de Itália uma garrafa de Renatto Ratti Barolo (T) 2001. Para quem não gosta de chianti barato, é mais uma oportunidade de reencontrar um bom vinho italiano. Apesar de ainda não o ter provado (este é daqueles que vai dormir para a cave), é também certamente uma boa recomendação de compra dado o seu preço não especulativo (abaixo de € 40) e o facto da colheita de 2001 ter sido considerada excepcional (ou não fossem italianos, para quem todas as colheitas são excepcionais ou muito boas...).

quarta-feira, junho 14, 2006

O Lagar


Portugal pode ter menos estrelas Michelin do que outros países. É um facto. Mas por cada não-estrela Michelin, o nosso país tem centenas de restaurantes. E de tanta quantidade, já se sabe, sempre sai alguma qualidade. E é por isso que temos na restauração uma realidade peculiar, a saber: são restaurantes fora de moda, que em vez de chefe têm cozinheiro, que não mudam de gerência cada cinco anos, que não têm um (ou mais) “relações públicas”, que não investem em cadeiras Philippe Stark nem gastam dinheiro em elegante papel de parede.
Bem sei que nesta realidade que descrevi pululam restaurantes sem qualquer categoria, que juntam a uma fraca cozinha um mau serviço, e que têm uma mendinha oferta de vinhos. Mas não generalizemos! Existe uma minoria que prima pela distinção na comida, pelo atendimento afável e familiar, por vezes com uma extensa carta de vinhos fruto da paixão do proprietário pela pinga.
Ora, um dos melhores exemplos deste tipo de restaurante - que faz a partir da simplicidade e da paixão muito mais do alguns fazem a partir da mera sofisticação - é O Lagar, sito no lugar do Carvalhal. Quem vem de Lisboa pela A8 tem de sair em "Bombarral norte/Paúl", seguindo depois em direcção "Carvalhal/Santuário".
Antes de chegar ao restaurante é possível contemplar a paisagem da região, verde com as uvas brancas a partir das quais que produz o Espumante Loridos. A Quinta dos Loridos também é visível de longe (mas quem quiser pode passar mesmo à porta, se seguir outra estrada), com a renovada imagem dada por Joe Berardo e na qual se destaca um enorme jardim budista. Mais ao lado, é a produção de pêra-rocha que se faz sentir; mais distante surgem os moinhos típicos da zona Oeste.
Chegados finalmente ao Lagar, deixamo-nos nas mãos da família Louro. Nas entradas saem vitoriosas a morcela de arroz, as sardinhas de escabeche, a sopa de coelho e os ovos com cogumelos. Todos os pratos são assentes na melhor matéria prima, seja peixe (de Peniche, a poucos quilómetros de distância) ou carne (os melhores nacos vêm dos Açores). Em todo o caso, o mais sensato é perguntar por sugestões, mas adianto as minhas preferências: arroz de cabrito, perna de porco assada, jaquinzinhos com arroz de tomate, nos arrozes o de safio é delicioso. Para sobremesa, não se esqueça do "sorriso", versão da casa de fondant de chocolate acompanhado de gelado e geleia de leite condensado.
Mas o melhor ainda não chegou... falo da carta de vinhos. São centenas as referências de vinhos, incluindo toda a oferta da região, não fosse o proprietário um dos maiores coleccionadores de vinhos da Península Ibérica. Os copos e os preços são os adequados, apenas as temperaturas merecem ser revistas. Para quem já teve a sorte, como nós, de conhecer o armazém onde Luís Louro mantêm as dezenas de milhares de garrafas da sua colecção, sabe que o vinho n ' O Lagar só pode ter lugar de destaque.
Da região, prove-se então o Quinta do Sanguinhal (T) 2001, o Quinta das Cerejeiras (T) 2000, ou o Loridos Alvarinho (B) 2004 agora para o Verão. Todavia, se quiser algo mais a sério, abra os cordões à bolsa e peça um Quinta de Pancas Premium (T) 2003, vai ver que vale a pena.

sexta-feira, junho 09, 2006

O Vinho na Internet


O último número da revista da empresa VinaldaDoVinho – trás um artigo subordinado ao tema "O Vinho na Internet". Neste, dá-se o destaque aos sites institucionais promocionais e de compra de vinhos online. Mas também se aborda o mundo dos blogs, com referências elogiosas ao Copo d’ 3, ao Que tal o vinho?, e este nosso Saca a Rolha.
Clique aqui para ver a revista.

segunda-feira, junho 05, 2006

Esporão Reserva (B) 2004


Não constitui novidade que o território que rodeia Almancil está repleto de restauração de grande nível. A concorrência é feroz e faz-se sobretudo de grandes nomes (eg., São Gabriel, Vincent, Ermitage), mas também existe espaço para uma gama alta que, não almejando uma estrela Michelin, aposta forte na cozinha internacional. É nesta gama que se insere o restaurante Oceanos, localizado no sítio do Valverde, a cerca de meio quilómetro da entrada da Quinta do Lago. Ora, para acompanhar um bisque de sapateira, seguido de uma posta de pregado em cama de alho francês, com mexilhões e arroz basmati, e mais uns mimos pelo meio, veio... um Esporão Reserva (B) 2004.
Considerado o melhor vinho branco do TOP 10 ("Prova internacional") da revista Blue Wine (n.º 1), vinho afamado de uma casa com tradição e prestígio. A colheita de 2005 acaba de sair para o mercado.
A tradicional “triplicata” de castas brancas alentejanas - Roupeiro, Arinto, Antão Vaz - oferecem neste vinho uma cor dourada muito límpida; no nariz são as notas a baunilha e a pêssego que mais vincam, a madeira está sempre presente durante a prova, talvez demasiado incisiva. Cheio, gordo, na boca sobressaem notas persistentes a manteiga, algum persuasivo alperce, tudo bem equilibrado, do género corpulento.
Comparando com o Private Selection (B) 2004, este Esporão Reserva é menos doce e sedutor, com mais adstringência, o que o torna ideal para acompanhar refeições de todo o tipo. A uma temperatura de 12º é perfeito para peixes no forno, já a 14º pode acompanhar carnes leves.
Mais um belo vinho branco do Alentejo, ao qual apenas falta uma maior acidez aromática.
A menos de € 10 (€20-€25 em restaurante). Bom (15,5).

quarta-feira, maio 31, 2006

Vértice Grande Reserva Bruto 1992

Comprámos 2 garrafas em perfeitas condições no leilão organizado pela Dão & Douro. Segundo o Celso Pereira (enólogo das “Caves Transmontanas”), a marca só mantém 4 garrafas deste espumante. De resto, talvez alguns coleccionadores ainda tenham algumas botelhas.
De bolha finíssima, cor amarela palha (com laivos ora dourados ora esverdeados) e sabor intenso. De espumante típico apenas mantém alguma força inicial, mas a agulha já foi domesticada com a passar dos anos. Tudo o resto é puro deleite, é como se um belíssimo vinho branco se tratasse, mas com a finesse do gás carbónico.
No boca sentem-se notas a noz e frutos secos, tosta, alguma tangerina no longo final... tudo perfeitamente limado pelo anos de estágio em garrafa. Que glória!

segunda-feira, maio 29, 2006

Tintos até € 10


A última edição da Revista de Vinhos (RV) tem como destaque de capa uma prova comparativa entre vinhos tintos cujo preço de mercado é inferior a 10€. Apesar de não constituir uma novidade, posto que a RV já nos vem habituando a este tipo de artigo, é de salutar mais esta iniciativa, pois um comparativo deste tipo relaciona a qualidade de um vinho a um determinado preço máximo, o que facilita a vida do consumidor.
Sucede que, analisando com algum pormenor, descortino 2 questões que merecem destaque. A saber:
1 - Em primeiro lugar, constato que o preço indicado de alguns dos vinhos provados encontra-se abaixo do valor pelo qual, normalmente, se encontram à (nossa) disposição em garrafeiras ou mesmo em supermercados. Será o caso do "João Portugal Ramos Syrah 2004" indicado com o preço de € 10, ou do "Dão Álvaro de Castro" a € 8,50. Mesmo o "Ermelinda Freitas Touriga 2004" vem indicado a € 8, apesar de eu já o ter comprado à porta da Adega (à própria D. Leonor Freitas) quase a esse preço, o que pressupõe que em garrafeira o preço seja superior! E onde encontrar o "Prazo de Roriz 2003" a menos de € 10? Não é fácil garanto, no Gourmet do Centro Colombo vende-se a € 13... Ou seja, que a qualidade dos vinhos portugueses da gama “super premium” está a aumentar é algo que não discuto, aliás concordo totalmente. A prova realizada pela RV é bem ilustrativa disso mesmo, alguns dos vinhos mencionados (mas existem ausentes...) são realmente grandes compras (eg., Quinta dos Aciprestres Reserva 2003, como nos escreve o Pingus). Todavia, a publicidade que alguns desses vinhos têm tido, bem como as margens que alguns comerciantes não abdicam, fazem com que o seu preço já não se situe nessa faixa abaixo dos € 10. E importa estar, portanto, atento.
2 - Em segundo lugar, e apesar da longa lista de vinhos provados, encontrei dois ausentes de peso: o "Quinta do Infantado 2002" e o "Monte da Peceguina 2004". Em ambos os casos não compreendo a não inclusão na lista de vinhos provados. O douriense (€ 9 no ECI) é, apesar do ano difícil, um vinho com bastante complexidade, frutado e macio, enquanto o alentejano (€ 10 no ECI) é um dos vinhos mais gulosos que se pode provar na sua gama.
PS - Por fim, ainda uma curiosidade: o "Herdade do Paço Reserva 2004" passa um pouco despercebido na prova da RV, apesar da pontuação de 16 pontos; já na Blue Wine n.º 1 vinha apresentado como “recomendação/boa compra”...

segunda-feira, maio 22, 2006

A comunidade

Tenho para mim que o encontro entre blogs que escrevem sobre vinhos da passada semana revelou-se uma prova da vivacidade da “blogosfera”.
Ao contrário do que sucede um pouco por todo o "jornalismo amador e diletante", não se tratou de competição, muito menos de rivalidades. Ao contrário do que se assiste pela internet fora, não se tratou de promoção, muito menos de egocentrismos. Desta certeza ficámos todos certos, passe a redundância.
Em rigor, a boa disposição que mostramos uns para com os outros está bem longe do que se pode observar noutros sectores, mesmo no que respeita a blogs. Quem escreve sobre política (e os blogs em Portugal começaram sobretudo por serem páginas feitas por políticos ou por jornalistas de política nacional) sabe bem quanto é difícil escrever um texto sem criar reacções negativas noutros cronistas, ou encontrar (novos) inimigos. Do mesmo modo, muitas vezes quem rabisca poesia ou literatura, quem cola num site fotografias que tirou, quem descreve uma ideia de negócio etc..., procura a sua promoção (legítima, claro está).
Sucede que, ao invés, quando conheci o João Pedro, o Ricardo, o Rui, o Nuno, o Cristo, o Rui “Pingus”, só pensei: “olha-me estes tipos fantásticos... e não é que eu ando a fazer o mesmo que eles...”
O Copo de 3 mostrou um vivo sotaque alentejano (que eu já esperava!) e um estômago habituado ao melhor de Portugal e Espanha. Os Vinho a Copo mostraram uma bela união e a conjugação de vontade e conhecimentos. O Pinga no Copo revelou boa disposição e profissionalismo nas notas que ia tomando (sei que adoras o Quinta da Vegia Reserva 2003, olha, comprei uma caixa inteira no leilão).
Por isso, cabe marcar um primeiro evento de blogs sobre vinhos – algo sério, mas descontraído – para ver como esta “comunidade” evolui. Já com o João Roseira, claro, e com todos outros.
Este foi o primeiro passo. E não tenho receio de dar o segundo.

Gota e Pinga - mais um blog e dos bons...

Não sei se foram os meus elogios ao João Roseira que o levaram à reactivação do seu antigo blog. Do mesmo modo, desconheço se foi a “dinâmica” que se constata nos blogs sobre vinhos que determinou tal regresso... O que sei é que já está novamente em funcionamento. Sobre vinhos claro.
E melhor é impossível: um blog sobre vinhos escrito por quem conhece o vinho “por dentro”. Por mim, vou espreitar todos os dias o Gota e Pinga.
João, um forte abraço!

quinta-feira, maio 18, 2006

Quinta de Carapeços (B) Alvarinho 2004

No início é uma explosão de gás, excessivo mesmo. É tanto o gás que prejudica, num olhar desatento, a análise à cor deslavada tornando-a pouco nítida. Na boca melhora bastante, sente-se um bouquet guloso e adivinha-se o doce que a boca irá trazer. Pesado no copo para um vinho verde. Na boca, confirma-se o carácter floral e exuberante, mas de final curto. Dá a sensação que não é 100% Alvarinho – será Trajadura? O contra-rótulo não esclarece. Um pouco depois, mais "aberto", confirma-se então o temperamento doce e explosivo que prevíamos, agora com notas vivas a groselha... o “novo mundo” em pleno Minho?
Para quem (como eu) prefere a mineralidade e a complexidade não vai encontrar neste verde grande motivo de atracção. Ao invés, aqueles que preferem a fruta fresca e as notas florais aguerridas encontrarão neste verde minhoto um atractivo vinho de Verão.
A menos de € 6. Suficiente (13,5).

terça-feira, maio 16, 2006

Dão e Douro: já as saudades...

Só pela simpatia do João Roseira (Bago de Touriga) e da Teresa Gomes (Wine Solutions), - que soberbo jantar na sexta-feira no Valle-Flôr! – a iniciativa Dão e Douro já tinha muito para ser um êxito. A óptima selecção de vinhos, incluindo algumas grandes marcas de Portos (Taylor e Niepoort), acrescida ainda de um programa abrangente com provas em garrafeiras e jantares em restaurantes de prestígio... enfim tudo indicava um cuidado esmerado na organização. As cerejas no topo foram, para mim, o leilão de vinhos para beneficência e a prova final de excelência do Domingo no Pestana Palace.
Do jantar de sexta-feira, tudo é elogio: magnífica a cozinha do chefe Aimé, vinhos para todos os gostos, rigoroso serviço de vinhos seguido pela equipa da profissionalíssima Ana Paula.
Quanto à prova final realizada no Domingo, foram várias as provas de casco que entoavam vitória. Para além destas (quase todas de 2005), estiveram presentes outros vinhos já em comercialização. Destes, uns eram nossos conhecidos - eg., Aneto, Quinta da Pacheca, Quinta da Vegia, Gouvyas, entre outros - os restantes também proporcionaram fantásticas experiências vinícolas. Para não ser exaustivo, e sabendo que estou a deixar muitos bons rótulos de fora, ainda não esqueci alguns vinhos provados pela primeira vez no Domingo (é que tenho para mim que a lembrança é sempre um óptimo critério, nem que seja residual). É o caso dos brancos Castelo D’Alba (B) Vinhas Velhas 2004, Alves de Sousa Reserva (B) Pessoal 2003, o espumante Vértice “Bruto 0” 2000, e dos tintos Quinta do Infantado (T) Reserva 2003, Batuta (T) 2004, e Esmero (T) 2005 [este em prova de casco].

Um abraço redobrado para o João Roseira e um beijinho para a Teresa Gomes, bem como para aqueles que os ajudaram nesta iniciativa. A todos parabéns!

sexta-feira, maio 12, 2006

Pancas, Gago e ... Tapada do Chaves 1996

Enquanto outros colegas de ofício degustavam na Galeria Gemelli, nós, mais remediados (contamos tostões para nos desforrarmos hoje no Valle-Flôr), tínhamos um acordo com o Filipe Gaivão: nós levámos as garrafas, ele preparou a janta no seu restaurante. Assim, com uma pescada em tomatada e cebolada, seguida de folhado de perdiz e de lombo de porco com farinheira, bebeu-se:

  • Quinta de Pancas, Reserva Especial (T) 2003: muito concentrado como se esperava - os melhores Pancas são "built to last" e melhoram bastante com em garrafa -, mas não resistimos a uma prova antes do tempo. Muito maduro, fruto certamente do ano quente, com um impacto forte a fruta preta, sem traços de acidez, madeira já viva mas ainda escondida. Com um preço elevado, é um Pancas um pouco diferente de anos anteriores, mais madurão (ou será apenas do ano?). Cabe provar o “Premium (T) 2003” para tirarmos as dúvidas. Bom+ (17,5)
  • Dehesa Gago, (T) 2002: um belo vinho da região de Toro (a noroeste de Salamanca) feito por um dos novos mestres espanhóis, Telmo Rodriguez. Afirmando-se como um “driving winemaker”, percorrendo as auto-pistas de Espanha, Telmo Rodriguez (licenciado em Bordéus) dá assistência profissional um pouco por todo o território do vizinho ibérico. Este néctar, produzido a partir da variante autóctone da Tempranilho plantada em Toro (região ainda banhada pelo Douro), é talvez o seu projecto mais pessoal, mostrando-se elegante, macio, com irresistíveis notas a baunilha no bouquet e uma entrada de boca muitíssimo sedutora. Sem o excesso do carvalho americano típico de alguns vinhos espanhóis da velha guarda, e sem se notar o álcool, é um vinho sem arestas, onde a fruta vermelha madura (que não contribuiu para que se tornasse excessivamente doce) acompanha toda a prova, sobressaindo notas a mirtilho e referências a groselhas; fortemente guloso. Bom+ (17,5)
  • Tapada do Chaves (T) 1996: Fechou a noite antes do Porto, e fechou-a muito bem. Incrível a jovialidade deste puro alentejano, de Portalegre, diga-se! Nota-se pouco a evolução no copo (nem dá para acreditar...), apresentando-se rubi escuro apenas com a auréola em traços de castanho grenat. Nariz fechado mas com alguma fruta (que surpresa) e notas a couro e a armário antigo. Na boca esteve magnífico, elegante e portentoso, com fruta vermelha e notas nobres típicas da idade. Grande vinho. Bom ++ (18)
  • Quinta do Infantado (P) Vintage 1999: Pouco opaco na cor, perfumado e honesto. Conversei com o João Roseira uns dias mais tarde que me disse que a intenção era essa mesma, a de um vintage para ser consumido novo. Bom (16)

quarta-feira, maio 10, 2006

Vintages: novos ou menos novos?

Para quem quer ler uma interessante e vincada opinião, bem como os comentários, sobre Portos vintages (novos ou menos novos?), basta clicar aqui.

segunda-feira, maio 08, 2006

Evel Grande Escolha e Quinta dos Carvalhais

Também em casa se fez um mini “Dão e Douro” em pura brincadeira...
Abriram-se um Quinta dos Carvalhais Colheita 2002 (Sogrape) e um Evel Grande Escolha 1999 (Real Companhia Velha). É neste momento que me cabe esclarecer que tenho pelo Evel Grande Escolha (sobretudo os de 1999 e de 2000) uma grande afeição. Não sendo a marca mais mediática no mercado, nem o vinho mais poderoso das colheitas, foi e é um valor seguro e constitui uma excelente relação preço/qualidade. Diria mesmo que pode bem ser a porta de entrada para os verdadeiros topos de gama do Douro (G7), tendo outros já sido surpreendidos com este vinho. Quanto ao Quinta dos Carvalhais Colheita, também de preço não especulativo, surpreendeu pelo equilíbrio do seu conjunto, muito agradável, todo do tipo redondo, com a fruta a teimar em não sobressair. Vejamos melhor:

  • Evel Grande Escolha (T) 1999: muito escuro, apenas vermelho na auréola, bonito e elegante sem ser do tipo super-concentrado. Alguma evolução, mas revelou muita saúde (pode ser consumido até 2010). O nariz esteve algo fechado, duro mesmo, fruta madura em bloco e alguma madeira resultante dos 18 meses de estágio. Na boca esteve complexo, também fechado, mas muito sedutor. Notas a grafite misturadas com chocolate preto, muitas camadas, terminando por vezes doce e quente. Bom++ (18)
  • Quinta dos Carvalhais Colheita (T) 2002: grenat na cor, com pouca concentração e lágrima esguia. No nariz sentiu-se alguma acidez interessante, não concretizada na boca. Do estilo redondo e macio, é um conjunto equilibrado, mas de final curto. Suficiente+ (14)

Dão e Douro em Lisboa


Desde 4 deste mês, e até ao dia 14, as regiões vinícolas do Dão e do Douro estão espalhadas um pouco por toda Lisboa. Falo, como alguns já sabem, da 3.ª edição da Dão e Douro, iniciativa que privilegia o contacto pessoal dos vinhos com o consumidor, quer através de provas em garrafeiras, quer mediante jantares em restaurantes de prestígio.
As provas nas garrafeiras realizaram-se este fim de semana, os jantares começaram no dia 4 (no Eleven) e acabam no próximo dia 13 (no Terreiro do Paço).
Quanto a nós do Saca a Rolha, marcamos presença na Charcutaria Gourmet do CC Colombo e na garrafeira Adivinho, provando os seguintes durienses:
  • Calheiro Cruz Grande Escolha (T) 2000 bom++: um clássico do Douro em óptima forma; belo e elegante bouquet, madeira integrada, notas minerais e algum café.
  • Cerro das Mouras (T) 2003 bom+: bela surpresa, a marca soa a Alentejo... mas o carácter é do Douro, guloso, poderoso, taninos em forma e um belo final.
  • Taylor LBV (P) 2000 bom+: mais uma bela prova do que esta casa consegue fazer nos LBV (foi esta marca que "inventou" os LBV).
  • Quinta da Revolta Touriga Nac. (T) 2003 bom+: macio, aveludado, cativante, bela surpresa. Venham mais destes!
  • Glória Reserva (T) 2003 suficiente+: boa concentração, rubi escuro no copo, mas na boca esteve demasiado terroso, o carácter mineral demasiando bruto dominou a prova.

Quanto aos vinhos do Dão, quedámo-nos pelo:

  • Quinta dos Roques Reserva (T) 2003 bom-: no nariz surge o perfil duro da casa, e copo é médio/muito encorpado. Interessante, mas não surpreende.

No que respeita a restaurantes, lá estaremos nós na próxima sexta-feira dia 12 no Valle-Flôr. Já no dia 14, no encerramento das "festividades" cumpre-se a promessa de um encontro entre blogs de vinhos...

quarta-feira, maio 03, 2006

Notas gastronómicas

Uma vez mais importa parar a degustação de vinhos e destacar, apenas por uns instantes, algumas propostas gastronómicas.

O Nobre: novo restaurante - agora sito no Montijo - depois de tantas peripécias em Lisboa (algumas deixam muitas saudades, outras menos). É um regresso a alguns dos sabores da minha infância: a sopa de santola, os camarões quentes ao sal, o lombo de robalo/cherne à Justa, and so on... and so on. O estilo da casa mudou bastante para quem se lembra do restaurante na Ajuda (mas não entro em detalhes), o público alvo também mudou... a qualidade da comida da D. Justa e a simpatia do Sr. Nobre essas continuam intactas.
Quinta de Catralvos: em plena estrada entre Azeitão a Sesimbra fica esta quinta, projecto ambicioso, dos vinhos ao turismo, passando pela restauração. Com o chefe Luís Baena a comandar a cozinha, temos então várias propostas interessantes (eg., shot de navalheiras e ouriços do mar, croquetes de ostra, ovos de codorniz em cogumelos) viradas sobretudo para o estilo tapear, dada as dimensões reduzidas. Tirando o facto de várias propostas estarem esgotadas (!) aquando da nossa visita, e a escassez demostrada pela lista de vinhos, é uma visita a repetir, sobretudo pelo bom ambiente e pela a originalidade da maior parte dos pratos apresentados.

terça-feira, maio 02, 2006

Dica do mês


Adega de Pegões Trincadeira (T) 2004: mostra uma boa cor profunda, notas a fruta muito madura e alguma pimenta branca. Sente-se bem o terroir das "Terras do Sado", com a doçura habitual. A madeira talvez esteja demasiado evidente mas sem deturpar o conjunto muito macio, gordo até, e bastante agradável.
A menos de € 6.

quinta-feira, abril 27, 2006

Château Cap de Faugères (T) 2001


Os vinhos franceses têm destas coisas...quando compramos a garrafa pensamos que são bons, depois guardamos e por vezes esquecemos que os temos, mas quando finalmente os abrimos, constatamos ao primeiro trago que são ainda melhor do que pensávamos. Este Château Cap de Faugères vem de uma casa bordalesa em ascensão com vinhas em Saint-Emilion solos "grand cru", bem como numa região contígua denominada Côtes-de-Castillon. O vinho ora provado vem de um lote desta última região.
Um bouquet trasbordante, profundamente confitado e sedutor, e uma cor terrivelmente viniosa, abre o caminho para uma fantástica descoberta, deu-nos mesmo a sensação que o vinho podia ter esperado mais uns anos.
Na boca, sabores intensos a fruta silvestre muito madura, madeira que não se impõem – tudo no sítio! Sensações a bombons, ginja, todo guloso mas não sendo demasiado doce nem quente. Enfim, nada maçador...
Acabamos como começamos: os vinhos franceses têm destas coisas... são, muitas vezes, fantásticos.

sexta-feira, abril 21, 2006

Vinhos da Malhadinha Nova na Venha à Vinha

Na passada quarta-feira a garrafeira Venha à Vinha celebrou mais um aniversário. Como é costume da casa, que só sabe servir bem, a festa foi enobrecida com convidados e vinhos especiais. Quem fez as honras foi o Paulo Soares, um dos proprietários da Herdade da Malhadinha Nova, da simpática família Soares.
O primeiro vinho servido foi o Monte da Peceguina (B) 2004, um branco da nova geração do Alentejo, no qual as castas Arinto e o Roupeiro são adicionadas à Antão Vaz para atribuir ao vinho um carácter mais aromático. Todavia, foi mesmo o Antão Vaz que mais sobressaiu na prova (deve ser maioritário no lote), com o temperamento pesado e áspero que o torna apto para acompanhar comidas. Está um belo branco, com uma frescura considerável (sobretudo tendo em conta o ano quente de 2004), madeira bem doseada (como é necessário quanto se trabalha com o Antão Vaz). Enfim, um branco a rivalizar com alguns dos melhores da região.
Depois seguiu-se o Rosé da Peceguinha (R) 2004, com uma imagem comercial muito persuasiva e cuidada, tal como sucede, aliás, com os restantes vinhos desta casa. A característica que mais marcou a proa foi o travo doce (xarope de groselha) proeminente. A fruta é de qualidade, mas tem de ser bebido muito fresco e de preferência como aperitivo, senão pode-se tornar enjoativo.
Mas vamos então aos tintos... e que tintos! Tudo começou com o Monte da Peceguina (T) 2004: No nariz esteve muito bem, a mostrar-se um alentejano com garra, notas quentes ao Aragonês, tudo no nariz é Alentejo... Na boca, curiosamente, mudou um pouco o estilo, sente-se mais o Alicant(e), que lhe dá também uma bela cor, com notas vegetais elegantes, e a Syrah com nuances ora doces ora apimentadas. A madeira sente-se pouco e não está (ainda) integrada com a fruta do Aragonês, o que não nos desagradou, pelo contrário.
Seguiu-se o Aragonês da Peceguinha (T) 2004, uma aragonês típico da região, muito bem feito. A madeira sentiu-se mais do que nos vinhos anteriores (alguma baunilha, tosta menos evidente), com aromas a banana e noz moscada. Um aragonês não pesado, com bastante fruta, óptimo para consumo sem comida.
Abriu-se ainda o Pequeño João (T) 2004, vinho concebido a partir de um limitado lote que agradou muito os produtores, mas que tem desagradado alguma crítica. Percebe-se imediatamente que é não um vinho fácil (o Cabernet com o Arogonês tem destas coisas...), mas não deixa de ser interessante. Escuro na cor, sobressai um Cabernet escaldado pelo sol, poderosíssimo mas ligeiramente agre. De todos os vinhos provados, este foi aquele que achei com mais capacidade para acompanhar gastronomia robusta.
Por fim, veio o Madalhadinha (T) 2004 – numa das suas primeiras apresentações – mostrando-se bastante complexo, ainda jovem (quero prová-lo daqui a 6 meses), muito denso na boca. O Alicant(e) está em grande nível, fresco mas longe das notas verdes habituais. A madeira está bem marcada (bela madeira, by the way) mas toda em elegância, e um final longo que, daqui a alguns meses, será certamente longo e... guloso.
Enfim, vinhos do Alentejo feitos com trabalho e investimento, como a zona merece e retribui. Simpatia dos proprietários a provar que estão no negócio para durar. Ainda bem.

quinta-feira, abril 20, 2006

Breves notas: brancos

  • Neethlingshof Chardonnay (B) 2004: Vinho da região do Cabo (África do Sul) com notas próximas do estilo acídulo de alguns chablis menos equilibrados, longe por isso daqueles onde predominam notas amanteigadas. Muito fresco, algumas notas florais, para se beber com marisco. A menos de € 10. Suficiente +.
  • Três Bagos (B) 2004: Bastante acidez (demasiada mesmo!), mostra-se muito vivo, sem se notar que parte estagiou em madeira. A acidez da região (Douro) confere-se alguma complexidade e estrutura, mas está bem longe do que marca faz em relação ao Sauvignon Blanc. Abaixo dos € 6. Suficiente.

segunda-feira, abril 17, 2006

Jantar com a Montez Champallimaud


Não foi apenas mais um jantar o realizado no restaurante À Volta do Vinho, na penúltima sexta-feira, ali para os lados da Praça das Flores. De facto, esta iniciativa de Filipe d' Orey Gaivão contou com a colaboração da conhecida casa Montez Champallimaud e, mais importante, com a presença dos seus vinhos, incluindo o Quinta do Côtto Grande Escolha (T) 2001.
Com as entradas, começou por se provar o recente Paço de Teixeiró (B) 2005, branco com alguma complexidade, de cor pouco brilhante, mostrou uma frescura agradável na boca, embora fosse algo seco. Nuances ainda não totalmente evidentes (por ser tão novo), mas ainda assim notou-se algum ananás e, mais escondido, um pouco de maracujá.
Depois, já com o folhado de coelho servido (bastante bom, aliás), serviu-se o Quinta do Côtto (T) 2003. Revelou-se um tinto jovem, com um estilo mais moderno do que faria supor (para quem conhece os vinhos desta casa). Bastante agradável com fruta de qualidade (ao que parece não vai existir Grande Escolha de 2003, pelo que alguma uva de vinha velha deve ter vindo aqui parar), traço de uva madura mas sem qualquer excesso, taninos todos em elegância, e algum carácter mineral e metálico que contribuiu, em nossa opinião, para uma frescura e complexidade bastante interessantes. Belo final, médio/longo.
Com o novilho no forno (mal passado, como gostamos) serviu-se então o homenageado da noite... o Grande Escolha (T) 2001: este mostrou-se, desde logo, muito bonito na cor de um rubi profundo, não fosse já alguma evolução. No nariz sobressaltaram as notas a fruta bem casadas com a madeira, esta delicada mas presente. Tudo bem equilibrado, mas o futuro o dirá melhor. Na boca esteve, de início, menos fácil que o tinto de 2003, mas sempre com fruta encarnada elegante (morango silvestre) e referências frescas e piques de verdor correctos (orvalho e erva molhada). Tem alguns bons anos pela frente, o que negligencia uma prova para já... existem vinhos assim, preparados para envelhecer e, por isso, menos sedutores quando novos. Estão contra a corrente do mercado actual, disso temos a certeza!
Quanto ao Champallimaud Vintage (P) 2001 mostrou-se um Porto ao nível do que a casa nos habituou. Doce, muito doce, e pouca película na cor. Alguma silhueta feminina determinada pelo pouco álcool a piscar o olho ao mercado inglês não especializado. Em todo o caso, casou bem com um queijo da serra (este também algo mortiço, sem a força habitual).
Um bom jantar, com vinhos muito bem feitos, aos quais falta apenas um pouco mais de alma. Neste jantar estiveram presentes muitos daqueles convivas que costumam encher as provas na garrafeiras Coisas do Arco do Vinho, bem como alguns colegas de ofício do blog Vinho a Copo, aos quais redobramos votos para um futuro encontro.

segunda-feira, abril 10, 2006

Quinta de Roriz (T) 1999


A oportunidade de beber um Quinta de Roriz 1999 é algo que não costumo evitar, tanto mais que a sua produção foi muito limitada (cerca de 1000 caixas). A garrafa que abri faz poucos dias foi-me oferecida pelo meu amigo Almeida Fernandes na altura em que tinha o feliz hábito de me presentear com vinhos... hoje, prefere tentar vender e a preços destituídos de amizade.
Mas vamos então escrever sobre o vinho... a cor esteve um espanto, num rubi escuro retinto a mostrar uma evolução lenta para a idade. No cheiro, a conversa foi outra pois um odor a rolha manifestou-se durante quase toda a prova (embora o arejamento o tivesse diminuído). Bouquet evoluído com notas a resina, algum couro, e uma fruta ainda madura por detrás de uma capa de tabaco.
A boca confirmou o nariz, apresentando-se vinioso e elegante, com aromas muito subtis a cassis, e uma madeira bem estruturada com os sabores (e aromas) secundários.
Venham mais destas...
Nota ainda para o belíssimo rótulo da autoria de José Guimarães.

quinta-feira, abril 06, 2006

Nota Breve: tinto douriense

  • Quinta do Infantado (T) 2002: Com tanta cor nem parece um Douro da colheita de 2002 ... concentração média/alta, muita fruta madura e madeira equilibrada. Um belo tinto, a merecer mais dois ou três anos de garrafa. Se o futuro passar pela utilização de madeira nova no estágio, e pelas uvas de 2003, então teremos certamente um vinhão. Ficamos à espera, até porque o preço é bastante agradável - a menos € 10.

segunda-feira, abril 03, 2006

Verdes Majestosos

Faz vários anos que Anselmo Mendes tem vindo a dinamizar o mercado dos vinhos verdes brancos. Não hesitamos em considerar o lançamento dos rótulos “Muros de Melgaço” e “Muros Antigos” (bem como o “Espumante Muros Antigos”), como o maior salto qualitativo dos últimos anos vivido nos vinhos verdes. Tanto no que respeita ao cuidado na sua elaboração, quer no renovar de uma imagem que se encontrava um pouco gasta.
Surgiu assim o conceito de um Alvarinho com o caracter fresco da região, mas com mimos na produção nunca antes utilizados. A utilização de madeira nova, que já se vinha fazendo nos melhores Albarinhos galegos (Rias Bajas), mostrou-se mais um trunfo de Anselmo Mendes.
Com poucos dias de diferença, provámos ambos os rótulos da colheita de 2004. Vejamos:
Temos assim o “Muros Antigos”, super refrescante, com efervescência potente, traço citrino forte e uma espécie de sensação de terroir. Não é um Alvarinho fácil nem comum (quase omissas as referências a fruta tropical), é mesmo difícil de o esquecer, tem aquilo que só conseguimos descrever como uma “frescura complexa”.
Quanto ao “Muros de Melgaço” (um pouco mais caro do que o anterior, e com um ligeiro estágio em barrica) sente-se a mesma fruta de qualidade, mas tudo mais domado, o citrino evolui bem para a manga e o maracujá. Algumas notas doces finais contribuem para um conjunto guloso. Uma impressionante cor amarela ajuda a embelezar todo o conjunto, sentindo-se uma agulha menos potente do que o irmão mais novo.
Dois grandes Alvarinhos com algumas diferenças, mas iguais no que realmente importa: a qualidade do fruto, e o estilo personalizado do produtor.

sexta-feira, março 24, 2006

Kefren (T) 2001


De mim para mim, este é um vinho certamente especial... foi-nos vendido em plena DOC Rioja no local onde pernoitámos, mais precisamente em Ábalos, cidade de cor de terra. Mas voltemos ao início:
Os bons tintos de Rioja tem vindo recentemente a modernizar-se, deixando para trás o excesso de regulamentação que as classificações espanholas (eg., crianza, reserva, gran reserva) impõem, o que em muito limita a criatividade.
A bodega Kefren, com nome de pirâmide (escolhido pela semelhança com a elevação onde a vinha está plantada) é muito recente, começou em 2000 e tenta fugir à tradição (o que não é fácil por aquelas bandas). O vinho, longe do estilo clássico e cansativo dos Rioja tradicionais, é de autor!
Logo se que se sacou a rolha (a custo!) lembrámo-nos daquele território quase desértico protegido dos frios do norte pela Serra Cantábrica, com um aroma a revelar alguma baunilha mas mostrando-se ao mesmo tempo jovem e cheio de força.
Na cor apresentou-se um tempranilho vermelho grená, mais escuro do que é costume para esta região.
Na boca foi a confirmação de um grande vinho, densidade perfeita, várias camadas de fruto no paladar: primeiro mais madura, depois mais fresca, e depois ainda a madeira (notas a lembrar fósforos e especiarias exóticas). Por fim, uma acidez viva que garante pelo menos mais 5 anos em garrafa e um final super guloso.
Um grande tinto de Rioja (uma descoberta algo pessoal!) a mostrar que a zona não tem apenas passado.

terça-feira, março 21, 2006

Sugestões de restauração

Deixando os vinhos de lado (é pouco tempo, bem o sabemos), escrevo sobre dois restaurantes relativamente recentes e que merecem, sem qualquer dúvida, uma visita.

  • O primeiro chama-se “Amarra o Tejo”, sito no jardim do castelo de Almada (na parte velha, pouco acima da Incrível Almadense - os amantes de música sabem onde fica). Em pleno miradouro – com Lisboa aos pés – ergue-se um restaurante onde o peixe é o menu principal. Mas não se basta com peixe fresco grelhado, pratica-se também alguma cozinha mais requintada servindo, a título de exemplo, uma bela asa de raia em molho de alho com alcaparras e pasta de azeitona. Uma lista de vinhos (lá está... que não consigo resistir em falar deles!) bem elaborada, com uma variedade significativa de rótulos, copos a preceito, puros conservados em condições propícias de humidade, enfim... tudo o que se deseja. Em rigor, já bastaria a boa comida, mas com a vista deslumbrante e qualidade no serviço, é um programa a repetir.
  • O segundo restaurante tem por nome “À volta do vinho”, e centra a sua actividade em proporcionar refeições onde o vinho e o comer estão relacionados em absoluto. Às quintas-feiras este desígnio é exponenciado pela apresentação de um menu de degustação, acompanhado de vinho a copo seleccionado pelo proprietário para cada prato. Fica localizado entre o Palácio de S. Bento e a Praça das Flores (na segunda rua à direita de quem sobe) e tem um preço em conta.

sexta-feira, março 17, 2006

Notas breves: Tintos

  • Calda Bordaleza (T) 2003: Belo vermelho rubi compacto sem se aproximar da negritude. Na boca este bairradio é elegante, alguma acidez a compor o conjunto das castas francesas. Sente-se pouco o álcool. Muito interessante. Bom+.
  • Terras do Zambujeiro (T) 2002: Um alentejano com 24 meses de barrica! É obra. Mas é muito bom também. Naturalmente a fruta está menos presente, sobressaindo notas de couro e especiarias. Um alentejano diferente, pouco fresco mas muito intrigante. Bom+.

quarta-feira, março 15, 2006

Esporão Private Selection (B) 2004

Contrariamente ao que havia ouvido e lido sobre ele, este Esporão branco mostrou-se bastante fresco. É certo que lá estava a cor âmbar, o corpo cheio e aveludado, o doce e o mel como sabores primários... mas e aquele final? O que dizer daquele final citrino e floral, ligeiramente acídulo (ora acético ora doçura) a pedir mais um sorvo?
Um grande branco do Alentejo, mas que penso não servir para guardar pois falta-lhe a estrutura e acidez adequada. Com mais este vinho Portugal subiu mesmo um patamar nos brancos, onde andávamos coxos não fora a honra dos "Alvarinhos" e de alguns "Encruzados".
E acreditem que é mais fresco e citrino do que andam por aí a pregar. A não perder... isso de certeza.
A menos de €15 nas garrafeiras de todo o país.

segunda-feira, março 13, 2006

Notas breves: 2 brancos franceses bem diferentes

  • Coteaux du Lapon, (B) 2003, Domaine Pinsonnerie: Muito doce este vinho do Vale de Loire. Bonita cor, corpo grosso, pena o final não muito gordo. Algo enjoativo, mas o problema pode ser meu posto que não aprecio brancos doces. Em todo o caso, acompanhou bem um fois gras da loja parisiense especializada "Petitte Scierie". Bom-.
  • Laroche Chablis (B), 2004: Cor amarela clara (esperava melhor neste aspecto), notas de maçãs, mas também algum fundo mineral que gostei muito. Toda alegância da marca (muita finesse), faltou-lhe apenas um final mais digno (longo) e uma fruta mais exótica pois prevaleceram apenas os citrinos. Bom.

quinta-feira, março 09, 2006

Quinta da Trovisca (T) 1999


O nariz assustou-se no início com uma acidez trasbordante e fora de vulgar para uma colheita de 1999. Algum travo a álcool, aroma surpreendentemente jovem, alguma fruta (sem camadas em destaque), tudo banal.
Na cor não se vislumbrou brilho, antes mostrou-se vermelho rubi já com alguma evolução, e transparências típicas de um vinho pouco encorpado.
Na boca foi vigoroso, mostrou-se saudável, a fruta é de qualidade mas deu a ideia que não foi bem trabalhada. Depois foi austero, aqui e ali um pouco de pó talco e laivos de tabaco, mas tudo rude. Alguma frescura, morango silvestre, notas de madeira sem classe (provavelmente de barricas de terceiro ano), sensação a madeira queimada. Tudo muito linear. Ressaltou a Touriga Nacional, mas sem glória.
Suficiente - .
Preço não disponibilizado.

domingo, março 05, 2006

Cortes de Cima (T) 2002


Já não é a primeira vez que escrevemos sobre este produtor, sito na castiça região da Vidigueira (Alentejo). De facto, faz apenas alguns meses que provámos o belíssimo Touriga Nacional 2003 (ver post de 11 de Novembro de 2005).
Hoje, referimos-nos ao "Cortes de Cima 2002", de preço mais acessível e de maior divulgação nas garrafeiras do nosso país (já que em Londres os vinhos da marca pululam em todas as wineshops de cada esquina).
Feito a partir de Aragonez, Syrah e Cabernet Sauvignon (mais Touriga Nacional e Trincadeira em subtis proporções), mostrou-se de cor vermelha fosca, sem qualquer brilho aparente. Já no nariz, um bouquet a frutos vermelhos bem maduros (já habitual neste produtor) casados com mestria com baunilha e, sobretudo, com especiarias.
Na boca, revelou taninos firmes e alguma complexidade; bem presente a Syrah e o Cabernet (com o Aragonez, em grande proporção, a "misturar" muito bem todo o conjunto).
Numa vindima repleta de chuvas (do norte ao sul do país), o Alentejo não escapou a uma ligeira falta de concentração. Porém, a humidade combinada com as altas temperaturas alentejanas, e uma vindima feita "a todo o vapor", proporcionaram um ano capaz de igualar outros de menos pluviosidade. Nessa medida, não espanta a qualidade deste "Cortes de Cima 2002", como aliás outros do mesmo ano e da mesma região. Bom +.
A menos de 13€ em garrafeira ou num hipermercado com uma decente secção de vinho (eg., Corte Inglês, Jumbo, Continente).

sexta-feira, março 03, 2006

Casa de Santar Touriga Nacional (T) 2000


O actual topo de gama deste clássico produtor do Dão superou finalmente o maior defeito (seria feitio?) que sempre demostrou o seu vinho "Reserva". De facto, os "Quinta do Santar Reserva", colheita após colheita, vinham a deixar-me um travo a madeira queimada na boca e um nível de concentração abaixo do desejado e esperado.
Pois bem, o actual topo de gama é um monocasta Touriga Nacional e é um espanto. Aliás, soluciona de uma assentada as duas referidas "imperfeições".
Assim, com uma cor violeta escura (roxiada), e um aroma terrivelmente vinioso onde notas florais a percorrem uma vasta gama de sentidos, fomos imediatamente seduzidos.
Muito activo no nariz, notas verdes e vegetais (um leve bouquet a arbustos e erva selvagem), e álcool em quantidade. Na boca manteve persistente e muito completo, cheio, com um corpo significativo (bem melhor do que o "Reserva", mas ainda longe do que melhor se faz nesta matéria) e um final médio/longo.
Sem ser uma “bomba touriga” - hoje cada vez mais em voga em diversas quintas da Beira, mas para os quais é preciso acompanhamento correcto -, mostrou-se um monocasta superior, dócil, demostração evidente que nem sempre o excesso de força é a melhor qualidade de um vinho. Bom ++.
A menos de € 20 nas garrafeiras de qualidade.

quinta-feira, março 02, 2006

Conde de Vimioso Reserva (T) 2001

Quase todos os vinhos de João Portugal Ramos comungam de duas qualidades, a elegância e a boa harmonia entre o fruto e a madeira (embora na boca nos pareça que a madeira se mostre mais atrevida do que nariz). Uma “fórmula” repetida em pelo menos 3 zonas do país.
Este Conde de Vimioso Reserva é mais um desses vinhos. A nossa primeira prova remonta ao início do ano passado, na qual o vinho demostrou uma cor rubi brilhante e fruta vermelha "a rodos", sobretudo cassis e framboesas. Esta segunda prova revela-nos um vinho mais adulto, sem o brilho na cor que antes possuía, mas com mais madeira na boca, sem perder a finura que caracteriza os vinhos deste produtor, com um final bastante mais complexo.
Fácil de se beber, com um certo estilo internacional (faltando-lhe apenas a cor que se exige ao "novo mundo"), uma acidez bem desenhada (a região do Ribatejo permite-o) e um final guloso. Esta é, aliás, a melhor característica deste vinho... em pouco tempo os copos (e os corpos) esgotaram a garrafa.
A menos de € 15, uma aposta mais de que segura.

quarta-feira, março 01, 2006

Notas breves

  • Quinta do Meruge (T) 1999: boa cor, alguma evolução, nariz potente a lembrar bombons de ginja, notas aromáticas típicas de vinho do Porto. Na boca confirma-se uma suavidade muito interessante, com destaque para fruta vermelha madura imposta pela Tinta Roriz. Bom.
  • Altas Quintas (T) 2004: utilizando o triangulo das castas de ouro do Alentejo - Trincadeira, Aragonês e Alicant Bouchet - este vinho é uma surpresa total. Produzido a uma altitude pouco vulgar para um alentejano, surge-nos de cor grenada muitíssimo escura, com o nariz a jorrar um perfume de fruta vermelha fresca... na boca, o mesmo se sentiu, muito fino, um longo final e notas de especiaria. Belo vinho, mas a pedir comida. Bom+.
  • Cova da Ursa (B) 2004: muito bom este chardonnay, belíssima cor dourada, notas tostadas da casta trabalhada pela madeira e um grande final. Em suma, um belo branco. Bom +.
  • Conde da Ervideira Reserva (B) 2003: bonita cor, madeira não em excesso, algumas notas citrinas e um final de mão de gato. Bom.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Gouts du Vin

Num after work, nada melhor do que um sítio calmo, bem decorado, onde o vinho (a copo) é rei, com pratos e pratinhos (dos patês aos queijos). Tudo num único local à imagem das enotecas francesas. Simpatia no atendimento, pela proprietária. Onde? No "Gouts du Vin" na Rua de São Bento, com sotaque à mistura. A não perder... a não ser de amores.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Grou no Ganhão


Éramos uma boa meia dúzia, mas chegámos desfasados ao restaurante O Ganhão. A primeira metade, onde me incluía, comeu mais entradas e bebeu um pouco mais – benefícios da pontualidade.
As entradas eram os mimos do costume, belíssimos – a alheira, o paio do lombo, as quatro variadas do azeite alentejo, os queijos e umas empadas à Simões. Depois uns tordos deliciosos, com o tempero de alho no ponto, a queimar os lábios. Finalmente garoupa com caldo de peixe – que magnífico final, simples e leve, uma óptima maneira de terminar os salgados.
Para acompanhar tamanha comezaina, vieram várias garrafas de um dos vinhos alentejanos mais badalados no momento: o Grou 2004. A intromissão do enólogo Anselmo Mendes em terras do norte do Alentejo – zona do Cabeção – levou à criação de um tinto espantoso e muito original.
Servido entre 14º e 15º graus, a temperatura recomendada para este néctar, foi preto no copo a lembrar a cor dos verdes tintos de antigamente (o tal "sangue de boi"), até jurámos ver alguma efervescência... No nariz um impacto brutal a fruta, encobrindo por completo a madeira, fruta fresca, erva acabada de colher, orvalho da manhã, tudo muito bom. Na boca, quase pastoso, muito cheio, corpo imponente. O final, talvez pela temperatura do vinho, não acompanhou os galardões iniciais, e mostrou-se apenas correcto.
Um grande vinho do Alentejo, a beber nos próximos 4/5 anos, muito diferente do que habitualmente se faz. Diríamos que o calor da planície foi substituído pela força da montanha, sempre no Alentejo.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Notas breves: Espanha tinto e Ribatejo branco

  • Vilosell (T) 2003, Costers del Segre (Espanha): muito bem na cor, ainda que sem que uma concentração esmagadora. Na boca tudo muito bem desenhado, não se procura o impacto bruto a fruta, nem um esmago a madeira. Antes uma combinação perfeita, harmoniosa, e delicada. A menos de € 10 (por importação).
  • Quinta da Alorna Chardonnay Reserva (B) 2004: A casta está bem vincada, e (felizmente) não se encontra com um peso excessivo. Vinho com frescura considerável – não se caiu no erro de um estágio excessivo. Bonita textura, brilhante. Melhorou muito este Quinta de Alorna, comparado com colheitas anteriores.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Passeio pelo Dão: de Santar a Cabriz




Um passeio que fiz faz pouco tempo, foi em plena zona do “Dão Vinícola”. O objectivo era esse mesmo, conhecer um pouco mais a agreste paisagem daquele território que vê nascer alguns dos melhores vinhos portugueses, e cuja tradição fala por si.
Começámos em Santar, vila primorosa de casas antigas e casarões em restauro, e logo fomos recebidos na famosa Casa de Santar. Ora, apesar da menina que serviu de guia não ter primado pela simpatia, tratou-se de uma visita muito interessante. A casa - magnífica! - tem diversos pontos de interesse, a começar numa pequena capela com curiosidades escondidas pelo passar do tempo, passando por uma descomunal cozinha onde água é retirada de uma fonte interior, terminando a visita num pequeno, mas muito original, museu de coches e uniformes antigos.
Já no exterior, ficam os jardins: em réplica miniatura dos jardins de Versailles, são estes que nos conduzem à moderna adega com as vinhas - sempre protegidas pela maravilhosa Serra da Estrela - em pano de fundo. Na adega, uma breve paragem para explicações mais ou menos exactas, e o regresso à estrada foi imperativo.
Não se espante o leitor se lhe contar que após a visita à Casa de Santar, ficámos com fome! Naturalmente. Onde comer então? Pois bem, no restaurante da Quinta do Cabriz! Este, inserido nas instalações da sociedade "Dão Sul", fica na verdade em Carregado do Sal, a alguns quilómetros de distância da Quinta que produz uma parte dos vinhos da casa.
Como a vontade de comer era muita, e de provar os vinhos também, optámos por menu de degustação bem representativo da gastronomia regional. Assim, a um óptimo preço, foram-nos servidos quatro pratos, cada um com a sua garrafa (não é um erro, era mesmo uma garrafa para cada prato).
Espumante (bom, com bolha elegante e muito fresco) para a entrada, Branco "Encruzado" (muito bom, como vem sendo habitual) para o primeiro prato, dois tintos para os pratos de carne (o Jaen e o "Touriga Nacional"), um licoroso para as sobremesas (deliciosa a tigelada) e uma água-ardente com o café. Tudo da Quinta do Cabriz.
Depois de tamanho repasto a visita seguinte foi adiada e não hesitámos numa pequena sesta. Inevitavelmente. Um passeio, e um almoço, inesquecíveis.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Quinta da Bacalhôa (T) 2002


Depois de uma manhã e tarde passadas entre livros de economia política (sempre com o encanto para os assuntos sobre o Tratado de Methuen, por razões obviamente relacionadas com o vinho) um jantar com os sabores dos eternos rivais de Inglaterra vinha mesmo a calhar. Foi assim que me vi num jantar onde magret de pato com laranja era o prato forte da ementa (mais francês do que isso só a sopa de cebola).
Após algumas voltas entre garrafas mais poeirentas, levei comigo um Quinta da Bacalhôa 2002 para ombrear com tamanho francesismo. De cor rubi pouco brilhante, mostrou um corpo médio/fraco a que já nos acostumamos quando em Portugal a cabernet é cruzada com merlot. Mas no nariz esteve bem, com notas a especiarias e madeira de qualidade, e na boca manteve-se seguro – longe de deslumbrar – com nuances frescas a menta e fruta verde acabada de colher (à qual faltou apenas a geleia doce típica do merlot, talvez pela pequena quantidade do lote utilizado).
A um preço um pouco elevado (entre € 10 a € 13), trata-se de um produto seguro em que se pode confiar, um vinho com uma elegância considerável, embora de colheita para colheita a fruta utilizada parece vir a desmerecer de qualidade.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Couteiro-Mor Antão Vaz (B) 2003


Os vinhos brancos deste Inverno estão a revelar-se superiormente bons. Depois das óptimas referências anteriores (ver post de 24 de Janeiro de 2006), provámos outra surpresa muito, muito boa.
Foi a vez do Antão Vaz de 2003 dos produtores Couteiro-Mor. Esta casa, situada em Montemor, tem vindo a fazer grandes vinhos, brancos e, sobretudo, tintos (com o "Vale do Ancho 2003" em destaque).
Este Couteiro-Mor tem ainda duas grandes vantagens, a saber: i) a capacidade para ser guardado em garrafeira até 3/4 anos depois de engarrafado; e ii) um preço quase imbatível (abaixo dos € 7 quando o comprei, faz já algum tempo).
Mas foi logo na cor, apesar dos elogios que se vão seguir, que o vinho menos brilhou – mostrou uma cor algo pálida, com transparências evidentes. Na boca, ao invés, mostrou-se altivo, com boa reprodução da casta alentejana, com os elementos minerais a sobressair atribuindo ao néctar uma frescura irrepreensível. Bom corpo e final persistente.
Após anos e anos de vinhos brancos de pouca categoria (sobretudo no Alentejo), podemos começar a concluir que existe hoje já uma “mão-cheia” de produtores a trabalharem muito bem as castas brancas um pouco por todo o país. Sobretudo as nacionais (Alvarinho, Encruzado, Arinto e Antão Vaz), mas também algumas estrangeiras (Sauvignon Blanc e Chardonnay).

domingo, fevereiro 05, 2006

Novo blog: a "vinho-blogmania"

É com um enorme prazer que descobri recentemente um novo blog sobre “esta mania de andar a provar vinhos”. Cinco amigos juntaram-se e, no início deste ano, criaram o blog “Vinho a Copo”. Ao Ricardo, Rui, Nuno, Cristo e Duarte, votos de boas vindas.
Já agora, o título de blog coloca uma questão tão interessante como actual: a recente tendência para tomar vinho a copo, através da qual se consegue provar vinhos diferentes sem ter de abrir várias garrafas.
À V. Saúde.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Notas breves: Alentejo Branco e Tinto

  • Pontual (T) 2002: mais uma proposta interessante do Alentejo, com um preço simpático. Uva de qualidade, breve estágio em madeira nova. Tudo muito redondo, taninos suaves. Bom. Um pouco abaixo dos € 10.
  • Tapada de Coelheiros Chardonnay (B) 2004: muito fino e elegante este branco de referência. Muito bem na cor que se mostra límpida, boa concentração para um vinho tão seco, impressiona o sabor a casta (é melhor não servir muito frio, nunca abaixo dos 10º), mas não é cansativo como outros chardonnay que se bebe por aí. Manteiga baunilhada equilibrada com algum álcool num final de boca médio/longo. Bom +. Um pouco acima dos € 10.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Régia Colheita Reserva (B) 2003


Um robalo do mar para coisa de 900g ... era o convite. Assado.
O vinho: um Régia Colheita Reserva de 2003 guardado com carinho. De cor palha com tendência âmbar, mostrou-se um vinho muito concentrado sobretudo tendo em conta tratar-se de um branco. Existem vinhos brancos assim, sobretudo no Alentejo... vinhos pesados, com lágrima, alcoólicos, quentes até.
Pouca fruta, muita madeira – regra seguida à letra. Muito bem na cor (não poderia ser de outro modo) já dissémos, nariz algo fechado (apagado?).
Na boca, um mundo de sabores balsâmicos, algum mel, noz e casca de ovo. Um grande final para um portentoso vinho branco alentejano que vale bem beber no Inverno.
Pena a alegada falta de persistência na qualidade, pois consta que o 2004 está menos bom.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Quinta do Portal Reserva (T) 2000


Acompanhava um lombo de porco mas não pensámos num vinho alentejano (como já faz hábito quando degustamos um cochino...). Ao invés, lembrámos-nos de um douro que não fosse muito concentrado. Elegemos assim, num consenso difícil diga-se, o Quinta do Portal Reserva 2000.
E acertámos, pois ao contrário do que o qualificativo “Reserva” sugeria, estávamos perante um vinho linear a merecer ser consumido antes de 5 anos da sua comercialização (ou seja, está na altura!).
Ora, na cor começou por agradar, vermelhão escuro e violeta, sendo que a falta de concentração começava a ser evidente. O nariz indiciou o resto, pouca fruta madura, alguma madeira de qualidade... pouco mais. Escasso para o que se esperava, mas um conjunto agradável em todo o caso.
Na boca mostrou-se fácil e agradável, taninos suaves e de finura recomendável. Tudo no sítio, tudo complacente. Final pouco vigoroso como se antecipava.
Recomenda-se que o consumidor que queira provar um vinho furos acima produzido pela Quinta do Portal , opte por um “Grande Reserva” (ao estilo espanhol) ou um “Auru”. É preciso é abrir os cordões à bolsa. O aviso está feito.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Quinta de São Francisco (T) 2001

Da denominação produtora de Óbidos, em plena região da Estremadura, chega-nos este vinho feito com base na casta castelão.
De cor rubi brilhante, muito suave na boca, e com idêntica leveza aromática no nariz. Taninos salientes e robustos, fruta de qualidade mas pouco madura.
Falta-lhe apenas um pouco de concentração (devido ao muito que chove na região do Oeste) e um final mais longo e largo para ser um vinho de belo porte.
Ainda assim, muito bem feito este néctar, tudo equilibrado, podendo deixá-lo dormir mais 2-3 anos em cave.
A menos de € 8, e com um elogio ao grafismo do rótulo, de estilo clássico (fora de moda até), com destaque para a referência do trofeu "prestige" obtido no Concurses Citadelles du Vin.

domingo, janeiro 08, 2006

Prazo de Roriz (T) 2002


No nariz como na boca tratou-se de um Douro ainda fechado e muito mineral (consta mesmo que na propriedade existiram minas de ouro e estanho até ao fim da Segunda Guerra Mundial). Esteve presente a madeira, ainda que sujeita a pouca harmonia, e alguma fruta vermelha longe de ser madura a lembrar-nos o ano da colheita (com muita chuva).
Este “Prazo de Roriz” é a segunda marca da conhecida Quinta de Roriz, na família van Zeller desde 1815, e especializada nos vinhos do Porto. Num ano difícil como foi o de 2002, e tirando a madeira menos bem "casada", este vinho de mesa não deixou "créditos por mãos alheias", mostrando um recorte fino e elegante. O que pelo seu preço, não é nada mau.
A menos de € 8 no Corte Inglês (supermercado).

terça-feira, janeiro 03, 2006

Martinet Cru (T) 2001


Da região mais badalada da Europa, bebemos este Martinet Cru 2001. Não estivéssemos nós em Espanha e não tivemos outro remédio que não o de provar este belo Priorat (e que remédio...). Trata-se da segunda marca do produtor “Mas Martinet” e tem um preço interessante, pois é sabido que os vinhos desta região de Espanha têm sofrido uma inflação estonteante. Para ilustrar com um exemplo, a primeira marca “Clos Martinet” custa praticamente € 50.
Quanto ao vinho propriamente dito, feito com castas francesas (Cabernet Sauvignon, Merlot, e um pouco de Syrah) e um terço da variante local Garnatxa, apresentou-se muito escuro (quase, quase opaco), compacto, com lágrima espessa e de “queda” lenta (como tanto gostamos!). Não admirou assim os seus 14,5º de álcool.
O nariz foi dominado por ameixa preta, uvas passas, enfim muita fruta madura de qualidade, alguma madeira (apostamos em barricas de carvalho francês) e um grande volume de álcool.
Na boca, novamente a referência a fruta muito madura, agora alguma cereja - um vinho anti-vegetal -, com taninos que indicam alguma longevidade e um final longo com notas de chocolate amargo.
Entre € 15 e € 20.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Reserva Ferrerinha (T) 1994

Depois do almoço, e dos vinhos já referidos (ver posts anteriores),
a "coisa" complicou no jantar de Natal. De facto, abrimos duas garrafas de Reserva Especial Ferreirinha 1994. Abrimos a custo devo dizer, pois ambas as rolhas estavam surpreendentemente em más condições, a querer mesmo quebrar em plena metade.
Mas o breve desalento no "sacar a rolha" passou imediatamente... mal abrimos o néctar, um portento de sabores a fruta vermelha saiu da garrafa (o que não deixou de ser curioso, tratando-se de um douro com mais de 10 anos, ainda por cima um Ferreirinha!).
Contudo, após a decantação, não foi necessário esperar muito mais para sentir o típico bouquet doce e algo químico deste fantástico vinho.
No olhar, rubi escuro e intenso no copo. Fino na boca, muito corpo e todo ele elegante, com fruta madura imediatamente acessível, e madeira perfeitamente alinhada. Forte concentração e um final longo.
Não era um Barca Velha, pois apesar de “novo” estava já com uma maturação muito aceitável. Mas era muito bom.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Termeão "pássaro branco" (T) 2003


Um dos produtores da moda, Manuel Campolargo sediado na Anadia, desafia-nos para mais um vinho de garagem (ie., com produção limitada a pequeníssimas quantidades).
Com Camarate e Touriga como castas predominantes, e um pouco de cabernet Sauvignon, todas vindas da Bairrada (terroir laboratório do produtor) só podíamos encontrar um vinho assim: forte, aroma rijo e pouco domável. Nota-se a falta do estágio de madeira que o seu irmão mais velho (Termeão "pássaro vermelho", ver rótulo) beneficia. No entanto, é um vinho capaz de surpreender qualquer um... bem diferente do que faz por todo o país.
De cor rubi, é o seu nariz intenso e complexo (mineral?) que vinga. Com notas de boca florais e sugestivas a legumes verdes. É melhor esperar um ou dois anos (mas não mais!), para ver se a “fera” acalma.
Para já, é um vinho muito interessante e que todos os enófilos devem experimentar. A menos de € 8 na Makro (€ 20 pelo Termeão "pássaro vermelho").

Esporão Garrafeira (T) 1997


Começamos no Sábado de Natal com um Esporão Garrafeira 1997 a ombrear uns filetes de polvo com arroz do dito. A expectativa era muita, não só pelo facto do vinho ser um dos melhores que a região oferece, como pela sua idade (pouco própria para um alentejano, dirá, a priori, muita gente).
Elaborado com Cabernet Sauvignon, Aragonês e Trincadeira, estagia por 18 meses em carvalho francês novo e uma parcela em carvalho americano.
Na cor, foi um vinho de cor granada, com nuances de alguma evolução, tonalidade concentrada, deu-nos imediata sensação que estaria em óptima forma. No nariz aromas a fruta madura perdidos num curioso arabesco mineral, algum “cassis” (mas pouco) e grãos de café. Madeira bem doseada a trazer aromas e sabores exóticos, boa presença da casta francesa. Taninos macios e integrados.
Um grande vinho do Alentejo a mostrar que, quando bem elaborados, estes podem descansar uma década antes de serem bebidos.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Quinta da Sequeira (T) 2001

Após um elogio rasgado do Pedro Gorjão Henriques, à primeira oportunidade fui comprar uma garrafa de "Quinta da Sequeira". Comprei-a por €13 na Garrafeira Internacional, loja recentemente inaugurada na Rua Escola Politécnica, ao Príncipe Real.
De cor vermelha escurecida, apresentou um bom porte no copo, e um belo nariz (de antemão muito complexo). Mostrou-se forte na boca, áspero, com a madeira escondida por uma fruta em decomposição (mas sem vestígios de sabores “confitados”). Algumas notas de fumo, e de tabaco.
Com um final longo, foi um vinho muito interessante, mas difícil, que tememos ter como maior virtude acompanhar uma robusta refeição. Bebê-lo sem comida poderá ser arriscado...

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Calços do Tanha Reserva (T) 2001

A poucos quilómetros de Ponte de Lima, já perdidos no verde minhoto, descansámos no Restaurante Bocados e recuperámos as forças com a sua cozinha. Com inspiração na gastronomia portuguesa, servem-se vários pratos pequenos à laia de entradas e um prato final, "bocado maior". Nada se escolhe, é tudo por conta da casa. O prato maior foi um bacalhau envolto em couve, muito bom. O bolo de noz coberto de chocolate foi uma tentação que não se evitou.
No vinho resolvemos provar o irmão maior de um néctar bebido faz semanas. Se já tínhamos gostado muito do Calços do Tanha (e aqui deixámos testemunho no texto de dia 22 de Novembro), venha agora o Calços do Tanha Reserva – foi o que pensámos e melhor fizemos. Escuro (mas não preto), muito consistente, pesado no copo, foram os brutais aromas a frutos vermelhos que mais transbordaram dos copos (próprios para apreciadores, o que mostrou o cuidado do Sr. José Pereira, o proprietário). Na boca algumas notas de couro, tabaco e novamente uma compota em decomposição. Um final longo, a título de despedida magistral.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Condado de Haza Reserva (T) 2000

Umas almôndegas primorosas esperavam em casa, envoltas num molho espesso. Juntámos, como entrada, umas fatias de veado fumado e umas tâmaras com presunto; fizemos o jantar.
Como fazia tempo que não depenava a secção espanhola da minha garrafeira, fui buscar um Ribeira del Duero. Após alguma hesitação, lá decantámos um “Condado de Haza Reserva 2000”. Esta segunda quinta de Alejandro Fernández é tida como o seu sonho, depois da muita fama obtida com os “Tinto Pesquera” (aos quais já fizémos referência num texto de 18 de Julho deste ano). Aliás, as duas quintas distam poucos quilómetros, como constatei no ano passado quando percorri toda a estrada de Peñafiel em busca das melhores bodegas.
Ora, este Condado de Haza esteve irrepreensível, em óptimo estado de maturação. Apesar da colheita de 2000 ter ficado furos atrás à de 2001, mostrou uma bonita cor de cereja (típica dos Reserva da região) e aromas equilibrados de madeira, fumo e fruta. Surpreendentemente, o tempranillo esteve repleto de sabores, numa estranha sucessão de frutas maduras diferentes, tudo com uma pouca acidez tradicional.
Um pouco distante dos melhores da região (do que melhor e mais caro se faz no mundo inteiro), mostrou-se gostoso e guloso, um vinho que apetecia beber. Pena o final, curto para o que se dele esperava.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Cartuxa Reserva (T) 2002

A cor começa a desapontar (já com evolução) e no copo mostra-se mesmo “leve”, pouco denso... um súbtil brilho coral (pálido) e pouco mais.
Na boca, já tudo é diferente: vivo, muito fruta (mas não madura), tudo a lembrar o “vinho novo” alentejano que se bebe no próprio ano da colheita. Tem um estilo contra a moda dos tintos carnudos e concentrados, é um tinto suave e ideal para acompanhar certos assados pouco fortes (peixe ou carnes brancas). Apelativo.
A menos de € 20.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Tapada de Coelheiros (B) 2004


Duas enormes postas de garoupa para três pessoas... um regalo bastante para uma despedida de comidas mais outonais.
No vinho elegeu-se um branco à teimosia de encarar o Inverno de frente. Um belo Tapada de Coelheiros. Muito elegante no nariz, notas cremosas e tostadas, algum pão fresco e chá verde, nota-se o arinto.
Na boca muito seguro, faz parte de uma nova vaga de brancos alentejanos que não envergonham o nosso país. Algo citrino, foi contudo a untuosoidade a sua maior virtude. Um branco macio como poucos, no qual sobressaíram notas de manteiga e uma leve baunilha fruto de uma (curta) fermentação em madeira.
Este branco da Tapada de Coelheiros, mais uma jóia de António Saramago e já com tradição, junta-se como uma referência a outros brancos alentejanos de grande porte como o Pêra Manca, o Monte da Penha, o Couteiro-Mor Antão Vaz, ou o JPR Antão Vaz, entre outros.
A menos de € 10 numa garrafeira. O dobro num restaurante.
N.A.: O rótulo que ilustra o texto respeita à coleita de 2002, mas são mínimas as diferenças com a versão actual.