
segunda-feira, abril 17, 2006
Jantar com a Montez Champallimaud

segunda-feira, abril 10, 2006
Quinta de Roriz (T) 1999

Mas vamos então escrever sobre o vinho... a cor esteve um espanto, num rubi escuro retinto a mostrar uma evolução lenta para a idade. No cheiro, a conversa foi outra pois um odor a rolha manifestou-se durante quase toda a prova (embora o arejamento o tivesse diminuído). Bouquet evoluído com notas a resina, algum couro, e uma fruta ainda madura por detrás de uma capa de tabaco.
A boca confirmou o nariz, apresentando-se vinioso e elegante, com aromas muito subtis a cassis, e uma madeira bem estruturada com os sabores (e aromas) secundários.
Venham mais destas...
quinta-feira, abril 06, 2006
Nota Breve: tinto douriense
- Quinta do Infantado (T) 2002: Com tanta cor nem parece um Douro da colheita de 2002 ... concentração média/alta, muita fruta madura e madeira equilibrada. Um belo tinto, a merecer mais dois ou três anos de garrafa. Se o futuro passar pela utilização de madeira nova no estágio, e pelas uvas de 2003, então teremos certamente um vinhão. Ficamos à espera, até porque o preço é bastante agradável - a menos € 10.
segunda-feira, abril 03, 2006
Verdes Majestosos
Surgiu assim o conceito de um Alvarinho com o caracter fresco da região, mas com mimos na produção nunca antes utilizados. A utilização de madeira nova, que já se vinha fazendo nos melhores Albarinhos galegos (Rias Bajas), mostrou-se mais um trunfo de Anselmo Mendes.
Com poucos dias de diferença, provámos ambos os rótulos da colheita de 2004. Vejamos:
Temos assim o “Muros Antigos”, super refrescante, com efervescência potente, traço citrino forte e uma espécie de sensação de terroir. Não é um Alvarinho fácil nem comum (quase omissas as referências a fruta tropical), é mesmo difícil de o esquecer, tem aquilo que só conseguimos descrever como uma “frescura complexa”.
Quanto ao “Muros de Melgaço” (um pouco mais caro do que o anterior, e com um ligeiro estágio em barrica) sente-se a mesma fruta de qualidade, mas tudo mais domado, o citrino evolui bem para a manga e o maracujá. Algumas notas doces finais contribuem para um conjunto guloso. Uma impressionante cor amarela ajuda a embelezar todo o conjunto, sentindo-se uma agulha menos potente do que o irmão mais novo.
Dois grandes Alvarinhos com algumas diferenças, mas iguais no que realmente importa: a qualidade do fruto, e o estilo personalizado do produtor.


sexta-feira, março 24, 2006
Kefren (T) 2001

A bodega Kefren, com nome de pirâmide (escolhido pela semelhança com a elevação onde a vinha está plantada) é muito recente, começou em 2000 e tenta fugir à tradição (o que não é fácil por aquelas bandas). O vinho, longe do estilo clássico e cansativo dos Rioja tradicionais, é de autor!
Logo se que se sacou a rolha (a custo!) lembrámo-nos daquele território quase desértico protegido dos frios do norte pela Serra Cantábrica, com um aroma a revelar alguma baunilha mas mostrando-se ao mesmo tempo jovem e cheio de força.
Na boca foi a confirmação de um grande vinho, densidade perfeita, várias camadas de fruto no paladar: primeiro mais madura, depois mais fresca, e depois ainda a madeira (notas a lembrar fósforos e especiarias exóticas). Por fim, uma acidez viva que garante pelo menos mais 5 anos em garrafa e um final super guloso.
Um grande tinto de Rioja (uma descoberta algo pessoal!) a mostrar que a zona não tem apenas passado.
terça-feira, março 21, 2006
Sugestões de restauração
Deixando os vinhos de lado (é pouco tempo, bem o sabemos), escrevo sobre dois restaurantes relativamente recentes e que merecem, sem qualquer dúvida, uma visita.
- O primeiro chama-se “Amarra o Tejo”, sito no jardim do castelo de Almada (na parte velha, pouco acima da Incrível Almadense - os amantes de música sabem onde fica). Em pleno miradouro – com Lisboa aos pés – ergue-se um restaurante onde o peixe é o menu principal. Mas não se basta com peixe fresco grelhado, pratica-se também alguma cozinha mais requintada servindo, a título de exemplo, uma bela asa de raia em molho de alho com alcaparras e pasta de azeitona. Uma lista de vinhos (lá está... que não consigo resistir em falar deles!) bem elaborada, com uma variedade significativa de rótulos, copos a preceito, puros conservados em condições propícias de humidade, enfim... tudo o que se deseja. Em rigor, já bastaria a boa comida, mas com a vista deslumbrante e qualidade no serviço, é um programa a repetir.
- O segundo restaurante tem por nome “À volta do vinho”, e centra a sua actividade em proporcionar refeições onde o vinho e o comer estão relacionados em absoluto. Às quintas-feiras este desígnio é exponenciado pela apresentação de um menu de degustação, acompanhado de vinho a copo seleccionado pelo proprietário para cada prato. Fica localizado entre o Palácio de S. Bento e a Praça das Flores (na segunda rua à direita de quem sobe) e tem um preço em conta.
sexta-feira, março 17, 2006
Notas breves: Tintos
- Calda Bordaleza (T) 2003: Belo vermelho rubi compacto sem se aproximar da negritude. Na boca este bairradio é elegante, alguma acidez a compor o conjunto das castas francesas. Sente-se pouco o álcool. Muito interessante. Bom+.
- Terras do Zambujeiro (T) 2002: Um alentejano com 24 meses de barrica! É obra. Mas é muito bom também. Naturalmente a fruta está menos presente, sobressaindo notas de couro e especiarias. Um alentejano diferente, pouco fresco mas muito intrigante. Bom+.
quarta-feira, março 15, 2006
Esporão Private Selection (B) 2004
Contrariamente ao que havia ouvido e lido sobre ele, este Esporão branco mostrou-se bastante fresco. É certo que lá estava a cor âmbar, o corpo cheio e aveludado, o doce e o mel como sabores primários... mas e aquele final? O que dizer daquele final citrino e floral, ligeiramente acídulo (ora acético ora doçura) a pedir mais um sorvo?Um grande branco do Alentejo, mas que penso não servir para guardar pois falta-lhe a estrutura e acidez adequada. Com mais este vinho Portugal subiu mesmo um patamar nos brancos, onde andávamos coxos não fora a honra dos "Alvarinhos" e de alguns "Encruzados".
A menos de €15 nas garrafeiras de todo o país.
segunda-feira, março 13, 2006
Notas breves: 2 brancos franceses bem diferentes
- Coteaux du Lapon, (B) 2003, Domaine Pinsonnerie: Muito doce este vinho do Vale de Loire. Bonita cor, corpo grosso, pena o final não muito gordo. Algo enjoativo, mas o problema pode ser meu posto que não aprecio brancos doces. Em todo o caso, acompanhou bem um fois gras da loja parisiense especializada "Petitte Scierie". Bom-.
- Laroche Chablis (B), 2004: Cor amarela clara (esperava melhor neste aspecto), notas de maçãs, mas também algum fundo mineral que gostei muito. Toda alegância da marca (muita finesse), faltou-lhe apenas um final mais digno (longo) e uma fruta mais exótica pois prevaleceram apenas os citrinos. Bom.
quinta-feira, março 09, 2006
Quinta da Trovisca (T) 1999

Na cor não se vislumbrou brilho, antes mostrou-se vermelho rubi já com alguma evolução, e transparências típicas de um vinho pouco encorpado.
Na boca foi vigoroso, mostrou-se saudável, a fruta é de qualidade mas deu a ideia que não foi bem trabalhada. Depois foi austero, aqui e ali um pouco de pó talco e laivos de tabaco, mas tudo rude. Alguma frescura, morango silvestre, notas de madeira sem classe (provavelmente de barricas de terceiro ano), sensação a madeira queimada. Tudo muito linear. Ressaltou a Touriga Nacional, mas sem glória.
Suficiente - .
domingo, março 05, 2006
Cortes de Cima (T) 2002

Hoje, referimos-nos ao "Cortes de Cima 2002", de preço mais acessível e de maior divulgação nas garrafeiras do nosso país (já que em Londres os vinhos da marca pululam em todas as wineshops de cada esquina).
Feito a partir de Aragonez, Syrah e Cabernet Sauvignon (mais Touriga Nacional e Trincadeira em subtis proporções), mostrou-se de cor vermelha fosca, sem qualquer brilho aparente. Já no nariz, um bouquet a frutos vermelhos bem maduros (já habitual neste produtor) casados com mestria com baunilha e, sobretudo, com especiarias.
Na boca, revelou taninos firmes e alguma complexidade; bem presente a Syrah e o Cabernet (com o Aragonez, em grande proporção, a "misturar" muito bem todo o conjunto).
Numa vindima repleta de chuvas (do norte ao sul do país), o Alentejo não escapou a uma ligeira falta de concentração. Porém, a humidade combinada com as altas temperaturas alentejanas, e uma vindima feita "a todo o vapor", proporcionaram um ano capaz de igualar outros de menos pluviosidade. Nessa medida, não espanta a qualidade deste "Cortes de Cima 2002", como aliás outros do mesmo ano e da mesma região. Bom +.
A menos de 13€ em garrafeira ou num hipermercado com uma decente secção de vinho (eg., Corte Inglês, Jumbo, Continente).
sexta-feira, março 03, 2006
Casa de Santar Touriga Nacional (T) 2000

Pois bem, o actual topo de gama é um monocasta Touriga Nacional e é um espanto. Aliás, soluciona de uma assentada as duas referidas "imperfeições".
Sem ser uma “bomba touriga” - hoje cada vez mais em voga em diversas quintas da Beira, mas para os quais é preciso acompanhamento correcto -, mostrou-se um monocasta superior, dócil, demostração evidente que nem sempre o excesso de força é a melhor qualidade de um vinho. Bom ++.
A menos de € 20 nas garrafeiras de qualidade.
quinta-feira, março 02, 2006
Conde de Vimioso Reserva (T) 2001
Este Conde de Vimioso Reserva é mais um desses vinhos. A nossa primeira prova remonta ao início do ano passado, na qual o vinho demostrou uma cor rubi brilhante e fruta vermelha "a rodos", sobretudo cassis e framboesas. Esta segunda prova revela-nos um vinho mais adulto, sem o brilho na cor que antes possuía, mas com mais madeira na boca, sem perder a finura que caracteriza os vinhos deste produtor, com um final bastante mais complexo.
Fácil de se beber, com um certo estilo internacional (faltando-lhe apenas a cor que se exige ao "novo mundo"), uma acidez bem desenhada (a região do Ribatejo permite-o) e um final guloso. Esta é, aliás, a melhor característica deste vinho... em pouco tempo os copos (e os corpos) esgotaram a garrafa.
A menos de € 15, uma aposta mais de que segura.
quarta-feira, março 01, 2006
Notas breves
- Quinta do Meruge (T) 1999: boa cor, alguma evolução, nariz potente a lembrar bombons de ginja, notas aromáticas típicas de vinho do Porto. Na boca confirma-se uma suavidade muito interessante, com destaque para fruta vermelha madura imposta pela Tinta Roriz. Bom.
- Altas Quintas (T) 2004: utilizando o triangulo das castas de ouro do Alentejo - Trincadeira, Aragonês e Alicant Bouchet - este vinho é uma surpresa total. Produzido a uma altitude pouco vulgar para um alentejano, surge-nos de cor grenada muitíssimo escura, com o nariz a jorrar um perfume de fruta vermelha fresca... na boca, o mesmo se sentiu, muito fino, um longo final e notas de especiaria. Belo vinho, mas a pedir comida. Bom+.
- Cova da Ursa (B) 2004: muito bom este chardonnay, belíssima cor dourada, notas tostadas da casta trabalhada pela madeira e um grande final. Em suma, um belo branco. Bom +.
- Conde da Ervideira Reserva (B) 2003: bonita cor, madeira não em excesso, algumas notas citrinas e um final de mão de gato. Bom.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Gouts du Vin
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Grou no Ganhão

As entradas eram os mimos do costume, belíssimos – a alheira, o paio do lombo, as quatro variadas do azeite alentejo, os queijos e umas empadas à Simões. Depois uns tordos deliciosos, com o tempero de alho no ponto, a queimar os lábios. Finalmente garoupa com caldo de peixe – que magnífico final, simples e leve, uma óptima maneira de terminar os salgados.
Para acompanhar tamanha comezaina, vieram várias garrafas de um dos vinhos alentejanos mais badalados no momento: o Grou 2004. A intromissão do enólogo Anselmo Mendes em terras do norte do Alentejo – zona do Cabeção – levou à criação de um tinto espantoso e muito original.
Servido entre 14º e 15º graus, a temperatura recomendada para este néctar, foi preto no copo a lembrar a cor dos verdes tintos de antigamente (o tal "sangue de boi"), até jurámos ver alguma efervescência... No nariz um impacto brutal a fruta, encobrindo por completo a madeira, fruta fresca, erva acabada de colher, orvalho da manhã, tudo muito bom. Na boca, quase pastoso, muito cheio, corpo imponente. O final, talvez pela temperatura do vinho, não acompanhou os galardões iniciais, e mostrou-se apenas correcto.
Um grande vinho do Alentejo, a beber nos próximos 4/5 anos, muito diferente do que habitualmente se faz. Diríamos que o calor da planície foi substituído pela força da montanha, sempre no Alentejo.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Notas breves: Espanha tinto e Ribatejo branco
- Vilosell (T) 2003, Costers del Segre (Espanha): muito bem na cor, ainda que sem que uma concentração esmagadora. Na boca tudo muito bem desenhado, não se procura o impacto bruto a fruta, nem um esmago a madeira. Antes uma combinação perfeita, harmoniosa, e delicada. A menos de € 10 (por importação).
- Quinta da Alorna Chardonnay Reserva (B) 2004: A casta está bem vincada, e (felizmente) não se encontra com um peso excessivo. Vinho com frescura considerável – não se caiu no erro de um estágio excessivo. Bonita textura, brilhante. Melhorou muito este Quinta de Alorna, comparado com colheitas anteriores.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Passeio pelo Dão: de Santar a Cabriz



Começámos em Santar, vila primorosa de casas antigas e casarões em restauro, e logo fomos recebidos na famosa Casa de Santar. Ora, apesar da menina que serviu de guia não ter primado pela simpatia, tratou-se de uma visita muito interessante. A casa - magnífica! - tem diversos pontos de interesse, a começar numa pequena capela com curiosidades escondidas pelo passar do tempo, passando por uma descomunal cozinha onde água é retirada de uma fonte interior, terminando a visita num pequeno, mas muito original, museu de coches e uniformes antigos.
Já no exterior, ficam os jardins: em réplica miniatura dos jardins de Versailles, são estes que nos conduzem à moderna adega com as vinhas - sempre protegidas pela maravilhosa Serra da Estrela - em pano de fundo. Na adega, uma breve paragem para explicações mais ou menos exactas, e o regresso à estrada foi imperativo.
Não se espante o leitor se lhe contar que após a visita à Casa de Santar, ficámos com fome! Naturalmente. Onde comer então? Pois bem, no restaurante da Quinta do Cabriz! Este, inserido nas instalações da sociedade "Dão Sul", fica na verdade em Carregado do Sal, a alguns quilómetros de distância da Quinta que produz uma parte dos vinhos da casa.
Como a vontade de comer era muita, e de provar os vinhos também, optámos por menu de degustação bem representativo da gastronomia regional. Assim, a um óptimo preço, foram-nos servidos quatro pratos, cada um com a sua garrafa (não é um erro, era mesmo uma garrafa para cada prato).
Espumante (bom, com bolha elegante e muito fresco) para a entrada, Branco "Encruzado" (muito bom, como vem sendo habitual) para o primeiro prato, dois tintos para os pratos de carne (o Jaen e o "Touriga Nacional"), um licoroso para as sobremesas (deliciosa a tigelada) e uma água-ardente com o café. Tudo da Quinta do Cabriz.
Depois de tamanho repasto a visita seguinte foi adiada e não hesitámos numa pequena sesta. Inevitavelmente. Um passeio, e um almoço, inesquecíveis.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Quinta da Bacalhôa (T) 2002

Após algumas voltas entre garrafas mais poeirentas, levei comigo um Quinta da Bacalhôa 2002 para ombrear com tamanho francesismo. De cor rubi pouco brilhante, mostrou um corpo médio/fraco a que já nos acostumamos quando em Portugal a cabernet é cruzada com merlot. Mas no nariz esteve bem, com notas a especiarias e madeira de qualidade, e na boca manteve-se seguro – longe de deslumbrar – com nuances frescas a menta e fruta verde acabada de colher (à qual faltou apenas a geleia doce típica do merlot, talvez pela pequena quantidade do lote utilizado).
A um preço um pouco elevado (entre € 10 a € 13), trata-se de um produto seguro em que se pode confiar, um vinho com uma elegância considerável, embora de colheita para colheita a fruta utilizada parece vir a desmerecer de qualidade.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Couteiro-Mor Antão Vaz (B) 2003

Foi a vez do Antão Vaz de 2003 dos produtores Couteiro-Mor. Esta casa, situada em Montemor, tem vindo a fazer grandes vinhos, brancos e, sobretudo, tintos (com o "Vale do Ancho 2003" em destaque).
Mas foi logo na cor, apesar dos elogios que se vão seguir, que o vinho menos brilhou – mostrou uma cor algo pálida, com transparências evidentes. Na boca, ao invés, mostrou-se altivo, com boa reprodução da casta alentejana, com os elementos minerais a sobressair atribuindo ao néctar uma frescura irrepreensível. Bom corpo e final persistente.
Após anos e anos de vinhos brancos de pouca categoria (sobretudo no Alentejo), podemos começar a concluir que existe hoje já uma “mão-cheia” de produtores a trabalharem muito bem as castas brancas um pouco por todo o país. Sobretudo as nacionais (Alvarinho, Encruzado, Arinto e Antão Vaz), mas também algumas estrangeiras (Sauvignon Blanc e Chardonnay).
domingo, fevereiro 05, 2006
Novo blog: a "vinho-blogmania"
terça-feira, janeiro 31, 2006
Notas breves: Alentejo Branco e Tinto
- Pontual (T) 2002: mais uma proposta interessante do Alentejo, com um preço simpático. Uva de qualidade, breve estágio em madeira nova. Tudo muito redondo, taninos suaves. Bom. Um pouco abaixo dos € 10.
- Tapada de Coelheiros Chardonnay (B) 2004: muito fino e elegante este branco de referência. Muito bem na cor que se mostra límpida, boa concentração para um vinho tão seco, impressiona o sabor a casta (é melhor não servir muito frio, nunca abaixo dos 10º), mas não é cansativo como outros chardonnay que se bebe por aí. Manteiga baunilhada equilibrada com algum álcool num final de boca médio/longo. Bom +. Um pouco acima dos € 10.
terça-feira, janeiro 24, 2006
Régia Colheita Reserva (B) 2003

O vinho: um Régia Colheita Reserva de 2003 guardado com carinho. De cor palha com tendência âmbar, mostrou-se um vinho muito concentrado sobretudo tendo em conta tratar-se de um branco. Existem vinhos brancos assim, sobretudo no Alentejo... vinhos pesados, com lágrima, alcoólicos, quentes até.
Pouca fruta, muita madeira – regra seguida à letra. Muito bem na cor (não poderia ser de outro modo) já dissémos, nariz algo fechado (apagado?).
Na boca, um mundo de sabores balsâmicos, algum mel, noz e casca de ovo. Um grande final para um portentoso vinho branco alentejano que vale bem beber no Inverno.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Quinta do Portal Reserva (T) 2000

E acertámos, pois ao contrário do que o qualificativo “Reserva” sugeria, estávamos perante um vinho linear a merecer ser consumido antes de 5 anos da sua comercialização (ou seja, está na altura!).
Ora, na cor começou por agradar, vermelhão escuro e violeta, sendo que a falta de concentração começava a ser evidente. O nariz indiciou o resto, pouca fruta madura, alguma madeira de qualidade... pouco mais. Escasso para o que se esperava, mas um conjunto agradável em todo o caso.
Na boca mostrou-se fácil e agradável, taninos suaves e de finura recomendável. Tudo no sítio, tudo complacente. Final pouco vigoroso como se antecipava.
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Quinta de São Francisco (T) 2001
De cor rubi brilhante, muito suave na boca, e com idêntica leveza aromática no nariz. Taninos salientes e robustos, fruta de qualidade mas pouco madura.
Falta-lhe apenas um pouco de concentração (devido ao muito que chove na região do Oeste) e um final mais longo e largo para ser um vinho de belo porte.
Ainda assim, muito bem feito este néctar, tudo equilibrado, podendo deixá-lo dormir mais 2-3 anos em cave.
A menos de € 8, e com um elogio ao grafismo do rótulo, de estilo clássico (fora de moda até), com destaque para a referência do trofeu "prestige" obtido no Concurses Citadelles du Vin.
domingo, janeiro 08, 2006
Prazo de Roriz (T) 2002

Este “Prazo de Roriz” é a segunda marca da conhecida Quinta de Roriz, na família van Zeller desde 1815, e especializada nos vinhos do Porto. Num ano difícil como foi o de 2002, e tirando a madeira menos bem "casada", este vinho de mesa não deixou "créditos por mãos alheias", mostrando um recorte fino e elegante. O que pelo seu preço, não é nada mau.
A menos de € 8 no Corte Inglês (supermercado).
terça-feira, janeiro 03, 2006
Martinet Cru (T) 2001

Quanto ao vinho propriamente dito, feito com castas francesas (Cabernet Sauvignon, Merlot, e um pouco de Syrah) e um terço da variante local Garnatxa, apresentou-se muito escuro (quase, quase opaco), compacto, com lágrima espessa e de “queda” lenta (como tanto gostamos!). Não admirou assim os seus 14,5º de álcool.
O nariz foi dominado por ameixa preta, uvas passas, enfim muita fruta madura de qualidade, alguma madeira (apostamos em barricas de carvalho francês) e um grande volume de álcool.
Na boca, novamente a referência a fruta muito madura, agora alguma cereja - um vinho anti-vegetal -, com taninos que indicam alguma longevidade e um final longo com notas de chocolate amargo.
Entre € 15 e € 20.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Reserva Ferrerinha (T) 1994
Depois do almoço, e dos vinhos já referidos (ver posts anteriores), Mas o breve desalento no "sacar a rolha" passou imediatamente... mal abrimos o néctar, um portento de sabores a fruta vermelha saiu da garrafa (o que não deixou de ser curioso, tratando-se de um douro com mais de 10 anos, ainda por cima um Ferreirinha!).
No olhar, rubi escuro e intenso no copo. Fino na boca, muito corpo e todo ele elegante, com fruta madura imediatamente acessível, e madeira perfeitamente alinhada. Forte concentração e um final longo.
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Termeão "pássaro branco" (T) 2003

Esporão Garrafeira (T) 1997

Elaborado com Cabernet Sauvignon, Aragonês e Trincadeira, estagia por 18 meses em carvalho francês novo e uma parcela em carvalho americano.
Na cor, foi um vinho de cor granada, com nuances de alguma evolução, tonalidade concentrada, deu-nos imediata sensação que estaria em óptima forma. No nariz aromas a fruta madura perdidos num curioso arabesco mineral, algum “cassis” (mas pouco) e grãos de café. Madeira bem doseada a trazer aromas e sabores exóticos, boa presença da casta francesa. Taninos macios e integrados.
Um grande vinho do Alentejo a mostrar que, quando bem elaborados, estes podem descansar uma década antes de serem bebidos.
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Quinta da Sequeira (T) 2001
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Calços do Tanha Reserva (T) 2001
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Condado de Haza Reserva (T) 2000
Umas almôndegas primorosas esperavam em casa, envoltas num molho espesso. Juntámos, como entrada, umas fatias de veado fumado e umas tâmaras com presunto; fizemos o jantar.Como fazia tempo que não depenava a secção espanhola da minha garrafeira, fui buscar um Ribeira del Duero. Após alguma hesitação, lá decantámos um “Condado de Haza Reserva 2000”. Esta segunda quinta de Alejandro Fernández é tida como o seu sonho, depois da muita fama obtida com os “Tinto Pesquera” (aos quais já fizémos referência num texto de 18 de Julho deste ano). Aliás, as duas quintas distam poucos quilómetros, como constatei no ano passado quando percorri toda a estrada de Peñafiel em busca das melhores bodegas.
Ora, este Condado de Haza esteve irrepreensível, em óptimo estado de maturação. Apesar da colheita de 2000 ter ficado furos atrás à de 2001, mostrou uma bonita cor de cereja (típica dos Reserva da região) e aromas equilibrados de madeira, fumo e fruta. Surpreendentemente, o tempranillo esteve repleto de sabores, numa estranha sucessão de frutas maduras diferentes, tudo com uma pouca acidez tradicional.
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Cartuxa Reserva (T) 2002
A cor começa a desapontar (já com evolução) e no copo mostra-se mesmo “leve”, pouco denso... um súbtil brilho coral (pálido) e pouco mais.Na boca, já tudo é diferente: vivo, muito fruta (mas não madura), tudo a lembrar o “vinho novo” alentejano que se bebe no próprio ano da colheita. Tem um estilo contra a moda dos tintos carnudos e concentrados, é um tinto suave e ideal para acompanhar certos assados pouco fortes (peixe ou carnes brancas). Apelativo.
A menos de € 20.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Tapada de Coelheiros (B) 2004

A menos de € 10 numa garrafeira. O dobro num restaurante.
segunda-feira, novembro 28, 2005
Quinta do Além Tanha (T) 2001

A feijoada, repleta de carnes e enchidos, com o feijão muito bem cozido mas não esmagado (tendo acompanhado ainda com um pouco de arroz branco, como se faz em Braga).
O vinho, um espanto. Trata-se de um lançamento de mais um belo vinho duriense, desta feita pelo produtor Nuno Matos numa quinta localizada na região do Cima Corgo.
terça-feira, novembro 22, 2005
Calços do Tanha (T) 2000 no Meson Andaluz
Ora, para além da dezena e meia de tapas de qualidade (realce para a empada de perdiz com cogumelos bravos), e de vários pratos de confecção imaculada (rabo de touro em destaque), é o cochinillo de pata preta que mais brilha, trazido directamente da quinta que o proprietário do restaurante possui em Estremoz. Trata-se de leitão verdadeiro, como o nosso bairradio (e não porco!), mas mais tostado e não vem servido afogado em molho de pimenta nem com típicos acompanhamentos de péssima qualidade. Os entendidos dizem que melhor só em Ávila (mata-se com 17 dias) ou em Segóvia (mata-se com 21 dias).
sexta-feira, novembro 11, 2005
Cortes de Cima Touriga Nacional (T) 2002

Vieram as peças de farinheira, os paios, o pão em saco de lona, os queijos, mas a fome não saiu. Carregámos então na carne de alguidar acompanhada ora de migas tradicionais, ora de migas de espargos.
No vinho a escolha estava limitada à região do Alentejo e preferimos uma estreia. O Cortes de Cima Touriga Nacional 2002. É preciso começar por dizer que sou um grande apreciador dos maravilhosos resultados da plantação da Touriga no Alentejo. Os vinhos saem complexos com toques florais e a fruto. Uma maravilha.
Ora, a mais recente experiência de Hans Kristian Jorgensen, saiu também ela fantástica. Após 9 meses em barricas de Carvalho francês o vinho estava jovem com uma cor vermelha muito escura. O aroma dominado por sugestões florais e alguma madeira, mas na boca muita fruta doce e um grande final.
Se os primeiros vinhos Corte de Cima primavam por um estilo exclusivamente de “Novo Mundo”, este Touriga vem mudar um pouco o estilo e, quem sabe, conquistar novos adeptos (é o meu caso). Não admira os 91 pontos da Wine Spectator.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Encontros com o vinho... escolhas
Foi o melhor evento relacionado com vinhos em Portugal que tenho memória. Mais de 200 produtores de vinhos (mas também em menor escala de queijos, presuntos, enchidos e azeites) todos no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL). Foi assim ontem, Domingo dia 6 (e já havia sido de modo igual, mas com mais gente contaram-me, no Sábado dia 5).
Tratou-se do “Encontros com o vinho e sabores 2005”, feira festiva onde a concorrência dá lugar a uma saudável promoção e apresentação ao público (o dia 7 é reservado aos profissionais do sector) das últimas novidades vinícolas... o que significa, de modo redutor, os (fantásticos) vintages 2003, os reservas tinto de 2003 e 2002, e os brancos nacionais de 2003 e 2004 e ainda alguns brancos estrangeiros já de 2005 (só possível no “novo Mundo”!).
A convite da simpática “Adega Algarvia” não perdemos este certame e brigámos na prova de várias dezenas de vinhos. Encontrámos amigos e conhecidos em quase todos os balcões, mesmo nos distribuidores, o André no balcão da Vinalda que o diga. Vários foram também os escanções de restaurantes famosos a quem falámos (o Bruno do "Vírgula", a Ana do "Valle Flor").
Com um copo a tira-colo (literalmente) lá fomos nós a caminho das nossas escolhas nacionais... um delírio meus caros, um delírio.
Muito Bom:
Vintage Quinta do Crasto 2003 (preto na cor, doce, notas brutais a fruto)
Vintage Quinta do Portal 2003 (também preto, mais do doce que o anterior)
Quinta Vale Meão (T) 2003, Douro (quase preto, muito directo e preciso, uma bomba)
Quinta da Leda (T), 2003, Douro (complexo, interessantíssimo, para guardar muitos anos)
Evel Grande Escolha (T) 2003, Douro em sample (novo estilo? não era preciso! continua muito bom)
Bom +:
Quinta dos Roques Touriga Nacional (T) 2003, Dão (boa concentração, o melhor da touriga)
Luís Pato Vinha Pan (T) 2003, Bairrada (sempre fantástico, diferente, vegetal)
FSF Homenagem JMF (T) 2001, Palmela (bela cor, complexo, muita fruta)
Quinta do Portal Grande Reserva (T) 2001, Douro (grande vinho, pronto a beber)
Quinta do Mosteirô Grande Escolha (T) 2003, Douro (bela novidade, vegetal, muito curioso)
Bom:
Quinta do Carmo Reserva (T) 2003, Alentejo (bom na boca, mas no nariz teima em desagradar)
Esporão Alicant Bouchet (T) 2003, Alentejo (aromas a terra, algum mofo e pimentos)
Quinta dos 4 Ventos Reserva (T) 2002 (tem tudo para ser um vinho exemplar, mas é demasiado previsível... repetitivo até)
quinta-feira, novembro 03, 2005
Feira do Vinho "Makro" - destaques
- Quinta do Castro Reserva Vinhas Velhas (T) 2002, Douro – a menos de € 19
- Quinta das Tecedeiras Reserva (T) 2002, Douro – a menos de € 19
- Dolium Reserva (T) 2001, Alentejo – a menos de € 13
- Casa de Santar Touriga Nacional (T) 2000, Dão – a menos de € 13
- Quinta da Bacalhoa (T) 2001, Terras do Sado – a menos de € 11

terça-feira, outubro 25, 2005
Prova cega: Chryseia, Incógnito 3-4, Mouchão, Tecedeiras Reserva, Dolium Reserva, Aurius, etc

Fica aqui um breve resumo do pletórico jantar/prova organizado pela "Wine Society de Macau" e que se realizou no passado Sábado no Clube Militar de Macau:
"Chegados à prova, às 18.30, tínhamos 10 copos "artilhados" com 10 tintos, apenas assinalados com uma letra. Entre os vinhos tínhamos uma folha que continha espaços para colocarmos os nossos comentários aos vinhos ("colour", "nose", "taste", "my points" e "my rankings").
Fomos provando um a um, dando notas e, no final, lá organizamos o respectivo ranking. De seguida, o painel de especialistas ia comentando vinho a vinho. Algo surpreendente foi ver que os dois enólogos presentes (um deles reconhecido mundialmente), não gostaram de vinhos "afamados" como o Chryseia ("pouco complexo"), o Incógnito ("pouco distinto, muito fácil") ou o Mouchão 3-4 ("má interacção entre fruta e madeira e, igualmente, pouco complexo"). Ao invés, adoraram 3 vinhos bem distintos: Quinta das Tecedeiras, Aurius e Dolium (Reserva). Os dois primeiros, para mim, muito abaixo dos vinhos que afirmaram não gostar. Julgo que é a tendência inevitável daqueles que passam a vida a beber vinho: vão à procura da singularidade, da complexidade e de vinhos que fujam ao facilitismo. Não é o meu caso: gosto de vinhos potentes, ricos no nariz, com a madeira presente mas com finais longos e frutados. Chamem-me fácil!
O jantar foi divino: o chef Joaquim Figueiredo dispensa apresentações. Trabalhou no Tavares, no Café da Lapa, na Bica do Sapato e trabalhou, em França, com "estrelas michelin". Preparou então um creme de grão com foie gras e lascas de presunto caramelizado, uns camarões deliciosos numa cama de puré de batata e espargos e umas costeletas de borrego cozinhadas divinalmente. Serviu-se ao jantar um Pêra Manca (B) (que os enólogos elogiaram efusivamente), um Quinta do Portal Rosé (igualmente elogiado), um Sogrape Reserva Alentejo (T) (apenas bom) e um Quinta do Côtto Grande Escolha (T)... "um vinhão"! E tudo sem restrições de quantidade!"
domingo, outubro 23, 2005
Jantar entre amigos: JPR / Aliança / Roques

Para estas gulodices, abriu-se um Antão Vaz (alentejano, claro) de João Portugal Ramos. Vinho branco encorpado de grande densidade e categoria, fruta de boa qualidade mas não exuberante. Um conjunto que se saiu muito bem perante difícil tarefa de combinar com entradas diversas.
Depois, já com a promessa de dois tipos de picanha na pedra – uruguaia e argentina – sacou-se a rolha a um Quinta das Baganhas (T) 2001 que as Caves Aliança produz na Região das Beiras. Vinho notável, muito elegante com muita fruta madura, preciso e directo nas sugestões a madeira, muito bem "construído".
Já com a carne suculenta no prato foi tempo de abrir uma garrafa de Quinta dos Roques Touriga Nacional (T) 2000. Cor fantástica - preta -, muita austeridade no nariz, muito directo à casta com sugestões frescas a frutos vermelhos e uma acidez estonteante. Na boca, os taninos bem marcados foram uma evidência e um final forte marcou o estilo. Melhores anos virão do Dão, bem sabemos, mas este tinto de 2000 esteve muito bem, com uma presença intensa e inesquecível. Como o jantar, que terminou no Bairro Alto.
sexta-feira, outubro 21, 2005
Couteiro-Mor Colheita Selecionada (T)

As últimas duas garrafas que bebi foram, respectivamente, em Sines (no majestoso restaurante "O Migas") e em casa da minha mãe acompanhado de um prato de cozinha italiana. Como noutras ocasiões, também nestas o tinto “Couteiro-Mor Colheita Selecionada” foi valente.
Um espanto este vinho alentejano. A menos de € 11.
quinta-feira, outubro 20, 2005
Callabriga (T) 1999
Sentámo-nos numa mesa da “Isaura”, à Avenida de Paris. Tratava-se de um regresso a um local muitas vezes revisitado e onde a lista, com algumas excepções, continua a assentar em três pilares: cozinha lisboeta (sobretudo bifes em molho), especialidades, e caça. Fomos, uma vez mais, para este último pilar ao escolhermos a perdiz estufada e o feijão branco com lebre.Para beber, elegemos um Callabriga 1999 da Casa Ferreirinha, propriedade da Sogrape. O néctar, mereceu, soubemos mais tarde, 92 pontos da Wine Spect. Em óptimo estado de evolução, foi um vinho perfeito. Cor escura jovial, no nariz alguma fruta, algum aneto, e muita vida e álcool. Belo corpo, quase viscoso, e um final longo e preciso. Muito bom.
O preço rondou os €25- €30, só do vinho, claro.
terça-feira, outubro 11, 2005
Quinta do Monte d'Oiro Clarete 2004

Como fazia tempo que queria provar a nova vaga de rosés – e comprovar a sua mais recente fama – escolhi o da Quinta do Monte d’ Oiro. Da comida da minha mãe escuso-me comentar – opinião de filho comilão não é para aqui chamada – mas vamos ao vinho: cor lindíssima, mas ligeiramente mais escura do que um típico rosé, na boca um ataque instantâneo de aromas florais. Curiosamente, esta primeira impressão modificou-se ligeiramente com o vinho na boca, tornando-se cada vez mais austero e menos doce, ganhando mesmo uma estrutura muito interessante para um rosé. Terminou num inevitável final curto.
Depois do sucesso do clarete de 1999, elaborado a partir de Syrah, surgiu o de 2003 e este de 2004 elaborados à base da casta Cinsaut – mais uma experiência saída do chapéu do José Bento dos Santos.
Um rosé menos fácil do que seria de esperar, e a pedir Verão (sardinhas com pimentos, saladas, escabeches, pizzas) ou comidas exóticas (sobretudo chinesa), a menos de € 7.
domingo, outubro 09, 2005
Bolonhês - Monte dos Seis Reis (T) 2003
Tempo ainda para escrever que se tratava de vinho feito a partir das castas que melhor “servem” a região – aragonês, trincadeira, alicante bouschet e tinta caiada – com fermentação em cubas de inox e a maloláctica, e um estágio de 8 meses em barricas de carvalho francês e do caucaso, seguindo-se finalmente o estágio em garrafa.
Na cor – grenada e luminosa – e no nariz muita fruta madura (mas não doce, longe da compota) e madeira evidente. Corpo interessante (mas não se pode exigir longevidade, vejamos os próximos 5 anos) e taninos macios, algo escondidos. É pena as poucas referências a terra e a trufas (que tanto gostamos!), e a pouca evidência ao calor da planície (será a tentação do novo mundo?). Ainda assim um vinho muito bom, guloso, com um belo final e que deve ser bebido novo. A menos de € 8 numa Garrafeira.
quarta-feira, outubro 05, 2005
Feiras de vinhos nos hipermercados - destaques
- El Corte Inglês:
Dehesa Gago (T) 2002, Toro, Espanha - a menos de € 8
Quinta de São Francisco (T) 2001, Óbidos - a menos de € 7
Terras do Pó Reserva (T) 2003, Palmela - a menos de € 7
Quinta do Sanguinhal monocastas (T) 2001, Óbidos - a menos de € 5
- Continente:
Quinta dos Carvalhais Encruzado (B) 2003, Dão - a menos de € 15
Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2003, Dão - a menos de € 8
H. do Esporão Verdelho (B) 2004, Alentejo - a menos 6 €
- Jumbo:
Evel Grande Escolha (T) 2001, Douro - a menos de € 12
João Portugal Ramos Syrah (T) 2003, Alentejo - a menos de € 9
Morgado Sta Catarina (B) 2003, Bucelas - a menos de € 8
segunda-feira, outubro 03, 2005
Qta do Sanguinhal Syrah / Touriga (T) 2001
Abriu-nos a porta o proprietário e fomos servidos pelo filho. Reinava o ambiente familiar (e sportinguista, o que me agradou) e as entradas começaram a rolar pela mesa. Primeiro os ovos com cogumelos bravos, depois o paio do lombo, para o fim morcela de arroz da região. Nas refeições propriamente ditas, iniciámos com uns jaquinzinhos em arroz de tomate (uma delícia) para depois terminar com uns lombos de porco preto (prato sempre vulgar, mas muito bem preparado).
Para os deleites da bebida, escolhemos um vinho da terra – Região de Óbidos – um interessante “Quinta do Sanguinhal Syrah e Touriga Nacional” de 2001.
terça-feira, setembro 27, 2005
Vindimas no Douro: um fim de semana

Sábado, a horas impróprias (umas inimagináveis 7.00h da manhã!), arrastamo-nos para a belíssima estação de São Bento. Tenho há muito tempo um gosto especial por estações de comboio, e São Bento é uma das (pequenas) estações que tanto gosto.
O destino: o Douro, mais propriamente a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. A viagem, que durou cerca de 2 horas até ao apiadeiro de Ferrão, foi feita grande parte à beira rio... E o olhar, sobretudo em época de vindima, perde-se na busca daqueles pequenos traços longínquos, consumidos nos socalcos, que afinal são pessoas.
Pouco depois saímos do comboio num pequeno pulo, já no Cima Corgo, próximo do Pinhão, e encontrámos a "Quinta Nova" com uma exposição solar magnífica e 1,5 km de extensão ao longo da margem do rio Douro. À nossa espera, mais de 120 hectares de vinha (a maioria vinha nova), o primeiro hotel rural vinícola, e a simpatia dos gerentes.
Um pequeno passeio pela quinta (durante muitos anos ligada à família Burmester), uma visita à vindima, um pic-nic reforçado e uma sesta. Só o sossego daquele vale, vale tudo.
Antes, ainda uma visita à adega em pleno labor.
Já no Domingo, após o pequeno almoço, foi hora de mais comboio até ao Pinhão e depois um magnífico cruzeiro até Gaia. Um fim de semana em cheio, e aqui tão perto.
sexta-feira, setembro 16, 2005
Quinta de Macedos (T) 2001
Ainda bem que resisti: por mim esperavam uma casa simpática (isso já eu sabia), um amigo nervoso (calculava, pois também já estive em situações de "dar-me a ler" aos outros), e duas preciosas perdizes... com “essa” não esperava eu! Que surpresa!, um casal de galináceos reais, corpulentos na sua pequenez natural, jaziam num molho eficazmente discreto.
Nos vinhos, estávamos reduzidos a um par de escolhas. Retirámos do aplique um Quinta de Macedos 2001. Momento maior da noite!
Com uma presença enorme, notas de frutos pretos muitíssimo maduros, taninos macios mas potentes (ah, como desejámos uns copos adequados...)
quinta-feira, setembro 15, 2005
Quinta de Pancas Touriga Nacional Sp. Selection (T) 2001

Chegou então o prometido Touriga de Alenquer cuja garrafa se abriu (finalmente!) para nosso rejubilo. Com uma forte componente floral à casta, atacou bem a boca desde o início dando provas que desejava ser bebido...
Um bela escolha a mais de € 20 a garrafa.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Galeria Cabernet Sauvignon Special Selection (T) 1997

Chegado a sua casa, começou-se pelas tâmaras com bacon, mais um queijo d’ Ilha e um de azeitão (que reinou altivo).
Nos beberes a festa continuou com um muito interessante cabernet sauvignon da "Galeria" (Grupo Caves Aliança) da colheita de 1997. No copo, a cor notava já alguma evolução mas sem perder nitidez, enquanto no nariz um puro cabernet nos seduzia rapidamente com fragância a especiarias (pimenta preta, açafrão), algum pimento verde e muita madeira (a prometida “oak aged” anunciada, de modo um pouco caricato, no rótulo). Na boca, continuou um cabernet definido; a fruta, todavia, não conseguiu sobressair na sua máxima intensidade. Bom final, e alguma graciosidade (quase elegância...) típica de vinhos com alguns anos de garrafa.
Uma nota final no sentido de referir que as Caves Aliança substituíram entretanto a designação “special selection” pela portuguesa “Reserva”, o que se aplaude.
Para quem gosta, ou quer experimentar, um puro cabernet (mas não exige a elegância, nem o preço, de um Bordéus) é um vinho a não esquecer. Pelas colheitas recentes, a marca pede cerca de 20 € por garrafa.
Prova de Reservas Francisco Nunes Garcia

domingo, setembro 11, 2005
Ruffino Chianti (T) 2003

Bonita cor rubi pálida, sem excessos de concentração, aroma vivo com notas subtis a frutos vermelhos. Muito agradável.
A regra confirmou-se.
sexta-feira, setembro 09, 2005
Jantar com João Portugal Ramos
A todos sortudos, como nós, que no dia 30 deste mês estarão sentados à “mesa com” os mais recentes vinhos do João Portugal Ramos(colheita 2003), cabe lembrar que já se sabe mais qualquer coisa sobre alguns dos vinhos tintos que serão degustados lá para o final do mês... e que vinhos !!! A saber:
- “Conde do Vimioso Reserva 2003” (as anteriores colheitas fizeram sempre parte de todas as short-lists dos melhores vinhos do ano);
- “Quinta Viçosa Touriga Nacional/Merlot 2003” – diz quem já provou que é simplesmente fantástico... talvez o melhor JPR...
- “Quinta Foz de Arouce Vinhas Santa Maria 2003” – um vinho clássico e lendário que JPR tem ressuscitado... lembro-me do meu amigo Francisco Mendes Correia me oferecer um de 89 e já era uma “bomba”... como será o de 2003 ?
O jantar terá lugar no restaurante "A Commenda" no Centro Cultural de Belém e é mais uma grande iniciativa da garrafeira "Coisas do Arco do Vinho".
segunda-feira, agosto 29, 2005
5 brancos à prova do Verão
QUINTA DE SAIRRÃO RESERVA (B) 2004
Parámos o barco e superámos o lodo. Após uma ida a casa visitou-se a localidade de Santa Luzia bem perto de Tavira. A razão deste nosso regresso a Santa Luzia – já lá deixáramos o barco – prendia-se com a visita ao “Capelo”, restaurante de especialidade marisqueira. Vieram as amêijoas e as postas de um pargo grelhado, a acompanhar bastou uma bela salada de alface e tomate.
Para beber provámos o douriense “Quinta do Sairrão”. Foi o nosso primeiro contacto com esta quinta e gostámos muito da frescura imediata deste branco, do seu maracujá evidente; mas também das notas doces que se manifestavam (seria banana?) escondidas num final longo. Com uma boa presença e sem agulha, sobresaiu a cor quase amarela, bonita desde o primeiro olhar. Bom +.
MARQUES DE RISCAL SAUVIGNON (B) 2004
A recompensa de ir à praça de manhã seria uns belos salmonetes para jantar. Cozeram-se umas batatas e preparou-se uma salada. Os ditos – peixe maravilha quase marisco – foram colocados na grelha, trocou-se a sua posição, e o manjar estava pronto.

Também preparámos o Marques de Riscal Sauvignon, bem fresco como apetece no Verão. Apesar da “bodega principal” desta marca espanhola estar situada na zona de Rioja (com uma arquitectura duvidosa, diga-se) este vinho é feito a partir de uvas de Rueda, zona próxima de Valladolid – território de vinhos brancos interessantes como os “Palácio del Bornos” (sobretudo o verdello, mas também o sauvignon).
Quanto a este Riscal mostrou-se límpido desde logo, de sabor carregado à casta e um toque a “mão de gato” que criou uma leve sensação de desprazer perto do final. É um sauvignon curioso mas pesado, que no entanto terá sem dúvida os seus apreciadores (aqueles que preferem sabor intenso a harmonia). Bom.
SOLAR DAS BOUÇAS (B) 2004
Ao terceiro dia veio a feliz contradição: camarões grandes (tamanho 1) e carapaus pequenos. Os primeiros grelharam-se, os segundos levaram fritura valente. O calor apertava (e eu que o diga ao comando da grelha) e apetecia um vinho verde... e porque não um Solar das Bouças 2004? Todo feito a partir da casta Loureiro, começou por demostrar estrutura interessante alicerçada numa “agulha” muito agradável. Conjunto muito afinado, algum ananás e um forte sabor citrino, muita leveza. Um conjunto que apela a um dia quente e a marisco. Bom +.
BUCELAS (B) 2003
Na lota seguimos pelo arroz de marisco, mas para acompanhar escolhemos o “Bucelas 2003” das Caves Velhas. A escolha no entanto começou por desapontar na cor, algo deslavada (quase aguada). Infelizmente na boca o vinho confirmou as expectativas e revelou-se um arinto furos abaixo do habitual da marca, sem a nobreza da casta. Pouco sabor a fruta, algum maracujá ligeiro (camuflado) e pouco mais. No nariz esteve regular. Suficiente.
QUINTA DO AZEVEDO (B) 2003
E no final, veio o vencedor. A acompanhar uns audaciosos bocados de espadarte do Algarve – sempre óptimo na grelha – abrimos um dos melhores brancos da Sogrape. Vinho verde, de grande porte, muita agulha mas não em exagero, esteve muito bem. Sabor intenso, ora tropical ora citrino. Cor amarela clara, de nariz subtil e sublime. Muito bom. O melhor do lote... no último dia.
Bom ++.quarta-feira, agosto 17, 2005
Quinta dos Carvalhais Encruzado (B) 2003

Mas foi a beber que as lágrimas correram pela face... A sugestão era um “Quinta dos Carvalhais Encruzado 2003”, e tudo virou sublime de súbito ... o próprio patê, antes uma mixórdia, parecia agora um pitéu digno dos deuses.
É preciso dizer que estava uma noite abafada, e – estranhamente – não me apetecia a fruta tropical de um Alvarinho. Ao invés, o calor da noite chamava um líquido mineral e com muita personalidade. E foi o que encontrámos com o Encruzado, casta branca predilecta do Dão. Outros “Encruzados” havíamos já provado e saudado – o da “Quinta do Cabriz 2002”, por exemplo – mas este da “Quinta dos Carvalhais” bateu a concorrência. Gritámos tratar-se de um dos melhores brancos de 2003! E ninguém protestou.
Grande cor, grande corpo, alma limpa e alguma fruta citrina, um final prolongado e insistente, muito mineral e um toque a madeira que conferiu um equilíbrio perfeito e uma elegância pungente como poucos brancos têm.
A € 15 nas garrafeiras, está entre os melhores brancos portugueses de 2003 (e de 2004) que até hoje provei.
sexta-feira, agosto 12, 2005
Portos: Vintage 87 e LBV 2000
Em menos de uma semana e tivemos duas subidas ao céu: a primeira, com o excelente vintage 87 da Real Companhia Velha. Alguns dias depois, com o explosivo LBV 2000 da casa Burmester.O ano de 1987 foi um ano muito bom no Douro, mas foram outras as vindimas dos anos oitenta que tiveram o máximo protagonismo da década, refiro-me aos inesquecíveis vintages de 83 e 85. Ainda que nem todas as marcas tenham declarado vintage em 1987 – ao que parece existia pouco vinho – a verdade é que algumas marcas de referência não hesitaram em declará-lo. Foi o que aconteceu com a Niepoort, Ferreira, Martinez, Offley e claro, com a Real Companhia Velha.
E o que dizer deste Porto? uma fruta elegantíssima, um equilíbrio total nos taninos, e desde logo uma maturidade que nos ofereceu a certeza de tratar-se um vintage para durar pouco mais que vinte anos. Bebemo-lo na altura certa, podemos concluir.
Quanto ao ano de 2000, é por todos sabido ter sido um ano exemplar... e o LBV da Burmester não desapontou: esteve pujante, com muita compota, fruta madura intensa e com alguma baunilha que a madeira lhe conferiu.
Duas propostas fantásticas, mas bem diferentes, tal como o preço, aliás...

quarta-feira, agosto 10, 2005
Novidades para a garrafeira: Agosto, 2005
- Quinta da Tapada (Coelheiros) (T) 2003 – até € 10
- Herdade do Pinheiro (T) 2002 – até € 7
terça-feira, agosto 09, 2005
Muros Antigos Espumante Bruto (B) 2002
Para entrada, aconteceu um acepipe da mais alta qualidade, bruxas de Cascais... frescas, fresquissímas estas miniaturas de molusco... depois já a famosa travessa do mar com dourada e robalo (do mar) grelhadas e uns robustos camarões a acompanhar.
E a beber escolhemos um espumante, uma aposta certeira. "Muros Antigos" em balde e flutes apropriados. Com 30% de Alvarinho e o restante de Alvarelhão tinta, apresentou-se com uma curiosa cor rosada (certamente do Alvarelhão) e na boca uma explosão refrescante de fruta vermelha (mas não madura), tropical e algum pêssego. Um espumante bruto de método clássico, lindíssimo, e mais refrescante e vivo que os rivais da Bairrada.
Uma fantástica opção para quem não quer apenas mais um vinho branco...
quarta-feira, agosto 03, 2005
Encostas de Estremoz Touriga 2003 (T) - II acto
domingo, julho 31, 2005
Quinta Fonte do Ouro 2003 Touriga Nacional (T)

Os ares frescos de Penacova não podiam inspirar a escolha de um vinho que não de uma região como o Dão. Perante esta evidência - quase imposição! - provou-se um "Quinta da Fonte d’Ouro 2003 Touriga Nacional".
A garrafa tinha-nos sido gentilmente oferecida (com sorte pelo meio...) durante a sua primeira apresentação pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu responsável pelo vinho , e o rótulo provisório (com a indicação do ano marcada à mão) atestava isso mesmo. Segundo a lição do mister responsável pelo vinho, cabia a este ainda uma “afinação” final antes de sair para o mercado, mas - como a garrafa dada não se olha o dente - abri a minha de imediato. É, portanto, possível que as minhas próximas palavras não estejam totalmente em conformidade com o vinho versão final que saiu agora para as estantes das casas comerciais.
Temos então: um Dão intenso, com a presença forte da Touriga; mas foi a sua acidez cuja recordação durou a tarde inteira (tendo mesmo resistido com bravura à sesta que gozei). No nariz muita fruta vermelha e alguma caruma (mas o nariz andou confuso quando procurámos outros aromas, talvez por se tratar de um vinho jovem). A cor - vermelha intensa muito bonita!
Deu-nos a clara ideia tratar-se de um vinho que vai ganhar com o descanso condigno nas nossas garrafeiras, mas não tem estrutura para durar muito tempo. A beber já trata-se de um touriga honesto e bem construído, contudo sem dimensão para combates com os seus rivais dourienses, e falta-lhe aquele sabor a terra e o caracter quente que ansiamos nos actuais tourigas alentejanos. Mas atenção!, a acidez que demostrou - agora demasiado intensa, daquia 2 anos talvez perfeita - será certamente um trunfo deste estilo do Dão.
A menos de € 10, e salvo melhor opinião, é um vinho para guardar 2 ou 3 anos e merecer depois uma cuidada selecção na escolha da comida que vai a acompanhar.
sábado, julho 30, 2005
Novidades para a garrafeira: Julho 2005
- Quinta dos Seis Reis Syrah (T) 2003 – até € 15
- Quinta AlemTanha (T) 2001 – até € 15
- Três Bagos Reserva (B) 2004 – até € 10
- Quinta de Vallado (B) 2004 – até € 10
- Quinta da Alorna Reserva Chardonnay (B) 2004 – até € 5
- Muros Antigos Verde (B) 2004 – até € 10
segunda-feira, julho 18, 2005
Tinto Pesquera 1998 Crianza (T)

E que belo tinto este espanhol da Ribeira del Duero! Com cor vermelha-cereja e alguma lágrima persistente... No nariz, muita fruta, mas também madeira, muita madeira... É um tempranillo espanhol, nota-se de imediato, o primeiro cheiro lembrou-me as adegas que visitei faz meses.
O preço deste 98 é uma incógnita, mas não ficará abaixo de € 25 em qualquer garrafeira especializada.
domingo, julho 17, 2005
Quinta da Pacheca 2003 (B)
Hoje, Sesimbra é uma outra Sesimbra; é uma barafunda completa com automóveis por tudo o que é lado, e é sobretudo um dos piores exemplos do (falta de) urbanismo em Portugal. Mais a cima, Santana, é outra pequena localidade que segue o mesmo caminho do cimento. É pena e é irreversível.
A tasca onde ia com os meus pais já não existe, mas restaurantes onde o marisco e peixe são reis, esses – por força do comércio turista – ainda existem... o "Farol" no centro histórico, o "Ribamar" na primeira linha da Praia do Ouro, a tasca do "Formiga" lá no alto, e o "Tony-bar"...
Regressámosa este último com a promessa de lapas frescas... e lapas frescas encontrámos... mas primeiro uns camarões de Sesimbra (pequenos e bravios) e depois uma santola... a acompanhar escolhemos o “Quinta da Pacheca” 2003 Branco...
Que grande branco! – uns dos melhores que provei este ano – complexo logo no nariz, cor quase amarela-ambar, e na boca um agregado de sabores citrinos e florais... era um pouco de ananás... depois muita uva madura... depois fruta verde...
Feito de Cerceal, Malvasia Fina e Gouveio, é um douriense de gema, um daqueles branco do Douro que nos lembra a frescura de um verde e a uva bem presente de um branco maduro... muito bom.
Custou-me € 12 e valeu cada chapa gasta.
sexta-feira, julho 15, 2005
Quinta da Murta 2004 (B)
Tratou-se de um branco muito seco, citrino e harmonioso mas com pouco a oferecer no nariz. Também na cor faltou limpidez e altivez. Na boca mostrou-se redutor, fresco é certo, mas menos floral do que esperávamos.
A janta, simples e picante – esmagámos três malaguetas –, também não ajudou a prova e os 12% de álcool quase não se notaram.
A menos de € 4 é um vinho de Verão para se beber ainda este ano, mas outros sim - que não este Quinta da Murta - reinam em Bucelas!
sexta-feira, julho 08, 2005
Planalto Reserva 2003 (B)

Mas siga-se já para o beber que estamos em época de sol e no Algarve o calor aperta: um branco douriense de marca consagrada, fruto de constantes colheitas bem conseguidas e a um preço que se manteve longe da especulação. Escolheu-se a Colheita de 2003 e exigiu-se um balde coberto de gelo. Bela cor, boas notas no nariz, tratava-se evidentemente de um vinho refrescante e que viria a mostrar uma surpreendente boa adaptação tanto à amêijoa como ao peixe.
A um pouco menos de € 5 nas garrafeiras e nos hipermercados, é sempre agradável beber um Planalto, cabendo agora provar a colheita de 2004!
segunda-feira, julho 04, 2005
Quinta do Carmo 2004 (B)
Mais um grande branco de Verão que fugiu à moda da monocasta. A cor indiciava que este alentejano não era um puro sangue, antes um vinho internacional (o que não se estranha vindo de uma Sociedade Agrícola com capitais em parte estrangeiros). Mas seria o aroma - complexo e penetrante - a confirmar as previsões e finalmente a boca onde o vinho revelou-se cheio e muito refrescante.
