sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Gouts du Vin

Num after work, nada melhor do que um sítio calmo, bem decorado, onde o vinho (a copo) é rei, com pratos e pratinhos (dos patês aos queijos). Tudo num único local à imagem das enotecas francesas. Simpatia no atendimento, pela proprietária. Onde? No "Gouts du Vin" na Rua de São Bento, com sotaque à mistura. A não perder... a não ser de amores.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Grou no Ganhão


Éramos uma boa meia dúzia, mas chegámos desfasados ao restaurante O Ganhão. A primeira metade, onde me incluía, comeu mais entradas e bebeu um pouco mais – benefícios da pontualidade.
As entradas eram os mimos do costume, belíssimos – a alheira, o paio do lombo, as quatro variadas do azeite alentejo, os queijos e umas empadas à Simões. Depois uns tordos deliciosos, com o tempero de alho no ponto, a queimar os lábios. Finalmente garoupa com caldo de peixe – que magnífico final, simples e leve, uma óptima maneira de terminar os salgados.
Para acompanhar tamanha comezaina, vieram várias garrafas de um dos vinhos alentejanos mais badalados no momento: o Grou 2004. A intromissão do enólogo Anselmo Mendes em terras do norte do Alentejo – zona do Cabeção – levou à criação de um tinto espantoso e muito original.
Servido entre 14º e 15º graus, a temperatura recomendada para este néctar, foi preto no copo a lembrar a cor dos verdes tintos de antigamente (o tal "sangue de boi"), até jurámos ver alguma efervescência... No nariz um impacto brutal a fruta, encobrindo por completo a madeira, fruta fresca, erva acabada de colher, orvalho da manhã, tudo muito bom. Na boca, quase pastoso, muito cheio, corpo imponente. O final, talvez pela temperatura do vinho, não acompanhou os galardões iniciais, e mostrou-se apenas correcto.
Um grande vinho do Alentejo, a beber nos próximos 4/5 anos, muito diferente do que habitualmente se faz. Diríamos que o calor da planície foi substituído pela força da montanha, sempre no Alentejo.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Notas breves: Espanha tinto e Ribatejo branco

  • Vilosell (T) 2003, Costers del Segre (Espanha): muito bem na cor, ainda que sem que uma concentração esmagadora. Na boca tudo muito bem desenhado, não se procura o impacto bruto a fruta, nem um esmago a madeira. Antes uma combinação perfeita, harmoniosa, e delicada. A menos de € 10 (por importação).
  • Quinta da Alorna Chardonnay Reserva (B) 2004: A casta está bem vincada, e (felizmente) não se encontra com um peso excessivo. Vinho com frescura considerável – não se caiu no erro de um estágio excessivo. Bonita textura, brilhante. Melhorou muito este Quinta de Alorna, comparado com colheitas anteriores.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Passeio pelo Dão: de Santar a Cabriz




Um passeio que fiz faz pouco tempo, foi em plena zona do “Dão Vinícola”. O objectivo era esse mesmo, conhecer um pouco mais a agreste paisagem daquele território que vê nascer alguns dos melhores vinhos portugueses, e cuja tradição fala por si.
Começámos em Santar, vila primorosa de casas antigas e casarões em restauro, e logo fomos recebidos na famosa Casa de Santar. Ora, apesar da menina que serviu de guia não ter primado pela simpatia, tratou-se de uma visita muito interessante. A casa - magnífica! - tem diversos pontos de interesse, a começar numa pequena capela com curiosidades escondidas pelo passar do tempo, passando por uma descomunal cozinha onde água é retirada de uma fonte interior, terminando a visita num pequeno, mas muito original, museu de coches e uniformes antigos.
Já no exterior, ficam os jardins: em réplica miniatura dos jardins de Versailles, são estes que nos conduzem à moderna adega com as vinhas - sempre protegidas pela maravilhosa Serra da Estrela - em pano de fundo. Na adega, uma breve paragem para explicações mais ou menos exactas, e o regresso à estrada foi imperativo.
Não se espante o leitor se lhe contar que após a visita à Casa de Santar, ficámos com fome! Naturalmente. Onde comer então? Pois bem, no restaurante da Quinta do Cabriz! Este, inserido nas instalações da sociedade "Dão Sul", fica na verdade em Carregado do Sal, a alguns quilómetros de distância da Quinta que produz uma parte dos vinhos da casa.
Como a vontade de comer era muita, e de provar os vinhos também, optámos por menu de degustação bem representativo da gastronomia regional. Assim, a um óptimo preço, foram-nos servidos quatro pratos, cada um com a sua garrafa (não é um erro, era mesmo uma garrafa para cada prato).
Espumante (bom, com bolha elegante e muito fresco) para a entrada, Branco "Encruzado" (muito bom, como vem sendo habitual) para o primeiro prato, dois tintos para os pratos de carne (o Jaen e o "Touriga Nacional"), um licoroso para as sobremesas (deliciosa a tigelada) e uma água-ardente com o café. Tudo da Quinta do Cabriz.
Depois de tamanho repasto a visita seguinte foi adiada e não hesitámos numa pequena sesta. Inevitavelmente. Um passeio, e um almoço, inesquecíveis.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Quinta da Bacalhôa (T) 2002


Depois de uma manhã e tarde passadas entre livros de economia política (sempre com o encanto para os assuntos sobre o Tratado de Methuen, por razões obviamente relacionadas com o vinho) um jantar com os sabores dos eternos rivais de Inglaterra vinha mesmo a calhar. Foi assim que me vi num jantar onde magret de pato com laranja era o prato forte da ementa (mais francês do que isso só a sopa de cebola).
Após algumas voltas entre garrafas mais poeirentas, levei comigo um Quinta da Bacalhôa 2002 para ombrear com tamanho francesismo. De cor rubi pouco brilhante, mostrou um corpo médio/fraco a que já nos acostumamos quando em Portugal a cabernet é cruzada com merlot. Mas no nariz esteve bem, com notas a especiarias e madeira de qualidade, e na boca manteve-se seguro – longe de deslumbrar – com nuances frescas a menta e fruta verde acabada de colher (à qual faltou apenas a geleia doce típica do merlot, talvez pela pequena quantidade do lote utilizado).
A um preço um pouco elevado (entre € 10 a € 13), trata-se de um produto seguro em que se pode confiar, um vinho com uma elegância considerável, embora de colheita para colheita a fruta utilizada parece vir a desmerecer de qualidade.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Couteiro-Mor Antão Vaz (B) 2003


Os vinhos brancos deste Inverno estão a revelar-se superiormente bons. Depois das óptimas referências anteriores (ver post de 24 de Janeiro de 2006), provámos outra surpresa muito, muito boa.
Foi a vez do Antão Vaz de 2003 dos produtores Couteiro-Mor. Esta casa, situada em Montemor, tem vindo a fazer grandes vinhos, brancos e, sobretudo, tintos (com o "Vale do Ancho 2003" em destaque).
Este Couteiro-Mor tem ainda duas grandes vantagens, a saber: i) a capacidade para ser guardado em garrafeira até 3/4 anos depois de engarrafado; e ii) um preço quase imbatível (abaixo dos € 7 quando o comprei, faz já algum tempo).
Mas foi logo na cor, apesar dos elogios que se vão seguir, que o vinho menos brilhou – mostrou uma cor algo pálida, com transparências evidentes. Na boca, ao invés, mostrou-se altivo, com boa reprodução da casta alentejana, com os elementos minerais a sobressair atribuindo ao néctar uma frescura irrepreensível. Bom corpo e final persistente.
Após anos e anos de vinhos brancos de pouca categoria (sobretudo no Alentejo), podemos começar a concluir que existe hoje já uma “mão-cheia” de produtores a trabalharem muito bem as castas brancas um pouco por todo o país. Sobretudo as nacionais (Alvarinho, Encruzado, Arinto e Antão Vaz), mas também algumas estrangeiras (Sauvignon Blanc e Chardonnay).

domingo, fevereiro 05, 2006

Novo blog: a "vinho-blogmania"

É com um enorme prazer que descobri recentemente um novo blog sobre “esta mania de andar a provar vinhos”. Cinco amigos juntaram-se e, no início deste ano, criaram o blog “Vinho a Copo”. Ao Ricardo, Rui, Nuno, Cristo e Duarte, votos de boas vindas.
Já agora, o título de blog coloca uma questão tão interessante como actual: a recente tendência para tomar vinho a copo, através da qual se consegue provar vinhos diferentes sem ter de abrir várias garrafas.
À V. Saúde.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Notas breves: Alentejo Branco e Tinto

  • Pontual (T) 2002: mais uma proposta interessante do Alentejo, com um preço simpático. Uva de qualidade, breve estágio em madeira nova. Tudo muito redondo, taninos suaves. Bom. Um pouco abaixo dos € 10.
  • Tapada de Coelheiros Chardonnay (B) 2004: muito fino e elegante este branco de referência. Muito bem na cor que se mostra límpida, boa concentração para um vinho tão seco, impressiona o sabor a casta (é melhor não servir muito frio, nunca abaixo dos 10º), mas não é cansativo como outros chardonnay que se bebe por aí. Manteiga baunilhada equilibrada com algum álcool num final de boca médio/longo. Bom +. Um pouco acima dos € 10.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Régia Colheita Reserva (B) 2003


Um robalo do mar para coisa de 900g ... era o convite. Assado.
O vinho: um Régia Colheita Reserva de 2003 guardado com carinho. De cor palha com tendência âmbar, mostrou-se um vinho muito concentrado sobretudo tendo em conta tratar-se de um branco. Existem vinhos brancos assim, sobretudo no Alentejo... vinhos pesados, com lágrima, alcoólicos, quentes até.
Pouca fruta, muita madeira – regra seguida à letra. Muito bem na cor (não poderia ser de outro modo) já dissémos, nariz algo fechado (apagado?).
Na boca, um mundo de sabores balsâmicos, algum mel, noz e casca de ovo. Um grande final para um portentoso vinho branco alentejano que vale bem beber no Inverno.
Pena a alegada falta de persistência na qualidade, pois consta que o 2004 está menos bom.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Quinta do Portal Reserva (T) 2000


Acompanhava um lombo de porco mas não pensámos num vinho alentejano (como já faz hábito quando degustamos um cochino...). Ao invés, lembrámos-nos de um douro que não fosse muito concentrado. Elegemos assim, num consenso difícil diga-se, o Quinta do Portal Reserva 2000.
E acertámos, pois ao contrário do que o qualificativo “Reserva” sugeria, estávamos perante um vinho linear a merecer ser consumido antes de 5 anos da sua comercialização (ou seja, está na altura!).
Ora, na cor começou por agradar, vermelhão escuro e violeta, sendo que a falta de concentração começava a ser evidente. O nariz indiciou o resto, pouca fruta madura, alguma madeira de qualidade... pouco mais. Escasso para o que se esperava, mas um conjunto agradável em todo o caso.
Na boca mostrou-se fácil e agradável, taninos suaves e de finura recomendável. Tudo no sítio, tudo complacente. Final pouco vigoroso como se antecipava.
Recomenda-se que o consumidor que queira provar um vinho furos acima produzido pela Quinta do Portal , opte por um “Grande Reserva” (ao estilo espanhol) ou um “Auru”. É preciso é abrir os cordões à bolsa. O aviso está feito.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Quinta de São Francisco (T) 2001

Da denominação produtora de Óbidos, em plena região da Estremadura, chega-nos este vinho feito com base na casta castelão.
De cor rubi brilhante, muito suave na boca, e com idêntica leveza aromática no nariz. Taninos salientes e robustos, fruta de qualidade mas pouco madura.
Falta-lhe apenas um pouco de concentração (devido ao muito que chove na região do Oeste) e um final mais longo e largo para ser um vinho de belo porte.
Ainda assim, muito bem feito este néctar, tudo equilibrado, podendo deixá-lo dormir mais 2-3 anos em cave.
A menos de € 8, e com um elogio ao grafismo do rótulo, de estilo clássico (fora de moda até), com destaque para a referência do trofeu "prestige" obtido no Concurses Citadelles du Vin.

domingo, janeiro 08, 2006

Prazo de Roriz (T) 2002


No nariz como na boca tratou-se de um Douro ainda fechado e muito mineral (consta mesmo que na propriedade existiram minas de ouro e estanho até ao fim da Segunda Guerra Mundial). Esteve presente a madeira, ainda que sujeita a pouca harmonia, e alguma fruta vermelha longe de ser madura a lembrar-nos o ano da colheita (com muita chuva).
Este “Prazo de Roriz” é a segunda marca da conhecida Quinta de Roriz, na família van Zeller desde 1815, e especializada nos vinhos do Porto. Num ano difícil como foi o de 2002, e tirando a madeira menos bem "casada", este vinho de mesa não deixou "créditos por mãos alheias", mostrando um recorte fino e elegante. O que pelo seu preço, não é nada mau.
A menos de € 8 no Corte Inglês (supermercado).

terça-feira, janeiro 03, 2006

Martinet Cru (T) 2001


Da região mais badalada da Europa, bebemos este Martinet Cru 2001. Não estivéssemos nós em Espanha e não tivemos outro remédio que não o de provar este belo Priorat (e que remédio...). Trata-se da segunda marca do produtor “Mas Martinet” e tem um preço interessante, pois é sabido que os vinhos desta região de Espanha têm sofrido uma inflação estonteante. Para ilustrar com um exemplo, a primeira marca “Clos Martinet” custa praticamente € 50.
Quanto ao vinho propriamente dito, feito com castas francesas (Cabernet Sauvignon, Merlot, e um pouco de Syrah) e um terço da variante local Garnatxa, apresentou-se muito escuro (quase, quase opaco), compacto, com lágrima espessa e de “queda” lenta (como tanto gostamos!). Não admirou assim os seus 14,5º de álcool.
O nariz foi dominado por ameixa preta, uvas passas, enfim muita fruta madura de qualidade, alguma madeira (apostamos em barricas de carvalho francês) e um grande volume de álcool.
Na boca, novamente a referência a fruta muito madura, agora alguma cereja - um vinho anti-vegetal -, com taninos que indicam alguma longevidade e um final longo com notas de chocolate amargo.
Entre € 15 e € 20.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Reserva Ferrerinha (T) 1994

Depois do almoço, e dos vinhos já referidos (ver posts anteriores),
a "coisa" complicou no jantar de Natal. De facto, abrimos duas garrafas de Reserva Especial Ferreirinha 1994. Abrimos a custo devo dizer, pois ambas as rolhas estavam surpreendentemente em más condições, a querer mesmo quebrar em plena metade.
Mas o breve desalento no "sacar a rolha" passou imediatamente... mal abrimos o néctar, um portento de sabores a fruta vermelha saiu da garrafa (o que não deixou de ser curioso, tratando-se de um douro com mais de 10 anos, ainda por cima um Ferreirinha!).
Contudo, após a decantação, não foi necessário esperar muito mais para sentir o típico bouquet doce e algo químico deste fantástico vinho.
No olhar, rubi escuro e intenso no copo. Fino na boca, muito corpo e todo ele elegante, com fruta madura imediatamente acessível, e madeira perfeitamente alinhada. Forte concentração e um final longo.
Não era um Barca Velha, pois apesar de “novo” estava já com uma maturação muito aceitável. Mas era muito bom.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Termeão "pássaro branco" (T) 2003


Um dos produtores da moda, Manuel Campolargo sediado na Anadia, desafia-nos para mais um vinho de garagem (ie., com produção limitada a pequeníssimas quantidades).
Com Camarate e Touriga como castas predominantes, e um pouco de cabernet Sauvignon, todas vindas da Bairrada (terroir laboratório do produtor) só podíamos encontrar um vinho assim: forte, aroma rijo e pouco domável. Nota-se a falta do estágio de madeira que o seu irmão mais velho (Termeão "pássaro vermelho", ver rótulo) beneficia. No entanto, é um vinho capaz de surpreender qualquer um... bem diferente do que faz por todo o país.
De cor rubi, é o seu nariz intenso e complexo (mineral?) que vinga. Com notas de boca florais e sugestivas a legumes verdes. É melhor esperar um ou dois anos (mas não mais!), para ver se a “fera” acalma.
Para já, é um vinho muito interessante e que todos os enófilos devem experimentar. A menos de € 8 na Makro (€ 20 pelo Termeão "pássaro vermelho").

Esporão Garrafeira (T) 1997


Começamos no Sábado de Natal com um Esporão Garrafeira 1997 a ombrear uns filetes de polvo com arroz do dito. A expectativa era muita, não só pelo facto do vinho ser um dos melhores que a região oferece, como pela sua idade (pouco própria para um alentejano, dirá, a priori, muita gente).
Elaborado com Cabernet Sauvignon, Aragonês e Trincadeira, estagia por 18 meses em carvalho francês novo e uma parcela em carvalho americano.
Na cor, foi um vinho de cor granada, com nuances de alguma evolução, tonalidade concentrada, deu-nos imediata sensação que estaria em óptima forma. No nariz aromas a fruta madura perdidos num curioso arabesco mineral, algum “cassis” (mas pouco) e grãos de café. Madeira bem doseada a trazer aromas e sabores exóticos, boa presença da casta francesa. Taninos macios e integrados.
Um grande vinho do Alentejo a mostrar que, quando bem elaborados, estes podem descansar uma década antes de serem bebidos.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Quinta da Sequeira (T) 2001

Após um elogio rasgado do Pedro Gorjão Henriques, à primeira oportunidade fui comprar uma garrafa de "Quinta da Sequeira". Comprei-a por €13 na Garrafeira Internacional, loja recentemente inaugurada na Rua Escola Politécnica, ao Príncipe Real.
De cor vermelha escurecida, apresentou um bom porte no copo, e um belo nariz (de antemão muito complexo). Mostrou-se forte na boca, áspero, com a madeira escondida por uma fruta em decomposição (mas sem vestígios de sabores “confitados”). Algumas notas de fumo, e de tabaco.
Com um final longo, foi um vinho muito interessante, mas difícil, que tememos ter como maior virtude acompanhar uma robusta refeição. Bebê-lo sem comida poderá ser arriscado...

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Calços do Tanha Reserva (T) 2001

A poucos quilómetros de Ponte de Lima, já perdidos no verde minhoto, descansámos no Restaurante Bocados e recuperámos as forças com a sua cozinha. Com inspiração na gastronomia portuguesa, servem-se vários pratos pequenos à laia de entradas e um prato final, "bocado maior". Nada se escolhe, é tudo por conta da casa. O prato maior foi um bacalhau envolto em couve, muito bom. O bolo de noz coberto de chocolate foi uma tentação que não se evitou.
No vinho resolvemos provar o irmão maior de um néctar bebido faz semanas. Se já tínhamos gostado muito do Calços do Tanha (e aqui deixámos testemunho no texto de dia 22 de Novembro), venha agora o Calços do Tanha Reserva – foi o que pensámos e melhor fizemos. Escuro (mas não preto), muito consistente, pesado no copo, foram os brutais aromas a frutos vermelhos que mais transbordaram dos copos (próprios para apreciadores, o que mostrou o cuidado do Sr. José Pereira, o proprietário). Na boca algumas notas de couro, tabaco e novamente uma compota em decomposição. Um final longo, a título de despedida magistral.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Condado de Haza Reserva (T) 2000

Umas almôndegas primorosas esperavam em casa, envoltas num molho espesso. Juntámos, como entrada, umas fatias de veado fumado e umas tâmaras com presunto; fizemos o jantar.
Como fazia tempo que não depenava a secção espanhola da minha garrafeira, fui buscar um Ribeira del Duero. Após alguma hesitação, lá decantámos um “Condado de Haza Reserva 2000”. Esta segunda quinta de Alejandro Fernández é tida como o seu sonho, depois da muita fama obtida com os “Tinto Pesquera” (aos quais já fizémos referência num texto de 18 de Julho deste ano). Aliás, as duas quintas distam poucos quilómetros, como constatei no ano passado quando percorri toda a estrada de Peñafiel em busca das melhores bodegas.
Ora, este Condado de Haza esteve irrepreensível, em óptimo estado de maturação. Apesar da colheita de 2000 ter ficado furos atrás à de 2001, mostrou uma bonita cor de cereja (típica dos Reserva da região) e aromas equilibrados de madeira, fumo e fruta. Surpreendentemente, o tempranillo esteve repleto de sabores, numa estranha sucessão de frutas maduras diferentes, tudo com uma pouca acidez tradicional.
Um pouco distante dos melhores da região (do que melhor e mais caro se faz no mundo inteiro), mostrou-se gostoso e guloso, um vinho que apetecia beber. Pena o final, curto para o que se dele esperava.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Cartuxa Reserva (T) 2002

A cor começa a desapontar (já com evolução) e no copo mostra-se mesmo “leve”, pouco denso... um súbtil brilho coral (pálido) e pouco mais.
Na boca, já tudo é diferente: vivo, muito fruta (mas não madura), tudo a lembrar o “vinho novo” alentejano que se bebe no próprio ano da colheita. Tem um estilo contra a moda dos tintos carnudos e concentrados, é um tinto suave e ideal para acompanhar certos assados pouco fortes (peixe ou carnes brancas). Apelativo.
A menos de € 20.