terça-feira, outubro 11, 2005

Quinta do Monte d'Oiro Clarete 2004


Era um almoço em casa da minha mãe. Era o combinado. Cheguei mais cedo e aprendi alguns truques (que um dia escreverei aqui) para uma fantástica cataplana de tamboril. O peixe, fresco, o bacon e o fiambre em pequenas e exactas porções, os pimentos, enfim todo um manancial de coisas boas.
Como fazia tempo que queria provar a nova vaga de rosés – e comprovar a sua mais recente fama – escolhi o da Quinta do Monte d’ Oiro. Da comida da minha mãe escuso-me comentar – opinião de filho comilão não é para aqui chamada – mas vamos ao vinho: cor lindíssima, mas ligeiramente mais escura do que um típico rosé, na boca um ataque instantâneo de aromas florais. Curiosamente, esta primeira impressão modificou-se ligeiramente com o vinho na boca, tornando-se cada vez mais austero e menos doce, ganhando mesmo uma estrutura muito interessante para um rosé. Terminou num inevitável final curto.
Depois do sucesso do clarete de 1999, elaborado a partir de Syrah, surgiu o de 2003 e este de 2004 elaborados à base da casta Cinsaut – mais uma experiência saída do chapéu do José Bento dos Santos.
Um rosé menos fácil do que seria de esperar, e a pedir Verão (sardinhas com pimentos, saladas, escabeches, pizzas) ou comidas exóticas (sobretudo chinesa), a menos de € 7.

domingo, outubro 09, 2005

Bolonhês - Monte dos Seis Reis (T) 2003

A garrafa fora comprada pouco dias antes do coelho. Este mereceu cuidada atenção (ai! como gostamos dele casado com um arroz solto), enquanto o vinho bastou decantar.
Após elogios rasgados ao projecto do “Monte dos Seis Reis” - na inevitável zona da moda do Alentejo (Estremoz, adivinhou!) - também nós compramos umas tantas garrafas. Algumas de syrah monocasta (eleito o melhor syrah de 2003 pela Revista de Vinhos), outras de “Bolonhês”, ambos tintos. Vamos então à prova deste último que, convém que se escreva desde já, acompanhou muito bem o magnífico coelho (obrigado D. Lurdes).
Tempo ainda para escrever que se tratava de vinho feito a partir das castas que melhor “servem” a região – aragonês, trincadeira, alicante bouschet e tinta caiada – com fermentação em cubas de inox e a maloláctica, e um estágio de 8 meses em barricas de carvalho francês e do caucaso, seguindo-se finalmente o estágio em garrafa.
Na cor – grenada e luminosa – e no nariz muita fruta madura (mas não doce, longe da compota) e madeira evidente. Corpo interessante (mas não se pode exigir longevidade, vejamos os próximos 5 anos) e taninos macios, algo escondidos. É pena as poucas referências a terra e a trufas (que tanto gostamos!), e a pouca evidência ao calor da planície (será a tentação do novo mundo?). Ainda assim um vinho muito bom, guloso, com um belo final e que deve ser bebido novo. A menos de € 8 numa Garrafeira.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Feiras de vinhos nos hipermercados - destaques

  • El Corte Inglês:

Dehesa Gago (T) 2002, Toro, Espanha - a menos de € 8

Quinta de São Francisco (T) 2001, Óbidos - a menos de € 7

Terras do Pó Reserva (T) 2003, Palmela - a menos de € 7

Quinta do Sanguinhal monocastas (T) 2001, Óbidos - a menos de € 5

  • Continente:

Quinta dos Carvalhais Encruzado (B) 2003, Dão - a menos de € 15

Quinta de Cabriz Encruzado (B) 2003, Dão - a menos de € 8

H. do Esporão Verdelho (B) 2004, Alentejo - a menos 6 €

  • Jumbo:

Evel Grande Escolha (T) 2001, Douro - a menos de € 12

João Portugal Ramos Syrah (T) 2003, Alentejo - a menos de € 9

Morgado Sta Catarina (B) 2003, Bucelas - a menos de € 8

segunda-feira, outubro 03, 2005

Qta do Sanguinhal Syrah / Touriga (T) 2001

Foi um convite simpático e a horas certeiras pois passava já da uma da tarde e eu não tinha almoçado. Estávamos a meio caminho de Lisboa-Leiria em plenas terras de Bombarral, com Óbidos mesmo ao lado. Pouco depois - isto na província é sempre tudo "pouco depois" - chegámos ao restaurante “O Lagar” no lugar do Carvalhal.
Abriu-nos a porta o proprietário e fomos servidos pelo filho. Reinava o ambiente familiar (e sportinguista, o que me agradou) e as entradas começaram a rolar pela mesa. Primeiro os ovos com cogumelos bravos, depois o paio do lombo, para o fim morcela de arroz da região. Nas refeições propriamente ditas, iniciámos com uns jaquinzinhos em arroz de tomate (uma delícia) para depois terminar com uns lombos de porco preto (prato sempre vulgar, mas muito bem preparado).
Para os deleites da bebida, escolhemos um vinho da terra – Região de Óbidos – um interessante “Quinta do Sanguinhal Syrah e Touriga Nacional” de 2001.
Forte e jovem, com grande acidez, muita Touriga e alguma Syrah. Sente-se a madeira francesa com baunilha escondida. O final é curto, mas não impede de ser uma óptima companhia para comidas fartas.
Um vinho que mostra o potencial desta zona que parece ter tudo para renascer... as vinhas e as castas são novas, a Syrah parece dar-se tão bem em Óbidos quanto em Alenquer, e não falta “terroir”...
A menos de € 6 (na recente feira do Corte Inglês)... no restaurante não faço ideia... não fui eu quem pagou a conta.

terça-feira, setembro 27, 2005

Vindimas no Douro: um fim de semana


Era um fim de semana que tinha tudo para correr bem. E tudo correu maravilhosamente bem. No Douro.
Sábado, a horas impróprias (umas inimagináveis 7.00h da manhã!), arrastamo-nos para a belíssima estação de São Bento. Tenho há muito tempo um gosto especial por estações de comboio, e São Bento é uma das (pequenas) estações que tanto gosto.
O destino: o Douro, mais propriamente a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. A viagem, que durou cerca de 2 horas até ao apiadeiro de Ferrão, foi feita grande parte à beira rio... E o olhar, sobretudo em época de vindima, perde-se na busca daqueles pequenos traços longínquos, consumidos nos socalcos, que afinal são pessoas.
Pouco depois saímos do comboio num pequeno pulo, já no Cima Corgo, próximo do Pinhão, e encontrámos a "Quinta Nova" com uma exposição solar magnífica e 1,5 km de extensão ao longo da margem do rio Douro. À nossa espera, mais de 120 hectares de vinha (a maioria vinha nova), o primeiro hotel rural vinícola, e a simpatia dos gerentes.
Um pequeno passeio pela quinta (durante muitos anos ligada à família Burmester), uma visita à vindima, um pic-nic reforçado e uma sesta. Só o sossego daquele vale, vale tudo.
Antes, ainda uma visita à adega em pleno labor.
No jantar, em sala aprumada como de resto toda a quinta, provou-se um Porto branco de aperitivo (bom), acompanhou-se a refeição com o Casa Burmester Reserva (T) 2002 (também bom, mas pensávamos que fosse melhor) e terminou-se com uma prova de vários Portos tintos feitos na quinta. De todos os que bebemos, dormimos com saudade do LBV 2000.
Já no Domingo, após o pequeno almoço, foi hora de mais comboio até ao Pinhão e depois um magnífico cruzeiro até Gaia. Um fim de semana em cheio, e aqui tão perto.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Quinta de Macedos (T) 2001

Afinal de contas preparava-me para fazer um favor a um amigo meu... estava a caminho da casa do Bruno Santiago para lhe transmitir os meus comentários sobre o seu escrito. Durante o caminho ainda pensei em desistir, pois uma ligeira febre passou por mim, ainda antes da Rua Castilho. Telefonei ao Bruno, mas resisti.
Ainda bem que resisti: por mim esperavam uma casa simpática (isso já eu sabia), um amigo nervoso (calculava, pois também já estive em situações de "dar-me a ler" aos outros), e duas preciosas perdizes... com “essa” não esperava eu! Que surpresa!, um casal de galináceos reais, corpulentos na sua pequenez natural, jaziam num molho eficazmente discreto.
Nos vinhos, estávamos reduzidos a um par de escolhas. Retirámos do aplique um Quinta de Macedos 2001. Momento maior da noite!
Com uma presença enorme, notas de frutos pretos muitíssimo maduros, taninos macios mas potentes (ah, como desejámos uns copos adequados...)
No aroma, mostrou-se do melhor que o Douro tem, com bastante madeira nova (20 meses) a casar todo o conjunto; e na boca muito complexo (imagine-se uma mistura de 16 castas tradicionais do Douro, com predominância de Touriga Franca!). Tudo com muito álcool à mistura que proporcionou o equilíbrio necessário a tanta robustez.
Os enólogos e produtores Paul e Raymond Reynolds provam uma vez mais que têm um excelente vinho de garagem (3 mil garrafas). O preço...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Quinta de Pancas Touriga Nacional Sp. Selection (T) 2001


Agora, já na Estremadura, outro Special Selection (ver post infra). Depois das entradas vieram um rosbife com nome de general e um tronco de perú “meio assado”. Tudo muito bom e a pedir mais bebida.
Chegou então o prometido Touriga de Alenquer cuja garrafa se abriu (finalmente!) para nosso rejubilo. Com uma forte componente floral à casta, atacou bem a boca desde o início dando provas que desejava ser bebido...
Grande presença, muito corpo, pouca fluidez (para nosso contentamento), escuro (mas não preto). Esteve, no geral, muito bem este touriga – mais elegante que alguns alentejanos recentes, mas menos “fino” e vegetal que outros dourienses.
Um bela escolha a mais de € 20 a garrafa.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Galeria Cabernet Sauvignon Special Selection (T) 1997


O convite do meu grande amigo Almeida Fernandes era irrecusável, sobretudo após a minha insistente auto-convocação.
Chegado a sua casa, começou-se pelas tâmaras com bacon, mais um queijo d’ Ilha e um de azeitão (que reinou altivo).
Nos beberes a festa continuou com um muito interessante cabernet sauvignon da "Galeria" (Grupo Caves Aliança) da colheita de 1997. No copo, a cor notava já alguma evolução mas sem perder nitidez, enquanto no nariz um puro cabernet nos seduzia rapidamente com fragância a especiarias (pimenta preta, açafrão), algum pimento verde e muita madeira (a prometida “oak aged” anunciada, de modo um pouco caricato, no rótulo). Na boca, continuou um cabernet definido; a fruta, todavia, não conseguiu sobressair na sua máxima intensidade. Bom final, e alguma graciosidade (quase elegância...) típica de vinhos com alguns anos de garrafa.
Uma nota final no sentido de referir que as Caves Aliança substituíram entretanto a designação “special selection” pela portuguesa “Reserva”, o que se aplaude.
Para quem gosta, ou quer experimentar, um puro cabernet (mas não exige a elegância, nem o preço, de um Bordéus) é um vinho a não esquecer. Pelas colheitas recentes, a marca pede cerca de 20 € por garrafa.

Prova de Reservas Francisco Nunes Garcia


No próximo dia 13 de Outubro, pelas 17h será realizada uma prova vertical dos vinhos reserva do produtor alentejano Francisco Nunes Garcia (incluindo, segundo promessa, o fantástico “Reserva Homenagem António Maria”). A prova irá realizar-se no restaurante O Ganhão, próximo das Portas de Benfica, um portento refúgio da gastronomia alentejana (as saudades que tenho da perdiz na panela...). Mais uma grande iniciativa do sempre afável António Simões. Para inscrições fica o email: ganhao@hotmail.com

domingo, setembro 11, 2005

Ruffino Chianti (T) 2003


No dia a dia, utilizo uma regra simples: para uma comida pouco “condimentada” escolho um vinho simples, novo, que seja agradável do princípio ao fim e sem surpresas. Foi o que sucedeu com o chianti da “Ruffino” – marca de grande expressão comercial em Itália – que acompanhou entremeada.
Bonita cor rubi pálida, sem excessos de concentração, aroma vivo com notas subtis a frutos vermelhos. Muito agradável.
A regra confirmou-se.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Jantar com João Portugal Ramos

A todos sortudos, como nós, que no dia 30 deste mês estarão sentados à “mesa com” os mais recentes vinhos do João Portugal Ramos(colheita 2003), cabe lembrar que já se sabe mais qualquer coisa sobre alguns dos vinhos tintos que serão degustados lá para o final do mês... e que vinhos !!! A saber:

  • “Conde do Vimioso Reserva 2003” (as anteriores colheitas fizeram sempre parte de todas as short-lists dos melhores vinhos do ano);
  • “Quinta Viçosa Touriga Nacional/Merlot 2003” – diz quem já provou que é simplesmente fantástico... talvez o melhor JPR...
  • “Quinta Foz de Arouce Vinhas Santa Maria 2003” – um vinho clássico e lendário que JPR tem ressuscitado... lembro-me do meu amigo Francisco Mendes Correia me oferecer um de 89 e já era uma “bomba”... como será o de 2003 ?

O jantar terá lugar no restaurante "A Commenda" no Centro Cultural de Belém e é mais uma grande iniciativa da garrafeira "Coisas do Arco do Vinho".

segunda-feira, agosto 29, 2005

5 brancos à prova do Verão

Não conseguimos evitar e lá fomos país abaixo a caminho do sotavento algarvio. Na bagageira levámos um périplo de cinco vinhos brancos (dois verdes). Uma certeza: gastámos menos de € 25 no total dos 5 vinhos.

QUINTA DE SAIRRÃO RESERVA (B) 2004
Parámos o barco e superámos o lodo. Após uma ida a casa visitou-se a localidade de Santa Luzia bem perto de Tavira. A razão deste nosso regresso a Santa Luzia – já lá deixáramos o barco – prendia-se com a visita ao “Capelo”, restaurante de especialidade marisqueira. Vieram as amêijoas e as postas de um pargo grelhado, a acompanhar bastou uma bela salada de alface e tomate.
Para beber provámos o douriense “Quinta do Sairrão”. Foi o nosso primeiro contacto com esta quinta e gostámos muito da frescura imediata deste branco, do seu maracujá evidente; mas também das notas doces que se manifestavam (seria banana?) escondidas num final longo. Com uma boa presença e sem agulha, sobresaiu a cor quase amarela, bonita desde o primeiro olhar. Bom +.

MARQUES DE RISCAL SAUVIGNON (B) 2004
A recompensa de ir à praça de manhã seria uns belos salmonetes para jantar. Cozeram-se umas batatas e preparou-se uma salada. Os ditos – peixe maravilha quase marisco – foram colocados na grelha, trocou-se a sua posição, e o manjar estava pronto.
Também preparámos o Marques de Riscal Sauvignon, bem fresco como apetece no Verão. Apesar da “bodega principal” desta marca espanhola estar situada na zona de Rioja (com uma arquitectura duvidosa, diga-se) este vinho é feito a partir de uvas de Rueda, zona próxima de Valladolid – território de vinhos brancos interessantes como os “Palácio del Bornos” (sobretudo o verdello, mas também o sauvignon).
Quanto a este Riscal mostrou-se límpido desde logo, de sabor carregado à casta e um toque a “mão de gato” que criou uma leve sensação de desprazer perto do final. É um sauvignon curioso mas pesado, que no entanto terá sem dúvida os seus apreciadores (aqueles que preferem sabor intenso a harmonia). Bom.

SOLAR DAS BOUÇAS (B) 2004
Ao terceiro dia veio a feliz contradição: camarões grandes (tamanho 1) e carapaus pequenos. Os primeiros grelharam-se, os segundos levaram fritura valente. O calor apertava (e eu que o diga ao comando da grelha) e apetecia um vinho verde... e porque não um Solar das Bouças 2004? Todo feito a partir da casta Loureiro, começou por demostrar estrutura interessante alicerçada numa “agulha” muito agradável. Conjunto muito afinado, algum ananás e um forte sabor citrino, muita leveza. Um conjunto que apela a um dia quente e a marisco. Bom +.

BUCELAS (B) 2003
Na lota seguimos pelo arroz de marisco, mas para acompanhar escolhemos o “Bucelas 2003” das Caves Velhas. A escolha no entanto começou por desapontar na cor, algo deslavada (quase aguada). Infelizmente na boca o vinho confirmou as expectativas e revelou-se um arinto furos abaixo do habitual da marca, sem a nobreza da casta. Pouco sabor a fruta, algum maracujá ligeiro (camuflado) e pouco mais. No nariz esteve regular. Suficiente.

QUINTA DO AZEVEDO (B) 2003
E no final, veio o vencedor. A acompanhar uns audaciosos bocados de espadarte do Algarve – sempre óptimo na grelha – abrimos um dos melhores brancos da Sogrape. Vinho verde, de grande porte, muita agulha mas não em exagero, esteve muito bem. Sabor intenso, ora tropical ora citrino. Cor amarela clara, de nariz subtil e sublime. Muito bom. O melhor do lote... no último dia. Bom ++.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Quinta dos Carvalhais Encruzado (B) 2003


Não deu tempo para refrear os ânimos dos Portos provados (ver post infra) e outra experiência magnânima passou-nos pelo estreito. Começámos por pedir uma perdiz de escabeche, mas fomos a tempo de alterar por um anunciado “foie-gras”. Mas, no campo da comida, foi sorte nula, pois o “foie-gras” não passava de patê rasca com uma cobertura agridoce. Para emendar a mão, veio a massa com requeijão – um clássico dessa casa ao cimo da Praça da Alegria.
Mas foi a beber que as lágrimas correram pela face... A sugestão era um “Quinta dos Carvalhais Encruzado 2003”, e tudo virou sublime de súbito ... o próprio patê, antes uma mixórdia, parecia agora um pitéu digno dos deuses.
É preciso dizer que estava uma noite abafada, e – estranhamente – não me apetecia a fruta tropical de um Alvarinho. Ao invés, o calor da noite chamava um líquido mineral e com muita personalidade. E foi o que encontrámos com o Encruzado, casta branca predilecta do Dão. Outros “Encruzados” havíamos já provado e saudado – o da “Quinta do Cabriz 2002”, por exemplo – mas este da “Quinta dos Carvalhais” bateu a concorrência. Gritámos tratar-se de um dos melhores brancos de 2003! E ninguém protestou.
Grande cor, grande corpo, alma limpa e alguma fruta citrina, um final prolongado e insistente, muito mineral e um toque a madeira que conferiu um equilíbrio perfeito e uma elegância pungente como poucos brancos têm.
A € 15 nas garrafeiras, está entre os melhores brancos portugueses de 2003 (e de 2004) que até hoje provei.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Portos: Vintage 87 e LBV 2000


Em menos de uma semana e tivemos duas subidas ao céu: a primeira, com o excelente vintage 87 da Real Companhia Velha. Alguns dias depois, com o explosivo LBV 2000 da casa Burmester.
O ano de 1987 foi um ano muito bom no Douro, mas foram outras as vindimas dos anos oitenta que tiveram o máximo protagonismo da década, refiro-me aos inesquecíveis vintages de 83 e 85. Ainda que nem todas as marcas tenham declarado vintage em 1987 – ao que parece existia pouco vinho – a verdade é que algumas marcas de referência não hesitaram em declará-lo. Foi o que aconteceu com a Niepoort, Ferreira, Martinez, Offley e claro, com a Real Companhia Velha.
E o que dizer deste Porto? uma fruta elegantíssima, um equilíbrio total nos taninos, e desde logo uma maturidade que nos ofereceu a certeza de tratar-se um vintage para durar pouco mais que vinte anos. Bebemo-lo na altura certa, podemos concluir.
Quanto ao ano de 2000, é por todos sabido ter sido um ano exemplar... e o LBV da Burmester não desapontou: esteve pujante, com muita compota, fruta madura intensa e com alguma baunilha que a madeira lhe conferiu.
Duas propostas fantásticas, mas bem diferentes, tal como o preço, aliás...

quarta-feira, agosto 10, 2005

terça-feira, agosto 09, 2005

Muros Antigos Espumante Bruto (B) 2002

Foi na sequência de um belo dia na Praia das Maçãs (belo dia pois a neblina só se fez à Ribeira de Colares pelas seis da tarde) que encontramos uma vez mais o restaurante “Mar do Inferno”, bem junto a Cascais. Se não fosse a simpatia da D. Lurdes e não havia mesa, dada a afluência de fim de semana, mesmo em férias.
Para entrada, aconteceu um acepipe da mais alta qualidade, bruxas de Cascais... frescas, fresquissímas estas miniaturas de molusco... depois já a famosa travessa do mar com dourada e robalo (do mar) grelhadas e uns robustos camarões a acompanhar.
E a beber escolhemos um espumante, uma aposta certeira. "Muros Antigos" em balde e flutes apropriados. Com 30% de Alvarinho e o restante de Alvarelhão tinta, apresentou-se com uma curiosa cor rosada (certamente do Alvarelhão) e na boca uma explosão refrescante de fruta vermelha (mas não madura), tropical e algum pêssego. Um espumante bruto de método clássico, lindíssimo, e mais refrescante e vivo que os rivais da Bairrada.
Uma fantástica opção para quem não quer apenas mais um vinho branco...

quarta-feira, agosto 03, 2005

Encostas de Estremoz Touriga 2003 (T) - II acto

Regressámos a um vinho cuja apreciação já aqui deixámos testemunho (21 de Junho de 2005). Refiro-me ao monocasta Touriga Nacional Encostas de Estremoz (Vinhos D. Joana). Esta segunda experiência contou com a utilização de copos mais apropriados (estilo “borgonha”), o que tornou mais exigente a prova. Mas não se pense que o vinho não esteve à altura: a cor em destaque - quase preta mas com tonalidades lilases (não é um delírio! é uma cor lindíssima) -, o nariz transbordou a Touriga, e na boca manteve o bom nível da prova inicial. São apenas 5.000 garrafas (fora as que eu já comprei no Pingo Doce) destinadas sobretudo aos hipermercados e a um preço de € 4,75... melhor é impossível.

domingo, julho 31, 2005

Quinta Fonte do Ouro 2003 Touriga Nacional (T)


Os ares frescos de Penacova não podiam inspirar a escolha de um vinho que não de uma região como o Dão. Perante esta evidência - quase imposição! - provou-se um "Quinta da Fonte d’Ouro 2003 Touriga Nacional".
A garrafa tinha-nos sido gentilmente oferecida (com sorte pelo meio...) durante a sua primeira apresentação pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu responsável pelo vinho , e o rótulo provisório (com a indicação do ano marcada à mão) atestava isso mesmo. Segundo a lição do mister responsável pelo vinho, cabia a este ainda uma “afinação” final antes de sair para o mercado, mas - como a garrafa dada não se olha o dente - abri a minha de imediato. É, portanto, possível que as minhas próximas palavras não estejam totalmente em conformidade com o vinho versão final que saiu agora para as estantes das casas comerciais.
Temos então: um Dão intenso, com a presença forte da Touriga; mas foi a sua acidez cuja recordação durou a tarde inteira (tendo mesmo resistido com bravura à sesta que gozei). No nariz muita fruta vermelha e alguma caruma (mas o nariz andou confuso quando procurámos outros aromas, talvez por se tratar de um vinho jovem). A cor - vermelha intensa muito bonita!
Deu-nos a clara ideia tratar-se de um vinho que vai ganhar com o descanso condigno nas nossas garrafeiras, mas não tem estrutura para durar muito tempo. A beber já trata-se de um touriga honesto e bem construído, contudo sem dimensão para combates com os seus rivais dourienses, e falta-lhe aquele sabor a terra e o caracter quente que ansiamos nos actuais tourigas alentejanos. Mas atenção!, a acidez que demostrou - agora demasiado intensa, daquia 2 anos talvez perfeita - será certamente um trunfo deste estilo do Dão.
A menos de € 10, e salvo melhor opinião, é um vinho para guardar 2 ou 3 anos e merecer depois uma cuidada selecção na escolha da comida que vai a acompanhar.

sábado, julho 30, 2005

Novidades para a garrafeira: Julho 2005

  • Quinta dos Seis Reis Syrah (T) 2003 – até € 15
  • Quinta AlemTanha (T) 2001 – até € 15
  • Três Bagos Reserva (B) 2004 – até € 10
  • Quinta de Vallado (B) 2004 – até € 10
  • Quinta da Alorna Reserva Chardonnay (B) 2004 – até € 5
  • Muros Antigos Verde (B) 2004 – até € 10

segunda-feira, julho 18, 2005

Tinto Pesquera 1998 Crianza (T)


Para acompanhar rosbife não pensei duas vezes. Lembrei-me de um "Tinto Pesquera" de 98 que tinha guardado em casa, e lá está: uma combinação simples e perfeita.
Este meu “Pesquera” era apenas um “crianza” (a lei espanhola caracteriza como “crianza” o vinho que estagia menos de 1 ano em garrafa) mas foi o meu primeiro Pesquera e desafio qualquer mortal a conseguir por bom preço um Pesquera de 1998, mesmo que seja apenas “crianza”.
De facto, na Primavera que passou fui pessoalmente visitar a “bodega” de Alejandro Fernándes e constatei que os anos de 98-2003 estavam todos esgotados. A procura desta marca é incrível e a exportação leva-os a sítios distantes como o Japão (mas não imagino Tinto Pesquera com sushi!).
A minha sorte é que anos antes comprara na simpática cidade de Lugo uma garrafinha de néctar... ora foi essa garrafa que abri faz dias para o tal rosbife.
E que belo tinto este espanhol da Ribeira del Duero! Com cor vermelha-cereja e alguma lágrima persistente... No nariz, muita fruta, mas também madeira, muita madeira... É um tempranillo espanhol, nota-se de imediato, o primeiro cheiro lembrou-me as adegas que visitei faz meses.
Na boca muito suave (os usuais 18 meses de barrica e 6 em garrafa) e harmonioso, belas notas a carvalho americano e um final longo. Muito vivo este crianza, porventura mais vivo do que alguns reservas.
O preço deste 98 é uma incógnita, mas não ficará abaixo de € 25 em qualquer garrafeira especializada.