sexta-feira, setembro 09, 2005

Jantar com João Portugal Ramos

A todos sortudos, como nós, que no dia 30 deste mês estarão sentados à “mesa com” os mais recentes vinhos do João Portugal Ramos(colheita 2003), cabe lembrar que já se sabe mais qualquer coisa sobre alguns dos vinhos tintos que serão degustados lá para o final do mês... e que vinhos !!! A saber:

  • “Conde do Vimioso Reserva 2003” (as anteriores colheitas fizeram sempre parte de todas as short-lists dos melhores vinhos do ano);
  • “Quinta Viçosa Touriga Nacional/Merlot 2003” – diz quem já provou que é simplesmente fantástico... talvez o melhor JPR...
  • “Quinta Foz de Arouce Vinhas Santa Maria 2003” – um vinho clássico e lendário que JPR tem ressuscitado... lembro-me do meu amigo Francisco Mendes Correia me oferecer um de 89 e já era uma “bomba”... como será o de 2003 ?

O jantar terá lugar no restaurante "A Commenda" no Centro Cultural de Belém e é mais uma grande iniciativa da garrafeira "Coisas do Arco do Vinho".

segunda-feira, agosto 29, 2005

5 brancos à prova do Verão

Não conseguimos evitar e lá fomos país abaixo a caminho do sotavento algarvio. Na bagageira levámos um périplo de cinco vinhos brancos (dois verdes). Uma certeza: gastámos menos de € 25 no total dos 5 vinhos.

QUINTA DE SAIRRÃO RESERVA (B) 2004
Parámos o barco e superámos o lodo. Após uma ida a casa visitou-se a localidade de Santa Luzia bem perto de Tavira. A razão deste nosso regresso a Santa Luzia – já lá deixáramos o barco – prendia-se com a visita ao “Capelo”, restaurante de especialidade marisqueira. Vieram as amêijoas e as postas de um pargo grelhado, a acompanhar bastou uma bela salada de alface e tomate.
Para beber provámos o douriense “Quinta do Sairrão”. Foi o nosso primeiro contacto com esta quinta e gostámos muito da frescura imediata deste branco, do seu maracujá evidente; mas também das notas doces que se manifestavam (seria banana?) escondidas num final longo. Com uma boa presença e sem agulha, sobresaiu a cor quase amarela, bonita desde o primeiro olhar. Bom +.

MARQUES DE RISCAL SAUVIGNON (B) 2004
A recompensa de ir à praça de manhã seria uns belos salmonetes para jantar. Cozeram-se umas batatas e preparou-se uma salada. Os ditos – peixe maravilha quase marisco – foram colocados na grelha, trocou-se a sua posição, e o manjar estava pronto.
Também preparámos o Marques de Riscal Sauvignon, bem fresco como apetece no Verão. Apesar da “bodega principal” desta marca espanhola estar situada na zona de Rioja (com uma arquitectura duvidosa, diga-se) este vinho é feito a partir de uvas de Rueda, zona próxima de Valladolid – território de vinhos brancos interessantes como os “Palácio del Bornos” (sobretudo o verdello, mas também o sauvignon).
Quanto a este Riscal mostrou-se límpido desde logo, de sabor carregado à casta e um toque a “mão de gato” que criou uma leve sensação de desprazer perto do final. É um sauvignon curioso mas pesado, que no entanto terá sem dúvida os seus apreciadores (aqueles que preferem sabor intenso a harmonia). Bom.

SOLAR DAS BOUÇAS (B) 2004
Ao terceiro dia veio a feliz contradição: camarões grandes (tamanho 1) e carapaus pequenos. Os primeiros grelharam-se, os segundos levaram fritura valente. O calor apertava (e eu que o diga ao comando da grelha) e apetecia um vinho verde... e porque não um Solar das Bouças 2004? Todo feito a partir da casta Loureiro, começou por demostrar estrutura interessante alicerçada numa “agulha” muito agradável. Conjunto muito afinado, algum ananás e um forte sabor citrino, muita leveza. Um conjunto que apela a um dia quente e a marisco. Bom +.

BUCELAS (B) 2003
Na lota seguimos pelo arroz de marisco, mas para acompanhar escolhemos o “Bucelas 2003” das Caves Velhas. A escolha no entanto começou por desapontar na cor, algo deslavada (quase aguada). Infelizmente na boca o vinho confirmou as expectativas e revelou-se um arinto furos abaixo do habitual da marca, sem a nobreza da casta. Pouco sabor a fruta, algum maracujá ligeiro (camuflado) e pouco mais. No nariz esteve regular. Suficiente.

QUINTA DO AZEVEDO (B) 2003
E no final, veio o vencedor. A acompanhar uns audaciosos bocados de espadarte do Algarve – sempre óptimo na grelha – abrimos um dos melhores brancos da Sogrape. Vinho verde, de grande porte, muita agulha mas não em exagero, esteve muito bem. Sabor intenso, ora tropical ora citrino. Cor amarela clara, de nariz subtil e sublime. Muito bom. O melhor do lote... no último dia. Bom ++.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Quinta dos Carvalhais Encruzado (B) 2003


Não deu tempo para refrear os ânimos dos Portos provados (ver post infra) e outra experiência magnânima passou-nos pelo estreito. Começámos por pedir uma perdiz de escabeche, mas fomos a tempo de alterar por um anunciado “foie-gras”. Mas, no campo da comida, foi sorte nula, pois o “foie-gras” não passava de patê rasca com uma cobertura agridoce. Para emendar a mão, veio a massa com requeijão – um clássico dessa casa ao cimo da Praça da Alegria.
Mas foi a beber que as lágrimas correram pela face... A sugestão era um “Quinta dos Carvalhais Encruzado 2003”, e tudo virou sublime de súbito ... o próprio patê, antes uma mixórdia, parecia agora um pitéu digno dos deuses.
É preciso dizer que estava uma noite abafada, e – estranhamente – não me apetecia a fruta tropical de um Alvarinho. Ao invés, o calor da noite chamava um líquido mineral e com muita personalidade. E foi o que encontrámos com o Encruzado, casta branca predilecta do Dão. Outros “Encruzados” havíamos já provado e saudado – o da “Quinta do Cabriz 2002”, por exemplo – mas este da “Quinta dos Carvalhais” bateu a concorrência. Gritámos tratar-se de um dos melhores brancos de 2003! E ninguém protestou.
Grande cor, grande corpo, alma limpa e alguma fruta citrina, um final prolongado e insistente, muito mineral e um toque a madeira que conferiu um equilíbrio perfeito e uma elegância pungente como poucos brancos têm.
A € 15 nas garrafeiras, está entre os melhores brancos portugueses de 2003 (e de 2004) que até hoje provei.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Portos: Vintage 87 e LBV 2000


Em menos de uma semana e tivemos duas subidas ao céu: a primeira, com o excelente vintage 87 da Real Companhia Velha. Alguns dias depois, com o explosivo LBV 2000 da casa Burmester.
O ano de 1987 foi um ano muito bom no Douro, mas foram outras as vindimas dos anos oitenta que tiveram o máximo protagonismo da década, refiro-me aos inesquecíveis vintages de 83 e 85. Ainda que nem todas as marcas tenham declarado vintage em 1987 – ao que parece existia pouco vinho – a verdade é que algumas marcas de referência não hesitaram em declará-lo. Foi o que aconteceu com a Niepoort, Ferreira, Martinez, Offley e claro, com a Real Companhia Velha.
E o que dizer deste Porto? uma fruta elegantíssima, um equilíbrio total nos taninos, e desde logo uma maturidade que nos ofereceu a certeza de tratar-se um vintage para durar pouco mais que vinte anos. Bebemo-lo na altura certa, podemos concluir.
Quanto ao ano de 2000, é por todos sabido ter sido um ano exemplar... e o LBV da Burmester não desapontou: esteve pujante, com muita compota, fruta madura intensa e com alguma baunilha que a madeira lhe conferiu.
Duas propostas fantásticas, mas bem diferentes, tal como o preço, aliás...

quarta-feira, agosto 10, 2005

terça-feira, agosto 09, 2005

Muros Antigos Espumante Bruto (B) 2002

Foi na sequência de um belo dia na Praia das Maçãs (belo dia pois a neblina só se fez à Ribeira de Colares pelas seis da tarde) que encontramos uma vez mais o restaurante “Mar do Inferno”, bem junto a Cascais. Se não fosse a simpatia da D. Lurdes e não havia mesa, dada a afluência de fim de semana, mesmo em férias.
Para entrada, aconteceu um acepipe da mais alta qualidade, bruxas de Cascais... frescas, fresquissímas estas miniaturas de molusco... depois já a famosa travessa do mar com dourada e robalo (do mar) grelhadas e uns robustos camarões a acompanhar.
E a beber escolhemos um espumante, uma aposta certeira. "Muros Antigos" em balde e flutes apropriados. Com 30% de Alvarinho e o restante de Alvarelhão tinta, apresentou-se com uma curiosa cor rosada (certamente do Alvarelhão) e na boca uma explosão refrescante de fruta vermelha (mas não madura), tropical e algum pêssego. Um espumante bruto de método clássico, lindíssimo, e mais refrescante e vivo que os rivais da Bairrada.
Uma fantástica opção para quem não quer apenas mais um vinho branco...

quarta-feira, agosto 03, 2005

Encostas de Estremoz Touriga 2003 (T) - II acto

Regressámos a um vinho cuja apreciação já aqui deixámos testemunho (21 de Junho de 2005). Refiro-me ao monocasta Touriga Nacional Encostas de Estremoz (Vinhos D. Joana). Esta segunda experiência contou com a utilização de copos mais apropriados (estilo “borgonha”), o que tornou mais exigente a prova. Mas não se pense que o vinho não esteve à altura: a cor em destaque - quase preta mas com tonalidades lilases (não é um delírio! é uma cor lindíssima) -, o nariz transbordou a Touriga, e na boca manteve o bom nível da prova inicial. São apenas 5.000 garrafas (fora as que eu já comprei no Pingo Doce) destinadas sobretudo aos hipermercados e a um preço de € 4,75... melhor é impossível.

domingo, julho 31, 2005

Quinta Fonte do Ouro 2003 Touriga Nacional (T)


Os ares frescos de Penacova não podiam inspirar a escolha de um vinho que não de uma região como o Dão. Perante esta evidência - quase imposição! - provou-se um "Quinta da Fonte d’Ouro 2003 Touriga Nacional".
A garrafa tinha-nos sido gentilmente oferecida (com sorte pelo meio...) durante a sua primeira apresentação pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu responsável pelo vinho , e o rótulo provisório (com a indicação do ano marcada à mão) atestava isso mesmo. Segundo a lição do mister responsável pelo vinho, cabia a este ainda uma “afinação” final antes de sair para o mercado, mas - como a garrafa dada não se olha o dente - abri a minha de imediato. É, portanto, possível que as minhas próximas palavras não estejam totalmente em conformidade com o vinho versão final que saiu agora para as estantes das casas comerciais.
Temos então: um Dão intenso, com a presença forte da Touriga; mas foi a sua acidez cuja recordação durou a tarde inteira (tendo mesmo resistido com bravura à sesta que gozei). No nariz muita fruta vermelha e alguma caruma (mas o nariz andou confuso quando procurámos outros aromas, talvez por se tratar de um vinho jovem). A cor - vermelha intensa muito bonita!
Deu-nos a clara ideia tratar-se de um vinho que vai ganhar com o descanso condigno nas nossas garrafeiras, mas não tem estrutura para durar muito tempo. A beber já trata-se de um touriga honesto e bem construído, contudo sem dimensão para combates com os seus rivais dourienses, e falta-lhe aquele sabor a terra e o caracter quente que ansiamos nos actuais tourigas alentejanos. Mas atenção!, a acidez que demostrou - agora demasiado intensa, daquia 2 anos talvez perfeita - será certamente um trunfo deste estilo do Dão.
A menos de € 10, e salvo melhor opinião, é um vinho para guardar 2 ou 3 anos e merecer depois uma cuidada selecção na escolha da comida que vai a acompanhar.

sábado, julho 30, 2005

Novidades para a garrafeira: Julho 2005

  • Quinta dos Seis Reis Syrah (T) 2003 – até € 15
  • Quinta AlemTanha (T) 2001 – até € 15
  • Três Bagos Reserva (B) 2004 – até € 10
  • Quinta de Vallado (B) 2004 – até € 10
  • Quinta da Alorna Reserva Chardonnay (B) 2004 – até € 5
  • Muros Antigos Verde (B) 2004 – até € 10

segunda-feira, julho 18, 2005

Tinto Pesquera 1998 Crianza (T)


Para acompanhar rosbife não pensei duas vezes. Lembrei-me de um "Tinto Pesquera" de 98 que tinha guardado em casa, e lá está: uma combinação simples e perfeita.
Este meu “Pesquera” era apenas um “crianza” (a lei espanhola caracteriza como “crianza” o vinho que estagia menos de 1 ano em garrafa) mas foi o meu primeiro Pesquera e desafio qualquer mortal a conseguir por bom preço um Pesquera de 1998, mesmo que seja apenas “crianza”.
De facto, na Primavera que passou fui pessoalmente visitar a “bodega” de Alejandro Fernándes e constatei que os anos de 98-2003 estavam todos esgotados. A procura desta marca é incrível e a exportação leva-os a sítios distantes como o Japão (mas não imagino Tinto Pesquera com sushi!).
A minha sorte é que anos antes comprara na simpática cidade de Lugo uma garrafinha de néctar... ora foi essa garrafa que abri faz dias para o tal rosbife.
E que belo tinto este espanhol da Ribeira del Duero! Com cor vermelha-cereja e alguma lágrima persistente... No nariz, muita fruta, mas também madeira, muita madeira... É um tempranillo espanhol, nota-se de imediato, o primeiro cheiro lembrou-me as adegas que visitei faz meses.
Na boca muito suave (os usuais 18 meses de barrica e 6 em garrafa) e harmonioso, belas notas a carvalho americano e um final longo. Muito vivo este crianza, porventura mais vivo do que alguns reservas.
O preço deste 98 é uma incógnita, mas não ficará abaixo de € 25 em qualquer garrafeira especializada.

domingo, julho 17, 2005

Quinta da Pacheca 2003 (B)

A cidade de Sesimbra já não é o que era. Os meus 28 anos são suficientes para me lembrar com clareza como as casas pequenas e brancas rodeavam as duas baías, com a fortaleza bem no centro. Nessa altura, os meus pais comiam numa tasca fabulosa onde um pescador e a mulher (mais um pastor alemão que teimava em não acordar) serviam as melhores santolas de que me consigo lembrar.
Hoje, Sesimbra é uma outra Sesimbra; é uma barafunda completa com automóveis por tudo o que é lado, e é sobretudo um dos piores exemplos do (falta de) urbanismo em Portugal. Mais a cima, Santana, é outra pequena localidade que segue o mesmo caminho do cimento. É pena e é irreversível.
A tasca onde ia com os meus pais já não existe, mas restaurantes onde o marisco e peixe são reis, esses – por força do comércio turista – ainda existem... o "Farol" no centro histórico, o "Ribamar" na primeira linha da Praia do Ouro, a tasca do "Formiga" lá no alto, e o "Tony-bar"...
Regressámosa este último com a promessa de lapas frescas... e lapas frescas encontrámos... mas primeiro uns camarões de Sesimbra (pequenos e bravios) e depois uma santola... a acompanhar escolhemos o “Quinta da Pacheca” 2003 Branco...
Que grande branco! – uns dos melhores que provei este ano – complexo logo no nariz, cor quase amarela-ambar, e na boca um agregado de sabores citrinos e florais... era um pouco de ananás... depois muita uva madura... depois fruta verde...
Feito de Cerceal, Malvasia Fina e Gouveio, é um douriense de gema, um daqueles branco do Douro que nos lembra a frescura de um verde e a uva bem presente de um branco maduro... muito bom.
Custou-me € 12 e valeu cada chapa gasta.

sexta-feira, julho 15, 2005

Quinta da Murta 2004 (B)

A noite ventosa, como só Lisboa no Verão teima em acontecer, estava contudo quente, apetecendo um branco fresco. Lembrámo-nos das personagens de Shakespeare e das tropas de Napoleão, todos amantes de um dos príncipes do vinho branco português. Adivinharam, bebemos um arinto de Bucelas. A escolha recaiu no Quinta da Murta 2004.
Tratou-se de um branco muito seco, citrino e harmonioso mas com pouco a oferecer no nariz. Também na cor faltou limpidez e altivez. Na boca mostrou-se redutor, fresco é certo, mas menos floral do que esperávamos.
A janta, simples e picante – esmagámos três malaguetas –, também não ajudou a prova e os 12% de álcool quase não se notaram.
A menos de € 4 é um vinho de Verão para se beber ainda este ano, mas outros sim - que não este Quinta da Murta - reinam em Bucelas!

sexta-feira, julho 08, 2005

Planalto Reserva 2003 (B)


Sentei-me nas novas “docas” de Portimão. Um complexo recente mesmo junto das antigas, essas sim verdadeiras docas onde a sardinha era descarregada e, depois, colocada no assador antes da barriga. A nova versão das docas - inaugurada em 2004 - assemelha-se à doca de Sto. Amaro em Lisboa com o acrescento de um paredão enorme. Ganhou-se luminosidade e espaço, perdeu-se na autenticidade.
Vamos ao almoço que faz tarde: amêijoas (óptimas, doces...), sardinha (claro! pequenas e saborosas à excepção de uma que estava esfarolada) e bica escalada (peixe familiar próximo do pargo). Várias versões de saladas de tomate e outras de pimentos a acompanhar temperadas pela mão (sábia) de um algarvio, como manda a regra.
Mas siga-se já para o beber que estamos em época de sol e no Algarve o calor aperta: um branco douriense de marca consagrada, fruto de constantes colheitas bem conseguidas e a um preço que se manteve longe da especulação. Escolheu-se a Colheita de 2003 e exigiu-se um balde coberto de gelo. Bela cor, boas notas no nariz, tratava-se evidentemente de um vinho refrescante e que viria a mostrar uma surpreendente boa adaptação tanto à amêijoa como ao peixe.
Demasiado macio na boca - faltava-lhe já alguma vivacidade! -, apresentou-se porém complexo e vegetal (como nós gostamos dele!), com suaves notas citrinas num final curto mas honesto. Nunca se mostrou enjoativo nem doce - como outras modas por aí ditam -, esteve muito bem na boca. Em conclusão, acompanhou com segurança a realeza da refeição.
A um pouco menos de € 5 nas garrafeiras e nos hipermercados, é sempre agradável beber um Planalto, cabendo agora provar a colheita de 2004!

segunda-feira, julho 04, 2005

Quinta do Carmo 2004 (B)

Mais um grande branco de Verão que fugiu à moda da monocasta. A cor indiciava que este alentejano não era um puro sangue, antes um vinho internacional (o que não se estranha vindo de uma Sociedade Agrícola com capitais em parte estrangeiros). Mas seria o aroma - complexo e penetrante - a confirmar as previsões e finalmente a boca onde o vinho revelou-se cheio e muito refrescante.
Um daqueles brancos do Alentejo verdadeiramente fresco que cada vez mais rareia nas garrafeiras. Final elegante e leve.
Um belo branco a cerca de € 10.
A foto respeita ao rótulo de 1999, em tudo semelhante ao actual.

sexta-feira, julho 01, 2005

Quinta de Cidrô "Sauvignon Blanc" 2003 (B)

Um belo branco do Douro como só esta região consegue produzir, fresco, maracujá e alguma agulha por estranho que pareça. Uma acidez quase perfeita... é um belo sauvignon blanc (mas fica a saudade de outros que já bebemos).
Desta vez, provávamos um só copo, e foi pena. Mas já se encontra na minha lista de futuras aquisições. É a prova que a Real Companhia Velha continua a lançar belos vinhos (quem esquece o Evel GrandeEscolha 1999..?).

segunda-feira, junho 27, 2005

Bastardinho de Azeitão JMF 1984


Vinho licoroso de muita qualidade e raridade. Canela, mel e uva passa. Um toque floral termina em beleza este néctar em garrafa de 0,5l.
Um belo final de jantar, uma cor de ouro, um sabor intenso.
Uma preciosidade a um preço à medida (acima dos € 25).

sexta-feira, junho 24, 2005

Herdade Grande Colheita Selecionada 2003 (B)


Este “Herdade Grande” começou por desapontar na cor deslavada, ainda que no nariz estivesse bem (notas minerais, sobretudo). Na boca iniciou-se pobre e confuso, não sobressaindo fruta e contrariando assim o contra-rótulo.
No entanto, após alguns instantes, alguns sabores citrinos despontam e uma complexidade refrescante manifesta-se em todo o vinho. Muita harmonia.
Um bom vinho branco abaixo dos € 10, eleito como o “melhor branco do Alentejo” pelos enófilos da região.

Touquinheiras 2002 Verde (B)


Cor ainda amarela, mas com menos “agulha” (efervescência) comparado com a garrafa que abrimos ano passado.
Citrino na boca, algum ananás e maracujá, este sobretudo no nariz. Frescura evidente.
Uma vez mais, ficámos com a mesma impressão de sempre: que um Alvarinho não deve ser guardado por muito tempo, ainda que o vinho se mantenha com alguma qualidade por certo período de tempo (neste caso, 3 anos volvidos e o vinho ainda mantinha alguns aromas interessantes).
A menos de € 10, um bom Alvarinho, contudo melhores – e de melhores colheitas – abundam no mercado.

terça-feira, junho 21, 2005

Encostas de Estremoz Touriga Nacional 2003 (T)

O rótulo apresenta-se estreito, vermelho, e partilha a imagem com todos os vinhos “D. Joana”, sendo por isso preciso (bem) procurar a referência escondida à “Touriga Nacional” utilizada em exclusivo. Mas vale a pena! Vale bem descobrir este touriga alentejano, como outros que hoje pululam nas estantes das garrafeiras, bem diferentes dos tourigas do Douro ou do Dão que outrora dominavam a nossa atenção.
Mas não foi só pela curiosidade da touriga plantada no Alentejo que se bebeu este tinto; o seu preço (abaixo dos € 5) também foi um chamariz (para nós que continuamos a procurar a qualidade a um preço justo).
Vinho quente, taninos a sobressair, alguma madeira e muita acidez (neste aspecto bem diferente do que já provámos por outros lados de Estremoz) que disfarçou o álcool (14%) e o estágio de 7 meses. Em conclusão: um belo vinho, a um preço fantástico, que se bebe muito bem por não pecar desse vício de se insistir na produção de vinhos alentejanos de corpo excessivo. E no nariz... tudo era touriga...
O calor que se sente aconselha o uso de uma cinta térmica para refrigerar o vinho.
No Pingo Doce por 4,75€.

sábado, junho 18, 2005

Quinta do Cabriz Reserva 2001 (T)


Finalmente, uma proposta do Dão.
A sociedade Dão Sul, e sobretudo através da Quinta do Cabriz, é hoje um dos mais bem sucedidos projectos nacionais. Gente jovem e dinâmica com amor aos vinhos e com óptimo apoio enológico (prof. Virgílio Loureiro).
A prova desse sucesso são vinhos como o "QC Colheita Selecionada 2000" - ainda uma referência nacional na relação preço/qualidade (atenção aos de 2001 e 2002, bastante menos interessantes).
Mas vamos ao interessa, neste caso o "QC Reserva 2001": bebeu-se este vinho por duas vezes, sempre bem acompanhado, a última das quais em dia de muita festa e alegria, defronte de um prato de javali com castanhas, seguido de rosbife no churrasco.
A um óptimo preço, tratou-se de um vinho cheio, com muita acidez, no qual predominou a Touriga Nacional. Alguma caruma e madeira, a primeira no nariz, a segunda mais na boca.
Não sendo felizmente um reserva do Dão à moda antiga (daqueles que deu má fama aos vinhos do Dão em terras de Inglaterra), trata-se um vinho sedutor e moderno, muito bem afinado e onde o álcool (13.6%) quase não se nota. Tudo aponta para mais um sucesso - merecido - de vendas.
A menos de 10 € nas garrafeiras, um pouco (ou muito) mais nos restaurantes.